Setor sucroenergético

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Raízen começará a construir em 2016 sua segunda planta de etanol celulósico

A Raízen Energia, maior processadora de cana-de-açúcar do país, pretende iniciar em junho de 2016 a construção de sua segunda planta de etanol celulósico. Segundo João Alberto Abreu, diretor agroindustrial da empresa, a unidade deverá ser ao menos três vezes maior que a primeira planta, apresentada ontem à imprensa em evento em Piracicaba, no interior paulista.

O projeto da segunda unidade prevê uma capacidade de 120 milhões de litros anuais, ante os 40 milhões de litros da primeira usina. Nos cálculos da companhia, os investimentos por metros cúbicos de capacidade instalada nas próximas unidades do gênero - serão mais sete - tendem a ser até 30% inferiores que os da primeira. O custo operacional, afirma Abreu, também deverá ser 20% menor. "Teremos em 2016 enzimas [substâncias usadas no processo de extração do açúcar da celulose] duas vezes mais produtivas do que as atuais", afirma o executivo.

Pedro Mizutani, vice-presidente da Raízen Energia, afirmou que, por ora, o crescimento da produção de etanol da companhia, que é controlada por Cosan e Shell, se concentrará no celulósico. No total, os aportes nas sete novas plantas previstas até 2024 deverão chegar a R$ 2,5 bilhões. "Ainda não sabemos a origem desses recursos. Mas, para bons projetos, não falta dinheiro. Acreditamos que o BNDES continuará nos apoiando", afirmou Mizutani.

O banco financiou 85% dos R$ 237 milhões investidos na primeira planta, instalada na usina Costa Pinto. O plano da companhia, com as oito usinas em operação, é acrescentar 1 bilhão de litros à sua atual produção de etanol, hoje de 2 bilhões de litros, toda de primeira geração - feito a partir do caldo da cana, e não do bagaço e da palha, como o celulósico (segunda geração). "Não prevemos neste momento a construção de novas usinas de primeira geração. Isso só vai acontecer se o governo der novos incentivos", disse Mizutani.

A primeira fábrica de etanol celulósico da Raízen iniciou a produção em 28 de novembro e está operando com cerca de 50% de sua capacidade. Até agora, foram produzidos em torno de 500 mil litros do biocombustível a partir dos açúcares do bagaço da cana e, ontem, o produto começou a ser vendido em um posto de combustível no centro de Piracicaba. "Estamos produzindo, primeiramente, o hidratado [usado diretamente no tanque dos veículos]. Mas, a partir da próxima safra, vamos produzir apenas anidro a partir da celulose da cana", afirmou Mizutani.

Ele calcula que, em dois ou três anos, a empresa deverá alcançar na segunda geração o mesmo custo de produção por litro de etanol da primeira geração. "Quando lançaram o Proalcool, em 1975, o custo era 2,5 vezes maior do que os atuais em bases reais", comparou. (Valor Econômico 18/12/2014)

 

Biosev vai receber aporte de R$ 128 milhões do IFC

Chammas, da Biosev: o aporte ajudará na execução de plano de negócios.

Endividada e operando no vermelho, a sucroalcooleira Biosev ganhou um pouco mais de fôlego ontem, depois de assinar acordo para receber um aporte de até R$ 128 milhões do International Finance Corporation (IFC).

A instituição, braço de investimentos do Banco Mundial no setor privado, se comprometeu a subscrever a totalidade das ações a ser emitidas pela empresa no aumento de capital. Com isso, a fatia do IFC na companhia vai ficar entre 4,48% e 5,84%, a depender da disposição dos demais acionistas em acompanhar a operação.

O grupo francês Louis Dreyfus, controlador da Biosev, já sinalizou que vai abrir mão de seu direito de preferência. É provável que os minoritários façam o mesmo, já que as ações da empresa acumulam queda de mais de 42% desde a abertura de capital, no ano passado. Os papéis fecharam ontem cotados a R$ 7,40, queda de 0,13%.

A operação dará algum alívio à Biosev, que tinha dívida líquida de R$ 4,08 bilhões no fim de seu segundo trimestre fiscal, em setembro. O número representa 4 vezes o lucro antes juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda), indicador que a empresa planeja reduzir a 2,5 vezes.

"O aporte vai ajudar na execução do plano de negócios da Biosev, que tem o objetivo de ser geradora de caixa a partir desta safra [abril de 2014 a março de 2015]", disse ao Valor o presidente da companhia, Rui Chammas. Segundo ele, os recursos vão ajudar a Biosev pagar suas despesas operacionais e os juros da dívida.

Porém, a operação não equaciona por completo a estrutura de capital da companhia, reconheceu o executivo. Assim como outras empresas do setor, a Biosev tem amargado perdas em seu caixa - pressionada por uma combinação de preços defasados, estoques altos e uma safra de cana pior que o previsto.

Os resultados contábeis também estão no vermelho. Nos seis meses até o fim de setembro, a Biosev teve prejuízo de R$ 190,7 milhões. No término desse período, a conta de perdas acumuladas no balanço patrimonial da empresa chegava a R$ 2,3 bilhões.

Apesar das dificuldades que o mercado sucroalcooleiro atravessa, o setor é estratégico para o IFC, afirmou o executivo responsável pela área de agronegócios da instituição, Luiz Daniel de Campos. Um dos focos do órgão no Brasil são negócios no desenvolvimento de fontes de energias renováveis. "É um investimento de longo prazo", disse. "Um dos princípios do IFC é entender que esse setor é cíclico".

O aporte na Biosev representa o primeiro investimento societário do IFC numa empresa sucroalcooleira do Brasil. A instituição já fez operações de dívida e negocia mais um financiamento a uma empresa do setor.

Com o aporte, o capital da Biosev aumentará de R$ 2,490 bilhões para R$ 2,618 bilhões. A operação será avaliada em reunião do conselho de administração da Biosev marcada para segunda-feira. Depois disso, os minoritários terão um prazo para definir se exercem seu direito de preferência. Já é sabido que alguns deles, caso da holding Santaelisa, pretendem sair da companhia. Portanto, a expectativa é que não acompanhem o aumento de capital, o que na prática significa diluir sua participação.

Segundo Chammas, a expectativa é concluir a operação no primeiro trimestre de 2015. (Valor Econômico 18/12/2014)

 

PF cobra Petrobras sobre relação com Odebrecht

Empreiteira é citada em delação como uma das integrantes do 'clube' que dividia obras.

O delegado da Polícia Federal Eduardo Mauat da Silva, que integra a Operação Lava Jato, cobrou da Petrobras que informe todos os negócios que fechou desde 2005 com as empresas do grupo Odebrecht, uma das principais empreiteiras do país.

O pedido, enviado em outubro, não havia sido atendido até esta segunda-feira (15), quando o delegado reiterou que havia dado um prazo máximo de 15 dias para que a estatal indicasse "qualquer tipo de pagamento, repasse de recursos ou transferência financeira a qualquer título", incluindo consórcios, dos quais a Odebrecht faz parte.

O delegado pediu que a Petrobras informasse datas, valores e formas de pagamentos dos contratos e nominasse os "responsáveis pela aprovação e liberação de cada uma das referidas operações financeiras". O prazo acabou em meados novembro, sem que a estatal apresentasse nenhuma resposta.

A Petrobras argumentou que estava com dificuldades para cumprir o pedido porque faltavam os números de CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) das empresas de interesse da investigação.

Em e-mail enviado nesta terça-feira (16) à PF, a estatal informou que um escritório de advocacia da petroleira acompanhava o caso e "provavelmente está protocolando ainda hoje a resposta".

Citada em depoimentos do delator Augusto Mendonça Neto como uma das integrantes do "clube" de empreiteiras que dividiria obras da Petrobras, a Odebrecht não teve nenhum de seus executivos presos pela Lava Jato.

A Odebrecht também não foi até aqui alvo de denúncias do Ministério Público. No entanto, um endereço da empresa e a residência de três funcionários da empreiteira foram alvos de mandados de busca e apreensão.

No escritório da empresa no Rio de Janeiro, a PF arrecadou duas pendrives. Na casa de Márcio Faria da Silva, executivo da área de óleo e gás da empreiteira, recolheu um computador, dois pen drives e um celular Blackberry. para averiguação.

A PF conduz um inquérito próprio sobre a Odebrecht.

Os advogados da empresa, Dora Cavalcanti Cordani e Augusto de Arruda Botelho, afirmam que a Odebrecht não realizou "direta ou indiretamente, transações com as empresas CSA, GFD, MO, Empreiteira Rigidez e RCI Software", todas relacionadas ao doleiro Alberto Youssef.
Os advogados também dizem que a empresa e seus funcionários estão "à disposição para eventuais outros esclarecimentos".

A Petrobras informou à Folha que prestou nesta quarta as informações solicitadas pela PF. "A Petrobras mantém sua postura de efetiva colaboração com as autoridades públicas que estão conduzindo as investigações no âmbito da Operação Lava Jato" (Folha de S.Paulo, 18/12/14)

 

Apoio ao setor sucroenergético tem 35 projetos no valor de quase R$ 2 bi

O Plano de Apoio Conjunto à Inovação Tecnológica Agrícola no Setor Sucroenergético (Paiss Agrícola), lançado em fevereiro passado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), chega ao final do ano com 35 projetos enquadrados de 29 empresas, totalizando quase R$ 2 bilhões. O valor supera a dotação prevista inicialmente pelo programa, de R$ 1,48 bilhão - anunciou hoje (17), em seminário no Rio de Janeiro, o diretor da Área Industrial do banco, Julio Cesar Maciel Ramundo.

“É uma resposta grande do setor privado”, disse Ramundo à Agência Brasil, e salientou que o balanço é “extremamente positivo. "Acreditamos que o desenvolvimento tecnológico que virá na parte agrícola é fundamental para todo o modelo de etanol de segunda geração, que será disseminado no Brasil nas próximas décadas."

Segundo Ramundo, 2014 termina com quatro plantas de etanol de segunda geração aprovadas pelo BNDES e Finep, dentro do programa. “Este talvez seja o símbolo dessa política.” Ramundo lembrou que há três anos o Brasil, apesar de ser o detentor da melhor produtividade na área de combustíveis renováveis líquidos no mundo, não tinha iniciativas de destaque na tecnologia para o etanol de segunda geração. “Desenhamos uma agenda e conseguimos ter, em prazo curtíssimo, planos de negócios de centenas de milhões de reais por parte do setor empresarial – e aí estamos falando de empreendedores brasileiros e multinacionais –, e ao final deste ano já temos duas plantas de segunda geração operando, e ontem (16) aprovamos a terceira em escala comercial.”

Trata-se da fábrica da Abengoa Bioenergia Agroindústria, que será integrada ao processo tradicional que a empresa tem no município de Pirassununga, em São Paulo. Com financiamento de R$ 309,6 milhões, a planta terá capacidade nominal de produção de 64 milhões de litros de etanol por safra.

Outra planta em escala piloto foi implantada no Centro de Tecnologia Canavieira. Julio Ramundo informou que esses projetos foram apoiados na fase do desenvolvimento tecnológico, porque as rotas são alternativas e compõem um portfólio de tecnologias. “Neste momento do desenvolvimento tecnológico, é muito importante ter alternativas que vão desde plantas totalmente dedicadas à nova tecnologia a plantas que se acoplam à base produtiva do etanol de primeira geração, porque, no futuro, poderemos ter, na fase de difusão tecnológica, diferentes alternativas para a introdução da tecnologia.”

Ramundo comemorou o fato de o Brasil ter saído de uma fase de inexpressividade no quadro do desenvolvimento tecnológico do etanol de segunda geração para uma posição de vanguarda. “No Hemisfério Sul, não existe nenhuma planta de etanol de segunda geração”. Em Alagoas, foi inaugurada há poucos meses uma das plantas de implantação mais rápida do país, do grupo GranBio.

Os projetos do Paiss Agrícola têm cinco linhas, que vão da adaptação de máquinas até a transgenia, que é o desenvolvimento de novas variedades de cana, passando por sistemas integrados de manejo, planejamento e controle da produção; técnicas mais ágeis e eficientes de propagação de mudas e adaptação de sistemas industriais para culturas energéticas compatíveis ou complementares com o sistema agroindustrial do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. (Agência Brasil 17/12/2014)

 

Raízen comercializa 200 mil litros de etanol celulósico

A Raízen concluiu a construção da sua primeira unidade de etanol celulósico no país e, no final de novembro, produziu o biocombustível que será comercializado em um posto da rede Shell. Para celebrar a chegada do novo etanol aos consumidores, a Raízen disponibiliza hoje (17) 200 mil litros do combustível no posto GT Shopping, localizado na Avenida Limeira, 950, na cidade de Piracicaba (em frente ao shopping). O etanol de segunda geração da companhia será destinado à comercialização no Brasil.

O custo de produção do novo combustível não foi revelado. No ano passado a empresa chegou a afirmar que obteve na escala de demonstração um custo de R$ 1,50 por litro. A meta era reduzir esse valor para o patamar médio de R$ 1,10 por litro.

Localizada em Piracicaba (SP), a planta terá capacidade para gerar anualmente 40 milhões de litros de etanol celulósico. A companhia aposta fortemente no biocombustível, que é obtido a partir de bagaço e palha da cana de açúcar. O projeto tem potencial para aumentar em até 50% a produção de etanol da Raízen.

Com parte dos recursos vindos do BNDES, R$ 237 milhões foram investidos na nova planta, construída estrategicamente ao lado da unidade do grupo já dedicada à produção de etanol de primeira geração. A proximidade e a sinergia entre as duas unidades conferem ganhos logísticos e de custo, proporcionando eficiência e competitividade a todo o processo produtivo.

Desde 2012, a Raízen, em parceria com a Iogen Corporation, empresa canadense de biotecnologia, mantém uma planta teste de etanol celulósico na cidade de Ottawa, no Canadá com o objetivo de adquirir a expertise necessária para implementar a primeira unidade comercial da Raízen no Brasil. Os testes incluíram o envio de mais de 1.000 toneladas de bagaço de cana-de-açúcar para o Canadá para o aprimoramento das técnicas de produção de etanol celulósico. Juntas, Raízen e Iogen Corporation são acionistas da Iogen Energy, uma joint venture 50% / 50%, detentora da tecnologia de processo da biomassa para produção do etanol de segunda geração.

“Com o aprendizado adquirido durante os testes no Canadá, a Raízen acredita no potencial do etanol celulósico para atender à demanda crescente por biocombustíveis no Brasil e no mundo e seguirá investindo nesta tecnologia”, afirma Pedro Mizutani, vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen.

As enzimas que atuam na conversão do material celulósico em açúcar – uma das etapas do processo de fabricação do etanol – são fornecidas pela Novozymes, parceira da Raízen no fornecimento e aprimoramento da tecnologia enzimática.

Além da primeira unidade em Piracicaba, a Raízen planeja a construção de mais sete plantas de etanol celulósico até 2024, todas próximas a unidades de produção de primeira geração já existentes. A expectativa é que, operando com capacidade máxima, as unidades produzam um bilhão de litros de etanol.

O etanol de segunda geração é um produto sustentável e a solução apresentada pela indústria sucroenergética para a construção de um futuro com cada vez menos emissões de carbono. (Comunicação Raízen 17/12/2014)

 

Municípios de MS ficam entre os maiores produtores cana-de-açúcar e soja

Mato Grosso do Sul tem seis municípios entre os 50 do Brasil que são produtores de grãos, cereais, leguminosas e oleaginosas. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), a soja é a principal produção de 40 dos 50 municípios.

Segundo a PAM (Pesquisa da Produção Agrícola Municipal) 2013 do IBGE, a cidade de Maracaju, a 162 quilômetros de Campo Grande, é o 13º município com maior participação na produção nacional em 2013. De acordo com a pesquisa, 0,4% da produção nacional de soja é de Maracaju, respondendo por 58,8% da safra municipal e por 5,9% no Mato Grosso do Sul.

Outro município que está na pesquisa em relação a produção de soja é Ponta Porã, a 346 quilômetros de Campo Grande, com 0,3% da produção nacional, respondendo por 53,5% da safra municipal e por 3,7% no Mato Grosso do Sul. Em seguida está Dourados, 225 quilômetros de Campo Grande, com 0,3% da produção nacional, respondendo por 48,1% da safra municipal e por 3,2% no Estado.

Ainda em relação a produção de soja está Costa Rica, a 348 quilômetros da Capital, com 0,2% da produção nacional, respondendo por 32,8% da safra municipal e por 1,9% no Estado. Ainda com 0,2% da produção nacional estão os municípios de São Gabriel do Oeste e Sidrolândia, a 133 e 70 quilômetros e Campo Grande respectivamente. Em São Gabriel do Oeste 69,6% de produção é de soja, o município contribui com 3,5% da produção do Estado. Em Sidrolândia a produção do grão é de 61,1% e a cidade contribui com 3,1% da produção de MS.

O município de Rio Brilhante é o segundo do país com maior produção de cana-de-açúcar, 0,3% da produção nacional, 40% da produção da cidade e 2,7% da produção do Estado (Portal Fátima News 17/12/2014)

 

Sucroalcooleiro e milho puxam resultados para baixo

As quedas nas exportações de açúcar, etanol e milho empurraram para baixo o resultado das vendas externas do agronegócio em 2014. No acumulado dos últimos 12 meses até novembro, as exportações de todo o setor somaram US$ 96,372 bilhões, em baixa de 4,3% frente aos US$ 100,74 bilhões exportados nos 12 meses anteriores. Excluídos o setor sucroalcooleiro e o milho, as vendas cresceram 2,3%, evoluindo de US$ 80,143 bilhões para US$ 82,011 bilhões, puxadas principalmente pelo avanço nas vendas de café, carnes, soja e derivados e couros. A participação dos dez produtos líderes em exportação no agronegócio recuou ligeiramente, de 33,4% para 32,7% na comparação entre os mesmos períodos, refletindo retração de 2,6% (de US$ 80,05 bilhões para US$ 77,96 bilhões).

"Tivemos um ano excepcional, com o segundo melhor resultado da série histórica", comemora Fábio Trigueirinho, da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). As exportações do complexo soja não cresceram, mas estiveram próximas do recorde de 2013, recuando levemente de US$ 30,965 bilhões para US$ 30,705 bilhões na mais recente estimativa da associação, fechada no começo de dezembro. As exportações de carnes acumuladas nos 12 meses até novembro deste ano cresceram 3,5%, para US$ 17,376 bilhões nos dados do Ministério da Agricultura, que destaca o salto de 16,4% nas vendas de carne suína.

A indústria do couro espera encerrar o ano com exportações de quase US$ 2,8 bilhões, num avanço em torno de 11,5% em relação a 2013, quando foram exportados US$ 2,51 bilhões, de acordo com José Fernando Bello, presidente executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB).

Nos primeiros 11 meses do ano, as vendas externas cresceram 18,6% diante do mesmo período de 2013 e somaram US$ 2,69 bilhões. "Foi um ano muito importante para a diversificação de destinos do couro brasileiro. Conseguimos abrir novos mercados, em especial no sudeste da Ásia, o que dá mais segurança comercial à indústria do setor", destaca Bello.

A expectativa de quebra da safra brasileira de café, que responde por pouco mais de um terço das exportações mundiais do grão, fez os preços da commodity entrar em forte recuperação neste ano. Em Nova York, aponta Guilherme Braga, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), a cotação dos cafés arábicas saltou de US$ 1,05 por libra-peso na primeira quinzena de dezembro do ano passado para US$ 1,80 no início do último mês deste ano. "Houve uma recuperação, já que, em outubro de 2011, a libra-peso do arábica estava cotada a US$ 2,50", detalha Braga.

Na safra 2013/14, o país deverá colher, em sua previsão, algo em torno de 45 milhões a 47 milhões de sacas, significando um perda em torno de 3 milhões de sacas em relação à expectativa inicial. Mas as exportações deverão alcançar uma marca histórica, aproximando-se de 36 milhões de sacas, com receitas de US$ 6,4 bilhões (ainda abaixo do recorde de 2011, quando as vendas externas superaram os

US$ 8,0 bilhões).

Segundo Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica); o desempenho da próxima safra, que será definido principalmente pelo comportamento do clima até março, será determinante, mas o ânimo dos exportadores dependerá ainda da evolução do câmbio, da volta ou não da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) para a gasolina e do próprio comportamento do mercado doméstico, no caso do etanol especificamente. (Valor Econômico 18/12/2014)

 

Joaquim Levy levanta possibilidade de elevar Cide sobre gasolina

Grande parte do setor sucroenergético considera a retomada do imposto favorável ao etanol.

O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu a posssibilidade de alta de impostos, incluindo as Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), no conjunto de medidas necessárias para equilibrar as contas públicas.

Levy destacou que quando ajustes são feitos de maneira firme e equilibrada a reação da economia é "muito rápida". Questionado em entrevista à TV Globo exibida nesta quarta, dia 17, sobre elevar a alíquota da Cide sobre a gasolina, Levy respondeu que "é uma possibilidade, existem outras". A alíquota da Cide, um tributo que incidia sobre combustíveis, foi zerada pelo governo em 2012. Grande parte do setor sucroenergético brasileiro considera a retomada do imposto favorável à competitividade do etanol.

– (O ajuste) tem que ser balanceado. E na medida do necessário a gente pode considerar também algum ajuste de impostos, sempre olhando a compatibilidade com o objetivo de aumentar a taxa de poupança – afirmou.

Sobre a economia brasileira, que saiu da recessão técnica no terceiro trimestre com uma expansão mínima de 0,1%, Levy destacou que a "experiência mostra que quando se faz ajustes de maneira firme e equilibrada a reação é muito rápida". Ele ainda disse acreditar que a inflação irá entrar em processo de queda em devido momento diante do trabalho fiscal, e considera que o Banco Central está vigilante e tomará medidas adequadas.

Em outubro, o BC iniciou um novo ciclo de alta do juro básico da economia brasileira, que agora se encontra em 11,75% ao ano, como forma de combater mais duramente a inflação. Depois de o dólar ter chegado a bater R$ 2,76 terça, dia 16, no mercado brasileiro, Levy disse que é preciso ver como a cotação da moeda norte-americana vai evoluir, uma vez que a queda do petróleo traz aversão ao risco e há tendência de alta do dólar diante do crescimento da economia dos Estados Unidos.

Questionado ainda sobre se o Tesouro poderia socorrer a Petrobras, que passa por uma das maiores crises de sua história diante de denúncias de corrupção, Levy disse que a capacidade de reação da petroleira é forte e que ela saberá como se ajustar. Mas "se o acionista majoritário vai ser alguma vez solicitado, acho que ainda é cedo para a gente realmente fazer um julgamento", completou.

Joaquim Levy compõe a nova equipe econômica ao lado de Nelson Barbosa, indicado para o Ministério do Planejamento, e Alexandre Tombini, que seguirá à frente do BC, com perfil econômico mais ortodoxo e discurso de maior rigor fiscal. (Canal Rural 17/12/2014 às 14h: 05m)

 

Defensivo da China

A Rotam, multinacional de agroquímicos com sede em Hong Kong, planeja a construção de centros de distribuição nas regiões Sul e Centro-Oeste.

A expansão faz parte da estratégia da empresa para elevar a sua capilaridade no Brasil e inclui o aumento da equipe técnica que atende os agricultores.

"O objetivo é ampliar a proximidade com as principais regiões produtivas", diz Ronaldo Pereira, que assumirá em janeiro o comando do grupo no país.

Hoje, a empresa, cuja sede local fica em Campinas (SP), tem uma unidade de distribuição em Indaiatuba e uma fazenda experimental em Arthur Nogueira, ambas no interior paulista.

Os defensivos e fertilizantes vendidos pela Rotam são atualmente importados de fábricas da companhia na Ásia --uma parte deles é finalizada em unidades terceirizadas no Brasil.

A construção de uma planta própria no país "está no radar" e poderá ocorrer nos próximos anos como consequência da alta nas vendas locais, diz o executivo.

O Brasil é hoje o segundo principal mercado para a empresa, atrás da China.

R$ 200 MILHÕES é o faturamento projetado pela empresa no Brasil para 2014.

20% é o crescimento previsto para este ano no país.

30% é a participação da divisão brasileira no negócio global.

60 são os países onde o grupo atua (Folha de São Paulo 18/12/2014

 

Produção de cana tem alta de 14% na região de Ribeirão Preto

No ano passado, áreas de lavouras cresceram 8% em Ribeirão e em outros 15 municípios, segundo o IBGE.

A produção de cana-de-açúcar cresceu 14% na região de Ribeirão Preto em 2013, no comparativo com o ano anterior. De acordo com a pesquisa Produção Agrícola Municipal, divulgada ontem pelo IBGE, o valor dessa produção cresceu no mesmo ritmo e rendeu R$ 1,5 bilhão ao setor.

A área plantada com cana também avançou no ano passado, em relação a 2012, com 8% a mais de hectares voltados para o cultivo. Já o rendimento da produção, se manteve estável, de 74,9 mil quilos por hectares plantado.

De acordo com Gustavo Nogueira, gerente do departamento técnico da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), os números positivos refletem uma retomada de investimentos agrícolas, ocorrida em 2012.

“Desde 2008, o setor em geral enfrenta uma crise forte, isso reduziu a produtividade nos anos de 2009, 2010 e 2011. Já em 2012, houve um fôlego e investimentos em lavouras, reforma e também plantou-se mais cana na região”, explicou.

Ainda segundo Nogueira, esses investimentos possibilitaram uma safra positiva em 2013, o que já não deve se repetir neste ano. “Em 2014 tivemos uma safra complicada por conta do clima. A seca e as altas temperaturas comprometeram a produção e isso vai reduzir a produtividade”, diz o gerente.

Vocação

Os dados do IBGE também confirmam a vocação regional para o cultivo de cana-de-açúcar. Da área agrícola total nas 16 cidades que fazem parte da Microrregião de Ribeirão Preto, 95,4% está plantada com cana, que representa também 96,4% do valor total da produção agrícola na região.

“São Paulo é o principal produtor de cana do País e nossa região tem essa vocação forte. Um dos municípios de maior destaque em produção no Brasil, segundo o IBGE, é Morro Agudo”, diz Nogueira.

Depois da cana, vem a produção de amendoim, com 6,1 mil hectares plantados na região e o valor dessa produção foi de R$ 23,5 milhões em 2013, um aumento de 82% no comparativo com a safra de 2012. (A Cidade 17/12/2014)

 

Comissão Europeia aprova aquisição da Chiquita por Cutrale e Safra

SÃO PAULO - A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, informou que a aquisição da americana Chiquita Brands pelas brasileiras Cutrale e Grupo Safra, está dentro das regras de concentração do bloco econômico.

“Todas as autorizações e aprovações para as transações exigidas sob as leis antitruste na União Europeia foram recebidas”, informou a companhia americana, em documento arquivado junto à Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos). (Valor Econômico 18/12/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Projeção otimista: Os futuros do café arábica despencaram ontem na bolsa de Nova York diante de uma nova estimativa mais otimista para a safra 2015/16 do Brasil. Os contratos para março fecharam em queda de 585 pontos, a US$ 1,7185 a libra-peso, o menor patamar desde 22 de julho. A Volcafe, divisão de commodities da suíça ED&F Man, informou que calcula uma colheita de 49,5 milhões de sacas no Brasil, o que representaria um aumento da produção nacional de 2,5 milhões de sacas sobre a safra 2014/15. Até o momento, essa foi a maior estimativa para a produção do Brasil no ciclo 2015/16. O dado fez muitos fundos liquidarem posições na bolsa, aprofundando a desvalorização da commodity. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade ficou entre R$ 500 e R$ 510 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Laranja: Safra brasileira: Os preços do suco de laranja ganharam impulso ontem na bolsa de Nova York ante a perspectiva de uma produção menor no Brasil na safra atual. Os contratos de suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para março subiram para US$ 1,4795 a libra-peso, alta de 95 pontos. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou, na terça-feira, que estima uma quebra de safra de 3,1% no Brasil em 2014/15, o que deve colaborar para a redução dos estoques finais de FCOJ em território nacional na proporção de 62%. A estimativa, feita a partir de dados do escritório local, preocupa, já que o Brasil é o maior exportador de suco de laranja. No mercado doméstico, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,25%, para R$ 10,25 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Efeito Fed: Os preços do algodão caminhavam para uma nova queda na bolsa de Nova York com uma possível liberação de vendas na Índia quando a divulgação da ata da reunião do Federal Reserve inverteu a direção das cotações. Os lotes para maio fecharam em 61,16 centavos de dólar a libra-peso, alta de 78 pontos. Os fundos acreditam que os juros nos Estados Unidos subirão em breve, mas de forma mais amena que o esperado. Após a ata, fundos de índices de commodities entraram no mercado. Também houve impulso dos sinais de que a China pode reduzir a produção. Mas há possibilidade de a Índia vender o algodão dos estoque em 2015, o que pode provocar novas quedas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,16%, para R$ 1,6619 a libra-peso.

Trigo: Restrição russa: A decisão da Rússia de restringir as exportações de trigo provocou elevação expressiva dos futuros do cereal ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para maio fecharam em US$ 6,5075 o bushel, alta de 24,5 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento subiram 26,5 centavos, a US$ 6,845 o bushel. Moscou emitirá certificados sanitários para exportar o cereal apenas para Egito, Turquia, Armênia e Índia. Os traders acreditam que os demais compradores podem se voltar à oferta americana. Porém, analistas ressaltam que o trigo nos Estados Unidos está menos competitivo que em países produtores. No mercado interno, o preço médio da tonelada no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,05%, a R$ 545,72. (Valor Econômico 18/12/2014)