Setor sucroenergético

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Copersucar pretende captar R$ 300 milhões com CRA para capital de giro

SÃO PAULO - A Copersucar, maior trading de etanol e açúcar do país, pretende captar R$ 300 milhões por meio de certificados de recebíveis do agronegócio (CRA). O pedido foi protocolado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na primeira semana de janeiro e a expectativa é de que a operação, liderada pelo banco Bradesco, seja concluída em 45 dias.

Procurada, a Copersucar não comenta, pois está em período de silêncio.

O Valor apurou que o objetivo da companhia com a captação é usar o recurso na formação de capital de giro. Conforme apurou a reportagem, trata-se de uma política defensiva da trading, diante das incertezas presentes no mercado em 2015.

A emissão de CRA, que será realizada pela securitizadora Octante, tem lastro em recebíveis de açúcar e terá prazo de vencimento de três anos.

Na safra 2013/14, a Copersucar registrou uma receita líquida de R$ 23,2 bilhões, 57% acima do exercício anterior. A companhia movimentou no ciclo passado 8,6 milhões de toneladas de açúcar e 11,7 bilhões de litros de etanol, 11,3% da produção mundial. (Valor Econômico 22/01/215 às 18h: 13m)

 

Irrigação e subvenção para a cana são reivindicações do setor canavieiro

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, recebeu os representantes de usinas do setor sucroalcooleiro e de produtores e fornecedores de cana-de-açúcar, nesta quarta-feira (21). A ministra ouviu as reivindicações do setor.

Os produtores do Nordeste foram unânimes nos pedidos. Dentre as solicitações estão a subvenção para a cana, investimentos em irrigação e a dificuldade que passam com relação à importação de etanol, que hoje tem sido realizada, segundo os produtores do Nordeste, justamente no período de produção do combustível, dificultando a lucratividade dos produtores.

A ministra afirmou que vai analisar cada um dos problemas e das sugestões propostas e adiantou que a subvenção para a cana-de-açúcar já foi assinada por ela e está na Casa Civil para aprovação. Quanto aos investimentos para a irrigação, Kátia ressaltou que no último Plano Agrícola e Pecuário foram disponibilizados recursos, mas ainda falta conhecimento do produtor. “Por isso, para este ano, esses recursos disponibilizados serão amplamente divulgados”, disse a Ministra (Brasil Agro 22/01/2015

 

Decisão sobre etanol na gasolina deve sair em fevereiro

Cresce a expectativa de que na reunião marcada para o dia 2 de fevereiro com usinas de etanol e a indústria automotiva, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, confirme o aumento do percentual de mistura de etanol na gasolina dos atuais 25% para até 27,5%. Ontem, em entrevista a agências de notícias internacionais, a ministra da Agricultura Kátia Abreu reforçou essa expectativa ao afirmar que a medida será aprovada "na primeira semana" de fevereiro.

Representantes da indústria alcooleira se reuniram ontem com técnicos do Ministério do Meio Ambiente (MME) para apresentar os "confortáveis" estoques para a entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul, que vai de dezembro a abril. Conforme fontes do setor que estiveram no encontro, mesmo se houver um aumento do percentual para 27,5% - o que geraria entre fevereiro e início de abril uma demanda de 1 bilhão de litros de anidro - ainda sobrariam estoques de 300 milhões de litros do biocombustível no mercado.

Enquanto isso, o preço do etanol se fortalece com a maior tributação na gasolina anunciada pelo Ministério da Fazenda. O hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, teve aumento de 8,03% desde segunda-feira e alcançou ontem R$ 1.330,50 o metro cúbico, conforme o indicador Esalq/BM&FBovespa para o biocombustível posto em Paulínia (SP).

Nas contas da consultoria FG Agro, o etanol hidratado teria potencial para subir R$ 0,21 por litro, devido à maior tributação da gasolina. No entanto, o sócio da consultoria, Willian Hernandes, avalia que o ideal seria que esse aumento se limitasse a R$ 0,178 de real por litro, promovendo assim um escoamento dos grandes estoques do mercado.

A demanda por etanol é forte, apesar de a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) ter divulgado ontem que as vendas de hidratado pelas usinas do Centro-Sul na primeira quinzena de janeiro somaram 593,465 milhões de litros, 4,6% de queda na comparação com igual intervalo de 2014. Mas, conforme traders, o recuo se deve ao menor número de dias úteis no período e à estratégia das distribuidoras de comprar "da mão para a boca", dada a oferta abundante de etanol no mercado.

O diretor da JOB Economia e Planejamento, Julio Maria Borges, calcula que, neste momento de entressafra, o "teto" de preço para o etanol anidro no mercado interno transita por uma faixa entre R$ 1,40 e R$ 1,50 por litro - considerando preços médios do etanol nos EUA da semana passada de US$ 550 por metro 3 na bolsa de Chicago. Acima desse patamar, segundo Borges, a importação de etanol de milho passa a ser mais vantajosa.

"Se a decisão de importar dos Estados Unidos for tomada neste momento, o efeito ocorrerá em março, que é quando o produto deve entrar no país", afirma. (Valor Econômico 23/01/2015)

 

Preços do etanol caem nos EUA, e setor teme aumento de importação

Os produtores de etanol estão preocupados com um possível aumento das importações do combustível dos Estados Unidos neste ano.

A arbitragem de preços entre os valores de mercado externo e interno favorece as importações para Nordeste e Norte, onde os preços são superiores aos do centro-sul.

As regiões Nordeste e Norte consomem 23% da gasolina do país, mas produzem apenas 10% do etanol.

Os custos de logística para o Nordeste vão ser o diferencial entre os preços praticados no centro-sul e nos EUA.

Em geral, o ritmo de importações cresce em março, final de safra no Nordeste.

Em 2014, o Brasil importou 452 milhões de litros, 243% mais do que em 2013. Desse total, 242 milhões ocorreram de fevereiro a abril.

Outro fator que favorece a importação de etanol e que preocupa o setor produtivo é a diferenciação de tributação entre o combustível e a gasolina.

As importações de gasolina pagam 11,75% de PIS e Cofins, uma taxa inexistente nas operações com álcool.

Analisando o cenário para esse mercado, Julio Maria Borges, sócio-diretor da JOB Economia e Planejamento, diz que, "com a forte queda de preços do etanol norte-americano e com a alta de preços no mercado interno, o atual diferencial de preços entre os dois mercados viabiliza a importação do produto dos EUA".

A viabilidade das importações de etanol do mercado dos EUA para a entressafra cria um novo teto para o preço do etanol no mercado interno na faixa de R$ 1,40 a R$ 1,50 por litro, segundo ele. (Folha de São Paulo 23/01/2015)

 

Moagem de cana na 1ª quinzena de janeiro cresce 83,24%

A moagem de cana pelas unidades produtoras do Centro-sul totalizou 1,20 milhão de toneladas na primeira quinzena de janeiro, já período de entressafra na região. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), o volume é 83,24% maior na comparação com igual período do ciclo 2013/14 (659 mil t). No acumulado da temporada, iniciada em abril, o processamento alcançou 569,31 milhões de toneladas (-4,42%).

Quanto aos produtos, a Unica informou fabricação de 28 mil toneladas de açúcar (+237,82%) e 75 milhões de litros de etanol (+85,26%) na quinzena. Do total do biocombustível, 18 milhões de litros foram de anidro (+109,92%) e 57 milhões de litros, de hidratado (+78,56%). Na primeira metade de janeiro, o mix de produção ficou em 80,21% para o etanol.

No acumulado do ciclo, a produção de açúcar alcançou 31,96 milhões de toneladas (-6,71%) e a de etanol, 25,98 bilhões de litros (+1,97%), sendo 10,89 bilhões de litros de anidro (-1,17%) e 15,08 bilhões de litros de hidratado (+4,36%).

ATR

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana processada na 1ª quinzena de janeiro ficou em 122,47 kg, alta de 24,83% no comparativo anual. No acumulado da safra 2014/15, o nível de ATR chega a 136,68 kg/t (+2,48%).

Etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul na primeira quinzena de janeiro atingiram 1,04 bilhão de litros, ligeiramente acima dos 1,03 bilhões de litros de igual intervalo do ano passado, segundo a Unica. Do total, 44,44 milhões de litros foram para exportação e os 1 bilhão de litros restantes foram destinados ao mercado interno.

No acumulado desde o início da safra 2014/15 até 16 de janeiro, as vendas de etanol no Centro-Sul alcançaram 19,54 bilhões de litros (-5%). Desse montante, 1,15 bilhão de litros foram exportados e 18,38 bilhões de litros vendidos domesticamente. (Agência Estado 22/01/2015)

 

Biomassa é opção em crise energética

A crise energética enfrentada hoje pelo Brasil poderia ter sido amenizada, caso os governos estimulassem a produção de energia proveniente da biomassa de cana-de-açúcar. Ao longo dos últimos anos, os preços baixos oferecidos pela energia oriunda do setor sucroenergético desestimularam os investimentos por parte das usinas. Em Minas Gerais, das 38 usinas em funcionamento, apenas 19 estão ligadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e utilizam a energia de biomassa para o consumo próprio e exportação. Mas, mesmo assim, a potência instalada no Estado é de 938 mil kilowatts (Kw). Tirando a energia aproveitada pelas usinas, sobram (dados do ano passado), 531 mil Kw para comercialização, o suficiente para abastecer uma cidade como Belo Horizonte por cinco meses.

O fornecimento de energia do setor hoje contribui representa apenas 6,1% da matriz energética do Estado. Mas para o presidente-executivo da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, a situação pode mudar. Segundo ele, com a crise energética que se instalou no país, os preços pagos pela energia em 2014 foram elevados e se tornaram vantajosos. Como a tendência é de manutenção dos valores em alta, o setor poderá ser estimulado a retomar os investimentos na exportação de energia.

"Em 2014, a bioeletricidade foi rentável para o setor sucroenergético, em um período em que o etanol e o açúcar enfrentavam uma severa crise de preços. As negociações de energia foram uma grande surpresa. E isso ocorreu diante da escassez de energia no país. As usinas que tiveram formas de aumentar a geração de energia pela biomassa, conseguiram valores lucrativos. Quando se tem preços, o investimento é feito. Com os valores em alta, algumas usinas mineiras além de comprar a biomassa de outras unidades também produziram energia utilizando fontes alternativas, como o cavaco de madeira", explicou.

De acordo com os dados da Siamig, a potência de exportação de energia das usinas mineiras para o Sistema Nacional Interligado (SIN) foi de 531 mil Kw em 2014, valor superior à potência instalada da Usina de Nova Ponte, por exemplo, localizada no Triângulo Mineiro, e uma das maiores do Estado.

Esta energia, produzida apenas por 19 das 38 usinas, é suficiente para abastecer uma cidade de um milhão de habitantes por um ano ou suficiente para abastecer Belo Horizonte por cinco meses. Após anos de estagnação, a energia exportada em 2014 pelas usinas mineiras aumentou entre 15% e 20%, impulsionada pelos preços vantajosos.

Preço

O preço teto para comercialização de energia nos leilões foi fixado pelo governo federal em R$ 388 por megawatts/hora, valor que é considerado lucrativo. Segundo Campos, para remunerar as usinas, os preços da energia devem ser mantidos acima de R$ 250, já que o custo para ampliação do potencial fica em torno de R$ 180 por megawatts/hora e, para novas instalações, em R$ 250.

Ainda segundo os dados da associação, as usinas de Minas Gerais têm um grande potencial de geração de energia elétrica do bagaço de cana, com previsão de investimentos para os próximos três anos e aumento da capacidade de geração de energia. Mas para que os planos se concretizem, é necessário que existam sinalizações de preços maiores, para que o setor possa realmente contribuir para a geração de energia no país, proporcionando uma economia nos volumes de água dos reservatórios e a segurança de fornecimento para o setor elétrico.

Outra vantagem, além de ser uma fonte renovável, é que o pico de produção de energia através da bagaço e palha da cana-de-açúcar coincide com o período de estiagem na região Sudeste e Centro-Oeste, onde é registrado o maior consumo.

"Por estar mais perto do centro de consumo do país, as perdas na transmissão da energia também são menores. O setor sempre alertou o governo sobre a importância de incentivar a produção alternativa de energia e do potencial do setor sucroenergético, e se o estímulo tivesse ocorrido, a crise energética vivenciada no momento seria menor, já que parte da demanda poderia ser atendida pelas usinas", explicou. (Diário do Comércio 22/01/2015)

 

Chuvas no Sudeste em fevereiro ficarão em 60% da média histórica, no máximo, diz Climatempo

As chuvas que devem chegar aos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste do país para geração de energia elétrica em fevereiro deverão ficar no máximo em 60 por cento da média histórica, segundo a empresa de meteorologia Climatempo, em mais uma notícia ruim para as represas da região que seguem em queda em uma época em que deveriam encher.

"A nossa previsão é de no máximo 60 por cento da média para as bacias da região Sudeste/Centro Oeste e é uma previsão até otimista", disse o meteorologista da Climatempo, Alexandre Nascimento, à Reuters, nesta quarta-feira.

A afluência estimada para fevereiro é melhor que as chuvas em volume equivalente a 39 por cento da média que ocorreram em fevereiro do ano passado. Porém, o nível das represas do Sudeste este ano é muito pior, abaixo dos 18 por cento antes do fim de janeiro, quando, no ano passado, fechou o mês em 34,61 por cento.

As chuvas neste período úmido, assim como ocorreu no ano passado, estão vindo muito abaixo das previsões iniciais enquanto as temperaturas batem recordes, elevando o consumo de eletricidade.

O governo federal continua descartando racionamento de energia, mas para especialistas do setor elétrico a necessidade de aplicação de tal medida ao final do período de chuvas, no fim de abril, torna-se cada vez mais provável.

O ONS espera que as afluências no Sudeste terminem janeiro a 44 por cento da média histórica, previsão similar a do Climatempo, que vê as chuvas em janeiro em cerca de 46 por cento da média. Em janeiro do ano passado, choveu 54 por cento da média no Sudeste.

As chuvas continuarão abaixo da média histórica em março e abril, últimos meses do período úmido, segundo Nascimento. Ele estima afluência de 60 por cento da média histórica para março, podendo chegar a 70 por cento em abril.

Previsões de tempo são mais confiáveis no curtíssimo prazo já que as condições meteorológicas podem mudar rapidamente, ressaltam especialistas.

Atualmente, a segurança do abastecimento de energia da região Sudeste já depende em grande parte de energia vinda de outras regiões do país por meio do sistema interligado de transmissão. Na segunda-feira, a elevação da demanda nessa região em horário de pico associada à restrição de transferência de energia vinda do Norte e Nordeste levou a um problema que exigiu corte de carga no Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país.

O governo federal anunciou na terça-feira um reforço de energia a ser destinada a assegurar o atendimento no Sudeste no total de 1.500 megawatts (MW). Nesta quarta-feira, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, descartou necessidade do governo realizar qualquer tipo de racionamento de energia e tampouco de fazer uma campanha pela racionalização do consumo pela população, em entrevista à Reuters.

O cenário ruim de chuvas que afeta as hidrelétricas é ainda pior no caso do Sistema Cantareira, principal conjunto de reservatórios de água que abastece regiões da Grande São Paulo. "A chuva que a gente está esperando é chuva em forma de pancadas, não é chuva intermitente. Esse tipo de chuva ajuda pouquinho, bem pouquinho mesmo. Vai ter que ter alguma coisa a mais que a chuva para entrar água no sistema", disse ele.

TEMPERATURA

Segundo a Climatempo, as temperaturas na região Sudeste tendem a cair nos próximos dias diante de chuvas esperadas, dando um alívio para a forte demanda por energia no sistema elétrico nacional.

No entanto, ainda assim, a expectativa é de que as médias de temperaturas máximas do mês terminem próximas às registradas em janeiro de 2014. Na cidade de São Paulo, por exemplo, as projeções mais recentes apontam para temperatura máxima média de 31,5 graus Celsius em janeiro, ante a média de 32 graus registrada em janeiro passado e quando o normal é em torno de 27 graus. (Reuters 22/01/2015)

 

Sorgo é a nova estrela do mercado agrícola nos EUA

Enquanto muitos agricultores americanos batalhavam com os preços baixos dos grãos no ano passado, Mike Baker escondia um ás na manga: o sorgo.

De repente, a gramínea, há muito ofuscada por culturas mais abundantes, está com a demanda em alta graças ao apetite crescente da China por ração animal e uma mudança nas preferências de compra do país asiático que o afastou do milho estrangeiro. As importações de sorgo americano pela China se multiplicaram por 15 em 2014, fazendo com que o preço da commodity superasse o do milho em partes dos Estados Unidos, um fato raro que destaca como mudanças políticas em Pequim podem ter um impacto de longo alcance no comércio mundial de grãos.

Após a colheita de fim de ano, Baker vendeu rapidamente a maior parte da produção de seus mais de 300 hectares de sorgo para o mercado de exportação, aproveitando a demanda chinesa. “Este foi basicamente o primeiro ano em que eu realmente me senti no controle da situação e não tive medo de definir meu preço”, diz o agricultor de 35 anos, cuja propriedade fica no Estado de Nebraska.

O ritmo de compras da China tem surpreendido muitos operadores do mercado agrícola e tradings de grãos que negociam sorgo, uma cultura resistente à seca. Alguns negociadores de grãos no Kansas estão oferecendo aos produtores cerca de 10% a mais pelo sorgo do que pelo milho, invertendo o prêmio de cerca de 10% que o milho normalmente consegue. Não há mercado de futuros para o sorgo, por isso os negociadores usam futuros de milho como preços de referência e para a gestão de risco.

A alta nas exportações está beneficiando não só grandes comerciantes de sorgo, como a Archer Daniels Midland Co., mas também operadores de grãos e transportadoras menores.

“É diferente de tudo que já vi em minha carreira, e faço isso há cerca de 30 anos”, diz Charlie Sauerwein, gerente do setor de grãos da WindRiver Grain LLC, uma empresa do Kansas que transporta grãos por trem para portos americanos. O incremento no volume de sorgo transportado tem ajudado a WindRiver a compensar a recente queda nos carregamentos de trigo para exportação provocada pela demanda mais fraca, diz ele.

Nos primeiros 11 meses de 2014, o volume de sorgo enviado para a China pelos EUA saltou para 5,7 milhões de toneladas, avaliado em US$ 1,3 bilhão, ante pouco mais de 362 mil toneladas no ano anterior, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês). Antes de 2013, a China comprava apenas pequenas quantidades de sorgo dos EUA, o maior produtor e exportador mundial dessa cultura.

Muitos operadores do mercado agrícola esperam que o ritmo de encomendas chinesas desacelere porque os EUA não têm sorgo suficiente para sustentá-lo. O USDA estima que os EUA produziram 11 milhões de toneladas de sorgo no ano passado, comparado com cerca de 10 milhões de toneladas no ano anterior. Em contraste, a produção de milho dos EUA alcançou um recorde de 360 milhões de toneladas em 2014.

A China também pode começar a transferir parte das encomendas de sorgo para a Austrália, à medida que a produção do país fique disponível nos próximos meses, diz Mike O’Dea, consultor de gestão de risco da corretora de commodities INTL FCStone. Isso provavelmente levará os preços do sorgo a cair um pouco em relação aos níveis “extremamente altos” de hoje, diz O’Dea, que representa operadores de silos que compram sorgo.

As empresas chinesas estão comprando todo esse sorgo para alimentar porcos, galinhas e patos porque é mais barato importar o grão do que comprar o milho produzido na China, dizem analistas. Os preços do milho no mercado interno são altos porque o governo chinês tem comprado grãos dos agricultores locais, pagando um prêmio alto para elevar a renda dos agricultores, segundo analistas.

Além de ser usado como ração, o sorgo americano exportado para a China também é empregado pela indústria de bebidas na fabricação de produtos como o “baijiu”, uma popular bebida alcoólica chinesa, dizem profissionais do setor nos EUA.

As importações chinesas de milho dos EUA caíram drasticamente no último ano, depois que Pequim rejeitou carregamentos que tinham grãos geneticamente modificados não aprovados pelas autoridades locais. Recentemente, a China aprovou o milho transgênico, levando os analistas a especular que a China deve retomar volumes significativos de importações dos EUA. Isso, por sua vez, poderia abocanhar parte das compras de sorgo e de outros alimentos alternativos.

O ministério da Agricultura da China não quis comentar sobre suas políticas de importação de grãos. Ma Wenfeng, analista sênior da Beijing Orient Agribusiness Consultant Ltd., uma consultoria ligada ao governo, diz que o milho provavelmente vai começar a superar o sorgo porque muitos criadores de animais consideram o milho um alimento de melhor qualidade.

Analistas dizem que o sorgo americano ganhou impulso recentemente na China em parte porque não é geneticamente modificado, o que significa um risco regulatório menor do que o que afetou o milho. Ele também não está sujeito a cotas que limitam a importação das empresas, como é o caso do milho (The Wall Street Journal, 23/1/15)

 

Brasil segue em segundo lugar no ranking mundial de juros reais

Somente a Rússia, que subiu juro em dezembro, está na frente do Brasil.

Juro alto e aumento de estímulo pelo BCE pode impactar dólar no país.

Após a nova alta de juros promovida na quarta-feira (21) pelo Banco Central, para 12,25% ao ano, o Brasil continua em segundo lugar no ranking mundial de juros reais, perdendo apenas para a Rússia - que deu uma "puxada" (forte elevação) de 6,5 pontos percentuais em seu juro básico em dezembro do ano passado, de 10,5% para 17% ao ano. As informações são do site MoneYou.

Com o novo aumento de juros promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) e com a alta na expectativa de inflação da Rússia, porém, a diferença entre os juros reais (calculados após o abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses) russos e do Brasil diminuiu.

Em dezembro do ano passado, logo após a Rússia elevar sua taxa, seu juro real estava em 9,55% ao ano, enquanto que a taxa brasileira somava 4,93% ao ano, uma diferença de 4,6 pontos percentuais. Em janeiro deste ano, após o BC elevar nesta semana a taxa Selic de 11,75% para 12,25% ao ano, o juro real brasileiro avançou para 5,41% ao ano. A taxa russa, por sua vez, somou 6,36% ao ano. A diferença, portanto, caiu para 0,95 ponto percentual.

De acordo com o economista Jason Vieira, da consultoria X-Infinity, que compilou os dados do ranking mundial de juros reais, a diferença entre a taxa brasileira e a russa diminuiu, também, porque a expectativa de inflação na Rússia para os próximos 12 meses avançou nas últimas semanas. A taxa média de juros das 40 economias pesquisadas na confecção do ranking, em janeiro deste ano, estava negativa em 0,9% ao ano.

Injeção de recursos pelo Banco Central europeu

Para Jason Vieira, a decisão do Banco Central europeu de comprar, a cada mês, € 60 bilhões em títulos públicos e privados, totalizando um valor superior a € 1 trilhão até setembro de 2016 - segundo cálculos da Reuters - não muda muito o cenário para o comportamento do dólar no Brasil, mesmo com a economia brasileira oferecendo uma das taxas de juros reais mais elevadas do planeta.

"Eu ainda acho que não [dá uma atenuada no dólar]. Para o investimento no Brasil, o risco acaba ficando muito elevado. Existem perspectivas negativas para a atividade econômica. Sabe-se que essa taxa de juros [alta fixada pelo BC para controlar a inflação] pode ser revertida muito rapidamente [porque o nível de atividade está fraco no Brasil]", avaliou Jason Vieira.

Para o economista do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, porém, a decisão do BCE amplia a chamada "liquidez global" (disponibilidade de recursos), "o que deve tirar alguma pressão sobre outras moedas, como o Real". "Como, porém, o Euro também caiu frente ao Real, fortalecimento adicional do Dólar continua sendo risco para a inflação brasileira", acrescentou ele, em relatório.

"É algo positivo (estímulo do BCE) para os mercados da América Latina, mas já estava precificado. Não foi muito diferente do que era esperado", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta. Investidores já vinham se antecipando a essa decisão e reduzido as cotações do dólar nos últimos dias, uma vez que parte desses recursos tenderia a migrar para mercados emergentes, como o brasileiro, em busca de maiores ganhos financeiros. (G1 22/01/2015)

 

Dilma sob fogo amigo – Editorial O Estado de São Paulo

Reportagem do Estado revela que, em defesa apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre sua participação no episódio da compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli procura se eximir, e à Diretoria Executiva que comandava, de qualquer responsabilidade pelos azares da transação e argumenta que o Conselho de Administração da estatal, então presidido pela ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que autorizou a aquisição em 2006, deve ser responsabilizado pelos prejuízos decorrentes do contrato

Gabrielli sugere ainda que todos os integrantes do Conselho em 2006 sejam ouvidos no processo e, a exemplo do que já ocorre com os membros da Diretoria Executiva, tenham seus patrimônios congelados. Trocando em miúdos, o ex-presidente da Petrobrás entende que Dilma Rousseff, na posição que então ocupava, foi a principal responsável pela compra sobrefaturada e pelo prejuízo de quase R$ 1 bilhão sofrido pela estatal apenas nessa ocasião.

Esse novo episódio do escândalo da Petrobrás é apenas mais um da intensa troca de fogo amigo dentro do lulopetismo, desde que se tornou inevitável que, a exemplo do que ocorreu com o mensalão, as investigações sobre a corrupção na maior estatal brasileira levem à barra dos tribunais, e certamente às grades, novo e seleto time de figurões do partido de Lula. Começou, portanto, a fase do salve-se quem puder.

O envolvimento da presidente da República no rumoroso escândalo da Petrobrás é mais do que provável. Não significa que Dilma Rousseff tenha entrado na partilha que beneficiou os sócios do enorme esquema de corrupção que a Operação Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF), com apoio da Polícia Federal (PF), vem desvendando desde março do ano passado. A chefe do governo, infelizmente mais por palavras do que por atos, tem demonstrado repulsa pela ação de delinquentes travestidos de homens públicos que se dedicam à rapinagem do erário. Jamais seguiu o exemplo de seu antecessor e criador no tratamento complacente de notórios larápios, inclusive alguns investigados e presos pela Lava Jato.

Mas o fato é que a participação de Dilma na gestão da Petrobrás, pelo menos desde sua investidura no Ministério de Minas e Energia, nos primeiros dois anos e meio da era Lula, e depois na chefia da Casa Civil e na concomitante presidência do Conselho de Administração da estatal, até assumir seu primeiro mandato presidencial - toda essa experiência junto ao comando da petroleira, principalmente para uma "gerentona" considerada centralizadora, exigente e detalhista -, torna evidente duas coisas. A primeira é que é inconcebível que Dilma Rousseff não tivesse alguma noção do amplo, geral e irrestrito esquema de corrupção que atuava com desassombrado desembaraço nas entranhas da empresa tomada de assalto pelo PT e aliados. A segunda é que Dilma Rousseff, à luz fria da lei, é responsável pelos atos praticados sob sua gestão e supervisão.

É por isso que Dilma está envolvida no escândalo. Para fugir dessa evidência só lhe restaria o recurso - que a lei não acataria, por ser ela responsável por seus atos - de admitir publicamente que, como ministra, presidente do Conselho de Administração e presidente da República, jamais teve contato com a administração da maior estatal brasileira.

Não é apenas a chefe do governo que gostaria de ser acometida de miopia seletiva. Uma comissão interna de apuração da Petrobrás que se dedicou a investigar o episódio da suspeitíssima compra da Refinaria de Pasadena apresentou relatório, em março do ano passado (na mesma época em que a Lava Jato iniciava suas investigações), divulgado agora pela revista Veja, no qual apresenta uma lista de ações que resultaram em prejuízo para a empresa, mas limita-se a apontar "falhas" de gestão, sem jamais se referir a "irregularidades". São mencionados no relatório os diretores hoje presos no curso das investigações da Lava Jato, como Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, mas em momento algum os auditores internos levantam qualquer suspeita sobre a motivação das "falhas". É munição para o fogo amigo. (O Estado de São Paulo 23/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Enfim, chuvas: As previsões se confirmaram. A região Sudeste começou a receber chuvas persistentes desde quarta-feira à noite, o que motivou mais uma queda nos preços do café arábica na bolsa de Nova York ontem. Os lotes para maio caíram 130 pontos, a US$ 1,6265 a libra-peso. A frente fria que vinha da região Sul rompeu o bloqueio atmosférico sobre o Sudeste, reduzindo as temperaturas e provocando chuvas generalizadas. De acordo com a Somar Meteorologia, "o padrão de tempo mudou em São Paulo e teremos chuvas mais generalizadas e temperaturas menos elevadas a partir de agora até o final deste mês". Minas Gerais também recebeu precipitações. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade oscilou entre R$ 490 e R$ 510 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Pessimismo com Ásia: Os preços futuros do cacau recuaram na bolsa de Nova York ontem pela quinta sessão seguida. Os lotes para maio fecharam a US$ 2.799 a tonelada, recuo de US$ 52. As indústrias da Ásia divulgam hoje o volume de cacau processado no quarto trimestre de 2014, e as expectativas não são boas. O consumo asiático ainda está muito atrás dos níveis europeus e americanos, mas tem registrado as maiores taxas de avanço no mundo nos últimos anos por causa da crescente demanda regional por chocolate. Porém, o aumento dos preços do cacau no fim do ano passado freou o apetite industrial pela commodity no mundo. No mercado interno, o preço médio da arroba na Bahia na terça-feira (último dado disponível) oscilou entre R$ 105 e R$ 109 a arroba, segundo a TH Consultoria.

Soja: Oferta elevada: O mercado da soja registrou queda na bolsa de Chicago ontem, sob influência de novas projeções para a oferta global. Os papéis para maio fecharam em baixa de 6,5 centavos, a US$ 9,7675 o bushel. Os preços futuros esboçaram uma leve alta pela manhã, mas voltaram-se para o lado negativo ante a estimativa do Conselho Internacional de Grãos (IGC) para a produção e os estoques globais de soja na safra atual. O órgão previu 42 milhões de toneladas nos estoques globais, acima da projeção anterior (40 milhões de toneladas) e do volume da última safra (31 milhões de toneladas). As chuvas no Brasil também ajudaram a pressionar as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a oleaginosa no Paraná caiu 0,43%, para R$ 57,49 a saca, queda de 7,33% desde o início de janeiro.

Milho: Maior produção: Os preços do milho cederam ontem na bolsa de Chicago ante novas projeções de produção nesta safra. Os contratos do grão para maio fecharam a US$ 3,92 o bushel, baixa de 3,75 centavos. O Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) aumentou sua perspectiva para a produção mundial de milho na safra 2014/15 para 992 milhões de toneladas, o que agora representa um aumento ante a safra anterior, que somou 991 milhões de toneladas. Em sua última projeção, o órgão calculava uma retração da colheita do grão no ciclo atual, que ficaria em 982 milhões de toneladas. Os traders também temem uma redução da demanda do setor de etanol nos Estados Unidos. No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa para o milho caiu 0,85%, para R$ 26,87 a saca. (Valor Econômico 23/01/2015)