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Estiagem faz safra de cana no Centro-Sul começar mal, avalia Canaplan

O nível de umidade abaixo do ideal neste período de maturação dos canaviais no Centro-Sul do Brasil faz a safra de cana-de-açúcar 2015/16 "começar mal" nas palavras do sócio-diretor da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

O desenvolvimento das plantas neste mês de janeiro tem sido prejudicado por chuvas abaixo da média. "Dezembro não foi nada de excepcional e janeiro foi ruim", disse ele à reportagem em referência às precipitações.

Para o desenvolvimento adequado dos canaviais, fase que vai até março, é importante que a umidade aumente, o que, no curto prazo, não está garantido.

A estiagem fora de época em janeiro e fevereiro do ano passado reduziu a safra 2014/15 em torno de 40 milhões de toneladas, conforme a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). E no acumulado de janeiro de 2015 as chuvas nos canaviais de São Paulo, principal Estado produtor, têm atingido apenas a metade do esperado para o mês mais chuvoso do ano. "Isso dá um susto, porque a gente começa a depender mais de fevereiro. Estou preocupado", afirmou Corrêa Carvalho, também presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

Ele acrescentou, ainda, que a situação pode ser pior em 2015 caso as chuvas durante o verão fiquem de fato abaixo da média. "2013 foi muito chuvoso e isso garantiu umidade no solo em 2014. Mas o ano passado foi muito seco e devemos sentir isso em 2015", explicou.

Grande parte das consultorias ainda não divulgou suas projeções para a safra 2015/16 - a própria Canaplan deve apresentar sua estimativa em abril. A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), contudo, informou em dezembro que o ciclo deverá repetir, no máximo, o processamento de 570 milhões de toneladas observado em 2014/15. (Agência Estado 27/01/2015)

 

Aumento de impostos da gasolina trará benefício moderado para usinas

A decisão do governo brasileiro de elevar impostos sobre o diesel e a gasolina é positiva para empresas de açúcar e etanol no país, mas não irá aliviar de forma material o estresse financeiro destas companhias em 2015, disse nesta terça-feira a agência de classificação de risco Fitch Ratings.

A nova tributação deverá permitir que as usinas aumentem os preços do etanol, mas o impacto positivo no Ebita (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da maior parte das companhias será de até 15 por cento, presumindo um mix de produção de 50 por cento de etanol e 50 por cento de açúcar.

O impacto no crédito das empresas deve ser mais positivo no longo prazo, já que o aumento de impostos deve levar produtores brasileiros a buscar uma maior produção de etanol, o que favorecerá um aumento nos preços do açúcar.

Atualmente, o etanol está sendo negociado ao preço equivalente a 16,6 centavos de dólar por libra-peso de açúcar, com previsão de subir para 18 centavos por libra. Nesse patamar, o preço equivalente do etanol estará 20 por cento acima do atual preço internacional do açúcar, de cerca de 15,2 centavos de dólar por libra-peso.

O governo anunciou na semana passada que tributará a gasolina em 0,22 real e o diesel em 0,15 real por litro a partir de 1º de fevereiro via PIS/Cofins. A partir do início de maio, esses valores por litro serão divididos entre o PIS/Cofins e a Cide.

A Petrobras, por sua vez, já informou que o aumento de tributos será integralmente repassado aos clientes das refinarias. (Reuters 27/01/2015)

 

Açúcar: De volta ao vermelho

As cotações do açúcar fecharam com recuo moderado ontem na bolsa de Nova York.

Os contratos do demerara para entrega em maio fecharam com queda 19 pontos, a 15,49 centavos de dólar a libra-peso.

A baixa reverte os ganhos de segunda-feira, em uma sinalização da tentativa de realização de lucros por parte dos fundos.

Do lado dos fundamentos, há um certo alívio diante das recentes chuvas no Centro-Sul do Brasil, mas ainda se considera que os volumes de precipitações são insuficientes para garantir uma boa safra.

Porém, ainda há muito açúcar armazenado nos estoques globais, especialmente na Tailândia, segundo maior exportador mundial.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,51%, para R$ 50,91 a saca. (Valor Econômico 28/01/2015)

 

DuPont ainda é um grão de milho no mercado de etanol

Enquanto tenta se acertar com a sócia BP para tirar do papel a primeira fábrica da Butamax, joint venture focada na produção de biobutanol, a DuPont segue seu caminho tortuoso no Brasil. Os norte-americanos suam para montar uma produção de etanol de milho no país.

O recente acordo firmado com a Dedini, fabricante de equipamentos para usinas, e com a Porta, dona de duas plantas na Argentina, é apenas um alívio imediato. Mas são movimentos que ainda estão longe de garantir uma operação com a dimensão idealizada pelo grupo.

A DuPont não conseguiu até agora parceiros para viabilizar a construção da primeira usina de etanol de milho no país. Chegou a negociar com a Cosan e com a Copersucar, mas em ambos os casos as respostas foram negativas.

A DuPont planejava vincular o acordo com a Dedini e a Porta, restrita ao fornecimento de equipamentos, tecnologia e insumos, à instalação de novas usinas no Centro-Oeste para fornecer clientes à própria joint venture.

As unidades próprias serviriam ainda para incentivar a construção ou adaptação de usinas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, o que daria, no curto prazo, massa crítica ao negócio.

 A região é a principal produtora do grão no país e uma das maiores no mundo.

No entanto, a DuPont não conseguiu convencer suas sócias a adiar o lançamento da joint venture para 2016. Se insistisse, correria o risco de ficar sozinha.

A Dedini, que teve expressivas perdas de faturamento nos últimos anos por conta da crise do setor, precisa o quanto antes de alternativas capaz de tirá-la do quase ostracismo.

Já a Porta necessita urgentemente ganhar escala fora da Argentina. Apesar da obrigatoriedade da mistura de 10% de etanol à gasolina no país vizinho, a empresa não está conseguindo ampliar a rentabilidade do negócio e precisa ter usinas em outros países da América do Sul.

Mesmo diante do quadro nada favorável, a DuPont ainda tentará viabilizar, pelo menos, uma usina até o ano que vem. Para isso, deverá bancar sozinho o projeto e depois negociar a entrada de sócios.

Um dos alvos da companhia à futura sociedade é o grupo Amaggi, um dos grandes produtores de milho do país, com sede no Mato Grosso, que tem interesse em investir em biocombustíveis a partir desse grão.

Procurada, a DuPont negou que esteja planejando a construção de uma planta de etanol de milho no Brasil. (Jornal Relatório Reservado 28/01/2015)

 

BP Biocombustíveis vai injetar R$ 325 milhões em etanol no Brasil

SÃO PAULO - O braço sucroalcooleiro da petroleira BP, a BP Biocombustíveis, vai realizar um novo aumento de capital na operação brasileira. Em convocação feita a acionistas, a companhia informou a proposta de injeção de R$ 325,092 milhões na empresa.

A Assembleia Geral Extraordinária que votará o aumento de capital está marcada para o dia 4 de fevereiro. Procurada, a BP ainda não retornou.

Em nota, a BP Biocombustíveis informou que o recurso será usado no financiamento de seus projetos de investimento em andamento, como a ampliação do canavial para safra de 2015 e "melhoria contínua de suas operações industriais".

Há um pouco mais de um mês, a BP Biocombustíveis aprovou um outro aumento de capital - de R$ 242 milhões - na operação brasileira de cana-de-açúcar.

O recurso, conforme informou a empresa à época, seria usado para financiar projetos de investimento em andamento, como a expansão da unidade Tropical, localizada em Edeia (GO).

A BP está no Brasil em biocombustíveis desde 2008, mas a maior parte de seus aportes nessa área vem sendo feito desde 2011. A empresa tem três usinas de açúcar e etanol em operação no país. (Valor Econômico 27/01/2015 às 20h: 33m)

 

Altas externas puxam preços do açúcar cristal no spot de SP

Depois de recuar por 15 dias consecutivos, nos últimos sete dias, os preços do açúcar cristal no mercado spot paulista voltaram a subir.

No início da semana passada, as usinas ainda estiveram flexíveis para baixar os valores, em especial do açúcar Icumsa 180, mas, nos dias seguintes, adotaram postura mais firme, passando a aumentar os preços pedidos.

A demanda tem seguido estável desde o início do mês, e mantendo constante a liquidez no mercado à vista de açúcar neste período de entressafra. Segundo dados do Cepea, os volumes negociados não representam quantidades expressivas.

Nessa segunda-feira, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 51,17/saca de 50 kg, com alta de 1,3% em relação à segunda anterior. Essa reação dos preços domésticos pode estar atrelada ao mercado internacional.

As cotações do açúcar da Bolsa de Nova York (ICE Futures) acumulam valorização de 5,7% na parcial deste mês para o contrato março/15. (Cepea / ESALQ 27/01/2015)

 

Etanol hidratado sobe com força, com maior tributação da gasolina

Após ficarem praticamente estáveis desde o início de janeiro, os preços do etanol hidratado saltaram na última semana no mercado paulista.

O impulso veio com o anúncio de mudanças na tributação da gasolina C, que elevará o preço do litro do combustível em 22 centavos a partir de 1º de fevereiro. Dessa forma, espera-se aumento na demanda por etanol, que ficaria mais competitivo.

De acordo com pesquisadores do Cepea, na última semana, distribuidoras já começaram a reforçar seus estoques.

Entre 19 e 23 de janeiro, o Indicador CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) do hidratado foi de R$ 1,3611/litro (sem impostos), expressiva alta de 6,2% em relação à semana anterior. Esse patamar não era observado desde abril/14. Para o Indicador do hidratado posto Paulínia ESALQ/BM&FBovespa, o aumento foi ainda maior, de 8% comparando-se as duas últimas segundas-feiras – a R$ 1.330,00/m3 no dia 26.

No mercado de etanol anidro, o volume de negócios foi maior no início da semana passada, sustentando as cotações. O Indicador CEPEA/ESALQ semanal desse combustível (estado de São Paulo) foi de R$ 1,4640/litro (PIS/Cofins zerados), alta de 0,7% em relação ao anterior. (Cepea / ESALQ 27/01/2015)

 

Relação etanol/gasolina cai a 65,97%,a menor para janeiro desde 2009 em SP

Levantamento divulgado nesta terça-feira, 27, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, mostrou que a relação entre o preço médio do etanol e o valor médio da gasolina alcançou o nível de 65,97% na terceira semana de janeiro na cidade de São Paulo. O número apurado não apenas representou leve recuo ante o verificado na segunda semana do mês, quando a relação havia sido de 66,02%, como manteve a condição de relação menos expressiva para os meses de janeiro desde 2009.

De acordo com especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder do etanol é de 70% da gasolina.

Na terceira semana de janeiro de 2009, a relação entre os dois combustíveis estava na marca de 54,40%. Na terceira semana de janeiro de 2014, estava em 68,00% e, em 2013, estava em 69,27%. Nos mesmos períodos de 2012, 2011 e 2010, a relação entre etanol e gasolina ficou em 70,72%, 70,24% e 74,15%, respectivamente.

Para o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), André Chagas, esta relação entre etanol e gasolina tende a apresentar modificações daqui para frente. Tudo porque o período de entressafra da cana de açúcar deve fazer com que o preço do etanol suba de maneira mais intensa. "A tendência é começar a reverter esse quadro (de relação baixa entre o etanol e gasolina", comentou.

Em outro tipo de levantamento da Fipe, que leva em conta a metodologia do IPC e foca as quadrissemanas, o valor médio do etanol apresentou elevação de 2,82% na terceira medição do mês (últimos 30 dias encerrados em 23 de janeiro) ante alta de 2,45% na segunda quadrissemana (últimos 30 dias encerrados em 15 de janeiro). Quanto à gasolina, o combustível saiu de uma variação positiva de 0,31% na segunda leitura de janeiro para um aumento de 0,50%, na terceira quadrissemana do mesmo mês. (Agência Estado 27/01/2015)

 

Empresas recebem primeiras certificações do Selo Energia Verde

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) lançaram o Selo Energia Verde na última segunda-feira (26). Certificação irá reconhecer empresas produtoras e consumidoras de uma energia limpa e renovável.

Os primeiros selos, entregues em cerimônia realizada na sede da Unica em São Paulo, contemplaram, na categoria de consumidores, as empresas Duratex e Unilever, que adquirem energia gerada por biomassa de cana-de-açúcar comercializada no mercado livre de energia elétrica.

Entre os produtores, receberam a certificação Adecoagro, Alta Mogiana, Guarani (Grupo Tereos), Noble, Raízen, São Martinho e Zilor.

A criação do Selo Energia Verde representa a entrada em vigor do Programa de Certificação da Bioeletricidade, que permitirá a troca de informações entre Unica e CCEE para a confirmação sobre a origem contratual da energia comercializada pelas usinas movidas a biomassa de cana no mercado livre de energia.

Do lado dos consumidores, serão certificados aqueles que tenham pelo menos 20% da energia elétrica consumida adquirida junto a usinas de biomassa de cana-de-açúcar.

Já as usinas geradoras de bioeletricidade poderão receber o Selo Energia Verde desde que atendam a critérios de sustentabilidade constantes do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroalcooleiro Paulista, assinado pelo governo paulista e setor sucroenergético em 2007, e requisitos de eficiência energética.

O presidente do Conselho de Administração da CCEE, Luiz Eduardo Barata Ferraira, destaca a satisfação da instituição em fazer parte de um projeto como este.

“A verificação, pela CCEE, do cumprimento dos critérios pelas usinas e consumidores permitirá que o Selo Energia Verde se torne um diferencial, que agregará valor tanto para o gerador como para o comprador da energia produzida a partir da biomassa da cana-de-açúcar”, afirma Barata.

Em 2014, foram produzidos 20.815 mil gigawatts/hora (GWh), de energia elétrica proveniente da fonte biomassa, 20% acima do realizado em 2013.

Essa quantidade seria capaz de abastecer 11 milhões de residências ouequivalente a 52% daenergia que será produzida por Belo Monte, a partir de 2019. Além disso, sem o uso da biomassa na matriz elétrica brasileira, o nível de emissões de CO2 na atmosfera seria 24% maior.

Ainda assim, a bioeletricidade pode ir além. “Com o pleno uso energético da biomassa da cana, o potencial técnico dessa fonte poderia chegar a 20 mil MW médios até 2023, o que corresponde à energia produzida por duas usinas Itaipu. E, certamente, este programa de certificação contribuirá para aproveitarmos cada vez mais o seu potencial”, avalia Elizabeth Farina, presidente da Unica. (CCEE  27/01/2015)

 

'Sabia que não escaparia da crise', afirma demitido

Não teve troca de presentes nem ceia no Natal da família do ex-soldador Francisco de Carvalho Neto, 44. Demitido em novembro, ele é um dos mais de 2.000 metalúrgicos que perderam o emprego em Sertãozinho.

"Não fui pego de surpresa porque sabíamos que eu não ia escapar da crise", disse ele, que participou do protesto nesta terça (27).

Morador de Pontal, distrito de Sertãozinho, ele afirmou que tem feito "bicos" para sustentar a mulher e as três filhas. Há duas semanas, afirmou, obteve R$ 250 como flanelinha em um show em Ribeirão Preto.

A balconista Alessandra Soares, 32, foi ao ato com o marido, Juarez Antônio Soares, 33, que também perdeu o emprego em novembro, mês em que duas empresas demitiram 325 trabalhadores em dois dias: a Simisa mandou embora 175 funcionários, e a Fuzitec, 150.

Ambas produzem peças e máquinas e fazem manutenção em usinas.

"Meu marido recebeu o acerto só neste mês", disse Alessandra. Segundo ela, Soares sofreu três meses de atraso no salário em 2014.

As duas famílias estão no rol de beneficiadas pelo "pacto social pelo emprego", criado por representantes de supermercados, serviços de saúde e outros para aliviar a crise financeira.

Entre as medidas, há uma cesta básica social a R$ 69,90. Operadoras de plano de saúde se comprometeram a manter as mensalidades nos valores cobrados nos contratos corporativos.

O Banco do Brasil e os comerciantes se comprometeram a renegociar dívidas de desempregados, e a prefeitura suspendeu a cobrança de débitos a partir de 2011.

O pacto vai até março, quando começa a nova safra da cana-de-açúcar. (Folha de São Paulo 28/01/2015)

 

20 mil fecham rodovias em protesto do setor de cana

Indústria sucroalcooleira quer aumento do percentual de álcool na gasolina.

Região de Sertãozinho perdeu mais de 2.000 vagas de trabalho; organizadores do ato preparam marcha ao DF

Um protesto contra a crise do setor sucroenergético reuniu trabalhadores, empresários e políticos na cidade de Sertãozinho, interior paulista, na manhã desta terça (27).

O ato, que segundo a PM teve adesão de quase 20 mil pessoas, bloqueou as rodovias de acesso ao município e fechou parte do comércio local. Sindicatos de metalúrgicos, associações de plantadores de cana-de-açúcar e representantes de comércios de 45 cidades do interior aderiram à manifestação, que cobrou do governo Dilma Rousseff medidas para incentivar o consumo do etanol.

Os organizadores preparam uma marcha em Brasília para pressionar a União a sancionar a medida provisória, aprovada pelo Senado em agosto, que eleva o percentual de etanol na gasolina.

"Nós nos desenvolvemos com o Proálcool e estamos vendo o governo federal jogar fora 40 anos de investimento", disse o prefeito Zezinho Gimenez (PSDB).

No ano passado, o setor metalúrgico, alicerce da economia local, registrou 3.200 demissões, segundo Samuel Marqueti, presidente do sindicato dos metalúrgicos.

Já o Ministério do Trabalho do Emprego contabilizou a perda total de 2.046 vagas, num cenário de 42 mil postos formais existentes.

Com a crise, os cofres públicos também foram atingidos: em 2014, o município deixou de arrecadar R$ 18 milhões de ICMS, de um total de R$ 82 milhões.

"Produzimos energia elétrica do bagaço da cana e combustível limpo, mas o governo federal nos ignora", disse Manoel Ortolan, que representa plantadores de cana da região.

O secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim, esteve presente e criticou a falta de políticas públicas para o setor.

CRISE

O emprego no setor de refino de petróleo e produção de álcool, aferidos conjuntamente pelo IBGE, caiu 7,7% de janeiro a novembro de 2014, dado mais recente disponível.

Intensivo em mão de obra, o setor de açúcar e álcool é um dos principais responsáveis pela queda de 6,1% das vagas na indústria paulista.

O setor sofre com a seca e, em 2014, foi afetado pelo freio no preço da gasolina enquanto o petróleo subia no exterior. O reajuste da Petrobras só veio no fim do ano, quando o preço internacional do produto recuava. (Folha de São Paulo 28/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: De volta ao vermelho: As cotações do açúcar fecharam com recuo moderado ontem na bolsa de Nova York. Os contratos do demerara para entrega em maio fecharam com queda 19 pontos, a 15,49 centavos de dólar a libra-peso. A baixa reverte os ganhos de segunda-feira, em uma sinalização da tentativa de realização de lucros por parte dos fundos. Do lado dos fundamentos, há um certo alívio diante das recentes chuvas no Centro-Sul do Brasil, mas ainda se considera que os volumes de precipitações são insuficientes para garantir uma boa safra. Porém, ainda há muito açúcar armazenado nos estoques globais, especialmente na Tailândia, segundo maior exportador mundial. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,51%, para R$ 50,91 a saca.

Café: Ainda o clima: As cotações do café arábica dispararam ontem na bolsa de Nova York, diante da renovação dos temores com o clima no cinturão produtor do Sudeste brasileiro e o potencial de perdas para a safra 2015/16. Os lotes do grão para maio fecharam a US$ 1,709 a libra-peso, com avanço de 635 pontos, a maior alta desde o dia 6. Apesar das últimas chuvas em São Paulo e Minas Gerais, o volume é considerado muito baixo frente à necessidade das plantas e à média para esta época do ano. A empresa de meteorologia DTN indicou que as precipitações seguem abaixo do normal, o que "provavelmente vai afetar a produção de café". No mercado interno, o preço do café de boa qualidade variou entre R$ 490 e R$ 510 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Soja: Foco nos fundamentos: Os fundamentos voltaram ao foco no mercado de soja e ditaram a queda dos preços do grão na bolsa de Chicago ontem. Os lotes para maio fecharam em baixa de 9 centavos, a US$ 9,8125 por bushel. Os traders estão otimistas com a safra 2014/15 no Brasil, em função de relatos de produtividades elevadas até o momento, apesar da falta de chuvas em algumas regiões produtoras. As negociações em Chicago também foram influenciadas pela confirmação de um novo cancelamento de compras da soja americana pela China, de 120 mil toneladas. O país asiático tem feito troca de origem nas últimas semanas, diante do menor custo da oleaginosa brasileira. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos em Paranaguá registrou ligeira baixa de 0,23%, para R$ 61,03.

Trigo: Oferta abundante: Os futuros do trigo cederam ontem nas bolsas americanas, na esteira dos demais grãos, ante a oferta elevada. Em Chicago, os contratos para maio fecharam a US$ 5,23 o bushel, queda de 1,25 centavo. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento caíram 4,25 centavos, para US$ 5,5575 o bushel. A queda ocorreu nos minutos finais do pregão. Na maior parte do dia, os preços mantiveram-se no campo positivo diante da queda do dólar e da alta do euro, que tornam o trigo europeu um pouco menos competitivo no mercado internacional. Ainda houve influência da restrição de exportações na Ucrânia de 1,2 milhão de toneladas até junho. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná subiu 0,33%, a R$ 30,76 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 28/01/2015)