Setor sucroenergético

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Noble Group enterra cada vez mais dinheiro no Brasil

O Noble Group, de Hong Kong, tornou-se uma máquina de esfarelar dinheiro no Brasil.

Erros estratégicos e investimentos desastrosos, somados à erosão dos preços das commodities agrícolas e minerais, lançaram o grupo asiático em uma espiral de prejuízos no país.

As perdas acumuladas nos últimos dois anos já seriam da ordem de R$ 1,5 bilhão.

Parte expressiva dessa conta vem do setor sucroalcooleiro.

As quatro usinas de açúcar e etanol do Noble Group em São Paulo têm operado com seguidos resultados negativos.

Na área de grãos, o principal negócio da companhia, o cenário é igualmente desolador.

Entre janeiro e setembro de 2014, o volume de embarques teria recuado 30% na comparação com o mesmo período no ano anterior.

O faturamento, por sua vez, girou em torno de US$ 1,5 bilhão, queda de 20%.

A tendência é que estas cifras piorem em 2015. O preço da soja atingiu o menor patamar desde 2010, pressionado, sobretudo, pelo boom nos estoques mundiais - só a produção norte-americana cresceu 20% na última safra.

No caso específico do Brasil, o buraco nas finanças do Noble Group vai além do inexorável impacto causado pela depreciação das commodities.

Entram nesta conta as equivocadas decisões de investimento no país, que, dentro da própria companhia, são, em grande parte, atribuídas à gestão do brasileiro Ricardo Leiman - o executivo ocupou o cargo de CEO mundial do grupo entre 2009 e 2011.

Um exemplo é a compra das duas usinas de açúcar e álcool do Grupo Cerradinho em Catanduva e Potirendaba, no interior de São Paulo.

Em 2010, na ânsia de montar uma base de produção de etanol no país e temeroso de perder a disputa com a BP e a Cosan, também candidatas ao negócio, o Noble Group desembolsou cerca de US$ 1 bilhão.

Além de um caminhão de dívidas, herdou duas usinas com sérios problemas operacionais, que exigiram um investimento de US$ 400 milhões, dinheiro que os asiáticos não devem recuperar tão cedo.

Se isto serve de consolo, recentemente o Noble Group vendeu para a chinesa Cofco uma participação de 51% da Noble Agri, que reúne suas operações no agronegócio, inclusive na área sucroalcooleira.

Ao menos terá com quem dividir os prejuízos nos canaviais brasileiros.

Outro caso que ilustra a vocação do Noble Group para torrar dinheiro no Brasil envolve a compra de 30% da Mhag, dona de jazidas de minério de ferro no Rio Grande do Norte.

O valor incinerado nem foi tão grande assim: cerca de US$ 60 milhões.

No entanto, os asiáticos compraram cascalho por minério.

Os planos da mineradora potiguar de produzir dois milhões de toneladas por ano jamais saíram do papel.

Os investimentos anunciados na área de logística, idem.

Hoje, a Mhag praticamente suspendeu suas operações e, diretamente, mantém apenas oito empregados. (Jornal Relatório Reservado 06/01/2015)

 

Açúcar: Elevação em NY

Na contramão dos fundamentos e dos fatores externos, os preços do açúcar fecharam no campo positivo ontem na bolsa de Nova York, resultado do retorno de investidores e fundos ao mercado após as festas de fim de ano.

Os contratos do açúcar demerara para entrega em maio fecharam com alta de 6 pontos, a 14,63 centavos de dólar a libra-peso.

Os analistas não acreditam que esse movimento se sustente nos próximos dias, já que o dólar continua em alta ante o real, favorecendo a oferta do açúcar brasileiro no mercado, o petróleo segue em queda, e a oferta dos principais países produtores tem sido elevada.

Na Índia, a produção de 1 de outubro a 31 de dezembro cresceu 27%.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,38%, para R$ 51,85 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 06/01/2015)

 

Açúcar deve se recuperar no 2º semestre, prevê INTL FCStone

A INTL FCStone prevê que os preços internacionais do açúcar iniciarão movimento de recuperação neste ano na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). De acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira, 5, pela consultoria, a perspectiva de um déficit de 2,8 milhões de toneladas tende a impulsionar as cotações da commodity, em especial no segundo semestre, para quando é esperado um aperto nos estoques globais por conta de produção menor no Brasil e na Tailândia.

A tendência de valorização somente no final do ano também deve-se ao enfraquecimento do petróleo e ao fortalecimento do dólar ante as moedas emergentes. Para a FCStone, a divisa pode bater nos R$ 2,80 ainda no primeiro semestre e ficará 2015 todo em patamares acima dos de 2014. Isso porque, além da economia nacional patinando, há sinais de desacelaração também na China e de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, poderá elevar a taxa de juros de seus títulos.

A FCStone acrescenta que, nos últimos meses de 2015, também estarão claras quais as medidas de apoio ao etanol tomadas pelo governo brasileiro. A consultoria avalia que o ano não será novamente dos melhores para o setor sucroenergético. Com a economia enfraquecida, o crescimento da demanda pelo biocombustível é afetado. Externamente, os EUA deverão mais uma vez importar pouco etanol, já que a produção local é ampla.

Para a FCStone, de positivo apenas a possibilidade de volta da cobrança da Cide sobre a gasolina, do quase certo aumento da mistura de anidro no combustível fóssil (de 25% para 27% ou 27,5%) e da já definida redução do ICMS sobre o hidratado em Minas Gerais, de 19% para 14%. (Agência Estado 05/01/2015)

 

Cogeração garante caixa às usinas da Cargill

"Teremos, juntamente com nossos parceiros, o primeiro Ebitda positivo da operação sucroalcooleira", diz Andrade.

Por muito tempo, a americana Cargill, que fatura por ano US$ 135 bilhões no mundo, foi considerada conservadora nos seus aportes em açúcar e etanol no Brasil - até 2008 a bola da vez na estratégia de muitas companhias. Mas, passados cinco anos do "boom" do biocombustível no país, a múlti não se arrepende de ter caminhado com prudência. A crise de crédito mundial, associada às políticas internas de controle do preço dos combustíveis, às cotações baixas do açúcar e a problemas climáticos, criou um ambiente altamente desfavorável para os grandes players do setor.

Em cerca de cinco anos, a Cargill investiu aproximadamente US$ 500 milhões nesse negócio no Brasil, considerando aquisições, investimentos e assunção de dívida. Em 2015/16, vai completar sua "primeira etapa" no setor ao atingir a moagem de 10 milhões de toneladas de cana nas três usinas que administra com parceiros nacionais.

As dimensões estão muito aquém das alcançadas pelas suas concorrentes, como a francesa Louis Dreyfus e a também americana Bunge, que investiram pesado nos últimos anos para deter, respectivamente, 40 milhões e 20 milhões de toneladas de capacidade de moagem no país.

Mas tamanho não é o mais importante, na visão do diretor de Açúcar e Etanol da Cargill no Brasil, Marcelo Andrade. "Devagar e sempre. Estamos chegando lá", brinca. A companhia, com sede em Mineápolis (EUA), não divulga o balanço detalhado de suas operações, mas Andrade afirma que, já no ciclo 2014/15, que se encerra em 31 de março, o negócio vai gerar lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 50 por tonelada de cana processada. "O fluxo de caixa livre também será positivo", assegura Andrade, sem revelar o montante.

A venda de energia elétrica garantiu o resultado do segmento na Cargill, num ciclo em que o açúcar ficou abaixo do custo operacional [e financeiro] e o etanol ficou no "zero a zero", nas palavras do executivo.

A partir de biomassa própria (bagaço e palha de cana) e de terceiros, a americana conseguiu cogerar 575 mil megawatts/hora (MW/h) de eletricidade nas três unidades em 2014/15, 23% acima das 465 mil MW/h do ciclo anterior.

A estratégia, no entanto, fez com que, num momento de pico, o custo por MW/h produzido atingisse R$ 350. "Mas o teto do PLD [Preço de Liquidação das Diferenças, usado como referência para o preço da energia no mercado spot] estava acima de R$ 800. É o tipo de operação que não vamos repetir em 2015, agora que essa referência caiu a R$ 388".

Mesmo com o encolhimento da cogeração, Andrade está mais otimista para 2015. Metade da produção de açúcar da empresa para entrega em 2015/16 está fixada com hedge médio de R$ 1 mil por tonelada, ante R$ 930 da safra 2014/15.

Para o etanol, o cenário ainda é nebuloso, apesar dos sinais positivos. "Tudo vai depender das cotações do petróleo, e da decisão do governo em relação à Cide e à mistura do anidro na gasolina", diz.

Egresso da indústria de amidos, Andrade viaja toda semana para Goiás para acompanhar de perto a operação das duas unidades canavieiras da SJC Bioenergia, joint venture com o grupo USJ, seu parceiro com 50%.

Do total de 9,2 milhões de toneladas de cana processadas em 2014/15 nas três usinas na qual a americana tem participação, 6,9 milhões foram nas unidades goianas. O restante foi na Cevasa, de Patrocínio Paulista (SP), na qual a Cargill detém 63% do capital e é sócia da Canagrill, uma sociedade local de produtores de cana, que detém os 37% restantes.

O executivo orgulha-se dos ganhos de eficiência que a companhia e suas parceiras vêm alcançando. Atualmente, as plantas operam com 37% menos funcionários do que há alguns anos e a produtividade das máquinas de colheita também cresce. "Cada máquina está colhendo 600 toneladas de cana por dia, ante a média do setor de 450 toneladas".

A segunda etapa dos investimentos da americana em cana-de-açúcar no Brasil prevê dobrar a capacidade de moagem para 20 milhões de toneladas. Mas, por ora, nenhuma decisão será tomada, até que as políticas do país para o etanol e a bioeletricidade sejam definidas, pondera Andrade. O único projeto de expansão que a multinacional está tocando nessa área é o da implantação de uma planta para processar milho na unidade de Goiás, sobre o qual a empresa ainda não revela detalhes.

De qualquer forma, quando a Cargill bater o martelo, os primeiros movimentos devem se concentrar nas duas usinas da SJC Bioenergia que foram projetadas para ser ampliadas a uma capacidade conjunta de até 12,5 milhões de toneladas. Atualmente, elas somam estrutura para moer 7,5 milhões de toneladas. (Valor Econômico 06/01/2015)

 

Agronegócio prevê participação menor na balança comercial

Apesar da expectativa de safra recorde, contribuição deverá cair em torno de 3% pela queda das exportações.

A Sociedade Nacional da Agricultura (SNA) prevê que a contribuição do agronegócio para a balança comercial brasileira, apesar da expectativa de safra recorde superior a 200 milhões de toneladas no período 2014/2015, deverá cair em torno de 3% em 2015, em relação a 2014. O motivo é a queda das exportações. "Existem indicações de queda ou estagnação das exportações do setor, com retração dos preços médios dos produtos exportados. A equação pressupõe, ainda, que a produção brasileira de grãos seguirá a trajetória antecipada pelos primeiros levantamentos de safra", ressalta comunicado da SNA. As projeções indicam que o valor das exportações do setor deve cair em torno de 3%, na comparação com 2014, para próximo de US$ 99,03 bilhões, quase 1% abaixo do resultado anterior, quando o agronegócio exportou US$ 99,96 bilhões.

"Provavelmente, teremos um pouco menos de exportações de soja e milho, em receita, e um pouco mais de carnes e café", avalia o diretor da SNA, Hélio Sirimarco. Para a entidade, a soja será o produto que terá melhor desempenho na próxima safra com um total de 95 milhões de toneladas, o que significa um crescimento de 10% em relação à safra anterior, explica Sirimarco. "Podemos esperar um novo recorde de exportação, com algo próximo a 63,2 milhões de toneladas, das quais a soja em grão responderá por 48 milhões de toneladas, contra 46 milhões esperados para 2014", segundo previsão da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove).

Também para as carnes, as perspectivas permanecem positivas, o que não deverá ocorrer em relação à celulose, ante a expectativa de excedente de oferta, principalmente diante do baixo desempenho econômico e financeiro da economia europeia. A SNA espera bom desempenho no volume de exportação da carne bovina, principalmente diante de problemas de oferta enfrentados pelos principais concorrentes brasileiros, afetados por questões sanitárias e dificuldades climáticas. Para o setor avícola, a Associação Brasileira de Proteína Animal (Abpa) acredita numa expansão de 3%a 4%nos volumes exportados em 2015. "Será um ano positivo, mas não como em 2014", prevê o diretor da SNA. Ele acrescenta que o desempenho das exportações do setor poderá ser potencializado pela crescente demanda por material genético produzido no país e pela multiplicação de episódios de gripe aviária.

O algodão e o milho são produtos que sofrerão queda na produção, por causa da redução na área plantada, como explicou o presidente da SNA, Antonio Alvarenga. "Os produtores reduziram a área plantada em consequência da queda nas cotações internacionais desses produtos, o que significa menor rentabilidade para o produtor". Quanto à safra de café, Alvarenga antecipa uma significativa queda de produção, em decorrência do longo período de estiagem em 2014. "Em algumas regiões, a redução pode atingir 20% em relação ao ano anterior", ressalta. Já a cana-de-açúcar deve sofrer uma redução de 4% em relação ao ano anterior, "tendo em vista a estiagem e a grave crise que o setor atravessa", avaliou. (Brasil Econômico 06/01/2015)

 

Brasil registra o primeiro deficit comercial desde 2000

Importações superaram exportações em US$ 3,93 bilhões em 2014; resultado foi o pior desde 1998, quando o rombo ficou em US$ 6 bi.

O Brasil fechou 2014 com um deficit comercial de US$ 3,93 bilhões. Essa é a primeira vez, desde 2000, em que o país encerra o ano com o resultado das importações superando o das exportações.

Em 2014, as exportações somaram US$ 225,1 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 229 bilhões.

Os números foram divulgados nesta segunda-feira (5) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e são os piores desde 1998, quando o deficit foi de US$ 6,6 bilhões.

Ao longo de todo o ano o governo evitou admitir que a balança poderia fechar com deficit, mesmo com acúmulo bilionário de resultados negativos. Apenas ao consolidar os resultados de novembro, quando foi registrado deficit de US$ 2,4 bilhões, o governo se viu forçado a revisar suas expectativas --o resultado foi o pior para novembro dos últimos 20 anos.

Entre as justificativas para o mau desempenho da balança estão a lenta recuperação da economia global, a recessão na Argentina --forte parceiro comercial do Brasil-- e as elevadas importações de petróleo e de derivados.

Houve retração nas vendas de manufaturados (-13,7%), semimanufaturados (-4,8%) e de produtos básicos (-3,1%).

Na lista de manufaturados são considerados, por exemplo, automóveis, plataformas de petróleo, açúcar refinado, motores para veículos e aviões --todos fecharam o ano com queda nas vendas.

Para semimanufaturados considera-se, por exemplo, a exportação de alumínio, óleo de soja, cobre, e ferro fundido, também com resultado inferior ao de 2013.

Da mesma forma, em produtos básicos entram grãos, fumo em folhas e carne de frango, que também tiveram redução nas exportações.

As transações comerciais em dezembro, por outro lado, apresentaram saldo positivo de US$ 293 milhões. (Folha de São Paulo 06/01/2015)

 

Vaivém das commodities

Soja supera minério de ferro e lidera exportações do país em 2014.

Pela primeira vez desde 2009, a soja superou o minério e liderou as exportações da balança comercial.

Enquanto o complexo soja (grãos, farelo é óleo bruto) obteve US$ 31,3 bilhões em 2014, as exportações de minério de ferro renderam US$ 25,8 bilhões no período.

Mesmo com a liderança da soja, o agronegócio não conseguiu impedir o primeiro deficit comercial desde 2000.

Se açúcar em bruto e milho não tivessem exportado US$ 4,2 bilhões a menos em 2014, o país teria evitado o deficit, que foi de US$ 3,9 bilhões.

O grande desempenho da balança foi o café em grão, que rendeu US$ 6 bilhões para o país, um valor financeiro 30% superior ao de 2013.

Problemas climáticos na safra brasileira, o maior produtor mundial, e oferta escassa em outros países produtores puxaram os preços do café para cima.

O cenário favorável às exportações de café pelo Brasil permitiu ao país colocar o recorde de 36 milhões de sacas no mercado externo.

A Colômbia, segunda maior produtora de café arábica, começa a se recuperar, mas as incertezas sobre a próxima safra brasileira podem ainda manter os preços aquecidos neste ano.

O principal destaque negativo no ano foi o do milho, cujas receitas recuaram 38%, segundo apontam os dados do Ministério do Desenvolvimento para o período.

Após o recorde de 26,6 milhões de toneladas que saíram das fronteiras brasileiras em 2013, o pais conseguiu exportar 20,6 milhões em 2014. Apesar da queda, esse volume ainda é superior ao da média dos anos anteriores.

Neste ano, um período de grandes estoques de milho, o país ainda terá dificuldades para exportar o cereal.

Os EUA voltaram a ocupar o espaço que tinham perdido com a queda de produção há dois anos, e os estoques mundiais estão elevados.

CARNES

O ano de 2014 foi bom também para as carnes. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, que consideram as exportações do produto "in natura", apontam para vendas de US$ 14,2 bilhões. Mas o setor deverá obter vendas totais recordes de US$ 17 bilhões.

O destaque no setor foi para a carne suína, cujas exportações renderam US$ 1,45 bilhão, 18% mais do que em 2013. O apetite russo elevou o preço no setor, gerando mais divisas.

Os preços deverão se manter aquecidos porque um dos poucos mercados disponíveis para os russos é o Brasil, após os atritos da Rússia com os países desenvolvidos, devido à crise na Ucrânia.

O Brasil melhorou também as receitas com as exportações de carne bovina a frango teve pequena queda.

No caso da carne bovina, os preços internos e externos também deverão permanecer aquecidos neste ano. O Brasil é o país que está em melhores condições de fornecer proteínas ao mercado mundial, diante da redução de rebanho nos outros países.

O mercado interno de ontem reflete bem essa situação. A arroba do boi voltou a subir e está em R$ 145 em São Paulo. Há um ano estava em R$ 117, e, em 2013, em R$ 97.

Açúcar

Uma das principais perdas de receitas do país foi com o açúcar em bruto, cujas exportações recuaram para 25 milhões de toneladas, 9% menos do que no ano anterior.

A oferta menor de açúcar no mercado internacional neste ano, inclusive por parte do Brasil, deverá impedir novas quedas nos preços do produto.

O cenário para as exportações do agronegócio vai sofrer uma deterioração neste ano, devido a demandas menores e reduções de preços. Só a soja, o carro-chefe do setor, poderá perder US$ 8 bilhões em receitas.

O setor de minério, devido à queda internacional dos preços, registrou recuo de 21% no ano passado e não há perspectivas de melhora. Já as vendas de petróleo, agora que começam a se recuperar, vão enfrentar preços baixos no mercado internacional. (Folha de São Paulo 06/01/2015)

 

Dilma liberou R$ 187 milhões para pagamento da subvenção da cana no Nordeste

Um dia antes da posse do segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff publicou a medida provisória (MP) 666/14, concedendo crédito financeiro extraordinário para diversos fins, dentre eles o pagamento de R$ 178 milhões em subvenção econômica para os fornecedores de cana-de-açúcar nordestinos e cariocas, em atendimento a Lei 12.999/2014.

Cerca de 30 mil canavieiros serão beneficiados com a iniciativa.

As usinas produtoras de etanol no Nordeste também foram beneficiadas com a ação, através da liberação de R$ 435 milhões, atendendo a Lei 13.000/14.

Na próxima quarta-feira (7), os dirigentes da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), entidade representativa da classe canavieira da região, estarão em Brasília, na Casa Civil, com o objetivo de pleitear a publicação imediata do Decreto Presidencial, regulamentando a lei que autoriza a subvenção.

O setor aguarda a publicação desde o mês de julho do ano passado. “O mais difícil era a fonte de recurso”, garante Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida.

O dirigente justifica que o texto do decreto já foi elaborado com vários membros de setores do governo e do setor sucroenergético, faltando apenas a assinatura da presidente Dilma.

Após a publicação do decreto, o pagamento já começa a ser efetuado aos beneficiados, porque a fonte de recurso foi autorizada por meio de medida provisória (666/14) do governo, que já tem força de lei, mesmo enquanto tramita no Congresso Nacional. Cada produtor recebe R$ 12 por tonelada de cana fornecida às usinas na safra 2012-2013, limitada a 10 mil ton.

Outra razão para o imediato início do pagamento, após a publicação do decreto presidencial, é porque enquanto os 23 mil canavieiros nordestinos aguardavam os encaminhamentos governamentais, cada associação dos canavieiros nos estados envolvidos reuniu e organizou a documentação exigida aos produtores de cana para receberem o benefício.

Declarações e notas fiscais da cana fornecida dos beneficiados já estão com os órgãos da classe e serão encaminhadas as unidades da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de cada estado. Cada Conab é responsável por elaborar as listas com os beneficiados e respectivos valores do subsídio e as datas do pagamento.

O presidente da Unida aproveitou para agradecer a atuação política de três parlamentares em especial para sanar a pendência governamental em relação à fonte de recurso do subsídio. São eles: o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto, desde quando ainda exercia a função de senador (PTB-PE), e o deputado federal Pedro Eugênio (PT-PE). (Brasil Econômico 05/01/2015)

 

Kátia Abreu diz que dobrar classe média rural é prioridade

"Vamos construir um consenso em torno de um macro-projeto que valerá para os próximos 20 anos", disse Kátia Abreu.

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB-TO), declarou ontem em discurso de posse no cargo, que a presidente Dilma Rousseff apontou como determinação expressa para os próximos quatro anos dobrar a classe média rural do país, responsável por apenas 15% da renda gerada pelo campo hoje. A ministra também elencou como prioridades da Pasta encontrar uma solução para o setor sucroalcooleiro e definir políticas de desenvolvimento para a região do Mapitoba (confluência entre Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia).

Ela relembrou que reforma agrária não é um assunto da alçada de sua Pasta, mas ponderou que o ministério será de "todos os produtores rurais, sem nenhuma espécie de divisão ou segregação".

Ministra da cota pessoal de Dilma, mas filiada ao PMDB, Kátia fez questão de agradecer à presidente por sua nomeação e "pelo entusiasmo com o setor". Dezesseis ministros compareceram à posse. "Em apenas poucas horas de diálogo como presidente da CNA, percebi seu entusiasmo e apoio incondicional a demandas do setor", disse.

Em um discurso de pouco mais de 20 minutos, Kátia enumerou várias medidas que pretende tomar em sua gestão. Disse que a presidente lhe pediu obstinação para dobrar a classe média rural nos próximos anos e que o fará permitindo acesso à extensão rural e à assistência técnica e com políticas de incentivo a pesquisa e aquisição de tecnologias.

"Nós mapearemos os 558 territórios através das microrregiões de cada Estado utilizando uma rede intensiva de extensão rural e assistência técnica e uma rede com as nossas universidades de ciências agrárias para ir de porteira em porteira atrás dessas pessoas buscando e levando uma revolução em tecnologia", afirmou. A ministra também indicou que o governo deve debater com a indústria de etanol medidas em conjunto com os ministérios da Agricultura, Fazenda e Planejamento para solucionar a crise do setor. Para ela, encontrar uma saída para a crise das usinas "é prioridade total" e "não tem uma receita única".

Kátia deve fazer reuniões com entidades de classe e empresas do agronegócio durante este mês. A intenção, disse, é receber propostas e críticas dos mais variados subsetores como carnes, café e frutas, em torno de uma agenda estratégica para o Ministério. "Vamos construir um consenso em torno de um macro-projeto que o Ministério deverá fazer, que valerá para os próximos 20 anos, numa participação de todos".

Diante da seca em várias regiões do país, outro plano da nova ministra da Agricultura é elaborar junto com outros ministérios um plano para dobrar a área irrigada do país nos próximos anos. "O Brasil tem cerca de 30 milhões de hectares já disponíveis para irrigação, mas apenas cinco milhões irrigadas. Estamos falando de só 17% do nosso potencial, e a irrigação bem feita pode dobrar a produção de uma mesma área", disse.

A ministra, que é senadora e presidente licenciada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirmou ainda que a redução do crescimento nos países desenvolvidos poderá limitar a participação do Brasil nesses mercado e limitar o preço dos produtos agrícolas, mas que é preciso disposição para correr mais riscos em acordos e parcerias.

Ela ressaltou ainda como principais gargalos do país a serem enfrentados por sua Pasta a morosidade de registro de agrotóxicos e o desafio de adequar a política de crédito rural a especificidades regionais. Disse, sem dar detalhes, que pretende trabalhar para resolvê-los, e que é preciso construir mais hidrovias e ferrovias para escoar a produção.

Kátia Abreu também prometeu "controle rigoroso e avaliação" dos programas do ministério, com a ocupação de postos importantes por quadros técnicos e a criação de uma escola "do profissional da agricultura e pecuária", com cursos técnicos para servidores da Pasta. A pemedebista também agradeceu o apoio do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do vice-presidente Michel Temer (PMDB), que não estavam presentes, por sua nomeação. Kátia é neófita no partido e seu nome para o Ministério enfrentou resistência de uma ala de parlamentares da sigla. (Valor Econômico 06/01/2015)

 

Levy indica que impostos devem subir

Novo ministro da Fazenda assume posto fazendo críticas veladas e explícitas a equipe de seu antecessor, Guido Mantega. Desconto na dívida dos Estados e municípios com a União não deve se concretizar tão cedo, sinaliza ministro.

Em meio a críticas veladas e explícitas à política econômica do primeiro governo Dilma Rousseff, Joaquim Levy assumiu a Fazenda, anunciou sua equipe e indicou que as próximas medidas poderão incluir alta de impostos.

"Possíveis ajustes em alguns tributos serão também considerados", disse, nesta segunda-feira (5), durante seu discurso de posse.

Sem detalhar as hipóteses em estudo, Levy indicou que terão preferência as "que tendam a aumentar a poupança doméstica e reduzir desbalanceamentos setoriais da carga tributária".

Em reserva, integrantes da área econômica já indicaram que deve ser elevada a contribuição incidente sobre a gasolina e outros combustíveis, reduzida a zero em 2012 para conter a alta de preços.

As desonerações tributárias setoriais promovidas nos últimos anos foram alvo de um ataque não muito sutil.

"Não podemos procurar atalhos e benefícios que impliquem redução acentuada da tributação para alguns segmentos, por mais atraente que elas possam ser, sem considerar seus efeitos na solvência do Estado", discursou.

Embora com o cuidado de usar o verbo no futuro do pretérito, arrematou com o que parece uma descrição do primeiro mandato de Dilma: "Essa seria a fórmula para o baixo crescimento econômico endêmico".

O ministro ainda citou o artigo da Lei de Responsabilidade Fiscal que condiciona benefícios tributários ao corte de despesas, cujo texto a equipe anterior quis alterar.

E anunciou que a Receita Federal voltará ao comando de Jorge Rachid, uma das figuras centrais no ajuste fiscal promovido, com aumento de tributos, no primeiro governo Lula (leia texto abaixo sobre secretariado de Levy).

PATRIMONIALISMO

A nova orientação expressa por Levy, porém, não se limitou à promessa de maior austeridade nas contas públicas. Seu pronunciamento investiu também contra políticas de Estado que favorecem interesses privados.

Tradicional na ciência política brasileira, a crítica ao patrimonialismo endossada pelo ministro atinge a política, adotada na administração petista, de proteção, incentivos e subsídios a setores e empresários selecionados.

"A antítese do sistema patrimonialista é a impessoalidade nos negócios do Estado", disse Levy. Depois, em entrevista, defendeu mais concorrência no mercado, regras mais claras.

O ministro, liberal, afirmou estar apenas ecoando a presidente, desenvolvimentista --"até pela afinidade de pensamento". No mês passado, na cerimônia de sua diplomação, Dilma também atacou o sistema patrimonialista.

Mas não foi conciliador ao defender o fim dos favores estatais: "A ilusão de que a garantia financeira do Tesouro pode ser um manto que suprima, adie ou contorne a necessidade de se enfrentarem problemas, hiatos ou distorções em qualquer setor não deverá encontrar guarida".

Uma bondade concedida pelo governo no ano passado, a possibilidade de descontos nas dívidas dos Estados e municípios com a União, não deve se concretizar tão cedo, indicou o ministro. O tema é "bastante complexo" e será conduzido com "o máximo de diálogo possível", desconversou.

Quanto ao impacto dos ajustes na economia e no emprego, o ministro evitou previsões. Disse apenas não acreditar em "nenhuma parada brusca".

O ministro não citou seu antecessor, Guido Mantega, que não esteve na cerimônia.

Fez, no entanto, uma referência a "médicos que brilhantemente souberam conduzir a pasta da Fazenda". Antonio Palocci, primeiro titular da pasta no governo Lula e ex-chefe de Levy na pasta, é médico sanitarista. (Folha de São Paulo 06/01/2015

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Elevação em NY: Na contramão dos fundamentos e dos fatores externos, os preços do açúcar fecharam no campo positivo ontem na bolsa de Nova York, resultado do retorno de investidores e fundos ao mercado após as festas de fim de ano. Os contratos do açúcar demerara para entrega em maio fecharam com alta de 6 pontos, a 14,63 centavos de dólar a libra-peso. Os analistas não acreditam que esse movimento se sustente nos próximos dias, já que o dólar continua em alta ante o real, favorecendo a oferta do açúcar brasileiro no mercado, o petróleo segue em queda, e a oferta dos principais países produtores tem sido elevada. Na Índia, a produção de 1 de outubro a 31 de dezembro cresceu 27%. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,38%, para R$ 51,85 a saca de 50 quilos.

Cacau: Incertezas na África: Os preços do cacau subiram ontem na bolsa de Nova York ante o baixo ritmo de entregas do produto nos portos africanos, principal região produtora da commodity. Os contratos para maio fecharam em US$ 2.927 a tonelada, alta de US$ 16. Os balanços semanais nos portos do oeste da África têm apresentado volumes menores que os registrados na safra passada, o que pode indicar que a colheita na Costa do Marfim e em Gana pode estar aquém do esperado, conforme o Ecobank. Doenças e o envelhecimento das lavouras devem provocar uma queda de 2% na produção global nesta temporada, avalia a FCStone. No mercado interno, o preço da arroba na Bahia variou entre R$ 106 e R$ 113 em 30 de dezembro (último dado disponível), segundo a TH Consultoria.

Laranja: Frente fria no radar: Os preços do suco de laranja ganharam fôlego ontem na bolsa de Nova York após previsões de frio intenso nas áreas produtoras da Flórida. Os lotes do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para março subiram 255 pontos, a US$ 1,4645 a libra-peso. O Serviço Climático Nacional dos EUA prevê que as temperaturas devem cair a 4º C na principal região citrícola da Flórida, entre quarta-feira à noite e quinta, o que pode prejudicar as frutas. A ameaça climática fez os investidores ignorarem mais uma queda nas vendas de suco de laranja no país em dezembro, de 9%, segundo pesquisa da Nielsen divulgada pelo Departamento de Citros da Flórida. No mercado doméstico, o preço da fruta para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq manteve-se em R$ 10,19 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Otimismo com demanda: Os futuros do algodão subiram ontem na bolsa de Nova York após três sessões de queda. Os papéis da pluma para maio fecharam com alta de 109 pontos, a 61,34 centavos de dólar a libra-peso. A alta foi ditada por compras técnicas com base em perspectivas de aumento do consumo. A China anunciou que aumentará o reembolso dos impostos de exportação de produtos têxteis, o que deve melhorar as margens do setor e aumentar suas compras de algodão, segundo o analista Bruno Zanutto, da FCStone. A desvalorização do petróleo e os dados fortes da economia dos EUA também apontam para uma possível retomada do consumo por produtos têxteis, diz. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,14%, para R$ 1,6661 a libra-peso. (Valor Econômico 06/01/2015)