Setor sucroenergético

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Começa levante contra fechamento de 80 usinas e mais de 300 mil demissões

Um setor que agoniza e um governo totalmente insensível que por falta de inação já provocou o fechamento de 80 usinas, empurrou outras 70 para processos de recuperação judicial e provocou a extinção de mais de 300 mil postos de trabalho no campo.

Este é parte do ingrediente que coloca a cidade de Sertãozinho, no interior do Estado de São Paulo, no mapa dos protestos que prometem chamar a atenção da opinião pública e forçar a presidente Dilma Rousseff a deixar sua notória teimosia de lado e passe a olhar com maior responsabilidade seu papel de primeira mandatária do País.

Com efeito, na manhã desta próxima terça-feira, Sertãozinho vai parar totalmente suas atividades. O comércio não vai abrir suas portas, as indústrias da cidade liberarão seus trabalhadores e caravanas de produtores de cana se somarão ao movimento de protesto.

Na véspera do evento, a Câmara Municipal de Sertãozinho promove sessão especial que vai reunir as lideranças do setor para debater os efeitos da crise e os próximos passos que serão tomados no âmbito do projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética”

Nas últimas semanas o prefeito Zezinho Gimenez (PSDB) tem coordenado pessoalmente reuniões com os vários segmentos da cadeia produtiva sucroenergética e lideranças locais. Ele espera mais de 15 mil pessoas no movimento e conta com os apoios das duas principais centrais sindicais do País, a CUT – Central Única dos Trabalhadores e a Força Sindical.

Ao final da reunião promovida na tarde de ontem (21) junto ao gabinete do prefeito de Sertãozinho, o sindicalista Antonio Vitor confirmou que lideranças dos vários sindicatos de trabalhadores que atuam na cadeia produtiva sucroenergética estão sendo convocadas para se engajarem ao movimento.

“Pior do que está não pode ficar. Daqui para a frente estamos indo às ruas para protestar. “Madame” Dilma que nos espere, pois logo estaremos chegando à Brasília”. Ele elogiou a iniciativa dos usineiros, da indústria de base e dos produtores de cana se unirem aos trabalhadores para a formação do projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva do Setor Sucroenergética”.

“Na crise de 1999 estivemos juntos e criamos o maior ciclo de crescimento virtuoso do setor que chegou a dobrar de tamanho. Agora, desde o início do segundo mandato do presidente Lula, o setor saiu do radar do governo federal e vive a pior crise da sua história”, lamentou (Brasil Agro 22/01/2015)

 

Guarani renegocia dívida e reduz custo

A Guarani, empresa sucroalcooleira controlada pela Tereos Internacional, concluiu a renegociação de US$ 300 milhões em dívidas que venciam no curto prazo. O diretor da divisão Brasil do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, informou ao Valor que o montante foi alongado por cinco anos, com carência de dois.

A operação foi liderada pela instituição francesa Crédit Agricole e envolveu um pool de sete bancos estrangeiros, a maior parte, europeus. O executivo afirmou que os juros mais baixos na União Europeia possibilitaram a redução do custo dessa dívida em 0,10 ponto percentual. Antes em Libor mais 2,4% ao ano, o custo acertado no alongamento caiu para Libor mais 2,30% ao ano.

"A renegociação trará um fôlego à companhia, que está concluindo seus investimentos, a maior parte em cogeração", afirmou Costa Filho.

A redução do custo da dívida trará um impacto na despesa financeira da Guarani da ordem de US$ 330 mil ao ano, conforme o executivo. "O custo do dinheiro na Europa baixou. Além disso, a renegociação teve o aval do grupo Tereos, que tem relacionamento antigo com essas instituições financeiras e um bom rating de crédito", acrescentou.

No trimestre encerrado em 30 de setembro de 2014, a Guarani teve um resultado financeiro líquido negativo em R$ 55 milhões.

A dívida líquida da Guarani em 30 de setembro do ano passado era de R$ 1,9 bilhão, dos quais R$ 620 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o executivo, o endividamento com o banco de fomento se refere aos investimentos em cogeração e tem prazo de pagamento de 15 anos.

Na safra 2014/15, que termina oficialmente em 31 de março, a Guarani cogerou 1 milhão de megawatts/hora (MWh) a partir do bagaço da cana, ante os 700 mil MWh de 2013/14. Para o ciclo 2015/16, a companhia prevê cogerar 1,2 milhão de GWh. 20% de aumento. Essa previsão, de acordo com Costa Filho, não considera os eventuais ganhos de eficiência dos equipamentos de cogeração, uma vez que a companhia começou um projeto com esse objetivo.

Na avaliação de Costa Filho, a Tereos, na França, tem a muito a acrescentar à Tereos no Brasil no quesito ganho de eficiência - tanto energética quanto industrial. "A energia representa 30% do custo de produção do açúcar na França", observou.

Essa foi um das razões para a escolha de Pierre Santoul para a presidência da subsidiária brasileira, anunciada no fim de novembro do ano passado. Segundo Costa Filho, "Santoul era responsável por ganhos de eficiência e produtividade no grupo".

Conforme o executivo, atualmente, 90% da energia cogerada pela companhia foi contratada nos leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em torno de 10% estão disponíveis para venda no mercado à vista que, no ano passado, chegou a pagar R$ 822 o Megawatt hora (MWh). "Dependendo das condições dos próximos leilões da Aneel, podemos realizar novas vendas de longo prazo", afirmou.

Neste ano, haverá três leilões, com condições aparentemente mais atrativas para as usinas de cana que cogeram. Entre eles, o Leilão de Fontes Alternativas (LFA), marcado para 27 de abril, e no qual, a fonte biomassa de cana vai concorrer somente com ela mesma, por contratos de fornecimento de 20 anos. Para esse leilão, foram cadastrados 40 projetos que somam cogeração de 2.067 MW, conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Os outros dois leilões que ocorrem duas vezes por ano para contratação de energia - A-3 e A-5 - também vão ocorrer com condições mais animadoras às usinas, uma vez que a energia eólica, que vinha depreciando os preços nos leilões anteriores, não vão mais concorrer com a biomassa de cana.

O volume produzido pela companhia também vai depender da oferta de biomassa - bagaço e palha - nesta temporada 2015/16. Apesar de em algumas regiões de São Paulo as chuvas estarem mais distribuídas, próximo das usinas da Guarani, no noroeste do Estado, as chuvas estão preocupando, disse Costa Filho. "Ainda é cedo para saber. Se as precipitações vierem mais volumosas a partir de agora, creio que não haverá perdas".

A Guarani tem sete usinas de cana no Estado de São Paulo e é controlada da Tereos Internacional, companhia que lucrou no ciclo passado, o 2013/14, R$ 8,3 bilhões. (Valor Econômico 22/01/2015)

 

Gasolina deve subir 7,2% e etanol, 5%

O Banco Pine prevê que a reintrodução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) elevará o preço da gasolina em 7,2% nas bombas.

A cotação será reajustada em fevereiro e deve acarretar um incremento médio de 5% na cotação do etanol hidratado até o início de abril, quando começa a safra 2015/16 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil.

"A elasticidade de preço do etanol hidratado, pelos nossos cálculos, é de 68% da variação do preço da gasolina e demora até dois meses para ser integral", diz a instituição por meio de relatório assinado pelo analista Lucas Brunetti.

Ainda segundo o Pine, esse aumento de 5% no preço do hidratado faria o mix de produção pender em mais 0,6% para a produção de etanol em 2015/16, o que significa dizer que mais cana será destinada à produção do biocombustível em vez da fabricação de açúcar.

Pelos cálculos do banco, a elevação da cotação do hidratado em 5% representaria uma queda de 450 mil toneladas na produção de açúcar na safra.

O Pine estima fabricação de 33 milhões de toneladas de açúcar na próxima temporada, 3,2% mais na comparação entre os ciclos. Quanto ao etanol, a produção deve avançar 1,4%, para 26,4 bilhões de litros, dos quais 15,2 bilhões de litros apenas de hidratado (+0,4%). A moagem de cana no Centro-Sul também deve aumentar, em 3,7%, para 592 milhões de toneladas.

O retorno da Cide foi anunciado na segunda-feira, 19, pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O tributo será de R$ 0,22 por litro de gasolina e passará a valer, efetivamente, em três meses.

Até lá, esse R$ 0,22 será preenchido pelo aumento das alíquotas PIS/Cofins. (Exame.com 21/01/2015)

 

Credores tentam atrair investidores para o GVO

Um grupo de credores do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), encabeçado por J.P. Morgan, Alliance Bernstein e York Capital Management, discute um aporte de recursos e a conversão de seus créditos em ações da companhia, segundo fonte a par do assunto.

Os três investidores são alguns dos maiores detentores de bônus do grupo sucroalcooleiro e estão em negociação com fundos que possam injetar dinheiro no GVO.

Em paralelo, a butique financeira Moelis & Company, contratada pelo GVO para comandar seu processo de reestruturação financeira, também conversa com outros potenciais investidores financeiros e estratégicos.

Segundo essa fonte, ainda não há previsão de quando as conversas poderão ser concluídas. Também não está definida a relação de conversão de dívidas para ações, o que torna impossível saber por enquanto como ficarão as participações dos novos investidores no capital.

No dia 8, o GVO deixou de pagar US$ 8,5 milhões em juros referentes a uma de suas emissões de bônus. Há outros vencimentos de cupom em 28 de janeiro e 9 de fevereiro. A companhia emitiu US$ 735 milhões em bônus no exterior nos últimos anos. Os papéis têm vencimento em 2018, 2020 e 2022.

Os papéis de 2018 estavam cotados ontem a apenas 4% de seu valor de face. Procurados pelo Valor, os executivos do GVO não retornaram a ligação.

No contexto da reestruturação de dívida da companhia, na última semana, assumiu a presidência do GVO o executivo Joamir Alves, no lugar da acionista majoritária Carmem Ruete. Hermelindo Ruete de Oliveira, que era diretor-superintendente, foi afastado do dia a dia das operações, assim como os outros acionistas da família. Apenas Carmem Ruete se mantém como diretora. (Valor Econômico 22/01/2015)

 

Kátia Abreu defende política para setor sucroenergético

Ministra da Agricultura se reuniu com empresários do setor nesta quarta, dia 21

Depois de o governo federal anunciar aumento de Pis/Confis e a Cide voltar a incidir sobre os combustíveis, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, se comprometeu a adequar editais de energia elétrica para incluir o setor sucroenergético entre os fornecedores e a colaborar com políticas públicas para a área.

A ministra se reuniu com empresários nesta quarta, dia 21, e ouviu planos do segmento, que pretende entrar para o mercado de energia elétrica produzindo energia a partir do bagaço da cana-de-açúcar.

Formaremos um modelo de edital que pode ser compatível com o setor para nós apresentarmos para os outros colegas ministros, principalmente Minas e Energia, Casa Civil, para que possamos evoluir, disse a ministra.

Segundo ela, há um potencial enorme de produção de energia, não só a partir do bagaço da cana como também de celulose e de outros resíduos. "é o caminho da energia limpa", defendeu. A ministra afirmou que não há prazo para a formatação dessa proposta de modelo.

De acordo com Kátia Abreu, para que os investimentos em cogeração saiam do papel o setor necessita de previsibilidade.

O que eles pedem é regularidade e consistência, não mudança nas regras do jogo. O plano da matriz energética elaborado pelo governo, com toda competência, tem de estar concatenado com o programa da Petrobras, argumentou, reforçando que o programa da estatal não pode estar em choque com o da matriz energética.

De acordo com a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, a geração de energia pode ser a principal saída para retomar a competitividade do setor, que, nos últimos anos, vive uma forte crise de endividamento.

O mais importante para o setor é ter a perspectiva de retorno. Nós temos que ter como pagar as dívidas e a ministra concordou com isso. É preciso detalhar agora como o etanol hidratado é visto dentro da matriz energética brasileira, como a bioeletricidade, que vem do bagaço da cana, da palha da cana, tem seu espaço na matriz de energia elétrica, como que isso vai se traduzir num desenho mais favorável dos leilões públicos; destacou.

O endividamento do setor não esteve na pauta da reunião, mas, no encontro, a ministra falou sobre o aumento da mistura do etanol anidro na gasolina, uma reivindicação antiga para conter a crise da indústria. A medida deve ser anunciada pelo governo federal no dia 2 de fevereiro.

Segundo ela, a expectativa é de que a elevação seja de pelo menos dois pontos porcentuais sobre os atuais 25%. Para Kátia Abreu, o governo deu uma grande sinalização com a elevação da Cide e do Pis/Cofins na gasolina, mudança que, na visão dela, vai melhorar a performance de rentabilidade do setor.

Essa elevação da porcentual de etanol na gasolina está sendo visto com critério para não haver prejuízo para os carros e para os proprietários; afirmou, acrescentando que "melhorar a performance dos carros é de extrema importância para que os consumidores fiquem satisfeitos e para que não haja preconceito quanto aos combustíveis usados nos carros”.

Está muito bem encaminhado o aumento do percentual do etanol no combustível no Brasil. Então deverá passar, aumentar, pelo menos, dois pontos percentuais, mas isso está sendo visto com muito critério pela Ciência, pela Tecnologia, para não haver prejuízo tecnológico, no que diz respeito aos carros, e para que nós possamos dar esse aumento com segurança para esse setor – enfatizou Kátia.

O presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, falou sobre resultados dos testes feitos para analisar o desempenho dos motores a gasolina com o uso da nova mistura.

A informação que temos de testes preliminares feitos até o dia 15 de janeiro é que mais de 80% dos testes não tiveram problemas. A expectativa é ouvir isso no dia 28 e, com isso, no dia 2, o governo já poder anunciar esse aumento de mistura. Da nossa parte, procuramos priorizar a produção de etanol no ano passado. Carregamos um estoque elevado, tanto de hidratado como de anidro, porque tínhamos a expectativa de que essa mudança já fosse ocorrer desde primeiro de janeiro, explicou. (Canal Rural 21/01/2015 às 19h: 43m)

 

Banco Pine projeta moagem de 592 milhões de toneladas na safra 2015/16

O Banco Pine prevê que as usinas do Centro-Sul do Brasil irão processar 592 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2015/16, que se inicia oficialmente em 1º de abril. O volume é 3,7% maior do que os 570,8 milhões de toneladas esperadas para atual temporada pela instituição.

Em relatório assinado pelo analista Lucas Brunetti, o Pine estima produção de açúcar em 33 milhões de toneladas no próximo ciclo, crescimento de 3,2% sobre 2014/15. O volume de etanol deve aumentar 1,4%, para 26,4 bilhões de litros, dos quais 11,2 bilhões de litros de anidro (+2,9%) e 15,2 bilhões de litros, de hidratado (+0,4%).

Por mais uma temporada, avalia o banco, o mix de produção penderá para o álcool. Para o Pine, 56,6% da oferta de cana em 2015/16 será destinada ao biocombustível, em comparação com 57% em 2014/15.

Já o porcentual referente ao açúcar deve passar de 43% para 43,4%. Por fim, o banco estimada que a quantidade de sacarose nas plantas será menor na próxima safra. O nível de Açúcar Total Recuperável (ATR) deve diminuir 1,4%, para 134,5 ruilos por tonelada de cana moída.

Estoques

De acordo com o Pine, as reservas de etanol hidratado para consumo durante a entressafra, que vai até o fim de março, estavam próximas de 5 bilhões de litros em dezembro, 1,5 bilhão de litros a mais na comparação com igual mês de 2013. Por conta disso, diz o banco, os preços do biocombustível não devem subir muito neste período. (Agência Estado 21/01/2015)

 

Escaladas tarifárias da UE são barreiras às exportações do agronegócio

Segundo a CNA, o acesso de alguns produtos do setor é prejudicado pelas altas tarifas aplicadas pelo bloco.

A União Europeia (UE) é um importante destino para os produtos do agronegócio brasileiro. Com 22,2% de participação nas exportações do setor, o bloco é um dos principais compradores de diversos insumos e produtos transformados do Brasil. Entretanto, alguns bens agropecuários ainda enfrentam barreiras na UE que dificultam o seu comércio. Um destes entraves é causado pela incidência das escaladas tarifárias, que ocorrem quando os produtos transformados apresentam tarifas de importação consideravelmente superiores àquela aplicada sobre seus respectivos insumos, dificultando a entrada destas mercadorias ao mercado europeu.

A conclusão faz parte de estudo da Superintendência de Relações Internacionais (SRI) da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que fez um mapeamento de alguns produtos prejudicados por esta prática. O levantamento, feito a partir de 2.180 linhas tarifárias correspondentes a produtos do agronegócio, a seis dígitos, constatou diferença expressiva entre os volumes de exportação de insumos e de produtos de maior valor agregado destinados à UE e o volume total exportado do Brasil para o mundo. “Na maioria dos produtos selecionados, as escaladas tarifárias representam uma barreira ao comércio entre o Brasil e a UE. Isto ocorre na medida em que determinados produtos apresentam volumes de exportação bastante irrisórios ou até mesmo inexistentes”, explica o estudo.

Este mecanismo das escaladas tarifárias é utilizado para proteger o mercado interno, criando condições que tornam a importação de certas mercadorias inviáveis, como é o caso de certos produtos transformados do agronegócio brasileiro, que têm volumes de exportação irrelevantes ou até mesmo inexistentes para o bloco.

Um exemplo esta distorção é o café. Em 2013, enquanto o embarque do café em grão para a UE totalizou 911,3 mil toneladas, ou 57% do total deste produto exportado pelo Brasil, os embarques de cafés industrializados para a UE somaram 13,4 mil toneladas, ou 16% do total exportado pelo Brasil para o mundo naquele ano. O baixo volume de exportação dos cafés industrializados comparado ao volume total do respectivo insumo exportado pode ser consequência da diferença tarifária existente entre estes produtos e, portanto, de um efeito de escalada tarifária.

Outro grupo de produtos analisado pela CNA foi o complexo soja. Em 2013, a UE importou um volume expressivo de soja em grão do Brasil. Enquanto os embarques deste produto para o bloco somaram 5,1 milhões de toneladas (12% do total comercializado pelo Brasil internacionalmente), as exportações brasileiras com destino à UE de óleo de soja, outro produto transformado, somaram 26 mil toneladas, ou apenas 2% do total exportado deste produto pelo Brasil. Mais uma vez, o levantamento da CNA ressalta que “a diferença tarifária entre os insumos e os produtos transformados constitui uma limitação às exportações brasileiras para a UE” (CNA 21/01/2015).

 

Cresce participação de estrangeiros em tratores no país

Mesmo com o desaquecimento do mercado brasileiro de máquinas agrícolas em 2014, as empresas estrangeiras de tratores que desembarcaram no país nos últimos anos registraram crescimento nas vendas e estão otimistas com a comercialização de seus produtos em 2015. O desempenho foi positivo no ano passado porque essas empresas focaram sua atuação em tratores de menor potência, cujas vendas avançaram.

A sul-coreana LS Mtron inaugurou em outubro de 2013 sua unidade brasileira, em Santa Catarina, a primeira de tratores do grupo (divisão LS Tractor) fora da Ásia. No país, a LS vendeu no ano passado quase dois mil tratores (1,93 mil unidades), ante 600 unidades em 2013, quando a maior parte da comercialização foi feita com produtos importados. O faturamento em 2014 foi de R$ 220 milhões.

Neste ano, a expectativa é que as vendas atinjam em torno de 2,5 mil unidades, afirma André Rorato, diretor comercial e de marketing da LS Mtron Brasil. A empresa sul-coreana investiu no país R$ 150 milhões - R$ 80 milhões somente na fábrica, que tem capacidade instalada de 5 mil unidades por ano. A LS Mtron Brasil comercializa tratores de 37 a 105 cavalos de potência, voltados principalmente à agricultura familiar.

Ao mesmo tempo em que há boas perspectivas para o mercado de tratores no país, Rorato observa que existe preocupação sobre o futuro dos programas governamentais, como o Mais Alimentos (linha de crédito voltada a agricultores familiares) e o Moderfrota (linha de financiamento do BNDES para a aquisição de máquinas agrícolas), o que poderia impactar as vendas. A razão para o temor é que cerca de 70% das vendas de tratores da LS Mtron são feitas por meio do Mais Alimentos. E a tendência é que esse percentual não se altere muito, avalia Rorato.

O segmento de agricultura familiar foi o que mais demandou novos tratores para o campo em 2014. Conforme a Anfavea, associação que representa as principais empresas do setor, a comercialização de tratores com até 80 cavalos de potência representou 51% do total vendido em 2014, ante 42% em 2013.

Outra empresa que aposta na demanda firme da agricultura familiar é a indiana Mahindra, considerada a maior produtora mundial de tratores em unidades, com cerca de 250 mil máquinas por ano. A companhia desembarcou no país de forma tímida, no fim de 2012, mas quer crescer no mercado brasileiro. A meta para 2015 é chegar a 5% de participação no mercado de tratores de até 95 cavalos de potência na região Sul, segundo Egisson Loreto, diretor da fábrica da Mahindra em Dois Irmãos (RS).

Em 2013, a Mahindra vendeu volume pequeno no país (menos de 200 unidades) e as máquinas foram importadas. O volume subiu para mais de 400 unidades em 2014, quando a empresa começou a produzir no Brasil. Este ano, Loreto acredita que as vendas podem passar de 1 mil unidades, em uma estratégia mais "agressiva", com maior produção e abertura de novos concessionários.

No segundo semestre, a Mahindra deve começar a fabricar mais dois modelos de tratores no país - de 50 e 70 cavalos de potência (cv), que se somarão aos atuais de 80 e 92 cv.

A unidade industrial em Dois Irmãos (RS) é a primeira de tratores da Mahindra fora da Ásia, com capacidade para produzir 2 mil tratores por ano. Mas uma fábrica maior para a produção de até 10 mil tratores por ano deve ser construída em 2016, afirma Loreto. Além de crescer no mercado do Sul do Brasil, a Mahindra espera atingir outras regiões, como São Paulo e Espírito Santo em 2016. A empresa também planeja produzir tratores maiores.

A italiana Argo Tractors, com a marca Landini, é outra que prevê ampliar suas vendas no Brasil este ano. A empresa começará a produzir no país entre abril e maio deste ano, em Contagem (MG), mas apenas tratores direcionados a testes no campo. A previsão é que no segundo semestre, a Argo comece a produzir tratores para comercialização no Brasil. Serão dois tipos, com cinco potências diferentes, de 115 a 185 cavalos, segundo Ricardo dos Santos Vianna, diretor de operações da Landini no Brasil.

A empresa italiana atua no país desde 2006. No ano passado, vendeu cerca de 80 unidades importadas no mercado brasileiro. A expectativa, para 2015, é comercializar cerca de 250 tratores fabricados no país e mais 80 unidades importadas. A estimativa é chegar nos próximos anos a uma comercialização de 2 mil unidades no Brasil. Uma nova fábrica, maior, deverá ser construída em três a cinco anos, de acordo com Vianna. ((Cenário MT 21/01/2015)

 

Agronegócio paulista: Saldo da balança comercial fecha o ano em baixa

Complexo sucroalcooleiro, carnes, suco de laranja, produtos florestais e soja formam os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio paulista e respondem por quase 80% das vendas externas paulistas.

No ano de 2014, as exportações do Estado de São Paulo somaram US$ 51,46 bilhões (22,9% do total nacional), e as importações, US$ 84,81 bilhões (37% do total nacional), registrando déficit de US$ 33,35 bilhões. Em relação ao ano de 2013, o valor das exportações paulistas caiu 8,4% e o das importações 5,5%, informa o Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Na conjunção dos desempenhos das exportações e importações, o déficit da balança comercial paulista registrou queda de 1%.

O agronegócio paulista apresentou exportações decrescentes (-12,5%), atingindo US$ 18,18 bilhões. As importações também diminuíram (-1,3%), somando US$ 6,04 bilhões, e o saldo, de US$ 12,14 bilhões, foi 17,2% menor que o do ano de 2013. As importações paulistas nos demais setores, excluindo o agronegócio, somaram US$ 78,77 bilhões para exportações de US$ 33,28 bilhões, gerando um déficit externo desse agregado de US$ 45,49 bilhões em 2014. Ainda assim, “o comércio exterior paulista sofreria maior déficit não fosse o desempenho do agronegócio estadual”, afirma o pesquisador José Roberto Vicente, responsável elo levantamento.

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio paulista no ano de 2014 foram: complexo sucroalcooleiro (US$ 6,76 bilhões, com as exportações de álcool representando 11,6% desse total); carnes (US$ 2,64 bilhões, em que a carne bovina respondeu por 80,4%); sucos (US$ 1,89 bilhão, dos quais 98,5% referentes a sucos de laranja); produtos florestais (US$ 1,65 bilhão); e complexo soja (US$ 1,49 bilhão). Esses cinco agregados representaram 79,4% das vendas externas setoriais paulistas.

A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 3,96 bilhões em 2014, com exportações de US$ 225,10 bilhões e importações de US$ 229,06 bilhões. O saldo comercial negativo ocorreu em função de queda nas exportações (-7%) maior do que nas importações (-4,5%). Em 2014, as exportações do agronegócio brasileiro decresceram 3,2% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 96,75 bilhões (43% do total). Já as importações do setor diminuíram 2,6%, também na comparação com o ano de 2013, somando US$ 16,61 bilhões (7,3% do total). O superávit do agronegócio no período foi de US$ 80,14 bilhões, 3,3% menor do que o do ano anterior.

Os cinco principais grupos do agronegócio brasileiro nas exportações do ano de 2014 foram: complexo soja (US$ 31,40 bilhões); carnes (US$ 17,43 bilhões); complexo sucroalcooleiro (US$ 10,37 bilhões); produtos florestais (US$ 9,95 bilhões); e café (US$ 6,66 bilhões). Esses cinco agregados responderam por 78,4% das vendas externas do agronegócio nacional.

Em relação ao agronegócio brasileiro, as exportações setoriais paulistas representaram 18,8%, ou seja, menos 2% que em 2013, enquanto as importações representaram 36,4%, sendo 0,5% superior à representatividade verificada no ano anterior. A participação paulista no agronegócio nacional, em 2014, destacou-se nos grupos de: sucos (87,3%); produtos alimentícios diversos (70,8%); complexo sucroalcooleiro (65,2%); plantas vivas e produtos de floricultura (61%); demais produtos de origem vegetal (47,8%); demais produtos de origem animal (45%); rações para animais (40,4%); lácteos (35,7%); produtos apícolas (32,8%) e produtos oleaginosos (30,6%) (Brasil Agro 21/01/2015)

 

Adriano Pires: "Estamos caminhando para ter a gasolina mais cara do mundo"

Apesar do aumento do custo de importação de diesel e da gasolina, com a alta das alíquotas de PIS/Cofins, a Petrobras deve manter a estratégia de recomposição de caixa diante da defasagem positiva de preços no mercado doméstico frente ao exterior.

Atualmente, a gasolina no País está cerca de 70% mais cara que em outros países. Essa margem, avaliam analistas, garante a geração de receitas para o financiamento das operações da companhia, revertendo perdas de receitas acumuladas há quatro anos.

"O governo empurrou para o consumidor pagar a conta dos impostos e pela recomposição de caixa da Petrobras. Estamos caminhando para ter a gasolina mais cara do mundo", avaliou o consultor Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie). "A gasolina cara serve para reverter os erros do governo na política de controle de preços da estatal", completou.

A alíquota do PIS/Cofins para produtos importados passará dos atuais 9,25% para 11,75%, conforme decisão do Ministério da Fazenda. Também haverá a volta da cobrança da Cide, dentro de 90 dias, que incide diretamente sobre o preço cobrado nas bombas.

A decisão da Petrobras de repassar esses custos diretamente aos consumidores, evitará que a estatal reduza suas margens de ganhos com a alta defasagem.

A estimativa de analistas de mercado é que a companhia tenha perdido R$ 60 bilhões em receitas no período. "(Mesmo que pague mais pelo combustível que importa) a Petrobras está confortável, ela continua recompondo as margens de lucro com o combustível sendo vendido mais caro aqui do que lá fora", afirmou José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

O impacto sobre o custo de importação também não tira a atratividade das operações de compra no exterior do petróleo para abastecimento interno por parte de distribuidoras estrangeiras, interessadas em competir com a Petrobras no mercado brasileiro. Algumas empresas já avaliam as condições logísticas e realizam novos pedidos de importação.

"O encarecimento do custo de importação recai tanto para a estatal quanto para outras distribuidoras. Economicamente, é vantajoso importar pelo tamanho da defasagem no Brasil, mas há limitações, principalmente quanto à capacidade logística dos terminais", explicou o diretor do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alízio Vaz.

Além da baixa capacidade para receber o petróleo importado, a maior parte dos terminais são operados pela Petrobras. Na avaliação do consultor Adriano Pires, a estatal atua de maneira monopolista no setor e não mudará essa posição. "A maior importadora continuará sendo a Petrobras", comentou Pires.

Para Alízio Vaz, a decisão da Petrobras de repassar integralmente os preços poderá provocar uma corrida de encomendas dos postos de combustíveis às distribuidoras. "Os postos vão querer chegar no dia 1º com o tanque cheio para ampliar suas receitas", avaliou.

O executivo do Sindicom afirmou ainda que o maior beneficiário das novas medidas é o etanol hidratado, que ganhará competitividade frente à gasolina. Há expectativa de aumento da mistura de etanol, que pode chegar a 27% nos próximos meses, gerando uma demanda adicional de 1,2 bilhões de litros. "Essa é uma medida que antecipa uma resposta sobre a política do governo para o etanol. O setor será o maior beneficiário, pois o produto ganhará competitividade", concluiu. (Agência Estado 21/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: À espera de chuvas: As previsões de que chuvas iriam atingir áreas cafeeiras do Brasil ontem foram responsáveis pela quarta queda consecutiva dos preços do café arábica na bolsa de Nova York. Os lotes para maio recuaram 305 pontos, para US$ 1,6395 a libra-peso. Os institutos de meteorologia indicavam que a frente fria que vinha do Sul romperia o bloqueio atmosférico sobre a região Sudeste. De fato, houve chuvas na Grande Belo Horizonte no fim do dia. O Conselho Nacional do Café (CNC) informou que os estoques do grão no país estão no menor patamar em dez anos e estimou para a safra 2015/16 uma produção de 40 milhões de sacas, abaixo das projeções oficiais. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica recuou 1,05%, para R$ 447,34 a saca.

Cacau: Quarta queda em NY: Os preços do cacau recuaram ontem na bolsa de Nova York pelo quarto pregão consecutivo sob pressão da demanda enfraquecida e da redução dos temores com o clima na África. Os lotes para maio fecharam cotados US$ 2.851 a tonelada, com baixa de US$ 67. Após a divulgação de uma queda de 7,4% na moagem da amêndoa na Europa no quarto trimestre e de 2% na América do Norte, acredita-se que a atividade na Ásia também tenha caído no período. Além disso, os ventos do Saara que vinham ameaçando o desenvolvimento da safra intermediária em Gana e Costa do Marfim perderam força, reduzindo as preocupações com a produção. No mercado interno, o preço médio da arroba na terça-feira (último dado disponível) oscilou entre R$ 105 e R$ 109 a arroba, segundo a TH Consultoria.

Milho: Receio com demanda: As cotações do milho recuaram ontem na bolsa de Chicago, em meio a receios de redução da demanda pelo grão americano. Os contratos para maio fecharam em baixa de 3,50 centavos, a US$ 3,9775 por bushel. Os investidores temem uma desaceleração na produção de etanol nos EUA (que no país é feito de milho), diante dos baixos preços da gasolina. Ontem, a Green Biologic, que tem planta em Minnesota, disse que transformará sua fábrica de etanol em uma unidade de agroquímicos. A perspectiva de queda na demanda interna dos EUA ocorre em meio à safra recorde de milho no país e à produção robusta esperada também na América do Sul. No oeste da Bahia, a saca do grão foi negociada ontem a R$ 26, de acordo com a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Trigo: Leste Europeu no radar: Os conflitos entre Rússia e Ucrânia voltaram a tumultuar o mercado do trigo ontem nas bolsas americanas, embora os papéis tenham apresentado fechamentos mistos para cada vencimento. Em Chicago, os lotes para maio fecharam em US$ 5,40 o bushel, com recuo de 0,25 centavo. Em Kansas, onde se vende o trigo de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento fecharam em US$ 5,7625 o bushel, baixa de 5 centavos. A intensificação do conflito na fronteira ucraniana ofereceu certo suporte aos preços ao longo do dia, mas não o suficiente para manter todos os contratos em alta até o fechamento, já que há oferta elevada do cereal no mundo. No Paraná, o preço médio do trigo apurado pelo Cepea/Esalq caiu 0,42%, para R$ 564,70 a tonelada. (Valor Econômico 22/01/2015).