Setor sucroenergético

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Nomes de peso para presidir a Petrobras

Aqui e ali se ouvem nomes desejáveis para presidir a Petrobras. Dois pesos pesados, “cascudíssimos”, capazes de encarar a fera ferida são os do ex-embaixador e ex-presidente da Vale, Jório Dauster, e do vice-presidente da FGV e integrante do Conselho da estatal, Sérgio Quintella.

O mercado prefere este último. (Jornal Relatório Reservado 17/12/2014)

 

Preço do açúcar deve encerrar 2014 em baixa de 6%, prevê GO Associados

Os preços do açúcar devem voltar a fechar um ano no positivo somente em 2016.

De acordo com relatório da GO Associados, as cotações da commodity, negociada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), tendem a encerrar 2014 com desvalorização de 6% e a perder mais 3% em 2015. Em 2016, contudo, devem subir 2%, primeiro avanço desde 2011, quando registraram ganhos de 22%.

Por enquanto, o açúcar acumula perdas de quase 9% na Bolsa de Nova York neste ano, cotado em torno de 15 centavos de dólar por libra-peso.

O relatório da GO Associados não detalha as oscilações previstas para a commodity, mas analistas comentam que a tendência, no longo prazo, é mesmo de alta em razão do esperado aperto nos estoques globais.

Projeção divulgada recentemente pela Biosev, braço sucroalcooleiro da Louis Dreyfus Commodities (LDC), indica que as reservas mundiais de açúcar, que hoje conseguem suprir 46% de toda demanda, devem cair e atender a apenas 35% do consumo global até a safra 2017/18. (Agência Estado 16/12/2014)

 

Crise na indústria de bens de capital da cana deve se agravar

A crise que atinge a indústria de bens de capital do setor canavieiro deve se agravar ainda mais e já representa o desmonte do conjunto tecnológico que levou o Brasil à liderança mundial na corrida para a produção de energia limpa e renovável do planeta. A liderança hoje é dos Estados Unidos.

Atingida em cheio pela inadimplência das usinas, provocada pela inação governamental e também por falta de gestão empresarial, a indústria de base convive com a tragédia da falta de novos pedidos e a desconfiança dos grupos de usineiros que se voltam o mercado internacional onde os preços e as condições de financiamento são mais favoráveis.

Este alerta já tinha sido dado pelo diretor do Arranjo Produtivo do Etanol – Apla, Flávio Castelar, que em entrevista ao TV BrasilAgro alertou para a perda de mercado das indústrias brasileiras no mercado internacional. Na mesma entrevista, ele reconheceu que indústrias da China, Índia e Rússia estavam conquistando fatias importantes do comércio internacional desalojando o parque industrial brasileiro. E, pior, estas mesmas indústrias já estavam prontas para atender ao mercado das usinas do nosso País.

“Corremos o risco de fazer pagamentos antecipados nas assinaturas de contratos com a indústria de base e, a grosso modo, não há segurança em relação aos padrões de qualidade exigidos”, revela conhecido e respeitado usineiro também preocupado com o cenário de uma futura retomada do setor. “Se houver esta retomada, a indústria nacional será engolida pelos grupos estrangeiros que se mostram mais competitivos”, avalia.

Em entrevista ao TV BrasilAgro, que vai ao ar neste próximo final de semana pela STZTV e estará disponibilizado no www.brasilagro.com.br a partir da tarde desta próxima segunda-feira, o diretor do Banco Itaú BBA, Alexandre Figliolino, reconhece que as dificuldades da indústria de bens de capital focada no setor sucroenergético é preocupante.

No mesmo programa, que compõe a Série Especial “O Que Esperar de 2015”, o ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), Roberto Rodrigues, lamenta que a crise tenha chegado ao ponto em que está, sinalizando já para graves problemas sociais nos municípios canavieiros (Brasil Agro 17/12/2014)

 

Açúcar: Dólar e petróleo

O cenário macroeconômico global voltou a abalar o mercado futuro do açúcar ontem na bolsa de Nova York.

Os papéis do açúcar demerara para maio fecharam em 15,08 centavos de dólar, com queda de 27 pontos.

O dólar registrou mais uma alta ante as moedas emergentes, entre elas o real, o que exerceu forte pressão sobre as cotações da commodity, já que a alta cambial aumenta a rentabilidade das vendas externas do Brasil, maior exportador global de açúcar.

O petróleo também registrou forte queda durante o dia, acentuando a influência de baixa do açúcar.

Os compradores também vêem no curto prazo uma oferta confortável, apesar da proximidade da entressafra no Centro-Sul.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal caiu 0,19%, para R$ 51,96 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 17/12/2014)

 

Emprego da indústria na região de Ribeirão Preto tem pior mês do ano

Economia em queda, inflação e a crise do setor sucroenergético influenciaram na queda do emprego na indústria pelo segundo mês consecutivo na região de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), segundo os especialistas.

Segundo dados da pesquisa mensal da Fiesp/Ciesp (Federação e Centro das Indústrias do Estado) divulgada nesta terça (16), novembro teve o pior resultado de todo o ano, com o fechamento de 8.450 postos de trabalho.

A queda é quatro vezes maior do que em novembro do ano passado, quando 1.920 vagas foram fechadas.

O resultado deste mês puxou o acumulado do ano para baixo e deixou 2014 com o saldo negativo de 402 vagas.

As cinco cidades da região avaliadas na pesquisa tiveram resultado negativo.

A pior queda foi em Franca (a 400 km de São Paulo), com 3.100 postos fechados. O setor mais afetado foi o da indústria calçadista.

O presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, disse que as demissões de fim de ano foram antecipadas.

"Há uma sazonalidade na indústria calçadista, mas neste ano isso foi antecipado."

Ainda de acordo com Couto, a crise deve se estender pelo próximo ano e o setor deve continuar registrando saldos negativos de emprego.

Na sequência, Sertãozinho (a 333 km de São Paulo) fechou 2.400 vagas de trabalho. A cidade, conhecida por produzir máquinas e equipamentos para usinas, é fortemente atingida pela crise do setor sucroenergético.

Segundo Carlos Roberto Liboni, secretário local da Indústria e Comércio, parte do resultado negativo foi influenciado pela antecipação do fim da safra da cana-de-açúcar, consequência também da seca recorde que atingiu a região ao longo do ano.

No município, a queda de empregos afeta a economia e também derruba a arrecadação de impostos.

Araraquara (a 273 km de São Paulo) teve retração de 1.750 vagas de emprego.

Segundo o diretor regional do Ciesp em Araraquara, Ademir Ramos da Silva, os setores têxtil e alimentício foram os que mais demitiram.

Para ele, há uma retração no poder de compra da população que atinge a indústria.

Ainda entre as cidades avaliadas, São Carlos (a 232 km de São Paulo) fechou 1.050 vagas e Matão (a 305 km), 150.

"A indústria de todo o país vem sendo atingida pela crise econômica", disse o economista da Uni-Facef (Centro Universitário de Franca), Hélio Braga Filho.

Segundo ele, há excesso de carga tributária e baixo nível de inovação que impede o crescimento da indústria.

Para Edgard Monforte Merlo, docente da FEA-RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto), da USP, o primeiro semestre de 2015 ainda deverá ser um período de crise.

"É preciso ter ajustes para que o quadro comece a reverter", disse Merlo. (Folha de São Paulo 17/12/2014)

 

Valor da produção agrícola do Brasil chega a R$ 232,5 bilhões em 2013

Alta é de 14% em relação ao valor da produção do ano anterior. Soja teve uma participação de quase um terço do valor da produção.

O valor da produção da agricultura brasileira alcançou R$ 232,5 bilhões em 2013, um aumento de 14% em relação ao ano anterior, segundo o levantamento Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgado nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A soja teve uma participação de quase um terço do valor da produção: 29,7%. Em segundo lugar ficou a cana-de-açúcar, com 18,5%, seguida pelo milho, com 11,5%. Juntos, os três produtos responderam por 59,7% do valor da produção total do País.

O IBGE ressalta que, das 64 culturas investigadas, 33 tiveram produção menor em relação a 2012, e 31 tiveram aumento. Em 2013, o Brasil colheu uma safra recorde de grãos de 188,1 milhões de toneladas, 16,1% superior à de 2012. O total produzido de soja (81,7 milhões de toneladas) e milho (80,3 milhões de toneladas) também alcançou o recorde de toda a série histórica, iniciada em 1970. Os preços favoráveis na época de plantio da safra de soja e da segunda safra de milho incentivaram os produtores a ampliar os investimentos nas lavouras.

Já a mandioca registrou queda de 6,8%, em razão da seca iniciada em 2012 na região Nordeste e que se prolongou em 2013 em importantes áreas produtoras. Apesar disso, o aumento dos preços fez o valor da produção da raiz crescer 28,5% em relação a 2012. No período, também houve elevação nos valores de produção na soja (36,6%), cana-de-açúcar (6,2%), mandioca (28,5%), arroz (19,9%) e feijão (11,7%). (Agência Estado 16/12/2014)

 

Cana-de-açúcar é o produto agrícola mais produzido na PB, aponta IBGE

A cana-de-açúcar é o produto agrícula mais produzido na Paraíba, conforme mostra a Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2013, divulgada nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o levantamento, foram produzidas 6.094.359 toneladas do produto em 2013, um aumento de 3,9% em relação a 2012.

O valor da produção de cana-de-açúcar em 2013 foi de R$ 386 milhões, ainda segundo o IBGE. A área destina à colheita do produto foi de 122.070 hectares, sendo que o rendimento médio é de 49.927kg por hectare.

A cidade paraibana que mais produziu cana-de-açúcar em 2013 foi Santa Rita, com 930 mil toneladas do produto. O valor da produção foi de R$ 58,5 milhões no município. A lista segue com Pedras de Fogo (900 mil toneladas), Sapé (855 mil toneladas) e Rio Tinto (600 mil toneladas).

O segundo produto agrícula com maior produção na Paraíba foi o abacaxi, com uma produção de 285.715 toneladas em 2013. O valor da produção neste ano foi de R$ 325 milhões. Itapororoca é a cidade que mais produziu abacaxi no passado, com 75 mil toneladas produzidas. Porém, a quantidade de abacaxi produzida no estado teve uma queda de 3,03% de 2012 para 2013.

Extração vegetal

O IBGE também divulgou dados sobre a Produção de Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) 2013. O produto mais explorado na Paraíba é a lenha, com 470.697 toneladas produzidas em 2013. O valor da produção foi de R$ 9,6 milhões.

Em relação aos produtos alimentícios, o mais explorado é a castanha de caju. A Paraíba produziu 239 toneladas do produto em 2013, um crescimento de 4,82% em relação a 2012. O Brasil, no entanto, teve uma queda de 4,03% na produção desse produto.

O produto de extração vegetal que teve o maior aumento de produção na Paraíba em 2013 foi a mangaba, com um crescimento de 6,74%. Em contrapartida, o Brasil teve uma queda de 5,61%. Foram 95 toneladas produzidas na Paraíba em 2013. (G1 16/12/2014)

 

Mistura de etanol na gasolina vai a 27% em fevereiro, diz Sindicom

Medida melhora rentabilidade do setor sucroalcooleiro e reduz importações. Vendas de combustíveis crescem 5,6% em 2014.

O governo avisou às distribuidoras de combustíveis que marcou para fevereiro o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina vendida no país. A nova mistura, porém, será de 27% e não de 27,5%, limite máximo previsto na lei aprovada em setembro. Com a medida, o mercado espera uma melhora na rentabilidade das usinas de cana-de-açúcar, que vem sofrendo com a pouca competitividade em relação à gasolina, e redução da necessidade de importações do derivado de petróleo, cujo consumo fechará o ano em alta de 7,1%, de acordo com o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom). "A definição de um índice de 27% é positiva porque seria difícil calibrar a mistura de 27,5%", afirmou ontem o presidente executivo do Sindicom, Alísio Vaz, em encontro de fim de ano com jornalistas.

Segundo ele, ainda há algumas negociações do governo junto à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), mas não há mais questões do ponto de vista da logística do setor de combustíveis.Atualmente, a mistura está em 25% e a Anfavea apontava dúvidas sobre a possibilidade de uso de percentual maior por veículos movidos apenas a gasolina.A proposta de aumento da mistura teve como objetivo aliviar a crise vivida pela indústria sucroalcooleira, que perdeu competitividade com a manutenção dos preços da gasolina em patamares abaixo dos praticados no mercado internacional. Segundo levantamento do Sindicom, desde 2012 o etanol hidratado só tem apresentado vantagem econômica em relação à gasolina em quatro estados: São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Paraná. "Ou seja, não aconteceu, nos últimos anos, nenhum movimento de superação do etanol.

É como se este cenário estivesse se estabilizado", diz Vaz. Este ano, as vendas do biocombustível devem registrar aumento real de 2%, para 12,9 bilhões de litros, segundo projeções do Sindicom. A estimativa diverge dos dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pois considera que, no ano passado, 1,1 bilhão de litros não foram comunicados ao órgão regulador por distribuidoras fraudulentas. Já o mercado de anidro, com a mistura de 25%, será de 11,078 bilhões de litros este ano. O aumento da mistura tem potencial para ampliar as vendas do combustível em 886,3 milhões de litros, a números de hoje.

Segundo o Sindicom, as vendas de gasolina C (misturada com etanol anidro) somarão 44,3 bilhões de litros em 2014, alta de 7,7% com relação ao ano anterior. Embora as vendas de automóveis tenham crescido em ritmo inferior ao de 2013, o volume de vendas de combustíveis automotivos crescerá em ritmo superior ao verificado no ano anterior: 7,8%, incluindo gasolina C, etanol hidratado e gás natural veicular. "O movimento é puxado, principalmente, pela gasolina", comenta Vaz. Já as vendas de óleo diesel, produto mais relacionado à atividade econômica, crescerão 2,4% no ano, impulsionadas, principalmente, pelos segmentos ligados a commodities internacionais, como a agroindústria e a mineração.

A análise do Sindicom tem respaldo em estatísticas que mostram a variação maior na região Centro-Oeste, onde o consumo de diesel crescerá 6% no ano, e a menor no Sudeste, onde a alta será de apenas 1%, refletindo o mau desempenho da indústria. No geral, as vendas de combustíveis crescerão 5,6% no ano, batendo novo recorde em 2014, conforme antecipou o Brasil Econômico.O Sindicom aponta como principais desafios para 2015 a prática de elisão fiscal, que garante margens mais competitivas a distribuidoras que atrasam de forma recorrente o pagamento de impostos."A legislação é tolerante com o devedor contumaz, ao equiparar o devedor que atrasou um mês com aquele que vem atrasando frequentemente e mantém os volumes de vendas", reclama o presidente da entidade. (Brasil Econômico 17/12/2014)

 

Sorriso volta ao topo do ranking agrícola do país

Na "disputa" particular que travam há alguns anos pela liderança entre os municípios brasileiros com maior valor da produção agrícola do país, Sorriso (MT) superou São Desidério (BA) em 2013. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, no polo mato-grossense, onde a soja é o carro-chefe, o valor atingiu R$ 2,067 bilhões, mesmo nível do ano anterior. Mas na cidade baiana, onde o algodão garantiu o topo do ranking em 2012, o valor recuou 26%, para R$ 1,729 bilhão, e ficou abaixo também do resultado de Cristalina (GO).

No total, o valor da produção agrícola nacional subiu 14% e alcançou R$ 232,469 bilhões, com destaque para as colheitas recorde de soja, milho e cana. Também em 2013, o IBGE identificou aumentos nos rebanhos de bovinos, aves e suínos, e avanços nas produções de leite e ovos. E o instituto, pela primeira vez, traçou o perfil da aquicultura brasileira. (Valor Econômico 17/12/2014)

 

Nova praga

Ao usar 160 litros de etanol por mês, automaticamente se consome 84 mil litros de água. Hoje não estamos em condição de optar entre água e álcool

Na crise de abastecimento de água que passa o Estado de São Paulo, as relações do homem com a natureza, suas ações e atividades econômicas e o modo de vida das pessoas sofrem um desgaste profundo com a escassez. É inevitável indagarmos quais foram as causas que levaram à situação atual, que parece longe de uma solução.

Várias são as razões e elas não ocorreram de uma hora para outra --convergiram ao longo do tempo para gerar esse cenário.

Apenas 10% da água consumida é para uso humano. Outros 20% vão para o consumo industrial e 70% para agricultura. Quando nos debruçamos sobre as causas da situação atual devemos ter isso em mente.

Os dados da safra 2013/2014 da cana-de-açúcar, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), indicam que existem 4,5 milhões de hectares de área plantada em São Paulo, o que corresponde a 18% da área total do Estado.

A produtividade média da safra foi de 82 mil kg/hectare. A quantidade de água necessária para a produção de cana-de-açúcar, portanto, é de 210 m³/t.

O índice pluviométrico médio no Estado de São Paulo nesse mesmo período foi de 1.120 milímetros. Com esses dados, chegamos à seguinte conclusão: o consumo de água na área plantada foi de 78,2 bilhões m³ e o total da chuva na área plantada foi de 50,9 bilhões m³. Com isso, sabemos que há um deficit de 27,3 bilhões m³ de água.

Toda a chuva na área plantada não foi suficiente para garantir a produtividade atingida, por isso foi necessário retirar do solo, do lençol freático, da umidade do ar, dos rios, das áreas próximas a quantidade de água consumida na safra.

Na colheita da safra de 2013/14, 780 mil hectares de cana-de-açúcar foram colhidos com a queima dos canaviais. Esse recurso exaure a umidade do solo, depredando os recursos hídricos. O consumo de água nas usinas ficou em 1,2 m³/t de cana processada. Se calcularmos a quantidade de água consumida nas usinas em São Paulo para processar a safra 2013/14, chegaremos a 440 milhões de m³ de água.

A pegada hídrica --o volume de água utilizado-- para produzir um litro de etanol é de 2.100 litros, que se gasta desde a lavoura ao processamento nas usinas. Se uma família abastece seu carro com 40 litros de álcool por semana, terá usado para transporte 84,3 mil litros de água. Quem dera as pessoas da Grande São Paulo pudessem hoje fazer essa opção entre água e álcool.

Essa situação crítica foi antecipada há uma década por técnicos da área e nos planos elaborados, que apontavam para a escassez de água, na medida em que o consumo superaria a oferta. É pouco crível a atitude das autoridades de circunscrever as causas a fatores climáticos.

Não teremos uma solução mágica, mas, sim, um elenco de medidas a curto, médio e longo prazo que combinadas aumentem a oferta de água potável.

Dentre as soluções, a dessalinização da água do mar é uma alternativa de fornecimento de água potável na escala demandada. A empresa russa Rusatom, por exemplo, produz usinas nucleares flutuantes capaz de gerar energia para dessalinizar 240 mil m³ de água por dia.

Esse processo tem como grande impacto o consumo de energia. Portanto, usar uma fonte de energia que não cause impacto no sistema elétrico nacional é a saída.

ARLINDO FALCO JUNIOR, 60, engenheiro civil, é assessor da presidência do Nuclep - Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A., empresa estatal responsável pela produção de equipamentos de grande porte. Foi subsecretário de Energia do Rio. (Folha de São Paulo 17/12/2014)

 

Defensivo agrícola deve ter crescimento de 6%

Os defensivos agrícolas, também conhecidos como agroquímicos ou produtos fitossanitários, são responsáveis pelo segundo maior faturamento da indústria de química fina, um valor que deve atingir US$ 12,2 bilhões em 2014, conforme levantamento do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), 6% acima do registrado em 2013, a maior alta de todo o setor químico. As vendas do segmento correspondem a uma fatia de 27% do total da química fina, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina).

"Estamos satisfeitos por fechar o ano com crescimento de 6%, mas cautelosos para 2015", diz Eduardo Daher, diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). O setor tinha expectativa de aumento maior para 2014, entre 6% e 9%. Segundo Daher, o cenário que já começa a se desenhar reúne fatores negativos para o mercado brasileiro, como recuperação da safra americana, abalada por grave seca nos últimos dois anos, estoques mundiais de commodities muito elevados, especialmente de soja e milho, e prolongamento da seca no Brasil. O conjunto de fatores pressiona para baixo os preços dos produtos agrícolas, levando os agricultores a reduzir o plantio e usar menos defensivos.

A seca também derruba as vendas de fungicidas, por diminuir a incidência de fungos nas lavouras. Mas nos insetos o efeito é oposto, favorecendo a proliferação de pragas como moscas e lagartas. Segundo o diretor da Andef, a utilização de defensivos costuma ser equilibrada entre as três principais classes de produtos, com um terço de herbicidas, outro terço de inseticidas e outro de fungicidas. Mas em 2013, com a maior incidência de insetos, as vendas de inseticidas chegaram a 42% das vendas do segmento e a previsão é de que tenham atingido 45% em 2014.

Em 2013, as vendas atingiram US$ 4,554 bilhões, segundo o Sindiveg. Já o mercado de herbicidas cresceu 19%, para US$ 3,739 bilhões, e os fungicidas tiveram aumento de 5%, ficando em US$ 2,592 bilhões. Os acaricidas expandiram 18%, chegando a US$ 119 milhões. O faturamento da indústria de defensivos agrícolas aumentou 18% no ano passado, chegando a US$ 11,454 bilhões.

As culturas que utilizaram mais defensivos em 2013, segundo Ivan Sampaio, gerente da área de estatística do Sindiveg, foram soja (52%), cana (10,1%), milho (9,5%) e algodão (9,1%). Em 2014 essa distribuição deve se repetir, com exceção apenas do milho, cuja área deve cair cerca de 5%, devido à queda de preços, mais acentuada do que na soja. O Estado que mais consome defensivos é o Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, que absorveu 22% da demanda brasileira por agroquímicos em 2013, seguido por São Paulo, com 14%, Paraná, com 12%, e Rio Grande do Sul, com 11%.

A maior parte do mercado brasileiro é suprida por importados, que atingiram 344 mil toneladas em 2013, 25% mais do que em 2012, ao custo de US$ 7,4 bilhões, 14% acima. O consumo brasileiro, que saltou de US$ 3,3 bilhões, em 2006, para os US$ 12,2 bilhões previstos em 2014, é um dos maiores do mundo, equivalente a 20% do mercado mundial, segundo estudo da Bain & Company. (Valor Econômico 17/12/2014)

 

Consumo de combustíveis no Brasil em 2014 deve crescer 5,6% ante 2013

O consumo de combustíveis no Brasil em 2014 deve crescer 5,6 por cento ante 2013, para 132,865 bilhões de litros, previu nesta terça-feira o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom).

O bom desempenho, segundo o Sindicom, foi puxado pela demanda por etanol hidratado, que deve subir 10,4 por cento neste ano, em meio à desoneração do PIS/Cofins na distribuição do produto, que aumentou a competitividade das empresas que antes pagavam corretamente o tributo.

"O mercado de etanol hidratado ainda é poluído por algum tipo de fraude", denunciou o presidente do Sindicom, Alisio Vaz, em entrevista a jornalistas.

Vaz afirmou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vem buscando eliminar esse problema, que já foi bastante minimizado neste ano.

DIESEL E GASOLINA

De acordo com Sindicom, o consumo de diesel --principal combustível consumido no Brasil-- deve aumentar 2,4 por cento na mesma comparação, para 59,887 bilhões de litros, enquanto o de gasolina C (com mistura de etanol anidro) avançará 7,1 por cento, para 44,314 bilhões de litros.

O presidente do Sindicom explicou que, embora o diesel apresente um percentual de crescimento aparentemente pequeno, ainda está muito acima do Produto Interno Bruto (PIB).

O consumo do combustível, de acordo com Vaz, é sustentado pelas atividades agrícolas e de mineração, que utilizam o diesel intensamente.

"O que sustenta o nosso PIB ainda é a área de commodities", afirmou Vaz.

Ele ponderou ainda que o consumo do diesel para a geração de energia por usinas termelétricas também é alto, mas já vinha elevado ao longo de 2013.

Já a gasolina C ainda é impulsionada pelo crescimento da frota de veículos leves, que deve ser de 2,8 por cento entre 2013 e 2014, para 35,2 milhões de unidades, segundo cálculos do Sindicom, com dados da ANP e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

As regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste são as regiões que mais contribuem com o crescimento da gasolina.

O Sindicom também calculou crescimento de 3,5 por cento do consumo de combustíveis de aviação no Brasil, entre 2013 e 2014, e de 26,7 por cento do consumo do óleo combustível. (Reuters 16/12/2014)

 

Minas Gerais reduz o ICMS no etanol de 19% para 14%

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou na note desta segunda-feira, 15, projeto do governo que reduz a alíquota do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços (ICMS) que incide sobre o etanol usado em veículos de 19% para 14%.

Para compensar as perdas com redução, o mesmo projeto aumenta a alíquota do imposto sobre a gasolina no wstado de 27% para 29%.

Esta é a segunda redução do ICMS sobre o etanol em dois anos.

Em 2012, o imposto incidente sobre o produto já havia baixado de 22% para os atuais 19%.

O objetivo da medida, segundo o governador de Minas, Alberto Pinto Coelho (PP), é incentivar o setor no estado, terceiro maior produtor de álcool hidratado do país.

A produção mineira estimada para 2014 é de 2,68 bilhões de litros, segundo o Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais (Siamig).

Nos três primeiros trimestres do ano foram produzidos 2,052 bilhões de litros no Estado, aumento de 2,6% em relação ao mesmo período de 2013.

Minas Gerais tem a segunda maior frota de veículos do País, mas, de acordo com o Siamig, para cada 100 litros de gasolina comercializados no Estado, são vendidos apenas 15 litros de álcool hidratado.

"Estamos buscando mecanismos para que o etanol que escolheu nosso Estado, e tem uma presença marcante, possa se desenvolver e não ficar atrelado à política equivocada do governo federal, do combustível fóssil", declarou Pinto Coelho.

"A política do etanol é geradora de emprego, além de ser uma energia limpa", acrescentou.

Além da redução do ICMS, o projeto aprovado pela Assembleia Legislativa havia recebido emenda que também previa benefícios tributários para centros de distribuição - mas a emenda foi retirada do texto.

O projeto só foi aprovado após acordo entra a base do atual governo e os aliados do governador eleito, Fernando Pimentel (PT), por conta de uma série de emendas que resultariam em aumento de gastos para a próxima gestão, além da renúncia de outras receitas.

A nova alíquota de 14% passa a valer 90 dias após o texto ser sancionado pelo governador, o que, segundo a assessoria de Pinto Coelho, ocorrerá assim que o texto for recebido do Legislativo. (Agência Estado 16/12/2014)

 

Operações sustentáveis são metas de gestão

A indústria química mundial, madura e com mais de um século de atividades, está encontrando caminhos para produzir com geração cada vez menor de resíduos, consumindo menos água, menos energia e utilizando insumos obtidos de fontes naturais e renováveis. Essa postura tem se tornado parte de políticas e de estratégias da maioria das grandes empresas do setor no Brasil e no mundo, e já faz parte de documentos importantes como o Pacto Nacional da Indústria Química, publicado pela Abiquim, cuja lista de compromissos começa com "Continuar a desenvolver padrões de conduta elevados e promover a sustentabilidade". Em outras palavras, a indústria está aberta à adoção da química verde e à combinação de objetivos aparentemente antagônicos como inovação, sustentabilidade, escala e lucro.

A Braskem é uma pioneira nessa iniciativa, diz Alexandre Elias, seu diretor da área de químicos renováveis: "A Braskem tem uma atuação destacada no cenário global da química sustentável. Nossa produção de polímeros a partir de matérias-primas renováveis é a maior do mundo desde setembro de 2010, quando foi inaugurada a produção em escala industrial do polietileno verde, feito com etanol da cana-de-açúcar", explica. Para chegar a resultados como esse, a empresa tem feito investimentos em pesquisas e se associado a parceiros de tecnologia: "Neste ano, por exemplo, a Braskem inaugurou um novo laboratório de pesquisa e desenvolvimento em Campinas. Com recursos de R$ 30 milhões para 2014, esse espaço está voltado ao desenvolvimento de projetos relacionados à biotecnologia e processos químicos a partir de matéria-prima renovável", diz.

Uma das mais recentes parcerias foi anunciada em setembro, quando a empresa associou-se à americana Amyris e à francesa Michelin para o desenvolvimento de tecnologia de produção de isopreno de fonte renovável, insumo utilizado pela indústria de pneus: "As empresas trabalharão para acelerar os estudos bioquímicos que utilizam açúcares obtidos da cana-de-açúcar e insumos de celulose. No final de 2013, firmamos um acordo com a Genomatica, uma startup norte-americana, para desenvolver tecnologia de produção de butadieno de origem renovável, para o mercado de borrachas sintéticas", acrescenta Elias.

José Matias, presidente mundial da Solvay Coatis, revela que as iniciativas da empresa em química verde continuam se ampliando em direção a novos produtos. Sua parceria com a Granbio, por exemplo, líder em biotecnologia industrial, acaba de ser transformada em joint venture com a abertura, no início de dezembro, da SGBio, empresa destinada ao desenvolvimento do processo de produção industrial do butanol, base de solventes para tintas e outros revestimentos, gerado a partir de biomassa. "Já temos bons resultados laboratoriais, bom desempenho na produção de açúcar e na fermentação", diz Matias.

"Estamos agora adaptando algumas enzimas para essa conversão que gera butanol ao invés de etanol. Já fizemos também pré-testes de produção numa escala de litros, e agora estamos preparando uma planta demonstrativa, que servirá de base para a planta principal", revela.

Para atividades como essas, de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias para processos e produtos, especialmente os que são obtidos de fontes renováveis, a Solvay Coatis desembolsou este ano € 15 milhões. A Rhodia, segundo Matias, é uma das empresas do grupo que tem grande intimidade com a química verde, já que desde os anos 1950 produz substâncias químicas a partir de etanol em sua fábrica de Paulínia (SP), instalada numa fazenda de cana-de-açúcar.

O diretor de pesquisa e desenvolvimento da Dow para a América Latina, o engenheiro químico inglês John Biggs, revela que a empresa tem metas ambiciosas em relação à sustentabilidade, em direção à química verde: "Entre 2005 e 2015 temos de reduzir em 40% nosso consumo de água e de energia", diz. Dentro desse esforço, dois anos atrás a Dow decidiu concentrar no Brasil seus esforços em P&D de processos e produtos relacionados a insumos renováveis. "A empresa está pesquisando soluções com cana de açúcar e com biomassa, em busca de produtos que são importantes para a Dow", disse ao Valor.

Parte das pesquisas é feita por meio de parcerias com instituições acadêmicas como o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), que fica em Campinas (SP). Por enquanto, segundo ele, os resultados dessas pesquisas ainda não se tornaram produtos, mas isso poderá acontecer já no final do próximo ano: "Nosso principal objetivo é obter produtos já existentes, mas com o uso de novos processos - buscamos substituir os processos que utilizam óleo e gás por processos com fermentação", explica.

Na Oxiteno, o gerente de P&D André Krell explica que a sustentabilidade e a inovação já se tornaram os principais valores da empresa: "A química verde permeia todos os nossos processos e ações", afirma. Uma das razões para essa postura foram as pressões e solicitações do mercado, que se tornaram mais intensas nos últimos quatro anos, diz Krell: "Há uma demanda por exemplo, para tintas de impressão com solventes menos agressivos ao meio ambiente. Uma tendência que vemos também nos produtos de limpeza doméstica e também na agroquímica", detalha. Uma das conquistas mais recentes da empresa, segundo ele, é um produto que permite o uso de etanol em motores diesel: "A demanda por essas soluções vem crescendo, e os grandes players estão respondendo com produtos baseados em química verde". E nos mercados mais maduros, diz ele, isso está acontecendo por força de regulação. (Valor Econômico 17/12/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Dólar e petróleo: O cenário macroeconômico global voltou a abalar o mercado futuro do açúcar ontem na bolsa de Nova York. Os papéis do açúcar demerara para maio fecharam em 15,08 centavos de dólar, com queda de 27 pontos. O dólar registrou mais uma alta ante as moedas emergentes, entre elas o real, o que exerceu forte pressão sobre as cotações da commodity, já que a alta cambial aumenta a rentabilidade das vendas externas do Brasil, maior exportador global de açúcar. O petróleo também registrou forte queda durante o dia, acentuando a influência de baixa do açúcar. Os compradores também vêem no curto prazo uma oferta confortável, apesar da proximidade da entressafra no Centro-Sul. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal caiu 0,19%, para R$ 51,96 a saca de 50 quilos.

Cacau: Impacto de aquisição: Os preços futuros do cacau ganharam impulso ontem na bolsa de Nova York após o anúncio da compra do negócio de cacau da americana Archer Daniels Midland (ADM) pela trading Olam International, sediada em Cingapura. Os contratos da amêndoa para março fecharam cotados a US$ 2.900 a tonelada, avanço de US$ 40. O acerto da aquisição é visto como um passo na concentração dos negócios de cacau nas mãos da Olam, que já lidera o comércio da commodity e deve se tornar uma das três maiores processadoras de cacau do mundo. O volume menor da amêndoa entregue nos portos africanos também tem dado suporte às cotações. No mercado doméstico, o preço médio do produto em Ilhéus e Itabuna (BA) subiu para R$ 108 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Vendas americanas: Os preços futuros do milho caíram ontem na bolsa de Chicago em meio a uma onda de vendas por parte dos produtores americanos e do cenário macroeconômico adverso. Os lotes do cereal para maio recuaram 2 centavos de dólar a US$ 4,1450 o bushel. Segundo a agência Dow Jones Newswires, os produtores dos EUA, que colheram uma safra recorde e estavam segurando as vendas, decidiram aproveitar a valorização da commodity nos últimos dias para comercializar o grão, o que colaborou para a queda das cotações. Também pesou o cenário externo marcado pela aversão ao risco, em mais um dia de queda do petróleo e de forte alta do dólar ante as moedas emergentes. O indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão subiu ontem 0,64%, a R$ 28,11 a saca.

Trigo: Efeito Rússia: O agravamento da crise na Rússia provocou fortes turbulências no mercado financeiro ontem e deu gás para mais uma alta do trigo nas bolsas americanas, já que o país é um dos principais exportadores do cereal. Em Chicago, os lotes para maio fecharam com alta de 5 centavos, a US$ 6,2625 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento subiram 8,5 centavos, a US$ 6,58 o bushel. O temor dos traders é que o governo de Vladimir Putin restrinja as exportações de trigo, mais rentáveis com a desvalorização do rublo, para controlar a inflação e evitar um desabastecimento interno. A indefinição quando à safra em 2015/16 adiciona impulso aos preços. No Paraná, o cereal permaneceu em R$ 30,81 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 17/12/2014)