Setor sucroenergético

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Palácio do Planalto recebe relatório amargo sobre usinas

O Palácio do Planalto recebeu um relatório amargo sobre a situação das usinas de açúcar e álcool do país. Nos últimos seis anos, fecharam as portas 58 unidades.

A estimativa para esse semestre é que mais duas plantas, ambas de São Paulo, sejam desativadas.

As 60 usinas representam quase 5% da produção nacional de etanol. (Jornal Relatório Reservado 26/01/2015)

 

Petrobras exagera no preço do etanol vendido ao Palácio do Planalto

A Petrobras deu um desconto de apenas 3% no contrato que assinou com o Palácio do Planalto para fornecer 80 mil litros de etanol para veículos oficiais.

O litro do álcool vai custar R$ 2,40 para o governo. (Folha de São Paulo 25/01/2015)

 

GVO afasta acionistas e contrata novo diretor-presidente

O GVO (Grupo Virgolino de Oliveira) confirmou a contratação do executivo Joamir Alves. Ele já assumiu o cargo de diretor-presidente na terça-feira (13), no lugar da acionista majoritária Carmem Ruete de Oliveira.

O GVO é uma das maiores companhias sucroalcooleiras do país e enfrenta crise com dívidas que somam US$ 750 milhões. O grupo controla quatro usinas – Itapira, José Bonifácio, Monções e Ariranha (Catanduva).

Joamir chega num momento de grande tensão entre a empresa e seus funcionários, que cobram o pagamento dos salários atrasados. Em Itapira, por exemplo, a categoria segue em greve, com parte dos trabalhadores promovendo protestos na porta da unidade.

Em nota enviada ao Itapira News, o GVO argumentou que “vêm trabalhando incansavelmente para resolução de seus problemas, sendo que recentemente contratou o executivo Joamir Alves que já vem trabalhando num amplo plano de reestruturação do negócio, e trata com prioridade a questão salarial dos funcionários da empresa”.

A chegada do executivo, contudo, não é a única mudança no grupo. Segundo informou o Valor Econômico, da família Ruete Oliveira, responsável pelas empresas, somente Carmem Ruete se mantém como diretora. Hermelindo Ruete de Oliveira se desligou da empresa, assim como outros acionistas da família.

Segundo apurado pela reportagem junto aos trabalhadores, a informação divulgada pelo novo diretor-presidente é de que a situação deles será resolvida até o dia 5 de fevereiro. Para isso, o GVO pretende vender uma fazenda, cujo valor seria suficiente para sanar os débitos trabalhistas junto aos funcionários. A localização da fazenda e o valor não foram divulgados. O Valor Econômico também informou que a empresa negocia a conversão de suas dívidas em  ações e atração de novo capital. (Itapira News 23/01/2015)

 

Energia de cana esbarra em crise de usinas

A geração de eletricidade com a queima do bagaço da cana-de-açúcar é uma das alternativas mais velozes para se reduzir a dependência brasileira de hidrelétricas, de acordo com Erik Rego, professor da Escola Politécnica da USP e consultor da Excelência Energética.

"Em um ano, algumas usinas conseguiriam trocar suas caldeiras pequenas por maiores e começar a entregar energia", afirma.

Com a modernização do maquinário, o segmento poderia dobrar a sua geração de energia, diz Zilmar de Souza, consultor de bioeletricidade da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúca).

"Se hoje o setor colabora com uma média de 4% da energia que o país consome no ano, poderia chegar a 8% com a mesma quantidade de cana", diz Souza.

Uma usina gera, em média, 1 MW (megawatt) com a queima de cinco a seis toneladas de bagaço. Com a troca dos equipamentos para modelos mais modernos, poderia produzir a mesma quantidade com duas ou três toneladas de matéria-prima.

O plano, no entanto, esbarra na atual dificuldade de investimentos do setor sucroalcooleiro, com muitas empresas endividadas e sem recursos próprios para aportes.

"Tem empresa que não tem dinheiro nem para comprar cana", diz Rego.

"O setor precisa de um programa de médio a longo prazo. Se isso tivesse sido feito há dois anos, hoje já teríamos essa quantidade maior [de energia]", acrescenta Souza.

De um total de 390 companhias ligadas à Unica, 170 conseguem vender energia para terceiros. (Folha de São Paulo 25/01/2015)

 

Sertãozinho vai parar em protesto contra crise do setor sucroenergético

Uma cidade inteira parada em protesto pela inação governamental que já provocou o extinção de mais de 300 mil postos de trabalho nos últimos (Dados da FEA-RP/USP) seis anos e o fechamento de 80 usinas de açúcar e etanol. É isto o que autoridades e lideranças do setor sucroenergético prometem fazer nesta 3ª feira (27) em Sertãozinho.

O evento, que conta com o apoio das principais entidades do município, Prefeitura e Câmara Municipal à frente, marca o início do movimento “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética” que tem como objetivo principal a retomada dos investimentos neste setor que já foi vitrine mundial e colocou o Brasil na liderança da corrida pela produção de energia limpa e renovável.

A crise, que começou no início do segundo mandato do presidente Lula e se agravou com a chegada de Dilma Rousseff ao poder, está provocando o caos nos cerca de mil municípios canavieiros, provocando a queda na arrecadação, fechamento de unidades industriais e aumento brutal dos índices de violência. Os Estados também sentem as consequências e medidas anunciadas nos últimos dias, como o aumento da Cide para a gasolina e também aumento da mistura de etanol anidro à gasolina de 25% para 27,5%, não resolvem o problema.

Segundo Evandro Ávila, coordenador e porta-voz do projeto “Governança Corporativa”, que conta com o apoio dos trabalhadores e fornecedores de cana, bem como da indústria de base, dos usineiros e das principais cooperativas do setor, o protesto em Sertãozinho marca o início do levante da sociedade civil contra a falta de políticas públicas para o setor.

“Depois de Sertãozinho iremos em marcha à Brasília para dizer claramente que neste ano não teremos a safra canavieira se o governo não parar com este processo discriminatório e que está quebrando um dos mais importantes setores da nossa economia”, afirma Evandro Ávila.

Câmara Municipal

A partir das 18h desta segunda-feira (26) a Câmara Municipal de Sertãozinho se reunirá em sessão extraordinária para discutir com as principais lideranças do setor a crise da cadeia produtiva sucroenergético.

A concentração dos trabalhadores e fornecedores de cana de Sertãozinho e região está marcada para as 6h desta terça-feira em dois pontos: um em frente ao Centro Empresarial Zanini, onde se concentram o maior número de indústrias do município e o outro em frente à rotatória do hotel Ibis.

A rodovia Armando Salles de Oliveira deverá ficar bloqueada até o final do ato que, segundo o secretário municipal da Indústria e Comércio, Carlos Roberto Liboni, deve reunir mais de 15 mil manifestantes. A Polícia Militar e a concessionária Vianorte cuidarão da segurança.

Os estabelecimentos comerciais da cidade, incluindo supermercados e postos de combustíveis, só abrirão suas portas após as 10h, horário previsto para o final da manifestação. Todas as indústrias liberarão seus trabalhadores para que participem do evento.

“Será um ato de protesto ordeiro, mas marcante. É um chamamento da sociedade civil e das autoridades para a gravidade da crise. Não dá mais para conviver com o fechamento de usinas e de indústrias e a repercussão que isto provoca em toda a cadeia produtiva bem como na economia em geral”, afirma o secretário (Brasil Agro 26/01/2015

 

Importação de açúcar pela China recua quase um quarto em 2014

As importações chinesas de açúcar caíram 23 por cento em 2014, para 3,49 milhões de toneladas, mostraram dados oficiais da alfândega nesta sexta-feira, depois de uma queda nos preços no mercado do segundo consumidor mundial do adoçante impulsionar a demanda pelo produto local.

A China foi o maior importador de açúcar do mundo em 2013, depois de uma queda acentuada dos preços globais impulsionar compras no exterior do produto mais barato.

As importações caíram no ano passado com os preços domésticos perdendo quase 20 por cento do seu valor até o terceiro trimestre, pressionados por enormes estoques comerciais.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos prevê que a Indonésia seja o maior importador mundial da commodity em 2014/15.

Fontes comerciais esperam que as importações chinesas em 2015 atinjam cerca de 3,3 milhões de toneladas.

A China permite que 1,94 milhão de toneladas de açúcar importado entre no país a cada ano a uma taxa de 15 por cento, como parte de seus compromissos com a Organização Mundial do Comércio.

As refinarias de açúcar chinesas concordaram em limitar as importações de adoçante extra cota em 1,9 milhões de toneladas neste ano, de acordo com fontes comerciais.

O Brasil, maior exportador mundial da commodity, foi o principal fornecedor de açúcar para a China em 2014, com desembarques de 2,1 milhões de toneladas. (Reuters 23/01/2015)

 

Europa pode quadruplicar exportação de açúcar com fim da quotas

O fim das quotas de açúcar em 2017 pode ser uma grande oportunidade para que a União Europeia recupere a sua posição no mercado internacional, segundo a Agritel, consultora dos mercados agrícolas.

Com a reforma da Organização Comum de Mercado (OCM) em 2006, a produção comunitária reduziu cerca de 30 por cento e colocou a União Europeia como o terceiro produtor mundial com 15 milhões de toneladas, depois do Brasil, com 40 milhões e da Índia, com um total de 25 milhões de toneladas.

A procura mundial de açúcar poderá aumentar até 2023 cerca de 40 por cento, devido ao aumento de consumo por parte da China e África. Por esta razão, a Agritel vê uma oportunidade de crescimento para o sector de produção de açúcar comunitário, assim como também para aumentar a presença no mercado internacional, prevendo-se que as exportações podem passar das actuais 1,5 milhões de toneladas para cinco a seis milhões.

Apesar desta previsão positiva, a Agritel não coloca de lado que um panorama sem quotas também suponha uma maior volatilidade dos preços. Por este motivo, acredita ser necessário contar com um contrato específico de açúcar em euros por toneladas. O açúcar é objecto de contrato na Bolsa de Chicago e na de Londres. (Agrodigital PT 23/01/2015)

 

Projetos de energia alternativa terão verba, promete BNDES

Em tempos de restrição de recursos a diversos setores, o BNDES diz que não faltará dinheiro para financiar projetos de energias alternativas, como eólica e solar, e que manterá, ao menos, o mesmo nível de financiamento de 2014.

A decisão ocorre ao mesmo tempo em que o país vive uma crise do setor elétrico, com o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas.

No ano passado, foram aprovados R$ 6,6 bilhões para projetos de geração eólica –81% mais do que em 2013 (R$ 3,6 bilhões). O objetivo é repetir o número neste ano.

"Não vão faltar recursos para empreendimentos de energias alternativas, apesar das mudanças das políticas operacionais do banco", disse Ana Raquel Paiva, chefe do Departamento de Energias Alternativas do BNDES.

A regra vale para investimentos em energia solar, biomassa (a maioria dos projetos usa bagaço de cana-de-açúcar) e eólica.

Os empréstimos, porém, vão ficar mais caros, assim como as demais linhas de crédito do banco, com as mudanças das políticas de financiamentos.

Nos projetos que forem incluídos nos próximos leilões de energia do governo, o custo subirá para TJLP (Taxa de Juro de Longo Prazo, usada apenas pelo BNDES) –que passou de 5% para 5,5% ao ano–, mais 1,2% ao ano. A esses percentuais soma-se ainda uma taxa de risco de crédito, que varia de acordo com cada cliente.

Para os empreendimentos já leiloados, valem as condições antigas: TJLP de 5%, acrescida de 0,9% de remuneração do BNDES e taxa de risco. As condições foram mantidas mesmo para os contratos que não foram assinados –inclusive os do primeiro leilão de energia solar, de 2014.

A política do banco para energias alternativas difere da de outros setores, que terão menos recursos disponíveis e sofreram uma alta maior de juros.

As novas condições foram impostas pelo corte do orçamento do banco, como parte do ajuste fiscal em curso liderado pela nova equipe da Fazenda. A pasta já anunciou a redução das injeções do Tesouro ao banco, cujos valores serão ainda definidos.

ALTERNATIVA VIÁVEL

Para Erik Rego, especialista da Excelência Energética, o investimento em energia eólica "é o mais viável" e com custo mais baixo para assegurar o aumento da oferta de energia nos próximos anos.

"Um parque eólico pode ficar pronto em dois anos e meio." Há, porém, dois entraves, segundo ele, à expansão: a "fila" para receber equipamentos e a falta de reforço em linhas de transmissão perto de parques gerados.

De 2003 a 2014, o BNDES financiou projetos eólicos com capacidade de 8.300 MW –pouco menos do que os 10.000 MW da usina de Belo Monte. Nem toda essa energia está disponível ainda por falta de sistemas de transmissão e porque alguns parques geradores estão em construção. (Folha de São Paulo 25/01/2015)

 

Etanol sobe mais que gasolina e diesel no início de 2015

Produto teve alta de 0,49% após anúncio de imposto maior para os outros dois combustíveis; safra da cana está no fim.

Na semana em que foi anunciado um aumento nos impostos sobre a gasolina e o diesel, o etanol - cuja matéria-prima está em fim de safra - registrou uma alta maior. Os preços subiram 0,49% nos postos de País, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), enquanto os dois outros combustíveis variaram menos de 0,15% para cima.

Historicamente, o preço do etanol sobe nas usinas no início de fevereiro, em razão do fim da safra da cana-de-açúcar, que normalmente acontece em março.

Os impostos PIS/Cofins e Cide (Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico) subirão em R$ 0,22 por litro no caso da gasolina e R$ 0,15, no caso do diesel, em 1º de fevereiro.

O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na noite de segunda-feira (19). Na semana anterior (11 a 17 de janeiro), a média do preço do etanol para o consumidor final estava em R$ 2,052, de acordo com a ANP. Nesta semana (de domingo passado a este sábado), chegou a R$ 2,062.

O aumento é de 0,49%, ou de R$ 0,01 por litro, que significa R$ 0,50 para encher um tanque de 50 litros.

No mesmo período, a gasolina foi de R$ 3,029 para R$ 3,033, alta de 0,13%, ou R$ 0,20 para se encher um tanque de 50 litros. O diesel subiu 0,11%, de R$ 2,609 para R$ 2,612 (R$ 0,15 a mais a cada 50 litros).

No acumulado o ano, o álcool também apresenta a maior variação: 0,73%, ante 0,13% da gasolina e 0,11% do diesel, entre as semanas de 28 de dezembro e 4 de janeiro e a atual.

A evolução no preço do álcool também foi identificada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP). Entre as pesquisas encerradas em 16 e 23 de janeiro, o litro do etanol combustível na usina subiu cerca de 6,2%. O cálculo não inclui ICMS e frete.

SP e SC é onde gasolina e etanol sobem mais

Os aumentos mais significativos no etanol ocorreram em Santa Catarina, onde o litro do etanol foi de R$ 2,435 para R$ 2,453 - 0,74% a mais - entre a semana passada e esta, e São Paulo, com reajuste de R$ 1,92 para R$ 1,938 (0,94% a mais).

Esses Estados também foram os que tiveram os maiores aumentos na gasolina, de acordo com o levantamento da ANP: 0,76% no caso paulista e 0,37% no catarinense (a média nacional, como visto, foi de 0,13%).

No caso do diesel, os maiores aumentos foram observados no Mato Grosso (0,74%, para R$2,873) e no Maranhão (0,39%, para R$ 2,586).

A reportagem não conseguiu contato na tarde deste sábado (24) com a Fecombustíveis e a Unica, que representam os postos e os produtores de cana-de-açúcar, respectivamente, e com o Ministério da Fazenda. (iG 24/01/2015)

 

Ministra Kátia Abreu tenta movimentar a Agricultura – Por Paulo Costa

Entre todas as nomeações ministeriais feitas pela Presidente Dilma Rousseff certamente a que mais agrediu aos paradigmas estabelecidos pela filosofia lulo-petista foi a da Senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Senadora pelo PMDB/TO, Kátia Abreu é pecuarista, tendo ingressado na política e passado largos anos no PFL, depois convertido em DEM. Por este partido foi a primeira mulher a liderar a bancada ruralista na Câmara dos Deputados. Foi Presidente da poderosa Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Acusada de defensora dos latifúndios, contrária ao MST, com rusgas fenomenais com ambientalistas, em particular os contrários aos desmatamentos na Amazônia e no Cerrado, tem “nada a ver” com as normas do PT. O próprio PMDB, partido ao qual agora pertence, alega que sua nomeação está na “quota” da Presidente Dilma, a quem aconselhou em questões agrícolas durante a campanha presidencial.

O MAPA tem, historicamente, grandes dificuldades de impor suas pretensões. Subordinado aos limites impostos pelos Ministérios da Fazenda e Planejamento e tendo que dividir suas responsabilidades com outras pastas como o Ministério do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário, do Transporte e a Casa Civil, acaba por fazer da mais importante atividade econômica do Brasil, o agronegócio, estar sujeita a um Ministério com limitado “poder de fogo”.

No entanto, suas primeiras movimentações no Ministério trazem um alento a quem sempre olhou a pasta como de “segunda linha”. Em recente manifestação Kátia Abreu diz que vai se concentrar inicialmente em apoiar as exportações do agro cortando a burocracia que tanto emperra o setor. Também vai procurar, diz ela, implementar protoc0los e certificações internacionais de nossos produtos da pauta de exportação, evitando embargos que surgem frequentemente, tanto em vendas de carnes como de soja e subprodutos produzidos por sementes geneticamente modificadas.

Vamos acompanhar de perto seus trabalhos. O Presidente Lula já tentou colocar no Ministério da Agricultura a mais brilhante cabeça pensante do agronegócio de nossos dias, Roberto Rodrigues. Resistiu heroicamente por três anos e meio nesta função (2003-06) mas capitulou ante a impossibilidade de dar andamento a suas políticas por conflitos com outros Ministérios, apesar de sua personalidade afável e profundo conhecimento do setor como um todo. Com a controversa Ministra Kátia Abreu espera o setor uma melhor sorte. (Exame.com 25/01/2015

 

Revisão de regras trabalhistas foi planejada antes da eleição

Governo definiu mudanças e previu cortes ainda na gestão de Guido Mantega. Durante a campanha, Dilma insinuou que rivais reduziriam os direitos do trabalhador e prometeu mantê-los.

A mudança nas regras para a concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários, anunciada no final do mês passado como uma das medidas de redução das despesas públicas, foi decidida pelo governo de Dilma Rousseff antes da eleição, encerrada em outubro de 2014.

Um integrante do governo confirmou à Folha que as novas normas, que limitam a obtenção do seguro-desemprego e do abono salarial, foram definidas em meados de 2014.

Em agosto, o governo reduziu em R$ 8,8 bilhões a previsão do gasto com o abono salarial para este ano. A revisão consta do Ploa (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2015, enviado naquele mês pelo Planalto ao Congresso.

O integrante do governo disse à Folha que a previsão foi feita com base em regras então definidas, que seriam anunciadas após a eleição.

Na campanha, em ataques a adversários, Dilma disse que não faria alterações na lei que comprometessem direitos do trabalhador. Ao insinuar que seus opositores mudariam direitos trabalhistas, disse que não mexeria em benefícios como férias e 13º salário. "Nem que a vaca tussa", cravou a então candidata.

O tema virou um dos slogans da campanha de Dilma. O PT anunciou no site da candidata uma mobilização nacional, batizada de "Nem que a vaca tussa", contra mudanças nos direitos trabalhistas.

ANTECIPAÇÃO

No dia 6 de novembro, o então ministro Guido Mantega (Fazenda) antecipou o que sua equipe já havia preparado. "Nós temos agora que fazer uma redução importante das despesas que estão crescendo, como o seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença", disse, durante evento da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo.

Quando as novas regras foram divulgadas, no final de dezembro, Joaquim Levy já havia sido anunciado como o substituto de Mantega na Fazenda. Levy foi convidado oficialmente por Dilma para ocupar o cargo no dia 20 de novembro, duas semanas, portanto, depois da declaração de Mantega na FGV.

Hoje, um trabalhador para receber o seguro-desemprego pela primeira vez precisa ter trabalhado seis meses nos últimos 36 meses anteriores à data da dispensa. Se requisitar o benefício pela segunda vez, vale a mesma regra.

NOVAS REGRAS

Com as novas normas, válidas a partir de março, a pessoa pede o seguro-desemprego pela primeira vez precisa ter trabalhado 18 meses nos últimos 24 meses antes da demissão. Para obter o benefício pela segunda vez, é necessário ter recebido salário por ao menos 12 meses nos últimos 16 anteriores à dispensa.

Segundo cálculos da Fazenda, metade dos trabalhadores que pediram o seguro em 2014 pela primeira vez não teria direito ao benefício com as novas regras.

Para o abono salarial, pago ao trabalhador que recebeu até dois salários mínimos, haverá carência de seis meses de trabalho ininterrupto para a concessão do benefício. Hoje, basta trabalhar um mês no ano.

As novas regras tornam mais rígidas também as concessões de abono salarial, pensão por morte, auxílio-doença e seguro-defesa, pagos a pescadores durante períodos de proibição da pesca.

A maior parte das alterações será feita por medidas provisórias, que terão de ser aprovadas pelo Congresso. O governo espera economizar R$ 18 bilhões. As novas regras foram bem recebidas pelo mercado e por especialistas, por corrigirem distorções e reduzirem os gastos públicos (Folha de São Paulo 26/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Elevação em NY: Os preços do café arábica dispararam nos últimos minutos de negócios na sexta-feira na bolsa de Nova York e fecharam no campo positivo, com o impulso de compras técnicas. Os contratos para entrega em maio fecharam com alta de 250 pontos, a US$ 1,6515 a libra-peso. O movimento interrompeu uma sequência de cinco quedas, reflexo da expectativa de que as chuvas que atingem o Sudeste brasileiro aliviem a situação dos cafezais. Os investidores seguem cautelosos quanto ao potencial da safra 2015/16 no Brasil. Apesar das previsões de chuvas mais regulares nas próximas semanas, cafeicultores dizem que a produtividade já deve ter sido comprometida. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica subiu 0,53%, para R$ 442,78 a saca.

Laranja: Teto em três semanas: Os futuros do suco de laranja fecharam no campo positivo na sexta-feira na bolsa de Nova York. Os contratos do produto concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para entrega em maio fecharam em alta de 90 pontos, a US$ 1,4615 a libra-peso, o maior valor desde 5 de janeiro. Na quinta-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou uma queda de 4% na produção global de laranja, para 48,8 milhões de toneladas na safra atual (2014/15), com recuo nas produções do Brasil, Estados Unidos e China. Como resultado, o processamento da laranja para produção de suco deve diminuir 7% e as exportações globais do produto concentrado e congelado caírem 3%. No mercado doméstico, o preço da laranja para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq seguiu em R$ 10,016 a saca.

Soja: Do Brasil para o mundo: Os preços da soja caíram novamente na sexta-feira na bolsa de Chicago, reflexo da oferta do produto no Brasil e da queda nas exportações americanas. Os lotes para maio fecharam a US$ 9,795 o bushel, recuo de 3,5 centavos. Os portos brasileiros começam a receber os primeiros navios que irão levar a soja da safra 2014/15 ao exterior. Como a atenção dos compradores está voltada à oferta do Brasil, os EUA têm perdido clientes. Na semana encerrada dia 15, o volume de soja negociado com o exterior caiu 99%, para apenas 14 mil toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Os preços do produto americano perdem competitividade ante a oferta do Brasil e a alta do dólar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq da soja no Paraná caiu 0,99%, para R$ 56,92 a saca.

Milho: Vendas americanas: As cotações do milho ganharam impulso na sexta-feira na bolsa de Chicago após vendas robustas do cereal dos Estados Unidos ao exterior. Os papéis para maio fecharam com elevação de 3,25 centavos, a US$ 3,9525 o bushel. Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o volume de milho negociado para exportação aumentou 166% em apenas uma semana e alcançou a maior marca em sete anos para o período de uma semana, somando 2,2 milhões de toneladas no período entre 9 e 15 de janeiro. Os compradores internacionais aproveitaram o momento em que as cotações estavam abaixo de US$ 4 o bushel para garantir o abastecimento do grão. No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa cedeu 0,3%, para R$ 26,79 a saca. (Valor Econômico 26/01/2015.