Setor sucroenergético

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Cana deixa de atrair capital estrangeiro

Múltis vieram com força ao País na década passada, mas crise freou os investimentos.

O grupo francês Louis Dreyfus foi um dos primeiros a fazer aquisições de usinas no Brasil no início dos anos 2000, quando o setor sucroalcooleiro era predominantemente controlado por usinas de capital nacional. Atualmente, cerca de 30% da produção de cana-de-açúcar do País está nas mãos de companhias estrangeiras, de acordo com levantamento da consultoria Datagro.

Das cinco maiores companhias do setor, quatro têm participação de capital estrangeiro: Raízen (joint venture entre a brasileira Cosan e anglo-holandesa Shell), Dreyfus, a americana Bunge e a também francesa Tereos, lideram o ranking.

A Odebrecht Agroenergia, do conglomerado baiano, é a única que não tem ainda sócio relevante de fora.

Como agravamento da crise no setor, o avanço de grupos de fora foi interrompido. A retomada só deverá ocorrer quando a rentabilidade das usinas voltar a ficar atraente, dizem especialistas ouvidos pelo Estado.

A entrada dos "gringos" no setor começou no ano 2000 e se intensificou entre 2007 e 2009, quando boa parte das usinas nacionais estava altamente endividada, por causa da expansão de capacidade realizada nos anos anteriores. Com a crise financeira, muitos grupos nacionais foram obrigados a vender parte ou até o controle de seu capital.

Com 11 unidades produtoras, prontas para moer quase 40 milhões de toneladas, a Biosev tem alta capacidade ociosa. A moagem desta safra, a 2014/15, deve ser de até 31 milhões de toneladas. Sob nova gestão desde o fim de 2013, a companhia tem dado prioridade à chamada "disciplina financeira e operacional". Rui Chammas, presidente do grupo, disse que a empresa está trabalhando para alongar a dívida e reduzir custos para ser capaz de gerar caixa suficiente para a manutenção da operação. A receita líquida da safra 2013/14 ficou em R$ 4,2 bilhões e prejuízo de R$ 725 milhões.

A gestão de Chammas, egresso da petroquímica Braskem, tem sido elogiada por concorrentes pelo rigor financeiro, cujo objetivo é reduzir o alto endividamento ajustado (de R$ 4,08 bilhões até setembro deste ano) e gerar caixa. Quase metade da dívida é de curto prazo.

O grupo chegou ao País em outubro de 2000, com a compra da usina Cresciumal, em Leme (SP). Nos anos seguintes, a companhia cresceu por meio de importantes aquisições, como a dos ativos do grupo Tavares de Mello. A grande tacada foi a associação com a Santelisa Vale, fusão que permitiu que a empresa chegasse à atual capacidade.

"Quando chegaram ao País, os grupos internacionais foram atraídos pelo potencial mercado que o etanol poderia conquistar, com o crescimento da vendas de carros flex (abastecidos com álcool ou gasolina) e as perspectivas de crescimento das exportações do combustível", disse Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da consultoria Canaplan.

"A primeira gestão do governo Lula estimulou investimentos. Depois, o governo passou a dar prioridade para o pré-sal, deixando de lado os combustíveis renováveis", disse uma fonte. "É difícil para um grupo estrangeiro ter de explicar para sua matriz que o governo mudou de uma hora para outra as políticas de incentivos. Boa parte das estrangeiras que entraram no País também passa por dificuldades."

Nova consolidação

Com o mau momento do setor, muitas companhias estão à venda, mas a maior dificuldade é encontrar comprador para esses ativos. No entanto, a expectativa de que o governo possa aprovar a retomada da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), tributo sobre a gasolina, e elevar a mistura do álcool na gasolina, de 25% para 27,5%, poderá dar fôlego às usinas.

Segundo uma fonte do mercado financeiro, já há fundos nacionais e estrangeiros que vislumbram oportunidades no setor. "No momento de crise surgem as oportunidades. Poderemos ver investidores estratégicos de olho em originação (produção) da commodity, mas o momento de troca de controle a preços elevados acabou", disse Plinio Nastari, da Datagro. (O Estado de São Paulo 15/12/2014)

 

Dinastias sucroalcooleiras, os Biagi e os Junqueira Franco devem deixar o setor

As duas famílias, que já figuraram entre as mais importantes do setor, hoje detêm menos de 6% da Biosev, controlada pela gigante francesa Louis Dreyfus; sem voz ativa, sócias locais buscam 'pacote' de remuneração para sair do negócio.

As famílias Junqueira Franco e Biagi, que já figuraram entre os grupos sucroalcooleiros mais poderosos do Brasil, podem deixar de vez o setor. Os acionistas minoritários da Biosev, braço de açúcar e etanol do grupo francês Louis Dreyfus, as famílias - reunidas na Santelisa Participações, que detém 5,85% da empresa - negociam com os franceses um pacote de remuneração para deixar a companhia, apurou o 'Estado'.

Sem poder de voz na Biosev e descontentes com o rumo tomado pela companhia, as duas famílias devem seguir caminho próprio, afirmaram fontes.

A expectativa era de que os minoritários pudessem sair do negócio após o processo de abertura de capital da empresa (IPO, em inglês), realizado em abril de 2013, depois de uma tentativa frustrada em 2012. "A maneira como o IPO foi conduzido e as decisões estratégicas tomadas pelo grupo frustraram os acionistas", disse uma fonte do setor.

As ações da Biosev acumulam queda de 40% desde 19 de abril de 2013, quando foi à Bolsa. "A intenção é fazer um acordo que dê maior liquidez aos acionistas", disse a mesma fonte. No entanto, fontes do mercado financeiro ouvidas pelo Estado acreditam que será muito difícil um acordo. A saída mais óbvia seria a venda das ações no mercado. "A Biosev está altamente endividada e a matriz fechou a torneira", disse uma fonte.

União. Até 2007, as famílias Junqueira Franco, dona da Vale do Rosário, e Biagi, da Santa Elisa, ambas da região de Ribeirão Preto (SP), atuavam de forma independente no setor. Quando a Cosan fez uma proposta hostil para a compra da Vale do Rosário no início daquele ano, o patriarca da família, Cícero Junqueira Franco, um dos responsáveis pela implementação do Proálcool, programa desenvolvido nos anos 70 para estimular a produção do etanol, rejeitou a oferta de Rubens Ometto e tentou buscar alternativas para se fortalecer no setor. No mesmo ano, deu início a conversas para a fusão com os Biagi.

Os dois grupos criaram a Santelisa Vale, mas a nova companhia, altamente endividada, foi incorporada no fim de 2009 pela francesa Louis Dreyfus, uma das maiores tradings de grãos do mundo. A múlti se tornou a segunda maior produtora de cana do Brasil, atrás da Raízen (joint venture entre Cosan e Shell).

De tradicionais usineiros do setor, as famílias Biagi e Junqueira Franco tiveram de se acomodar no bloco Santelisa Participações, como acionistas minoritários, à época com 14% de participação. A fatia foi diluída para 5,85% após o IPO - relegando-os ao papel de coadjuvantes.

Procurado para falar as negociações, o representante dos acionistas minoritários, Cristiano Biagi, disse que não tem informações sobre o tema. Rui Chammas, presidente da Biosev, disse desconhecer as negociações entre os acionistas e controladores. (O Estado de São Paulo 12/12/2014)

 

Açúcar: Piso desde janeiro

O mercado do açúcar registrou novas perdas na bolsa de Nova York na sexta-feira, mais uma vez pressionado pelos mercados de câmbio e petróleo. Os lotes do demerara para maio fecharam com recuo de 12 pontos, a 15,37 centavos de dólar a libra-peso, o menor valor desde 30 de janeiro.

O dólar voltou a subir ante o real, o que favorece a disposição das usinas em aumentar a oferta no mercado internacional. O petróleo também sofreu forte recuo, deprimindo a competitividade do etanol.

Também há expectativa de que a Índia aprove o subsídio à exportação. O apoio pode garantir uma rentabilidade aos indianos de 18 centavos de dólar a libra-peso, segundo Bruno Lima, da FCSTone.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,5%, para R$ 52,05 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 15/12/2014)

 

Raízen amplia distribuição de combustíveis

Os avanços em infraestrutura no Centro-Oeste abriram caminho também para o etanol produzido na região.

A Raízen está finalizando um cronograma de investimentos em terminais para a distribuição de combustíveis em seis cidades da região: Cuiabá (MT), Rondonópolis (MT), Campo Grande (MS), Goiânia (GO), Alto Taquari (MT) e Brasília (DF).

Foram investidos R$ 120 milhões nos últimos três anos para colocar os terminais em funcionamento.

O objetivo é levar o diesel e a gasolina para o Centro-Oeste, que vem ganhando relevância no consumo, e transportar o etanol e o biodiesel produzido naquela região para outras partes do país.

O transporte dos combustíveis será feito pelo modal ferroviário, o que vai aumentar a eficiência logística da operação e reduzir o fluxo de caminhões nas rodovias, segundo Leonardo Gadotti Filho, vice-presidente de logística e distribuição da Raízen.

Serão utilizadas duas rotas principais: a gasolina e o diesel chegarão de Paulínia (SP) ou do porto de Itaqui (MA) para serem distribuídos no Centro-Oeste. O etanol e o biodiesel farão o caminho inverso, para abastecer os mercados do Sudeste e do Nordeste.

Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ganharam espaço na produção de açúcar e etanol nos últimos anos.

Segundo dados da Unica (União da Indústria da Cana-de-açúcar), a participação desses Estados no processamento de cana do Brasil foi de 18% na safra 2013/14. Em 2007/08, a fatia era de 10%.

No caso do biodiesel, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás representaram 40,6% da produção nacional no ano passado, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis). (Folha de São Paulo 13/12/2014)

 

Queda do preço do petróleo ameaça retomada do etanol

Medidas em estudo pelo governo para ajudar as usinas produtoras de etanol podem ser afetadas com movimento global da commodity.

A queda livre dos preços do barril de petróleo, que já operam abaixo de US$ 60 o barril, poderá colocar em xeque as políticas que estão sendo traçadas para dar maior competitividade ao setor sucroalcooleiro. Atoladas em dívidas, as usinas em operação no País aguardam, com muita expectativa, para o início do ano, duas medidas emergenciais que poderão dar fôlego ao caixa dessas empresas: o retorno da Contribuição de Intervenção sob o Domínio Econômico (Cide), tributo sobre a gasolina, e a elevação da mistura do etanol dos atuais 25% para 27,5% no combustível.

As duas medidas, se adotadas, juntas, dariam um respiro maior ao setor. A Cide tornaria o etanol mais atraente nas bombas ao consumidor, uma vez que o tributo incide sobre a gasolina, e a alteração da mistura geraria uma demanda extra anual de 1,1 bilhão de litros pelo etanol, enxugando a oferta do produto do mercado.

A grande dúvida, contudo, é como o governo federal vai equacionar essas duas questões com a queda dos preços do petróleo, segundo especialistas ouvidos pelo Estado.

Os preços da gasolina praticados no País estão, em média, entre 20% e 25% maiores do que no mercado internacional. "O ponto é saber como o governo vai se posicionar. A Petrobrás precisa gerar caixa. O movimento óbvio seria a redução dos preços da gasolina ao consumidor, mas provavelmente isso não vai ocorrer", diz Plinio Nastari, presidente da Datagro, consultoria especializada em açúcar e etanol.

"Mas, se a volta da Cide for antes, tornará a gasolina mais cara, o que traz um problema com a inflação. Por isso, a adoção do tributo poderá ter outra recomposição", afirma Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura(CBIE).

O tributo era de R$ 0,28 sobre o litro da gasolina quando foi totalmente reduzido em meados de 2012. "A valores atualizados, equivaleria a R$ 0,42", afirma Nastari.

Nastari e Pires acreditam que a Petrobrás poderá "absorver" parte da Cide para que o aumento do preço da gasolina ao consumidor seja menor. "Outra possibilidade é a Petrobrás absorver tudo, o que é mais improvável, uma vez que agora consegue recompor parte do caixa com os preços maiores da gasolina comparados ao mercado internacional", diz Pires.

Segundo ele, os preços da gasolina no País oscilam contra as regras do mercado. "Enquanto as cotações do etanol na bomba variam de acordo com a oferta e demanda da safra de cana, com a gasolina tem sido diferente. O governo tem controle maior sobre o preço do combustível. Em 2008, quando o barril chegou a bater US$ 150, o governo subsidiou o preço da gasolina. Quando caiu a US$ 40, dois anos depois, não fez o repasse ao consumidor."

"Com o nível de alavancagem alto, o mercado entende que a Petrobrás precisa reajustar os preços do combustível (para cima) para melhorar o caixa", diz Alexandre Figliolino, diretor do Itaú BBA, especialista em açúcar e etanol.

À frente da presidência do conselho da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura na primeira gestão do governo Luiz Inácio Lula da Silva, está discutindo com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a adoção dessas duas medidas para o setor sucroalcooleiro. Rodrigues também não acredita que a Cide poderá ser adotada como antes, uma vez que a nova equipe da presidente Dilma Rousseff tem uma preocupação central, que é promover o ajuste fiscal em 2015. "Mas precisamos entender qual a matriz energética que o Brasil quer ter. O governo tem de definir qual", diz. Para o ex-ministro, essas medidas não salvam o setor, que deve hoje 110% da safra, Ou seja, deve mais do que arrecada. "Medidas estratégicas de longo prazo precisam ser pensadas."

Ao Estado, fontes do governo confirmaram que o retorno da Cide está na pauta do Ministério da Fazenda e a elevação da mistura do etanol na gasolina também continua em análise.

Menor impacto. Mas, dependendo de como for adotada, a Cide poderá correr o risco de não deixar o setor sucroalcooleiro tão mais competitivo como se imaginava. "Temos de entender primeiro como vai ser essa recomposição. Sabemos que o governo quer preservar a Petrobrás", diz Nastari.

A elevação da mistura, sozinha, não resolveria o problema das usinas, mas a medida aliviaria também a estatal, que teria como impacto direto redução da importação da gasolina. "Se a mistura for elevada, aumentaria a demanda por etanol em 1,1 bilhão de litros por ano e reduziria a demanda por gasolina na mesma proporção", observa Nastari. Entre janeiro e novembro deste ano, a Petrobrás importou cerca de 2 bilhões de litros de gasolina, gerando despesa de US$ 1,47 bilhão, de acordo com a Datagro. (O Estado de São Paulo 14/12/2014)

 

Safra de cana tem aumento de 2,68% na qualidade da matéria-prima

As usinas sucroenergéticas de Mato Grosso do Sul contabilizam no acumulado da safra 2014/2015 de cana-de-açúcar (entre abril e novembro) um aumento de 2,68% na qualidade da matéria-prima colhida frente ao ciclo 2013/2014. Segundo a Associação dos Produtores de Bioenergia do estado (Biosul), na temporada passada o indicador que mede a qualidade da cana, o Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima, foi de 126,74 quilos por tonelada e na parcial desta safra atingiu os 130,14 quilos por tonelada.

Apesar da melhoria da qualidade da matéria-prima o grande volume de chuvas registrado nas principais regiões produtoras da cultura no estado na segunda quinzena de novembro atrapalhou um pouco as operações das usinas. O volume de cana processado no acumulado da safra atingiu as 38,75 milhões de toneladas, percentual 1,92% menor em relação ao mesmo período da temporada anterior. (G1 12/12/2014 às 13h: 57m)

 

SP: Usinas são ocupadas pela Frente Nacional de Luta Campo e Cidade

FNL afirma que são cerca de 400 integrantes em Dracena, Regente Feijó e Marabá Paulista.

Integrantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) ocuparam três usinas da região de Presidente Prudente na manhã deste sábado (13). Segundo a Polícia Militar, o primeiro registrou foi por volta das 7h, na Usina Dracena, em Dracena. Meia hora depois, os manifestantes entraram na Usina Santa Fany, em Regente Feijó. A manifestação também foi registrada em Marabá Paulista.

O coordenador doa FNL na região de Presidente Prudente, Luciano de Lima, afirmou que as usinas foram invadidas por cerca de 400 integrantes. “A reivindicação é a mesma de sempre, pois o processo de reforma agrária não avançou. Está paralisado. Aqui na região, uma das pautas é que os governos federal e estadual disponibilizem essas usinas, que estão falidas, desativadas e devendo para os trabalhadores”, explicou Lima.

O coordenador ainda relatou não estão sendo montadas barracas. “Estamos usando as estruturas do local, como barracão, escritório, refeitório”, disse.

Ele também enfatizou que toda a ação tem sido pacífica e que permanecerão nos locais por tempo indeterminado. “Ficaremos até sair a reintegração de posse”, pontuou Lima.

A reportagem do iFronteira entrou em contato com a Polícia Militar em Dracena na tarde deste domingo (14) e foi infomada que os ocupantes da Usina Dracena tinham saído da área por volta das 15h deste sábado (13). Conforme o registro da PM, não houve danos ao patrimônio.

Outro lado

O iFronteira tentou entrar em contato com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas não foi atendido.

Já a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) encaminhou neste sábado (13) ao iFronteira uma nota oficial sobre o assunto, que segue abaixo na íntegra:

“A Fundação Itesp reafirma que a competência constitucional da reforma agrária é do Governo Federal, contudo, São Paulo tem dado exemplo para o Brasil ao utilizar terras julgadas devolutas para implantação de novos assentamentos. O Estado é o único do Brasil a adotar este procedimento. Desde 1984, foram criados 95 assentamentos em terras públicas estaduais no Pontal, e outros 41 no restante do Estado.

Em fevereiro de 2014, os governos estadual e federal assinaram um convênio para arrecadar áreas, por meio de acordos, para a implantação de assentamentos no Pontal do Paranapanema. Pelo convênio, o Estado de São Paulo disponibilizará as terras julgadas devolutas e o governo federal pagará as benfeitorias.

Pelo convênio, a Fundação Itesp já indicou ao Incra duas áreas para arrecadação, em uma delas já foi feito o depósito judicial, o laudo da outra foi encaminhado ao Incra que apontou a necessidade de novas informações. Este laudo está sendo refeito e será enviado novamente ao Incra, assim, o instituto poderá propor o acordo com o proprietário do imóvel, caso ele aceite, o imóvel será arrecadado” (iFronteira 14/12/2014)

 

Usinas de biomassa discutem cenários de energia elétrica para 2015

O atual cenário de oferta e demanda de energia elétrica e perspectivas para o ano de 2015 foram discutidos por quase 30 associados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) no último dia 3/12, em São Paulo. O encontro, organizado pela entidade, contou com palestra do especialista Eduardo Peres, da empresa Agroenergia, que atua em consultoria, gestão e comercialização de energia elétrica.

Segundo Peres, 2014 começou com o nível de água nos reservatórios das hidrelétricas com 40,3% de sua capacidade e, em novembro, chegou a 15,5%, causando um aumento nos preços de curto prazo do mercado livre, o que estimulou a busca por uma geração além da prevista inicialmente pelo setor sucroenergético.

De acordo com o especialista, em 2015, há ainda grandes oportunidades para se avançar com soluções agroindustriais para o recolhimento da palha, que apresenta um potencial energético 85% superior ao do bagaço da cana-de-açúcar, mas seria essencial que o Governo Federal reconhecesse a importância estratégia dessa fonte. “Antes de despachar térmicas poluentes com custo superior a mil reais, poderíamos estimular o aproveitamento da biomassa existente nos canaviais”, avaliou o executivo.

Para o gerente em bioeletricidade da Unica, Zilmar de Souza, em 2014, a geração da energia extraída da cana, de forma rápida, reagiu positivamente ao estímulo dos preços elevados no mercado de curto prazo, aumentando a oferta do sistema, tanto na entressafra quanto na safra sucroenergética. Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), até o dia 25 de novembro deste ano, a fonte biomassa já tinha gerado 13% a mais do que toda sua produção de energia elétrica no ano passado.

“Algo semelhante se esperava para o ano de 2015, e o setor sucroenergético se organizava para isto, mas a redução pela metade do Preço Máximo de Liquidação de Diferenças, dos previstos R$ 861/MWh para R$ 388/MWh, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), certamente afetará os preços da energia no mercado de curto prazo e não permitirá termos o mesmo desempenho. A oferta adicional gerada em 2014 ajudou a diminuir o estresse hídrico que vivenciamos ao longo de todo o ano, e ainda proporcionou uma energia sustentável, renovável e complementar à geração hídrica”, destacou Souza.

Outro ponto comentado pelo representante da Unica foi a importância de se manter para 2015, uma política de estímulo de contratação de bioeletricidade nos leilões promovidos pelo Governo Federal. Tempos atrás, lembrou Souza, o setor chegou a vender mais de 500 MW médios em leilões em um único ano. Em 2014, fechamos o ano com a venda de apenas 90 MW médios, isto porque foram feitos alguns avanços no modelo dos leilões, como a separação da concorrência direta da biomassa com as eólicas no chamado leilão A-5, e uma melhora no preço-teto, processo que vem ocorrendo desde o ano passado.

“Em abril de 2015, teremos o Leilão A-5, para entrega de energia a partir 2020, e o Leilão de Fontes Alternativas (LFA), para entrega de energia a partir de 2016 e 2017. Para o LFA, a fonte biomassa cadastrou 40 projetos para este leilão. Precisamos que o movimento de melhora de preço nos leilões, iniciado ano passado, mantenha-se para o A-5 e LFA em 2015. Não podemos retornar à política do “stop and go,” de melhorar as condições nos leilões e depois voltar tudo para trás. Precisamos de estabilidade e segurança para estimular novamente o retorno da bioeletricidade aos leilões regulados, de forma consolidada e contínua”, concluiu Souza. (Unica 12/12/2014)

 

Usina - QUASE 60% DA LISTA TEM OBRAS DA PETROBRAS

Na planilha do doleiro, Petrobras e suas subsidiárias aparecem como cliente final em cerca de 400 projetos. É 59% do total. As demais são obras da infraestrutura brasileira, não relacionadas a petróleo. Mostra que Youssef era multitentacular.

A planilha também ressalta obras no Exterior. É o caso da instalação de uma usina de etanol na Colômbia, em 2010. A unidade recebeu o aval do Banco do Brasil, com empréstimo de US$ 223 milhões para um grupo israelense, com o compromisso de a empresa comprar tecnologia de indústria brasileira. Na tabela do doleiro, a OAS-Exportação aparece como cliente dele no projeto. No quadro com valores há o registro de R$ 4,5 milhões, supostamente, quantia que Youssef pensava ganhar no negócio.

Os percentuais médios de propina admitidos pelos delatores, em alguns casos, coincidem com o valor mencionado na planilha de Youssef. O suborno chegou a ser pago? Isso os policiais ainda querem descobrir. (Zero Hora 15/12/2014)

 

O agronegócio deita e rola, mas é incorreto lhe atribuir vilania exclusiva

Setor merece condenação quando fornece insumos danosos, mas também faz crescer a produtividade com menor ocupação.

Resta lamentar o amplo proletariado rural, representado não só por grupos indígenas, quilombolas e de assentados, mas todos aqueles inseridos nos grotões da miséria brasileira.

Pode alguém não ter notado, mas na semana passada, logo no primeiro parágrafo, quis mostrar “com vistas do alto e da lupa, onde o agronegócio pode ser satânico e não”.

Mencionados os benefícios, reconheço que houve e há muita insanidade, destroncamento de pescoços de mogno, desperdício de biomas, enfim, desastres ambientais e sociais causados pela agropecuária, que poderiam ser evitados ou amenizados.

Não acho correto, porém, dar ao agronegócio carga total pelas vilanias. Merece-as, sim, quando fornece insumos danosos, indica doses excessivas e manejos inadequados ou concentra-se em grandes grupos multinacionais para reduzir a rentabilidade da produção primária.

Fora isso e mais, também faz crescer produção, produtividade e agrega valores a esses bens, com menor ocupação territorial.

O capitalismo, no atual ciclo, globalizado e financista, transfere acumulação através de tecnologia e serviços. Ao Brasil, produtor de bens primários, cabe ser competitivo ou a eles agregar valor. Quando o conseguem, abençoam as contas do País.

Setores agropecuários, sem dúvida, deitaram e rolaram sobre ilícitos, embora poucas cabeças tenham sido cortadas pelas mazelas deixadas. Temos melindres em punir o capital e seus maiores detentores.

O movimento “correntão” só começou a dar certo alívio à preservação ambiental a partir da década de 1990, por pressão de movimentos ecológicos nacionais e estrangeiros, empresas privadas temerosas de entrar no rol dos devastadores, e de controle governamental tímido, diante de visigodos Caiados.

Comentários até quiseram me igualar a eles. Sabem nada. Em quase 40 anos pesquisando, trabalhando e escrevendo sobre o tema, mandei bala em todos. De alcaçuz, sim, certamente mais desagradável do que calibre 38.

Tento escrito contra equívocos. Um deles: agronegócio inclui a agropecuária, mas é mais do que ela. Outro: grande parte da produção da agricultura familiar é agronegócio; boa parte de sua produção chega ao mercado ou à nossa mesa já transformada. Nunca devem ser vistos em contraposição.

A diferença é apenas de dimensão conforme culturas. Disso saem tamanho das propriedades, manejos, necessidades e destinos vários. Ha uma enorme diversidade que vem de hábitos regionais e planetários de consumo, e movimenta o comércio internacional na procura de segurança alimentar e divisas.

Resta, e parece eternamente, lamentar o amplo proletariado rural, representado não só por grupos indígenas, quilombolas e de assentados (agora na moda digital), mas todos aqueles inseridos nos grotões da miséria brasileira.

Esperam por um Estado promotor de inserção social. Mecenas privados nunca terão. Estes se aconselham na banca, pai e mãe do “necessário ajuste fiscal”, enquanto o bebê pobreza berra durante batismo na igreja da ortodoxia.

Arbitragem, rentismo, imposto sobre grandes fortunas, isto ninguém tasca, certo?

Marcelo Pellegrini, em excelente matéria para esta Carta Capital, mostra como estão vivendo os grupos quilombolas espalhados pelo País. Somente o Estado poderá ajudá-los. Atenção ministérios dos desenvolvimentos sociais e humanos, o siri e o cacete, como diria Aldir Blanc.

Nada a ver com o agronegócio, pois. Por demorarmos a enxergar esta evidência, deixamos de fazer reforma agrária correta, atrasamos a tecnologia, esquecemos o planejamento agrícola, e montamos arquitetura burocrática a justificar enorme e ineficiente aparelho público.

Se hoje somos um dos principais agentes nesse jogo de interesses pesados e soberanos, eivado de incentivos, barreiras alfandegárias e subsídios, deveríamos demonizar o agronegócio no que ele merece, e não lastimar um passado sem recuperação.

O leite tirado, menos informação.

Depois de quase 15 anos de exibição diária (exceto aos sábados), o agricultor que depois de tirar o leite da Vaca Estrela ligava a TV para assistir ao Globo Rural, deve procurar outra fonte de informação sobre o agronegócio.

Se fissurado nas chamadas da programação altamente cultural da emissora PROJAC – novelas, faustos opulentos, fantásticos Luciano e Rossi, ou noticiários de apresentadores com olhares ora espantados ora ufanistas – pode apenas deixar o televisor ligado e esperar a edição dominical do programa, que a emissora promete manterá.

Isso me faz concordar com quem diz que, no Brasil, o ruim sempre pode piorar. É o caso dessa supressão.

Histórico de qualidade, matérias equilibradas, fonte inesgotável de experiências campesinas, caboclas e sertanejas bem sucedidas, o longevo programa, assim como a revista, sem exagero, podem ser considerados patrimônios de quem produz em áreas rurais.

O matinal diário não apenas tratava de cotações de alimentos em bolsas e no mercado, mas mostrava eventos e exposições, entrevistas, enfim, festas do interior em ritmo de frevo, catira ou xaxado.

Acabou. Alegaram concorrência no horário com o SBT. Gargalho.

Sobram os “canais rurais” da TV fechada, que não valem o que cobram. (Carta Capital 13/12/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Piso desde janeiro: O mercado do açúcar registrou novas perdas na bolsa de Nova York na sexta-feira, mais uma vez pressionado pelos mercados de câmbio e petróleo. Os lotes do demerara para maio fecharam com recuo de 12 pontos, a 15,37 centavos de dólar a libra-peso, o menor valor desde 30 de janeiro. O dólar voltou a subir ante o real, o que favorece a disposição das usinas em aumentar a oferta no mercado internacional. O petróleo também sofreu forte recuo, deprimindo a competitividade do etanol. Também há expectativa de que a Índia aprove o subsídio à exportação. O apoio pode garantir uma rentabilidade aos indianos de 18 centavos de dólar a libra-peso, segundo Bruno Lima, da FCSTone. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,5%, para R$ 52,05 a saca de 50 quilos.

Milho: Estímulo da demanda: O milho subiu na bolsa de Chicago na sexta-feira, em meio às notícias sobre um possível aumento de demanda por parte da China e à restrição da oferta do Leste Europeu. Os contratos para março fecharam em alta de 2,25%, a US$ 4,075 o bushel, o maior valor desde 3 de julho. A estatal chinesa Cofco, maior trading do país asiático, tem pressionado Pequim a autorizar a importação de DDG (subproduto do processamento do milho para etanol, usado em rações), a partir dos EUA. Relatos de que o conflito geopolítico entre Rússia e Ucrânia voltou a se acirrar também colaboraram para sustentar os preços, uma vez que a região é um dos maiores exportadores mundiais de milho. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa registrou alta de 0,73%, a R$ 27,44 por saca de 60 quilos.

Café: Chove sem parar: Os preços do café mantiveram na sexta-feira sua trajetória de queda na bolsa de Nova York diante do tempo mais úmido nas áreas produtoras do Brasil e da alta do dólar. Os contratos do arábica para entrega em março fecharam com recuo de 240 pontos, a US$ 1,74 a libra-peso, o menor patamar desde 22 de julho. Alguns analistas acreditam que as chuvas recentes podem não apenas ter restaurado o abastecimento hídrico dos cafezais como ainda podem levar algumas árvores a se recuperarem do estresse dos últimos meses, embora o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada tenha indicado que ainda não se sabe se os danos durante a fase de florada serão revertidos em 2015/16. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica subiu 0,06%, a R$ 452,87 a saca.

Trigo: Impulso da China: Receios de um novo acirramento do conflito no Leste Europeu e expectativas de maior demanda da China levaram o trigo ao maior valor em mais de seis meses na bolsa de Chicago na sexta-feira. Os lotes para março fecharam em alta de 1,5%, a US$ 6,065 o bushel, o maior valor desde 9 de junho. Fundos realizaram compras volumosas de contratos futuros de trigo, movimento explicado pela tensão entre Rússia e Ucrânia, dois dos maiores produtores e exportadores globais do cereal. Também houve euforia com notícias da China, que informou à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma cota de importação de 9,6 milhões de toneladas para 2015, de acordo com a consultoria AGR Brasil, de Chicago. No Paraná, a saca teve ligeira alta de 0,26%, para R$ 30,40, conforme o Deral. (Valor Econômico 15/12/2014)