Setor sucroenergético

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Calotes afastam investidores de usinas de açúcar e álcool

Após sofrerem dois calotes de usinasde açúcar e álcool do Brasil em menos de um ano, investidores do mercado de dívida estão mais temerosos do que nunca de que outros tomadores do setor possam seguir pelo mesmo caminho.

Apenas em janeiro, os US$ 300 milhões em bonds da Tonon Bioenergia, com vencimento em 2020, perderam 19 por cento e atingiram o menor valor de comercialização desde a emissão -- 0,484 centavos para cada dólar

As notas para 2019 da USJ Açúcar e Álcool também derreteram e são negociadas pela metade do valor de face.

O setor está cambaleando depois que a forte queda nos preços internacionais do açúcar, a pior seca em décadas e o controle sobre o preço da gasolina no Brasil sangraram as usinas.

No começo do mês, o Grupo Virgolino de Oliveira deixou de pagar cerca de US$ 7,3 milhões em juros sobre parte de sua dívida após anunciar que busca um acordo com os credores para reestruturar suas obrigações.

Em março do ano passado, a Aralco deu calote nos detentores de seus US$ 250 milhões em bonds após fazer apenas um pagamento de juros.

Desde 2011, 47 usinas de etanol e açúcar fecharam e cerca de 70 estão em recuperação judicial, segundo dados da Unica, entidade que representa as usinas de cana-de-açúcar.

“O setor como um todo está com problemas”, disse Carlos Gribel, diretor de renda fixa da Andbanc Brokerage, por e-mail. “Os preços dos bonds indicam grandes chances de calotes”.

Rodrigo Aguiar, CEO da Tonon, afirmou que a empresa continuará a honrar sua dívida. Segundo o executivo, a empresa realizou um pagamento de US$ 14 milhões em juros das notas de 2020 na sexta-feira, 23.

“Os investidores ainda estão muito reticentes”, disse Aguiar, por telefone, de Bocaina, São Paulo. “Eles estão olhando para as empresas do setor como se todas fossem iguais”.

Percepção momentânea

“A depreciação nos bonds do setor sucroenergético reflete a percepção dos investidores internacionais acerca do momento que o Brasil atravessa e das perspectivas para o segmento de produção de açúcar, etanol e energia”, afirmou a USJ, por e-mail, em resposta a perguntas sobre a desvalorização de seus bonds. “A queda não tem relação com a performance operacional ou financeira do Grupo USJ”.

Pressionados após anos de excedentes de produção em todo o mundo, o preço internacional do açúcar caiu 11,5 por cento, em média, no ano passado, para o nível mais baixo desde 2008. Enquanto isso, o preço do etanol se manteve deprimido pela decisão do governo de subsidiar a gasolina, por meio da Petrobras, em um esforço para controlar a inflação. Com a gasolina mais barata, a fatia dos carros flex abastecidos com etanol caiu de 82 por cento, em 2009, para 36 por cento, em 2014, segundo a consultoria do setor Datagro Ltda.

“Todo mundo no mercado odeia o setor de açúcar neste momento”, disse Revisson Bonfim, analista para mercados emergentes da Sterne Agee Leach, em Nova York.

O governo anunciou no dia 19 um aumento da PIS/Cofins e a volta da cobrança da Cide sobre a gasolina, alimentando a aposta de que os preços subirão na bomba, abrindo caminho para um aumento da demanda por etanol.

Embora a decisão seja positiva para as usinas, o setor continuará a enfrentar dificuldades devido à escassez de crédito para refinanciamento das dívidas, ao baixo preço do açúcar e às incertezas em relação ao clima, disse Alexandre Garcia, analista sênior da Fitch Ratings.

A Fitch dá uma nota B para o crédito da Tonon, cinco níveis abaixo do grau de investimento, o que reflete um alto risco de calote.

“Este é um ano desafiador para o setor”, disse Garcia, de São Paulo. (Reuters 26/01/2015)

 

Volta da Cide na gasolina anima produtores de cana, mas não resolve a crise

Os produtores de cana nordestinos receberam bem o anuncio do governo federal sobre a elevação das alíquotas PIS/Cofins e a reintrodução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina.

O presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba, Asplan, Murilo Paraíso; disse que a notícia é boa porque estimulará o consumo de etanol que, por sua vez; contribuirá para a valorização do preço da cana-de-açúcar no mercado, mas ressalvou que é preciso que o governo tenha medidas mais direcionadas para tirar o setor da crise, a exemplo de um Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER) para a cana-de-açúcar.

“A medida é boa. Com a taxação sobre a gasolina, as usinas tendem a produzir mais etanol, mas precisamos mesmo é de um PROER para a cana-de-açúcar”; comentou o dirigente, acreditando no impulso comandado pelo etanol, mas defendendo um programa com propósitos específicos para cana, até porque a medida atual em nada tem a ver com a crise do setor, mas com os problemas financeiros do próprio Poder Executivo.

Com as novas medidas anunciadas pelo Governo na segunda-feira (19), a Cide voltará efetivamente em três meses (90 dias), com incidência de R$ 0,22 por litro de gasolina. Em fevereiro, retornará em R$ 0,10 por litro, enquanto as alíquotas PIS/Cofins, em R$ 0,12 por litro. Para o presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), Alexandre Lima, a volta da Cide na gasolina surge como uma espécie de “gatilho” para a valorização do preço da cana-de-açúcar, mas ele também defende medidas mais eficazes e critica o momento em que foi anunciada a volta da Cide.

“A composição do preço da cana-de-açúcar depende dos preços do açúcar e etanol. Com a volta da competitividade do etanol em relação à gasolina, em decorrência da incidência da Cide, mais cana será destinada à produção de etanol e menos para a fabricação de açúcar, diminuindo a respectiva produção do alimento, elevando seus preços no mercado exterior consequentemente, os quais estão abaixo do custo de produção” explica Alexandre Andrade Lima, no portal da entidade.

Ele argumentou, entretanto, que há quase dois anos todo o setor sucroenergético vem pleiteando ao governo federal a volta da Cide na gasolina, sem sucesso e que quando institui a medida, o faz no final da safra do Nordeste e início da safra do centro-sul. “Toda vez que o governo cria regras, elas são implementadas sempre no fim da safra da cana nordestina, e, próximo ao começo da safra do Centro-Sul do Brasil, a exemplo de quando houve a autorização para aumentar a mistura do álcool anidro na composição da gasolina”, critica (Brasil Agro 26/01/2015)

 

Sertãozinho, Pontal e Franca têm pior nível de emprego na região em 2014

Baixa na indústria fez municípios fecharem, juntos, 5.116 vagas com carteira.

Recessão pesou sobre atividade dos setores sucroenergético e calçadista.

Sertãozinho (SP), Pontal (SP) e Franca (SP) foram as cidades da região que mais demitiram em 2014 na região de Ribeirão Preto (SP), segundo dados do Ministério do Trabalho divulgados nesta sexta-feira (23). Os três municípios fecharam juntos 5.116 postos de trabalho no ano passado e figuraram entre os 15 com pior desempenho na geração de vagas no Estado.

O revés foi sentido principalmente pelas indústrias de transformação, que na região são orientadas pelos setores sucroenergético e calçadista e perceberam os efeitos de fatores como alta taxa de juros, endividamento das famílias e queda de demanda. (G1 23/01/2015)

 

Açúcar: Preços reagem

Os futuros do açúcar esboçaram uma recuperação na bolsa de Nova York ontem, após a forte queda de sexta-feira.

Os lotes do demerara para maio fecharam com elevação de 19 pontos, a 15,68 centavos de dólar a libra-peso.

O mercado retomou a trajetória de alta que vinha sendo traçada ao longo da semana passada, sustentada pela perspectiva de uma safra mais alcooleira no Centro-Sul do Brasil na temporada 2015/16.

O aumento dos impostos sobre a gasolina no Brasil deve elevar a competitividade do etanol e reduzir a produção de açúcar.

Para Nick Penney, da Sucden Financial, o mercado está menos sobrecomprado e deve buscar uma consolidação nos próximos dias.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,18%, para R$ 51,17 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 27/01/2015)

 

Compra de açúcar cai 23% na China Açúcar

As importações chinesas de açúcar caíram 23% em 2014, para 3,49 milhões de toneladas, segundo dados oficiais divulgados na última sexta-feira (23), após uma queda nos preços no mercado do segundo consumidor mundial do adoçante impulsionar a demanda pelo produto local.

A China foi o maior importador global da commodity em 2013, depois que um recuo acentuado dos valores internacionais alavancaram compras no exterior do produto mais barato.

As importações chinesas caíram no ano passado com os preços domésticos perdendo quase 20% do seu valor até o terceiro trimestre, pressionados por enormes estoques comerciais.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê que a Indonésia seja o maior importador mundial da commodity na temporada de 2014/2015. Fontes comerciais esperam que as compras do gigante asiático atinjam cerca de 3,3 milhões de toneladas neste ano.

A China permite que 1,94 milhão de toneladas de açúcar importado entre no país a cada ano a uma taxa de 15%, como parte de seus compromissos com a Organização Mundial do Comércio.

O Brasil, maior exportador mundial da commodity, foi o principal fornecedor do produto aos chineses em 2014, com desembarques de 2,1 milhões de toneladas.

Safra brasileira

No acumulado do ano passado, a moagem de cana-de-açúcar desde o início da safra até 1º de janeiro alcançou 567,81 milhões de toneladas, queda de 4,57% em relação aos 595 milhões de toneladas no período anterior, em 2013/2014.

De acordo com levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a produção acumulada de açúcar alcançou 31,94 milhões de toneladas e, a de etanol, 25,89 bilhões de litros, sendo 10,87 bilhões de litros do biocombustível anidro e 15,01 bilhões de litros de hidratado.

"Conforme havíamos estimado, trata-se de uma safra menor em termos de processamento de cana-de-açúcar e com produção mais alcooleira no comparativo com 2013/2014", diz o diretor técnico da entidade, Antonio de Pádua Rodrigues. (DCI 26/01/2015)

 

Justiça determina falência da usina Decasa, em Marabá Paulista

A Justiça decretou a falência da Usina Decasa Acúcar e Álcool S.A., em Presidente Venceslau, em decisão expedida na última quinta-feira (22). A expectativa, agora, é de que o local possa ir para leilão e com o dinheiro, os salários atrasados sejam pagos. O texto, de autoria da juíza Tamara Priscila Tocci, leva em consideração a rejeição do plano de recuperação judicial e “contribui para que as dívidas não aumentem”.

Conforme a decisão, o planejamento não foi aceito pelos 127 credores. O processo teve início em 2010 e também pode trazer uma solução para os antigos trabalhadores do local, que estão sem receber há anos, de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Presidente Venceslau e Marabá Paulista.

A venda da propriedade chegou a ser deferida pela Justiça, porém não chegou a ser realizada após uma manifestação do Ministério Público pelo indeferimento do imóvel, conforme o texto.

“Verifica-se assim, que a recuperanda descumpriu as obrigações assumidas em ambos os planos antes vigentes e, que posteriormente, foram anulados; o que indica a incapacidade administrativa e financeira do cumprimento de diretrizes”, explica a juíza.

Ainda de acordo com a decisão, os credores “fizeram constar que, a viabilidade da empresa esta comprometida diante da inexistência de recursos e finalidade social, posto que os funcionários foram demitidos e que a empresa não conseguiu arcar com o pagamento de suas verbas rescisórias”.

Tocci ainda destacou que o faturamento da empresa decorre simplesmente da venda de cana-de-açúcar e que ela não possui funcionários, “não gerando nenhum benefício à população”.

Para o sindicato, a decretação de falência foi um passo importante para solucionar o problema de pagamentos atrasados. “É uma forma de garantir que um dia, todos os funcionários serão pagos”, explica o presidente Rubens Germano.

Ele ainda explica que já não existia mais perspectiva de resolução do caso. "Ficamos surpresos porque a falência foi decretada rapidamente. Temos exemplos de outras usinas com mais tempo inativas que não faliram. Isso garante que se ela for leiloada ou vendida, os trabalhadores vão receber". (G1 26/01/2015)

 

Em protesto contra crise econômica, 20 mil devem parar em Sertãozinho

Em protesto contra a crise do setor sucroenergético, diferentes segmentos econômicos deverão interromper suas atividades nesta terça-feira (27), em Sertãozinho.

Liderado por entidades do setor, sindicatos de trabalhadores e prefeitura, a manifestação deve reunir cerca de 20 mil pessoas.

O objetivo é sensibilizar os governos estadual e federal sobre o potencial do município em gerar energia elétrica pelo etanol ou pela queima do bagaço de cana-de-açúcar.

De acordo com Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Ceise-Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis), hoje as indústrias trabalham com 40% de capacidade produtiva.

"Iremos encaminhar aos governos federal e estadual um documento com as nossas reivindicações e a situação do município", disse.

CRIAÇÃO DE EMPREGOS

Um dos principais polos industriais do setor do país, o município amargou o quarto pior resultado na criação de empregos em todo o Estado no ano passado, com um saldo negativo de 2.046 vagas.

Os outros municípios paulistas que também tiveram desempenho ruim foram Campinas, Diadema e São Bernardo do Campo, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego.

Duas principais rodovias de acesso ao município, Carlos Tonani e Armando Sales de Oliveira, serão bloqueadas para o trânsito de veículos.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o trânsito nas vias de acesso ao distrito industrial será bloqueado às 8h.

"A intenção é que a cidade inteira pare e todos os trabalhadores participem, porque a crise está afetando outros setores também, como o comércio", disse Claudinei de Oliveira, diretor do sindicato dos metalúrgicos.

De acordo com José Carlos Canesin, presidente do Sincomércio (Sindicato do Comércio Varejista de Sertãozinho e Região), toda a atividade econômica da cidade é alicerçada no setor metalúrgico e atrelada à retomada do setor sucroenergético.

"Todas as categorias estão em crise. Não podemos ficar esperando pelo pior", afirmou, em nota.

Desde a semana passada, cinco carros de som andam pelos bairros e avisam a população sobre o protesto.

Com o fechamento de indústrias, Sertãozinho deixou de arrecadar cerca de R$ 30 milhões em tributos nos últimos dois anos. (Folha de São Paulo 27/01/2015)

 

Unica e CCEE lançam Selo Energia Verde

A eletricidade proveniente da biomassa de cana-de-açúcar, uma das alternativas energéticas renováveis mais eficientes disponíveis no Brasil, ganha um reforço adicional: a criação do Selo Energia Verde, que certificará empresas produtoras e consumidoras de energia limpa e renovável.

Desenvolvido pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em um acordo de cooperação com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Selo Energia Verde será entregue por meio de um certificado atestando que pelo menos 20% da energia elétrica consumida pelas empresas são produzidos de forma sustentável.

A criação do Selo Energia Verde representa a entrada em vigor do Programa de Certificação da Bioeletricidade, que permitirá a troca de informações entre Unicae CCEE, como a confirmação sobre a origem contratual da energia comercializada pelas usinas movidas a biomassa de cana no mercado livre de energia.

Além das empresas consumidoras, também receberão o selo as usinas geradoras de bioeletricidade que atendem a critérios de sustentabilidade constantes do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroalcooleiro Paulista, assinado pelo governo de S. Paulo e o setor sucroenergético em 2007, e requisitos de eficiência energética.

O presidente do Conselho de Administração da CCEE, Luiz Eduardo Barata Ferreira, destaca a satisfação da instituição em fazer parte de um projeto importante como este. “A verificação, pela CCEE, do cumprimento dos critérios pelas usinas e consumidores permitirá que o Selo Energia Verde se torne um diferencial, que agregará valor tanto para o gerador como para o comprador da energia produzida a partir da biomassa da cana-de-açúcar”, afirma Barata.

Em 2014, foram produzidos 20.815 mil gigawatts/hora (GWh) de energia elétrica proveniente da fonte biomassa, 20% acima do realizado em 2013. Essa quantidade seria capaz de abastecer 11 milhões de residências ou o equivalente a 52% da energia que será produzida por Belo Monte, a partir de 2019. Além disso, sem o uso da biomassa na matriz elétrica brasileira, o nível de emissões de CO2 na atmosfera seria 24% maior.

Ainda assim, a bioeletricidade pode ir além. “Com o pleno uso energético da biomassa da cana, o potencial técnico dessa fonte poderia chegar a 20 mil MW médios até 2023, o que corresponde à energia produzida por duas usinas Itaipu. E, certamente, este programa de certificação contribuirá para aproveitarmos cada vez mais o seu potencial”, avalia Elizabeth Farina, presidente da Unica.

Primeiros certificados

Os primeiros selos Energia Verde foram entregues pela Unicae CCEE em cerimônia de lançamento, realizada na segunda-feira (26/1) na sede da entidade, em São Paulo. Foram contempladas, na categoria de consumidores, as empresas Duratex e Unilever, que adquirem eletricidade gerada por biomassa de cana-de-açúcar comercializada no mercado livre de energia elétrica. Entre os produtores, receberam a certificação as usinas Adecoagro, Alta Mogiana, Guarani (Grupo Tereos), Noble, Raízen, São Martinho e Zilor. (Unica 26/01/2015)

 

Previsão de chuvas para os cinturões do café e da cana

Segundo especialistas, precipitações devem melhorar em Minas Gerais e Espírito Santo.

As chuvas previstas para as próximas duas semanas devem ajudar a aliviar o estresse hídrico nos cinturões de café, cana-de-açúcar e grãos do Brasil, que têm sofrido com o tempo seco e quente, disseram meteorologistas locais e dos Estados Unidos ontem. No entanto, os dois maiores Estados produtores de café do país, Minas Gerais e Espírito Santo, enfrentam grandes déficits hídricos à medida que aproxima o final de janeiro, normalmente o mês mais chuvoso do ano para o Sudeste, segundo o painel Reuters Weather Dashboard. Ainda assim, as principais regiões de café e cana de açúcar foram mais favorecidas pelas chuvas das últimas semanas do que em janeiro de 2014, quando uma seca muito mais intensa levou a uma forte redução de produtividades na safra passada.

Ao longo dos últimos 60 dias, o Espírito Santo acumulou 118 milímetros, enquanto o normal seria 494 milímetros, segundo o painel de meteorologia do terminal financeiro da Thomson Reuters. Minas Gerais, maior estado produtor de café do país, recebeu 215 milímetros de chuva nos últimos dois meses, enquanto a média é de 546 milímetros. O instituto de meteorologia Commodities Weather Group, dos Estados Unidos, disse que a metade do cinturão de café e um terço das áreas de cana-de-açúcar têm sofrido com a seca, mas espera que a umidade aumente em 11 a 15 dias. "Chuvas esparsas na próxima semana e chuvas mais generalizadas no início de fevereiro devem chegar a quase todas as áreas para reduzir qualquer estresse hídrico crescente", disse o CWG em um relatório diário.

A massa de ar quente que permaneceu sobre as áreas de cultivo do Sudeste por quase três semanas começou a se dissipar cerca de uma semana atrás, permitindo que a entrada de frentes frias e a ocorrência de chuvas. Chuvas generalizadas e mais intensas têm sido raras, no entanto. O CWG disse que metade do cinturão do café e 35% das áreas de cana receberam entre 6 e 38 milímetros no fim de semana. A empresa prevê níveis semelhantes de precipitação durante os próximos cinco dias em 60%das áreas de café e 85% das áreas de cana. O tempo quente e seco ao longo de janeiro prejudicou a safra de soja 2014/15 do Brasil, disse a consultoria AgRural, que planeja cortar sua previsão para a safra, de 95 milhões de toneladas, em sua revisão fevereiro.

"Apesar da ocorrência de chuvas durante a semana, os volumes foram insuficientes para normalizar a umidade do solo em pontos do Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, e os prejuízos já começam a ser contabilizados", disse AgRural, em um relatório publicado na noite de sexta-feira. Partes do norte de Mato Grosso receberam menos da metade do volume normal de chuvas em janeiro, disseram meteorologistas da Somar em um boletim nesta segunda-feira, em contraste às chuvas acima da média no Rio Grande do Sul. A colheita de soja foi concluída em 3% de todo o país, disse a AgRural, em linha com a mesma época do ano passado e com a média histórica de cinco anos. (Reuters 27/01/2015)

 

Rio e Banco Mundial investem R$ 53 mi para ajudar agricultores afetados pela seca

Entre as medidas estão a perfuração de poços para uso coletivo, recuperação de açudes e barragens e nutrição para os rebanhos em risco; perdas totalizaram R$ 100 milhões no 3º trimestre de 2014.

RIO: O governo do Estado do Rio de Janeiro lançou nesta segunda-feira, 26, um plano de contingência com investimentos de R$ 53 milhões para enfrentar os efeitos da estiagem no Norte e Noroeste fluminense. Os recursos - R$ 30 milhões provenientes de um convênio com o Banco Mundial e outros R$ 23 milhões desembolsados pelo Estado -, serão aplicados em ações como a perfuração de poços artesianos para uso coletivo, recuperação de açudes e barragens, além da implementação de sistemas de nutrição para os rebanhos em risco.

"A prioridade na escavação dos poços é o abastecimento para consumo humano, porque em algumas vilas já há escassez de água para uso dos habitantes", ressaltou o secretário estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, Christino Áureo. (O Estado de São Paulo 27/01/2015)

 

Mbac busca parcerias para desenvolver os seus projetos de fertilizantes no país

A Mbac, listada na bolsa de Toronto, no Canadá, e com exploração de fertilizantes no Brasil, busca parceiros para "estabilizar" seu primeiro projeto de produção de fertilizantes à base de fosfatos no país e viabilizar um outro, estimado previamente para começar a operar em 2018.

O projeto Itafós, no Estado de Tocantins, para produção de superfosfato simples (SSP) começou a produzir efetivamente no começo do ano passado. A operação tem capacidade para 500 mil toneladas de SSP por ano, mas em 2014 produziu menos de 100 mil toneladas, segundo Cristiano Melcher, presidente e CEO da Mbac.

Já o projeto Santana, considerado a "joia da coroa" do portfólio da companhia por apresentar alto teor de fósforo na reserva (13%), localizada no sul do Pará, quase divisa com Mato Grosso, deverá produzir em sua primeira fase 500 mil toneladas de superfosfato simples. Mato Grosso é o maior Estado consumidor de fertilizantes no país.

Em uma segunda fase, o projeto no sul do Pará deve produzir adubos com alta concentração de fósforo, o MAP (fosfato monoamônico), o TSP (superfosfato triplo) e um outro tipo voltado à nutrição animal, afirma Melcher. "O objetivo agora é estabilizar Itafós para a comprovação do mérito econômico e partir para o [projeto] Santana". Inicialmente, Santana demandará entre US$ 450 milhões e US$ 500 milhões, segundo o executivo. A estimativa preliminar é iniciar o projeto Santana em 2018.

Melcher, que participou ontem do "Fertilizer Latino-Americano 2015", evento organizado pela consultoria britânica CRU, em São Paulo, lembrou que para tornar a produção nacional mais competitiva o setor demanda a reintrodução de tarifas de importação de fertilizantes com base em fosfatos e nitrogênio. Em 2006, com um acordo entre Brasil e Mercosul, nove fertilizantes foram colocados na lista de exceção da Tarifa Externa Comum (TEC) e ficaram sem a cobrança de tarifa. As importações, segundo ele, representam 80% do consumo doméstico de fertilizantes no país.

O setor também defende que a cobrança de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) no comércio de adubos entre os Estados seja reduzida e unificada. Conforme Melcher, a cobrança diferenciada dos Estados gera distorções no segmento, já que algumas misturadoras de adubos estão distantes dos locais onde os produtos são comercializados. "A ideia é ter uma tarifa básica e única em todas as transações, tanto para o importado quanto para as [operações] interestaduais", diz.

Como a produção nacional de fertilizantes não cresce, empresas estrangeiras do setor estão de olho no mercado brasileiro. É o caso da americana CF Industries, a maior produtora de nitrogênio para fertilizantes na América do Norte e a segunda do mundo, que tem planos de aumentar suas exportações para o Brasil, de acordo com Bert Frost, vice-presidente sênior de vendas, distribuição e desenvolvimento de mercado da CF, que também participou do evento setorial.

Ele não informou qual é o volume de produtos vendidos ao Brasil, mas disse que a quantidade é pequena e que a companhia americana quer crescer no país. Hoje, os produtos da CF são vendidos ao Brasil por meio da Keytrade, uma joint venture de importadores na qual a CF tem 50% de participação. A Keytrade vende para o Brasil cerca de 1 milhão de toneladas de vários tipos de adubos, segundo ele.

O executivo disse que há interesse da companhia em desenvolver o mercado brasileiro para um tipo de fertilizante nitrogenado líquido, que pode ser muito demandado pelo setor de cana-de-açúcar e que nos EUA é usado principalmente nas culturas do milho e trigo.

Em 2013, as vendas de nitrogênio e derivados da CF totalizaram 13 milhões de toneladas, gerando uma receita de US$ 4,7 bilhões. Atualmente, cerca de 95% da produção da empresa é direcionada aos EUA e Canadá. (Valor Econômico 27/01/2015)

 

Opep diz que preços do petróleo podem se recuperar em breve

Os preços do petróleo podem ter atingido um piso nos níveis atuais e podem se recuperar muito em breve, afirmou o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Abdullah al-Badri, nesta segunda-feira.

"Agora os preços estão em torno de 45 e 55 dólares e eu acho que talvez tenham atingido um piso e verão alguma recuperação muito em breve", disse Badri, em uma entrevista.

O petróleo Brent operava próximo a 49 dólares por barril nesta segunda-feira.

Badri alertou que qualquer corte de fornecimento de petróleo da Opep levaria a uma capacidade ociosa, redução de investimento e um eventual escassez futura e alta exagerada de preços.

"Suponha que cortemos a produção, e então nós vamos ter capacidade ociosa", disse ele em uma entrevista. "Os produtores, quando têm excesso de capacidade, não vão investir."

"Se eles não investirem, não haverá mais oferta, se não houver mais oferta, haverá uma escassez no mercado depois de 3-4 anos e o preço vai subir e vamos ver uma repetição de 2008."

"Talvez a gente vá a 200 dólares, se houver uma verdadeira escassez de oferta devido à falta de investimento", disse Badri.

É necessário mais tempo antes de qualquer conversa sobre uma mudança na política de produção da Opep, disse ele.

"Vai levar algum tempo", disse Badri à Reuters. "Vai levar mais de 4 ou 5 meses e não vamos ver alguns esforços concretos antes do fim do primeiro semestre do ano, já que vamos ver como o mercado se comporta no fim do primeiro semestre de 2015."

Badri defendeu a decisão Opep de novembro de deixar sua meta de produção inalterada.

"Foi uma decisão coletiva", disse ele. "Todo mundo participou da decisão, há algumas observações e alguma reserva, mas no fim das contas, todos os ministros concordaram com isso."

Questionado sobre as perspectivas para a política de petróleo da Arábia Saudita com um novo rei, Badri disse:

"A Arábia Saudita é um país estável, tem um governo estável e eu acho que as coisas vão ser normais."

O novo rei Salman foi rápido ao manter o veterano ministro do Petróleo, Ali al-Naimi, na sexta-feira, em uma mensagem destinada a acalmar um mercado de energia nervoso após a morte do rei Abdullah na semana passada (Reuters 26/01/2015)

 

Riqueza fatiada

Os setores de alimentos (15%), derivados de petróleo e biocombustíveis (10,6%) e automóveis (12,8%) respondem por 38,4% das indústrias de São Paulo. Estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre o perfil industrial dos Estados brasileiros mostra a força das "commodities" na composição do PIB paulista, que somou R$ 288,6 bilhões em 2012.

RIQUEZA 2

O levantamento aponta o mesmo perfil nos demais Estados do Sudeste. No Rio, os destaques são petróleo e gás (31,1%), derivados (19,9%), metalurgia (6,9%), químicos (6,5%) e atividades de apoio à extração de minerais (6,3%). Setores que representam 70,7% das indústrias fluminenses e tendem a ser impactados pela crise na Petrobras.
RIQUEZA 3

Em Minas Gerais, também estão entre os ramos mais importantes extração mineral (28,2%) e metalurgia (12%), que totalizam 40,2% das indústrias do Estado. No Espírito Santo, a indústria mineral (36,3%) e de petróleo (20,3%) representam mais da metade.

SOBE E DESCE

O estudo mostra que SP perdeu participação no perfil industrial do país, caindo 7,9 pontos percentuais entre 2002 a 2012, enquanto Rio ganhou 3,9 pontos e Minas e Espírito Santo, 1,5 ponto cada um. "Um crescimento focado na extração de petróleo e minério, sob impacto do aumento de preços determinado pela demanda chinesa", explica Renato Fonseca, gerente de pesquisa da CNI (Mônica Bergamo - Folha de São Paulo 26/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Preços reagem: Os futuros do açúcar esboçaram uma recuperação na bolsa de Nova York ontem, após a forte queda de sexta-feira. Os lotes do demerara para maio fecharam com elevação de 19 pontos, a 15,68 centavos de dólar a libra-peso. O mercado retomou a trajetória de alta que vinha sendo traçada ao longo da semana passada, sustentada pela perspectiva de uma safra mais alcooleira no Centro-Sul do Brasil na temporada 2015/16. O aumento dos impostos sobre a gasolina no Brasil deve elevar a competitividade do etanol e reduzir a produção de açúcar. Para Nick Penney, da Sucden Financial, o mercado está menos sobrecomprado e deve buscar uma consolidação nos próximos dias. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,18%, para R$ 51,17 a saca de 50 quilos.

Algodão: Cotação atrativa: O algodão reverteu as duas últimas sessões de queda na bolsa de Nova York, sustentado por compras atraídas pelos menores preços em mais de cinco anos. Os lotes para maio fecharam em alta de 125 pontos ontem, a 59,45 centavos de dólar a libra-peso. O movimento ignorou as pressões vindas da expectativa de fraca demanda mundial por algodão e produtos têxteis. O baixo crescimento econômico previsto para este ano e a forte queda do petróleo devem inibir o consumo de algodão nos próximos meses, segundo analistas. Por outro lado, investidores já apostam em redução de área nos EUA, o que traria menor oferta para a próxima temporada. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada a R$ 54,23, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Soja: Na esteira do farelo: As cotações da soja subiram ontem na bolsa de Chicago na esteira da valorização do farelo e com as incertezas relacionadas à safra brasileira. Os contratos do grão para maio fecharam em US$ 9,9025 o bushel, alta de 10,75 centavos. Embora os embarques de soja em grão dos EUA tenham se mantido estáveis na semana passada, houve forte aumento das exportações de farelo de soja, o que impulsionou os preços do complexo soja na bolsa. Alguns investidores também citam o volume de chuvas abaixo da média no Centro-Oeste e em outras regiões produtoras do Brasil, que está em fase de colheita, para justificar o aumento das apostas no mercado futuro da soja. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para a oleaginosa no Paraná subiu 0,23%, para R$ 57,05 a saca.

Trigo: Alta do dólar: As cotações do trigo cederam ontem nas bolsas americanas, em meio à pressão do cenário macroeconômico. Na bolsa de Chicago, os contratos para maio fecharam em baixa de 8,50 centavos, a US$ 5,2425 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento recuaram 9 centavos, a US$ 5,60 por bushel. A alta do dólar em relação a diversas moedas estrangeiras tem pesado sobre os preços, na medida em que encarece a matéria-prima e reduz a demanda. Analistas temem a desvalorização do euro ante o dólar, o que poderia aumentar ainda mais a competitividade do cereal europeu em relação ao americano. No Paraná, a saca de trigo ficou em R$ 30,66, baixa de 0,23%, de acordo com o Departamento de Economia Rural do Estado (Deral). (Valor Econômico 27/01/2015)