Setor sucroenergético

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Importações da Ale e Raízen ainda não chegaram ao Brasil

O movimento das distribuidoras privadas para importar combustíveis em dezembro, aproveitando a queda dos preços no exterior para competir diretamente com a Petrobras ainda não se concretizou. Juntas, a Raízen (associação da Shell com a Cosan) e a Alesat foram autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) a trazer 101 milhões de litros de gasolina e diesel, enquanto a Petrobras foi autorizada a importar 525 milhões de litros no último mês do ano. Fontes do Valor informam que os volumes autorizados para terceiros, que correspondem a 19,23% dos da Petrobras, ainda não entraram no Brasil.

Os movimentos não foram percebidos pela Petrobras. Normalmente as companhias precisam usar o sistema de armazenagem da Transpetro para desembarcar e estocar combustíveis importados.

Para a Raízen foram autorizadas em dezembro importações de 74 milhões de litros de gasolina por meio da Blueway Trading Importação e Exportação S/A, equivalentes a 14,09% das autorizações para importações da Petrobras no último mês de 2014. Já a Alesat foi autorizada a trazer 27 milhões de litros do mesmo combustíveis, cerca de 5,14% do volume de importações de gasolina e diesel da estatal no mês passado, por meio da Flamma Óleos e Derivados.

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) informa que as licenças para a importação tem prazo de 60 dias depois de deferidas e nesse prazo é necessário começar a carregar o combustível no exterior.

Como publicado pelo Valor PRO,  serviço de informação em tempo real do Valor, na terça-feira, uma fonte da estatal disse que não há planos de baixar preços para reagir à competição. O raciocínio é que não faria sentido baixar preços de 80% a 90% do volume trazido pela estatal por conta das aquisições feitas por terceiros.

"Para a Petrobras, que perdeu tanto dinheiro, quanto mais tempo ela puder recuperar caixa, melhor. Importações tem detalhes que fazem com que esses volumes não sejam importantes em termos de perda para a Petrobras. Se ela perder, vai ser no máximo 5% do mercado. E é preferível que ela tenha um ganho maior sobre 95% [do mercado] do que [menos] sobre 100%", afirma um observador do mercado de combustíveis que pediu para não ter seu nome revelado.

"É um jogo de equilíbrio delicado e difícil. É difícil prever a cabeça do Joaquim Levy e da presidente Dilma, mas até março ou abril acho que vão tentar manter ganho para a Petrobras", continua.

Esse especialista em mercado de combustíveis lembra ainda que não há no Brasil infraestrutura ociosa, principalmente tancagem em portos e escoamento que permita a transferência com folga dos combustíveis para os grandes centros. Um navio normalmente transporta 30 milhões de litros e o país não tem portos que consigam absorver várias cargas dessas. E no geral a tancagem existente sustenta a demanda do mercado por 15 dias. "Resumindo, operacionalmente importar 'a rodo' não é viável. E quando começar a chegar esse produto não será em quantidades que incomode a Petrobras", afirma.

As ações da Petrobras registraram alta ontem na casa dos 6% na Bovespa, influenciadas justamente por rumores de que a empresa estaria acelerando as importações de gasolina e diesel para, segundo analistas consultados pelo Valor. Os especialistas, contudo, esperam volatilidade para os papéis da companhia.

"Até que o balanço auditado seja publicado, o cenário é de bastante volatilidade", diz o analista Bruno Piagentini, da Coinvalores.

Para o consultor independente Pedro Galdi, da Galdi Consultoria, a alta de ontem recupera parte das perdas dos últimos pregões, refletindo as especulações em torno das importações de combustíveis, mas não deve se sustentar.

"São notícias positivas num universo de tempestades. Ainda assim, a ação da companhia está custando R$ 9. A mesma ação que já chegou a custar R$ 40. Esse aumento não vai ser suficiente para recuperar as perdas da companhia. Há muitas incerteza que ainda pairam sobre a Petrobras", afirma Galdi.

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), também acredita que a alta não deve se sustentar. "A Petrobras virou uma ação sanfona, é muito volátil. As ações estão funcionando muito na base da especulação. O governo tem tomado uma atitude de perplexidade frente à crise. Isso é muito ruim para uma empresa do porte dela. Se o governo vier com medidas concretas para recuperar a empresa, há um potencial para recuperá-la rapidamente, mas o governo não toma as ações e deixa o mercado especular em cima da companhia", diz Pires. (Valor Econômico 09/01/2015)

 

Preços

Os preços do açúcar deverão ter uma recuperação neste ano, quando a oferta do produto será menor do que o consumo mundial.

Mas os analistas do Rabobank acreditam que o cenário de preços será melhor para o etanol. Este será sustentado pela alta da demanda, devido ao aumento da frota brasileira e à mistura maior de álcool anidro à gasolina.

A alta do açúcar e do etanol vai permitir preços melhores para o produtor de cana. (Folha de São Paulo 09/01/2015)

 

Usinas procuram investidores para fabricar plástico biodegradável

Fórmula é a primeira a ser desenvolvida no mundo e pode produzir plásticos duros usados em peças mais rígidas.

Procura-se:

A Usina da Pedra e o Grupo Balbo procuram por investidores que queiram fabricar o primeiro plástico biodegradável produzido através do processo fermentativo de uma bactéria encontrada nos canaviais. Essa fórmula é a primeira a ser desenvolvida no mundo e pode produzir plásticos duros usados em peças mais rígidas, como cartão de crédito, tampa de garrafa e até em peças internas de veículos. É chamado de PHB (poli-hidroxibutirato)

A pesquisa

A pesquisa começou em 1995 e ganhou força no ano de 2000, quando o Grupo Balbo entrou na parceria. Ainda em 2007, um laboratório dentro da UFScar, em São Carlos, foi montado para testes e agora o PHB está 100% pronto para ser fabricado. Desde o final do ano passado, a Usina da Pedra vem produzindo cerca de 5 toneladas por mês do plástico.

Na natureza

O tempo de decomposição do PHB chama a atenção do ponto de vista ambiental. Em uma estação de compostagem, leva apenas 180 dias para se dissolver na natureza. Já no aterro sanitário, dois anos é o tempo necessário para ele se decompor. Enquanto isso, o plástico comum demora 400 anos. Mas tudo ainda é um desafio, já que o custo para a produção desse PHB não é baixo – duas vezes mais caro que um comum, que tem petróleo em sua composição. (Jornal A Cidade 08/01/2015)

 

Petrobras diz que não há decisão sobre reajuste no preço da gasolina e do diesel

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras informou nesta quinta-feira, em esclarecimento sobre notícia veiculada na mídia, que não há decisão quanto ao reajuste no preço da gasolina e do diesel.

A estatal atualmente vende os combustíveis com um prêmio expressivo em relação aos valores internacionais, o que levou a especulações sobre uma eventual redução nos preços nas refinarias.

A forte desvalorização dos preços internacionais do petróleo permite que a Petrobras, pela primeira vez em anos, venda combustíveis por preços mais altos no mercado interno do que no exterior.

"A política de preços da Petrobras visa não repassar a volatilidade dos preços internacionais ao mercado doméstico, seja quando os preços internacionais estão em elevação, seja quando estão em declínio", disse a empresa em nota.

Segundo a estatal, o assunto é frequentemente discutido pela Diretoria Executiva e pelo Conselho de Administração da companhia, "mas, até o momento, não há decisão quanto ao reajuste no preço da gasolina e do diesel". (Reuters 08/01/2015 às 18h: 42m)

 

Cadeia produtiva sucroenergética discute projeto de governança corporativa

Por Ronaldo Knack

Depois de levar ao fechamento de cerca de 60 usinas, empurrando outras 70 para a recuperação judicial; de extinguir nos últimos 6 anos 300 mil empregos na produção agrícola; de quebrar a indústria de base que trabalha com ociosidade superior a 60% e de provocar o caos e o pânico nos cerca de 1 mil municípios canavieiros, a cadeia produtiva começa 2015 com um alento.

Nas últimas semanas de 2014 - o ano que a Série Especial do TV BrasilAgro veiculada em dezembro de 2013 já prenunciava como um “ano perdido” – começou a ser desenhado um projeto que tinha tudo para não sair do papel. Ou, pior, para unir o nada ao lugar algum, tamanhas eram as diferenças entre as agendas e demandas dos elos da cadeia produtiva do setor sucroenergético.

A frustração ante os resultados pífios apresentados pelas “Frentes Parlamentares” criadas com o objetivo de alavancar politicamente o setor, criaram um fosso abissal entre os interesses dos trabalhadores, dos fornecedores de cana, das usinas e da sua indústria de base.

Já na instalação da primeira destas “Frentes Parlamentares”, a da Assembléia Legislativa de São Paulo,coordenada pelos deputados Welson Gasparini (PSDB) e Roberto Morais (PPS), veio o primeiro sinal vermelho.

Foi quando a presidente executiva da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), Elizabeth Farina, declinou do convite para sentar-se à mesa, provocando visível mal estar entre os parlamentares e as principais lideranças do setor produtivo.

O “não” dado por Farina, que estava acompanhada de todos os diretores da entidade que preside, contrastou com o vigoroso e demolidor discurso que ela fez durante o pretenso lançamento do empresário Maurilio Biagi Filho como candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, doPT, no início do ano passado em Ribeirão Preto.

Lula & cia. presente ao que seria o lançamento da candidatura, que naufragou por completo, ouviu o que merecia escutar, pois o descaso e o desrespeito do governo federal em relação ao setor canavieiro, teve início logo no começo do seu segundo mandato e se aprofundou no governo Dilma Rousseff.

Já mencionamos aqui neste espaço democrático outros boicotes encetados por outros dirigentes da Única. Foi preciso que o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues aceitasse em maio do ano passado o convite para assumir a presidência do Conselho Deliberativo da Única para as coisas mudarem de rumo.

Ao mesmo tempo, foi preciso que José Coral, uma das mais respeitadas lideranças da cadeia produtiva sucroenergética, durante evento promovido pelo BrasilAgro, a Taxweb e a DBW Databases no Parque Tecnológico de Piracicaba, clamasse por mudanças. Ele cobrou as lideranças do setor repetindo a ameaça feita no ano passado de se boicotar a safra em protesto à inação governamental em relação ao setor.

A partir deste momento, sindicalistas, fornecedores de cana, usineiros, empresários da indústria de base e representantes dos poderes públicos municipais e estaduais, abriram um canal de interlocução com o objetivo de, juntos, construírem e implantarem um grande projeto de governça corporativa da cadeia produtiva sucroenergética (nome dado pelo experiente e respeitado Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG – Associação Brasileira de Agribusiness e ex-diretor executivo da Única, onde hoje ocupa assento no Conselho Deliberativo).

Nas próximas horas deverão ser, formalmente, anunciadas as primeiras ações que envolvem este projeto, dentre elas a criação de uma frente dos governadores dos Estados produtores de cana-de-açúcar. Uma “marcha” à Brasília também está sendo discutida.

Um pouco mais desta história que começa a ser escrita, incluindo alguns dos seus principais atores, será mostrada no TV BrasilAgro que vai ao ar pela STZTV na manhã deste domingo e que poderá ser assistido a partir da tarde da próxima segunda-feira na WEB TV do www.brasilagro.com.br. Vale a pena conferir... (Ronaldo Knack é Jornalista e graduado em Administração de Empresas e Direito; é também fundador e editor do BrasilAgro: ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Petrobras aumenta produção de etanol em 17% na safra 2014/15

RIO - A Petrobras Biocombustível aumentou em 17% sua produção de etanol na safra 2014/2015, apesar da quebra da safra causada pela seca que atingiu o setor, informou a companhia. Ao todo, foram produzidos 1,23 bilhão de litros pelas três empresas da PBio.

A companhia tem participação nas empresas Guarani (SP), Nova Fronteira Bioenergia (GO) e Bambuí Bioenergia (MG), que operam nove usinas com capacidade para produzir 1,5 bilhão de litros ao ano.

A Guarani, que opera sete unidades produtoras de etanol, açúcar e energia em São Paulo, respondeu pelo maior aumento percentual: produziu 26% a mais de etanol se comparado ao ano anterior, num total de 756 milhões de litros, sendo 599 milhões do etanol hidratado e 157 milhões de anidro. O crescimento, segundo a Petrobras, é resultado da ampliação da área de colheita e da mudança no mix de produtos que destinou maior volume de caldo para produção de etanol.

O segundo melhor resultado foi registrado pela Nova Fronteira Bioenergia, que aumentou em 9% a produção da Usina Boa Vista, de Quirinópolis (GO), para 384 milhões de litros, sendo 108 milhões de etanol anidro e 276 milhões de hidratado.

Já a Bambuí Bioenergia, localizada na região centro oeste de Minas Gerais, foi a única a registrar queda da produção, em função da seca que provocou uma quebra de safra de 28% em relação ao planejado. A redução da produção na unidade foi de 9% em relação à safra anterior, somando 93 milhões de litros de etanol hidratado. (Valor Econômico 08/01/2015 às 21h: 00m)

 

Queda do petróleo traz risco para produtores de etanol do Brasil, diz Fitch

A queda dos preços do petróleo para mínimas em vários anos aumentou o risco da indústria de açúcar e etanol do Brasil, apontou a agência de classificação de risco Fitch nesta quinta-feira.

Para a agência, os preços do etanol não devem ser elevados em 2015, considerando a conjuntura do mercado de gasolina, e as usinas terão que enfrentar os preços do açúcar deprimidos, com aumentos de custos.

A queda dos preços de barril de óleo, segundo a avaliação da agência, reduziu a pressão sobre a Petrobras para aumentar os preços da gasolina.

Para a Fitch, os produtores de açúcar e etanol precisariam aumentar os preços de etanol para compensar a baixa dos valores do açúcar, mas isso apenas seria possível se os preços da gasolina na bomba também fossem elevados, o que não é esperado, diante da derrocada do petróleo.

A forte desvalorização dos preços internacionais do petróleo permite que a Petrobras, pela primeira vez em anos, venda combustíveis por preços mais altos do que no exterior.

"Isso elimina as perdas da empresa causadas pela venda de gasolina e diesel a preços abaixo do mercado [nos anos anteriores]", disse a Fitch.

Segundo a agência, a Petrobras tem sido relutante em alinhar os preços domésticos da gasolina com as cotações internacionais.

Isso porque precisa realizar investimentos bilionários e vive momento conturbado, com diversas acusações de envolvimento com suposto esquema de corrupção que levaram a empresa a atrasar a publicação dos resultados do terceiro trimestre.

A Fitch também afirmou que o fato de combustíveis serem atualmente vendidos a valores mais altos do que no exterior não deverá propiciar o surgimento de concorrentes da Petrobras na importação de combustíveis no curto prazo.

Isso porque o país enfrenta gargalos de logística e o enfraquecimento contínuo do real frente ao dólar.

Alguns analistas que acompanham a Petrobras chegaram a discutir a possibilidade de a estatal reduzir preços de combustíveis para evitar a concorrência, mas alguns deles consideraram a possibilidade improvável no atual cenário.

Chegou-se a especular ainda a possibilidade da redução dos preços como oportunidade para o retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o que não traria impacto nas bombas para os combustíveis fósseis.

"A reintrodução da Cide, um imposto sobre a gasolina, poderia compensar o impacto dos preços mais baixos da gasolina na refinaria e aumentar a competitividade do etanol na bomba", ressaltou a Fitch.

"Os incentivos governamentais são necessárias para ajudar o setor (de etanol)", disse a Fitch, que espera algum alívio aos produtores com o esperado aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 27,5 por cento, de 25 por cento. (Reuters 08/01/2015 às 17h: 05m)

 

Preço global de alimentos cai pelo terceiro ano consecutivo, diz FAO

Dólar mais alto, grande oferta e estoque recorde influenciaram a queda nos preços, que foi puxada por açúcar e óleo de palma; em dezembro, retração foi de 1,7% em relação ao mês anterior; acumulado de 2014 fechou em queda de 3,7% ante 2013

Conforme a FAO, a queda foi influenciada principalmente pela retração dos preços do açúcar e do óleo de palma

SÃO PAULO - O Índice mensal de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado nesta quinta-feira, 8, apresentou queda de 1,7% em dezembro ante novembro, para 188,6 pontos. A grande oferta e estoque recorde de commodities, além do dólar mais fortalecido ante outras moedas, contribuíram para a queda, de acordo com a organização. Conforme a FAO, a queda foi influenciada principalmente pela retração dos preços do açúcar e do óleo de palma.

Considerando-se o ano de 2014, o índice de preços de alimentos obteve média de 202 pontos, uma queda de 3,7% ante 2013. O ano passado foi o terceiro ano consecutivo de queda anual do índice.

O Índice de Preços de Alimentos acompanha cinco grupos de commodities em mercados internacionais: cereais, carnes, laticínios, óleos vegetais e açúcar. Entre esses segmentos, o de carnes foi o único que apresentou alta no ano de 2014. Os outros quatro atingiram ou se aproximaram do menor nível em cinco anos. Em 2014, o índice de preço de carne obteve média anual recorde de 199 pontos, alta de 8,1% ante 2013. O aumento foi compensado pela queda em outros grupos, em especial o índice de preço de cereais, que caiu 12,5%, para 191,9 pontos.

Nos outros grupos de alimentos, o índice de preço de laticínios caiu 7,7% em 2014, para 224,1 pontos. O indicador de preços de óleos vegetais recuou 6,2%, para 181,1 pontos, enquanto o índice que mede os preços do açúcar registrou queda anual de 3,8%, para 241,4 pontos.

Considerando-se apenas o mês de dezembro, o índice de preços de cereais apresentou média de 183,9 pontos, alta de 0,4% ante novembro. A FAO aponta que os preços do trigo, que subiram por conta de preocupações de que a Rússia poderia restringir suas exportações, foi o principal fator a influenciar a alta. No entanto, o incremento nos preços do cereal foi compensado em parte pelo fortalecimento do dólar. Além disso, os preços do arroz apresentaram retração acentuada em virtude da abundante oferta.

Óleo, laticínios, carne e açúcar

No segmento de óleos vegetais, o indicador alcançou 161 pontos em dezembro, queda 2,4% na comparação com o mês anterior, e atingiu o menor nível em cinco anos. Segundo a FAO, a retração se deve principalmente à menor demanda por óleo de palma, que foi pressionado pela queda dos preços do petróleo.

O indicador de preço de laticínios da FAO caiu para 174 pontos no mês passado, menor nível desde 2009. O resultado representa baixa de 2,3% na comparação com novembro. A redução das importações da China e da Rússia foi responsável pelo aumento dos estoques no mercados internacionais, que pesou sobre as cotações.

O índice de preço da carne também apresentou queda em dezembro ante novembro. No mês, o indicador atingiu 204 pontos, recuo de 1,9%. Entretanto, mesmo com a baixa, o resultado se aproxima do recorde para o mês.

Com relação aos preços do açúcar, o índice da FAO registrou queda de 4,8%, para 219 pontos em dezembro. A baixa dos preços do petróleo, que reduz a demanda por etanol, pesou sobre as cotações do açúcar no mercado internacional em dezembro, além dos amplos estoques da commodity. (O Estado de São Paulo. (Reuters 08/01/2015)

 

Com usinas em crise, Sertãozinho faz pacto para reduzir demissões

Dificuldades no setorsucroalcooleiro, que movimenta 70% do PIB da cidade, causaram 2.400 dispensas em 2014.

Para enfrentar em 2015 a crise no setor sucroalcooleiro, uma cidade paulista resolveu fazer um pacto que envolve prefeitura, vereadores, empresários, comerciantes, sindicatos e outras entidades. Em Sertãozinho, onde 70% do Produto Interno Bruto (PIB) vem do etanol e do açúcar, houve no ano passado 2.400 demissões nas metalúrgicas que atendem as demandas das usinas, e as expectativas para este ano não são nada animadoras.

Diante disso, uma série de ações foi definida para reduzir o impacto da crise e ajudar os desempregados. Eles terão a cobrança de dívidas suspensa por 90 dias - até o início da próxima safra da cana. E, entre outros benefícios, poderão adquirir cestas básicas no município a preço de custo, R$ 69,90 cada.

Essas medidas de emergência se devem ao fechamento de usinas e às dispensas em massa nas metalúrgicas. O "Pacto Social pelo Emprego" foi formatado por um grupo criado com representantes de vários setores da comunidade. O secretário municipal de Indústria e Comércio, Carlos Roberto Liboni, diz que as ações envolvem supermercados, planos de saúde, bancos, entidades e empresas.

Segundo ele, foi elaborado um documento onde são pontuadas as ações de cada um dos setores. A prefeitura afirma que Sertãozinho tem a maior concentração da cadeia produtiva sucroenergética do País e apresenta uma queda constante e acentuada de sua capacidade de manter os postos de trabalho.

Antes de chegar a um consenso, o grupo formado para avaliar as ações se reuniu oito vezes. As medidas poderão ser estendidas ao final do prazo, mas isso dependendo da redução do desemprego e de outras questões. Um dos benefícios para os trabalhadores atingidos pela crise envolve os planos de saúde. Eles se comprometeram a manter os contratos pelo valor corporativo, mesmo em caso de demissão do titular.

Por sua vez, o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br) e o Sindicato dos Metalúrgicos se comprometeram a montar uma Câmara de Mediação, junto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Justiça do Trabalho e a Promotoria. O objetivo é reduzir as pressões para demissões em massa com a criação de instrumentos de conciliação, como acordo de banco de horas, jornadas especiais ou suspensão temporária do contrato de trabalho.

Já a Associação Comercial e Industrial de Sertãozinho ficou de orientar, de maneira ostensiva, seus filiados a renegociarem dívidas. O Banco do Brasil também seguirá esse mesmo parâmetro para atender empresas e pessoas físicas, oferecendo maior carência e menores juros, além de prorrogação de parcelas não vencidas e condições diferenciadas de crédito. Já a OAB intensificará seu programa de assistência judiciária gratuita.

Protesto

Todos os participantes do pacto estarão presentes no "Movimento Popular pelo Emprego do Setor Sucroenergético", marcado para o dia 27 deste mês. Na ocasião, a cidade vai parar e haverá uma manifestação com a finalidade de chamar a atenção do governo federal e do governo do Estado.

Sertãozinho enfrenta há três anos a desaceleração da economia. O secretário Carlos Liboni afirma que a intenção é que todos os setores voltem se reunir em março para avaliar o resultado das medidas e, eventualmente, estender o pacto. Nos últimos quatro anos, cinco usinas fecharam as portas na região, ao mesmo tempo em que não houve nenhum pedido para a abertura de novas unidades.

Na prefeitura, mesmo tendo iniciado 2014 com superávit de R$ 10 milhões, foram contabilizados R$ 20 milhões em perdas somente com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no decorrer do ano, e o orçamento fechou com déficit de R$ 10 milhões. Para tentar equilibrar as contas em 2015, o prefeito José Alberto Gimenez (PSDB) anunciou a demissão de até 15% dos funcionários comissionados.

Apesar dos problemas, o prefeito se mantém otimista. "Penso sempre que as coisas vão melhorar. Às vezes, precisam piorar para melhorar, ouvia isso do meu avô e acho que faz sentido", afirma. Para ele, a situação deve continuar ruim por alguns meses, mas depois Sertãozinho vai se adequar à nova realidade e voltará a ser uma potência sucroalcooleira. (O Estado de São Paulo 09/01/2015)

 

Anfavea: relatório inicial diz que aumento de mistura de etanol não causa grandes problemas

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, declarou nesta quinta-feira, 8, que o relatório sobre os testes de campo, já concluídos, em relação ao aumento da mistura do etanol na gasolina de 25% para 27,5% não "tem grandes problemas".

Ele afirmou, contudo, que os testes de durabilidade ainda estão em andamento e que uma nova reunião com a Casa Civil está agendada para o próximo dia 2 de fevereiro para tratar do assunto. Na ocasião, os resultados desses testes já poderão estar concluídos.

No fim do ano passado, a União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) acusou a Anfavea de querer atrasar a liberação do aumento da mistura. Questionado sobre isso, o presidente da Anfavea desconversou, afirmando que os testes de durabilidade ainda estão em curso. (Agência 08/01/2015)

 

Novo governador do MS diz que vai cumprir promessa de reduzir ICMS do etanol

Com geração média de 185 milhões de litros de etanol por mês, Mato Grosso do Sul é o quarto maior produtor do país, porém o consumidor ainda paga caro pelo combustível no Estado. O governador Reinaldo Azambuja (PSDB), prevê reduzir o preço do etanol e do diesel, diminuindo o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e disse estar fazendo estudos para definir valores e cumprir a promessa de campanha.

O governador destacou, no entanto, que reduzir o preço ao consumidor é uma tarefa que exigirá compromisso da parte dos revendedores. "A redução do ICMS precisa chegar na ponta para o consumidor, porque não adianta a gente diminuir em cima e essa redução não chegar em baixo", disse Reinaldo.

Segundo o governador, o secretário de Estado de Fazenda, Márcio Monteiro está fazendo levantamento das contas, cujo resultado deve ser apresentado no final desta semana. Com isso, o governador irá definir a redução na alíquota do etanol e diesel.

Além de reduzir o custo final dos combustíveis, o governador pretende gerar mais competitividade para o Estado. "Apesar do Governo Federal ter quer aumentar os impostos esse ano devido a crise financeira, nós vamos desonerar impostos em Mato Grosso do Sul, entre eles do óleo diesel e etanol", disse.

Para aumentar a arrecadação sem elevar os imposto, Reinaldo detalhou as estratégias já traçadas por sua gestão. "A gente pode arrecadar bem, com eficiência fiscal, buscando recursos que ainda não estão entrando no cofre, fortalecendo as estruturas do fisco, usando tecnologia de informação e fazendo cruzamento de dados", explicou o governador.

Etanol

Com 2,23 bilhões de litros de etanol gerados na safra 2013/2014, o Estado prevê aumentar a produção em 12% na safra atual, que se estende até meados deste ano.

Na safra 2014/2015, as usinas do Estado devem gerar 2,5 bilhões de litros de etanol, de acordo com previsão da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), que faz levantamento quinzenal da produção de cana-de-açúcar e derivados no Estado.

A produção de etanol deve crescer em função da elevação do volume de cana a ser colhido nesta safra. A Biosul, estima a colheita de 43,3 milhões de toneladas com o fim da safra atual, contra 41,96 milhões de toneladas do ciclo passado.

Preços

De acordo com levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o preço médio do litro do etanol nas distribuidoras é de R$ 1,869, mas o produto chega ao consumidor por R$ 2,164, em Mato Grosso do Sul.

O preço médio do litro do diesel, por sua vez, é de R$ 2,465 nas distribuidoras e sai por R$ 2,784 ao consumidor; enquanto o litro do Diesel S10 sai por preço médio de R$ 2,610 na distribuidora e chega ao consumidor por R$ 2,916. (Brasil Econômico 08/01/2014)

 

Rabobank revela perspectivas para o agronegócio brasileiro em 2015

O Rabobank Brasil divulga, nesta quinta-feira, 8, o estudo “Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2015”, que apresenta as previsões para o ano das principaiscommodities produzidas no país, entre elas soja, milho, algodão, açúcar, etanol, café e bovinos.

De acordo com o relatório, o cenário macroeconômico para o Brasil em 2015 é desafiador. Juros elevados e a inflação persistente, juntamente com a necessidade de ajustes nas contas públicas, devem refletir no crescimento econômico. A desconfiança gerada pela perspectiva ainda negativa no mercado interno, aliada às expectativas de elevação dos juros nos EUA, indica que a tendência de enfraquecimento do real contra o dólar deve continuar.

Confira abaixo alguns destaques do relatório:

Açúcar, etanol e cana

O setor sucroenergético brasileiro deve continuar enfrentando desafios em 2015, com a expectativa da próxima safra ainda sofrer com os impactos da seca que atingiu os canaviais em 2014, o que impediria a recuperação plena da produtividade. Além disso, o setor continua com o endividamento elevado, pois não conseguiu reduzi-lo durante 2014. Como consequência, empresas já em situação mais delicada devem ser pressionadas a reduzir investimentos nos canaviais em 2015, possivelmente engatilhando um ciclo vicioso de declínio de produtividade, receita e margens.

Nessas circunstâncias, um aumento do preço internacional de açúcar seria bem-vindo, mas o espaço para grandes elevações das cotações internacionais é limitado. Os estoques acumulados durante a sequência de excedentes globais ao longo dos últimos quatro anos continuam pesando no mercado.

Já o mercado de etanol apresenta expectativas mais positivas. O etanol hidratado deve beneficiar-se do esperado aumento dos preços da gasolina ou da reintrodução da CIDE, o que elevaria o teto dos preços do hidratado. Além disso, acredita-se que a provável elevação de 25,0% para 27,0% da mistura de etanol anidro na gasolina C aumentará a demanda anual de etanol em 1.0 bilhões de litros.

Café

As perspectivas para a commodity são de preços ainda elevados, reflexo do segundo ano de déficit no mercado de café. As previsões do Rabobank apontam para pouca possibilidade de uma produção nacional maior que a safra anterior. A seca que atingiu as principais regiões produtoras de arábica em 2014 teve um impacto negativo no crescimento vegetativo dos pés de café, reduzindo o potencial produtivo da safra 2015. Os outros principais países produtores de café, apesar das perspectivas gerais de aumento da produção, não devem ser capazes de compensar os volumes menores do Brasil.

Apesar de os fundamentos do mercado apontarem para preços elevados, alguns fatores podem limitar a tendência de alta no ano. Entre esses, destacam-se o nível elevado de estoques nas mãos dos torrefadores, a desvalorização do real e potenciais impactos na demanda devido ao menor crescimento econômico em 2015.

Algodão

No cenário global, a safra norte-americana pode acirrar a competição no mercado de pluma. O excedente mundial, que não conseguirá ser totalmente enxugado pelo consumo do sudeste asiático, deverá pressionar os preços e impactar as cotações brasileiras. Segundo projeções do Rabobank, o patamar médio em Nova York (NY-ICE) deverá sofrer elevação entre US¢ 65/lp e US¢ 75/lp em 2015.

As perspectivas para o mercado nacional são de enfraquecimento dos preços internos e custos elevados, que podem refletir em uma menor área de plantio. Além disso, o câmbio será ser um fator decisivo para a competitividade da produção nacional de algodão.

Soja

Após um aumento de 5,7% na produção mundial de soja no ciclo 2013/14, a perspectiva é de expressiva expansão da produção mundial em 2014/15. Na América do Sul, o crescimento do plantio, com destaque para Brasil e Argentina, deverá contribuir para o maior volume mundial e pressionar os preços internacionais.

No mercado brasileiro, há possibilidade de aquecimento do consumo, impulsionado pela indústria de proteína animal. Assim como para outras commodities, o câmbio desempenhará um papel determinante na comercialização da soja. A projeção de preços do Rabobank para o mercado brasileiro é de uma cotação média próxima a R$ 50/saca de 60 kg no Mato Grosso e R$ 55/saca de 60 kg no Paraná.

Milho

A tendência é do maior nível de reservas de milho dos últimos 15 anos, devido ao segundo ano consecutivo de alta dos estoques mundiais, com projeção da produção em 991 milhões de toneladas (Mt) e uma demanda de apenas 970 Mt.

Esse cenário, que tem como um dos principais fatores a supersafra norte-americana, deverá manter as cotações internacionais pressionadas. As projeções do Rabobank para essa conjuntura apontam para preços médios em Chicago no intervalo entre 3,25/bushel a 3,50/bushel.

No Brasil, a diminuição da área de plantio sinaliza o fim do ciclo de queda de preços. Assim como para a soja, a indústria de proteína animal deverá impulsionar o consumo doméstico do cereal.

Bovinos

As perspectivas para a carne bovina brasileira em 2015 são de um bom posicionamento da produção nacional no cenário internacional com a possível abertura do mercado norte-americano para a carne in natura, a retomada dos envios para a China e a redução do rebanho de concorrentes diretos do Brasil, como os Estados Unidos e a Austrália.

Internamente, a tendência aponta para a manutenção de preços elevados para a carne bovina, o que poderá influenciar o consumidor a migrar para produtos substitutos mais baratos, como o frango. Para o produtor, a demanda por bezerros deverá se manter firme em 2015, impulsionada pelos altos níveis de preços para a arroba do boi gordo.

Frango

O Rabobank prevê um ano favorável para a carne de frango brasileira em 2015, com oportunidades de conquista de novos mercados e do aumento no comércio com a Rússia. Por outro lado, a produção dos Estados Unidos deve acirrar a competição da carne brasileira no mercado externo.

No mercado doméstico, os altos patamares de preço da carne bovina, principal concorrente do frango, deverão favorecer o aumento do consumo. Outro ponto positivo são as boas perspectivas para o consumo de empanados e processados no país.

Suíno

As perspectivas para a carne suína brasileira em 2015 são positivas, principalmente em relação às exportações, com a possibilidade de abertura de novos mercados - como México, Coreia do Sul e Colômbia -, além da oportunidade de consolidação em outros pouco explorados, como Japão.

Com o cenário global oportuno e o crescimento da demanda interna, a produção nacional deve apresentar um crescimento de 3,5%. No mercado doméstico, a expectativa é de que o crescimento no consumo de processados e de cortes especiais seja maior do que o de carne in natura, o que favorecerá as empresas com foco em produtos de maior valor agregado.

Suco de laranja

A quebra da safra da Flórida, que deverá aumentar a demanda do suco brasileiro no mercado americano, e o possível aumento dos preços no segundo semestre do ano –impulsionado pela relação estoque-consumo em 26% – garantem tendências claras de um cenário mais favorável em 2015 para a indústria nacional de suco de laranja.

Apesar disso, o Brasil deverá enfrentar uma redução das exportações para a Europa, que representa o maior mercado para o suco brasileiro.

Leite

O ano de 2015 será marcado por uma oferta firme de leite no Brasil, reflexo do aumento de investimentos no rebanho e em equipamentos no último ano (possibilitados pela margens positivas). O crescimento da produção doméstica e a desaceleração da demanda interna podem pressionar os preços na primeira metade do ano, tendo como consequência uma remuneração mais baixa para o produtor.

Já as exportações podem perder competitividade com o acirramento da concorrência em mercados tradicionais, como a Venezuela e o Oriente Médio. Ainda, a indústria nacional deve promover expressivamente a inovação ao longo do ano, consequência da reorganização de grandes empresas do setor.

Insumos

A expectativa de desaceleração na demanda global por fertilizantes em função da queda nas cotações das principais commodities pode ser refletida nos preços dos insumos pagos pelo produtor brasileiro.

No mercado interno, o menor crescimento na demanda de fertilizantes, aliado à ampliação das importações, pode resultar em estoques relativamente confortáveis no início de 2015. Isso restringe o potencial de alta das cotações de adubo no mercado interno, pelo menos no primeiro semestre. Entretanto, assim como verificado nas duas últimas safras, o dólar mais firme pode impedir que a queda nas cotações internacionais de fertilizantes seja refletida nos preços de adubo no mercado doméstico (Brasil Agro 08/01/2015)

 

Ministro reconhece que setor do etanol tem sido “penalizado”

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto disse que o setor do etanol foi muito penalizado nos últimos anos e vive um momento difícil. "Acho que temos que ter um olhar sobre esse setor", afirmou."Considero que o etanol foi uma construção importante. Esse setor está construído, temos investimento feito, é um capital que está aí disponível. Em função de algumas questões associadas à política energética, à política de preços, esse setor foi muito penalizado nos últimos anos e vive um momento difícil", afirmou.

Monteiro Neto citou os motores flex e disse que o etanol pode desempenhar importante papel na matriz energética brasileira. "Quanto mais eficientes os motores, tanto mais o etanol poderá se colocar de forma econômica nessa matriz", afirmou, deixando claro que o Ministério da Agricultura é a principal pasta que trata do assunto. "Vamos trabalhar juntos e considero importante que MDIC não fique alheio a esse processo"

Ele também defendeu nesta quarta-feira a revitalização do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), criado no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Esse conselho foi um espaço muito importante nos primeiros quatro anos do governo Lula exatamente para impulsionar a agenda que tem interface mais próxima com setor produtivo", disse. "Todos os ministros da área econômica sentavam nesse conselho e o presidente da República em vários momentos esteve presente", lembrou, acrescentando que já conversou com a presidente Dilma Rousseff sobre o papel do conselho.

BNDES

O ministro disse em entrevista coletiva que a presidente Dilma Rousseff fará a escolha do novo presidente do BNDES. "A presidente que sempre decide sobre o BNDES, apesar do ministro (do Desenvolvimento) ser o presidente do conselho de administração. Mas o ministro pode opinar", afirmou. Monteiro Neto disse que em oito dias definirá os presidentes da Apex e da ABDI - e até o final do mês anunciará toda a equipe de segundo escalão do ministério.

Autonomia

Questionado sobre a autonomia do MDIC em relação ao Ministério da Fazenda, o ministro afirmou que não há disposição de disputar protagonismo. Segundo Monteiro Neto, o Ministério da Fazenda sempre terá posição de grande importância, "porque os temas que tratamos dizem respeito a condução da política fiscal e monetária". "O MDIC é ministério que tem papel de coordenação, porque a agenda de competitividade está dispersa em várias áreas do governo", afirmou.

Ele afirmou ainda que é preciso uma agenda positiva e que ela não pode ser apenas de ajuste. "Se não avançarmos nessa agenda, se ficarmos em posição de imobilidade, quando reequilibrarmos a economia, vamos continuar com a propensão de crescer pouco, com baixa taxa de poupança e investimento", defendeu. (O Estado de Minas 08/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Impulso climático: O receio com o clima nas regiões cafeeiras do Brasil tem atraído cada vez mais fundos para o mercado do grão na bolsa de Nova York, o que assegurou ontem a quarta alta seguida dos preços. Os contratos para maio fecharam com avanço de 180 pontos, a US$ 1,7955 a libra-peso. Segundo um analista do mercado em Nova York, os produtores brasileiros também estão retraídos em suas vendas por conta da incerteza se vai chover o suficiente nas próximas semanas e estão esperando que os preços subam para colocar seu produto à venda. Essa postura tem provocado uma restrição de oferta no curto prazo, o que oferece sustentação aos preços. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 4,35%, para R$ 493,53 a saca, acumulando uma alta de 8,68% desde o início do ano.

Cacau: Oferta incerta: As cotações do cacau voltaram a subir ontem na bolsa de Nova York reflexo da oferta cada vez mais incerta por parte do oeste da África. Os lotes da amêndoa para maio fecharam com alta US$ 68, a US$ 2.963 a tonelada. Dados de poucas entregas de cacau em Gana se somaram aos balanços recentes de baixa venda do produto também na Costa do Marfim, os dois maiores produtores da fruta no mundo. O clima no oeste da África tem sido mais seco que o normal para esta época do ano, mas acredita-se que isso deve afetar mais a safra intermediária, que será colhida entre abril e junho, segundo Jack Scoville, vice-presidente da Price Futures Group. No mercado interno, o preço médio da amêndoa em Ilhéus/Itabuna ficou em R$ 110 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Novas estimativas: Os contratos futuros da soja cederam ontem na bolsa de Chicago, conforme os investidores se reposicionam à espera de novas estimativas oficiais de safra. Os lotes para março fecharam a US$ 10,4825 o bushel, queda de 8 centavos. Os traders aguardam o relatório de hoje da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A projeção será observada de perto pelos investidores, já que o foco do mercado agora está voltado à safra brasileira, cuja colheita já começou e deve abastecer os compradores internacionais nos próximos meses. Os operadores também aguardam o próximo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No mercado interno, o preço médio da soja no Paraná subiu 0,71%, para R$ 59,70 a saca, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Forte recuo: As cotações do trigo cederam de forma expressiva ontem nas bolsa americanas diante de vendas técnicas e da indicação de baixa demanda pelo produto dos Estados Unidos. Em Chicago, os lotes para maio fecharam em US$ 5,72 o bushel, o menor patamar desde 26 de novembro, queda de 12 centavos. Em Kansas, onde se comercializa o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento fecharam com recuo de 11,25 centavos, a US$ 6,1225 o bushel. Houve forte liquidação de posições por parte dos fundos de índices, cujo movimento já era esperado. Os dados das vendas de trigo dos EUA ao exterior apontaram queda, indicando que o cereal americano segue pouco competitivo. No mercado doméstico, o preço médio no Paraná ficou estável em R$ 30,92 a saca, conforme o Deral/Seab. (Valor Econômico 09/01/2015)