Setor sucroenergético

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Raízen disponibiliza E2G pela primeira vez para o consumidor

A Raízen concluiu a construção da sua primeira unidade de etanol celulósico no país e para celebrar a produção dos primeiros 500 mil litros, disponibilizou o produto com exclusividade durante um mês no posto GT Shopping, localizado na Avenida Limeira, 950, na cidade de Piracicaba (em frente ao shopping). A empresa aposta fortemente no biocombustível, que é obtido a partir de bagaço e palha da cana de açúcar. O projeto tem potencial para aumentar em até 50% a produção de etanol da Raízen e chegará para os consumidores do Brasil todo no próximo ano.

Os executivos da empresa estiveram no local para comemorar esse momento. Da esquerda para a direita estão Rodrigo Pacheco – diretor de projetos, João Alberto Abreu – diretor agroindustrial, Pedro Mizutani - vice presidente executivo de etanol, açúcar e bioenergia, Juliano Prado – diretor executivo de bioenergia e administração e Gilberto Pose, coordenador de combustíveis.

O etanol de segunda geração é um produto sustentável e a solução apresentada pela indústria sucroenergética para a construção de um futuro com cada vez menos emissões de carbono. A Raízen ainda planeja construir outras sete unidades dedicadas a produção do etanol de segunda geração até 2024. (Brasil Agro 18/12/2014)

 

Cana: Boas novas no relatório do protocolo agroambiental do setor

Em meio à maior escassez hídrica das últimas décadas, que muitos creditam às mudanças climáticas, o relatório Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenérgetico firmado entre as secretarias estaduais de Agricultura e Abastecimento (SAA) e do Meio Ambiente (SMA), a União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) e a Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) traz resultados animadores.

"Com o advento do Protocolo, o setor evoluiu em ganhos ambientais ligados à redução da queima para colheita, à proteção das áreas ciliares, e também nos processos industriais, com a diminuição do consumo de água para o processamento de cana (resultado de fatores da colheita crua), limpeza da cana a seco e o fechamento de circuitos de água, dentre outras melhorias, visando à produção sustentável de cana-de-açúcar e seus produtos" afirmam Marli Mascarenhas Oliveira, Katia Nachiluk e Rejane Cecília Ramos, pesquisadoras do Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta), representantes da SAA.

Assinado em 2007, o Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético representa um acordo voluntário entre as partes, que determinou a antecipação dos prazos legais para o fim da despalha da cana por meio do uso de fogo, a recuperação de matas em nascentes e a proteção das áreas de preservação de outros cursos d´água. De acordo com seus idealizadores, além de introduzir a mecanização da colheita da cana de açúcar, o Protocolo representou a consolidação de uma estrutura produtiva baseada na adoção das melhores práticas de sustentabilidade ambientais e sociais pelo setor produtivo. "O protocolo inaugura uma nova forma de se produzir cana de açúcar no Estado de São Paulo", ressalta Marli Mascarenhas Oliveira.

A cana de açúcar é o principal produto da agropecuária paulista. A participação da cultura no valor da produção agropecuária do estado de São Paulo em 2013 foi de 46,7% (R$ 26,9 bilhões). No período analisado, houve um aumento de 47% na área colhida, passando de 3,4 para 5,1 milhões de ha. Embora a cultura tenha se ampliado, pesquisas indicam que esta expansão não ocorreu em áreas de produção de alimentos e sim em áreas de pastagens degradadas (Brasil Agro 18/12/2014)

 

Cinco usinas captam R$ 82 milhões por meio de emissão de recebíveis

SÃO PAULO - A Gaia Agro concluiu ontem a emissão de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRI) no valor de R$ 82 milhões para financiar capital de giro de cinco usinas de cana-de-açúcar. A operação está lastreada em recebíveis de venda de etanol feita por essas usinas à Copersucar, a maior trading de açúcar e etanol do país.

Os papéis pagarão ao investidor 100% da taxa interbancária (CDI), equivalente à Selic, mais 3% ao ano. Esses títulos têm isenção de imposto de renda ao investidor na pessoa física.

As usinas que captaram os recursos foram a Ruete, a Ester, a Alcooeste, a Caeté e a Rio Pardo.

A operação tem prazo de três anos e teve como coordenador líder o Banco do Brasil, coordenador Banco Fator e o coordenador contratado Credit Agricole. (Valor Econômico 18/12/2014 às 18h: 46m)

 

Unica acredita que 2015 será mais favorável para o etanol

A associação que representa as usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul (Unica) revisou ontem para cima seus números para a safra 2014/15 e previu que a próxima temporada, a 2015/16, tende a ser do mesmo tamanho da atual. Diferente, no entanto, deve ser a remuneração para o etanol, na avaliação do diretor-técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues. As mudanças tributárias favoráveis ao biocombustível ocorridas em importantes Estados consumidores e a provável elevação da mistura na gasolina são as apostas do setor para um ciclo mais positivo no ano que vem.

Após um longo período de estiagem, que teve seu pico em agosto, os canaviais de algumas regiões produtoras de São Paulo se recuperaram com a ocorrência de algumas chuvas. Assim, ontem a Unica revisou para cima a projeção para moagem - de 545 milhões de toneladas estimadas em agosto para 567 milhões de toneladas. O acréscimo significou uma produção de açúcar cerca de 600 mil toneladas maior do que o projetado anteriormente e uma produção de etanol 1,8 bilhão de litros superior.

Mas, já houve no último trimestre deste ano uma recuperação do consumo de etanol no Brasil, e as perspectivas são de que a demanda aumente em 2015. A participação do etanol no mercado de combustíveis do país do ciclo Otto (etanol e gasolina) deve atingir 38,1% no ano de 2014 (janeiro a dezembro), um aumento de 0,7 ponto percentual em relação aos 37,4% de 2013, nas projeções da Unica. O recorde de participação do etanol foi em 2009, quando essa participação chegou a 50%.

"O market share do biocombustível no Brasil cresceu neste ano porque a produção foi maior e as exportações diminuíram", afirmou Rodrigues. O crescimento na participação se deu, principalmente, pelo avanço do anidro, que é misturado à gasolina. Rodrigues acrescentou que o market share do anidro aumentou de 19,5% em 2013 para 21% este ano. "Esse avanço ocorreu por causa do aumento da mistura de anidro na gasolina para 25% a partir de maio deste ano".

Para 2015, o grande potencial de aumento de consumo está no Estado de Minas Gerais que, recentemente aprovou um aumento do ICMS da gasolina e uma redução na alíquota do etanol hidratado. Com isso, o diferencial tributário entre os dois combustíveis em Minas Gerais passa a ser o maior do país: 15 pontos percentuais. Até então, o Estado de São Paulo tinha o maior diferencial (13 pontos percentuais), com o hidratado sendo tributado no Estado em 12%, e a gasolina, em 25%.

"Goiás também vai buscar o mesmo caminho. Essas tributações estaduais estão mudando a estrutura do mercado", afirmou a presidente da Unica, Elizabeth Farina.

Somente em Minas Gerais, espera-se um aumento do consumo de 750 milhões de litros anuais de hidratado. Indiretamente, beneficiam-se também os Estados vizinhos, como São Paulo e Goiás, para onde Minas Gerais escoa seus volumes excedentes do produto. "O cenário de preços para o etanol tende a ser diferente em 2015, o que vai também ajudar a enxugar o mercado de açúcar", afirma Rodrigues.

A notícia pode ser boa para as usinas que sobreviverem até lá. A forte crise que se arrasta no setor desde 2008 já significou o fechamento de 80 usinas no Brasil e a entrada de 67 delas em recuperação judicial. O diretor técnico da entidade estima que nove usinas podem não retomar a moagem em 2015/16. "São unidades que já estão com problemas sérios de endividamento, agora tiveram nova quebra de safra por causa da estiagem e não têm mais produto para vender (etanol ou açúcar) até março do ano que vem", afirmou.

O efeito da queda das cotações internacionais do petróleo para o mercado de etanol ainda é uma incógnita. A presidente da Unica disse que esse impacto vai depender muito de como o governo brasileiro vai se posicionar em relação às políticas macroeconômicas. "A Petrobras vai investir no oré-sal com o petróleo a esse preço? O governo federal vai fechar as contas públicas sem a volta da Cide na gasolina?", questiona.

O horizonte mais positivo para o biocombustível não deve se repetir, no entanto, para a bioeletricidade. A redução pela metade do teto do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que serve como referência para o mercado livre de energia, tende a reduzir a produção adicional de energia a partir de biomassa das usinas de cana do país.

A Unica estimou que em torno de 2 mil gigawatts/hora (GWh) deixarão de ser produzidos em 2015 devido ao menor incentivo financeiro. Esse volume representa cerca de 10% da produção de energia de biomassa prevista para 2014 (em torno de 20 mil GWh). O teto do PLD foi reduzido pelo governo a R$ 388 o megawatt/hora (MWh), ante o valor de R$ 861 o MWh previsto para 2015. (Valor Econômico 19/12/2014)

 

Usinas do Centro-Sul perdem mais de R$ 3 bi de receitas na safra 2014/15

Dados apurados até o momento confirmam a expectativa inicial de retração na moagem de cana-de-açúcar na safra 2014/2015 no Centro-sul do País. Até 1º de dezembro a quantidade de cana processada pelas unidades produtoras da Região atingiu 554,09 milhões de toneladas e o valor final esperado é de 567,00 milhões de toneladas, com queda de 5,00% em relação aos 597,06 milhões de toneladas processadas na safra 2013/2014.

A menor moagem se deve a queda da produtividade agrícola da lavoura, promovida, em grande medida, pela seca severa observada em várias regiões produtoras, com destaque para os Estados de São Paulo e Minas Gerais. Segundo o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade da área colhida até o final de novembro apresentou retração de 7,8% no Centro-sul em relação ao mesmo período de 2013, chegando a atingir 12,1% em São Paulo.

Para o diretor Técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, “o impacto da estiagem sobre a safra de cana só não foi maior porque houve aumento de área e produtividade em algumas regiões que não foram atingidas pela falta de chuva”. No Mato Grosso do Sul e no Estado de Goiás, por exemplo, observamos um avanço da produtividade agrícola da lavoura colhida, contrapondo o menor rendimento nas demais regiões, explicou Rodrigues.

Essa redução na oferta de cana não foi compensada pela receita obtida pelas unidades produtoras com a venda de etanol e de açúcar. No Estado de São Paulo, o faturamento médio das unidades produtoras entre abril e novembro atingiu R$ 104,25 por tonelada de cana este ano, contra R$ 98,05 observados no mesmo período do último ano.

Portanto, a redução prevista para a moagem na safra 2014/2015 (30,06 milhões de toneladas), valorada pelos preços vigentes, representa uma perda de receita superior a R$ 3 bilhões para as indústrias e os produtores rurais de cana-de-açúcar.

Segundo o executivo da UNICA, “a menor produtividade fez com que boa parte das unidades produtoras operassem com capacidade ociosa, pressionando os custos de produção e dificultando qualquer retomada de margens nesse momento”. Algumas unidades compensaram parcialmente essa perda de receita com a venda de energia elétrica, mas foram casos pontuais que não representam a condição da maior parte das empresas do setor, acrescentou.

Apesar da expectativa de redução da moagem, a produção de etanol na safra 2014/2015 deve ficar ligeiramente superior aos volumes registrados no último ano (25,81 bilhões de litros previstos nesta safra contra 25,58 bilhões observados em 2013/2014). A produção de açúcar, por sua vez, deve diminuir 6,88%, atingindo 31,94 milhões de toneladas ante 34,30 milhões de toneladas na última safra.

A retração na produção de açúcar foi intensificada pela menor proporção de cana direcionada à fabricação do produto. Na safra 2013/2014, 45,04% da cana foi utilizada para a fabricação de açúcar, contra apenas 43,21% previstos para este ano.

Em relação à próxima safra, Rodrigues afirma que ainda é cedo para fazer qualquer projeção mais segura sobre a produção. Entretanto, avalia que as condições de mercado tendem a ser mais positivas para o produtor devido à tendência de reversão do quadro superavitário no mercado mundial de açúcar, potencializado pela desvalorização do real frente ao dólar, e às mudanças observadas e esperadas para o mercado de etanol. Entre essas mudanças se destacam a redução do ICMS cobrado sobre hidratado em Minas Gerais, a expectativa de anúncio do aumento da mistura de etanol anidro e a possível retomada da CIDE sobre a gasolina. (Única 18/12/2014)

 

Safra da cana deve encerrar com queda de 5%

Seca histórica no Estado de São Paulo atingiu a lavoura e reduziu a moagem no país.

Após dois anos de crescimento, a safra da cana voltou a cair no centro-sul por causa da estiagem recorde registrada neste ano no Estado.

A estimativa da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) é que a moagem tenha queda de 5% -para 567 milhões de toneladas.

Até 1º de dezembro deste ano, a moagem foi 3% menor do que o resultado no mesmo período no ano passado. Foram 554 milhões de toneladas, ante 571 milhões.

A falta de chuvas prejudicou o desenvolvimento da planta. A produção por hectare caiu 12,1% no Estado de São Paulo, enquanto no restante do país foi de 7,8%.

"Há regiões no Estado, como em Piracicaba, que a quebra da safra superou 20%", disse Marcos Guimarães Landell, pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), da Secretaria de Estado da Agricultura.

O analista da consultoria FG/Agro João Henrique de Lima Rissi afirmou que a seca foi o principal problema da safra, apesar da atual crise financeira que atinge o setor.

Segundo ele, faltou cana, porque há capacidade de moagem ociosa nas usinas. "É possível moer mais cana que é produzida nas lavouras de toda a região."

De acordo com os dados da Unica, a queda na moagem da cana representa perda de receita de cerca de R$ 3 bilhões para as usinas.

Isto porque o faturamento médio por tonelada de cana atingiu R$ 104,25 nas unidades produtoras entre abril e novembro deste ano.

Apesar da redução da moagem, a produção de etanol neste ano deve ser ligeiramente superior ao ano anterior. São 25,81 bilhões de litros previstos nesta safra, ante 25,58 bilhões registrados em 2013/2014.

Dessa forma, a produção de açúcar deve diminuir 6,8%, com 31,94 milhões de toneladas, ante 34,30 milhões de toneladas na última safra.

PRÓXIMA SAFRA

De acordo com as projeções da FG/Agro e também da Unica, a safra 2015/2016 deve ter uma moagem similar à deste ano, caso o regime de chuvas acompanhe a média histórica na região. Do contrário, pode haver nova redução do processamento.

"A safra do próximo ano também pode ser afetada pela expansão do canavial, que pode ser menor do que a registrada neste ano por falta investimento", disse Rissi.

Com a pior crise da sua história, que teve início em 2008 e que tem como principal causa o controle artificial do preço da gasolina por parte do governo, a produção de biomassa vem crescendo como uma alternativa para a diversificação do setor.

A Usina Guarani, por exemplo, comercializou 750 mil megawatts em 2013 e a previsão para o período atual é de 1 milhão de megawatts -40% a mais.

"Na safra 2015/2016 devemos comercializar 1,2 milhão megawatts", disse Fábio Pelegrini, gerente de Cogeração da Guarani.

Para a presidente da Unica, Elizabeth Farina, a geração de biomassa teve destaque em 2014 e, no próximo ano, será preciso definir qual o papel das fontes renováveis na matriz energética do país. (Folha de São Paulo 19/12/2014)

 

2015, um ano em que se prenunciam desafios e dificuldades-Ronaldo Knack

Há um ano, durante a apresentação da Série Especial do TV BrasilAgro “O Que Esperar de 2014” já haviam claros e nítidos sinais de que este seria um ano para esquecer. A única esperança era o processo eleitoral onde a expectativa era a de que mudanças poderiam ser implementadas a favor daqueles que trabalham e produzem neste Brasil varonil.

A reeleição de Dilma Rousseff trouxe uma impressionante onda de desânimo, pois todos sabem e sofrem os efeitos de um governo incompetente e corrupto, que defende o atraso e ideologias que nada tem a ver com aquilo que queremos para o futuro de nosso País.

Na Série Especial do TV BrasilAgro deste ano, o desânimo persiste e há setores do agronegócio onde o sinal vermelho está instalado. Os produtores de soja e milho devem conviver com renda mais baixa do que a obtida neste ano. O setor de carnes vive um ciclo de alta e graças a articulação e empreendedorismo de suas lideranças, novos e interessantes mercados se abrem no exterior. A seca provocada nas regiões produtoras de café serviram para alavancar preços melhores.

O problema maior está no setor canavieiro que tem sido duramente atingido pela falta de vocação e de visão estratégica de “Madame Rousseff”. Desnecessário aqui repetir os problemas decorrentes dos subsídios e baixos preços praticados pela Petrobras na tentativa de conter a inflação.

Para azar do governo, e de quem o defende sem o ímpeto e competência antes demonstrados, até porque as fontes de usurpação estão secando – Petrobras na mais absoluta liderança! – a baixa do preço internacional do petróleo e as denúncias – cada vez mais esmiuçadas e comprovadas... – do processo de corrupção instalado pelo ex-presidente Lula e seguido no primeiro mandato de “Madame”, estão provocando sérias fissuras no tecido social brasileiro.

Aqui mesmo, neste espaço, temos insistido que a crise na cadeia produtiva sucroenergética só poderá ser enfrentada e vencida se houver sinergia entre os elos do setor (pela ordem, trabalhadores, fornecedores de cana, usineiros, fornecedores e agentes públicos como prefeitos, vereadores, deputados, senadores e governadores).

Até então, dirigentes da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), têm se mostrado autênticos e infelizes ventríloquos de grupos de produtores instalados no Conselho Deliberativo da entidade. Até há pouco tempo, estes mesmos conselheiros não aceitavam a organização do Fórum Nacional Sucroenergético.

Pois bem, depois de várias derrotas impostas aos usineiros, a última e mais importante foi a indicação de Ismael Perina Júnior, representante dos fornecedores de cana, para a presidência da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, as coisas começam a mudar.

É verdade que a chegada do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues à presidência do Conselho Deliberativo da Única foi um sinal claro de que os usineiros reconheciam sua incapacidade nas gestões políticas e interlocução com o governo federal. E, desde que assumiu o cargo (não seria encargo?), RR tem sido um incansável articulador para definir as estratégias de solução para a crise que passa, necessariamente, por um duro, melhor, duríssimo embate com a presidente Dilma Rousseff.

Ainda na manhã desta última 2ª feira, em seu gabinete no Centro do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues nos concedeu entrevista para a Série Especial do TV BrasilAgro. Ele divide o programa que vai ao ar neste domingo pela STZTV e que setará na WEB TV do www.brasilagro.com.br a partir da tarde desta próxima semana com Alexandre Figliolino, diretor do Banco Itaú BBA.

Saímos de lá com a nítida impressão de que (boas...) mudanças estão para ser anunciadas em breve. E, melhor do que tudo, ficou a certeza de que os elos da cadeia produtiva caminham celeremente para um entendimento. Parece que desta vez trabalhadores e usineiros voltarão a defender o mesmo discurso, como o fizeram com muita competência na crise de 1999 que mudou a trajetória do setor canavieiro no País e alavancou o ciclo expansionista da cana que se extinguiu em 2007.

Melhor para toda a cadeia produtiva sucroenergética e, desde já, assustador para “Madame” e seus asseclas defensores da sovietização e do bolivarismo regimes que gostariam de impor no Brasil. Literalmente, “a cobra vai fumar!” (Ronaldo Knack é Jornalista e graduado em Administração de Empresas e Direito; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Oferta segura preço do etanol na entressafra

A entressafra de álcool começa, mas o consumidor terá um preço do combustível com menos sobressaltos neste período, que vai até abril, do que em anos anteriores.

Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), diz que nesta entressafra não haverá impacto nos preços. O volume de combustível disponível é grande e quem elevar preço perderá participação no mercado, diz.

Tradicionalmente, o etanol tem forte reajuste de preços no início de ano, devido à paralisação da colheita de cana e à oferta menor de produto.

O etanol está com uma paridade de 65% atualmente, em relação à gasolina, conforme pesquisa da Folha na cidade de São Paulo.

Os dados da pesquisa indicam valores médios de R$ 1,875 para o litro de etanol e de R$ 2,874 para o de gasolina na capital paulista.

Apesar dessa melhora na oferta de etanol, 2014 foi um ano difícil para o setor, tanto em relação às gestões de produção e financeira como nos resultados econômicos, segundo Elizabeth Farina, presidente da Unica. "Foi um período de muita esperança, mas de pouca realização."

E o cenário continua sem definições, enquanto o país não souber qual o papel das energias renováveis na matriz energética, segundo ela.

Padua diz que nesta reta final do ano os números de moagem de cana mostram que a situação não foi tão ruim como se previa.

Os dados apontam para uma moagem de 567 milhões de toneladas de cana, acima dos 545 milhões previstos em agosto, mas 5% inferior aos 597 milhões da safra anterior.

A recuperação no final de safra não foi suficiente para reverter as perdas com a quebra agrícola e a redução de moagem. Essas perdas deverão atingir R$ 3 bilhões.

Ainda é difícil uma previsão para 2015, mas a condição climática e a situação financeira das usinas impedem uma alta da produção. "Na melhor das hipóteses, repete-se 2014", diz Padua.

A mais recente estimativa da Unica indica uma produção de açúcar de 31,9 milhões de toneladas na região centro-sul em 2014/15, 7% menos do que em 2013/14. Já a produção de álcool sobe para 25,8 bilhões de litros, 1% mais. (Folha de São Paulo 19/12/2014)

 

Braço de investimentos do Banco Mundial investe R$ 128 milhões na Biosev

Operando no vermelho e com uma dívida de R$ 4,08 bilhões, a Biosev assinou ontem um acordo que permite a entrada de um novo investidor no negócio.

Em comunicado enviado ao mercado, a Biosev informou que a International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos do Banco Mundial no agronegócio, fará um aporte de R$ 128 milhões em novo capital, no qual a instituição financeira subscreverá até a totalidade das ações emitidas.

O grupo francês Louis Dreyfus, controlador da Biosev, já sinalizou que irá abrir mão de seu direito de preferência. Com isso, o capital da sucroalcooleira aumentará de R$ 2,490 para R$ 2,618 bilhões. Já a fatia do IFC na companhia deverá ficar entre 4,48 e 5,84%, a depender do apetite dos demais acionistas em acompanhar a operação.

O aporte do banco ocorre justamente num momento em que a oferta de crédito às usinas é escassa. Embora não equacione por completo a estrutura de capital da companhia, conforme admitiu o presidente da Biosev, Rui Chammas, em entrevista ao Valor Econômico, o acordo é visto por analistas como positivo para as ações da Biosev.

A compra de aproximadamente 12,8 milhões de novas ações pelo IFC representa apenas uma fração da dívida da Biosev, que a exemplo de outros grupos do setor, também enfrenta um período de baixas cotações para o açúcar e um real desvalorizado frente ao dólar.

Um analista de capital da Bradesco Corretora, em São Paulo, disse que o investimento trará apenas uma “pequena contribuição para a dívida líquida ajustada [da sucroalcooleira]”, que é de R$ 4 bilhões. Quase 70% das dívidas da Biosev estão cotadas em moeda estrangeira.

Participação

Para a Bradesco Corretora; o acordo é “positivo” para as ações da Biosev, uma vez que o novo acionista está pagando cerca de R$10,00 por ação, um prêmio de 35% em relação ao preço de encerramento dos papéis ontem, cotados a R$ 7,40.

O acordo também reduz a fatia da Louis Dreyfus na Biosev de 76,8% para 72,2%. Este percentual chegou a menos de 60% após as flutuações do ano passado, mas logo a Biosev teve que aumentar seu capital para 75% em julho, graças à uma cláusula pioneira que permitiu aos investidores vender de volta seus papéis pelo preço pago na oferta corrigido por juros.

Obstáculos

O Bradesco informou que manteve o rating das ações da Biosev em “performance de mercado”, com um preço alvo de R$ 13,20 por ação, apesar de reconhecer que a “baixa liquidez e a alta alavancagem têm sido importantes obstáculos” para o caso de investimentos no grupo.

Mesmo com este alerta, o IFC manteve uma postura otimista quanto à melhora da situação financeira da Biosev. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o executivo responsável pela área de agronegócios da instituição, Luiz Daniel de Campos, disse que o investimento “é de longo prazo”, e que “um dos princípios do IFC é entender que esse setor é cíclico”.

O diretor presidente da Biosev, Rui Chammas, também sinalizou recentemente que espera “uma virada” no ciclo de baixa dos preços do açúcar, iniciado em 2010. Num evento voltado a investidores no início do mês, Chammas mostrou que a relação entre estoques e consumo está atualmente em 46%, mas deve cair para 35% até a safra 2016/17 e para 21% até 2018/19.

"Toda vez que a relação está em 30%, ocorre uma melhora de preço", comentou na ocasião.

O Bradesco também é otimista e espera uma melhora na safra 2015/16.

“Estamos confortáveis com as projeções do setor até agora, a medida em que esperamos que a próxima safra [2015/16] será melhor que a atual”, disse o banco.

“Também esperamos que a cogeração continue impulsionando a lucratividade da Biosev nos próximos 12 meses”.

Na ocasião, o executivo disse que a empresa tem adotado uma política de geração de caixa neutro que vai permitirá “trafegar de maneira adequada neste ciclo de baixa, que deve começar a se recuperar em breve”.

Conforme adiantou o portal, a Biosev espera, já a partir desta safra, ser capaz de gerar caixa a fim de garantir a alocação de investimentos nas operações de plantio e trato da cana-de-açúcar, “numa excelente manutenção industrial” e que permita o pagamento dos juros da dívida (Agromoney.com 18/12/2014

 

BNDES aprova R$ 592,1 mi para quatro projetos inovadores do setor sucroenergético

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamentos a quatro projetos do setor sucroenergético, no valor total de R$ 592,1 milhões. A maior operação será com a Abengoa Bioenergia Agroindústria S.A., que receberá R$ 309,6 milhões para implantar planta de etanol de segunda geração (2G).

Será a quarta planta de etanol 2G do Brasil e terá a capacidade nominal de 64 milhões de litros por safra. A unidade será construída de forma integrada ao processo tradicional de produção de etanol, na Usina São Luiz, em Pirassununga, São Paulo. Com mais este investimento, a capacidade instalada de produção de etanol 2G no Brasil atingirá quase 200 milhões de litros por safra.

PAISS Agrícola

Foram aprovados os dois primeiros projetos no âmbito do PAISS Agrícola. A primeira operação aprovada foi a da Biovertis Produção Agrícola Ltda., de Barra de São Miguel, Alagoas, que receberá R$ 139,3 milhões. Os recursos serão destinados à realização de investimentos no estabelecimento de um sistema de manejo adequado para cana-energia, que é um tipo de cana-de-açúcar com alta produtividade e maior concentração de biomassa.

O projeto vai desenvolver diferentes técnicas de manejo de alta performance para várias atividades, dentre as quais estão preparo do solo, plantio, tratos culturais, colheita e transporte.

A segunda aprovação do PAISS Agrícola é da Raizen Energia S.A., no valor de R$ 4,5 milhões, cujo objetivo é viabilizar em larga escala técnicas mais ágeis e eficientes de propagação de mudas pré-brotadas de cana-de-açúcar. Com a nova técnica, espera-se reduzir significativamente os custos de plantio, além de aumentar a qualidade da germinação da lavoura de cana, contribuindo para incrementar a produtividade agrícola do setor.

Inova Sustentabilidade

O setor sucroenergético foi responsável pela primeira aprovação do BNDES no âmbito do Inova Sustentabilidade, programa em conjunto com Finep que busca, dentre outros objetivos, apoiar o desenvolvimento tecnológico e a difusão de produtos e processos que promovam a produção sustentável.

A operação aprovada pela diretoria do BNDES é da Cerradinho Bioenergia S.A., que terá financiamento de R$ 138,8 milhões para investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) relacionados à implantação de sistema de limpeza a seco de cana-de-açúcar e à implantação de sistema de recepção e separação de fardos de palha de braquiária e de cana-de-açúcar na unidade industrial de Chapadão do Céu, Goiás.

Com os recursos, a Cerradinho também investirá na compra de máquinas e equipamentos nacionais. Eles serão usados na recepção e separação dos fardos de palha de braquiária e da cana. O projeto também abarca investimentos que devem elevar de 70MW para 160 MW a capacidade de cogeração de energia elétrica da usina. Também será adquirido um sistema de limpeza a seco da cana-de-açúcar na fábrica de Chapadão do Céu. (BNDES 18/12/2014)

 

Petróleo a US$60 o barril desafia biocombustíveis, diz Unica

A cotação do petróleo a cerca de 60 dólares o barril coloca desafios para indústria de biocombustíveis, disse nesta quinta-feira presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, em entrevista a jornalistas.

O Brasil é maior produtor global de etanol produzido a partir de cana. Os Estados Unidos são os principais produtores do biocombustível, feito por lá a partir do milho.

"É um desafio para todas as energias renováveis. Mas tem que discutir, vamos continuar consumindo petróleo porque agora ficou barato? Mas, se quisermos mudar as coisas, mudar os padrões, tem que se pensar nisso. Sem dúvida é um desafio para nós, do etanol", disse Elizabeth, salientando, entre outras coisas, que é preciso reconhecer os benefícios ambientais do etanol, menos poluente.

O petróleo caiu para mínimas de mais de cinco anos recentemente. Nesta quinta-feira, por volta das 12h40, petróleo Brent operava em alta de 1 por cento, a 61,79 dólares o barril. (Reuters 18/12/2014)

 

Processamento de safra segue em 50 usinas do Centro-Sul, informa Unica

O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, informou que 50 usinas do Centro-Sul ainda processavam a safra 2014/15 no último dia 16 de dezembro, mas que quase todas devem encerrar os trabalhos referentes ao ciclo antes do Natal.

Rodrigues acrescentou que a situação dos estoques de etanol para a entressafra é 'tranquila', mas não divulgou números. "Tem mais anidro do que se possa imaginar e hidratado suficiente para não impactar nos preços", disse durante coletiva em São Paulo. UNica 18/12/2014)

 

Seca histórica pode reduzir safra da cana em 5%, estima a Unica

Após dois anos de crescimento, a safra da cana voltou a cair no centro-sul por causa da estiagem recorde registrada neste ano no Estado.

A estimativa da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) é que a moagem tenha queda de 5% –para 567 milhões de toneladas.

Até 1º de dezembro deste ano, a moagem foi 3% menor do que o resultado no mesmo período no ano passado. Foram 554 milhões de toneladas, ante 571 milhões.

A falta de chuvas prejudicou o desenvolvimento da planta. A produção por hectare caiu 12,1% no Estado de São Paulo, enquanto no restante do país foi de 7,8%.

"Há regiões no Estado, como em Piracicaba, que a quebra da safra superou 20%", disse Marcos Guimarães Landell, pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), da Secretaria de Estado da Agricultura.

O analista da consultoria FG/Agro João Henrique de Lima Rissi afirmou que a seca foi o principal problema da safra, apesar da atual crise financeira que atinge o setor.

Segundo ele, faltou cana, porque há capacidade de moagem ociosa nas usinas. "É possível moer mais cana que é produzida nas lavouras de toda a região."

De acordo com os dados da Unica, a queda na moagem da cana representa perda de receita de cerca de R$ 3 bilhões para as usinas.

Isto porque o faturamento médio por tonelada de cana atingiu R$ 104,25 nas unidades produtoras entre abril e novembro deste ano.

Apesar da redução da moagem, a produção de etanol neste ano deve ser ligeiramente superior ao ano anterior. São 25,81 bilhões de litros previstos nesta safra, ante 25,58 bilhões registrados em 2013/2014.

Dessa forma, a produção de açúcar deve diminuir 6,8%, com 31,94 milhões de toneladas, ante 34,30 milhões de toneladas na última safra.

PRÓXIMA SAFRA

De acordo com as projeções da FG/Agro e também da Unica, a safra 2015/2016 deve ter uma moagem similar à deste ano, caso o regime de chuvas acompanhe a média histórica na região. Do contrário, pode haver nova redução do processamento.

"A safra do próximo ano também pode ser afetada pela expansão do canavial, que pode ser menor do que a registrada neste ano por falta investimento", disse Rissi.

Com a pior crise da sua história, que teve início em 2008 e que tem como principal causa o controle artificial do preço da gasolina por parte do governo, a produção de biomassa vem crescendo como uma alternativa para a diversificação do setor.

A Usina Guarani, por exemplo, comercializou 750 mil megawatts em 2013 e a previsão para o período atual é de 1 milhão de megawatts –40% a mais.

"Na safra 2015/2016 devemos comercializar 1,2 milhão megawatts", disse Fábio Pelegrini, gerente de Cogeração da Guarani.

Para a presidente da Unica, Elizabeth Farina, a geração de biomassa teve destaque em 2014 e, no próximo ano, será preciso definir qual o papel das fontes renováveis na matriz energética do país. (Folha de São Paulo 18/12/2014 às 13h: 09m)

 

Economia na região de Ribeirão seguirá fraca em 2015, diz estudo

Dependente da produção sucroalcooleira, a economia regional se manterá fraca em 2015, mesmo com ajustes e melhora da atividade.

Isso porque a crise que atinge o setor afetou diversas atividades econômicas, como o comércio, serviços, indústria e a construção civil.

O diagnóstico é de estudo da Fundace (Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia), ligada à USP Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).

Sem política favorável, as usinas da região centro-sul do país registraram queda de 3% na moagem da cana na safra atual. Ribeirão é considerada uma das principais regiões produtoras de etanol e açúcar do centro-sul.

Como efeito, as indústrias regionais, principalmente a de metal mecânica –com grande força em Sertãozinho (a 333 km de São Paulo)–, não receberam pedidos de máquinas, equipamentos ou reformas.

Houve demissões e o consumo no comércio caiu. "Ribeirão sofre duplamente. Primeiro, por causa da queda na agricultura e depois na indústria, que é voltada para o agronegócio", disse Luciano Nakabashi, pesquisador responsável pelo estudo.

De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, os dez primeiros meses deste ano registraram a pior criação de vagas de emprego na agricultura nos últimos cinco anos.

A região criou apenas 469 vagas, quase 90% a menos que nos mesmo período do ano passado. A indústria teve queda ainda maior, com o fechamento de 4.034 vagas.

"A indústria do país todo sofre com a conjuntura econômica nacional, com alta carga tributária e custos de produção. As indústrias da nossa região ainda sofrem com a falta de mercado", disse Nakabashi.

COMÉRCIO

Polo de prestação de serviço e comércio da região, a economia do município de Ribeirão Preto sofreu impacto negativo da crise.

De acordo com a Fecomércio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), de janeiro a setembro, a região teve um faturamento 2,7% menor do que no mesmo período do ano passado.

O comércio fechou 381 vagas de emprego de janeiro a outubro. Já o setor de serviços abriu 4.107 vagas, o menor saldo em cinco anos.

"Os setores de comércio e serviço incharam entre 2010 e 2012 porque apostaram no alto consumo das famílias. Mas neste ano, com a economia ruim, o consumo caiu e esses setores tiveram queda", disse Fred Guimarães, economista da Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto).

Até mesmo a construção civil teve queda na região. O número de vagas abertas foi quase metade do registrado no ano passado.

Fernando Junqueira, diretor regional do SindusCon (Sindicato da Indústria da Construção Civil), disse que o setor parou de crescer e estagnou neste ano devido a crise dos demais setores.

Para o próximo ano, os economistas disseram esperar que alterações na política econômica, como a redução dos juros e a desvalorização do dólar, devem colocar os setores da economia em uma conjuntura "mais favorável" para o crescimento. (Folha de São Paulo 18/12/2014)

 

Williams Brasil: 47 navios estão na fila para embarcar açúcar

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros aumentou de 34 para 47 na semana encerrada em 17 de dezembro, de acordo com levantamento feito pela agência marítima Williams Brasil.

O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 4 de janeiro.

Foi agendado o carregamento de 1,72 milhões de toneladas de açúcar.

A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairá 1,17 milhão de t, ou 68% do total. Paranaguá responderá 19% (325,80 mil t); Maceió, por 10% (170,10 mil t); Recife, por pouco mais de 2% (49,96 mil t); e Suape, por menos de 1% (11,17 mil t). Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 320,73 mil t. No da Rumo, estão agendadas 778,56 mil t; e no TEAG, da Cargill/Biosev, 73 mil t.

A maior quantidade a ser exportada é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 1,62 milhões de toneladas.

Os embarques do cristal B-150 somam 15 mil toneladas e os do tipo A-45, 89,18 mil t. O A-45 e o B-150 são exportados ensacados. (Agencia Estado 18/12/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Recuperação: Os preços futuros do café arábica tiveram recuperação ontem na bolsa de Nova York após o forte tombo do dia anterior provocado pela divulgação de uma nova estimativa para a safra do Brasil. Os contratos do grão para entrega em março fecharam com avanço de 1,45%, ou 250 pontos, a US$ 1,7435 a libra-peso. A projeção, da trading Volcafe, é de uma colheita de 49,5 milhões de sacas de café no país em 2015/16, o maior volume projetado para a próxima safra até agora. A previsão, porém, é questionada por alguns analistas, já que as recentes chuvas ocorreram após a fase tradicional de florada, quando o suprimento hídrico é crucial para a produtividade. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o arábica subiu 1,66%, para R$ 458,60 a saca.

Cacau: Previsão de déficit: Os preços do cacau subiram pelo quinto dia seguido na bolsa de Nova York ante uma nova estimativa de déficit de oferta na safra atual. Os contratos da amêndoa para entrega em maio fecharam com elevação de US$ 43, a US$ 2.943 a tonelada. A Olam International, que adquiriu nesta semana as operações de processamento de cacau da ADM, indicou que a demanda deve superar a oferta em 120 mil toneladas na safra atual, conforme a agência Bloomberg. O mercado tem ganhado impulso nos últimos dias diante da redução das entregas de cacau nos portos do oeste da África, região que concentra cerca de dois terços da produção mundial. No mercado doméstico, o preço médio da arroba do cacau em Ilhéus e Itabuna ficou em R$ 109, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Demanda aquecida: O milho voltou a registrar ganhos na bolsa de Chicago ontem, sob influência da alta do trigo e da demanda aquecida pelo grão dos EUA. Os lotes para maio fecharam em elevação de 3 centavos, a US$ 4,1950 por bushel. O trigo tem se valorizado depois que o governo da Rússia decidiu limitar as exportações do cereal - que concorre com o milho no mercado de ração animal. Além disso, houve novos acertos de venda de milho dos EUA à China e cresceu a expectativa de que as compras permaneçam em bom ritmo, tendo em vista os rumores de que o país asiático teria liberado a compra do grão com uma tecnologia transgênica da Syngenta, depois de ter cancelado carregamentos com esse material. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca ficou em R$ 28,40, alta de 1,10%.

Trigo: Rússia, de novo: A decisão da Rússia de restringir as exportações de trigo, tomada na quarta-feira, continuou repercutindo no mercado futuro do cereal ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para entrega em maio fecharam com alta de 6,00 centavos, a US$ 6,5675 o bushel. Em Kansas, os papéis com igual vencimento fecharam em US$ 6,875 o bushel, em alta de 3 centavos. Moscou decidiu limitar os embarques do cereal para somente quatro países para assegurar o abastecimento interno e segurar a inflação. O crescimento de 8% no volume de trigo negociado pelos americanos para exportação na semana encerrada dia 11, divulgado ontem, colaborou para a alta. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,32%, a R$ 547,46 a tonelada. (Valor Econômico 19/12/2014)