Setor sucroenergético

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Sertãozinho prepara ato de protesto contra crise no setor canavieiro

Para enfrentar em 2015 a crise no setor sucroalcooleiro, uma cidade paulista resolveu fazer um pacto que envolve prefeitura, vereadores, empresários, comerciantes, sindicatos e outras entidades. Em Sertãozinho, onde 70% do Produto Interno Bruto (PIB) vem do etanol e do açúcar, houve no ano passado 2.400 demissões nas metalúrgicas que atendem as demandas das usinas, e as expectativas para este ano não são nada animadoras.

Diante disso, uma série de ações foi definida para reduzir o impacto da crise e ajudar os desempregados. Eles terão a cobrança de dívidas suspensa por 90 dias - até o início da próxima safra da cana. E, entre outros benefícios, poderão adquirir cestas básicas no município a preço de custo, R$ 69,90 cada.

Essas medidas de emergência se devem ao fechamento de usinas e às dispensas em massa nas metalúrgicas. O "Pacto Social pelo Emprego" foi formatado por um grupo criado com representantes de vários setores da comunidade. O secretário municipal de Indústria e Comércio, Carlos Roberto Liboni, diz que as ações envolvem supermercados, planos de saúde, bancos, entidades e empresas.

Segundo ele, foi elaborado um documento onde são pontuadas as ações de cada um dos setores. A prefeitura afirma que Sertãozinho tem a maior concentração da cadeia produtiva sucroenergética do País e apresenta uma queda constante e acentuada de sua capacidade de manter os postos de trabalho.

Antes de chegar a um consenso, o grupo formado para avaliar as ações se reuniu oito vezes. As medidas poderão ser estendidas ao final do prazo, mas isso dependendo da redução do desemprego e de outras questões. Um dos benefícios para os trabalhadores atingidos pela crise envolve os planos de saúde. Eles se comprometeram a manter os contratos pelo valor corporativo, mesmo em caso de demissão do titular.

Por sua vez, o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br) e o Sindicato dos Metalúrgicos se comprometeram a montar uma Câmara de Mediação, junto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Justiça do Trabalho e a Promotoria. O objetivo é reduzir as pressões para demissões em massa com a criação de instrumentos de conciliação, como acordo de banco de horas, jornadas especiais ou suspensão temporária do contrato de trabalho.

Já a Associação Comercial e Industrial de Sertãozinho ficou de orientar, de maneira ostensiva, seus filiados a renegociarem dívidas. O Banco do Brasil também seguirá esse mesmo parâmetro para atender empresas e pessoas físicas, oferecendo maior carência e menores juros, além de prorrogação de parcelas não vencidas e condições diferenciadas de crédito. Já a OAB intensificará seu programa de assistência judiciária gratuita.

Protesto

Todos os participantes do pacto estarão presentes no "Movimento Popular pelo Emprego do Setor Sucroenergético", marcado para o dia 27 deste mês. Na ocasião, a cidade vai parar e haverá uma manifestação com a finalidade de chamar a atenção do governo federal e do governo do Estado.

Sertãozinho enfrenta há três anos a desaceleração da economia. O secretário Carlos Liboni afirma que a intenção é que todos os setores voltem se reunir em março para avaliar o resultado das medidas e, eventualmente, estender o pacto. Nos últimos quatro anos, cinco usinas fecharam as portas na região, ao mesmo tempo em que não houve nenhum pedido para a abertura de novas unidades.

Na prefeitura, mesmo tendo iniciado 2014 com superávit de R$ 10 milhões, foram contabilizados R$ 20 milhões em perdas somente com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no decorrer do ano, e o orçamento fechou com déficit de R$ 10 milhões. Para tentar equilibrar as contas em 2015, o prefeito José Alberto Gimenez (PSDB) anunciou a demissão de até 15% dos funcionários comissionados.

Apesar dos problemas, o prefeito se mantém otimista. "Penso sempre que as coisas vão melhorar. Às vezes, precisam piorar para melhorar, ouvia isso do meu avô e acho que faz sentido", afirma. Para ele, a situação deve continuar ruim por alguns meses, mas depois Sertãozinho vai se adequar à nova realidade e voltará a ser uma potência sucroalcooleira. (O Estado de São Paulo 09/01/2015)

 

IAC faz nova recomendação de zinco para canavicultura

Novos estudos do instituto sugerem o dobro da dose, que poderá viabilizar ganhos de 16% na produtividade da primeira safra.

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) faz uma nova recomendação de aplicação de zinco na adubação do plantio da cana-de-açúcar de São Paulo. Os novos estudos do IAC sugerem o dobro da dose até então sugerida.

Na nova tabela de adubação de plantio para a cana, o instituto passa a recomendar a aplicação de até 10 kg de zinco, por hectare, no sulco de plantio, em solos de baixa fertilidade. O objetivo é aumentar a produtividade da cultura. A correção da dose em solos deficientes em zinco poderá viabilizar ganhos de 16% na produtividade da cana na primeira safra.

Além de aumentar a produtividade, a aplicação de dez quilos, por hectare, de zinco no sulco de plantio é capaz de proporcionar o efeito residual nas soqueiras e aumentar a produtividade da cana nas safras subsequentes – explica o pesquisador do IAC Estêvão Vicari Mellis.

Conforme observado em estudos realizados pelo IAC, na primeira e segunda soqueiras, o ganho médio na produtividade da cana é de 10%. Com uma única aplicação no plantio, o aumento da produção pode chegar a 36 toneladas por hectare, em três safras de cana. Esse resultado deverá elevar a produtividade média atual, que está em torno de 80 toneladas por hectare.

Dados referentes à safra de 2012/2013 indicam que a canavicultura, principal atividade agrícola paulista, ocupa 5,53 milhões de hectares, que representam 21% da área total do Estado. Segundo Mellis, cerca de 60% desses campos podem estar deficientes em zinco. Ressalta-se que a completa análise de solos é imprescindível para avaliar a necessidade de adubação com zinco.

A aplicação de zinco só será recomendada quando os teores disponíveis desse micronutriente estiverem baixos – afirma o pesquisador do IAC, Estêvão Vicari Mellis.

O estudo que originou essa nova recomendação foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e faz parte de um programa de pesquisas com micronutrientes em cana-de-açúcar, que vem sendo conduzido em todas as regiões produtoras de cana do Estado, desde 2005. O programa também conta com a parceria da iniciativa privada.

Impactos na cadeia sucroalcooleira

Acredita-se que essa nova recomendação de aplicação de zinco em cana-de-açúcar terá efeito direto na produção e, consequentemente, na geração de etanol e açúcar, proporcionando saltos de eficiência ao setor.

A adoção dessa nova tecnologia deverá provocar um aumento no consumo de zinco em campos paulistas, situação que poderá exigir adaptações das empresas de fertilizantes e de máquinas para atender ao mercado. (IAC 10/01/2014 às 17h: 12m)

 

PIB do agronegócio avança em 2015 com alta na produção e câmbio

O produto interno bruto (PIB) do agronegócio em 2015 deverá ter melhor desempenho que no ano passado, estimou nesta sexta-feira a nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, devido a um aumento da produção e à valorização do dólar frente o real.

A ministra falou com jornalistas durante o anúncio da nova projeção de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que elevou a previsão para colheita de soja e milho em 2014/15. (Reuters 09/01/2015)

 

Receita com exportação do agronegócio recua 3,2% em 2014

As exportações de produtos do agronegócio brasileiro atingiram 96,75 bilhões de dólares em 2014, queda de 3,2 por cento em comparação ao recorde de quase 100 bilhões de dólares de 2013, pressionadas principalmente pelo recuo das vendas do setor de açúcar e etanol, informou nesta sexta-feira o Ministério da Agricultura.

A atípica queda das exportações do setor, fundamental para as contas externas do país, só não foi maior porque as vendas de soja atingiram patamares recordes, assim como as de carne bovina. E as exportações de carne de frango ficaram perto dos melhores patamares da história também.

Porém as vendas do complexo sucroalcooleiro, terceiro setor em importância para as exportações do agronegócio do Brasil, após a soja e as carnes, atingiram 10,37 bilhões de dólares, queda de 24,4 por cento.

O ministério relatou recuo de 11,8 por cento no preço médio das vendas do setor e de 14,3 por cento na quantidade embarcada, destacando que a perda de receita anual (3,35 bilhões de dólares) foi maior do que a queda verificada nas exportações totais do agronegócio do Brasil no período.

As exportações de açúcar responderam por 9,46 bilhões de dólares, ou 91,2 por cento do total exportado pelas usinas, enquanto as vendas externas de etanol somaram 898 milhões de dólares.

Já as exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) somaram 31,40 bilhões de dólares e 60,71 milhões de toneladas em 2014, aumento de 1,4 por cento e 5,6 por cento, respectivamente.

O segundo setor do agronegócio brasileiro em valor exportado foi o setor de carnes, com vendas externas de 17,43 bilhões de dólares, alta de 3,7 por cento na comparação anual e de 6,38 milhões de toneladas (alta de 1,9 por cento).

A carne de frango foi o principal item do setor, com vendas de 7,93 bilhões de dólares (queda de 0,4 por cento) e 4 milhões de toneladas embarcadas (alta de 2,7 por cento). As exportações de carne bovina atingiram a cifra de 7,15 bilhões de dólares (alta de 7,3 por cento), para um total de 1,55 milhão de toneladas (elevação de 2,7 por cento).

Por outro lado, as importações do agronegócio tiveram queda de 2,6 por cento, para 16,61 bilhões de dólares no acumulado de 2014, gerando um saldo da balança comercial do setor de 80,13 bilhões de dólares (queda de 3,3 por cento na comparação anual). (Reuters 09/01/2015)

 

Produtor precisou de mais soja para comprar adubos

No mercado interno brasileiro, os preços dos fertilizantes com base em fosfato e potássio registraram alta significativa ao longo de 2014 em função da valorização do dólar frente ao real e do reajuste desses produtos no mercado internacional, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/Usp. A maior parte dos adubos usados no país é importada - mais de 70% da demanda doméstica é abastecida por importações.

O cloreto de potássio teve alta superior a 20% em dezembro de 2014 ante o mesmo mês de 2013, para R$ 1.300 a tonelada, segundo Victor Ikeda, analista de mercado do Cepea. O MAP (fosfato monoamônico) também ficou em torno de 20% mais caro, na mesma comparação, para R$ 1.600 a tonelada.

No caso dos adubos nitrogenados, como a ureia e o nitrato de amônio, as valorizações foram menores, em torno de 5% e 10%, respectivamente. Além da queda nos preços das matérias-primas desses produtos - petróleo e gás natural-, também pesou nas cotações a perspectiva de área maior no Brasil para a soja na safra 2014/15. A soja é uma cultura que quase não demanda adubos nitrogenados, diferentemente do milho, explica Ikeda.

Além disso, a possibilidade de redução de área de milho também na segunda safra e menos investimentos em adubação de cana-de-açúcar contribuíram para a menor valorização dos preços desses adubos.

Com a valorização dos preços dos fertilizantes e redução das cotações da soja no mercado interno, a relação de troca da oleaginosa por adubo piorou em dezembro do ano passado ante o mesmo mês de 2013. Para adquirir uma tonelada de cloreto de potássio no Cerrado (região Centro-Oeste e Maranhão e Bahia), foram necessárias 24,7 sacas de 60 quilos de soja, ante 18,5 sacas em dezembro de 2013, conforme o Cepea. Já no caso do MAP, essa relação ficou em 29,8 sacas, ante 22,3 sacas em dezembro de 2013.

Em adubos nitrogenados, a relação de troca de milho do Cerrado por ureia ficou mais favorável em dezembro de 2014 - 64,2 sacas, ante 70 sacas no mesmo mês de 2013. Diante das incertezas sobre o mercado agrícola, os produtores de Mato Grosso colocaram o pé no freio na antecipação das compras de adubos, diferentemente do que vinham fazendo nos últimos anos.

No fim de 2014, praticamente não houve aquisições por parte dos produtores mato-grossenses para o plantio da safra de verão deste ano, afirma Ikeda. No mesmo período de 2013, havia relatos de compras de 15% a 20% dos adubos necessários para o cultivo da safra em algumas regiões do Estado. Entretanto, essas compras podem ser feitas no início da colheita da soja, a partir deste mês. (Valor Econômico 12/01/2015)

 

Preço dos alimentos dobrou em 10 anos

Custo avançou 99,73% entre 2005 e 2014, enquanto índice de inflação registrou taxa bem inferior, de 69,3%, de acordo com o IBGE.

Os preços dos alimentos já subiram 99,73% nos últimos dez anos, muito acima da inflação oficial no período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma taxa de 69,34% de 2005 a 2014. Ou seja, o custo para comer praticamente dobrou no período.

Os problemas climáticos e o aumento da demanda pressionam os preços de alimentos, segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

"(Esse aumento) Vem sendo atribuído a problemas climáticos, às mudanças que vêm ocorrendo no clima e ao dólar, que sempre permeia a agricultura. A seca, tem prejudicado as lavouras não só no Brasil, mas no mundo todo. E também tem o aumento da demanda. Aqui no Brasil tem tido mais renda, mais emprego, e, consequentemente, mais procura por alimentos", justificou Eulina.

Nos últimos dez anos, os alimentos consumidos em casa subiram 86,59%. No entanto, a alta foi de 136,14% para os alimentos consumidos fora de casa.

"É renda, é o aumento do emprego, as mulheres trabalhando mais fora de casa, a maior dificuldade de ter empregada. As pessoas estão optando muitas vezes por comerem direto na rua", explicou Eulina. "E tem também a questão dos custos desses estabelecimentos, que é o próprio aumento dos preços dos alimentos, aumento do aluguel, os salários aumentando além da inflação, com ganhos reais. São vários custos que fazem esse grupamento ter aumento", completou.

O item refeição fora aumentou 141,05% em dez anos, o empregado doméstico subiu 181,89%, e o aluguel aumentou 100,49%.

O IBGE calculou ainda a inflação de serviços no período, que alcançou 107,56% em dez anos, e a de monitorados, com taxa de 50,41%. (Agência Estado 09/01/2015)

 

Tradings investem em infraestrutura no Leste Europeu

O crescimento da importância da Rússia e da Ucrânia no mercado global de trigo nos últimos anos ocorreu na esteira de fortes investimentos das maiores tradings agrícolas do mundo na região. Nos últimos dez anos, os aportes têm sido direcionados principalmente à construção de infraestrutura para armazenar e escoar os produtos agrícolas.

A americana Cargill, que atua na região desde 1991, adquiriu 25% de participação em um porto na parte russa do Mar Negro em 2013. O aporte - cujo valor não foi divulgado - foi o primeiro da multinacional na infraestrutura da região.

A companhia ainda tem na Rússia uma unidade de processamento de trigo, uma fábrica de ração e um frigorífico, e na Ucrânia a Cargill é proprietária de silos e da maior produtora de ração do país, além de ter uma participação de 5% em uma trading local. Até 2013, a empresa já havia investido, apenas na Rússia, US$ 900 milhões. E em 2014 anunciou um investimento de US$ 100 milhões para a expansão de seu moinho no país.

A francesa Louis Dreyfus Commodities tem, há dois anos, uma joint venture com a companhia ucraniana Brooklyn Kiev, que administra um terminal portuário em Odessa, no Mar Negro. A trading também detém 12 silos na Rússia e seis na Ucrânia.

Um ano antes, a também americana Bunge já iniciava suas operações em seu terminal de grãos no porto Nikolaev, na Ucrânia, com acesso ao mar Negro, após um investimento de cerca de US$ 100 milhões. Na Rússia, sua presença é focada na produção de alimentos, com 12% de participação no mercado de óleos do país.

A ADM é outra trading dos Estados Unidos que administra instalações portuárias na Ucrânia, onde ainda possui uma planta de processamento de oleaginosas e um sistema de armazenamento de grãos. No ano passado, mesmo em meio aos conflitos entre russos e ucranianos, a companhia completou a aquisição da participação que faltava para obter controle total da trading Toepfer International, com operação em solo ucraniano. (Valor Econômico 12/01/2015)

 

Espalhando óleo

Crise da Petrobras afeta empreiteiras, estaleiros e ameaça 20 mil fornecedores de setor que responde por 13% do PIB.

Primeiro foram afetadas as empreiteiras que construíram refinarias para a Petrobras. Depois, a crise da estatal chegou à Sete Brasil, maior fornecedora de plataformas e de sondas para o pré-sal, que hoje precisa de US$ 5 bilhões para pagar aos estaleiros.

Agora, são os bancos que terão de fazer provisões para cobrir possíveis calotes em cascata no setor de óleo e gás. Um estudo do governo afirma que os bancos privados e públicos teriam emprestado R$ 130 bilhões ao setor.

Sem balanço auditado, a Petrobras não consegue captar novos recursos e começa a ficar sem caixa para pagar fornecedores e dívidas.

A crise tem o potencial para desestabilizar todo o setor de petróleo e gás brasileiro, além das cadeias petroquímica, de fertilizantes e de biocombustíveis, que têm a estatal como principal parceira ou fornecedora de insumos.

Trata-se de um setor que respondia em 2012 (último dado disponível) por 13% do PIB brasileiro, algo como R$ 560 bilhões; em 2014, deve ter caído devido ao recuo nos preços do petróleo e dos desdobramentos da Operação Lava Jato.

A estatal tem uma rede de mais de 20 mil fornecedores cadastrados, entre fabricantes de máquinas, equipamentos, embarcações e prestadores de serviços de diferentes portes e com contratos que vão de menos de um ano (curto prazo) a mais de 12 anos (longo prazo).

A grande maioria --cerca de 18 mil-- participa da cadeia de exploração e de produção de petróleo e gás, especialmente em alto-mar, águas profundas, ultraprofundas e pré-sal.

São fornecedores de navios, plataformas marítimas, sondas e componentes que surgiram para atender a exigência de nacionalização mínima de 60% das embarcações e de equipamentos utilizados na exploração.

Só os investimentos previstos na área de exploração chegam a R$ 400 bilhões até 2020, segundo a Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo).

CONCENTRAÇÃO

Apesar do fim do monopólio do petróleo, quebrado por emenda constitucional em 1997, a Petrobras segue ainda com uma posição monopolista no setor, confundindo-se com a própria indústria.

Na exploração, a estatal tem 92% do mercado, sendo que a maioria das demais empresas ou são suas parceiras em projetos ou fornecedoras.

O refino, que é a fase em que o petróleo é transformado em combustíveis e derivados, está todo nas mãos da estatal. A Petrobras ainda compra etanol e biodiesel de cerca de 80 usineiros e de produtores rurais para misturar com a gasolina (o combustível tem 25% de álcool) ou com o diesel (5% é biodiesel). Fora os 5% de álcool que ela mesma produz.

A distribuição, responsável por levar os combustíveis a postos e grandes clientes, é a área de maior concorrência. A Petrobras tem perto de 60% do mercado com as bandeiras Petrobras (antiga BR) e Ipiranga. Mesmo assim, concorrentes como a Shell compram o combustível refinado da própria estatal. (Folha de São Paulo 12/01/2014)

 

Petrobrás pode vender fatias no pré-sal

Venda de participações seria forma de reforçar o caixa da companhia, mas preço do petróleo em queda deve dificultar as negociações.

Em meio a dificuldades de caixa e com um pesado compromisso de investimento, a Petrobrás analisa vender participações em áreas no pré-sal como solução de curto prazo para enfrentar dificuldades financeiras. Investidores financeiros e petroleiras instalados no exterior estão sendo sondados para avaliar se têm interesse no negócio.

O projeto ainda está sendo tratado no âmbito da diretoria da estatal. Se concretizado, vai ajudar a empresa a enfrentar os percalços provocados pelas denúncias de corrupção e pelo endividamento, que cresceu no último ano com a elevação da cotação do dólar frente ao real. Da dívida total da empresa, 81% estão em moeda estrangeira.

De acordo com fonte envolvida na operação, o projeto faz parte do programa de desinvestimento da companhia, que, até agora, esteve focado na venda de ativos no exterior. A partir deste ano, a Petrobrás vai direcionar os esforços a ativos de exploração e produção no Brasil, principalmente em áreas atrativas a investidores, sem, no entanto, comprometer o plano de alcançar a marca de produção de 4 milhões de barris por dia, em média, a partir de 2020. Procurada para falar sobre o plano, a Petrobrás não respondeu até o fechamento desta edição.

Preços

O que deve dificultar o plano da Petrobrás é a atual queda livre no preço do barril de petróleo no mercado externo. O movimento começou em outubro, quando o barril era negociado na casa dos US$ 90. Nesta sexta-feira, o petróleo fechou cotado a US$ 48,36 na New York Mercantile Exchange (Nymex), com queda de 0,88%. Na Intercontinental Exchange, o petróleo Brent fechou com queda de 1,66%, cotado a US$ 50,11 o barril. Nesse cenário, a expectativa é que o interesse das petroleiras internacionais em ampliar a produção seja menor e mesmo que o caixa dessas companhias esteja enfraquecido.

O Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, apurou que algumas das sócias da petroleira no pré-sal estão sondando possíveis parceiros na Europa e na China. Duas empresas chinesas, a CNPC e a Cnooc, já estão no pré-sal ao lado da Petrobrás, no campo de Libra, com 10% de participação cada uma. Mas, diferentemente de Libra, as áreas do pré-sal analisadas agora foram contratadas em regime de concessão e, por isso, não exigem que a Petrobrás seja a operadora e tenha uma participação mínima de 30%.

O desenho da operação pela Petrobrás ainda não está fechado, mas, o ideal para a estatal seria manter participação nos projetos. Outra alternativa seria recorrer a novos parceiros que entrem apenas com dinheiro, sem que as participações acionárias sejam alteradas. O ganho desses investidores viria do resultado da produção.

Esforço menor

O especialista Alfredo Renault, da PUC-Rio, acredita que o projeto seria bem recebido pelo mercado, porque diminuirá o esforço de investimento da Petrobrás. Ao mesmo tempo, alerta que esse não é o melhor momento para vender ativos em exploração e produção por conta da queda no preço do barril do petróleo.

Graça Foster, presidente da Petrobrás, confirmou, em encontro com jornalistas, em dezembro, que a estatal levará a diante seu plano de desinvestimento para fazer caixa e reduzir compromissos e manterá o foco nos projetos considerados prioritários. Ao comentar o plano, demonstrou também convicção de que o preço do petróleo voltará a subir, o que favorecerá a venda de áreas. “Dói falar em desinvestir em E&P (exploração e produção) com o petróleo em baixa”, afirmou a executiva.

A Petrobrás possui, atualmente, dez áreas em fase de exploração no pré-sal, com mais chance de entrarem na lista de desinvestimento, em sociedade com outras petroleiras, nas bacias de Campos e Santos, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Nesses casos, as participações da Petrobrás variam de 30% a 80%. (O Estado de São Paulo 10/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Teto em um mês: Pela quinta sessão seguida, os preços do café arábica fecharam em alta na bolsa de Nova York na sexta-feira, diante dos crescentes receios com as poucas chuvas no Sudeste brasileiro. Os contratos para maio fecharam em alta de 315 pontos, a US$ 1,827 a libra-peso, o maior valor desde 4 de dezembro. Há previsão de chuvas para os próximos dez dias, mas o acumulado ficará bem abaixo da média para essa época nas áreas produtoras, diz a Somar Meteorologia. O cenário é muito semelhante ao observado em janeiro de 2014, quando uma estiagem se prolongou por meses e prejudicou o desenvolvimento dos grãos. O cenário tem atraído compradores especulativos à bolsa. No mercado interno, o grão de boa qualidade é negociado entre R$ 510 e R$ 520 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Realização de lucros: Após duas fortes altas, os preços do cacau cederam na sexta-feira na bolsa de Nova York diante da tentativa dos investidores de realizar lucros recentes. Os contratos para maio fecharam com recuo de US$ 19, a US$ 2.944 a tonelada. Os preços vinham encontrando suporte por causa do tempo seco nas regiões produtoras do oeste da África, o que pode prejudicar a produção da safra intermediária. Por outro lado, os traders esperam por dados fracos de moagem de cacau da Europa, o que pode exercer alguma pressão no mercado. Com indicações distintas dos fundamentos, os fundos e investidores especulativos preferiram liquidar posições no último pregão. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus/Itabuna ficou estável em R$ 110 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Alta pré-USDA: Os preços da soja subiram na bolsa de Chicago na sexta-feira, último pregão antes da divulgação do novo relatório de oferta e demanda mundial do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), marcado para hoje à tarde. Os contratos para março fecharam a US$ 10,5225 o bushel, alta de 4 centavos. A atenção dos traders estará no balanço dos estoques americanos de 1º de dezembro do ano passado e na estimativa para os estoques finais da atual safra 2014/15. A valorização da soja esteve relacionada a compras dos fundos e ao fluxo de capital especulativo do campo de energias para as agrícolas, segundo Pedro Dejneka, sócio-diretor da consultoria AGR Brasil, de Chicago. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos permaneceu estável, a R$ 61,17.

Milho: Demanda reaquecida: Um acerto de exportação dos EUA e compras especulativas às vésperas do novo relatório do Departamento de Agricultura do país (USDA) fizeram o milho registrar ganhos em Chicago na sexta-feira, após três pregões seguidos em queda. Os lotes para maio fecharam com avanço de 5,50 centavos, a US$ 4,0825 por bushel. Os americanos venderam 136 mil toneladas de milho à Coreia do Sul, em um momento em que a demanda internacional pelo grão dos EUA está nos menores níveis da atual safra. Os traders também ajustaram posições ante a expectativa de que o relatório do USDA traga uma redução nas projeções de oferta do cereal hoje. No oeste da Bahia, a saca de 60 kg foi negociada a R$ 25,25 na sexta-feira, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). (Valor Econômico 12/01/2015)