Setor sucroenergético

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IAC indica caminhos para elevar produtividade da cana

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC), entidade de pesquisa ligada à Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, publicará em abril uma nova recomendação técnica para aplicação de zinco em canaviais. A partir de estudos em curso desde 2005, pesquisadores do IAC confirmaram que o uso do micronutriente em doses mais elevadas aumenta a produtividade da cana em até 16% a cada colheita.

Considerado um micronutriente importante no crescimento e no fortalecimento da raiz da planta, o zinco ainda é pouco utilizado nos canaviais brasileiros, segundo o pesquisador do IAC, Estêvão Vicari Mellis. No instituto paulista, o recomendado até então era aplicar 5 quilos de zinco por hectare de cana cultivado em solo de baixa fertilidade. Mas agora, com a conclusão da primeira fase dessa pesquisa, há segurança para dobrar essa quantidade para 10 quilos por hectare, afirma Mellis.

Outras pesquisas sobre o tema foram feitas pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma empresa privada de pesquisa em cana controlada por usinas de São Paulo. Há cerca de dois anos, o CTC também recomenda a aplicação de até 10 quilos de zinco em solos de baixa fertilidade aos seus clientes.

A pesquisa do IAC, cujos resultados são acessíveis a todos os produtores do Estado, chegou a testar o uso de até 20 quilos de zinco por hectare, explica Mellis, que coordena o estudo juntamente com o pesquisador José Antonio Quaggio. "Mas constatamos que acima de 10 quilos, há prejuízos para o desenvolvimento da planta", afirma.

A cana plantada com a dose de 10 quilos de zinco por hectare (em solo pouco fértil) rendeu 16% mais no primeiro ano de ciclo, e 10% no segundo e também no terceiro ano, segundo Mellis. "O custo de aplicação do micronutriente no plantio se paga com 3 toneladas de cana por hectare. Em três anos, as áreas com dose certa de zinco produziram 36 toneladas a mais", afirma.

O tema ganha ainda mais relevância, diz ele, na medida que, com a expansão da cultura nos últimos anos, uma grande parte dos canaviais se estendeu a terras menos produtivas. Em torno de 45% da cana paulista está estabelecida em solos com essas características. No país, esse percentual é de 60%, segundo ele.

O valor total do projeto do IAC é de R$ 800 mil. A Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (Fapesp) é a principal financiadora com 45% dos recursos. Na primeira fase, que demandou R$ 400 mil e vai culminar na mudança da recomendação técnica para aplicação de zinco, teve como parceira a Produquímica.

A segunda fase, que começa neste ano e vai até 2019, demandará o restante dos recursos (R$ 400 mil) e terá como foco desenvolver tecnologias que viabilizem a aplicação dessas doses adequadas no campo. "Em uma das usinas parceiras, criamos na máquina de adubação um novo compartimento para aplicar o zinco", diz Mellis. A Votorantim Metais, a maior produtora de zinco para agricultura do país, vai participar dessa segunda etapa, com um aporte total de R$ 300 mil entre 2015 e 2019.

De olho no potencial do zinco na agricultura, a Votorantim criou um departamento para cuidar dos produtos voltados ao setor e não descarta dobrar a produção anual de zinco para esse tipo de uso, dos atuais 20 mil, para 40 mil toneladas em cinco anos, afirmou o gerente geral comercial de Polimetálicos da Votorantim Metais, Carlos Marcelo Henriques.

A produção global de zinco da Votorantim é de 739 mil toneladas anuais, sendo 200 mil toneladas no Brasil. Por volta de 10% desse volume é de zinco para agricultura. "Entendemos que há grande potencial para aumento do uso de zinco na agricultura". Citando estudo da PwC, Henriques diz que a cultura da cana-de-açúcar deve responder por 43% de todo o crescimento esperado para os próximos cinco anos no país. "A soja deve significar os outros 34% da expansão deste mercado", afirma o executivo. (Valor Econômico 14/01/2015)

 

Cana - Governo já tem proposta para volta da Cide

Detalhes serão apresentados semana que vem ao setor sucroenergético, diz Agência Estado.

O governo já tem em mãos uma proposta para a reintrodução da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) na gasolina, zerada desde 2012. Os detalhes serão apresentados na quarta, dia 21, ao setor sucroenergético, que reivindica a retomada do tributo.

Fontes da cadeia produtiva de açúcar e álcool ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, relataram que os termos deverão ser aceitos e que a data do retorno da Cide poderá ser definida, ou mesmo ocorrer já na próxima semana.

De acordo com as fontes, a reunião para discutir a reintrodução da tarifa será em Brasília e terá a participação da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, do presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, da presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, e o presidente do Conselho Deliberativo da entidade, Roberto Rodrigues.

Em virtude da queda do preço do petróleo no mercado internacional, não sabemos qual será o valor da Cide nem quando será aplicada – destacou o presidente de uma importante associação sucroalcooleira.

Mas provavelmente será aceita (pelo setor). Tudo que vier em benefício será bem-vindo. E queremos crer que essas medidas sejam duradouras – acrescentou.

A Cide foi zerada em 2012 para atenuar o impacto do aumento do preço da gasolina, mas acabou por afetar os produtores de etanol, que viram o hidratado perder competitividade nas bombas dos postos de combustíveis. O setor avalia, entretanto, que o imposto, de R$ 0,28 por litro, dificilmente voltará em sua totalidade num primeiro momento para não pressionar a inflação.

Aumento da mistura

As fontes relataram também que o reajuste do porcentual de etanol anidro na gasolina já está praticamente definido e será anunciado em 2 de fevereiro, quando ocorre reunião do setor sucroenergético com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. A mistura deve passar de 25% para 27%, e não mais 27,5%, como sugerido pela cadeia produtiva, por causa da dificuldade de medição desse 0,5 ponto porcentual. (Canal Rural 13/01/2015 às 18h: 50m)

 

Governo prepara volta da Cide e estuda elevar PIS-Cofins cobrado sobre derivados

Ainda falta a palavra final da presidente Dilma sobre a alíquota a ser cobrada tanto no caso da Cide quanto do PIS-Cofins.

O governo finaliza mudanças na tributação de combustíveis e pode não se limitar apenas à volta da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). De acordo com fontes ouvidas pelo Valor PRO, o serviço de informação em tempo real do Valor, a equipe econômica discute, também, a possibilidade de atualização no PIS-Cofins cobrado sobre derivados. Está marcada para o fim do mês uma reunião com o setor sucroalcooleiro para anunciar o aumento de 25% para 27,5% na mistura do etanol à gasolina.

O aumento de impostos faz parte da estratégia do governo para elevar a arrecadação e atingir a meta de superávit primário de 1,2% do PIB este ano. A expectativa é que a arrecadação, apenas com a volta da Cide, supere R$ 10 bilhões por ano. A cobrança, no entanto, só poderá começar três meses após a elevação oficial do tributo.

O PIS-Cofins é cobrado na forma de um valor fixo que incide sobre o litro de combustível vendido. O cálculo leva em conta a alíquota do PIS-Cofins de 9,25% que incide sobre um preço de referência de cada derivado. Esse valor não é reajustado há vários anos e está defasado. Com isso, quando os derivados ficam mais caros, o preço de referência fica proporcionalmente menor e o valor arrecadado cai. A idéia é atualizar esse valor e, com isso, aumentar a arrecadação do tributo.

A volta da Cide já está decidida e é só uma questão de calendário. O decreto que elevará a alíquota da contribuição pode ser publicado nos próximos dias no "Diário Oficial da União". Integrantes do governo, entretanto, não descartam atraso nesse cronograma porque falta a palavra final da presidente Dilma Rousseff sobre a alíquota a ser cobrada, tanto no caso da Cide quanto do PIS-Cofins. O assunto também deve ser tratado pelo governo na mesma reunião para aprovar a elevação da mistura de etanol na gasolina.

Entre as opções em estudo para a volta da Cide está uma taxação superior à que vigorava em 2011, quando o governo começou a reduzir as alíquotas. Naquela época, a tributação era de R$ 0,192 por litro de gasolina e R$ 0,07 por litro do diesel. Em junho de 2012, a cobrança foi suspensa, mas quando foi criada, em 2002, chegava a R$ 0,28 sobre a gasolina.

O aumento de impostos já foi anunciado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que insiste que as elevações serão compatíveis com o objetivo de aumentar a poupança pública. Ele não detalhou quais tributos serão ajustados, mas admitiu que fará correções na isenção de IR sobre instrumentos financeiros.

O ajuste na tributação de combustíveis tem como objetivo principal aumentar as receitas para viabilizar o ajuste fiscal, mas também será feito de olho na recuperação do setor sucroalcooleiro. A diferença entre o preço da gasolina e do álcool caiu de tal forma que o etanol passou a ser preterido. Desde que o governo iniciou a política de represamento de preços para evitar aumentos da inflação, a crise no setor se aprofundou e mais de 60 usinas já fecharam.

O momento para o aumento nos impostos sobre combustíveis não é o mais favorável para o governo do ponto de vista da inflação, que começará o ano bastante pressionada. Mas a avaliação é que a queda acentuada no preço do barril de petróleo, sem a correspondente redução do valor da gasolina no mercado interno, resolve o problema de caixa da Petrobras e, portanto, abre uma janela para que o governo melhore suas contas sem sacrificar à estatal. (Valor Econômico 14/01/2015)

 

Quebra na safra de cana puxou retração na indústria paulista em novembro

A quebra na safra de cana-de-açúcar decorrente da estiagem na região Sudeste puxou a queda de 9,9% na produção industrial de São Paulo em novembro, em relação a igual período de 2013, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"A atividade de produtos alimentícios em São Paulo recuou 22,5% em novembro de 2014 ante novembro de 2013. Se tirasse dessa conta os derivados do açúcar, o segmento recuaria 3,4% no Estado", apontou Rodrigo Lobo, pesquisador da Coordenação de Indústria do IBGE. Em São Paulo, a indústria produz quatro derivados do açúcar: açúcar cristal, refinado, VHP (matéria-prima para o açúcar final, produto mais voltado para a exportação) e melaço de cana.

"No Brasil, a atividade de produtos alimentícios recuou 8,7% em novembro de 2014 ante novembro de 2013. Se tirar o açúcar, o segmento recua 0,6%, só para ter uma ideia do efeito dessa quebra de safra afetando o total da indústria no Brasil e em São Paulo", comparou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

Outros Estados afetados pela queda na produção do açúcar foram Minas Gerais, onde os produtos alimentícios recuaram 10,1% em relação a novembro de 2013, mas cuja queda seria de apenas 3,5% sem o açúcar; e Paraná, com redução de 8% na fabricação de produtos alimentícios, mas que teria sido de 0,4% se fosse descontado o açúcar. "Então foi de fato bastante importante o efeito da seca.

A queda de 9,9% na produção industrial de São Paulo em novembro ante o mesmo mês de 2013 foi a mais intensa desde julho de 2009, quando houve retração de 10,6%, segundo o IBGE. "É a nona queda consecutiva na indústria de São Paulo", contou Rodrigo Lobo, pesquisador da Coordenação de Indústria do Instituto.

São Paulo responde por aproximadamente um terço do total da produção industrial nacional, e teve o maior impacto sobre o recuo de 5,8% no total do Brasil. Em novembro, a redução na produção de açúcar foi o que puxou a queda da indústria paulista. Mas houve perdas importantes também nas atividades de veículos automotores (-15,5%), máquinas e equipamentos (-13,3%) e coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (-8,1%).

O segundo maior impacto para a indústria brasileira em novembro foi de Minas Gerais, onde a queda na produção de 8,5% foi a mais intensa desde setembro de 2009. "Em Minas, a maior influência para o recuo na produção foi da indústria extrativa, seguida de produtos alimentícios, máquinas e equipamentos e veículos automotores", disse Lobo.

A terceira maior contribuição para o Brasil em novembro ante novembro de 2013 foi do Amazonas, que caiu 16,9% no período, o recuo mais intenso desde julho de 2012, quando a retração foi de 24,4%. Em novembro, as perdas foram decorrentes da menor produção de televisores, xaropes para preparação de bebidas e motocicletas. (Agência Estado 13/01/2015)

 

Mesmo com maior demanda por etanol, preços ficam estáveis

O mercado paulista de etanol esteve mais movimentado na última semana. Distribuidoras adquiriram volume expressivo do combustível, principalmente de hidratado, visando à reposição dos estoques.

De acordo com colaboradores do Cepea, as vendas de combustíveis de dezembro superaram as expectativas em alguns casos. Apesar da maior liquidez, os preços no atacado paulista seguiram praticamente estáveis.

Segundo pesquisadores do Cepea, usinas continuaram tentando ofertar o produto a valores superiores neste período de entressafra, mas ainda com pouca efetividade. Entre 5 e 9 de janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) do hidratado teve média de R$ 1,2825/litro (sem impostos), leve aumento de 0,2% sobre a semana anterior.

Para o anidro, houve variação negativa de 0,8% em igual comparativo, com o Indicador CEPEA/ESALQ a R$ 1,4246/litro (PIS/Cofins zerados). (CEPEA/ESALQ 13/01/2015)

 

Açúcar cristal recua no spot, negócios externos se aquecem

A necessidade de “fazer caixa” das usinas elevou a oferta de açúcar neste mês e pressionou os valores no spot paulista.

O Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, fechou nessa segunda-feira a R$ 51,02/saca de 50 kg, queda de 1,6% em relação à segunda, 05. Apesar disso, de acordo com pesquisadores do Cepea a valorização expressiva do primeiro vencimento da Bolsa de Nova York e na Bolsa de Londres (Euronext Liffe) ao longo da semana passada animou os produtores brasileiros – em linha com as expectativas de que o excedente internacional de açúcar se reduza ao longo deste ano.

Mesmo com o Real se valorizando no período, as negociações spot para exportação do açúcar cristal Icumsa até 150 para embarque janeiro e fevereiro estiveram mais aquecidas – tanto usinas quanto importadores estiveram interessados em negociar. Ainda assim, as operações com consumidores domésticos acabaram pressionando o Indicador de Açúcar Cristal Esalq/BVMF, que se refere ao produto posto no porto de Santos ou com custos equivalentes, sem impostos, cor Icumsa máxima de 150 – inclui vendas domésticas e para exportação

Nos últimos sete dias, registrou queda de 0,73%, fechando em R$ 51,30/saca 50 kg no dia 12. (CEPEA/ESALQ 13/01/2015)

 

Preço da gasolina no Brasil está 62% acima do internacional

SÃO PAULO - O preço da gasolina vendida hoje na refinaria no mercado brasileiro está, em média, 62% acima da referência internacional, conforme cálculos da consultoria Datagro. Trata-se do maior diferencial desde outubro do ano passado, quando os preços do derivado fóssil no Brasil deixaram de estar defasados em relação aos internacionais. 

Em reais, esse diferencial significa que a gasolina na refinaria no Brasil está custando em torno de R$ 0,60 por litro mais caro que no mercado internacional.

O presidente da consultoria, Plínio Nastari, avalia que, para o governo, esse diferencial é uma oportunidade, na medida que abre possibilidade de reduzir o preço da gasolina internamente e retomar, na mesma proporção, a cobrança da Cide. “Se o governo reduzir em R$ 0,30 centavos por litro o preço da gasolina e elevar a Cide em R$ 0,30, o preço ao consumidor final não muda, impedindo, portanto, o efeito inflacionário. A Petrobras ainda continuaria ganhando com a importação, com o diferencial de R$ 0,30 por litro, e outros R$ 0,30 por litro iriam para a arrecadação do governo com a Cide”, detalha Nastari. 

Para a indústria de etanol, a medida não traria alívio, na medida em que manteria inalterado o preço na bomba. “A minha visão é de que, mesmo com a rentabilidade ainda baixa do etanol, as usinas devem elevar a aposta no biocombustível na próxima safra, a 2015/16. A estratégia é enxugar o mercado de açúcar”, avalia Nastari. (Valor Econômico 13/01/2015 às 16h: 19m)

 

Lucro da alemã Sudzucker cai 93,6% no trimestre

SÃO PAULO - Os baixos preços do açúcar e do etanol continuam a pesar nos resultados da companhia alemã Sudzucker, uma das maiores produtoras de açúcar na Europa. No trimestre encerrado em 30 de novembro — equivalente ao terceiro trimestre do ano fiscal 2014/15 — , a companhia teve um lucro líquido de 9 milhões de euros, uma forte queda de 93,6% em relação ao resultado positivo de 143 milhões de euros obtido em igual período do ano fiscal anterior. No acumulado dos três trimestres, o lucro líquido da empresa recuou 71,8%, a 128 milhões de euros.

A receita líquida da companhia no trimestre atingiu 1,752 bilhão de euros, queda de 9,4% em relação aos 1,934 bilhão de euros obtidos em igual período do ano fiscal passado. No acumulado dos três trimestres encerrados em 30 de novembro, a receita líquida caiu 10,9%, a 5,233 milhões de euros. 

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) da Sudzucker recuou 53,8% no trimestre, para 125 milhões de euros. No acumulado dos nove meses do exercício fiscal 2014/15, o Ebitda da empresa recuou 51,9%, a 373 milhões de euros. 

O lucro operacional da companhia caiu 84,2% no terceiro trimestre, a 27 milhões de euros, e acumulou recuo de 69,9% nos três trimestres do ano fiscal, a 174 milhões de euros. 

O segmento de açúcar foi o principal responsável pelo resultado da companhia. A receita caiu 18% no terceiro trimestre, a 838 milhões de euros, e um resultado operacional negativo em 24 milhões de euros, ante o resultado positivo de 117 milhões de euros de igual trimestre do ciclo anterior.  

O segmento de bioenergia também decaiu no trimestre. O resultado operacional foi negativo em 1 milhão de euros, ante o lucro operacional de 7 milhões de igual período do ano fiscal anterior. No acumulado dos nove meses do ano fiscal, a empresa teve na operação de bioenergia um resultado negativo de 6 milhões de euros, ante o resultado positivo de 6 milhões de euros dos nove meses do ano fiscal anterior.  Conforme a empresa, esse segmento foi afetado pelas receitas mais baixas obtidas com a venda de etanol. (Valor Econômico 13/01/2015 às 16h: 22m)

 

Petrobras decidirá preço da gasolina como empresa, diz Levy

A política de definição de preços dos combustíveis pela Petrobras seguirá critérios empresariais, disse hoje (13) o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Em café da manhã com jornalistas, ele disse que a estatal decidirá os preços da gasolina e do diesel sem interferências externas, mas evitou confirmar se isso significa novos aumentos.

“A Petrobras fará a decisão de preços como empresa. Minha sensibilidade indica que [a estatal] tomará decisões segundo a realidade empresarial dela”, respondeu o ministro, ao ser questionado se a nova política para as tarifas de energia, que deixarão de contar com subsídios do Tesouro, poderia ser estendida aos combustíveis.

O antecessor de Levy, Guido Mantega, presidia o Conselho de Administração da Petrobras, que define políticas e diretrizes gerais para a empresa. O novo ministro da Fazenda não informou se ocupará o cargo. “Não discuti até agora. Não estou ciente de nenhuma convocação de assembleia [de acionistas da Petrobras] por enquanto.”

Em relação ao setor elétrico, o ministro reiterou que o Tesouro Nacional deixará de fazer aportes à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que subsidia as tarifas de luz. O ministro ressaltou que os gastos do Tesouro Nacional para cobrir as despesas das distribuidoras leva à ineficiência do setor energético.

Para o ministro, a reincorporação dos encargos energéticos às tarifas reduzirá as incertezas do setor elétrico. “Essa política [de sustentar as tarifas por meio de recursos do Tesouro] é menos eficiente para ser suportada. As empresas [de energia] perdem menos sinal de preço e sensibilidade. A decisão foi trazer a despesa para o ambiente que lhe é natural. A previsão é voltar ao que sempre foi”, disse ele.

Até 2012, os encargos de energia que financiavam tarifas subsidiadas para a população de baixa renda e o Programa Luz para Todos eram pagos pelos consumidores na tarifa. Com o novo modelo do setor elétrico, alguns encargos foram extintos e apenas a CDE, passou a sustentar esses programas, mas com ajuda de recursos do Tesouro Nacional.

O Orçamento Geral da União reserva R$ 9 bilhões para a CDE neste ano, mas o ministro não deixou claro se esse dinheiro será gasto ou se o cancelamento de repasses de recursos do Tesouro dizia respeito apenas a novos aportes.

De acordo com Levy, a nova política para o setor energético tem apoio do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. “O mais importante é que Eduardo Braga foi governador e sabe o que é disciplina fiscal. Ele teve experiência com o ajuste fiscal”, afirmou. (Agência Brasil 13/01/2015)

 

Vendas da BR Distribuidora cresceram 6,9% em 2014

O desempenho da subsidiária da Petrobras ficou acima da previsão média do mercado.

As vendas de combustíveis da Petrobras Distribuidora (BR), subsidiária da Petrobras, cresceram 6,9% em 2014 ante o ano anterior, para 57,380 bilhões de litros, publicou a petroleira estatal ontem. O desempenho ficou acima da previsão média de crescimento das vendas do mercado de combustíveis no país, de 5,6%, realizada pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom). As vendas de gasolinas da BR Distribuidora subiram 8,4 % em 2014. Segundo a Petrobras, influenciadas pelo crescimento de 5,5 % da frota de veículos, em sua maioria flex, abastecidos por álcool e gasolina.

Já o óleo diesel, o produto mais vendido no país em volume, apresentou crescimento de 2,8 %. Mas o maior destaque do período, segundo a Petrobras, foi o crescimento das vendas de óleo combustível da distribuidora, de 30,5 % no ano passado em relação a 2013, em virtude do resultado do acionamento mais intensivo de usinas termelétricas. A empresa também apresentou crescimento das vendas de etanol, de 11,2 %, asfaltos, de 8,7 % e lubrificantes, de 7,6 %, além dos produtos de aviação 1,5%. (Reuters 14/01/2015)

 

Ajuste fiscal deve incluir mudanças no IR

MINISTRO DA FAZENDA sinaliza alteração no Imposto de Renda para o prestador de serviço que recebe como empresa e fim da isenção de alguns investimentos. Aumento de tributo que incide sobre gasolina será avaliado na próxima semana.

Dentro do esforço do governo federal de aumentar suas receitas para reequilibrar as contas, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou ontem que haverá ajustes de impostos, sem ser específico. Ele negou que essas medidas estejam dentro de um "saco de maldades", como perguntaram jornalistas, e que haverá um "pacote".

Levy indicou que poderá haver mudanças na cobrança de Imposto de Renda (IR) para prestadores de serviços que recebem como pessoa jurídica. O ministro afirmou que deve analisar a situação de "pessoas que têm renda por meio de pequena empresa, que pagam 4%, 5% de imposto em vez de 27,5%", e que isso deve ser prioridade dentro de possíveis mudanças na cobrança do IR.

O ministro disse ainda que deve rever a isenção do IR sobre investimentos em Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), dentro da estratégia de "melhorar a composição de investimentos". Ele afirmou que a mudança não deve ser "imediata", tendo de passar por consulta. s. O aumento de impostos será "compatível" com a meta de elevar a poupança pública, acrescentou Levy.

O governo federal também já tem em mãos uma proposta para a reintrodução da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) na gasolina, zerada desde 2012. Detalhes serão apresentados na próxima quarta-feira ao setor sucroenergético e podem ser aplicados imediatamente.

A Cide foi zerada em 2012 para atenuar o impacto do aumento do preço da gasolina, mas acabou por afetar os produtores de etanol, que viram o biocombustível perder competitividade nas bombas dos postos de combustíveis. O setor avalia, entretanto, que o imposto, de R$ 0,28 por litro, dificilmente voltará em sua totalidade em um primeiro momento para não pressionar a inflação.

PISTAS DA NOVA GESTÃO

PETROBRAS

Durante café da manhã com jornalistas, Levy fez comentários sobre outros assuntos além do ajuste fiscal Joaquim Levy não cravou que assumirá a função de presidente do conselho de administração da Petrobras. Ele defendeu que a decisão sobre preços dos combustíveis deve seguir "avaliação empresarial", deixando implícita orientação de menor interferência política nesse processo.

DÍVIDA

Levy afirmou que reduzir a dívida bruta brasileira para abaixo de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) é um dos objetivos de sua gestão. Está em 63% do PIB, conforme dados de novembro. Alcançar essa meta depende da política fiscal, disse, mas não há prazo para isso ocorrer. Ele espera estabilizar a dívida neste ano e iniciar trajetória de queda em 2016. A dívida bruta será um dos principais parâmetros usados pelo ministro para medir a solidez e estabilidade da economia.

DAVOS

Levy disse que deve ir ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, que começa no próximo dia 22, e levará a mensagem de que o Brasil é uma economia com grandes recursos, que sabe fazer mudanças na condução da sua política macroeconômica mantendo benefícios sociais. O ministro quer levar a imagem de um "Brasil dinâmico, ágil, atento às demandas dos jovens", e com o desafio de melhorar a qualidade dos gastos públicos.

PREÇOS

Sobre a inflação, que se mantém perto do limite máximo e terá em janeiro um resultado pressionado pela alta de tarifas públicas, o ministro afirmou que um "mix de política fiscal e monetária" será aplicado. Com redução de gastos, o controle da inflação não ficará limitado à alta do juro do Banco Central. (Zero Hora 14/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Safra indefinida: O mercado do café arábica registrou forte volatilidade ontem na bolsa de Nova York, dividido pelas incertezas quanto à produção da safra 2015/16 no Brasil, principal produtor e exportador do grão ao mundo. Os lotes para maio fecharam em US$ 1,7965 a libra-peso, alta de 25 pontos. A estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento apontou tanto para a possibilidade de aumento como de queda na produção de café no país. As projeções, porém, não levam em conta o veranico recente, nem as previsões de mais dias quentes e secos nas áreas produtoras. Além disso, as volumosas exportações de 2014 podem fazer o país atravessar a entressafra com pouco café em estoque. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 1,68%, para R$ 490,92 a saca.

Cacau: Incertezas em NY: As cotações do cacau tiveram comportamento indefinido ontem na bolsa de Nova York com o mercado dividido entre compras de fundos e vendas de produtores. Os contratos da amêndoa com vencimento em maio fecharam a US$ 2.973 a tonelada, estáveis em relação ao pregão anterior. Os investidores buscam novas posições à espera dos dados de moagem de cacau na Europa no quarto trimestre de 2014, que será divulgado na quinta-feira. Também há muita incerteza quanto à produção desta safra no oeste da África. O clima tem sido bem seco nas áreas produtoras, mas os ventos desérticos devem se afastar nos próximos dias, segundo meteorologistas. No mercado doméstico, os preços da arroba do cacau na Bahia oscilaram entre R$ 107 e R$ 113, segundo a TH Consultoria.

Soja: Piso em um mês: A soja registrou um novo tombo ontem na bolsa de Chicago, ainda repercutindo os últimos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os papéis para março fecharam com recuo de 12 centavos, a US$ 10,04 o bushel, o menor valor desde 3 de dezembro. A projeção do órgão para a safra brasileira veio próxima da estimativa da Conab, acima de 95 milhões de toneladas, o que reforçou a perspectiva de uma boa colheita no Brasil. O clima seco em áreas produtoras brasileiras vinha oferecendo suporte às cotações nas últimas semanas. Os traders também já avaliam que o cultivo da soja ganhará mais espaço em 2015/16 nos EUA. No mercado interno, o preço médio da saca no Paraná recuou 0,8%, para R$ 58,35, segundo o Deral/Seab.

Milho: Releitura de projeções: Após leve alta no pregão de segunda-feira, os preços futuros do milho despencaram ontem na bolsa de Chicago, diante de uma espécie de "reinterpretação" das novas projeções americanas para a safra 2014/15. Os papéis para maio caíram 16,50 centavos, a US$ 3,9350 o bushel. Na segunda-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu ao cortar suas projeções acima do esperado para a safra e os estoques finais no país. Porém, a quantidade de milho americano disponível prevista para o fim desta safra (47,69 milhões de toneladas) continua muito acima do volume registrado na passagem da safra passada. O mercado também sofreu com nova queda do petróleo. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o cereal caiu 0,07%, a R$ 27,60 a saca. (Valor Econômico 14/01/2015)