Setor sucroenergético

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Terra dividida na Embrapa

A Embrapa tornou-se um campo minado, por conta das crescentes rusgas entre seu presidente, Maurício Lopes, e o restante da diretoria. O estremecimento tem raízes político-partidárias.

Não é de hoje que Lopes, funcionário de carreira da estatal, vem se estranhando com os diretores de finanças, Vania Castiglioni, e de Transferência e Tecnologia, Waldyr Stumpf Junior, ambos indicações do PT (Jornal Relatório Reservado 16/12/2014)

 

Por R$ 150 milhões Mosaic negocia cinco unidades da Fertipar

O setor de fertilizantes está às portas de uma nova safra de consolidação.

Enquanto a Vale busca um sócio para suas operações, a norte-americana Mosaic estaria em negociações para a compra das cinco unidades de processamento da Fertipar no Nordeste.

Segundo fontes próximas às empresas, o pacote está avaliado em R$ 150 milhões. (Jornal Relatório Reservado 16/12/2014)

 

Unialco fecha acordo para pagar bancos

A sucroalcooleira Unialco, que há cerca de um ano costura uma nova reestruturação de dívida, chegou, enfim, a um acordo com seus credores. O pacto prevê o pagamento de R$ 20 milhões em juros e a destinação de 100% da venda das duas usinas para quitar o principal. Uma das unidades fica em São Paulo e outra, em Mato Grosso do Sul. Juntas têm moagem de 4 milhões de toneladas.

Os acionistas da Unialco vão se reunir na próxima sexta-feira, na sede do grupo, em Guararapes (SP), para deliberar sobre o assunto. O endividamento da empresa, na casa dos R$ 600 milhões, está todo concentrado com bancos, entre os quais Santander, ItaúBBA, Bradesco e HSBC, Natixis e HSH Nordbank.

Conforme fontes familiarizadas com o assunto, não será feito um novo alongamento dos débitos. O acordado foi o pagamento de juros em duas parcelas: uma neste ano, de R$ 5 milhões, assim que for assinado o pacto com os bancos, e a segunda, de R$ 15 milhões, em 2015.

A venda das usinas poderá ser feita a qualquer momento. Mas, devido às condições adversas do setor sucroalcooleiro, especialistas acreditam que melhores oportunidades aparecerão só a partir de 2016 - quando, espera-se, as cotações de açúcar e etanol estarão mais altas, o que tende a valorizar os ativos sucroalcooleiros. Conforme as fontes, o acordo com os bancos, assessorados pelo Tepedino Advogados, pode ser assinado na própria sexta-feira, após a aprovação pelos acionistas da Unialco, que está sendo assessorada pelo Dias Carneiro Advogados.

Todo o capital oriundo da venda das unidades será usado para pagar os bancos. Conforme fontes, dificilmente os recursos serão suficientes para quitar todo o débito. Assim, a expectativa é que os bancos tenham de dar desconto na dívida.

O Valor apurou que as terras plantadas com cana não entram no acordo, pois estão registradas no nome de pessoas físicas (dos sócios, da família Zancaner). Dessas terras, saem ao menos 40% da cana processada nas usinas do grupo.

Durante os últimos anos, o quadro societário da Unialco foi ajustado para possibilitar o acordo. A participação de minoritários foi adquirida de forma a reduzir a quatro o número de acionistas que detêm quase 100% do negócio, liderado pelo presidente do conselho, Luiz Zancaner. O empresário não foi encontrado ontem para comentar.

A crise que se arrasta no setor sucroalcooleiro também afetou outros grupos. Ontem, a Fitch rebaixou os ratings de probabilidade de inadimplência do Virgolino de Oliveira. (Valor Econômico 16/12/2014)

 

Por que as commodities estão caindo?

Os preços do petróleo caíram 40% desde junho - e isso é boa notícia para os países importadores de petróleo, porém má notícia para a Rússia, Venezuela, Nigéria e outros países exportadores. Alguns atribuem a queda de preços ao boom da energia derivada do xisto nos Estados Unidos. Outros citam o fato de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não ter chegado a um acordo para reduções na oferta.

Mas essa não é a história toda. O preço do minério de ferro também está em baixa. O mesmo acontece com os preços do ouro, da prata e da platina. E também com os preços do açúcar, do algodão e da soja. Na realidade, em dólares, a maioria dos preços das commodities caiu desde o primeiro semestre do ano. Apesar de um leque de fatores setoriais específicos afetar o preço de cada commodity, o fato de as quedas nos preços serem tão amplas - como frequentemente ocorre em casos de grandes oscilações de preços - sugere que fatores macroeconômicos estão em jogo.

Então, quais fatores macroeconômicos podem estar pressionando os preços das commodities para baixo? Talvez seja a deflação. Mas, embora a inflação esteja muito baixa, e até mesmo negativa em alguns países, algo mais deve estar acontecendo, porque os preços das commodities estão caindo em relação ao nível geral de preços. Em outras palavras, os preços reais das commodities estão em queda.

A explicação mais comum é a desaceleração econômica mundial, que tem reduzido a demanda por energia, minerais e produtos agrícolas. Com efeito, o crescimento diminuiu e as previsões sobre PIBs nacionais foram revistas para menor, desde meados do ano, para a maioria dos países.

Os Estados Unidos são uma importante exceção. A expansão americana parece cada vez mais bem estabelecida, tendo seu crescimento anual sido estimado em mais de 4% durante os dois últimos trimestres. No entanto, é particularmente nos EUA que os preços das commodities têm caído. O Índice de Preços de Commodities da "The Economist", denominados em euros, por exemplo, na realidade subiu, ao longo do ano passado; é apenas o índice baseado em dólares - o número que concentra todas as atenções - que está em queda.

Isso nos leva à política monetária, cuja importância como determinante dos preços das commodities é muitas vezes esquecida. Um aperto monetário é amplamente previsto para os EUA - a flexibilização quantitativa promovida pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) terminou em outubro e o BC americano provavelmente elevará os juros de curto prazo em algum momento no próximo ano.

Isso lembra um padrão histórico familiar. Quedas nos juros reais (ajustados pela inflação) na década de 1970 e nos períodos 2002-2004 e 2007-2008 vieram acompanhadas por um aumento dos preços das commodities; fortes aumentos nas taxas de juros reais americanas na década de 1980 fizeram despencar os preços das commodities em dólares.

Há algo de intuitivo na noção de que quando o Fed "imprime dinheiro", o dinheiro flui para commodities, entre outros ativos, e de que essa demanda eleva seus preços - e que, portanto, os preços caem quando os juros sobem. Mas, qual é, exatamente, o mecanismo causal?

Na realidade, existem quatro canais por meio dos quais a taxa de juros real afeta os preços das commodities (independentemente do efeito que os juros produzem por meio do nível de atividade econômica). Em primeiro lugar, juros elevados reduzem o preço das commodities armazenáveis, ao incrementar as vantagens de extrair hoje, em vez de amanhã, intensificando, assim, o ritmo como petróleo é extraído, ouro é tirado de minas ou árvores são abatidas em florestas. Em segundo lugar, juros altos também diminuem o desejo das empresas de manter estoques (leia-se: petróleo armazenado em tanques).

Em terceiro lugar, os gestores de carteiras de investimentos reagem a aumentos nas taxas de juro reduzindo sua exposição a contratos de commodities (que são agora uma "classe de ativos") e investem em títulos do Tesouro. Finalmente, juros elevados fortalecem a moeda nacional, reduzindo, assim, o preço das commodities comercializadas internacionalmente em termos domésticos (mesmo que os preços não tenham caído quando expressos em moeda estrangeira).

As taxas de juro americanas na realidade não subiram em 2014, de modo que a maior parte desses mecanismos ainda não está se fazendo sentir diretamente. Mas os especuladores sempre tentam adivinhar o futuro e abandonam as commodities hoje devido a suas previsões de taxas de juro futuras mais elevadas em 2015; o resultado foi antecipar para hoje os aumentos de preços que ocorrerão no ano que vem.

O quarto canal, a taxa de câmbio, já está operando. A perspectiva de aperto monetário nos Estados Unidos coincide com a adoção de estímulos monetários por parte do Banco Central Europeu e do Banco do Japão. O resultado tem sido uma valorização do dólar em relação ao euro e ao iene. O euro está em queda de 8% em relação ao dólar desde o primeiro semestre do ano e o iene está em baixa de 14%. Isso explica como os preços de tantas commodities podem estar em baixa em dólares e em alta quando denominados em outras moedas. (Valor Econômico 16/12/2014)

 

Dilma afirma que 'parceria' com Kátia Abreu 'está apenas começando'

Ela discursou na posse da presidente da Confederação da Agricultura.

Senadora Kátia Abreu (PMDB) é apontada como futura ministra do setor.

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (15), durante a posse da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) como presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que a parceria com a parlamentar “está apenas começando”.

Kátia Abreu foi convidada por Dilma para assumir o cargo de ministra da Agricultura no segundo mandato da presidente, segundo informou o Blog do Camarotti. A escolha ainda não foi confirmada oficialmente pelo Palácio do Planalto.

“Quando estive aqui em agosto, no encontro dos presidenciáveis, falei do meu orgulho de ter dialogado com o setor agroecopecuário. Hoje, Kátia Abreu, quero dizer que nossa parceria está apenas começando, temos quatro anos pela frente”, afirmou a presidente. "Quero a CNA ao meu lado, preservada a sua autonomia e independência", declarou Dilma.

Segundo ela, no segundo mandato, o produtor rural não será "apenas ouvido e consultado". "Proponho mais que isso. Quero o produtor rural tomando decisões junto comigo, participando do governo e atuando diretamente na definição de novas políticas", declarou.

Dilma iniciou e encerrou o discurso com elogios a Kátia Abreu, destacando que compareceu pessoalmente à posse para homenagear “uma mulher que se distinguiu na direção da CNA e que honra o país”. “[Kátia Abreu] honra as mulheres desse país pela sua capacidade de trabalho e por ser uma lutadora incansável por esse segmento que é muito importante para o nosso país”, disse.

Segundo a presidente, diferenças políticas e ideológicas não podem impedir que todos trabalhem pelo objetivo comum de desenvolver o país e o agronegócio.

“As bandeiras da produtividade e preservação estão nas mãos de todos. Por isso, eu digo que nós temos um imenso conjunto, aqui representado, dos empresários do agronegócio, dos trabalhadores rurais, dos ambientalistas, e de todos eles, sem exceção, sem considerar diferenças políticas ou ideológicas.”

Em sua fala, Dilma procurou reforçar que está disposta a ampliar o diálogo com o setor agropecuário e citou investimentos públicos em produção agrícola.

“Desde 2011, participo das reuniões que minha equipe elabora para concluir e propor o Plano Safra. Em todos os anos, a CNA foi ouvida, suas sugestões foram quase todas elas acatadas e seus pleitos sempre foram levados em consideração”, disse.Segundo a presidente, o governo sempre tentou atender os pleitos dos produtores rurais. “Meu governo zelou por isso e posso dizer tranquilamente: buscamos garantir especial atenção a alguns elos da cadeira produtiva por serem prioritárias ou porque até então não tinham recebido apoio suficiente do Estado”, disse.

Dilma afirmou também considerar possível ampliar a produção agrícola sem descuidar da preservação do meio ambiente. “O sucesso do nosso plano agrícola é fácil de ser mensurado. Na safra de 2001-2002, produzimos 96,8 milhões de toneladas, em 40,2 milhões de hectares. Na safra deste ano, devemos ultrapassar 200 milhões de toneladas, em 58 milhões de hectares, ou seja, mais que dobramos a produção. Cito estes dados porque estamos dando as melhores respostas a um dos maiores desafios, alimentar o mundo sem destruir o planeta."

Indicação polêmica

A possível indicação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura é criticada por ambientalistas, líderes de movimentos sociais e pequenos produtores rurais.

Ainda nesta terça, após reunião com a presidente Dilma, o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Alexandre Conceição afirmou que a possível nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura seria uma medida “equivocada”.

Segundo ele, a presidente da CNA representa “mais veneno na mesa, mais trabalho escravo e mais repressão a indígenas e quilombolas.”

Na semana passada, após reunião com Dilma, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, classificou como "péssima" a possibilidade de Kátia Abreu assumir o comando do ministério.

Paradigmas da esquerda

No discurso de posse, Kátia Abreu defendeu superar “paradigmas” da esquerda e da direita, como forma de garantir o desenvolvimento do país, sobretudo na área agropecuária.

Algumas horas antes da cerimônia, cerca de 70 manifestantes ligados ao Movimento Brasileiro dos Sem Terra (MBST), à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) e à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer) derrubaram a grade da sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em protesto contra a possibilidade de a senadora assumir o Ministério da Agricultura.

Eles tentaram invadir o prédio, mas foram impedidos pela segurança. “Temos que superar paradigmas de grupos da esquerda e da direita que desservem ao país. Como o [grupo] de hoje que, de forma desrespeitosa, invadiu este prédio”, disse Kátia Abreu.

A senadora destacou que a agricultura brasileira impulsiona a geração de empregos e, diante de Dilma, disse que, apesar dos avanços, os investimentos públicos ainda são aquém do esperado. Ela afirmou ainda que as diferenças partidárias não podem influenciar as entidades representativas dos agricultores, como a CNA.

“A CNA não é uma casa partidária. A disputa ideológica, legítima, necessária se exerce nos partidos políticos. Nossa entidade deve continuar sendo uma reunião de homens e mulheres que colocam a nação brasileira acima de tudo”, disse.

'Especulações'

Após a cerimônia na CNA, Kátia Abreu afirmou a jornalistas, durante coquetel, que são "especulações" as notícias de que será nomeada ministra da Agricultura. Segundo ela, não houve convite da presidente.

Ao ser questionada sobre a fala em que a presidente afirmou que a "parceria" com ela está "apenas começando", Kátia Abreu disse que nos últimos quatro anos houve proximidade "bastante interessante" entre a CNA e o governo e que Dilma tem "confiança" na entidade.

"Com certeza estaremos mais próximas, eu como presidente da CNA e como uma pessoa que aprendeu a admirá-la justamente pela vontade dela de aprender e atender as demandas do setor. Por isso, essa reciprocidade, essa afinidade. [...] Isso [indicação para o ministério] são só especulações, apenas especulações. Eu continuo senadora e presidente da CNA", disse (G1 15/12/2014)

 

Petroleira Total diz que licenciamento ambiental atrasa exploração no país

A demora na liberação de licenciamentos ambientais para as atividades exploratórias em blocos de petróleo arrematados na décima primeira rodada, realizada pelo Brasil em 2013, deve atrasar o início das atividades em algumas áreas arrematadas pela petroleira francesa Total, afirmou nesta segunda-feira o presidente da unidade brasileira Denis Palluat.

A Total avalia que as atividades de perfuração nos blocos adquiridos ocorrerão um ano depois do previsto, por conta da demora no licenciamento.

"É uma questão de regulamentação e de licenciamento ambiental. Isso leva muito tempo. As perfurações só poderão acontecer em 2016 e 2017", afirmou Palluat em entrevista à Reuters, após evento no Rio de Janeiro.

Palluat disse que o licenciamento dessas áreas está lento, atrapalhando os planos da petroleira, uma queixa já manifestada por entidades representantes do setor.

"O licenciamento atrapalha um pouco... Exploração é um trabalho demorado e de longo prazo."

Procurado, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o órgão trabalha "dentro do cronograma, como determina a própria legislação".

O Ibama disse ainda desconhecer atrasos para a liberação de licenças para exploração.

Ao todo, a Total atua em 13 blocos no Brasil e é operadora em sete deles, segundo a assessoria de imprensa da empresa.

A décima primeira rodada de petróleo não incluiu áreas com reservas conhecidas no pré-sal.

CRISE NA PETROBRAS NÃO AFETA LIBRA

A Total é uma das sócias da Petrobras na mega área de Libra, da Bacia de Santos, a primeira área do pré-sal licitada pelo governo no regime de partilha, também no ano passado, com reservas estimadas em até 12 bilhões de barris de petróleo recuperáveis, segundo o órgão regulador no Brasil (ANP).

O executivo garantiu que; apesar da crise que ronda a estatal, que tem sido alvo de denúncias de corrupção, além de ação na Justiça norte-americana por parte de acionistas que se sentem lesados pela má gestão da petroleira brasileira, Palluat afirmou que a Petrobras vem honrando com seus compromissos sem atrasos.

A Petrobras é a operadora de Libra, com 40 por cento de participação, a Total tem 20 por cento, assim como a Shell. As empresas chinesas CNOOC e CNPC têm 10 por cento cada.

De acordo com Palluat, não há nenhum atraso ou desequilíbrio no contrato de Libra em virtude da crise vivida pela empresa brasileira.

"Nossa relação com a Petrobras é excelente e nossa relação é brilhante. Com a Petrobras, não temos nenhum problema", afirmou ele.

"Eles (Petrobras) estão trabalhando em Libra normalmente e não vejo diferença ou dificuldade alguma", acrescentou Palluat.

A previsão é que o teste de longa duração de Libra ocorra em 2017, de acordo com o executivo.

Anteriormente, um outro executivo da Total afirmou durante evento no Rio de Janeiro que os investimentos totais no desenvolvimento de Libra deverão atingir 80 bilhões de dólares.

QUEDA DO PETRÓLEO

Palluat demonstrou preocupação com a queda sistemática na cotação do barril de petróleo no mercado internacional.

Nesta segunda-feira, o barril do tipo Brent operou perto dos 60 dólares, atingindo nova mínima de cinco anos.

Segundo o presidente da Total no Brasil, o momento é "difícil" e um "fato" que as petroleiras precisam enfrentar e se adaptar.

Ele evitou fazer um prognóstico sobre uma eventual reversão de tendência, mas afirmou que as petroleiras mundiais precisarão aumentar a produtividade e a eficiência diante do novo cenário.

Os preços do petróleo entraram em trajetória de queda nos últimos seis meses, com o aumento da produção da América do Norte ajudando a pressionar as cotações num momento de demanda sem brilho no mundo.

"Como vamos nos adaptar para passar a esse momento? Acho que é um período, um momento, um dia vai voltar a subir, só não sabemos. Temos que nos adaptar a essa crise", declarou ele.

Os preços mais baixos provocarão em todo mundo uma reavaliação global de investimentos em petróleo, mas ele garante que o Brasil continua sendo uma prioridade para Total.

"Evidente que isso é para todos. Com preço baixo, você tem retorno menor e menos dinheiro para investir", frisou ele.

"Hoje, no Brasil não muda nada, temos investimentos fortes com Libra e vamos continuar sem dúvida alguma". (Reuters 15/12/2014)

 

Isenção de impostos do etanol deve ser votada nesta segunda-feira 

Como não houve consenso em relação a suplementação orçamentária para ser votada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), uma reunião na manhã desta segunda-feira (15) mobilizou o presidente da Casa Diniz Pinheiro, o futuro líder do governo Pimentel, Durval Ângelo, o coordenador da equipe de transição Marco Antônio Rezende, e os presidentes do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Defensoria Pública, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a própria ALMG.

O motivo é que os órgãos citados tem suplementação orçamentária para serem votadas na Casa e, como há cinco meses a ALMG não vota em nada sobre o assunto, os órgãos foram reunidos para sensibilizar os deputados sobre a importância da pauta.

Ficou acordado na reunião que em uma sessão extraordinária a ser realizada na noite desta segunda-feira (15) será votado o projeto que prevê a isenção de impostos do etanolque travava a pauta, e logo depois serão votados os nove vetos e as suplementações orçamentárias.

Para viabilizar o acordo entre oposição e base, foram retiraram 32 das 33 emendas que o Estado havia incorporado ao projeto de isenção do etanol. A única emenda que restou foi sobre o recurso da Minas Caixa, um fundo de pensão dos ex-funcionários.

A partir desta terça-feira (16) a pauta volta a ficar trancada novamente por conta de um projeto da Polícia Militar que prevê remanejamento de cargos. Não houve acordo com relação ao projeto que previsa aumento de 4,6% aos servidores do Estado, e os demais cerca de 40 projetos que travavam a pauta ainda estão na fila. (UDOP 15/12/2014)

 

Áreas degradadas da Amazônia poderão servir como lavoura de cana-de-açúcar

Foi apresentado na quarta-feira (11-dez) projeto de lei de autoria do Senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que trata do cultivo sustentável da cana-de-açúcar em áreas alteradas e nos biomas Cerrado e Campos Gerais, situados na Amazônia Legal. Segundo o parlamentar não há nada que impeça o plantio de cana na região, haja vista que sua proposta prevê o cultivo da gramínea somente em áreas já degradadas, sem prejuízo para a preservação ambiental e sem a derrubada de uma só árvore.

O dispositivo prevê em seu texto que o cultivo de cana-de-açúcar deve obedecer critérios como o cultivo sustentável, restrito a áreas degradadas da Amazônia Legal e “estabelece diretrizes para o zoneamento agroecológico da região”, segundo as determinações do Código Florestal Brasileiro.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, entre 2011 e 2013 mais de 38 mil km² de área estavam em algum estágio de degradação do solo, boa parte proveniente do uso indiscriminado do fogo na região como forma de abertura de pastagens ou novas lavouras. Segundo especialistas, o calor gerado pelas queimadas empobrece o solo porque mata diversos tipos de bactérias e micro-organismos importantes para a fertilidade da terra.

Em sua justificativa para a proposição, o Senador Ribeiro elenca alguns elementos que considera importantes para o uso da cana-de-açúcar como cultura na correção destes problemas, entre eles a proteção ao meio ambiente; a conservação da biodiversidade; a utilização racional dos recursos naturais; o uso da tecnologia apropriada para produção em áreas alteradas e nos Cerrado e Campos Gerais; o respeito à função social da propriedade; a promoção do desenvolvimento econômico e social da região, e; a ocupação prioritária de áreas degradadas ou de pastagens. (Cenário MT 15/12/2014)

 

Deputados entram em acordo e devem destravar pauta que reduz ICMS em MG

Os deputados estaduais da base governista e da oposição entraram em um acordo nesta segunda-feira (15), em Belo Horizonte, para destravar a pauta de votações na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), segundo a assessoria de imprensa da Casa.

Nove emendas que haviam sido propostas ao projeto do governador (PL 5.494/14) que trata da redução do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre o etanol foram retiradas. A única que se manteve foi a de número 10 a qual prevê que os ativos financeiros do plano de previdência MinasCaixa sejam repassados para o Estado, sem prejuízo aos beneficiários.

A base governista apoiava as emendas, alegando serem fundamentais para a economia mineira, mas segundo os deputados da oposição, elas poderiam aumentar as despesas do próximo governo.

A expectativa, segundo a assessoria de imprensa da ALMG, é que o projeto seja votado o quanto antes, além dos vetos do governador Alberto Pinto Coelho. Assim, a pauta estará livre para a apreciação do orçamento de 2015. Uma reunião extraordinária foi marcada para a noite desta segunda-feira. (G1 15/12/2014)

 

Brasil questiona subsídios dos EUA para agricultura

Este ano, 1º de vigência da Farm Bill, subsídios americanos podem chegar a US$ 10 bi, boa parte reflexo da queda das commodities.

Agricultores americanos deverão terminar o ano com subsídios recordes de US$ 10 bilhões. A partir de amanhã, na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil vai lançar dezenas de questionamentos contra o governo americano pela distribuição dos subsídios.

A cada dois anos, a OMC faz um exame da política comercial dos Estados Unidos e, desta vez, uma parte substancial das 80 perguntas enviadas por Brasília vai focar na agricultura.

Este ano era para ser o primeiro ano da nova Farm Bill, a lei americana que regula os subsídios. O novo esquema substituiria um programa que, por mais de 20 anos, distribuiu US$ 5 bilhões aos agricultores, mesmo sem uma contrapartida.

Por anos, essa nova lei foi negociada em uma disputa entre aqueles setores que querem manter seus subsídios e parte da classe política que acredita que o mecanismo apenas distorce os mercados. A promessa da administração de Barack Obama era de que a nova lei cortaria de forma substancial os subsídios.

Mas com uma queda nos preços de commodities e o esforço de produtores de driblar as regras, as estimativas revelam que o mecanismo pode ter fracassado em lidar com as distorções e que uma compensação com a ajuda do Estado está ocorrendo. Uma safra acima do previsto, como a de milho e outros produtos, permitiu a queda acentuada das cotações.

O ano deve terminar com um volume de ajuda aos produtores dez vezes superior ao que o Departamento de Agricultura dos EUA esperava e duas vezes as estimativas do Congresso. Apenas o setor do milho pode acabar o ano com uma ajuda de US$ 6 bilhões diante de preços que estão em seu ponto mais baixo em cinco anos.

"A nova lei agrícola fez muito pouco para reduzir os custos", admitiu o deputado republicano Tom Petri.

Cobrança. Diante dessas previsões, o Brasil vai querer saber dos EUA como o país espera reduzir de fato a distorção no comércio agrícola, justamente no primeiro ano da entrada em vigor da nova lei. Exportadores brasileiros, que já passaram a ser afetados pela queda de preços, temem também ser prejudicados pela concorrência desleal dos EUA, principalmente na soja.

Mas o Brasil não se limitará a questionar esses pontos. O Itamaraty vai questionar as novas leis de antidumping dos EUA, a proliferação de barreiras técnicas, subsídios a outras áreas e os benefícios do governo americano à indústria em licitações públicas.

Outra preocupação do Brasil é a proliferação de acordos comerciais dos EUA com países emergentes. O Itamaraty quer esclarecimentos se esses acordos acabarão dando preferências ilegais a produtores de países parceiros, o que pode afetar as exportações nacionais. Na América Latina, acordos com a América Central e Peru estão entre as principais iniciativas dos EUA na região (O Estado de São Paulo 15/12/2014)

 

Crise na Petrobrás piora o cenário para a economia

Investimentos de R$ 100 bilhões previstos pela estatal podem ficar comprometidos, o que puxaria para baixo o crescimento do País.

A crise na Petrobrás pode prejudicar dois pontos chave da economia brasileira: os investimentos e o setor externo. A piora provocada pela estatal na economia vai se somar ao cenário já ruim para o ano que vem: a economia brasileira deverá crescer pouco - menos de 1% -, e a inflação continuará pressionada, próxima ao teto da meta.

O envolvimento da Petrobrás e grandes construtoras num esquema de corrupção é investigada na Operação Lava Jato. Nas últimas semanas, o agravamento das denúncias tem produzido impactos no andamento dos projetos da companhia.

A Petrobrás detém uma grande fatia dos investimentos programados para a economia brasileira no ano que vem. A estatal planeja investir cerca de R$ 100 bilhões - a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deverá ficar entre R$ 800 bilhões e R$ 900 bilhões, segundo estimativa da Tendências Consultoria Integrada. “É difícil mensurar quanto desse investimento pode ser realmente afetado, quanto vai deixar sair do papel, mas deve haver algum impacto”, afirma Alessandra Ribeiro, economista da Tendências.

O estrago da Petrobrás nos investimentos pode ser ainda pior quando se leva em conta o efeito multiplicador. Para cada real gasto, R$ 1,9 é gerado na economia como um todo. “Se estamos falando (de um peso da Petrobrás) de 10%, com o efeito multiplicador, chega ao redor de 20%”, diz a economista.

A melhora do investimento se tornou fundamental para o avanço da economia brasileira. Por muitos anos, o consumo das famílias funcionou como o motor do PIB brasileiro, o que não ocorre mais. Dessa forma, era esperado que o investimento suprisse essa lacuna.

Por ora, há um desânimo com o crescimento previsto para a economia do País em 2015. A expectativa do relatório Focus, feito pelo Banco Central, estima um crescimento de 0,69%.

Para o economista-chefe do banco de investimentos BTG Pactual, Eduardo Loyo, a crise da Petrobrás adiciona incerteza na economia, num momento em que se esperava uma melhora. O fim do processo eleitoral e a credibilidade do ajuste na política econômica a ser liderado pelo futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, eram dois fatores que poderiam trazer confiança. “Há uma quantidade de ruídos e fricções no cenário tanto político quanto empresarial associado a esse caso da Petrobrás. Esse cenário de ruídos e fricções pode acabar tendo sobre o desempenho da atividade, em particular sobre o apetite dos investimentos, efeito semelhante ao que houve ao longo de 2014”, diz.

A possível lentidão dos investimentos da Petrobrás também deve tornar difícil a recuperação consistente do comércio internacional, no médio e longo prazo. Neste ano, o Brasil deverá ter um déficit comercial de petróleo e derivados de cerca de US$ 21,5 bilhões, segundo projeções da consultoria GO Associados. Na balança comercial como um todo, o cenário é desalentador. Entre janeiro e novembro, o déficit acumulado é de US$ 4,22 bilhões - o pior resultado para o período desde 1998.

“A empresa poderia reduzir o déficit comercial como forma de compensar o ciclo de baixa de commodities que o mundo vive hoje e que não vai ser equacionado no curto prazo”, diz Fábio Silveira, diretor de pesquisas da GO Associados. (O Estado de São Paulo 16/12/2014)

 

Bolsas voltam a fechar no vermelho com petróleo

O petróleo seguiu no foco dos investidores nos mercados internacionais no primeiro pregão da semana, com um ligeiro alívio nas cotações tendo curta duração. A commodity voltou a encerrar o pregão no vermelho em Nova York e Londres. Investidores também aguardam ansiosos a decisão de política monetária do Federal Reserve (o BC americano), na quarta-feira, principal evento da semana.

Em Wall Street, o índice Dow Jones recuou 0,58%. O S&P 500 teve queda de 0,63%, e Nasdaq registrou perda de 1,04%.

Na Europa, as quedas foram ainda mais expressivas. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações do continente, caiu 2,35%, para o menor nível em quase dois meses, influenciado pela queda das ações de energia, golpeadas pelo contínuo recuo do petróleo. As ações da italiana ENI caíram 3,5%, as da espanhola Repsol perderam 3% e as da britânica BP recuaram 3,2%.

O índice CAC-40, de Paris, caiu 2,52%. As ações da petrolífera francesa Total recuaram 2,9%. O DAX, de Frankfurt, declinou 2,72%. Em Londres, o FTSE 100 perdeu 1,87%, em sua sexta queda consecutiva.

"A queda de petróleo normalmente seria uma boa notícia para a economia europeia, mas, neste caso, é ruim porque aumenta seriamente o risco de deflação", disse o gestor de fundo e presidente da Diamant Bleu Gestion, Christian Jimenez.

Os contratos futuros de petróleo fecharam no menor patamar em mais de cinco anos no mercado internacional. As preocupações com o excesso da oferta global ofuscou notícias de redução das exportações na Líbia.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do WTI para janeiro caiu 3,3%, para US$ 55,91 o barril, menor nível desde 5 de maio de 2009. Na plataforma eletrônica ICE, em Londres, o contrato do Brent para o mesmo mês recuou 1,3%, para US$ 61,06 o barril, patamar mais baixo de fechamento desde julho de 2009.

O membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE) Ignazio Visco disse na segunda-feira que a queda do petróleo vai pesar na já baixa inflação da zona do euro nos próximos meses. O BCE já cortou suas projeções para crescimento e inflação para os próximos dois anos.

As ações de mineradoras também voltaram a ser pressionadas, com os papéis da Rio Tinto caindo 2,5%, e os da BHP Billiton perdendo 3,7%, devido a preocupações com o excesso de oferta de minério de ferro e o nível da demanda, especialmente do principal consumidor do metal, a China.

"O ritmo da queda do petróleo está deixando muita gente receosa, mas não acho que está causando tanta angústia no mercado de ações", disse Dave Lutz, diretor da JonesTrading Institutional Services. (Valor Econômico 16/12/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Retorno dos fundos: Após esbarrarem no menor valor em cerca de seis meses, as cotações do café foram impulsionadas ontem em Nova York por recompras de fundos, que aproveitaram os baixos preços para voltar ao mercado. Os lotes do arábica negociados fecharam em US$ 1,7865 a libra-peso, com alta de 465 pontos. Os traders aproveitam as incertezas que ainda persistem sobre a próxima safra no Brasil para voltarem a elevar suas apostas, apesar do cenário macroeconômico adverso, com o dólar em alta exercendo pressão sobre a maior parte das "soft commodities". As previsões meteorológicas indicam que a região Sudeste deve voltar a ver chuvas nos próximos dias, o que é positivo para os cafezais. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 0,34%, para R$ 454,43 a saca.

Cacau: Disparada no fim: Os preços do cacau dispararam no fim da sessão de ontem na bolsa de Nova York, sob impulso de compras de fundos, após oscilarem "de lado" durante a maior parte do dia. Março fechou em alta de US$ 16, a US$ 2.873 a tonelada. Chuvas no oeste da África reduziram o volume de cacau entregue nos portos. Nos últimos dias, o clima permaneceu seco em Gana e na Costa do Marfim, mas tempestades devem voltar a cair na região, o que pode voltar a atrasar a colheita. Mas a alta de ontem foi conduzida por compras de fundos, que montaram novas posições após a liquidação dos lotes para dezembro na sexta-feira. No mercado doméstico, o preço médio da arroba da fruta nas praças de Ilhéus e Itabuna ficou em R$ 107, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Desvalorização em NY: O mercado do suco de laranja fechou em queda ontem na bolsa de Nova York diante de um cenário de oferta mais folgada na nova safra. Os contratos do produto concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para entrega em março fecharam com recuo de 210 pontos, a US$ 1,4735 a libra-peso, o menor valor desde 21 de novembro. As últimas indicações sobre os fundamentos apontam para um consumo em constante queda nos Estados Unidos por causa do aumento dos preços no varejo, enquanto a produção da fruta na Flórida pode se recuperar diante de um clima mais favorável registrado na fase de florescimento desta temporada. No mercado interno, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq ficou em R$ 10,20 a caixa de 40,8 kg.

Trigo: De olho na Rússia: Os preços do trigo dispararam ontem nas bolsas americanas com compras de fundos, que se apoiam nas incertezas quanto à oferta russa e nos sinais da demanda para elevar suas apostas no mercado. Em Chicago, os lotes para maio fecharam com alta de 12,5 centavos, a US$ 6,2125 o bushel. Em Kansas, os papéis com igual vencimento subiram 12,5 centavos, a US$ 6,495 o bushel. O receio de que Moscou restrinja as exportações de trigo para evitar um desabastecimento interno ante a desvalorização do rublo voltou a sustentar as cotações. O aumento de 42,8% nos embarques de trigo dos EUA na última semana também colaborou para a alta. No mercado doméstico, o preço médio do trigo no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq caiu 0,75%, a R$ 492,43 a tonelada. (Valor Econômico 16/12/2014)