Setor sucroenergético

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Cosan mira investimento em gasoduto no pré-sal

A intenção da Cosan de aumentar os investimentos no mercado de gás natural vai além do interesse em adquirir novas distribuidoras. Enquanto estuda a separação do negócio a partir da criação de uma nova companhia, a Distribuição de Gás Participações, que controlará a Comgás e será responsável por investimentos futuros no setor, a Cosan avalia entrar também em projetos de infraestrutura de escoamento e já costura internamente um investimento num gasoduto para transportar o gás do pré-sal até São Paulo.

O projeto ainda dá seus primeiros passos e é mantido em sigilo pela empresa. O Valor apurou, contudo, que a Cosan, através da Rumo Logística, já deu entrada no processo de licenciamento do empreendimento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O gasoduto foi registrado como Sistema de Escoamento e Tratamento de Gás Natural do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos, mas vem sendo batizado informalmente no mercado como Rota 4.

De acordo com o secretário de Energia de São Paulo, Marco Antonio Mroz, a empresa está procurando parceiros interessados em formar consórcio, inclusive grandes consumidores. "Existe a possibilidade de grandes consumidores investirem no gasoduto", informou o secretário.

Participação da Petrobras na oferta de gás nacional deve cair dos atuais 90% para 75% em 2020

A estimativa, segundo Mroz, é que o gasoduto exija investimentos da ordem de R$ 6 bilhões e tenha capacidade para escoar cerca de 15 milhões de metros cúbicos diários de gás. O objetivo é atender às necessidades de petroleiras que, sem infraestrutura própria, ainda não possuem planos de monetização para suas futuras produções. A iniciativa possibilitaria a entrada de novos fornecedores num mercado dominado pela Petrobras.

De acordo com estudo da EY (ex-Ernst & Young), em parceria com a Gas Energy, o mercado deve se tornar menos concentrado até 2020, quando a participação da Petrobras na oferta nacional de gás deve atingir os 75%. Atualmente, esse percentual é superior a 90%, segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A expectativa da EY/Gas Energy é que os produtores privados que atuam no pré-sal, como Shell, Total, Repsol Sinopec e Petrogal, disponibilizem ao mercado cerca de 20 milhões de m3 /dia em 2020 - volume suficiente para mais que dobrar o atual mercado paulista de gás natural. Sem gasodutos próprios, essas empresas comercializam atualmente seus respectivos volumes de gás com a Petrobras.

"Acreditamos que haja espaço para a entrada de novos players no mercado. Há uma demanda latente que ainda não desenvolvemos. O consumo de gás na indústria está estagnado há sete anos. A indústria não tem acesso a novos volumes de gás e há uma enorme capacidade do mercado para absorver esse gás novo", analisa o consultor Marco Tavares, da Gas Energy.

Segundo Carlos Assis, sócio-líder do Centro de Energia e Recursos Naturais da EY, já existem investidores estrangeiros interessados no mercado brasileiro de gás, mas a entrada desses agentes depende de avanços regulatórios.

"Essa movimentação só vai ocorrer a medida em que a questão regulatória for sendo clareada e haja um direcionamento da política energética para o gás. O Brasil tem atributos favoráveis para um cenário de competição. Comparado a outros países produtores, temos uma democracia estável, instituições sólidas, uma economia relativamente estável, potencial de crescimento no mercado interno. Se destravarmos nosso mercado, vamos alavancar o potencial do gás natural no país", opinou Assis.

A entrada de novos investidores na construção de gasodutos, contudo, não é tarefa das mais simples. A iniciativa da Cosan em torno do Rota 4 não é a primeira tentativa de se tentar viabilizar um gasoduto de escoamento dos novos produtores do pré-sal.

O projeto chegou a entrar na pauta das petroleiras, mas não avançou diante das dificuldades inerentes. "Houve algumas conversas preliminares entre algumas empresas, mas não avançou. Há dificuldades muito grandes para viabilizar o projeto. Além do grande custo para instalação desse gasoduto, há uma grande dificuldade com o timing do desenvolvimento dos projetos. Muitas vezes não há o casamento da entrada em operação deles e, com capacidade ociosa, compromete-se a viabilidade do investimento e amortização do gasoduto", comenta um executivo de uma petroleira multinacional.

A fonte comenta, ainda, que as distâncias entre os campos do pré-sal são muito grandes, às vezes superiores a 100 quilômetros, o que traz custos impeditivos para o projeto.

Mesmo assim, os investimentos privados em infraestrutura no mercado de gás começam a dar seus primeiros passos no país. A Excelerate Energy, por exemplo, tem um pré-acordo com o grupo Bolognesi para construção de dois terminais de regaseificação (que convertem gás natural liquefeito em gás natural), nos portos de Suape (PE) e Rio Grande (RS).

Para estimular a entrada dos novos "players" na comercialização do gás, o governo de São Paulo quer criar demanda e, para isso, vai propor que as três distribuidoras de gás natural do estado (Comgás, Gas Natural Fenosa e Gas Brasiliano) invistam cerca de R$ 6 bilhões na expansão da rede ao longo dos próximos cinco anos. A proposta ainda será avaliada pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp), durante os processos de revisão tarifária das concessionárias, previstos para serem concluídos em 2015. (Valor Econômico 07/01/2015)

 

Açúcar: Disparada em NY

O mercado do açúcar voltou a nadar contra os fatores macroeconômicos e de fundamento em mais uma alta na bolsa de Nova York.

Os contratos do açúcar demerara para maio fecharam a 15,19 centavos de dólar a libra-peso, alta de 56 pontos.

Essa alta se soma à anterior como um movimento de resposta às mínimas alcançadas na semana passada, que impulsionou cobertura de posições vendidas por parte dos fundos de investimento.

A atuação desses fundos também tem oferecido um gás extra a outras commodities agrícolas nesta semana, ignorando a relação confortável entre oferta e demanda e o ambiente "baixista" provocado nos mercados pela queda do petróleo.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,62%, para R$ 51,53 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 07/01/2015)

 

Disparada na cotação do açúcar aciona circuit breaker em bolsa de NY

Uma forte e repentina alta no primeiro contrato do açúcar bruto provocou a interrupção automática nas negociações na bolsa de Nova York (ICE Futures) às 11h49 (horário de Brasília), confirmou uma porta-voz da bolsa.

A bolsa ativou o chamado "circuit breaker", suspendendo os negócios por 30 segundos depois que os preços subiram 0,60 centavo de dólar, ou 4 por cento, para 15,06 centavos por libra-peso em apenas 9 segundos.

Durante a paralisação, negociações podem ocorrer apenas dentro de uma faixa de preço.

Operadores disseram que a alta repentina foi principalmente o resultado de ordens de compra posicionadas perto de 14,50 centavos por libra, ao invés de um erro de execução, como uma ordem acidental.

"Nós tivemos uma boa quantidade de fundos de índices e seus seguidores, principalmente fundos de longo prazo, entrando em comprando no mercado mais cedo", disse Phil Pia, corretor da mesa do Societe Generale em Nova York, destacando que os ganhos e o fechamento de segunda-feira serviram como sinais técnicos positivos.

Às 14h22, o primeiro contrato do açúcar bruto era negociado a 14,88 centavos por libra, alta de 4,35 por cento. (Reuters 06/01/2015)

 

Guarani aponta Pierre Santoul como novo diretor presidente

SÃO PAULO - A sucroalcooleira Guarani, subsidiária do grupo francês Tereos, informou hoje que seu conselho de administração indicou Pierre Santoul para o cargo de diretor presidente, em substituição a Alberto Pedrosa, e Jairo Carolinski para diretor financeiro, em substituição a Reynaldo Benitez. Em nota, a Guarani informou que a iniciativa faz parte do processo de mudanças em curso na companhia.

“Em um mercado que enfrenta preços deprimidos e uma elevada estrutura de custos, a Guarani agora avança para uma nova etapa em seu processo de mudança, visando aumentar o número de iniciativas de excelência operacional destinadas a melhorar significativamente seu desempenho, e colher ainda mais benefícios das vantagens competitivas”, afirmou a companhia.

Santoul é formado pela Ecole des Hautes Etudes Commerciales, de Paris, e entrou para o Grupo Tereos como diretor de Excelência Operacional em junho de 2014. Antes, trabalhou como consultor na McKinsey & Company por seis anos. Foi também diretor de Marketing e da Divisão de Pneus na França da Goodyear Dunlop, e depois responsável pela Europa, Oriente Médio e África.

Carolinski é formado pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo e possui Mestrado em Gestão pela Universidade de Boston. Depois de trabalhar como gerente-sênior da Bain & Company em São Paulo por nove anos, juntou-se à Cosan como diretor de Controle de Gestão, em 2006, e ajudou na criação da Raizen (joint venture entre Cosan e Shell). Ocupou o cargo de diretor Financeiro na trading de etanol do Grupo Raízen de 2011 até agora. (Valor Econômico 06/01/2015)

 

Açúcar registrará valorização no mercado internacional

Déficit do produto deve puxar preços para cima, diz consultoria.

Os preços do açúcar no mercado internacional devem registrar recuperação em 2015, impulsionado pela possibilidade de déficit de 2,8 milhões de toneladas da commodity, especialmente no segundo semestre, quando é esperado um aperto no estoque globais, derivado da menor produção de B,rasil e Tailândia, afirma relatório da consultoria INTL FCStone.

Além dos baixos níveis de estoques, as cotações devem ganhar força com a queda dos preços do petróleo e a valorização do dólar em relação a moedas emergentes.

Para o setor sucroenergético, a INTL FCStone afirma que 2015 também será um ano difícil, mesmo com a expectativa de que o governo federal anunciará medidas para estimular o consumo do produto.

Com a economia enfraquecida, o crescimento da demanda pelo biocombustível é afetado. Externamente, os EUA deverão mais uma vez importar pouco etanol, já que a produção local é ampla, diz a consultoria.

O único alento visto é a possibilidade do retorno da cobrança das Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), do aumento da mistura de anidro na gasolina e da redução do ICMS sobre o hidratado em Minas Gerais. (Canal Rural 06/01/2014 às 10h: 40m)

 

Grupo Usina São João: gestão açucarada

“A administração familiar, se profissionalizada, pode ser muito eficiente - Carolina Ometto; presidente do Grupo Usina São João”.

Um dos últimos moicanos de capital nacional do setor sucroalcooleiro, o Grupo Usina São João (USJ) é o campeão do "Agronegócio Direto – Médias Empresas" no prêmio "As melhores da Dinheiro Rural 2014".

Com receitas estimadas em R$ 510 milhões, neste ano, a USJ, baseada em Araras, no interior paulista, é composta também pelas usinas de São Francisco e Cachoeira Dourada, em Goiás,

nas quais foi investido cerca de R$ 1 bilhão. No dia a dia, concorre com gigantes como a ETH, do grupo Odebrecht, e com a Raízen, joint venture da Cosan com a Shell.

“A administração familiar, se profissionalizada, pode ser muito eficiente”, diz Carolina Ometto, presidente da empresa e representante da quarta geração geração do clã, que vem se sucedendo há 70 anos à frente do negócio iniciado pelo agricultor José Ometto, filho de imigrantes italianos.

Focado em atender indústrias de alimentos e bebidas – como Unilever, Nestlé, Arcor e Coca- Cola –, o Grupo USJ explora a cana-de-açúcar da maneira mais diversificada possível. “O açúcar é uma commodity”, diz Carolina. “É difícil agregar valor à mercadoria.” Por isso, além do açúcar bruto ou refinado, cuja produção chega a 650 mil toneladas por ano, a empresa também comercializa etanol (280 milhões de litros) e fornece 350 mil MW de energia, boa parte dela vendida em leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Com capacidade para processar 11,3 milhões de toneladas de cana, anualmente, a USJ cultiva sua matéria-prima numa área de cerca de 100 mil hectares. De acordo com Carolina, embora o setor de energia elétrica represente apenas 10% das vendas do grupo, ele atende a uma necessidade de diversificação de receitas, diante da queda das cotações internacionais do açúcar e da perda de competitividade do etanol no mercado brasileiro. “Estamos passando por um momento complicado no setor sucroalcooleiro no País”, diz Carolina.

Nos últimos dois anos, o setor perdeu 60 mil empregos. Só em São Paulo, 26 usinas fecharam suas portas desde 2010. O preço baixo do açúcar nas bolsas agrícolas internacionais desestimulou sua produção no País. Além disso, a competitividade do etanol no mercado tem diminuído sensivelmente por conta da política de preços para o setor de combustíveis, com a concessão de reajustes abaixo da inflação para os derivados de petróleo, o que acabou praticamente inviabilizando financeiramente o produto renovável. Para driblar a crise, Carolina aposta na adoção da tecnologia para tornar seu negócio o mais competitivo possível.

Segundo ela, em média, 70% dos custos das usinas do grupo estão relacionados à produção de açúcar. “Para manter as margens, precisamos enxugar nossas operações ao máximo.” Por isso, o grupo mantém todas as áreas de plantio rastreadas com GPS – para evitar o pisoteio desnecessário das máquinas colhedoras nas linhas de cana. “Dessa maneira, os canaviais adquirem uma longevidade 20% maior”, diz.

No agronegócio não faltam exemplos de empresas que inovaram ao enxugar custos. A usina sucroalcooleira São Manoel, destaque em Gestão Corporativa do prêmio "As melhores da Dinheiro Rural 2014", promoveu uma série de políticas de bonificação para seus funcionários. “Os colaboradores que baterem suas metas podem aumentar seus salários em até 40%”, diz Carlos Dinucci, presidente da companhia paulista, que deve faturar R$ 430 milhões neste ano.

Os empregados da Usina São Manoel são treinados a operar os equipamentos – como caminhões, tratores e colhedoras – da maneira mais competitiva possível, conduzindo as máquinas em velocidade adequada, o que resulta em menor consumo de combustível e no aumento da longevidade dos pneus. Esses indicadores são controlados por computadores de bordo instalados nos veículos.

Outra empresa que se destacou em 2014 pela política interna de otimização de processos foi a Duratex Florestal, que integra a Duratex, cujas receitas atingiram R$ 3,9 bilhões em 2013. Por essa razão, foi destaque em Gestão Financeira no prêmio. “Há uma busca incansável no grupo para extinguir custos desnecessários”, diz José Ricardo Ferraz, diretor da Duratex Florestal.

A gestão financeira rígida, herdada do seu grupo controlador, o Itaúsa, inspirou a empresa a investir mais de R$ 15 milhões na mecanização  da silvicultura, área de negócios de mão de obra intensiva, para reduzir os custos operacionais. “Temos 13 projetos firmados com algumas das melhores universidades do País para criar máquinas customizadas para o cultivo de florestas”, diz Ferraz. (Dinheiro Rural 06/01/2015)

 

Venda de máquinas cai 16% e pode recuar mais

A indústria de máquinas e equipamentos agrícolas terminou o ano com um ritmo muito lento. As vendas de colheitadeiras caíram para 645 unidades em dezembro, 47% menos do que em igual período de 2013. Já a comercialização de tratores recuou para 3.090 unidades, 22% menos.

O ritmo de dezembro foi, de certa forma, um espelho do que ocorreu durante todo 2014. Após um recorde em 2013, quando as indústrias do setor colocaram 73,63 mil unidades de tratores e de colheitadeiras nas concessionárias, o atacado recebeu apenas 61,96 mil unidades em 2014.

A queda foi de 15,8%, com perda maior de ritmo pelo setor de colheitadeiras. Ao somar 6.330 unidades no ano passado, as vendas do setor recuaram 25,9%. No mesmo período, a comercialização de tratores caiu para 55,63 mil unidades, queda de 14,5%.

Apesar desse recuo, o resultado não foi ruim para o setor, que manteve, pelo quinto ano, vendas superiores a 50 mil unidades para esses dois tipos de máquinas.

A complicação maior poderá vir neste ano. Em princípio, as vendas não teriam motivo para queda, uma vez que o país deverá ultrapassar, pela primeira vez, 200 milhões de toneladas de grãos.

Mas as condições de mercado e de custos são diferentes. As expectativas são de redução de preços das principais commodities produzidas pelo país, o que deverá gerar renda menor no campo.

Uma saída para os produtores pode ser a alta da moeda dos EUA, que geraria mais reais para o setor. A comercialização dos grãos é feita com base no dólar.

Outro componente negativo para as compras de máquinas foi a alta dos juros do PSI (Programa de Sustentação do Investimento, do BNDES). A taxa subiu de 4% para 6,5% para os pequenos e médios produtores e vai até 11% para os grandes.

O próprio perfil da indústria de máquinas nos últimos anos poderá auxiliar na redução de vendas. A produção de grãos cresce, mas os produtores adquiriram máquinas com melhor desempenho e maior capacidade.

Além disso, com os preços das commodities e dos juros favoráveis nos últimos dois anos, boa parte dos produtores antecipou a renovação da frota, adquirindo novas máquinas. Sobrou para este ano o pagamento das contas.

A líder: A China representa 71% do mercado brasileiro de soja em grãos. O Brasil enviou 32,3 milhões de toneladas da oleaginosa para os chineses em 2014, ante um total exportado de 45,7 milhões de toneladas. Qualquer problema com o apetite chinês geraria consequências desastrosas para o Brasil.

Distante: O segundo maior mercado brasileiro é a União Europeia, que fica com 13% da soja exportada pelo país. No ano passado, a UE importou 6,1 milhões de toneladas da oleaginosa. China e UE levam 84% do volume vendido pelo Brasil.

Receitas 1: Quando se trata de receitas, os chineses deixaram US$ 16,6 bilhões no país no ano passado com a compra de soja em grão. Em 2010, os gastos eram de apenas US$ 7,1 bilhões.

Receitas 2: Já a União Europeia pagou US$ 3,1 bilhões pela soja que comprou do Brasil em 2014, ante US$ 2,3 bilhões em 2010, segundo dados compilados pela Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

Mercado aquecido: Açúcar e café foram os destaques nesta terça-feira (6) na Bolsa de commodities de Nova York, com altas de 4,3% e 4,2%, respectivamente.

Motivos: As causas da alta vão da entrada de fundos no mercado ao clima desfavorável no Brasil, principal produtor e exportador dessas duas commodities. Na Bolsa de Chicago, a soja voltou a subir e está em US$ 10,51 por bushel (27,2 quilos). (Folha de São Paulo 07/01/2015)

 

Empresas ligadas ao campo têm queda na bolsa

As ações das empresas do agronegócio não saíram ilesas da forte desvalorização que marcou os preços das commodities agrícolas em 2014. Das 13 principais companhias do segmento listadas na BM&FBovespa, apenas quatro - Marfrig, BRF, JBS e São Martinho - viram seus papéis se valorizarem no ano, conforme levantamento do Valor Data. A agenda eleitoral também deu sua contribuição para o pessimismo generalizado na bolsa paulista, afetando sobretudo as companhias que produzem etanol. Pesou ainda a forte desvalorização das ações da Petrobras.

Entre as empresas do agronegócio, os frigoríficos destoaram e se destacaram positivamente. O acionista da Marfrig foi o que mais teve motivos para comemorar no acumulado do ano. As ações da empresa de carnes subiram 52,50% de janeiro a dezembro de 2014. O segundo melhor desempenho veio da BRF, cujos papéis se valorizaram 30,94% no período. Já a JBS, maior empresa de proteína animal do mundo, viu as ações subirem 29,03%. No setor frigorífico, a Minerva Foods não conseguiu acompanhar seus pares, e os papéis caíram 13,91% em 2014.

Na avaliação de Luciana Carvalho, analista do Banco do Brasil, o desempenho dos frigoríficos na bolsa foi impulsionado pela queda do real perante o dólar. A condição favorece as exportações de carnes do Brasil e também se reflete de forma bastante positiva no faturamento das operações dessas companhias no exterior - casos da JBS e Marfrig.

Mais competitiva com a ajuda do câmbio, a carne brasileira se beneficiou ainda de uma demanda externa mais aquecida, segundo a analista, de forma que os embarques de carne bovina bateram recorde mais uma vez em 2014. Diferentemente do que ocorreu com as empresas que detêm produção agrícola (ver Preços baixos dos grãos afetam companhias agrícolas), a queda das cotações dos grãos no mercado internacional jogou a favor das ações das companhias que produzem carne de frango e suína, como JBS, BRF e Marfrig. Isso porque significaram custos mais baixos de ração animal.

Internamente, os frigoríficos também passaram por reestruturações que agradaram aos acionistas. O caso mais notável é o da Marfrig, que foi a segunda maior alta do Ibovespa em 2014. A empresa, que vinha sendo castigada pelos investidores devido ao elevado endividamento, conseguiu gerar fluxo de caixa positivo e alongar o perfil de sua dívida, bem como reduzir despesas na divisão de carne bovina no Brasil. Com isso, reduziu seu prejuízo nos primeiros nove meses do ano.

No caso da JBS, a reestruturação passou pela Seara Brasil, adquirida da concorrente Marfrig em 2013 e que hoje faz parte da subsidiária JBS Foods. Nessa reorganização, a empresa conseguiu uma forte elevação de margens da subsidiária, o que beneficiou as ações. Já na BRF, a reestruturação capitaneada pela gestão do empresário Abilio Diniz no conselho de administração também se traduziu em resultados melhores, o que se refletiu no valor dos papéis.

Único frigorífico cujas ações tiveram queda no ano passado, a Minerva Foods ainda não colheu todos os efeitos das aquisições feitas em 2014, sobretudo das duas unidades de bovinos da BRF, na visão da analista do Banco do Brasil. "Os investidores ainda estão aguardando esses resultados", disse. Ela acrescentou que a companhia foi influenciada também pelo humor do mercado em geral e pela alta do gado, que é fator de pressão nas margens. Entre os frigoríficos, a Minerva é a única que só produz carne bovina.

No setor sucroalcooleiro, apenas a São Martinho se destacou positivamente. Seus papéis subiram 27,55% em 2014, enquanto Tereos Internacional, Cosan e Biosev ficaram mais suscetíveis às cotações ainda mais baixas do açúcar e ao efeito da reeleição de Dilma Rousseff, cujo mandato foi considerado altamente prejudicial ao setor, na medida em que foi marcado pelo represamento dos preços dos combustíveis no país.

Em setembro, quando as pesquisas chegaram a indicar a vitória da candidata pelo PSB Marina Silva ao pleito presidencial, os papéis da Biosev chegaram até a subir, fechando o mês em alta de 12,42%. Mas no consolidado anual, a empresa, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities e a segunda maior produtora de açúcar e etanol do país, amargou uma indigesta queda de 27,5% no valor dos seus papéis.

A Cosan, que nos últimos anos diversificou seus negócio para distribuição de combustíveis, energia, infraestrutura e logística, tem na operação sucroalcooleira sua maior exposição à volatilidade. Em agosto, com a morte do presidenciável Eduardo Campos (PSB) e o início da ascensão de Marina Silva, os papéis chegaram a bater R$ 48, bem acima dos níveis atuais de R$ 27.

No entanto, com a vitória de Dilma, o mercado entendeu, segundo especialistas, que não havia sinais de mudanças estruturais no setor de etanol, o que desencadeou um movimento de retirada dos investidores. No acumulado de 2014, as ações da Cosan caíram 16,91%. É preciso observar que, até setembro, no entanto, os papéis da companhia acumulavam valorização de 0,37%.

A reeleição da petista também afetou o desempenho da Tereos, que detém operações de açúcar e etanol e amidos no Brasil, na Europa e na Ásia. Até setembro, as ações acumulavam alta de 5,28%, mas no consolidado de 2014, registraram queda de 42,68%. "É preciso destacar que nossas ações têm pouca liquidez, o que faz com que a movimentação de um pequeno número de papéis signifique uma grande alteração em termos percentuais", explicou o diretor de relações com investidores da Tereos, Marcus Thieme.

Além do fator eleição, o desempenho das sucroalcooleiras na bolsa foi impactado pela forte estiagem que reduziu a produtividade dos canaviais em São Paulo e pelas cotações do açúcar, que ficaram 7% mais baixas em 2014, após sucessivas depreciações nos últimos dois anos.

No caso da Cosan, também pesaram as incertezas trazidas pela reestruturação dos seus negócios, marcada pela separação (spin-off) dos ativos de logística e de gás em outras duas empresas diferentes. Até a conclusão dessas operações, que depende do aval de órgãos reguladores, as ações tendem a patinar. (Valor Econômico 07/01/2015)

 

Sudam apóia projeto de produção de etanol a partir de batata-doce

Autarquia apoia pesquisa que vai resultar na produção de biodiesel amazônico que utiliza batata-doce como matéria-prima em vez da cana-de-açúcar.

O Amazonas está em vias de tornar-se um produtor de etanol a partir de batata-doce. O projeto está em análise para receber incentivos por parte da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A Amazônia não produz etanol devido à proibição do incentivo de cultivo de cana-de-açúcar na região. O etanol utilizado hoje na região vem de outras regiões do País como Nordeste e Sudeste, por isso a batata-doce, tornou-se uma alternativa de matéria-prima.

“A Sudam se dedicou, se debruçou , estudou e descobriu uma forma da gente fazer etanol aqui. O nosso etanol será feito de batata-doce e é um etanol tão bom quanto o da cana. Estamos trabalhando junto com a Universidade federal de Tocantins, que há 20 anos estuda esse tipo de batata. Não é uma batata rentável em feira porque ela é enorme, branca toda ‘caraquenta’, mas é espetacular pela alta produtividade para a fabricação de etanol”, disse o superintendente da Sudam, Djalma Mello.

Aproximadamente R$1,5 milhão foi investido na pesquisa que está em fase final e será apresentada entre fevereiro e março. Além da batata-doce, a Sudam vem incentivando a utilização do óleo de palma como biodiesel.

Setor naval

O setor naval no interior do Estado também está entre as prioridades da Sudam. No final de 2014, a Juruá Estaleiros e Navegação, que fica no município de Iranduba, foi contemplada com o incentivo de redução do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ). Há mais de 20 anos no mercado e há cinco com uma nova estrutura, o estaleiro atende não só o Amazonas, como também os Estados do Pará e de São Paulo.

“Agora mesmo nós fizemos a entrega da segunda parte do flutuante de Santarém. Nós também estamos produzindo as embarcações e dentro dessas embarcações estamos atendendo o Pará e São Paulo. Já vendemos balsas para o porto de Santos”, disse Ailson Rezende, consultor do estaleiro.

Hoje a empresa gera cerca de 500 empregos diretos em Iranduba e já pensa em expansão, uma vez que o setor está em crescimento. Rezende também frisou que o incentivo recebido da Sudam é importante para que o segmento cresça ainda mais.

“Esse projeto que a Sudam aprovou contempla balsas para transporte, rebocadores e empurradores, e nós estamos com um projeto de expandir e começar a produzir partes e peças para atender outros estaleiros”, disse.

“O incentivo da Sudam, atualmente, está em 75% do lucro e os setores eleitos como prioritários terão uma elevação. A expectativa é que, neste setor, o incentivo chegue a 90% de redução do imposto de renda. Esses 90% que eu deixo de pagar é um volume que eu posso investir na própria empresa para ampliar, pra gerar nova renda”, disse Mello. (A Crítica 06/11/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Disparada em NY: O mercado do açúcar voltou a nadar contra os fatores macroeconômicos e de fundamento em mais uma alta na bolsa de Nova York. Os contratos do açúcar demerara para maio fecharam a 15,19 centavos de dólar a libra-peso, alta de 56 pontos. Essa alta se soma à anterior como um movimento de resposta às mínimas alcançadas na semana passada, que impulsionou cobertura de posições vendidas por parte dos fundos de investimento. A atuação desses fundos também tem oferecido um gás extra a outras commodities agrícolas nesta semana, ignorando a relação confortável entre oferta e demanda e o ambiente "baixista" provocado nos mercados pela queda do petróleo. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,62%, para R$ 51,53 a saca de 50 quilos.

Café: Menos chuvas: O temor de que o clima de janeiro de 2014 se repita neste ano no Brasil, com forte seca nas áreas produtoras de café, voltou a dar impulso aos futuros do grão ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do arábica para maio fecharam cotados a US$ 1,7755 a libra-peso, avanço de 680 pontos. As previsões meteorológicas indicam ocorrência de mais chuvas nas próximas semanas. No entanto, os volumes indicados "para a próxima semana ou duas devem na média cair abaixo do normal", atestou Jack Scoville, da Price Futures Group. Estima-se que janeiro terá menos precipitações do que em dezembro, quando o nível de chuvas já ficou abaixo da média histórica. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica registrou alta de 2,15%, a R$ 469,24 a saca.

Soja: Ação especulativa: Os preços futuros da soja subiram pelo segundo dia seguido na bolsa de Chicago com novas compras de fundos de investimento. Os papéis do grão para março fecharam com avanço de 10,50 centavos, a US$ 10,5575 por bushel. As incertezas com o trigo continuam contaminando os demais grãos na bolsa americana. Os traders também citam receios com a falta de chuvas prevista para este mês no Brasil (que pode prejudicar áreas ainda em desenvolvimento, apesar da colheita já ter começado em algumas regiões), além de recentes acertos de vendas de soja dos EUA à China para justificar as compras. Nos últimos dois dias, os asiáticos acertaram a importação de 476 mil toneladas do grão americano. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a soja no Paraná teve leve queda de 0,02%, para R$ 62,29 a saca.

Trigo: Frio nos EUA: A chegada de uma frente fria nos Estados Unidos continuou a oferecer sustentação às cotações do trigo ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para maio fecharam a US$ 5,96 o bushel, elevação de 2,25 centavos. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento fecharam com alta de 5,75 centavos, a US$ 6,3525 o bushel. Houve registro de neve em algumas partes do país, mas a empresa de meteorologia DTN estima que as temperaturas vão cair menos no sul das Grandes Planícies dos EUA, importante área produtora de trigo. Porém, o clima mais frio pode testar a resistência das lavouras. A Informa Economics já antecipou uma quebra de safra no país. No mercado interno, o preço médio no Paraná subiu 0,52%, para R$ 30,89 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 07/01/2015)