Setor sucroenergético

Notícias

Preço dos ativos sucroalcooleiros tende a cair em 2015, diz Rabobank

SÃO PAULO - Em relatório divulgado hoje, o banco holandês Rabobank avaliou que as companhias sucroalcooleiras que estão sob pressão de serem vendidas devido à deterioração de sua situação financeira não devem contar com um alívio nas condições de mercado em 2015. Por isso, o “gap” entre o valor que o vendedor quer negociar e o que o comprador considera justo pagar tende a ser equacionado no próximo ano, com vantagem para o comprador.

“As circunstâncias sugerem que, em 2015, há mais probabilidade de a diferença entre compradores e vendedores ser resolvida por um declínio nos preços-alvo dos vendedores do que por um aumento nos preços que os compradores estão dispostos a pagar”, afirmou o banco em relatório, assinado pelo especialista Andy Duff.

A vantagem dos compradores sobre os vendedores, conforme o Rabobank, está sustentada em numa série de fatores, que vão desde os fundamentos do próprio setor sucroalcooleiro, quanto da economia brasileira.

Primeiramente, na visão da instituição financeira, é preciso lembrar que em 2014 a seca impactou o volume de cana-de-açúcar da safra 2014/15 no Centro-Sul, de forma que gerou um fim de moagem precoce e, por consequência, resultará num longo período de entressafra que tende a exercer um adicional estresse de liquidez para as companhias que já estão sob pressão de caixa.

Em segundo lugar, segundo o Rabobank, as perspectivas para o próximo ciclo, o 2015/16, ainda são de cotações internacionais do açúcar sob pressão enquanto um modesto aumento no retorno dado pelo etanol é esperado. De outro lado, para as companhias que estão vendendo eletricidade no mercado spot ou em contratos de curto prazo firmados em 2014, o cenário é de continuidade de boas margens com esse produto. O banco esclarece, no entanto, que os preços mais altos do diesel devem facilmente se sobrepor a qualquer efeito positivo vindo do reajuste da gasolina. Além disso, a estiagem severa de 2014 tende a repercutir na produtividade dos canaviais em 2015, impactando nos custos de produção.

Os potenciais compradores, por outro lado, não vão se sentir pressionados a tomar posição, pelo menos, enquanto a economia brasileira ainda estiver suscetível à volatilidade no câmbio. (Valor Econômico 08/12/2014 às 17h: 37m)

 

Credores da Aralco aprovam plano de recuperação judicial

O plano de recuperação judicial da sucroalcooleira Aralco foi aprovado hoje pelos credores da companhia em assembleia realizada em Araçatuba, interior de São Paulo, onde fica a sede da empresa. A companhia pediu recuperação judicial em março deste ano, menos de um ano após emitir bonds de US$ 250 milhões para alongar dívidas.

Conforme o advogado da Aralco, Joel Thomaz Bastos, do escritorio Dias Carneiro Advogados, o plano foi aprovado por 100% da classe trabalhista, 100% dos credores com garantia real e quase 90% dos quirografarios.

Segundo o advogado dos detentores de bonds da Aralco, Paulo Campana, sócio da área de restruturação de dívidas do escritório Felzberg & Associados, no dia 20 de janeiro de 2015, uma outra assembleia será realizada para decidir a composição do grupo consultivo, formado por sete membros que serão escolhidos por credores, e que vão deliberar sobre questões estratégicas do grupo.

De acordo com o plano aprovado, a “Nova Aralco Participações S.A.”, como será denominada a nova companhia, será uma holding do novo grupo Aralco e será a detentora direta da integralidade das ações do capital da Aralco, e indiretamente, de todos os bens e direitos envolvidos no negócio sucroalcooleiro do grupo. A nova empresa será também devedora solidária das obrigações do plano.

Além dos credores quirografários também podem converter dívida em ações os credores extraconcursais (que não se submetem à recuperação). Entre credores pertencentes a esses dois grupos, estão o Credit Suisse, que lidera um sindicato de bancos, e o BTG Pactual. Juntos, eles têm a receber cerca de R$ 70 milhões.

O prazo de conversão de dívida em ações é de 15 anos. Se antes disso as UPIs forem vendidas, os recursos serão usados para quitar a dívida dos credores.

O plano prevê que os credores trabalhistas sejam pagos em até um ano a partir da homologação do plano pela Justiça. Os fornecedores de cana-de-açúcar serão pagos em quatro anos — quatro parcelas anuais.

A empresa tem quatro usinas no oeste de São Paulo que somam capacidade para moer 7,2 milhões de toneladas de cana por safra. Mas no ciclo 2013/14 processou apenas 5 milhões de toneladas, abaixo das 6 milhões previstas no início da temporada. (Valor Econômico 08/12/2014 às 21h: 10m)

 

CPI da Petrobrás terá “relatório paralelo”

Na expectativa de um relatório final “chapa branca” da CPI mista da Petrobrás, a ser apresentado quarta-feira pelo deputado Marco Maia (PT-RS), parlamentares da oposição preparam um contra-ataque: a apresentação de um texto paralelo mais crítico ao trabalho da comissão. Segundo o deputado Rubens Bueno (PR), líder do PPS na Câmara, nesse documento alternativo sobre as investigações não está descartada a possibilidade de se pedir o indiciamento da presidente Dilma Rousseff pelo escândalo de corrupção que envolve a maior estatal do País.

A intenção dos oposicionistas é mostrar que o governo barrou o avanço das apurações, iniciadas oficialmente em maio, e impediu que envolvidos e empreiteiras se tornassem alvos de convocações e quebras de sigilo. Eles devem adotar o discurso de que, por serem minoria e não terem o controle do comando da CPI, ficaram a reboque da blindagem do Palácio do Planalto. O PSDB e o DEM incumbiram o deputado tucano Carlos Sampaio (SP), ex-coordenador jurídico da campanha de Aécio Neves, de apresentar relatório paralelo. Outro está sendo feito pelo PPS.

Sem surpresa

Até o momento, Marco Maia não tornou público o relatório que vai apresentar. Integrantes da base aliada acreditam que o texto não trará qualquer surpresa para o Planalto – a expectativa de todos é que, como o conteúdo das delações premiadas da Operação Lava Jato não foi remetido oficialmente à comissão, não pode constar do texto final. O relatório de Maia vai explorar os quatro eixos de criação da CPI, entre eles o da refinaria de Pasadena, nos EUA. Também deve sugerir mudanças legislativas referentes à Petrobrás. 

Em março, Dilma disse ao Estado que se baseou em um parecer “juridicamente falho” do ex-diretor da estatal Nestor Cerveró para aprovar em 2006 a compra da metade da refinaria. Na época, ela presidia o Conselho de Administração da Petrobrás. O Tribunal de Contas da União isentou todo o conselho de responsabilidade pelos prejuízos de US$ 792 milhões com a operação – decisão que a oposição questiona. (O Estado de São Paulo 08/12/2014)

 

Crise na Petrobras afeta trabalhadores de empresas contratadas

Representantes de centrais sindicais manifestaram nesta segunda-feira à presidente Dilma Rousseff sua preocupação com a situação dos trabalhadores de empresas contratadas pela Petrobras, que, segundo eles, começam a ser afetados pelas acusações de corrupção envolvendo a estatal.

Segundo o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, algumas empresas contratadas pela Petrobras para realizar obras começaram a não pagar salários de seus funcionários.

"Essa crise da Petrobras está chegando agora nos assalariados... Essa é uma grande preocupação que hoje está ainda localizada no Recife, no Rio Grando do Sul e parece que também no Rio de Janeiro”, disse Torres.

Segundo o dirigente sindical, a ideia é, por exemplo, evitar que haja paralisações de obras e demissões. “O que nós temos, primeiro, é de garantir os direitos dos trabalhadores”, disse ele, afirmando que, no Recife há cerca de 5 mil trabalhadores sem salário há dois meses.

Torres disse que os sindicalistas sugeriram a Dilma que a Petrobras faça os pagamentos referentes aos salários e indenizações à Justiça do Trabalho, e não diretamente às empreiteiras contratadas.

A Petrobras está no centro de um escândalo de corrupção oriundo de denúncias que vieram à tona com a Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O ex-diretor da empresa Paulo Roberto Costa disse, em acordo de delação premiada, que construtoras faziam cartéis em licitações da Petrobras e pagavam propinas a diretores da estatal. (Reuters 08/12/2014

 

Cresce exportação de etanol dos EUA

Unidade de produção de etanol de milho na Califórnia: incertezas no país estimulam busca de novos mercados no exterior.

O etanol voltou à lista de combustíveis cujas exportações globais são dominadas pelos Estados Unidos. Após os embarques americanos de gasolina e diesel terem triplicado desde 2009, as vendas ao exterior do biocombustível feito a partir do milho também reagiram, cresceram 31% este ano e atingiram o maior patamar desde 2011. O etanol tem sido enviado a um grupo diversificado de países, que inclui desde a Coreia do Sul até produtores de petróleo do Golfo Pérsico.

Esse novo "boom" é basicamente motivado por novas safras recorde de milho. Os EUA estão produzindo cerca de 66 milhões de toneladas a mais do cereal por temporada do que há uma década, quase tanto quando o resto do mundo deverá exportar este ano. Nesse contexto, as exportações de etanol estão ajudando a evitar um excedente ainda maior da produção, sobretudo depois que Washington reduziu as exigências para a participação do biocombustível na matriz energética doméstica.

"Os EUA precisam ter um mercado exportador", diz Wallace Tyner, economista especializado em agricultura da Purdue University, de West Lafayette (Indiana). "Temos excesso de capacidade. O produto está aí, está pronto e tem preço razoável."

Os contratos do etanol desnaturado [com adição de substâncias que impedem seu uso em bebidas, alimentos ou produtos farmacêuticos] negociados na bolsa de Chicago subiram 15% desde o início de outubro, enquanto os futuros da gasolina, pressionados pela baixa do petróleo, recuaram 43% desde junho.

Com capacidade para produzir 14,9 bilhões de galões de etanol [cada galão equivale a 3,785 litros], pouco mais de 10% do mercado americano de gasolina (135 bilhões de galões), os produtores do país não têm escolha a não ser exportar, de acordo com Tyner.

Em 2010, os Estados Unidos superaram a Rússia e se tornaram o maior país exportador de derivados de petróleo, com embarques de 2,31 milhões de barris por dia, segundo dados oficiais. As vendas no mercado internacional atingiram o recorde de 4,38 milhões de barris por dia um ano atrás.

O biocombustível à base de milho está no limbo nos EUA desde que o governo informou, no mês passado, que adiaria o estabelecimento de novas cotas de consumo, o que não acontecia desde que as Normas para os Combustíveis Renováveis foram implementadas no país, em 2005.

Em novembro do ano passado, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) propôs uma redução da quantidade de etanol a ser misturada na gasolina em até 9%, para 13,1 bilhões de galões. Foi uma concessão às refinarias de petróleo, que sustentavam que as regras deveriam levar em consideração uma demanda em geral mais fraca.

Essa proposta, que alinhou o consumo de etanol ao equivalente a cerca de 10% do mercado de gasolina, foi recebida "com controvérsia e muitos comentários", segundo informou a EPA em 21 de novembro, e influenciou o adiamento da implementação de novas metas para o uso do biocombustível.

Assim, a indústria americana do etanol vem buscando novas fontes de crescimento. Missões comerciais já estiveram no Peru, no Panamá, no Japão e na Coreia do Sul, e há viagens planejadas para este mês para Tailândia, Malásia e Filipinas, de acordo com a Associação dos Combustíveis Renováveis (RFA), com sede em Washington. Uma missão ao Brasil patrocinada pelo Departamento de Comércio dos EUA também gerou recentemente novos contratos de venda avaliados em US$ 29 milhões, segundo estatísticas da RFA.

ADM, Green Plains Renewable Energy e Valero Energy, três das quatro maiores companhias de etanol dos EUA, têm destacado as exportações como frente importante de crescimento. A Green Plains, por exemplo, tem embarques agendados até o terceiro trimestre de 2015, o que é incomum, conforme afirmou seu CEO, Todd Becker, em uma conferência telefônica realizada em 29 de outubro.

Com esses esforços, as exportações de etanol dos EUA poderão alcançar, em média, entre 950 milhões e 1 bilhão de galões por ano de 2015 a 2020, mais que o dobro do nível de 2010, segundo estima o Citigroup. "Parte disso se deve aos preços competitivos dos EUA", diz Aakah Doshi, analista da instituição em Nova York. "É a salvação do setor."

O etanol americano é produzido a partir da fermentação de amido de milho em destilarias localizadas no Meio-Oeste, principal região produtora de grãos do mundo. Safras recorde seguidas proporcionaram aos produtores uma oferta sem precedentes, especialmente de milho.

O Brasil, segundo maior produtor global de etanol, também é hoje menos competitivo, como observa Alejandro Zamorano Cadavid, analista de biocombustíveis da Bloomberg Intelligence em Nova York. O país produz etanol a partir da cana e a oferta diminuiu desde 2010.

Com pouca concorrência, os EUA estão vendendo inclusive para países ricos em petróleo. Entre seus clientes estão membros da O Opep como Arábia Saudita, Nigéria e Emirados Árabes Unidos, segundo dados do Departamento de Energia dos EUA. Em setembro, as exportações americanas de etanol somaram 1,35 milhão de barris, ou cerca de 2% dos 75,5 milhões de barris de gasolina e diesel que os EUA exportaram, impulsionados pela febre do xisto.

Com mais países instituindo políticas contra a poluição, os EUA poderão ampliar sua lista de consumidores de etanol, afirma Darrel Good, professor emérito de economia agrícola e de consumo da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

Os EUA e a China, os dois maiores poluidores do mundo, anunciaram em 12 de novembro um pacto para a redução das emissões de gases. Um ano atrás, a China fez sua maior compra de etanol americano (84 mil barris). O país asiático acrescenta o biocombustível à gasolina para aumentar a octanagem e reduzir a emissão de gases poluentes. Em agosto, comprou outros 79 mil barris, conforme dados da EIA.

"Se não conseguimos vender aqui, venderemos em outro lugar", diz Bob Dinneen, principal executivo da Associação dos Combustíveis Renováveis. "Vamos nos concentrar no mercado externo.". (Valor Econômico 09/12/2014)

 

Preço do açúcar nos EUA supera em 58% o do mercado global

Os preços do açúcar estão mais altos nos Estados Unidos, enquanto em outros países estão caindo. Em setembro, as cotações do alimento no mercado global atingiram o menor patamar em mais de cinco anos, apesar de terem se recuperado um pouco depois da queda. No entanto, os preços do açúcar no mercado futuro dos EUA estão 58% acima daqueles praticados no mercado global.

O preço do açúcar para entrega em março nos EUA fechou a 23,98 cents/lb na sexta-feira na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). Já o contrato usado no mercado global com vencimento para o mesmo mês encerrou em 15,14 cents/lb.

Há um ano, a diferença entre os dois contratos era de apenas 2 cents. À época, os EUA importaram um volume recorde do México e criaram um cenário com estoques amplos no país, o que reduziu os preços do açúcar internamente.

Os preços do açúcar nos EUA costumam ficar alguns cents acima do preço mundial, devido à políticas de restrição de importações e a auxílios aos produtores. No entanto, a diferença se expandiu neste ano após o governo norte-americano ameaçar aumentar as taxas de importação do México para proteger os produtores dos EUA.

Em outubro, o México fechou um acordo preliminar para embarcar menos açúcar aos EUA, o que reduziu a diferença entre o preço dos EUA e o preço mundial no mercado de futuros. Os EUA são o quarto maior consumidor de açúcar e dependem de importações - principalmente do México - para suprir cerca de 25% de sua demanda.

Diferente de outros exportadores de açúcar, como Brasil e Tailândia, o México vende a commodity para os EUA livre de taxas, devido ao Tratado de Livre-Comércio da América do Norte. No entanto, em março, produtores dos EUA alegaram que o México estaria subsidiando a indústria de açúcar. O Departamento do Comércio estipulou a taxa de importação em 64,27% sobre o açúcar mexicano, elaborando um acordo para suspender a tarifa apenas quando o país se comprometesse a restringir as vendas. A acordo ainda não foi finalizado.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que o México deve exportar 26% menos açúcar na temporada iniciada em 1º de outubro ante a temporada passada. Segundo analistas, a redução das exportações do México pode pesar ainda mais sobre as cotações do açúcar, uma vez que o produto que era destinado aos EUA irá contribuir para aumentar os estoques mundiais.

"Haverá muito mais açúcar do México no mercado mundial", disse Sergey Gudoshnikov, economista da Organização Internacional do Açúcar (OIA). "Isso deve pressionar os preços.".(Dow Jones 08/12/2014)

 

Petróleo acelera queda e favorece volta da Cide

A consistente queda na cotação do petróleo no mercado internacional aumentou para dois dígitos a diferença favorável à Petrobras entre os preços interno e externo da gasolina e do diesel, movimento que abriu espaço para o governo acomodar a volta da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) na inflação e praticamente eliminou a necessidade de novo reajuste dos combustíveis nas refinarias. Só no último mês, o preço do óleo cru recuou 20%. Ontem, o barril do tipo WTI chegou a ser cotado a US$ 63,05, menor valor desde julho de 2009.

Na média de novembro, a Petrobras importou gasolina a um preço 6% menor do que o praticado em suas refinarias, nos cálculos da consultoria GO Associados. Fazendo uma projeção com o cenário observado neste mês, levando em conta uma cotação do barril de petróleo do tipo WTI a US$ 67 e o dólar a R$ 2,60, o litro da gasolina no exterior fica 20% mais barata do que a vendida no mercado brasileiro. Na média de outubro, o litro da gasolina importada ainda estava ligeiramente mais caro (R$ 0,02). O barril WTI baliza os preços praticados nos EUA e no Golfo do México, de onde a estatal importa petróleo e derivados.

Já a defasagem do diesel na cotação de ontem foi ampliada para 23%. Se esse patamar for mantido, é possível acomodar o retorno da Cide sem repasse de preços no mercado interno e ainda prover rentabilidade na operação da Petrobras. Como os contratos de importação e exportação do setor são de médio prazo, as oscilações dos preços internacionais levam entre um e três meses para serem sentidas, de acordo com analistas.

Economistas ouvidos pelo Valor avaliam que a gasolina - combustível com repercussão maior e mais direta na inflação do que o diesel - ainda pode aumentar ao consumidor no próximo ano, mas não mais em função de um novo reajuste nas refinarias. Segundo eles, o cenário mais tranquilo para os preços do petróleo elimina a necessidade de uma nova alta aos distribuidores.

Fernando Rocha, sócio da JGP Gestão de Recursos, reduziu recentemente, de 6,8% para 6,5%, sua estimativa para o aumento do indicador oficial de inflação no próximo ano. Além de um cenário mais benigno para os preços livres, em função da fraqueza da atividade econômica, a mudança levou em conta que não deve haver nova correção da gasolina aos distribuidores. Antes da inversão na trajetória entre os preços internos e externos do combustível, Rocha previa um reajuste de 8% nas refinarias em 2015, que chegaria às bombas com intensidade de 5% e adicionaria 0,2 ponto à inflação.

Mesmo sem considerar aumento nas refinarias, no entanto, o economista projeta que a gasolina deve subir 3,8% ao consumidor em 2015. Segundo Rocha, o avanço ocorrerá em função do retorno parcial da alíquota da Cide, que deve ser de R$ 0,10 o litro a partir de abril, e também da flutuação prevista para o etanol, que acaba influenciando a evolução dos preços do "concorrente".

Para o economista da JGP, uma redução do preço doméstico só passará a ser levada em conta pelo governo se a defasagem se mantiver nos patamares atuais. Nos cálculos da gestora de recursos, considerando os preços da última sexta-feira, a gasolina doméstica está 22% mais cara do que o praticado no Golfo do México.

Dificilmente a defasagem voltará aos níveis anteriores, quando os preços internos eram menores que os externos, afirma Elson Teles, do Itaú Unibanco. Por conta disso, diz, a probabilidade de a Petrobras precisar reajustar a gasolina diminuiu bastante, algo que, por enquanto, ainda está no cenário do banco para a inflação do período. "Provavelmente, não vamos mais trabalhar com reajuste em 2015."

Apesar disso, Teles aponta que sua previsão para a alta do IPCA no próximo ano, atualmente em 6,5%, não deve ser reduzida em função da gasolina, dado que o recuo do petróleo abriu espaço para uma recomposição maior da Cide. O valor original do imposto é de R$ 0,28 centavos por litro de combustível. Considerando o efeito da alíquota, o Itaú estima que a gasolina vai avançar de 6% a 7% nas bombas no próximo ano.

O Barclays prevê que o barril de petróleo mais barato não vai incentivar uma redução do preço da gasolina, mas tampouco trabalha com correção nas refinarias. A defasagem atual, se mantida, abre espaço para a reativação da Cide, o que ajudaria no esforço de ajuste fiscal. Em relatório sobre o cenário para a economia brasileira em 2015, o banco inglês calcula que a volta do imposto adicionaria 0,11 ponto percentual ao IPCA. No entanto, uma diminuição da mistura do etanol da gasolina, dos atuais 27,5% para 25%, poderia reduzir esse impacto para 0,05 ponto.

Fabio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO Associados, já havia retirado um possível aumento da gasolina de seus cálculos para a inflação de 2015 desde o mês passado, quando o barril de petróleo saiu do patamar de US$ 80. O aumento só viria via Cide, mas, com o novo nível de defasagem, Silveira avalia que a recomposição da alíquota não terá impacto relevante sobre o IPCA.

A forte queda do petróleo ontem, de 4,2% mas que pode se mostrar passageira, não impede Silveira de trabalhar com um cenário de defasagem de 15% para a gasolina e de 20% para o diesel nos próximos meses, "o que traz um desempenho de receita muito bom para a Petrobras", e ainda "acomoda o retorno da Cide."

Apesar de o setor ter grande volatilidade de preços, o patamar observado no primeiro semestre deste ano - com o barril entre US$ 100 e US$ 90 e que ajudou a deixar a defasagem da gasolina desfavorável para a Petrobras entre 10% e 20% - não deve voltar no ano que vem.

"Esse recuo é fruto principalmente da fuga de investidores no mercado futuro de commodities, que estão indo para os títulos futuros da dívida pública dos EUA. É um movimento [de queda] muito mais ligado ao mercado financeiro do que à atividade, de oferta ou demanda", afirma Silveira. (Valor Econômico 09/12/2014)

 

Aumento de álcool na gasolina pode zerar oferta de nafta nacional

A intenção do governo federal de aumentar de 25% para 27,5% a mistura de álcool anidro à gasolina pode reduzir a zero a oferta de nafta nacional ao mercado doméstico e ocasionar aumento das importações do insumo. O problema, constatado pela Associação Nacional da Indústria Química (Abiquim), está na necessidade de incluir maior porcentual da nafta na formulação da gasolina para ajustar a octanagem do combustível à maior proporção de álcool.

"Nos anos 1990, 100% da nafta petroquímica usada no Brasil eram de origem nacional. Hoje, é apenas um terço. E, se houver elevação da mistura do álcool de 25% para 27,5%, é provável que o equivalente a toda a nafta para a petroquímica será atendida por importação", destacou o presidente executivo da entidade, Fernando Figueiredo, em entrevista ao Broadcast. Estimativas da Abiquim indicam que a mudança na formulação da gasolina pode elevar o consumo de nafta em mais de 2 milhões de toneladas anuais.

A redução da oferta de nafta nacional para atender a demanda doméstica é tema de discussões entre a Petrobras e Braskem, empresas que negociam neste momento as condições de um novo contrato de fornecimento de nafta no longo prazo. O acordo em vigor prevê a venda de 7 milhões de toneladas anuais, mas atualmente mais de 50% do volume é atendido com insumo importado dado que a estatal utiliza parte da nafta nacional para a formulação da gasolina.

Como a Braskem é a principal fornecedora da cadeia química nacional, o tema é observado com apreensão pela Abiquim e seus associados, um segmento que responde por mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial brasileiro.

A escassez de matéria-prima nacional é um dos alertas que serão trazidos em estudo sobre a disponibilidade de insumos para 2025, elaborado pela Abiquim. O material é uma atualização de outro estudo realizado em 2007 com foco na demanda estimada para 2020. "As análises nos levaram a outro estudo, a respeito do ciclo Otto", afirmou Figueiredo, em referência ao ciclo termodinâmico associado ao funcionamento dos motores dos veículos leves. "Eles mostram que vamos precisar encontrar uma solução para a situação de oferta de matéria-prima", complementou o executivo, relembrando do crescente consumo de gasolina no Brasil.

Embora não revele detalhes sobre o estudo, o qual deve ser publicado apenas em 2015, o presidente da Abiquim vê com preocupação a redução da disponibilidade local e por isso defende a criação de uma refinaria voltada à fabricação de insumos petroquímicos. A unidade seria abastecida com óleo e gás provenientes da participação da União no pré-sal.

Dado que os projetos petroquímicos precisam de ao menos três a cinco anos entre o início dos estudos e o começo da produção, a definição sobre a situação de oferta de matéria-prima é considerada urgente. "O governo precisa definir o que pretende fazer com o gás e o petróleo do pré-sal. Precisamos da definição agora para que tenhamos projetos em andamento no final da década", salientou Figueiredo.

A construção dessa refinaria poderia ser feita pela iniciativa privada, e não pela Petrobras, e é considerada uma alternativa de longo prazo para garantir a competitividade da indústria química nacional. No curto prazo, defende o presidente da Abiquim, o governo deveria adotar medidas de estímulo à redução do consumo de gasolina no Brasil, o que também limitaria a demanda por nafta.

O Estudo do Potencial de Diversificação da Indústria Química Brasileira, encomendado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com intuito de identificar alternativas ao setor, reforça, entre outros aspectos, justamente a utilização de óleo e gás a ser administrado pela União. "Precisamos agregar valor à produção do pré-sal e por isso precisamos de uma refinaria petroquímica. Se não corrigirmos o rumo, não teremos mais novos investimentos na indústria química brasileira", alerta o executivo, após lembrar o déficit setorial de mais de US$ 30 bilhões ao ano na balança comercial. (Agência Estado 08/12/2014)

 

Camil conclui outra compra, agora no Peru

A Camil Alimentos, maior beneficiadora de alimentos da América Latina, com receita anual de R$ 3,5 bilhões, informou que no dia 28 de novembro concluiu a aquisição da totalidade das ações da peruana Romero Trading. Em comunicado a investidores, a Camil não informou o valor de mais esse negócio. Mas, em suas demonstrações financeiras referentes ao trimestre encerrado em maio passado, a companhia informou que ele seria fechado por US$ 29,3 milhões.

A Romero atua na comercialização de arroz, açúcar e outros grãos no Peru, sob as marcas Paisana, La Serranita, Don Calixto, Burgués, Ferom, Arroz del Norte e Arroz Tropical. A companhia peruana pertence ao Grupo Romero, que fatura mais que US$ 4 bilhões por ano e tem operações em diversos segmentos no país andino, tais como logística e produção de etano. (Valor Econômico 09/12/2014)

 

JBS segue Cosan e Marfrig e desiste de emissão externa

O frigorífico JBS tornou-se ontem a terceira companhia brasileira em menos de 20 dias a desistir de captar recursos no mercado internacional de dívida.

A companhia pretendia lançar US$ 750 milhões em notas com vencimento em 2025 para financiar a compra de papéis mais antigos. Ontem, porém, desistiu da operação por causa das más condições no mercado de capitais.

Pelo mesmo motivo, o grupo de energia Cosan desistiu, na quinta-feira, de fazer uma operação semelhante. A empresa iria lançar novos papéis para recomprar bônus perpétuos que estão em circulação no mercado e pagam cupom de 8,25% ao ano.

Antes delas, a Marfrig também paralisou seus planos de emitir títulos de dívida para financiar uma oferta para recomprar papéis com vencimento em 2020, numa operação que pretendia alongar o prazo e reduzir o custo de sua dívida.

Os três casos ilustram a dificuldade que empresas do país têm enfrentado para acessar o mercado internacional de dívida nas últimas semanas. Investidores têm exigido um prêmio maior dos títulos brasileiros desde a nova fase da Operação Lava-Jato da Polícia Federal, que investiga um esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, dizem gestores que operam na compra e venda de bônus. Com isso, o custo tem se tornado pouco atraente para os emissores.

A JBS pretendia lançar papéis com vencimento em 2025 e adquirir notas que expiram em 2018 e pagam cupom de 8,25% ao ano. Há US$ 900 milhões desses papéis em circulação. Para cada US$ 1.000 em bônus antigos, a empresa se dispunha a pagar US$ 1.047,25.

"Devido às condições do mercado de capitais, no presente momento a JBS decidiu não concluir esta oportunidade de financiamento das notas. Por esse motivo, a oferta de novas notas e a oferta pública foram canceladas", afirmou a empresa em comunicado ao mercado. (Valor Econômico 09/12/2014)

 

Venda de combustíveis deve bater novo recorde

Após desaceleração no início do semestre, mercado ignora retração da atividade econômica e retoma ritmo de crescimento, puxado pelo consumo de gasolina.

Após um período de desaceleração, no início do segundo semestre, as vendas de combustíveis no país voltaram a crescer no país. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as distribuidoras de derivados de petróleo venderam 120,1 bilhões de litros até outubro, alta de 5,7% com relação ao mesmo período do ano anterior. A expectativa é que, mesmo com o fraco desempenho da economia, o mercado brasileiro de combustíveis volte a bater recorde de vendas este ano, mantendo um ciclo de alta que dura desde 2004. "As vendas de carro cresceram nos últimos anos, a gasolina estava barata e o transporte coletivo é ruim: tudo conspira para que o consumo de combustíveis continue crescendo", analisa o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

De fato, o crescimento das vendas tem sido puxado pelos combustíveis do que abastecem veículos de passeio. As vendas de gasolina, por exemplo, chegaram, nos dez primeiros meses do ano, a 36,6 bilhões de litros, crescimento de 7,9% com relação ao mesmo período do ano passado. Em agosto, a alta na mesma base de comparação era de 7,2% em um indicativo de retração com relação ao início do ano, quando o índice chegou a bater 11%. As vendas de diesel apresentam comportamento semelhante: chegaram a registrar alta de 5,8% em fevereiro, mas desaceleraram até 2,3% em agosto. As estatísticas mais recentes, que incluem outubro, mostram recuperação para uma alta de 3% no ano, com o volume acumulado de 50,4 bilhões de litros. Combustível usado no transporte de cargas, o diesel costuma apresentar maior aderência às variações da atividade econômica, comenta Pires. "Com a crise, começam a cair as vendas de combustíveis mais ligados à indústria, como diesel e óleo combustível", diz ele.

"Mas com o aumento de preços, pode ser que haja uma desaceleração nos combustíveis automotivos", completa. Os dados da ANP foram coletados ainda antes dos reajustes promovidos pela Petrobras no início de novembro — que aumentaram o preço do diesel em 5% e a gasolina em 3%, movimento que pode dar maior espaço ao etanol.

Nas bombas, a alta até a primeira semana de dezembro foi de 2,43% no caso da gasolina e de 4,16% no caso do diesel, segundo levantamento semanal de preços feito pela ANP. Atualmente, os preços dos dois combustíveis estão mais caros no Brasil do que no mercado internacional, garantindo à Petrobras a recuperação de parte das perdas que acumulou com a defasagem nos últimos anos. O aumento das vendas de gasolina e diesel tem sido suportado sem mais importações.

Segundo dados da Secex compilados pela ANP, as compras externas de combustíveis caíram 2,7% nos primeiros 10 meses do ano. Usinas esperam retomada das vendas de etanol As estatísticas da ANP sobre vendas das distribuidoras mostram que o etanol hidratado é o único combustível automotivo que permanece em ritmo de desaceleração: depois de crescer 26,2% em janeiro, registra alta de 10,7% no acumulado do ano, o menor percentual dos 10 meses pesquisados. Entre janeiro e outubro, as distribuidoras de combustíveis venderam 10,4 bilhões de litros de etanol hidratado. O mercado, porém, espera uma recuperação do ritmo de crescimento com a perspectiva de aumento percentual da mistura do biocombustível na gasolina, além da eventual retomada da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), aponta análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgado ontem.

"O número de negócios efetivados nos últimos dias foi expressivo, com usinas se mantendo firmes quanto aos valores pedidos", afirma o texto. Entre 1º e 5 de dezembro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado foi de R$ 1,2638 por litro (sem impostos). O preço do anidro (misturado à gasolina) fechou a R$ 1,3897 por litro. Fonte do governo consultada pela Reuters recentemente disse que está em análise o aumento da alíquota da Cide sobre combustíveis, zerada desde 2012. De acordo com a fonte, além de gerar receita anual superior a R$ 10 bilhões, o tributo vai melhorar a competitividade do etanol no mercado brasileiro. (Brasil Econômico 09/12/2014)

 

Exportações agrícolas em queda

Setor tem redução de 3% nas receitas e 5% em volume comercializado nos primeiros 10 meses do ano, frente a igual período de 2013. Estiagem no 1º semestre e ajuste nos preços das commodities estão por trás do resultado.

Após 13 anos de crescimento contínuo em volume exportado e faturamento, o agronegócio brasileiro registrou seu primeiro revés nas vendas no mercado internacional. Análise dos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que o agronegócio perdeu fôlego em 2014 e registra retração de 3% nas receitas e 5%em volume exportado, de janeiro a outubro deste ano na comparação com igual período de 2013. A estiagem no primeiro semestre, combinada com safras recordes nos Estados Unidos e o ajuste internacional dos preços das commodities estão por trás dos resultados pouco animadores, segundo especialistas. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmam a desaceleração do setor. De janeiro a outubro de 2012, o país exportou um montante superior ao ano anterior, totalizando 107,92 milhões de toneladas e uma receita de US$ 80,88 bilhões. Em igual período de 2013, bateu novo recorde.

Foram negociados 126,16 milhões de toneladas, correspondendo a um faturamento de US$ 86,42 bilhões. Agora, em 2014, o cenário é menos empolgante. Foram vendidos 121,56 milhões de toneladas líquidos e gerados US$ 83,85 bilhões em receita. Para o analista da RC Consultores, Thiago Biscuola, muito mais que a queda no volume exportado — afetado, em parte, pela estiagem — o Brasil assiste a uma mudança no cenário global dos preços das commodities. "Há menor liquidez no mercado global e perspectiva de queda da cotação das commodities. O setor agro é um dos mais dinâmicos no Brasil e vai continuar sendo. Mas o momento de bonança, com cotações batendo recorde, como em 2000 e 2010, não vamos conviver mais", avalia. Pesquisadora do Cepea, Andreia Adami lembra que os meses de novembro e dezembro são conhecidos períodos de baixa exportação.

Logo, os dados coletados nos primeiros 10 meses do ano são suficientes para atestar que as exportações brasileiras não fecharão 2014 com bons resultados. Segundo Adami, o maior peso para o resultado negativo vem do setor sucroalcooleiro, que apresenta queda tanto em volume exportado, quanto dos preços recebidos pelos exportadores na comparação com igual período de 2013.

"O açúcar registra retração de 12% em volume e 10% em receita. A estiagem quebrou a safra e tivemos menos produtos no mercado para venda. Mas, ao mesmo tempo, os estoques estavam elevados, em função das duas últimas boas safras. A boa disponibilidade de produtos no mercado mexe com os preços, que vem se mantendo em baixa", explica Adami. Já o etanol tem queda de 55% em volume, mas ganhou 1,6% em faturamento.

A forte retração está ligada à recuperação da safra americana de milho. "Grande produtor de etanol à base do grão, os Estados Unidos deixaram de comprar parte do etanol brasileiro e também do milho, depois que sua produção se regularizou", explica analista da Agrosecuirty, Felipe Prince. Em2012, os Estados Unidos colheram 273,2 milhões de toneladas. Agora em 2014, a safra alcançou 366 milhões de toneladas. "Com mais milho no mercado, a cotação do grão despencou e impactou as exportações", diz Prince. Em termos de faturamento, o milho registrou retração de 22,8%. Já em volume exportado a queda foi de 27,3%. O suco de laranja também teve as exportações reduzidas. A queda é da ordem de 6,9%em volume e 6,6% em receita.

A seca, que atingiu fortemente São Paulo, principal região produtora, explica a retração nas vendas. No entanto, o produto já vem perdendo mercado há alguns anos em função da concorrência com outros tipos de bebidas. Na contramão do cenário de retração aparece o café. Responsável por 50% da produção mundial, o Brasil viu parte considerável de sua produção se perder com a seca. Mas a quebra da safra alavancou o preço do produto no mercado internacional, trazendo bons resultados para as exportações. "Com a normalização do plantio, há aumento de 16%do volume embarcado. Em termos de receita, aumentou quase 2%", destaca Andreia Adami. (Brasil Econômico 09/12/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Novo recuo: O mercado futuro do café passou ontem por um forte movimento de vendas que levou os preços do arábica na bolsa de Nova York a valores não registrados desde setembro, na quinta sessão de baixa consecutiva. Os lotes para março fecharam em US$ 1,7805 a libra-peso, com queda de 205 pontos. O Instituto Nacional de Meteorologia prevê mais uma semana com pancadas de chuva em importantes áreas produtoras de Minas Gerais, o que alivia os temores com o tamanho da quebra de safra em 2015/16. A elevação do dólar ante o real colaborou para pressionar o grão. Apesar disso, os contratos mais negociados do café em Nova York acumulam alta de 61% desde o início do ano. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica caiu 1,45%, para R$ 447,22 a saca.

Algodão: À espera do USDA: Os preços do algodão registraram desvalorização ontem na bolsa de Nova York diante do reposicionamento dos investidores, que aguardam o novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os papéis com vencimento em março fecharam com baixa de 33 pontos, a 59,31 centavos de dólar a libra-peso. O órgão divulga suas novas estimativas de oferta e demanda na quarta-feira. Os analistas têm divergido em suas apostas para as novas projeções do USDA, o que colaborou para a forte volatilidade das cotações. A resistência dos produtores americanos em comercializar sua safra também colaborou para impedir recuos mais expressivos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o algodão com pagamento em oito dias recuou 0,13%, para R$ 1,6504 a libra-peso.

Soja: À espera do USDA: As cotações da soja oscilaram sem uma direção definida ontem na bolsa de Chicago diante de movimentos dos fundos, que buscaram se reposicionar à espera do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) que será divulgado amanhã. Os lotes para março fecharam com avanço 7,75 centavos, a US$ 10,4975 o bushel. A expectativa é que o órgão aumente sua projeção para o consumo global e, consequentemente, reduza os cálculos para os estoques finais dentro e fora dos EUA. O aumento do volume de soja embarcado pelo país na última semana, atuou como fator de sustentação dos preços. Por outro lado, o otimismo com o clima na América do Sul limitou as altas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá manteve-se em R$ 61,17 a saca.

Milho: Forte volatilidade: Os preços do milho abriram em alta ontem na bolsa de Chicago, mas mudaram de direção e fecharam no campo negativo em um dia marcado pela forte volatilidade das negociações. Os lotes para março fecharam a US$ 3,9025 o bushel, com recuo de 4,75 centavos. As diferentes apostas dos analistas para o próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) colaboraram para o movimento errático dos preços. Porém, a maior parte dos analistas acredita que o órgão deverá apontar para uma demanda menos aquecida pelo grão dos EUA, principalmente por parte da China, que ontem assinalou que seu ritmo de importações deverá diminuir. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho caiu 0,3%, para R$ 26,69 a saca. (Valor Econômico 09/12/2014)