Setor sucroenergético

Notícias

Os números das demissões do setor sucroenergético

Um número que chama atenção é o do setor de açúcar e álcool, que cortou 13.681 empregados. (Folha de São Paulo 16/01/2015)

 

Setor do etanol prevê fim da crise com alta da Cide

“Elizabeth Farina, da Unica: Sinalização da importância estratégica do etanol".

A diretora-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse que a elevação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis para um valor que corresponda a R$ 0,28 por litro de gasolina na bomba, junto com a recomposição das alíquotas do PIS e Cofins, que incidem sobre os combustíveis fósseis, para 9,25%, aumentará a remuneração do produtor de etanol dos atuais R$ 1,29 por litro para R$ 1,56. Se o governo adotar essas medidas, Farina acredita que o setor de etanol sairá da atual crise.

"Vai ajudar muito e mudará o cenário atual. Se for uma medida estruturante, ou seja, se passar a ser a realidade da formação de preços dos combustíveis, está se enxergando uma vantagem competitiva que havia sido perdida e que será recuperada", disse Elizabeth. Segundo ela, "essas decisões, se tomadas, terão impacto no mercado de açúcar e darão uma sinalização da importância estratégica do etanol". Para o Tesouro, as medidas também serão boas, pois significarão receita anual de R$ 14 bilhões, de acordo com técnicos da Unica.

Elizabeth teve um encontro ontem com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, para tratar desse assunto e do aumento da mistura do etanol anidro à gasolina de 25% para 27,5%. O Valor falou com a presidente da Única no dia anterior. Está prevista uma reunião de todo o setor de etanol com o governo no dia 21, quando será anunciada a decisão de adotar o novo percentual da mistura.

Quando a Cide começou a ser cobrada sobre os combustíveis fósseis, em 2002, a alíquota correspondia a R$ 0,28 por litro de gasolina. Para manter o valor da época, teria que ser fixada agora em algo próximo de R$ 0,40 por litro, considerando a inflação do período.

Em 2012, o governo decidiu zerar as alíquotas do tributo com o objetivo de conceder um reajuste dos combustíveis à Petrobras, na refinaria, sem elevar o preço ao consumidor. Ao mesmo tempo, a estatal passou a comprar derivados para abastecer o mercado interno a preços mais altos do que os de venda, subsidiando a gasolina.

"O represamento do preço da gasolina teve impacto muito negativo nas contas da Petrobras e, para o setor de etanol, foi arrasador", lembrou Elizabeth. Agora, o preço internacional do petróleo está em baixa. O governo terá que decidir, em primeiro lugar, se vai permitir que os preços internos dos derivados reflitam as cotações mundiais.

Se o preço atual da gasolina for mantido e a alíquota da Cide for elevada para R$ 0,28 por litro, Elizabeth diz que haverá "um ganho bastante importante" para o produtor de etanol. Atualmente, o preço do litro do etanol para o produtor em São Paulo é de R$ 1,29. Com a Cide de R$ 0,28, passaria para R$ 1,46. "Restabelecer a Cide é uma forma de incluir na estrutura de preços um imposto que tornará relativamente mais caro o uso do combustível que polui", disse.

Ao longo dos anos, o peso do PIS e da Cofins nos combustíveis também foi sendo reduzido, pois esses tributos são fixados em valores monetários há muito tempo não corrigidos. Hoje, PIS e Cofins correspondem a 6,2% do preço da gasolina na bomba, quando deveria ser de 9,25%. "Se esses tributos voltarem a 9,25% e a Cide for fixada em R$ 0, 28 do litro da gasolina, o preço para o produtor do etanol passará para R$ 1,56", estima a presidente da Unica. (Valor Econômico 16/01/2015)

 

Por falta de cana, Raízen desativa usina de SP pelo período de 2 anos

A Raízen, empresa de cana-de-açúcar e distribuição de combustíveis controlada pela Cosan e pela Shell, vai desativar por dois anos a operação industrial da usina Bom Retiro, localizada em Capivari (SP). A unidade tem capacidade para moer 1 milhão de toneladas de cana por ano e integra a operação sucroalcooleira do grupo, formada por outras 23 usinas no Centro-Sul do país.

Conforme a empresa, a medida foi tomada para minimizar o efeito da escassez de cana no negócio. Devido à forte estiagem que afetou os canaviais do Estado de São Paulo em 2014, as áreas agrícolas da empresa localizadas na região de Piracicaba foram também prejudicadas.

Com isso, 250 funcionários da usina foram demitidos e os outros 506, que atuam na área agrícola, permaneceram na operação no campo, uma vez que a unidade vai fornecer matéria-prima para ser processada nas outras quatro usinas do grupo na região.

Ao todo, a Raízen tem cinco unidades nesse polo (chamado Piracicaba) que soma capacidade para processar 11 milhões de toneladas, mas detém uma oferta de cana da ordem de 8 milhões de toneladas. "A suspensão das atividades industriais visa otimizar a produção de outras plantas da Raízen na região, através do redirecionamento de matéria-prima para as mesmas, cuja ociosidade cresceu neste ano-safra em função da seca que atingiu os canaviais", afirmou a Raízen em nota.

Conforme a empresa, a operação agrícola dos fornecedores de cana-de-açúcar da Raízen na região não será impactada. A companhia garantiu também que a produção prevista pela empresa não será afetada.

Em março do ano passado, antes do início da safra 2014/15, a Biosev, a segunda maior companhia de açúcar e etanol do país, também tomou uma medida semelhante, ao desativar a unidade paulista Jardest, localizada em Jardinópolis. Na época, a empresa, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, informou a demissão de 528 funcionários, do total de 728 que estavam empregados na unidade. (Valor Econômico 06/01/2015)

 

Começa dia 27, em Sertãozinho, levante contra crise do setor canavieiro

Contando com a experiência e credibilidade de quem organizou e implementou o movimento que em 1999 provocou a recuperação e o maior ciclo de crescimento virtuoso da cadeia produtiva canavieira, começa neste próximo dia 27 de janeiro, em Sertãozinho, o projeto de “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética”.

Já na largada, lideranças empresariais e de trabalhadores, aliadas aos fornecedores de cana e ao poder público municipal, prometem parar a cidade para mostrar a inconformidade de todos em relação ao agravamento da crise que já deixou um rastro com a extinção de 300 mil postos de trabalho no campo, fechamento de 60 usinas e levando outras 70 ao processo de recuperação judicial.

Mas não é só: é grande o número de famílias que estão se desfazendo de suas propriedades agrícolas que serviram por gerações de sustento em razão da inadimplência provocada pelas usinas e pela entrega da produção de cana-de-açúcar a preços inferiores aos seus custos. Na indústria de base, passam de uma centena o número de empresas que demitiram e não conseguem cumprir com os encargos sociais devidos a seus colaboradores.

A crise se estende por todo o tecido social dos seus mais de 1 mil municípios canavieiros. Nunca o comércio vendeu aos níveis baixos como os dos últimos meses, incluindo aí o Natal. Diferentemente do que ocorria em anos anteriores, quando as lojas contratavam trabalhadores temporários, o que se viu nestes municípios canavieiros foi a dispensa em massa de contratados.

Sertãozinho tem um histórico positivo na organização de protestos a favor do setor canavieiro. Em 1999, alguns dos mesmos protagonistas que estão à frente do movimento que será deflagrado neste próximo dia 27, organizaram o “Grito pelo Emprego e pela Produção”. À época, o problema estava centrado no então presidente FHC, que relutava em abrir um canal de interlocução com o setor.

Depois de inúmeras manifestações públicas – invasão do recinto onde seria promovida a Agrishow em Ribeirão Preto, retardando por horas a sua abertura; distribuição de etanol de graça em várias cidades; interrupção e bloqueios em várias estradas importantes do Estado de São Paulo – FHC cedeu e passou a atender a pauta da cadeia produtiva canavieira.

Foram necessários quatro meses de pressão para que o governo federal cedesse e reconhecesse os prejuízos que estava causando não apenas ao setor, mas à economia do País. Os organizadores do movimento que deve parar Sertãozinho neste próximo dia 27 estão conscientes que deverão ter fôlego para encarar os desafios.

Depois de Sertãozinho, será a vez de uma grande marcha à Brasília, ao mesmo tempo em que as lideranças do setor vão solicitar ajuda e apoio dos governadores dos Estados produtores de cana-de-açúcar. Acredita-se que eles, os governadores, possam assumir a interlocução política do setor.

Desde já, entretanto, cresce a idéia de se boicotar o início da safra 2015/2016. Importante liderança ligada aos produtores de cana da região de Piracicaba, José Coral, tem dito e repetido à exaustão: “É melhor pararmos do que continuarmos acumulando prejuízos. Ninguém aguenta mais”, desabafou em recente entrevista ao TV BrasilAgro.

Também em entrevista ao TV BrasilAgro na semana passada, Evandro Ávila e Renato Winogradow Vieira, coordenadores do projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética”, afirmaram textualmente:

“Acreditamos na sensibilidade da presidente Dilma Rousseff, que está dando sinais importantes de mudanças na condução da política econômica. Agora, se ela se mantiver intransigente em relação ao setor, ela terá que assumir toda a responsabilidade pelo que ocorrer daqui para a frente. Os 2,5 milhão de trabalhadores e os 70 mil fornecedores de cana não suportam mais o descaso e o desrespeito com os quais têm sido tratados”, afirmaram (Ronaldo Knack é Jornalista e graduado em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Preço do etanol ao motorista sobe em 12 Estados, diz ANP

SÃO PAULO - Os preços do etanol ao consumidor final nos postos voltaram a subir na maior parte dos Estados brasileiros entre 4 e 10 de janeiro na comparação com a semana anterior. Conforme levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio do hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, subiu em 12 Estados no período, sendo a maior alta observada em Santa Catarina (0,86%). Em São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o preço médio do hidratado subiu 0,10%, a R$ 1,914 o litro.

Já os preços da gasolina ao consumidor final subiram em oito Estados no período, sendo que as maiores valorizações foram observadas na Bahia e no Amazonas, de 0,45%. 

Houve queda dos preços do etanol hidratado em 10 Estados e da gasolina em 14 e no Distrito Federal na última semana na comparação com a anterior, conforme dados da ANP. O preço médio do hidratado ficou estável em quatro Estados e no Distrito Federal e o da gasolina, em 4.

Na semana entre 4 e 10 de janeiro, permaneceu vantajoso ao consumidor final abastecer com etanol hidratado em vez de gasolina em 5 Estados (São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso). Conforme o parâmetro mais aceito pelo mercado, essa vantagem ocorre quando o preço do etanol equivale a menos de 70% do preço da gasolina. (Valor Econômico15/01/2015 às 13h: 25m)

 

Indústria paulista fecha 128,5 mil vagas em 2014, diz Fiesp

SÃO PAULO - Com 128,5 mil postos de trabalho a menos, a indústria paulista reduziu em 4,9% o nível de emprego no ano passado, em relação a 2013. De acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o resultado é o pior desde 2006, quando começa a série histórica — em 2009, ano em que a ocupação no setor reduziu 4,5% em São Paulo, a indústria perdeu 112,5 mil vagas no Estado.

Em dezembro foram contabilizadas 40 mil demissões. Em relação a novembro, houve redução de 1,59% no nível de emprego e, feito o ajuste sazonal, alta de 0,56%. Para Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, a queda menos expressiva apurada no mês passado — em 2008 foram 121 mil demissões só em dezembro, exemplifica — é resultado de uma antecipação das dispensas ao longo de 2014, reflexo do cenário adverso.

Para ele, a situação da indústria no Estado é mais delicada do que em 2009 — e não apenas devido ao número maior de cortes. “Não vemos a menor possibilidade de 2015 ser um ano de recuperação como 2010 foi para 2009”, disse em relatório. O pessimismo vem da elevação da taxa básica de juros, do “já sabido ajuste fiscal do governo” e da retirada de alguns subsídios ao setor produtivo, como os concedidos à energia.

As expectativas de crescimento fraco do salários e do aumento da carga tributária, por sua vez, devem segurar o consumo das famílias e, por consequência, impactar de forma negativa a produção industrial.

Também pela primeira vez desde o início da Pesquisa de Nível de Emprego da Fiesp, a indústria de açúcar e álcool registrou queda expressiva na ocupação. Em 2014 o segmento demitiu 13.681 funcionários, perda de 8,5%. Só em dezembro, a indústria sucroalcooleira fechou 6.479 vagas.

Dos 22 setores acompanhados em 2014, 20 encerraram o ano no vermelho. O ramo farmacêutico registrou alta e o de produtos químicos ficou estável. (Valor Econômico 15/01/2015 às 19h: 49m)

 

Começa dia 27 o “Movimento pela Retomada do Setor Sucroenergético”

Entidades ligadas à cadeia produtiva sucroenergética anunciam apoio à ação, que deve “parar” o setor e mobilizar 15 mil pessoas.

Está confirmado: no próximo dia 27, às 7h30, acontece o Movimento pela Retomada do Setor Sucroenergético – manifestação formatada a partir da mobilização empreendida pela Prefeitura de Sertãozinho junto à CUT (Central Única dos Trabalhadores), ao Sindicato dos Metalúrgicos, ao CEISE Br, à ACIS, ao SINCOMÉRCIO, à Canaoeste, à Câmara Municipal, ao SINDINAP, à OAB, à AMASERT e ao SINCOMERCIÁRIOS, durante a constituição do Pacto Social pelo Emprego.

Assim, cidadãos de Sertãozinho e de todas as cidades da região que têm sofrido com a crise no setor sucroenergético, estão convidados a participar da manifestação, que tem por objetivo sensibilizar as esferas governamentais estadual e federal, sobre os impactos negativos que a falta de incentivo ao setor sucroenergético tem causado à economia de centenas de municípios canavieiros.

“Os números do desemprego, além de indústrias e empresas que estão sendo fechadas, não deixam margem de dúvida sobre a gravidade do problema. Em Sertãozinho, por exemplo, as dificuldades enfrentadas pelo setor sucroenergético estão produzindo uma reação em cadeia, com queda na arrecadação do município, estagnação do comércio e desemprego. A palavra de ordem é união e, para isso, reforçamos nosso convite às cidades da região para que se unam a esta iniciativa e nos ajudem a elevar as discussões para a resolução dessa situação”, afirma o prefeito Zezinho Gimenez.

De acordo com o secretário municipal de Indústria e Comércio, Carlos Roberto Liboni, a proposta é de que, no próximo dia 27, todas as empresas suspendam suas atividades em apoio à manifestação. “A ideia é de que a região ‘pare’ e todos se unam em torno de um bem comum, pois nossas usinas e indústrias precisam recuperar a produtividade, para que nossa cidade possa gerar emprego e renda para a população, e para que o comércio, a saúde e os serviços de modo geral possam prosperar. Nós contamos com a participação ativa dos empresários e dos trabalhadores sertanezinos, para que o Movimento pela Retomada do Setor Sucroenergético possa atingir o êxito esperado”, pontua Liboni.

As entidades ligadas à organização do Movimento pela Retomada do Setor Sucroenergético estão empenhadas e acreditam na repercussão positiva da manifestação, como é o caso do SINCOMERCIÁRIOS. “Esse é o momento de nos unirmos, pois juntos somos fortes, e 2015 será o ano da virada para Sertãozinho. Com certeza, em breve, veremos um futuro bem melhor, pois uma vitória já é certa: a união dos empresários com os trabalhadores em busca do sucesso. Sertãozinho já conseguiu essa conquista na década de 80 e agora não será diferente”, avalia o presidente do sindicato, Jonathan Faleiros.

“A indústria de base do setor sucroenergético é um dos elos que mais vem amargando os efeitos dessa crise. Porém, toda a cadeia encontra-se numa situação insustentável e, por isso, devemos fazer do Movimento pela Retomada do Setor Sucroenergético um instrumento de propagação das nossas reivindicações, das nossas urgências. Esta é a hora de unir forças em busca do crescimento de um setor tão importante, não só para a economia local e regional, mas de todo o país”, destaca o presidente do CEISE Br, Antonio Eduardo Tonielo Filho.

O presidente da Orplana e da Canaoeste, e diretor superintendente da Copercana, Manoel Ortolan, reforça a importância do movimento. “São grandes as dificuldades atravessadas por toda a cadeia produtiva do setor sucroenergético e pela indústria de base, tanto em Sertãozinho como em vários outros municípios do país, e o Governo Federal não tem tomado as medidas necessárias para garantir que haja uma retomada do crescimento. Por isso, um movimento como esse é extremamente importante”, analisa.

A manifestação

O Movimento pela Retomada do Setor Sucroenergético acontece no dia 27 de janeiro, terça-feira, com concentração a partir das 7h30, em dois pontos de partida, facilitando a participação de todos os cidadãos: Praça Rotatória “Thirso Pelá” (em frente ao Ibis Hotel) e Praça Rotatória da Estrada Vicinal “Antônio Sarti” com a Rodovia “Armando de Salles Oliveira” (próximo à empresa Dedini).

Os manifestantes farão uma caminhada de cerca de 2 Km até o ponto onde acontecerá a apresentação do documento com as principais reivindicações dos setores envolvidos. A previsão é de que o ato se encerre às 10h.

São esperadas para a manifestação cerca de 15 mil pessoas, entre trabalhadores dos setores metalúrgico, canavieiro e do comércio; representantes de sindicatos e associações ligadas ao setor sucroenergético; autoridades municipais e regionais, além dos cidadãos em geral.

Nova adesão

Durante reunião realizada na última quarta-feira, 14, a Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética, que conta com o apoio dos trabalhadores, fornecedores de cana, indústria de base, usineiros e as principais cooperativas canavieiras do País (Copercana, Coopercitrus e Coplacana), formalizou seu apoio ao ato sertanezino, reforçando a importância e a visibilidade da ação no âmbito nacional.

Segundo Evandro Ávila, da consultoria BrasilAgro e um dos coordenadores do projeto, nele estão previstas audiências com o governador Geraldo Alckmin e as lideranças do setor, além de uma marcha a Brasília. “Estamos sugerindo ao governador Geraldo Alckmin para que ele lidere a formação da ‘Frente dos Governadores dos Estados Produtores de Cana-de-Açúcar’, e estamos trabalhando para levar trabalhadores e fornecedores de cana numa grande marcha a Brasília, com o objetivo de sensibilizar a presidente Dilma Rousseff para a grave crise que já levou à extinção de 300 mil postos de trabalho na área agrícola, fechamento de cerca de 60 usinas e pedidos de recuperação judicial de outras 70”, afirma.

Mais informações sobre o Movimento pela Retomada do Setor Sucroenergético podem ser obtidas no site da Prefeitura Municipal (www.sertaozinho.sp.gov.br), além dos canais de comunicação das entidades organizadoras e apoiadoras da ação (Brasil Agro 15/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Fraqueza européia: O cacau registrou queda moderada ontem na bolsa de Nova York, depois da divulgação de dados fracos de moagem na Europa. Os lotes para maio caíram US$ 13 e fecharam em US$ 2.965 a tonelada. Segundo entidade que reúne dois terços dos compradores de cacau do continente, o processamento caiu 7,4% no quarto trimestre de 2014, na comparação anual. Os traders já vinham apostando em um baixo ritmo da atividade no fim do ano, mas se surpreenderam com a intensidade da queda. Após o fechamento do pregão, as empresas da América do Norte também relataram recuo da atividade no mesmo período em 2%, embora no ano a moagem tenha crescido 2,1%. No mercado interno, os preços na Bahia oscilaram entre R$ 106 e R$ 112 a arroba, segundo a TH Consultoria.

Laranja: Importação americana: Os preços do suco de laranja ganharam novo impulso ontem na bolsa de Nova York, após a divulgação de um aumento na importação do produto pelos EUA. Os contratos do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para maio fecharam com alta de 230 pontos, a US$ 1,4575 a libra-peso. Nos onze primeiros meses de 2014, o país importou 1,5 bilhão de litros de FCOJ, um crescimento de 15% na comparação anual, segundo Departamento de Citros da Flórida. O dado é mais um sinal de que a produção interna de suco está sendo afetada pela baixa produção, que caiu ao menor volume em 29 anos em 2013/14 e deve se repetir na safra atual. No mercado doméstico, o preço da laranja para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq manteve-se estável em R$ 10,16 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Vendas recordes: As cotações do algodão subiram ontem na bolsa de Nova York, embaladas pelas fortes vendas da pluma americana ao exterior. Os lotes para maio fecharam com alta de 44 pontos, a 60,27 centavos de dólar por libra-peso. Entre 2 e 8 de janeiro, os exportadores dos Estados Unidos acertaram a venda de 96,5 mil toneladas, um recorde de volume comercializado em uma semana desde o início desta safra (2014/15). Apenas a China, que tem adotado uma política de redução de importações neste ciclo para estimular a produção interna, comprou 40,17 mil toneladas. Segundo analistas, os baixos preços do período atraíram compradores para a oferta dos EUA. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias ficou em R$ 1,6873 a libra-peso, baixa de 0,02%.

Soja: Demanda decepciona: Os futuros da soja recuaram na bolsa de Chicago ontem, diante da decepção dos traders com os dados de processamento nos Estados Unidos. Os lotes para maio fecharam com queda de 17,25 centavos, a US$ 9,9725 o bushel. A associação que congrega indústrias do setor do país informou que a moagem do grão em dezembro alcançou 4,5 milhões de toneladas, abaixo das 4,53 milhões de toneladas esperadas pelos analistas. Colaborou para manter a pressão sobre os preços a projeção da consultoria Informa Economics de aumento da área plantada com soja nos EUA em 2015/16, para 35,61 milhões de hectares, o que pode aumentar a oferta da commodity na próxima temporada. No mercado interno, o preço médio da soja no Paraná recuou 2,19%, para R$ 56,39 a saca, de acordo com o Deral/Seab. (Valor Econômico 16/01/2015)