Setor sucroenergético

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Mahindra lança sua “Operação Trator”

Neste momento em que os empresários, de um modo geral, andam com uma tesoura e uma faca em cada mão, a indiana Mahindra desafina o coro dos pessimistas.

A fabricante de tratores vai investir cerca de R$ 400 milhões no país pelos próximos cinco anos. Os recursos serão usados na expansão da fábrica de Dois Irmãos, no Rio Grande do Sul, que hoje produz apenas dois modelos.

O portfólio será gradativamente ampliado até chegar a 15 tipos de trator. A Mahindra vai ainda aumentar a rede de revenda de 13 para 80 concessionárias, com a abertura dos primeiros pontos de venda fora da Região Sul.

Antes tarde do que nunca, o grupo passará a ter uma distribuição em outros importantes centros agrícolas do país, a começar pelo Centro-Oeste e pelo Sul do Pará. Ressalte-se que cada movimento ou decisão estratégica da Mahindra no Brasil tem sido feito com a intenção de avançar sobre o território da Agrale.

A fabricante nacional é vista pelos asiáticos como o player mais frágil do setor, sobretudo diante da recente queda das vendas de máquinas agrícolas no país. Na estratégia da Mahindra, ainda não é a hora de bater de frente com o trio de ferro AGCO, John Deere e CNH, detentores de 70% das vendas de tratores no Brasil. (Jornal Relatório Reservado 05/01/15

 

Usinas apelam para conversão de dívidas

Com dificuldade para levantar empréstimos e endividadas, usinas de cana-de-açúcar negociam com credores a conversão de parte das dívidas em participações acionárias. Em alguns casos essas negociações podem culminar na tomada do controle do negócio pelos credores.

Na lista dos que fecharam esse tipo de operação estão o grupo Baldin e a Aralco. Atualmente, o Grupo Virgolino de Oliveira segue pelo mesmo caminho.

Especialistas da agência Fitch, que acompanha a situação financeira de uma dezena de empresas do agronegócio, não veem espaço para novas captações por meio de emissão de dívida externa por usinas no curto prazo. "Para o setor de cana-de-açúcar, que tem risco elevado, praticamente não há neste momento 'preço' para emissões externas", diz Mauro Storino, da Fitch. (Valor Econômico 05/01/2015)

 

Açúcar: Influência do dólar

As cotações do açúcar demerara enfrentaram forte queda na bolsa de Nova York no primeiro pregão de 2015.

Os papéis para maio fecharam em baixa de 35 pontos na sexta-feira, a 14,57 centavos de dólar por libra peso.

O dólar operou em alta ante o real, o que voltou a exercer forte pressão sobre as cotações da commodity, estimulando a oferta brasileira de açúcar no mercado.

Colabora para o ambiente baixista a queda do petróleo. O cenário estimulou os poucos traders que negociaram contratos de açúcar a liquidar posições antes do fim de semana.

Do lado dos fundamentos, o excesso de estoques da commodity continua a contribuir para a queda das cotações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos ficou a R$ 52,05 recuo marginal de 0,12%. (Valor Econômico 05/01/2015)

 

Onda de conversão de dívidas atinge usinas

Conversão de dívida em ações pode resultar em "desconto" do valor do endividamento, diz o advogado Joel Thomaz Bastos, do escritório Dias Carneiro Advogados.

Sem crédito na praça e com dívidas a vencer no curto prazo, as usinas de cana-de-açúcar negociam com credores a conversão de parte das dívidas em participações acionárias. Na lista dos que tiveram que realizar esse tipo de operação, estão o grupo Baldin, em 2013, e mais recentemente, a Aralco. Neste momento, o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), um dos mais tradicionais do segmento, segue pelo mesmo caminho. Em muitos casos nessa linha, essas negociações podem culminar na tomada do controle do negócio pelos credores.

A conversão de dívida em ações vem se tornando uma saída praticamente compulsória às usinas muito alavancadas, agora que o mercado de captação por meio de emissão de dívida externa secou. Muito usado nos últimos três anos para alongar débitos, o mercado de dívida se fechou às empresas sucroalcooleiras com a entrada da Aralco em recuperação judicial menos de um ano após a emissão de bonds e com o risco elevado de "default" do GVO.

Especialistas em avaliação de risco da agência Fitch, que acompanha a situação financeira de uma dezena de empresas do agronegócio, não veem espaço para novas captações do gênero por usinas de cana no curto prazo - nem a taxas de juros mais elevadas.

Nas últimas semanas, ao menos duas grandes companhias com operações no agronegócio e consideradas de baixo risco de crédito (Cosan e JBS) tentaram emitir títulos de dívida no exterior, mas desistiram porque o mercado estava cobrando caro demais para absorver os papéis. "Para o setor de cana-de-açúcar, que tem risco elevado, praticamente não há neste momento 'preço' para emissões externas", diz o analista corporativo da Fitch, Mauro Storino.

As companhias sucroalcooleiras mais endividadas já há alguns anos não tinham mais limite de crédito no mercado bancário tradicional, que também não oferece linhas de longo prazo, mais adequadas à necessidade dessas empresas. No entanto, encontraram no mercado de bonds investidores com mais apetite por títulos de maior risco - e remuneração mais elevada.

Captações pontuais já haviam sido feitas antes pelo setor sucroalcooleiro, mas foi a partir de 2011 que elas passaram a ser mais frequentes. Desde então, ao menos quatro grupos de médio porte emitiram dívida externa. Somando-se GVO, Aralco, Tonon Bioenergia e grupo USJ, o montante captado chega a US$ 1,79 bilhão.

No primeiro bimestre de 2015, o GVO tem a pagar US$ 40,71 milhões somente dos juros dos cupons semestrais aos bondholders - US$ 23,09 milhões em janeiro e US$ 17,62 milhões no início de fevereiro. Neste momento, a empresa negocia com esses credores uma proposta de conversão de dívidas em participação acionária. Com US$ 735 milhões captados por meio de três emissões, o grupo tende, ao fim do acordo, a perder o controle do negócio, segundo fontes ouvidas pela reportagem.

Normalmente, a conversão de dívida em ações resulta também em "desconto" da dívida. "Não é incomum que isso aconteça, pois é preciso fazer a dívida 'caber' no equity da devedora", explica o advogado Joel Thomaz Bastos, do escritório Dias Carneiro Advogados. Mesmo quando os credores assumem a propriedade do negócio, ainda que consigam vendê-lo, a recuperação dos créditos acaba sendo parcial.

A pressão no caixa das empresas tende a acelerar mais as negociações de conversão de dívida. A partir de agora, quando começa a entressafra da cana-de-açúcar, as usinas endividadas têm pouco estoque (de açúcar e etanol) a vender, o que torna a já baixa geração de caixa ainda mais apertada para arcar, muitas vezes, com compromissos básicos, como o pagamento da folha salarial.

Na semana retrasada, por exemplo, funcionários da usina Catanduva, localizada em São Paulo e uma das principais unidades sucroalcooleiras do GVO, acamparam frente à empresa para reivindicar salários atrasados. Fornecedores de cana também têm parcelas em atraso a receber do grupo.

Pressão no caixa das empresas tende a acelerar mais as negociações de conversão de dívida

A conversão de dívida em ações foi a saída dos credores da Aralco para resolver a situação da companhia, com débitos estimados em R$ 1,2 bilhão. A empresa pediu recuperação judicial em abril de 2014, menos de um ano depois de emitir bonds de US$ 250 milhões para alongar dívidas. Em novembro passado, os credores aprovaram o plano de conversão de 60% da dívida em participação acionária. O prazo dessa conversão é de 15 anos, portanto, se antes disso as usinas do grupo (transformadas em Unidades Produtivas Independentes) forem vendidas, os credores podem usar os recursos para recuperar seus créditos.

Um dos primeiros casos do setor a adotar esse tipo de solução foi o do Grupo Baldin, que detinha duas usinas de cana-de-açúcar em São Paulo. No primeiro trimestre de 2013, os credores do grupo, já dentro de um processo de recuperação judicial, converteram dívidas de R$ 500 milhões em 80% do capital social da empresa. Com isso, os fundadores da empresa ficaram com uma participação minoritária no negócio. O plano, apesar de aprovado em assembleia de credores, foi contestado na Justiça e sofreu alguns ajustes, mas se manteve o formato da conversão de ações em equity.

As usinas que não conseguiram partir para essa modalidade estão apelando para outros recursos. O grupo Unialco, com operações em São Paulo e em Mato Grosso do Sul, há um ano costura um acordo com credores, e está prestes a fechar um acordo por meio do qual entregaria suas duas unidades aos credores, a maior parte bancos, que têm a receber R$ 600 milhões. Os atuais acionistas da empresa devem ficar com as terras onde estão plantadas cana-de-açúcar, cuja propriedade está no nome de membros da família (pessoas físicas). Mesmo esperando para vender as usinas no melhor momento do mercado, os credores, no entanto, devem receber menos do que lhes seria devido.

Com dívidas que superam seu faturamento, as usinas de cana-de-açúcar atravessam uma crise que se arrasta desde 2008 e que deriva de uma combinação de elevados investimentos em aumento de capacidade, contenção dos preços dos combustíveis no país e anos consecutivos de baixos preços do açúcar. Desde então, 80 usinas de cana fecharam as portas no Brasil e 67 entraram em recuperação judicial.

Outras nove unidades, em condições financeiras muito ruins, podem não conseguir retomar as operações na próxima safra, a 2015/16, que começa em abril. "São empresas endividadas e sem produto (etanol e açúcar) para vender a partir de agora até o início da próxima safra, em abril", afirma o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues.

Agrava a situação desses grupos o fato de os bancos estarem relutantes em injetar dinheiro novo neste momento nas companhias alavancadas. "Renovações de crédito estão sendo feitas com novas garantias ou com taxas de juros mais salgadas", afirma o analista da Fitch, Cláudio Miori.

O maior caso de conversão de dívida em ações do setor foi o que sucedeu a compra da Santelisa Vale pela francesa Louis Dreyfus Commodities. Em 2009, quando a aquisição foi feita, a própria Dreyfus avaliou a nova companhia, na época batizada de LDC-SEV e hoje Biosev, em R$ 8 bilhões. Naquela época, os bancos credores da Santelisa converteram parte da dívida em 9% da nova empresa. (Valor Econômico 05/01/2015)

 

Fechamento de usinas de açúcar e álcool afeta economia em SP

Nos últimos seis anos, 58 usinas e destilarias fecharam. A dívida do setor passa de R$ 2 bilhões.

No interior de São Paulo, o fechamento de usinas de açúcar e álcool está afetando profundamente a economia das cidades. Na região de Ribeirão Preto, o repórter João Carlos Borda mostra o motivo.

2014 foi um ano sem muito o que comemorar no setor de açúcar e álcool. No interior de São Paulo, a safra terminou em outubro, 30 dias antes do planejado, por falta de cana para moer.

No país inteiro, a produtividade da colheita caiu 8%, principalmente devido à seca nos estados produtores. Além disso, o setor sofreu com a defasagem do preço do etanol, diretamente ligado ao da gasolina, que foi subsidiado nos últimos anos pelo governo. A aposta na produção de açúcar para tentar compensar as perdas também deu errado.

"A gente aumentou muito a oferta de açúcar e, com isso, deprimiu nossos preços. Para você ter uma ideia, hoje nós vendemos açúcar à metade do preço de quatro anos atrás", diz Antônio Tonielo Filho, diretor de usina.

Nos últimos seis anos, 58 usinas e destilarias fecharam. A dívida do setor passa de R$ 2 bilhões.

"Uma crise sem precedentes. O setor arrastou toda a cadeia produtiva, desde o produtor rural até a prestação de serviços”, explica o economista Marcos Antonio Françóia.

Por falta de pedidos, as metalúrgicas de Sertãozinho, que fornecem equipamentos para as usinas, demitiram cinco mil trabalhadores em 2014. Depois de 20 anos trabalhando com caldeiras, Claudinei Gonçalves de Oliveira perdeu o emprego.

"Não consegui outro emprego, estou fazendo alguns bicos para poder remediar, para poder ajudar a família”, diz o caldeireiro.

O efeito da crise se sente na rua. O comércio de Sertãozinho, que fica no centro da maior região produtora de álcool e açúcar do país, vendeu menos que o esperado no fim do ano.

Lojas vazias, vendedores sem clientes. O empresário Samuel Castro, que tem negócios em sete cidades do interior paulista, diz que o movimento caiu em todos os ramos em que trabalha.

"A gente sentiu o aumento no número de imóveis desocupados. Nas lojas também, hoje, até a semana passada, no fechamento do ano, a gente pode afirmar que está com uma redução de pelo menos 15% nas vendas", conta. (G1 03/01/2014às 22h: 03m)

 

Sinais de melhora nos 'caminhos da cana'

Fava Neves: apesar da melhora do cenário, processo de "depuração" vai continuar.

Ainda que 2015 tenda a ser marcado pela continuidade de um processo de concentração aprofundado pela crise dos últimos anos, o segmento sucroalcooleiro tem hoje mais motivos para acreditar em dias melhores do que no início de 2014. É o que sinaliza o estudo "Caminhos da Cana", recém-concluído pela Markestrat, organização de projetos e pesquisas com sede em Ribeirão Preto, no interior paulista.

"Em razão do cenário econômico complicado, o problema do endividamento das usinas deverá se agravar. O clima continua a ser uma preocupação, mas, mesmo assim, é possível prever o início de uma tendência de recuperação do segmento", afirma Marcos Fava Neves, conselheiro da Markestrat e professor titular da FEA/USP. "Essa recuperação, contudo, não será suficiente para evitar a continuidade de uma dolorosa depuração", diz.

Fava Neves também ressalva que, para se confirmar, esse cenário menos negativo depende da concretização de uma série de medidas e iniciativas que terão de ser adotadas pelos setores público e privado. Ele observa que muitas recomendações consideradas importantes para uma virada positiva continuarão apenas no papel. Todavia, enxerga nas que estão em andamento e em promessas que deverão de fato virar realidade um arcabouço já suficiente para que muitos "players" comecem a contornar problemas financeiros.

Na agenda do setor público, o especialista destaca como fatores positivos praticamente garantidos a volta da cobrança da Cide na gasolina, que confere maior competitividade ao etanol hidratado, e o aumento da mistura de etanol anidro no combustível fóssil, dos atuais 25% para 27,5%. Além disso, destaca o início da aprovação de legislações que tornam obrigatória a divulgação, nas bombas dos postos, que as emissões de CO2 do biocombustível são menores. "Isso já está acontecendo em Olímpia [município paulista] e vai se espalhar".

Fava Neves realça que as leis ambientais têm sido mais respeitadas do que no passado, o que é bom para o segmento. Ele acredita que haverá mais estímulo para a expansão da cogeração de energia e nota que o governo tem fortalecido as linhas de crédito para áreas agrícolas de cana e irrigação, para as quais a demanda tem se mostrado aquecida. Já questões como a melhoria e a simplificação da legislação trabalhista, do sistema tributário e do judiciário, que tanto poderiam beneficiar o segmento, dificilmente se tornarão realidade no curto prazo.

Apesar de o estudo da Markestrat pregar a instituição de um programa oficial de recuperação financeira de usinas, produtores de cana e indústrias de base focadas nesse mercado, Fava Neves também não vê possibilidades reais de isso acontecer. E o especialista é igualmente pessimista quanto a melhorias logísticas, concessões de subsídios ou mesmo em relação à evolução de programas de educação e capacitação.

Na agenda do setor privado; o trabalho; que é focado na região Centro-Sul do país, elege como prioridades medidas como o desenvolvimento de renovação e melhoria nos tratos culturais dos canaviais, aumento da produtividade, melhorias na mecanização, aportes em irrigação e em agricultura de precisão, intensificação de pesquisas em biotecnologia e em etanol de segunda geração (celulósico), modernização de equipamentos de usinas, avanço na gestão e adoção de melhores estratégias comerciais para o etanol. E defende o fortalecimento de associações e cooperativas de fornecedores independentes de cana - que, de acordo com Fava Neves, têm de se firmar como "produtores integrados".

"Há muitos agricultores arrendando suas terras e saindo da atividade, seja por causa de envelhecimento e ausência de sucessores ou em virtude do aumento de custos, de problemas climáticos ou da queda dos preços. Mas a tendência é que os produtores integrados organizados ampliem sua participação no suprimento de cana". De acordo com Fava Neves, os próprios produtores estão cada vez mais conscientes de seu papel e sabem que precisam evoluir em algumas frentes.

Nesse sentido, pesquisa da Markestrat captou entre 548 produtores independentes quais seriam suas seis "ações primordiais". As respostas que mais apareceram foram "melhorar minha produção no campo", "melhorar a gestão do meu negócio", "aumentar minha cultura associativista", "melhorar minha atuação política", "ser ativo na comunicação do setor" e "buscar melhores formas de relacionamento com usinas". Nada exatamente novo, mas medidas que se tornam mais urgentes a cada dia. (Valor Econômico 05/01/2015)

 

Setor sucroenergético aguarda anúncio do aumento da mistura de etanol na gasolina

Caso o aumento para 27,5% seja confirmado, produtores precisam planejar a safra para manter os estoques.

Para 2015, a esperança é que o governo amenize a crise anunciando o aumento da mistura do etanol na gasolina.

Endividamento, aumento no custo de produção, redução de área e queda na produtividade provocada pela estiagem. Esse foi o cenário do setor sucroenergético em 2014. A dívida do setor é de R$ 77 bilhões, 10% a mais do que o faturamento estimado para essa safra. Dados da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) apontam que pelo menos 30 das 375 usinas em operação devem paralisar as atividades na próxima safra. O setor vive o pior cenário da história.

A a gente não sabe o que fazer. O não sobe há quatro anos, os insumos sobem todo ano, o carreto sobe todo ano. A gente não tem uma luz no fim do túnel – diz o produtor rural Celso Galvão.

Além das condições desfavoráveis do mercado, a estiagem prolongada trouxe queda de 30 milhões de toneladas nas lavouras da região Centro-Sul. A redução foi de mais de R$ 3 bilhões no faturamento e o aumento do custo de produção foi superior à média de produtividade de ATR por tonelada.

Com o cenário adverso, muitos produtores reduziram a produção. No estado de São Paulo, a área plantada diminuiu 0,4% em comparação com 2013, fato que não acontecia desde 2008.

O preço já vem defasado de 2011, com recuo de mais de 20%. Agora, com essa falta de chuva, nós tivemos mais 33% de queda na produção nos 33 municípios que a cooperativa de Capivari abrange – relata o produtor Antônio Carlos.

Até nos estados em que o clima ajudou, o cenário continua negativo. Em Alagoas, 40% do parque industriam está em recuperação judicial.

A situação ruim se reflete em toda a cadeia produtiva do setor. Segundo dados do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise), a receita das empresas nesse ano diminuiu 50%. além disso, de janeiro a outubro foram realizadas cerca de 2.500 demissões no setor.

A tendência para os próximos anos é que as indústrias de base diversifiquem a produção para diminuir a dependência do setor sucroenergético. A necessidade de se obter uma matriz energética limpa faz com que a biomassa seja um dos principais alvos dos empresários.

Isso custa caro. Quando você muda seu segmento, precisa mudar toda a mão de obra e ter nova tecnologia. Nessa época de crise, o pessoal não tem muita condição de fazer isso, mas é uma tendência, sim – aponta o presidente do Ceise, Antônio Eduardo Filho.

Para 2015, o setor espera que as políticas do governo federal incentivem a retomada de crescimento. Entre as medidas está o aumento na mistura de etanol a gasolina de 25% para 27,5%. De acordo com a presidente da Unica, Elizabeth Farina, no dia 02 de fevereiro a entidade terá uma reunião com o ministro da Casa Civil para tratar deste aumento.

A gente espera o aumento seja anunciado até antes do dia 2, porque as usinas precisam planejar o destinado da safra. A Agência Nacional de Petróleo exige estoques nos distribuidores que precisam ser equacionados com uma mistura maior. Existe uma série de providência que precisam ser tomadas e isto exige um anúncio o mais rápido possível – aponta Farina. (Canal Rural 02/01/2015 às 20h: 03m)

 

Os cenários para a cana em 2015 - Marcos Fava Neves

O ano de 2014 termina como sendo provavelmente o pior para o setor de cana. Parece que todas as forças jogaram de maneira contrária, e não tivemos grandes notícias, a não ser no mercado da eletricidade, que ajudou no caixa das usinas. De resto, só pancada.

Os pontos de preocupação para 2015 são diversos. Começo pelo preço do petróleo: qual é o piso? Se ele continuar a cair, jogará grande pressão sobre as margens do etanol. Teremos também crescimento zero e desemprego forte no Brasil, atrapalhando o crescimento dos mercados consumidores.

A safra de cana será do mesmo tamanho, pois no geral tivemos menor renovação de canaviais e os efeitos do clima de 2014 nos levarão a uma produtividade igual ou menor.

O custo de produção continua elevado em 2015, pois não se esperam grandes ações de redução dos gargalos do custo Brasil. Existem riscos da tentativa de volta de outros impostos (CPMF), que afetam os custos do setor.

Teremos juros mais elevados e maiores riscos de refinanciamento (rebaixamento de ratings), trazendo aumento do endividamento e de casos de recuperação judicial. Fora isso, a entressafra longa traz mais risco para as empresas descapitalizadas (afetando o mercado por abaixar desnecessariamente os preços).

Para concluir, o desânimo e desconfiança generalizados no Brasil afetam negativamente o investimento; temos ainda o efeito Petrobras e o “dominó estatal”, ou seja, todo esse mar de lama na Petrobras vai paralisar o governo, e isso é apenas o começo de um período tenebroso em nossa história.

Apesar do grande volume de preocupações, existem pontos favoráveis para 2015. Deve finalmente aumentar a mistura do anidro na gasolina, para 27,5% (provavelmente iniciando em março de 2015). Aliado a isso, a provável volta da incidência da Cide na gasolina, pela necessidade de arrecadação por parte do governo, pode levar a um balanço mais favorável de preços e margens e aumento no consumo de hidratado. Uma safra mais “etanoleira” interfere favoravelmente nos preços internacionais do açúcar, sendo duplamente benéfica ao setor.

Os baixos preços do açúcar nos últimos anos desestimularam a produção em alguns locais no mundo. Com isso, começam a cair os estoques mundiais de açúcar e, como o consumo continua crescendo (1,5% a 2%), podemos entrar em fase de melhores preços.

Com o aumento do desemprego, devem cair os preços de mão de obra no setor. Fora este fato, teremos cada vez mais os efeitos do processo de “seleção”, ou seja, anos difíceis fizeram com que muitos deixassem a atividade, e os consolidadores são os mais eficientes e capitalizados (sem desconsiderar os graves problemas sociais ligados a essa saída da atividade).

Existem boas perspectivas na cogeração em 2015 e a taxa de câmbio deve ficar entre US$ 2,50 e US$ 2,80, ajudando nas margens dos produtos exportados pela cadeia produtiva. Será também um ano de mais trabalho, com a ausência de Copa e das eleições, que paralisaram a produção no Brasil em parte de 2014.

Enfim, meu balanço desses fatos todos me leva a crer que, para quem tem boa produtividade agrícola (usinas e produtores de cana) e baixo endividamento, 2015 será um ano razoavelmente melhor (Marcos Fava Neves é professor titular de Estratégia na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto.

 

Taxa de juros do Moderfrota é mantida até junho de 2015

As taxas de juros para financiamento do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) vão permanecer inalteradas até junho de 2015. A decisão foi tomada em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN) realizada nesta terça-feira (30).

Com a decisão, será mantida em 4,5% a.a e 6,0% a.a as taxas efetivas de juros, respectivamente, para o produtor rural cuja renda anual é de até R$ 90 milhões e superior a R$ 90 milhões. Os prazos de reembolso mantiveram-se em até 8 anos para aquisição de itens novos e em até 4 anos para os usados.

Para o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller, a permanência das taxas de juros é um compromisso assumido com a presidenta da República, Dilma Rousseff, por ocasião do anúncio do Plano Agrícola e Pecuário 2014/2015, e vai beneficiar o agricultor nos próximos meses. “O momento para a compra de equipamentos é agora no início de 2015, quando começa nova safra. Assim, o produtor rural vai contar com condições especiais de financiamento para modernizar a frota de tratores e colheitadeiras”.

Segundo o secretário interino de Política Agrícola, Wilson Vaz de Araújo, a manutenção dos juros traz mais segurança ao produtor, que poderá, com maior facilidade de pagamento, modernizar a frota agrícola. “A decisão assegura os recursos para o financiamento do Moderfrota com juros mais baixos que outros programas, proporcionando para o agricultor a possibilidade de renovação das máquinas”, disse.

Com o Moderfrota, o agricultor pode financiar a compra de itens novos, entre eles, tratores e implementos associados, colheitadeiras e suas plataformas de corte, além de equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de café. É possível financiar ainda a compra de itens usados como tratores e colheitadeiras com idade máxima de 8 e 10 anos, respectivamente, pulverizadores autopropelidos e plantadeiras e semeadoras, com idade máxima de 5 anos.

O limite de crédito é de  90% do valor dos bens objeto do financiamento, sendo que, para produtores que são beneficiários do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o limite será  de 100%. (Mapa 02/01/2015 às 17h: 48m)

 

Composição da carteira encolhe em 2015

A terceira prévia para a carteira do Ibovespa, que irá vigorar a partir de hoje até 30 abril, confirmou encolhimento na composição do índice, com o total de papéis listados passando de 70 para 68 ativos. Na nova versão, papéis da Rossi Residencial, da Cosan Log e das preferenciais da Eletropaulo foram excluídos. Já os papéis da administradora de shopping centers Multiplan tiveram a entrada confirmada. (Reuters 05/01/2015)

 

Indústria de máquinas agrícolas começa 2015 cautelosa

Produtores iniciam ano com mais cautela para compra de máquinas agrícolas.

Os preços mais baixos das commodities e as taxas de juros para financiamentos deixam a indústria de máquinas agrícolas cautelosa em relação ao desempenho do setor em 2015.

O interesse em investir se mantém, principalmente pela necessidade de aumento de produtividade, mas o ritmo da renovação do maquinário tende a cair, segundo representantes do setor.

Não se espera que os produtores parem de comprar, apenas cautela nas decisões – resumiu o coordenador econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Renato Conchon.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) só deve divulgar em janeiro sua estimativa para as vendas em 2014, já considerando que os últimos meses não foram tão positivos quanto a entidade previa no começo do ano. A projeção era de crescimento de 1,1% nas vendas no ano passado, para 84 mil unidades, ante as 82.992 máquinas vendidas no ano anterior, o recorde do setor. Mas até novembro o número não passava de 64.360 máquinas e a avaliação é de que dezembro não traria volume a ponto de alterar muito o resultado.

A expectativa é de vendas ainda abaixo de 70 mil unidades em 2014, resultado próximo ao de 2012. A Tendências Consultoria, por exemplo, trabalha com uma queda de 14,9% nas vendas no ano que terminou, e estabilidade em 2015.

Ao longo de 2014 a indústria reclamou do atraso na regulamentação do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que ocorreu apenas no fim de janeiro passado, retardando o fechamento dos negócios com máquinas. Para 2015, foi confirmada em 19 de dezembro a manutenção da linha de crédito, mas a taxas mais altas e prazo de pagamento e total financiável menor. Os juros no financiamento de máquinas agrícolas serão de 7% a 9,5%, ante os 4,5% a 6% até o fim de 2014.

No início de dezembro a vice-presidente da Anfavea, Ana Helena de Andrade, amenizava o possível impacto que a demora na definição do PSI poderia ter sobre as vendas de máquinas. Ela destacou o fato de que há agora o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), retomado no último Plano Safra, que assegura linha de financiamento em todo o período 2014/15 e não apenas no ano civil, caso do PSI.

Não teremos uma crise de transição. É um cenário diferente do ano passado – afirmou.

O governo manteve as taxas de juros do Moderfrota em 4,5% a 6% até o fim do ano safra atual, em 30 de junho de 2015.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) assegurou a taxa de 4,5% ao ano e 6,0% ao ano, respectivamente, para o produtor rural cuja renda anual é de até R$ 90 milhões e superior a R$ 90 milhões. Os prazos de reembolso mantiveram-se em até oito anos para aquisição de itens novos e em até quatro anos para os usados.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), por outro lado, ainda teme o efeito do esperado ajuste nos juros das linhas de financiamento. No começo de dezembro, o vice-presidente da entidade, João Carlos Marchesan, afirmou esperar um "solavanco" nas vendas com o aumento do custo do crédito.

Apesar da preocupação com o custo do financiamento, Marchesan acredita que o movimento de renovação do maquinário persiste, lembrando que a frota tem 15 anos, em média. Segundo ele, dadas a necessidade de produtividade, de adoção de novas tecnologias e a agricultura de precisão, o ideal seria que a máquina no campo tivesse idade média de cinco a seis anos. (Canal Rural 02/01/2015 às 15h: 39m)

 

Do projeto só restou o nome

O desejo de levar o etanol para a aviação motivou os empresários Omar Pugliesi e James Waterhouse a criar a Aeroálcool, em 2001, em Franca (SP). A dupla de engenheiros aeronáuticos começou a estudar o tema ainda na faculdade, na USP São Carlos. Mas o sonho de ter uma fabricante de aviões a álcool ficou no papel. A Aeroálcool abandonou o projeto dois anos depois, por falta de recursos. “Viabilizar o uso do álcool na aviação era uma bandeira da empresa. O Brasil poderia exportar essa tecnologia”, diz Pugliesi. Hoje, a Embraer fabrica um avião agrícola a álcool.

A Aeroálcool seguiu ativa, emprega 20 pessoas e fatura cerca de R$ 3 milhões ao ano com projetos aeronáuticos. A empresa faz túneis de vento para universidades, veículos aéreos não tripulados, forneceu peças para o satélite sino-brasileiro CBERS e vende um modelo próprio de avião, o Quasar. O avião da Aeroálcool tem duas versões, ambas movidas a gasolina. A mais barata custa a partir de R$ 260 mil. O primeiro exemplar fez seu voo inaugural em 2006 e começou a ser produzido comercialmente em 2008. Desde então, 53 Quasar saíram dos galpões da Aeroálcool. (O Estado de São Paulo 05/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Influência do dólar: As cotações do açúcar demerara enfrentaram forte queda na bolsa de Nova York no primeiro pregão de 2015. Os papéis para maio fecharam em baixa de 35 pontos na sexta-feira, a 14,57 centavos de dólar por libra peso. O dólar operou em alta ante o real, o que voltou a exercer forte pressão sobre as cotações da commodity, estimulando a oferta brasileira de açúcar no mercado. Colabora para o ambiente baixista a queda do petróleo. O cenário estimulou os poucos traders que negociaram contratos de açúcar a liquidar posições antes do fim de semana. Do lado dos fundamentos, o excesso de estoques da commodity continua a contribuir para a queda das cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos ficou a R$ 52,05 recuo marginal de 0,12%.

Café: Recuo técnico: Os contratos futuros do café fecharam com forte desvalorização na sexta-feira na bolsa de Nova York sob pressão de vendas técnicas e da alta do dólar. Os contratos do grão arábica com vencimento em maio recuaram 555 pontos, a US$ 1,6375 a libra-peso. A moeda americana ganhou força após a divulgação de um conjunto de indicadores econômicos positivos dos Estados Unidos, exercendo pressão sobre todas as commodities agrícolas. A maior parte do movimento, porém, foi ditada por vendas técnicas, dos poucos traders que negociaram no dia e que buscaram embolsar os lucros registrados na sessão anterior, de quarta-feira. A bolsa não operou na quinta. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica caiu 0,78%, para R$ 450,59 a saca.

Soja: Freio nas vendas: A redução no ritmo das vendas de soja dos Estados Unidos contribuiu para a baixa nos preços da oleaginosa na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em março fecharam com recuo de 16 centavos na sexta-feira, cotados a US$ 10,0750 por bushel. Boletim divulgado pelo Departamento de Agricultura americano (USDA) indicou que o volume de soja acertado para exportação caiu 25% ante a média das quatro semanas anteriores, apesar da elevação de 6% frente à semana anterior. O dado contribuiu para acentuar o movimento de baixa, que já vinha sendo ditado pela alta do dólar ante diversas moedas emergentes. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a oleaginosa em Paranaguá manteve-se estável ante o dia 30, a R$ 61,17 a saca.

Trigo: Poucas negociações: As cotações do trigo caíram na sexta-feira na bolsa de Chicago, em uma sessão marcada pelo baixo volume de negociações e liquidações técnicas. Os lotes do cereal com entrega em maio encerraram o dia em queda de 7,75 centavos, a US$ 5,8675 por bushel. Para analistas, a restrição da oferta russa já está precificada e o frio nos Estados Unidos ainda não causou nenhum dano às lavouras de trigo. Assim, os traders ignoraram os alertas do Serviço Climático Nacional americano, que sinalizaram fortes tempestades de inverno nas Grandes Planícies do país, onde se concentra o cultivo do cereal. No mercado doméstico, o preço médio do produto no Paraná calculado Cepea/Esalq ficou em R$ 544,49 a tonelada, um recuo de apenas 0,01% ante o dia 30 de dezembro. (Valor Econômico 05/01/2015)