Setor sucroenergético

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Biosev capta mais US$ 318 milhões para alongar dívidas

A Biosev, a segunda maior produtora de açúcar e etanol do país, anunciou ontem a última etapa de captações planejadas para o ciclo 2014/15, que oficialmente termina em 31 de março. A companhia, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, fechou um empréstimo sindicalizado de US$ 318 milhões para fazer frente à sua demanda de investimentos operacionais e de alongamento de débitos que venciam na temporada.

O diretor-presidente da Biosev, Rui Chammas, não revelou o impacto da captação no endividamento de curto prazo da companhia. Mas afirmou que já está fazendo o planejamento estratégico para o ciclo 2015/16, que começa em 1º de abril e também incluirá uma nova rodada de alongamento das dívidas que estavam no ano passado no longo prazo e que se moveram para o vencimento no curto prazo.

No último balanço disponível da Biosev, referente ao trimestre encerrado em 30 de setembro, a companhia informava uma dívida líquida (sem estoques) de R$ 4,080 bilhões, sendo que, a de curto prazo, estava em R$ 1,029 bilhão (sem estoques), o equivalente a 34,4% do endividamento total da empresa. Chammas afirma que o percentual considerado ideal pela companhia é que a dívida de vencimento em até 12 meses seja equivalente a, no máximo, 30% da dívida total.

Os US$ 318 milhões anunciados ontem foram captados na forma de pré-pagamento de exportação e vencem em abril de 2018. Os bancos Crédit Agricole, ING e Natixis coordenaram o sindicato de oito bancos que participaram da operação, que saiu por uma taxa de juros equivalente a Libor mais 4,75% ao ano.

O capital vai entrar no caixa da empresa em três parcelas até o fim de março. A companhia espera também concluir no primeiro trimestre do ano um aumento de capital de R$ 128 milhões a ser subscrito pelo IFC, braço do Banco Mundial para financiar o setor privado. Em junho do ano passado, a Biosev também havia anunciado a contratação de uma linha de Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACC) de US$ 440 milhões com vencimento em três anos. (valor Econômico 13/01/2015)

 

Biosev vê clima normal até o momento e espera reação do canavial em 2015/16

A Biosev, segunda maior processadora de cana-de-açúcar do Brasil, projeta que chuvas dentro da normalidade até o momento poderão provocar uma reação dos seus canaviais na próxima safra, após forte impacto causado por um verão seco no início de 2014.

"A gente espera uma reação do canavial a essa normalidade climática, diferente da estiagem que a gente teve muito intensa no verão passado. Mas ainda não conseguimos quantificar isso", disse nesta segunda-feira o presidente da companhia, Rui Chammas, em entrevista à Reuters.

Segundo ele, o verão em São Paulo está registrando chuvas até o momento "dentro de uma certa normalidade". Das onze usinas da companhia, cinco estão no interior paulista, concentradas principalmente no norte do Estado.

Apesar de irregulares, as chuvas neste início de ano têm ocorrido de forma mais frequente que em 2014, quando a estiagem foi generalizada, reduzindo expressivamente a colheita das usinas paulistas na temporada 2014/15, cuja moagem está sendo encerrada.

"VOU PRECISAR DE MAIS ALGUMAS SEMANAS AO LONGO DESTE PRIMEIRO TRIMESTRE PARA SABER O QUE ESPERAR DA PRÓXIMA SAFRA"

Chammas disse que o verão também está sendo normal, do ponto de vista climático, em Mato Grosso do Sul (onde há três usinas da Biosev) e no Nordeste (com duas usinas).

Meteorologistas, no entanto, apontam que janeiro deverá terminar com chuvas abaixo da média histórica em São Paulo e toda a região Sudeste.

"Vou precisar de mais algumas semanas ao longo deste primeiro trimestre para saber o que esperar da próxima safra", disse o presidente da Biosev, do grupo francês Louis Dreyfus.

Ele reafirmou a projeção de que a companhia vai encerrar a safra 2014/15 com moagem entre 29 milhões e 31,5 milhões de toneladas de cana, contra 30 milhões em 2013/14. Apesar de a colheita 2014/15 no centro-sul do Brasil já estar virtualmente encerrada, a Biosev continua operando no Nordeste.

O executivo ainda projetou que a colheita em áreas da companhia no centro-sul seja retomada em meados de março.

A companhia anunciou nesta segunda-feira a contratação de financiamento sindicalizado de 318 milhões de dólares, com vencimento em abril de 2018, na forma de pré-pagamento de exportações.

"Esses recursos se destinam ao financiamento das atividades operacionais da companhia em 2015 em condições bem competitivas de prazo e de custo", disse Chammas. "Eventualmente, vai poder renovar ou não, ou pelo menos retardar em parte, as linhas mais curtas e caras ao longo do ano-safra que vai se iniciar". (Reuters 12/01/2015)

 

Açúcar: Recuo em NY

Os preços do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York sob influência do cenário macroeconômico e da oferta ainda elevada.

Os papéis do demerara para maio fecharam com queda de 16 pontos, a 15,04 centavos de dólar a libra-peso.

O petróleo voltou a cair para mínimas em quase seis anos, e o dólar volta a subir frente várias moedas; inclusive o real, exercendo pressão sobre os preços do açúcar.

Do lado dos fundamentos, a oferta ainda é alta nos estoques de vendedores e compradores; o que impede uma reação para cima dos preços, mesmo que o Centro-Sul esteja praticamente em entressafra e a seca já comece a preocupar quanto à produtividade da safra 2015/16.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal recuou 0,18%, para R$ 51,02 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 13/01/2015)

 

Biosev capta US$ 318 milhões com financiamento sindicalizado

A Biosev, segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, com 11 unidades industriais localizadas em 4 Polos Agroindustriais no Brasil, firmou hoje contrato de financiamento com oito bancos internacionais para a captação de US$ 318 milhões, na forma de pré-pagamento de exportações, com vencimento em abril de 2018. A taxa de juros da transação será equivalente a Libor mais 4,75% ao ano.

"Essa operação é mais um passo importante da Biosev para elevar sua liquidez financeira e alongar o perfil de vencimento da sua dívida", disse Paulo Prignolato, diretor financeiro da Biosev. "A transação comprova nosso bom relacionamento com a comunidade bancária e atesta a relevância e qualidade de nossas operações."

Crédit Agricole, ING e Natixis coordenaram o sindicato de oito instituições que concedeu o financiamento. Além dos coordenadores, participaram também do grupo os bancos ABN Amro, Caixa Geral, FIM, Rabobank e Société Générale. Os recursos devem entrar no caixa da Biosev em até três parcelas, entre janeiro e março deste ano.

Os recursos captados asseguram uma maior flexibilidade na gestão financeira da Biosev e garantem à companhia acesso a linhas de financiamento em condições adequadas e competitivas.

A operação possui relevância estratégica para a Biosev e foi estruturada visando atingir os seguintes objetivos: (1) alongar o perfil de endividamento da companhia; (2) garantir flexibilidade financeira adicional para a gestão de tesouraria; e (3) proporcionar acesso a linhas de financiamento em condições adequadas e competitivas.

A operação foi contratada por meio de subsidiária localizada na Suíça, Biosev Bioenergia International S.A., e os recursos serão repassados à Biosev S.A e sua controlada Biosev Bioenergia S.A. (Assessoria de Comunicação Biosev 12/01/2015)

 

Retorno da Cide pode vir acompanhado de queda no preço da gasolina

Analistas do mercado financeiro enxergam risco às usinas em função da queda nos valores internacionais do petróleo.

O retorno da Cide sobre a gasolina, principal pleito dos usineiros, pode não trazer o efeito esperado pelo setor, uma vez que o possível aumento do combustível fóssil seria compensado pela queda do petróleo no mercado internacional.

Analistas ouvidos pelo DCI argumentam que a resolução da crise ainda depende de políticas públicas sobre a definição do papel do etanol entre os combustíveis. O presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, conta que ainda não se sabe qual será o nível da Cide adotado pelo governo, mas tudo indica que haverá uma combinação entre a volta da tributação e uma revisão, para baixo, dos preços nas refinarias.

"É difícil especular sobre a decisão do governo, mas, provavelmente, você reduz o preço da gasolina na refinaria e substitui pelo aumento vindo em função da Cide, como uma compensação. Isso significa que, mesmo com a arrecadação, o impacto no preço dos combustíveis na bomba deve ser limitado, fato que não seria positivo para o etanol", explica.

Queda do petróleo

Na avaliação dos analistas da Fitch Ratings, a recente queda dos preços internacionais do petróleo, para o patamar mais baixo em anos, aumenta o risco das usinas de cana-de-açúcar.

De acordo com a agência de classificação de risco, o recuo no combustível fóssil reduz a possibilidade de aumento nos valores domésticos da gasolina, o que também diminui a demanda pelo biocombustível, como uma alternativa de abastecimento para o consumidor.

"Os produtores do Brasil precisam de preços elevados de etanol para fazer frente aos baixos preços do açúcar nos mercados internacionais, mas aumentos significativos do biocombustível são possíveis apenas se houver gasolina mais cara nas bombas. A Fitch não espera gasolina significativamente mais barata nos postos, mas também acredita que elevações continuam bastante improváveis no curto prazo", dizem os especialistas.

Atualmente, a Petrobras mantém os valores da gasolina acima dos patamares internacionais e, segundo a agência, a companhia não tem demonstrado o desejo de se alinhar às cotações externas, dado ao "desafiador programa de investimentos, que deve afetar o fluxo de caixa futuro", ressalta.

Crise nas usinas

O presidente da Datagro lembra que, neste ano, deve haver uma expansão na demanda de 1,1 bilhão de litros ocasionados pelo aumento na mistura, de 25% para 27,5% de etanol na gasolina, com grande probabilidade de se concretizar ainda neste semestre.

Além disso, o Estado de Minas Gerais terá um incremento de 700 milhões de litros no consumo por uma alteração de ICMS. A arrecadação mineira na gasolina teve reajuste de 27% para 29% e no biocombustível hidratado recuou de 19% para 14%. Porém, nem este acréscimo na demanda é suficiente para tirar as usinas da crise financeira.

"A situação dos usineiros continua incerta por conta do endividamento elevado e da falta de uma política que inclua o biocombustível", comenta Nastari. A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, acrescenta que o setor tem matéria-prima e capacidade instalada para suportar uma maior demanda, mas, de fato, carece de uma definição sobre o papel estratégico do etanol na matriz energética brasileira.

A crise já afeta a situação econômica das cidades que ficam no entorno das usinas, com demissões em massa. No município paulista de Sertãozinho está marcada uma manifestação do "Movimento Popular pelo Emprego do Setor Sucroenergético", para o próximo dia 27, a fim de chamar a atenção dos governos do estado e federal. (DCI 12/01/2015)

 

Vendas de etanol pelas unidades do Centro-Sul atingem 2,25 bilhões de litros no mês de dezembro

São Paulo, 12 de janeiro de 2015 – As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul em dezembro atingiram 2,25 bilhões de litros. Esse volume foi recorde para o ano de 2014 e representou crescimento de 12,81% no comparativo com o mesmo período do ano anterior.

Do total comercializado no último mês, 158,26 milhões de litros foram direcionados ao mercado externo e 2,09 bilhões comercializados domesticamente.

Especificamente em relação ao volume de etanol hidratado comercializado ao mercado doméstico, este, pela primeira vez na safra 2014/2015, alcançou 1,29 bilhão de litros em um único mês. Este valor de dezembro é 13,78% maior que a quantidade vendida no mesmo mês de 2013.

O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, ressalta que o volume recorde de etanol hidratado comercializado em dezembro confirmou a expectativa de vendas mais elevadas no final do ano. “Os proprietários de veículos e motocicletas flex, com ajuda da campanha realizada pela UNICA, começaram a perceber que, além das vantagens ambientais e sociais, o hidratado nesse momento também é economicamente vantajoso em relação à gasolina na maior parte do mercado consumidor”, concluiu.

No acumulado desde o início da safra 2014/2015 até 1º de janeiro, as vendas de etanol alcançaram 18,48 bilhões de litros. Deste montante, 1,15 bilhão de litros foram exportados e 17,36 bilhões de litros vendidos domesticamente.

Produção e moagem

A moagem de cana-de-açúcar pelas unidades produtoras do Centro-sul totalizou 3,62 milhões de toneladas na segunda quinzena de dezembro, com uma produção de 117,89 mil toneladas de açúcar e 209,35 milhões de litros de etanol (75,09 milhões de etanol anidro e 134,26 milhões de hidratado).

Com isso, a moagem acumulada desde o início da safra até 1º de janeiro alcançou 567,81 milhões de toneladas – queda de 4,57% em relação aos 595 milhões de toneladas processadas até a mesma data da safra 2013/2014.

A produção acumulada de açúcar alcançou 31,94 milhões de toneladas e, a de etanol, 25,89 bilhões de litros, sendo 10,87 bilhões de litros de etanol anidro e 15,01 bilhões de litros de hidratado.

Segundo o executivo da UNICA, a safra 2014/2015 está praticamente encerrada no Centro-Sul do país, pois apenas 16 unidades produtoras continuaram processando cana após o dia primeiro de janeiro. “Conforme havíamos estimado, trata-se de uma safra menor em termos de processamento de cana-de-açúcar e com produção mais alcooleira no comparativo com 2013/2014”, acrescentou. (Unica 12/01/2015)

 

Vendas de hidratado crescem 10,4% em dezembro

SÃO PAULO - As usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul venderam no mês de dezembro 13% mais etanol do que em igual mês de 2013, conforme dados divulgados hoje pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Ao todo, foram 2,250 bilhões de litros, sendo 924,4 milhões de anidro, que é misturado à gasolina, e 1,326 bilhão de litros de hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos.

O diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, ressalta que o volume recorde de etanol hidratado comercializado em dezembro confirmou a expectativa de vendas mais elevadas no fim do ano. “Os proprietários de veículos e motocicletas flex, com ajuda da campanha de marketing realizada pela entidade, começaram a perceber que, além das vantagens ambientais e sociais, o hidratado neste momento também é economicamente vantajoso em relação à gasolina na maior parte do mercado consumidor”, concluiu.

No acumulado desde o início da safra 2014/2015 até 1º de janeiro, as vendas de etanol alcançaram 18,48 bilhões de litros. Deste montante, 1,15 bilhão de litros foram exportados e 17,36 bilhões de litros vendidos domesticamente.

Do total de 18,48 bilhões de litros vendidos pelas usinas, 10,560 foi de hidratado (ante 11,158 bilhões de igual período de 2013/14) e 7,920 bilhões de litros foram de anidro (8,374 bilhões de litros de 2013/14). (Valor Econômico 1201/2015 ás 18h: 11m)

 

Produtor tem maior venda de etanol em duas safras

Os produtores de etanol da região centro-sul venderam 2,1 bilhões de litros em dezembro, o maior volume mensal das duas últimas safras, segundo Antonio Padua Rodrigues, diretor da Unica.

O maior volume veio da comercialização de etanol hidratado, que atingiu 1,3 bilhão de litros. Já as vendas de álcool anidro somaram 804 milhões, acima apenas das de abril e de novembro.

O setor, que ainda tem 16 usinas em operação, moeu 568 milhões de toneladas de cana até o final do ano, 28 milhões menos do que em 2013.

A maior parte dessa cana foi para o etanol, que somou 25,9 bilhões de litros nesta safra, enquanto a produção de açúcar recuou para 31,9 milhões de toneladas. Produção maior e exportação menor garantiram esse volume de etanol no mercado interno. (Folha de São Paulo 13/01/2015)

 

Biomassa ajuda a poupar 14% da água nos reservatórios das hidrelétricas em 2014

Em 2014, a energia elétrica gerada a partir da fonte biomassa e ofertada para o Sistema Elétrico Brasileiro foi de quase 21 mil GWh, um valor 18% maior em relação a 2013. Esse dado informado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) mostra que a bioeletricidade representou mais de 4% do consumo nacional de eletricidade ao longo de 2014, chegando a atingir 7% durante o chamado período seco, entre os meses de maio e novembro.

De acordo a Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN) e da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), essa geração fornecida pela fonte biomassa foi equivalente a termos poupado 14% da água nos reservatórios das hidrelétricas do submercado elétrico Sudeste/Centro-Oeste, principal do País, responsável por 60% do consumo de eletricidade.

Para o vice-presidente da COGEN, Newton Duarte, isto demonstra o papel estratégico da fonte biomassa para a matriz elétrica brasileira. “Se os reservatórios das hidrelétricas chegaram a 19% em dezembro do ano passado, imagina como teriam terminado sem a energia da biomassa que, além de estratégica é renovável e sustentável do ponto de vista das emissões de gases de efeito estufa,” afirmou Duarte.

Neste aspecto, o gerente de bioeletricidade da Unica, Zilmar Souza, chama a atenção para os 21 mil GWh de biomassa utilizada, que evitou a emissão de 10,7 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) em 2014. Segundo Souza, para se conseguir economia equivalente em termos de CO2, por meio do plantio de árvores nativas, seria preciso plantar 75 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos. “Além do mais, sem a energia extraída da cana, a matriz de emissões de gases de efeito estufa, do lado do setor elétrico, seria 24% superior em 2014,” estimou Souza.

Três leilões já programados para 2015

De acordo com o gestor da Unica, para o ano de 2015, já estão agendados três certames para contratação de energia em longo prazo: o Leilão de Fontes Alternativas, que acontecerá em 27 de abril; o Leilão A-5, agendado para 30 de abril; e o Leilão A-3, previsto para 24 de julho. “Os leilões regulados ainda são a principal porta de entrada da biomassa no setor elétrico, por isso a importância de uma política setorial dedicada à essa fonte, que permita a comercialização de projetos nesses leilões, de forma contínua e consolidada,” explicou Souza.

Segundo Duarte, as externalidades da fonte biomassa mostram a relevância de continuarmos aprimorando o modelo de contratação nos leilões regulados. “É preciso manter o processo de melhora de condições institucionais nos leilões regulados para a biomassa e fontes renováveis em geral, como os preços-teto, procurando-se reconhecer as qualidades positivas e negativas de cada fonte, aliado a uma política de longo prazo para as energias renováveis, permitindo a diversificação da matriz elétrica brasileira e seu desenvolvimento,” concluiu Duarte. (Unica 12/01/2015)

 

O petróleo derrete

As cotações do petróleo tipo Brent, a referência da Petrobrás, caíram nesta segunda-feira abaixo dos US$ 50 por barril de 159 litros.

As cotações do petróleo tipo Brent, a referência da Petrobrás, caíram nesta segunda-feira abaixo dos US$ 50 por barril de 159 litros. (Veja o gráfico abaixo.)

A partir de repetidas declarações da presidente da estatal, Graça Foster, e do diretor de Produção e Exploração, José Formigli, a esse nível de preços, até mesmo os projetos do pré-sal estão inviabilizados.

Esta é uma conclusão sujeita a mil e uma revisões que até há seis meses não haviam sido necessárias porque os preços ainda estavam acima dos US$ 100. Agora é preciso reexaminar tudo, a começar pela enorme leviandade com que o assunto petróleo foi tratado nos últimos anos no Brasil.

Do ponto de vista imediato, a atual relação de preços ainda beneficia a Petrobrás porque os preços internos dos derivados estão cerca de 30% a 40% mais altos do que os externos e o governo não pretende realinhá-los tão cedo.

Além disso, o consumo interno ainda está mais alto do que a produção e a Petrobrás agora podem importar a preços substancialmente mais baixos do que os vigentes no mercado brasileiro.

Nesta segunda, o príncipe saudita Al-waleed bin Talal advertiu que “o mercado de petróleo não deve registrar novamente preços acima de US$ 100 por barril”. É uma opinião igual a muitas outras. Hoje poucos analistas se atrevem a prever pronta recuperação. Quem lida com petróleo não pode contar com isso. Também nesta segunda, o banco Goldman Sachs avisou que passou a trabalhar com preços médios para o Brent, em 2015, de US$ 50 por barril e, em 2016, de US$ 70.

Demorou mais do que deveria ter demorado, mas o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, já entendeu que seu Estado perderá neste ano cerca de R$ 2 bilhões em receitas com royalties do petróleo, valores atrelados aos preços internacionais. Em 2014, a Petrobrás pagou nessa alínea a Estados e municípios o total de R$ 18,5 bilhões. Neste ano, deverá pagar entre 50% e 60% desse volume, dependendo do comportamento do mercado, que ninguém consegue prever.

A essa nova relação de preços, não apenas o plano de negócios da Petrobrás tem de ser urgentemente revisto. O etanol também está sob grave ameaça. Como não alcança mais de 70% do poder energético da gasolina, o produtor de etanol teria de reduzir em pelo menos 50% seus atuais custos para voltar a poder competir. As exportações, por exemplo, deverão enfrentar forte queda de demanda de produto como combustível.

Além da manutenção dos atuais preços, o governo examina o retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os preços da gasolina e do diesel. O objetivo seria menos o de aumentar a arrecadação e mais o de abrir espaço para que o etanol possa voltar a competir, com uma gasolina mais cara. Como já foi avaliado por esta Coluna em outras oportunidades, medidas como essas produziriam distorções. Deixariam os preços dos combustíveis altos demais para as empresas já às voltas com graves problemas de custos. Além disso, o governo também não poderia manter desalinhados (desta vez para cima) os preços dos combustíveis porque acabaria por favorecer a importação de gasolina e de diesel.

CONFIRA:

Nesta segunda-feira foi a primeira vez que o Banco Central divulgou projeções do mercado feitas também para 2016. A tabela aponta o que esperam as 100 instituições rastreadas pela Pesquisa Focus.

Queda de custos

O Deutsche Bank observou nesta segunda que os custos de produção de petróleo estão caindo. Isso vale também para o setor do xisto. A partir do desabamento dos preços, a corrida à derrubada de custos tende a se intensificar, a começar pela inevitável queda das cotações dos equipamentos destinados ao setor, tais como sondas, plataformas, navios e dutos.

Dilma e Lula

Ninguém no PT apareceu para desmentir os curtos-circuitos entre Dilma e Lula revelados por Marta Suplicy. (O Estado de São Paulo 12/01/2015 às 21h: 00m)

 

Petrobras, Vale, Cosan e Cteep sofrem revisões de preço e recomendação

As ações da Petrobras, da Vale, da Cosan e da Cteep passaram por uma série de revisões de preço-alvo ou de indicação por parte de diferentes instituições.

Embora tenha mantido a recomendação em neutra, o Goldman Sachs reduziu o preço-alvo para as ações preferenciais da Petrobras, de R$ 12 para R$ 11, o que indica alta potencial de 17% em relação ao valor de fechamento de sexta-feira. A instituição ainda cortou a previsão para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) nos próximos dois anos, em 7% e 21%. Em 2016, o Ebitda deverá somar R$ 100,5 bilhões e, em 2017, cerca de R$ 100 bilhões.

A revisão do preço do petróleo foi um dos fatores a pesar. O Goldman reduziu suas estimativas de US$ 84 para US$ 50 por barril em 2015 e também cortou a previsão para o preço em 2016 em diante, de US$ 90 para US$ 70 o barril.

O banco acredita que a estatal brasileira deveria focar seus esforços neste ano para preservar o caixa, dada a maior dificuldade de acessar o mercado de capitais por conta das denúncias feitas sobre fraudes internas. Além disso, a Petrobras poderia trabalhar com auditores para retomar a publicação de seus resultados auditados de forma antecipada e, assim, recuperar parte da confiança perdida no mercado. "Tudo isso também faria com que a empresa evitasse perder seu grau de investimento", diz o Goldman.

Também com a indicação mantida para os papéis em compra, o Goldman Sachs reduziu o preço-alvo em 12 meses para as ações da Cosan, de R$ 42 para R$ 38, um potencial de valorização de 52% em relação ao fechamento do papel no dia 9.

A equipe do Brasil Plural, por sua vez, diminuiu de R$ 36,50 para R$ 33 o preço-alvo em 12 meses das ações ordinárias da Vale, alta potencial em torno de 48% sobre sexta-feira passada. Sua recomendação continua de compra. "Estamos otimistas em relação aos investimentos que a Vale tem feito", diz o banco.

Ao mesmo tempo, o Brasil Plural ressaltou que o momento é oportuno para que haja uma discussão em torno do pagamento mínimo de dividendos ante a manutenção dos investimentos da empresa em Carajás. "Para nós, o investimento em Carajás não é apenas uma escolha, mas uma obrigação de longo prazo da Vale. Dito isto, no cenário atual de preços de minério do ferro, manter níveis saudáveis de caixa é aconselhável", afirma.

O banco enxerga o cenário como se a gestão da mineradora estivesse em uma encruzilhada: continuar pagando grandes dividendos ou investir em Carajás. "Fazer as duas coisas ao mesmo tempo não é aconselhável", diz, em relatório.

No setor elétrico, a indenização menor que o esperado por ativos, calculada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), fez o Citi cortar a recomendação para as ações da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) de compra para venda. O preço-alvo para os papéis preferenciais caiu de R$ 40 para R$ 36,20, queda potencial de 5,6%.

Nas contas dos analistas Marcelo Britto e Kaique Vasconcellos, a decisão da agência reguladora deve cortar em 12%, em média, o lucro da empresa neste e no próximo ano. Para 2015 e 2016, o Citi projeta que o ganho da transmissora fique em R$ 414 milhões e em R$ 558 milhões, respectivamente.

O próprio banco não acreditava que a Aneel concederia a indenização requisitada pela Cteep, de R$ 5,2 bilhões, mas considerava que um valor próximo a R$ 4,7 bilhões era possível. A agência disse que a companhia tem direito a receber R$ 3,6 bilhões, referente aos ativos anteriores a 2000.

A transmissora de energia já informou que vai recorrer da decisão. De qualquer maneira, o Citi vê pouco espaço para valorização das ações, dada a alta dos papéis superior a 80% desde janeiro de 2014.

Mas há a possibilidade de o acordo ser melhor do que o apresentado. "Se o governo oferecer cupom semelhante ao acertado para a RBNI [rede básica novas instalações], de 5,56%, nosso preço-alvo pode ficar R$ 3,96 maior, ou 10,9% sobre o novo cálculo", acrescentam os analistas. (Valor Econômico 13/01/2015)

 

Futuro do Brasil está na 'corda bamba', diz 'FT'

Previsões piores para 2015 são 'forma nefasta de começar o ano', diz artigo.

Mercado vê crescimento menor do PIB e inflação mais alta.

O início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff acontece em um momento em que o Brasil está "na corda bamba", definiu o jornal "Financial Times" em artigo publicado no blog beyonbrics, nesta segunda-feira (12).

A publicação cita uma observação de Manoj Pradhan e Patryk Drozdik, do Morgan Stanley, sobre a piora nas estimativas dos economistas para 2015.

A previsão para o crescimento da economia caiu para apenas 0,4%, enquanto a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2015 foi de 6,56% para 6,6%, acima do teto de meta (6,5%).

Segundo a publicação, esta é uma forma nefasta de se começar um ano que não será muito significante apenas para o Brasil, mas no qual o Brasil "será altamente significante para o resto das economias emergentes".

"Desafiada com uma urgente e crescente necessidade desesperadora de gerar crescimento econômico, [Dilma] escolheu uma equipe econômica amigável ao mercado que poderia ter sido escolhida pelo próprio [Aécio] Neves", diz o artigo.

Ainda de acordo com o "FT", investidores agora estão depositando suas esperanças na idéia que Dilma adotará e colocará em prática políticas mais parecidas com as defendidas pelo PSDB (Partido Social Democrático Brasileiro) em um contexto global mais desafiador.

O artigo cita ainda a análise de Pradhan e Drozdzik de que o problema não é a falta de um ajuste doméstico na economia brasileira, mas que ele não acontece justamente em um momento de graves riscos externos.

"Alguns desses riscos podem ser vistos mais como certezas", analisa a publicação, citando o possível aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, a valorização do dólar, o crescimento abaixo do esperado na China e a queda nos preços das commodities.  (G1 12/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Recuo em NY: Os preços do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York sob influência do cenário macroeconômico e da oferta ainda elevada. Os papéis do demerara para maio fecharam com queda de 16 pontos, a 15,04 centavos de dólar a libra-peso. O petróleo voltou a cair para mínimas em quase seis anos, e o dólar volta a subir frente várias moedas, inclusive o real, exercendo pressão sobre os preços do açúcar. Do lado dos fundamentos, a oferta ainda é alta nos estoques de vendedores e compradores, o que impede uma reação para cima dos preços, mesmo que o Centro-Sul esteja praticamente em entressafra e a seca já comece a preocupar quanto à produtividade da safra 2015/16. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal recuou 0,18%, para R$ 51,02 a saca de 50 quilos.

Cacau: Influência do clima: Os contratos futuros do cacau reverteram a baixa de sexta-feira e voltaram a subir ontem na bolsa de Nova York, impulsionados pelos receios com o clima e por análises técnicas. Os contratos para maio fecharam com elevação de US$ 29, cotados a US$ 2.973 por tonelada. O tempo está seco no oeste da África, região que concentra os maiores produtores da amêndoa no mundo. Entretanto, a valorização da commodity é limitada pela perspectiva de que tenha havido uma redução na moagem durante o último trimestre do ano passado na Europa. A Associação Europeia de Cacau divulgará seu balanço de processamento na quinta-feira. Em Ilhéus e Itabuna (BA), a arroba foi negociada à média de R$ 110, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Safra menor: Os preços futuros do suco de laranja subiram ontem na bolsa de Nova York reflexo da redução na estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a colheita na Flórida. Os papéis do produto concentrado e congelado para entrega em maio fecharam a US$ 1,4305 a libra-peso, alta de 80 pontos. O USDA reduziu sua estimativa para a safra 2014/15 em 4,6%, para 103 milhões de caixas, igual à safra passada. A redução se deveu às chuvas insuficientes no Estado, que estão limitando o tamanho das frutas, de acordo com o USDA. Porém, o consumo também está em baixa e registrou queda de 9% em dezembro no varejo americano. No mercado interno, o preço da laranja à indústria calculado pelo Cepea/Esalq caiu 0,1%, para R$ 10,16 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Oferta elevada: As cotações do algodão cederam em Nova York na sessão passada, depois de o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevar suas projeções para a produção mundial da pluma. Os lotes para maio fecharam em baixa de 93 pontos, a 60,42 centavos de dólar a libra-peso. O órgão americano estimou ontem que a colheita global de algodão somará 25,94 milhões de toneladas, resultado de um aumento na estimativa de safra dos EUA, para 3,5 milhões de toneladas, e do Paquistão, para 2,22 milhões de toneladas. O mercado também foi pressionado pela elevação na previsão para os estoques finais na China, a 13,75 milhões de toneladas. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada a R$ 52,91, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). (Valor Econômico 13/01/2015)