Setor sucroenergético

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Corte manual da cana em SP segue no foco do Ministério Público

Justiça de SP quer que usinas acabem com sistema de pagamento de salários dos cortadores de cana por produção.
Apesar do avanço da mecanização da colheita da cana, uma área equivalente a 10% dos canaviais paulistas ainda é colhida manualmente. E embora envolva um contingente bem menor de pessoas do que há uma década, o corte manual de cana continua na mira do Ministério Público do Trabalho (MPT), cujas ações seguem gerando decisões judiciais em busca de ajustes nas condições desse tipo trabalho.
Pelo menos cinco decisões judiciais desfavoráveis a usinas de cana foram tomadas neste ano em São Paulo. Os acórdãos tratam, essencialmente, de duas questões: a obrigatoriedade de as empresas interromperem o corte da cana diante de elevadas temperaturas, sem prejuízo ao salário do trabalhador, e a suspensão do pagamento do salário (ou parte dele) por produção.
Os grupos empresariais recorreram e, alguns deles conseguiram suspender as decisões até o julgamento do recurso. Mas as questões estão sujeitas ao vaivém da Justiça e devem ainda ter desdobramentos.
Os processos derivam de ações civis públicas movidas pelo MPT do Estado. Entre eles está o que condenou a unidade da Unialco, em Guararapes, a pôr fim ao pagamento por produção e a interromper o trabalho de corte e plantio manuais quando a temperatura chega a níveis que a legislação considera insalubres. A Pioneiros Bioenergia, de Sud Menucci, do grupo Santa Adélia, também foi afetada em setembro por sentença semelhante da Vara Itinerante de Pereira Barreto.
A Vara do Trabalho de Araçatuba também condenou três usinas da Raízen, controlada pela Cosan e pela Shell, pela mesma razão.
As sentenças, de primeira instância, foram favoráveis ao MPT, condenando as usinas a implementar pausas diante de calor excessivo, a suspender pagamento por produção e, em alguns casos, houve multa por danos morais coletivos. Em abril deste ano, a Justiça também fez acordo para ver cumpridas as mesmas obrigações pela Da Mata Açúcar e Álcool já a partir da próxima safra, a 2015/16. As usinas foram procuradas pela reportagem, mas somente a Raízen concedeu entrevista.
A Raízen argumentou à Justiça que autoriza pequenas pausas espontâneas dos cortadores de cana, assim como mantém áreas de vivência com sombra e água potável, além de distribuir repositor "eletrolítico e garrafas térmicas".
Nos despachos, os juízes que julgam essas ações reconhecem que houve avanço do setor em combater os "malefícios" desse tipo de trabalho braçal. No entanto, consideram que os avanços ainda são insuficientes para estabelecer uma condição digna ao cortador.
No caso da Raízen, o magistrado contra-argumenta: "a reclamada fez questão de destacar que os empregados podem usufruí-las [pausas] quando melhor lhes aprouver. Bem, parece evidente que seja assim, pois é passado o tempo em que um feitor castigava quem ousasse parar para descansar".
Portanto, segundo o magistrado, não é uma questão apenas de liberdade, mas de conveniência do empregado em parar para descansar. "Com efeito, não há mais necessidade de manter alguém na guarda do trabalhador para lhe exigir o máximo de esforço, pois o dinheiro faz as vezes no mundo contemporâneo", afirmou o magistrado.
O diretor de Recursos Humanos da Raízen Energia, Luiz Carlos Vegin, defende que o ritmo de trabalho é adequado. O cortador de cana, diz Vegin, tem uma jornada de sete horas e vinte minutos de trabalho, horário de almoço e duas pausas de 10 minutos cada. Há ainda, segundo ele, as pausas espontâneas, quando ele interrompe o trabalho para amolar ferramentas, tomar soro ou beber água. "Temos medidas que mitigam o trabalho ininterrupto. Temos área de vivência na sombra, onde ele pode descansar", afirma Vegin.
Quanto ao pagamento de salário por produção, os trabalhadores rurais têm um salário fixo mensal - o piso é de R$ 900 -, e recebem um adicional por produção, que eleva esse valor a R$ 1,250 mil. "Essa sistemática de ganho por produtividade não se restringe ao trabalho manual. É adotada em outros setores da empresa, inclusive o mecanizado", diz Vegin.
Atualmente, 800 pessoas trabalham no corte da cana e em outras funções braçais, como a de produção de mudas, na Raízen. Há sete ou oito anos, eram de 15 mil a 16 mil, segundo o executivo. Em todo o setor, o movimento foi semelhante. Em 7 anos, o número de trabalhadores canavieiros caiu 52%, para 162,567 mil pessoas, segundo dados do Caged, compilados pela Unesp de Jaboticabal. (Valor Econômico 26/12/2014)
 

Área arrendada para a cana deve cair em 2015, diz entidade

O arrendamento de terras por usinas deve cair na próxima safra, segundo avaliação feita pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
De acordo com o diretor-técnico da entidade, Antônio de Padua Rodrigues, o valor do arrendamento se tornou muito alto para o setor, que também enfrenta uma crise financeira.
Neste ano, a moagem de cana-de-açúcar foi 3% menor do que o resultado obtido no ano passado.
Foram 554 milhões de toneladas moídas, ante 571 milhões de 2013. A estimativa da Unica é que a próxima safra mantenha o mesmo volume deste ano.
De acordo com Padua, as usinas devem estimular a compra dos fornecedores de cana-de-açúcar, em vez de produção própria em terras arrendadas.
"Entre comprar e arrendar a terra, as usinas preferem aumentar a produção com terras arrendadas, o que garante um menor comprometimento do investimento.
No entanto a melhor alternativa ainda é comprar dos fornecedores", disse Padua.
Ainda segundo o diretor-técnico da entidade, apesar de a área ocupada por canaviais ter dobrado no Estado, a produtividade foi três vezes maior.
Segundo ele, em 26 anos a produção passou de 120 milhões de toneladas para 360 milhões.
A avaliação da entidade do setor sucroalcooleiro é a de que a cana avançou principalmente em áreas antes ocupadas pela pecuária e já degradadas por outras culturas. (Folha de São Paulo 25/12/2014)
 

Açúcar: Pressão baixista

O açúcar demerara recuou na quarta-feira, último pregão antes do feriado de Natal.
Os lotes para maio fecharam em baixa de 8 pontos em Nova York, a 15,12 centavos de dólar por libra-peso.
Chuvas no Brasil (maior fornecedor mundial) continuam a beneficiar as lavouras da safra 2015/16 de cana.
O real mais fraco ante o dólar também exerce pressão baixista, já que incentiva os produtores brasileiros a vender mais.
Porém, mais da metade das usinas do país já encerrou as atividades no atual ciclo e há indicações de que a presidente Dilma irá, com a nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, criar políticas de incentivo ao etanol, reduzindo a oferta de cana para açúcar.
No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos ficou em R$ 52,02 na terça-feira, queda de 0,12%. (Valor Econômico 26/12/2014)
 

Etanol fecha ano com valor competitivo em relação à gasolina em Mato Grosso do Sul

Preço do biocombustível em MS é o 4º menor do País, diz ANP.
Faltando uma semana para fechar o ano de 2014, levantamento de preços da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aponta que o valor do etanol permanece competitivo em relação ao da gasolina nos postos de Mato Grosso do Sul desde novembro, após os reajustes anunciados pela Petrobras às refinarias serem repassados ao consumidor pelos estabelecimentos do Estado.
Somente na última semana, o preço médio do etanol vendido na bomba em Mato Grosso do Sul chegou a R$ 2,159, o quarto mais barato do País no período, atrás apenas de São Paulo, Paraná e Mato Grosso. Já a gasolina, com preço médio de R$ 3,123, foi a 12ª mais cara dentre o Estados (o maior valor foi verificado no Acre, R$ 3,507, e o menor no Piauí, R$ 2,898). No comparativo mensal, de acordo com a ANP, apesar de ligeira variação — de 69,41% para 69,75% —, o valor do etanol ainda continua vantajoso em relação ao da gasolina. 
Em Mato Grosso do Sul, na semana avaliada (de 14 a 20 de dezembro), o maior preço médio da gasolina foi constatado na cidade de Paranaíba (R$ 3,382), enquanto o menor valor médio encontrado foi em Campo Grande. Na Capital, também foi verificado o menor preço médio do etanol, R$ 2,068. Já a cidade de Corumbá teve o maior preço médio do biocombustível, R$ 2,470, dentre as cidades pesquisadas pela ANP no período. Esse cenário de “estabilização” de preços acontece após um trimestre em que prevaleceu verdadeira gangorra de valores da gasolina, com impacto posterior no etanol, no Estado.
Em Campo Grande, por exemplo; promoções dos estabelecimentos derrubaram os preços para patamares de até R$ 2,65 (a gasolina comum) e R$ 1,99 (o etanol) nas bombas entre o mês de setembro e meados de outubro, mas na primeira semana de novembro a gasolina comum e o etanol ultrapassaram respectivamente a barreira dos R$ 3,00 e dos R$ 2,00, após o reajuste de 3% da gasolina (e 5% do diesel) nas refinarias, anunciado pela Petrobras. Até então, o último aumento praticado pela companhia havia sido em 30 de novembro de 2013 e, na ocasião, a gasolina subiu 4% e o diesel, 8%. (Correio do Estado 26/12/2014)
 

Vendas de máquinas agrícolas tendem a estabilidade ou leve queda em 2015

Segundo Herrmann, da John Deere, trator de menor potência ganhou espaço.
A patinada da economia brasileira este ano e os preços mais baixos das commodities agrícolas, que afetaram a renda do produtor, fizeram as vendas internas de máquinas agrícolas recuarem cerca de 15% depois de um desempenho recorde em 2013, segundo estimativas de representantes do setor. A expectativa para 2015, um ano que ainda deve ser de dificuldades na economia, é de estabilidade na comercialização ou ligeira queda em relação a 2014.
De janeiro a novembro deste ano, as vendas internas de máquinas das montadoras para as revendas caíram 16,6% na comparação com igual período de 2013, para 64.360 unidades, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O volume ainda inclui pequeno percentual de máquinas rodoviárias.
No início deste ano, a associação previa estabilidade na comercialização de máquinas agrícolas em 2014, mas, em julho, divulgou uma estimativa mais pessimista: recuo de 12% ante 2013, para 73 mil unidades. Ainda assim, se confirmado o volume, o resultado de 2014 será melhor que o de 2012, quando 70,1 mil unidades foram comercializadas. A Anfavea ainda não divulgou projeções para 2015.
Apesar da redução nas vendas, a maioria das empresas do setor considera que os resultados em 2014 não foram tão negativos. A Case IH, marca da multinacional CNH Industrial, deverá fechar 2014 com alta de 6% a 7% em seu faturamento no país sobre 2013, segundo Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH para a América Latina. "É um bom resultado", afirma.
Segundo ele, o crescimento da receita se deve à comercialização de produtos de maior valor agregado e à redução de custos. Afora isso, a Case IH conseguiu aumentar sua participação no mercado nacional de tratores, ao oferecer equipamentos de menor potência. Até o ano passado, a marca estava mais limitada a tratores de alta potência, diz Romagnoli.
Um dos segmentos em que a Case IH apresentou leve crescimento este ano foi o de colheitadeiras para grãos. E embora o setor de cana-de-açúcar tenha tido desempenho ruim este ano, a marca conseguiu elevar sua receita nessa área em função da consolidação de tecnologia em colhedora de cana, segundo o executivo. O maior crescimento foi observado na comercialização de máquinas voltadas a pequenos agricultores.
Paulo Herrmann, presidente da John Deere no Brasil, afirma que a participação das vendas de tratores (de todas as empresas) na faixa de até 100 cavalos de potência no mercado brasileiro subiu de 53% para 60% este ano. Em parte, a demanda foi impulsionada por programas de incentivo à aquisição de máquinas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), como o Mais Alimentos. Outro motivo, segundo Herrmann, é a incorporação de tecnologias e mecanização por parte dos agricultores de pequeno porte.
De acordo com Alessandro Maritano, vice-presidente da New Holland Agrícola para a América Latina, marca da CNH Industrial, os grandes produtores agrícolas - que demandam máquinas mais potentes e sofisticadas -, anteciparam as compras em 2013, o que pode ter influenciado o resultado das vendas este ano. "Não podemos falar de crise, mas de um ajuste de mercado", afirma.
Na contramão da tendência vista no setor, a americana AGCO teve um aumento de participação no mercado de tratores de maior potência, principalmente com gama média de 200 cavalos, de acordo com Bernhard Kiep, vice-presidente de marketing da AGCO para América do Sul. Ele acrescenta que as vendas de equipamentos que saem de fábrica com tecnologias embarcadas para agricultura de precisão mais que dobraram este ano frente a 2013.
As vendas de máquinas de menor potência para pequenos agricultores devem continuar a avançar em 2015, não somente os tratores, mas plantadeiras e pulverizadores, na avaliação de Romagnoli, da Case IH. Entretanto, a demanda também dependerá do andamento dos programas governamentais para o setor.
Romagnoli estima ainda que o mercado de máquinas agrícolas em geral ficará estável em 2015, ou até um pouco abaixo de 2014. Na avaliação do executivo, o primeiro trimestre de 2015 deve ter vendas fracas em virtude da falta de regulamentação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e do Moderfrota - programas de financiamento do BNDES -, mas depois haverá uma recuperação.
A definição sobre os dois programas só saiu nos últimos dias. No caso do Moderfrota, o governo manteve os juros em 4,5% ao ano em operações tomadas por pequenos e médios clientes e 6% ao ano para grandes clientes até 30 de junho de 2015. No segundo semestre do ano que vem, entretanto, as taxas serão rediscutidas e tendem a subir, na esteira do que ocorreu com o Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Na semana passada, o governo elevou os juros do PSI para uma faixa entre 6,5% e 11%, dos atuais 4% a 8% ao ano.
Este ano, as vendas de colheitadeiras já foram prejudicadas pelo atraso de regulamentação do PSI para 2014. Isso contribuiu para que a John Deere demitisse funcionários temporários de sua fábrica em Horizontina (RS), no segundo semestre. Conforme Herrmann, presidente da empresa, foram ajustes pontuais.
Ele também estima que o mercado em 2015 será parecido com 2014. E enfatiza que o cenário ainda é positivo para a agricultura, com expectativas de o país produzir uma safra de 200 milhões de toneladas de grãos. "Este [2014] ainda foi o segundo melhor ano da história".
A demanda mundial crescente por alimentos e o potencial de abertura de novas áreas de cultivo no Brasil em pastagens degradadas também devem garantir um cenário positivo no longo prazo para as vendas do setor, acredita Maritano, da New Holland Agrícola.
Já Kiep, da AGCO, vê um cenário nebuloso para 2015. Ele avalia que o mercado de máquinas dependerá de fatores ligados ao cenário macroeconômico brasileiro, da condução de políticas (como a cambial) e das definições sobre os recursos do BNDES para as linhas de financiamento ao setor. (Valor Econômico 26/12/2014)
 

Produção sucroenergética ganha força no Triângulo Mineiro

Lavouras de cana-de-açúcar se expandem na região há quase 30 anos.
Tradicional polo da pecuária, com gado bovino de alta qualidade genética, o Triângulo Mineiro vem mostrando desde o final dos anos 1990 a sua vocação também para a produção de cana-de-açúcar. Este cenário é apresentado em dados do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais (Siamig), analisados pela Superintendência de Política e Economia Agrícola (Spea) da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).
De acordo com o assessor técnico da Spea Victor Soares Lopes, em 1996 o Triângulo já contava com 27% da área de cana-de-açúcar de Minas Gerais, respondendo, portanto, por 67,8 mil hectares plantados. Com isso, a região já oferecia uma produção 4,9 milhões de toneladas, ou 37% da safra total de cana-de-açúcar do Estado.
“Já em 2005, a área com o cultivo na região cresceu para 49% ou 171,8 mil hectares, e a produção subiu para 14 milhões de toneladas, equivalentes a 55% da safra mineira de cana-de-açúcar. Atualmente, a produção sucroenergética no Triângulo é da ordem de 46,3 milhões de toneladas/ano”, acrescenta Lopes.
Conforme a avaliação do assessor, nos últimos 18 anos o cultivo de cana no Triângulo Mineiro teve uma expansão de área à taxa média anual de 12,8%. “O crescimento da taxa média anual de produção foi de 13,3%”, ressalta.
O assessor explica que há cerca de 25 anos a produção de cana-de-açúcar no Triângulo Mineiro já apresentava grande potencial. “O clima e o solo da região são privilegiados, a topografia é favorável à adoção de tecnologias que possibilitem o desenvolvimento de projetos competitivos e além disso a localização das usinas do setor é adequada ao comércio com os grandes centros que demandam os produtos.”
Os negócios com a cana-de-açúcar tiveram grande incremento com o lançamento do carro flex em 2003. Segundo o assessor, o aumento da demanda por etanol atraiu grandes grupos de Alagoas e do exterior ligados setor sucroenergético (açúcar e etanol) e aproveitamento do bagaço de cana para a produção de energia. Ele diz que, “de acordo com o Siamig, há 38 usinas de sucroenergéticos em Minas Gerais e 50% estão localizadas no Triângulo.”
Lopes diz que ainda assim houve um período em que o setor do açúcar e álcool foi prejudicado porque o governo adotou a política de segurar o preço da gasolina e com isso o preço do álcool perdeu competitividade. O assessor observa que uma das consequências foi o fechamento de indústrias.
“Em Minas Gerais, o governo favorece o desenvolvimento do setor ao oferecer mais perspectivas de produção de açúcar e álcool com redução da alíquota do ICMS do etanol hidratado de 19% para 14%, projeto aprovado na Assembleia Legislativa em 15 de dezembro. Esta é a segunda redução do imposto sobre o etanol, que em 2012 foi baixado de 22% para os atuais 19%. O mesmo projeto aumenta a alíquota da gasolina de 27% para 29%, o que deverá possibilitar um aumento da competitividade da produção de etanol hidratado no Estado”, finaliza. (Assessoria Comunicação Seapa-MG 23/12/2014 às 15h: 38m)
 

Produção de açúcar recua 6,4% em 14/15; volume de etanol já supera 13/14

SÃO PAULO (Reuters) - A produção de açúcar do centro-sul do Brasil na safra 2014/15 até a primeira quinzena de dezembro atingiu 31,8 milhões de toneladas, queda de 6,4 por cento ante o mesmo período da safra 2013/14, informou nesta terça-feira a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), ao divulgar dados já com a temporada praticamente finalizada.
A Unica relatou ainda nesta terça-feira números de produção da primeira quinzena de dezembro, que apontou uma queda de 58 por cento na fabrição de açúcar ante o mesmo período do ano anterior.
A produção do adoçante na primeira parte do mês atingiu somente 371 mil toneladas, ante 882 mil toneladas no mesmo período de 2013, em meio à escassez de cana no final da temporada, após uma quebra de safra por conta da seca no centro-sul do Brasil.
A queda da produção de açúcar também ocorre com usinas destinando mais matéria-prima para a fabricação de etanol, com preços mais remuneradores que o adoçante.
No acumulado até a primeira quinzena de dezembro, a produção de açúcar ficou muito próxima da estimada pela Unica na semana passada, quando a entidade havia revisado suas estimativas para toda a safra, para 31,93 milhões de toneladas. Esse número representa uma queda de mais de 2 milhões de toneladas ante a produção em 2013/14.
A estiagem ainda acelerou os trabalhos de moagem este ano, fazendo com que muitas usinas encerrassem o processamento antecipadamente. A Unica divulgou apenas dados no site, sem relatar quantas usinas ainda estão em operação.
A moagem de cana até a primeira quinzena somou 564,2 milhões de toneladas, recuo de 4,3 por cento ante o mesmo período da safra passada. O número também está próximo do que a Unica estima para o final da temporada, de 567 milhões de toneladas, queda de 30 milhões ante o recorde da safra passada.
ETANOL
A produção de etanol, por outro lado, apresentou um crescimento de 2,2 por cento no acumulado da safra do centro-sul, para 25,675 bilhões de litros, também perto dos 25,81 bilhões de litros estimados na semana passada para toda a temporada.
A produção do biocombustível já supera a registrada na temporada anterior, quando somou 25,57 bilhões de litros, segundo a Unica.
O diretor-técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, havia dito na semana passada a jornalistas que a produção maior de etanol e a redução de exportação nesta safra aumentará a oferta interna do biocombustível.
Isso pode garantir uma entressafra mais tranquila para os consumidores em termos de preços.
Na primeira quinzena de dezembro, a produção de etanol do centro-sul caiu quase 40 por cento, para 492 milhões de litros, na comparação com o mesmo período do ano passado, também por efeito da menor oferta de cana e da antecipação do fim da moagem em 14/15. (Reuters 23/12/2014 às 18h: 20m)
 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Pressão baixista: O açúcar demerara recuou na quarta-feira, último pregão antes do feriado de Natal. Os lotes para maio fecharam em baixa de 8 pontos em Nova York, a 15,12 centavos de dólar por libra-peso. Chuvas no Brasil (maior fornecedor mundial) continuam a beneficiar as lavouras da safra 2015/16 de cana. O real mais fraco ante o dólar também exerce pressão baixista, já que incentiva os produtores brasileiros a vender mais. Porém, mais da metade das usinas do país já encerrou as atividades no atual ciclo e há indicações de que a presidente Dilma irá, com a nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, criar políticas de incentivo ao etanol, reduzindo a oferta de cana para açúcar. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos ficou em R$ 52,02 na terça-feira, queda de 0,12%.
Laranja: Movimentos técnicos: Os preços do suco de laranja avançaram na quarta-feira, depois de cinco pregões seguidos em queda. Os papéis para março fecharam a US$ 1,4275 por libra-peso na bolsa de Nova York, alta de 360 pontos. Mas, para analistas, a elevação foi motivada por questões técnicas. O clima está favorável na Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros do mundo, atrás de São Paulo), o que não costuma ocorrer nesta época do ano. No Brasil, as áreas que sofriam com o tempo seco têm recebido chuvas, que melhoram a condição das plantações. Além disso, os últimos dados de demanda indicam que o consumo de suco de laranja só recua nos EUA, maior mercado mundial. No mercado spot de São Paulo, a caixa de 40,8 quilos da laranja para a indústria ficou estável, a R$ 10,19, segundo o Cepea/Esalq.
Soja: Fundos e clima: A soja rendeu-se a movimentos técnicos dos fundos de investimentos, que se posicionaram antes do feriado de Natal. Os contratos para março fecharam em queda de 10,50 centavos na bolsa de Chicago na quarta-feira, a US$ 10,3525 por bushel. De acordo com Jack Scoville, analista do Price Futures Group, as recentes chuvas na América do Sul, boas para as lavouras de Brasil e Argentina, adicionaram pressão às cotações. "A floração está bem encaminhada no Brasil, com a maioria das áreas com precipitações adequadas, e não há nenhuma razão relacionada com o tempo para não esperarmos os melhores rendimentos", disse Scoville, em relatório. No oeste da Bahia, a saca de soja está sendo negociada a R$ 57,50, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).
 
Trigo: Forte queda: As cotações do trigo despencaram nas bolsas americanas na quarta-feira. Em Chicago, os lotes para maio encerraram em baixa de 23,25 centavos, a US$ 6,1525 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, a queda foi de 21,25 centavos, a US$ 6,4850 por bushel. Os preços do trigo vinham subindo nas últimas duas semanas, em meio à derrocada do rublo ante o dólar e à decisão da Rússia de sobretaxar as exportações do cereal para conter a inflação no país. Com isso, os traders passaram a acreditar que o cereal dos EUA seria beneficiado pelas restrições russas, mas a esperança foi se esvaindo ao longo da semana. No Paraná, o valor da saca de 60 quilos apresentou ligeira alta de 0,03%, a R$ 30,69, de acordo com o Departamento de Economia Rural do Estado (Deral). (Valor Econômico 26/12/2014)