Setor sucroenergético

Notícias

Demissões na Syngenta

É grande a apreensão nos escritórios da suíça Syngenta no Brasil.

Até o início de março, a direção da fabricante de defensivos agrícolas deverá definir a cota que caberá à subsidiária brasileira entre as mais de 1.800 demissões previstas para este ano em todo o mundo.

A Syngenta estabeleceu como meta um corte de custos de US$ 1 bilhão. ((Jornal Relatório Reservado 29/01/2015)

 

ALL

O novo modelo de operação ferroviária, com mais de um operador por trecho, pode estar tirando o sono de muitas concessionárias, mas não da ALL.

Para evitar perdas de mercado, a companhia está botando nos trilhos a Brado.

A controlada negocia com o grupo mineiro Tora uma parceria para atuarem juntas no negócio, eliminando um potencial concorrente.

Oficialmente, ALL e Tora negam a operação. (Jornal Relatório Reservado 29/01/2015)

 

Rabobank integra o FGH Bank

Instituições racionalizam as atividades para focar também os clientes do setor sucroenergético.

O Rabobank amplia o poder com a integração ao FGH Bank, focado em negócios imobiliários. A incorporação foi anunciada dias atrás dentro do objetivo de racionalizar as atividades.

Com a união, as duas instituições reforçam a capacidade de ampliar os serviços para os clientes do Rabobank, muitos deles do setor sucroenergético. (Jornal Cana 28/01/2015)

 

Cana-de-açúcar sustentável

Pesquisa desenvolvida na ESALQ/USP quantificou o carbono liberado na logística do etanol dentro do estado de São Paulo, que foi comparado com o volume de carbono que fica alocado na estrutura da cana-de-açúcar. O resultado foi positivamente surpreendente, uma vez que, com a utilização massiva da colheita mecanizada (admitindo-se portanto a não realização da queima), os canaviais paulistas seriam capazes de absorver uma quantidade superior de carbono àquela advinda da logística de distribuição do produto.

A produção de cana-de-açúcar, voltada ao etanol, consiste em um projeto bastante difundido no Brasil. Com início na década de 70, o combustível renovável foi capaz de proteger o país de crises no preço do petróleo, que impactavam diretamente o custo de vida da população.

Atualmente, para possibilitar uma oferta mais abrangente de etanol, foi preciso, por parte dos produtores e distribuidores, adotar-se uma logística eficiente e que possibilitasse a chegada de tal produto aos principais centros consumidores, com um preço competitivo.

Contudo, como os volumes comercializados tendem a ser distribuídos, majoritariamente, no mercado interno, surge a necessidade de se levar esse produto até os mais diversos municípios brasileiros. Para isso, é importante que se opte por uma modalidade de transporte cuja flexibilidade seja elevada, pois os volumes – assim como origens e destinos – podem ser variáveis. Por conta disso, a rodovia representa hoje a principal alternativa utilizada por esse segmento de distribuição.

O grande gargalo presente na utilização da rodovia é a sua dependência para com combustíveis fósseis, uma vez que os caminhões normalmente são movidos a óleo diesel – combustível fóssil com ampla emissão de dióxido de carbono. Esse fator contribui não tão somente para o encarecimento do transporte – uma vez que o óleo diesel é um derivado de petróleo – mas também para o lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera ao longo desse processo.

Nesse sentido, monografia desenvolvida em 2014 pela aluna Beatriz de Andrade Baltieri, do curso de Ciências Econômicas da ESALQ/USP, objetivou quantificar o carbono liberado na logística do etanol dentro do estado de São Paulo. O método utilizado foi o mesmo do “Inventário de Emissões do Estado de São Paulo), também sugerido pelo Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC).

Observou-se que cerca de 85% da colheita no estado de São Paulo não envolve queima. Calculou-se então o volume de carbono que fica alocado na estrutura da cana-de-açúcar, que foi comparado com o volume de gases emitido pelos processos de logística. O resultado foi positivamente surpreendente, uma vez que, com a utilização massiva da colheita mecanizada, os canaviais paulistas seriam capazes de absorver uma quantidade superior de carbono àquela advinda da logística de distribuição do produto. (O Estado de São Paulo 28/01/2015 às 11h: 04m)

 

À espera da alta da gasolina, etanol já se valoriza na usina

O mercado se antecipou à maior tributação na gasolina, que entra em vigor no dia 2 de fevereiro, e vem promovendo uma elevação "precoce" nos preços do etanol hidratado - que é usado diretamente no tanque dos veículos. Conforme traders, a estratégia das distribuidoras de combustíveis de aumentarem os estoques do biocombustível antes do efetivo repasse da alta de tributos à gasolina alavancou o movimento do etanol.

Na usina em São Paulo, o litro vem sendo negociado a R$ 2,36, R$ 0,08 acima dos preços praticados antes do anúncio do governo, feito no dia 19 deste mês. Nas contas de traders, R$ 0,02 por litro já foi repassado ao preço médio do hidratado nos postos de São Paulo, que na última semana ficou em R$ 1,938, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP).

O mercado estima que na primeira semana de fevereiro, quando a maior tributação já estiver incidindo sobre a gasolina, o preço médio do etanol hidratado em São Paulo estará na casa dos R$ 2,09 a R$ 2,10 por litro. A projeção de traders é de que a gasolina, cujo preço ficou em R$ 2,93 por litro para o motorista paulista, tende a custar na bomba perto de R$ 3,15 por litro a partir do dia 2 de fevereiro.

A agência de classificação de risco Fitch divulgou nesta semana relatório no qual avalia que a maior incidência de tributos na gasolina vai gerar efeitos positivos para companhias sucroalcooleiras, mas não deve aliviar de forma significativa a crise financeira dessas empresas em 2015. "O impacto sobre o crédito deverá ser mais positivo a prazo mais longo, pois os aumentos dos impostos devem levar os produtores brasileiros a transferir parcela maior de sua produção para o etanol, o que, por sua vez, beneficiará a recuperação dos preços do açúcar", afirmou a Fitch em relatório assinado pelos analistas Cláudio Miori e Alexandre Garcia.

A agência calcula que o impacto positivo da medida governamental no resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da maioria das companhias sucroalcooleiras será de até 15% - assumindo que 50% da cana será direcionada para a produção de etanol e a outra metade, para a de açúcar.

Nos cálculos da Fitch, os preços do etanol hidratado, atualmente equivalentes a 16,6 centavos de dólar por libra-peso, devem subir a níveis acima do equivalente a 18 centavos de dólar por libra-peso, em função do aumento dos impostos da gasolina. Trata-se de um valor 20% superior às cotações internacionais do açúcar na bolsa de Nova York (15,2 centavos de dólar por libra-peso).

A Fitch observa que uma redução do preço da gasolina nas refinarias da Petrobras anularia o impacto do aumento da tributação ao consumidor final, reduzindo portanto, a oportunidade das usinas de etanol de elevarem seus ganhos. A agência, no entanto, observa que esse tipo de medida não é esperada para o curto prazo.

A agência de classificação de risco não descarta, no entanto, essa possibilidade, pois seria uma maneira de a Petrobras reagir a uma possível concorrência dos distribuidores de combustível, que poderiam aproveitar a recente queda das cotações internacionais do petróleo para importar mais gasolina e ganhar participação de mercado. A Fitch reconhece, no entanto, que a limitada capacidade de armazenamento e de logística nos portos do país são as principais limitações para um relevante aumento nas importações de gasolina. (Valor Econômico 29/01/2015)

 

Irrigação gera mais cana com menos água

Sistema de sequeiro faz 7 kg por metro cúbico de água, contra até 20 kg por irrigação.

Enquanto um sistema de sequeiro produz em torno de 7 kg de cana-de-açúcar para cada metro cúbico de água consumido, o sistema irrigado produz até 20 kg com a mesma quantidade de água. A informação é de Vinicius Bufon, pesquisador da Embrapa Cerrados, que trabalha com pesquisas em irrigação da matéria-prima do etanol.

Experimentos em andamento na Embrapa Cerrados na usina Jalles Machado (Goianésia, GO), mostram o potencial da prática da irrigação na elevação da produtividade da cana no Cerrado.

Segundo o pesquisador, com a irrigação a cana-planta atinge produtividade de colmos de até 255 t/ha e a primeira soca até 220 t/ha para as melhores variedades, índices muito superiores à média da região centro-sul do país.

Em termos de produtividade de açúcar, o sistema irrigado tem atingido 38 t/ha, enquanto a região centro-sul produz em média 12 t/ha. (Jornal Cana 28/01/2015)

 

Setor de irrigação buscará mitigar perdas em SP

A Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) tomará algumas medidas diante da crise hídrica e das restrições que devem ser impostas à agricultura irrigada no Estado de São Paulo.

As medidas foram discutidas ontem, durante reunião de representantes da Abimaq com o secretário estadual de Agricultura, Arnaldo Jardim. A secretaria de Agricultura deverá anunciar restrição ao uso de água em plantações irrigadas nas bacias hidrográficas do Alto Tietê e do PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí), que abastece o sistema Cantareira. Cerca de três mil propriedades rurais devem ser afetadas pela restrição prevista, segundo a secretaria.

Uma das medidas a serem adotadas pela câmara da Abimaq é a intensificação das visitas de técnicos das revendas de equipamentos de suas empresas associadas às propriedades com sistemas de irrigação para verificar se estão sendo utilizados corretamente, segundo Márcio Santos, vice-presidente da câmara de irrigação da Abimaq. "Vamos cooperar para o processo de racionamento".

Ele explicou que existem tecnologias para se verificar o consumo e a vazão da água remotamente, mas a visita das revendas ao campo será intensificada. Em cerca de 15 dias, deverá haver um resultado desse levantamento. E qualquer problema detectado poderá ser corrigido.

Santos disse que as regiões onde deverá haver restrição de água para irrigação têm um número muito pequeno de equipamentos comercializados por suas associadas. Estes, segundo ele, têm tecnologia embarcada e fazem parte de projetos direcionados à irrigação, levando em conta a cultura e o tipo de solo. De acordo com o executivo, há muita irrigação clandestina, por exemplo, feita por produtores que adquirem bombas e mangueiras para irrigar. Nesses casos, a fiscalização ficará a cargo do governo paulista.

As regiões no Estado que concentram produtores rurais mais tecnificados em irrigação são o sul e o norte, onde a tecnologia é utilizada para a produção de hortifrúti, cana-de-açúcar e laranja, principalmente.

Em duas semanas, a Abimaq também deverá finalizar a elaboração de um manual educativo sobre o uso de água na agricultura. O manual deverá ser divulgado pela entidade em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura e revendedores.

O uso de tecnologias relativamente simples, como o monitoramento da umidade do solo, pode trazer benefícios como a redução de 20% a 30% no consumo de água, acrescentou o representante da Abimaq. (Valor Econômico 29/01/2015)

 

Cascavel distribui mudas de cana de graça

Objetivo é incentivar o cultivo da matéria-prima do açúcar na região Oeste do Paraná.

Por meio da Escola Tecnológica Agropecuária (Agrotec), a Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Fundetec) de Cascavel (PR) realiza a distribuição gratuita de mudas de cana-de-açúcar a produtores rurais que tem interesse neste cultivo.

Basta realizar um cadastro na Fundetec, apresentando documentos pessoais e comprovando que é produtor rural.

Mais informações sobre como participar dos projetos e sobre a distribuição das mudas, pelo telefone (45) 3225-6363. (Jornal Cana 28/01/2015)

 

UPL lança novo fungicida que promete revolucionar o manejo de fungos resistentes nas grandes culturas

O uso contínuo e indiscriminado de fungicidas na produção de grãos no Brasil trouxe como consequência um problema sério para o controle efetivo das doenças no campo, o aparecimento de fungos resistentes ao tratamento. Na soja, cálculos preliminares mostram que as perdas provocadas pela baixa eficiência dos atuais produtos existentes no mercado provocam uma redução de no mínimo 10% na produção nacional. É como se cada hectare perdesse 5 sacas de seu potencial produtivo.

 A insistência na utilização de fungicidas sistêmicos, sem a preocupação de uma alternância de princípios ativos, agravou e acelerou o processo de surgimento de populações de fungos resistentes.

Criar alternativas de programas para manejo de resistência tem sido o principal foco de pesquisadores e empresas ligadas ao setor de defensivos. Seguindo essa linha e apresentando novas propostas para controle de fungos, a UPL , empresa de origem indiana que está entre as 10 maiores do mundo na área de agroquímicos,  lançou no Brasil um produto que promete revolucionar o tratamento de doenças nas grandes culturas e acabar com o problema de resistência nas lavouras. 

A campanha publicitária apresentada recentemente à imprensa coloca o Unizeb Gold, nome comercial do novo produto, como o primeiro fungicida protetor, com capacidade de proteger a lavoura e potencializar a produção. "O Unizeb Gold inaugura uma nova classe de produtos para o controle de doenças; a de produtos protetores" reforça Gilson Oliveira , diretor de produtos da UPL. Ele explica que o fungicida tem uma ação “multi-site”, ou seja, atua em inúmeros pontos do metabolismo do fungo. Além disso , seus agentes anti- stress ajudam a aumentar a produtividade da lavoura. E quando associado aos fungicidas sistêmicos, aumenta a penetração destes produtos e reduz a fitotoxicidade.

A recomendação de utilização consorciada com outros fungicidas sistêmicos em pelo menos duas aplicações ao longo do ciclo gera um custo equivalente a uma saca por hectare.Pesquisas realizadas a campo apontam para ganhos de produtividade de 3 a 12 sacas por hectares. Apesar de ser mais um produto na longa lista de defensivos adotada pelo agricultor, os executivos da UPL reforçam que o aumento de produtividade acabará incentivando seu consumo.

O potencial das vendas é grande, 90 mil toneladas/safra no Brasil. Para atender a demanda foram feitos investimentos na ampliação da capacidade de produção da fábrica que fica em Ituverava –SP e a empresa também tem recursos aprovados para a construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Ao todo, serão investidos US$80 milhões, o equivalente a mais de R$200 milhões .

O presidente da UPL no Brasil, Carlos Pellicer já adiantou que novos produtos para controle de insetos e plantas daninhas, seguindo o mesmo conceito do Unizeb Gold já estão sendo desenvolvidos. “ O Lancer Gold vai inovar na forma de utilização dos inseticidas, com menos impacto ao meio ambiente. E um novo produto para controle de plantas daninhas também estará no mercado dentro de dois anos”. (Notícias Agrícolas 28/01/2015 às 18h: 36m)

 

Setor de máquinas do Brasil vê impacto de redução de investimentos da Petrobras

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria de máquinas e equipamentos no Brasil deve ver novo recuo no faturamento bruto em 2015 após sofrer o terceiro declínio consecutivo no ano passado, prevendo impacto para as empresas com a redução de investimentos da Petrobras.

Nesta quarta-feira, a petroleira indicou que deverá realizar menos investimentos no ano, respondendo a preocupações sobre uma eventual necessidade de captação de recursos diante do seu vultoso plano de investimentos, em um momento em que é penalizada no mercado pelos desdobramentos da operação Lava Jato.

Segundo o presidente-executivo da associação de máquinas e equipamentos Abimaq, José Velloso, o movimento da Petrobras deve acarretar "impacto muito grande" para as fabricantes do setor, muitas das quais já estão sofrendo com contas não pagas por empresas contratados pela petroleira, em função principalmente de impasses sobre aditivos de contratos.

A Abimaq estima que cerca de 120 fabricantes de máquinas estejam tendo problemas sérios com inadimplência nesse contexto, sendo que 30 empresas relataram à entidade terem cerca de 200 milhões de reais a receber.

A associação tem reunião marcada com a presidente da Petrobras, Graça Foster, para discutir o assunto no dia 4 de fevereiro.

DESEMPENHO ANUAL

Nesta quarta-feira, a Abimaq divulgou que o faturamento da indústria brasileira de máquinas e equipamentos caiu 13,7 por cento em 2014, a 71,19 bilhões de reais, e que as perspectivas para 2015 apontam para nova queda diante da fraca conjuntura econômica.

No mês de dezembro, somente, o recuo foi de 7,8 por cento sobre um ano antes, a 5,546 bilhões de reais.

O consumo aparente caiu 11,7 por cento em dezembro, a 8,554 bilhões de reais, e recuou 15 por cento no acumulado de 2014.

A Abimaq apontou que a participação da importação no consumo brasileiro de máquinas e equipamentos saiu de 49 por cento em 2008 para 71 por cento em 2014.

As exportações de máquinas e equipamentos, por sua vez, registraram declínio anual de 13,7 por cento em dezembro, a 1,153 bilhão de dólares. No ano, no entanto, houve crescimento de 7,4 por cento sobre 2013.

Segundo a Abimaq, a indústria brasileira de máquinas e equipamentos viu o fechamento de cerca de 13 mil postos de trabalho no ano, encerrando 2014 com 242,2 mil pessoas empregadas - menor patamar desde maio de 2010.

Na visão do presidente da Abimaq, Carlos Pastoriza, deverá haver uma nova "queda forte" no quadro de funcionários da indústria já no primeiro trimestre deste ano.

"Hoje em dia claramente há excesso de trabalhadores na nossa indústria por esperança dos empresários, que está acabando, assim como o dinheiro", afirmou. (Reuters 28/01/2015 às 16h: 14m)

 

Alta na energia eleva gastos de culturas irrigadas em até R$ 218 por hectare

Os aumentos na conta de luz e no diesel terão impacto de pelo menos R$ 172 por hectare nos custos de produção de lavouras irrigadas de milho, soja e arroz para a próxima safra. No caso do arroz, o aumento total será de R$ 218 por hectare, ou seja, o produtor precisaria colher seis sacos de arroz de 50 kg a mais por hectare, nos preços de hoje, só para pagar a diferença. As informações, divulgadas pela Assessoria Econômica do Sistema Farsul nesta quarta-feira (28), se baseiam em levantamento da Federação realizado em parceria com o Cepea/USP.

O período abordado pelo estudo é o da colheita da safra 2014/2015 até a colheita da safra de 2015/2016, cujo plantio inicia em setembro. “Estamos nos antecipando aos problemas da próxima safra”, aponta Antonio da Luz, economista da Farsul. Enquanto 100% da produção de arroz gaúcha é irrigada – e, consequentemente, todos os produtores serão afetados pelos aumentos -, em torno de 9% das lavouras de milho e 1% das de soja se encaixam no perfil, conforme dados da Comissão de Irrigantes da Farsul.

Somente os aumentos na energia elétrica representam R$ 178 a mais de custo por hectare na cultura do arroz. O diesel, por sua vez, é responsável por outros R$ 40 de aumento, chegando ao crescimento de custo total de R$ 218 por hectare.

O segundo produtor mais impactado pelas medidas é o de milho. Nos preços atuais, ele deveria colher sete sacos a mais por hectare para pagar os ajustes nas contas – o que corresponde ao aumento total de custo de R$ 173 por hectare. Apenas o encarecimento da energia elétrica representa R$ 165 a mais de custo por hectare nessa cultura.

O produtor de soja está logo a seguir na tabela, com aumento de custo de R$ 165 por hectare por conta da luz – e R$ 172 somando energia elétrica e diesel. Para cobrir os novos gastos, o sojicultor deveria colher mais três sacos por hectare, de acordo com os preços atuais.

O diesel fica mais caro em decorrência da volta do imposto CIDE, que trará aumento de R$ 0,15 no preço do litro para as refinarias, segundo a Assessoria Econômica da Farsul. Para o produtor não sair prejudicado pelas altas, da Luz mostra que as refinarias teriam margem para absorver esse aumento, sem o repassar ao produtor rural. “O preço do diesel na bomba reflete um período em que o barril de petróleo custava US$ 140. Hoje, as refinarias compram o barril por US$ 45 e o preço na bomba permanece o mesmo”, alega.

Os cálculos para o aumento de custo a partir da energia elétrica, por sua vez, tiveram como base a alta consolidada no final de 2014 e os 37% de aumento previstos pelo Instituto Acende Brasil para 2015, considerando o fim do subsídio ao setor elétrico, a elevação do preço de Itaipu e o reajuste anual. O Sistema Farsul defende que o governo mantenha o subsídio ao setor elétrico quando a energia é destinada ao meio rural, uma vez que os investimentos nas redes foram feitos pelos próprios agricultores.

Preocupado com os custos de produção do arroz, que cada vez mais se aproximam do preço do saco de 50 kg, Francisco Schardong, presidente da Comissão do Arroz da Farsul, lamenta os aumentos e pede que a Conab revise suas planilhas com urgência. O custo de produção total calculado pela Farsul para a atual safra é de R$ 5.524,43 por hectare, o que representa custo de R$35 a R$40 por saco ao produtor, dependendo da produtividade. Já o preço do saco de 50kg do arroz em casca está em R$ 39, segundo boletim mais recente da Emater/RS. “Nós queremos saber de onde a Conab tira esse custo de cerca de R$ 28 por saco. O grande ponto de interrogação é esse: quais são os parâmetros que o governo está usando para chegar ao preço irrisório que ele tem hoje”, questiona Schardong. “De nada adianta estarmos com um preço razoável de quase R$ 40 a saca de arroz quando gastamos R$ 38 (por saco) para produzir. Não sobra quase nada”.

O presidente da Comissão de Irrigantes da Farsul, João Augusto Telles, se mostra indignado com os aumentos na conta de energia elétrica. A comissão incentiva o uso da irrigação em lavouras de soja e milho e se esforça para que os produtores tenham acesso a licenças e à rede elétrica. “É lastimável que, justamente em um momento em que os produtores (de milho e soja) estão induzidos a investir em novas tecnologias, aconteça esse aumento. O reflexo vai ser direto e causa preocupação nos agricultores. Eles vão pensar duas vezes se vale a pena antes de fazer o investimento”, alerta Telles. (Notícias Agrícolas 28/01/2015 às 15h: 06m)

 

Novo terminal de açúcar no PE depende da Antaq

Agência do Governo federal precisa autorizar a Odebrecht Transport como operadora da Agrovia, que vai administrar o empreendimento.

Lideranças do setor sucroenergético da região Nordeste do país estimam que nos próximos meses seja dada a largada no empreendimento do novo terminal de açúcar refinado e cristal a granel.

Localizado no Complexo de Suape (PE), o empreendimento vai possibilitar o embarque de cargas de maior valor agregado do setor com destino ao norte da África, Mar Mediterrâneo, Oriente Médio e Ásia.

O investidor é a Odebrecht Transport (OTP), do Grupo Odebrecht, que adquiriu no ano passado 75% da Agrovia Nordeste, responsável pela implantação e operação do terminal.

Quando estiver operando com 100% da capacidade, o empreendimento prevê a movimentação de 400 mil toneladas de açúcar refinado por ano.

O próximo passo do projeto depende da Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (Antaq). É lá que tramita pedido de homologação para que a OTP seja operadora da Agrovia Nordeste. “A expectativa é de que essa homologação ocorra em breve”, diz o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. (Jornal Cana 28/01/2015)

 

Anfavea e governo discutem 'nova' gasolina

Discussão principal seria sobre o possível impacto nos motores dos veículos com a mistura de 27% a 27,5%.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não quis comentar os resultados dos testes feitos nos veículos utilizando mistura de etanol anidro à gasolina em proporção superior aos 25% atualmente aplicados.

Após reunião nesta quarta-feira, 28, em Brasília, um representante da entidade disse que os dados dos últimos testes foram levados aos técnicos do Ministério de Minas e Energia (MME), onde ocorreu a reunião entre montadoras, setor sucroalcooleiro e ministério, e que o encontro não foi conclusivo.

Uma nova reunião, ainda sem data, deve ocorrer antes de 2 de fevereiro, quando os dados serão apresentados à Casa Civil. Sobre o possível impacto nos motores e no desempenho dos veículos com a mistura de 27% a 27,5%, como vem sendo aventada, a Anfavea limitou-se a dizer que falará disso quando as conversas com o governo estiverem concluídas.

André Luiz Rocha, presidente do Fórum Sucroenergético, que participou do encontro no MME, disse que foram apresentados quatro cenários com porcentuais de mistura de 22%, 25%, 27,5% e 30%. Em todos os testes o resultado teria sido positivo, com bom desempenho dos motores.

O Ministério de Minas e Energia não confirmou a reunião. "Os testes não apresentaram problema", disse Rocha ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. "Agora estamos aguardando a reunião na Casa Civil, em 2 de fevereiro, para que o governo defina qual o porcentual da mistura", explicou. (O Estado de São Paulo 28/01/2015 às 18h: 40m)

 

Área plantada com transgênicos no mundo cresceu 3,5% em 2014

O cultivo de organismos geneticamente modificados (OGMs) voltou a bater recorde ao redor do mundo em 2014. Levantamento do Serviço Internacional para Aquisição e Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), divulgado ontem, revelou que o plantio de variedades transgênicas cobriu 181,5 milhões de hectares no ano passado, elevação de 3,5% (ou 6,3 milhões de hectares) em relação a 2013.

"Os números indicam que os transgênicos seguem crescendo de forma persistente e deixam claro que agricultores mundo afora continuam a perceber os benefícios da adoção dessas tecnologias", disse Anderson Galvão, representante do ISAAA no Brasil, em teleconferência com jornalistas. Conforme a entidade, 18 milhões de produtores, em 28 países, semeiam culturas geneticamente modificadas.

Os EUA permaneceram na liderança, com o plantio de 73,1 milhões de hectares com geneticamente modificados em 2014. Assim, detêm pouco mais de 40% da área global com essas tecnologias. "Apesar de serem um mercado maduro, os EUA registraram o maior avanço em termos absolutos, com um acréscimo de 3 milhões de hectares em relação a 2013", afirmou Galvão.

O Brasil continuou na segunda colocação, com avanço de quase 2 milhões de hectares, para 42,2 milhões de hectares - a maior parte dedicada à soja, de acordo com o ISAAA. Nas contas da entidade, 93,2% da área plantada com soja no Brasil é transgênica, enquanto no milho o alcance é de 82,4%, e no algodão, 65,1%.

Entre as tecnologias mais empregadas, o destaque ainda ficou por conta das variedades com tolerância a herbicidas, presentes em 24,7 milhões de hectares, ou 58,5% do total semeado com geneticamente modificados no país. Entretanto, o ISAAA chama a atenção para o avanço de tecnologias combinadas (que agregam tolerância a herbicidas e resistência a insetos), espalhadas por 12,6 milhões de hectares em 2014, à frente dos 8,2 milhões do ano anterior.

Conforme Galvão, cresce a expectativa de ampliação no portfólio de culturas transgênicas liberadas no Brasil, com um feijão resistente a vírus, esperado para 2016. Os "traits" (eventos transgênicos) de tolerância à seca também devem avançar. Houve crescimento expressivo do milho com essa tecnologia nos EUA em 2014/15, para 300 mil hectares, em relação aos 50 mil hectares da safra anterior. "Na Indonésia, também foi aprovada no ano passado uma cana tolerante à seca", lembrou.

Na avaliação do representante do ISAAA, o mercado global de transgênicos passa por uma fase de consolidação no curto prazo, mas tem grande potencial de crescimento nos próximos cinco a dez anos. A principal oportunidade é com o milho na Ásia. "A China tem potencial de cultivar 35 milhões de hectares com o grão geneticamente modificado, e está avançando nas pesquisas", disse Galvão.

Desde 1995, quando começaram a ser cultivados, até 2014, os transgênicos proporcionaram redução global de 37% no uso de defensivos agrícolas e 68% de incremento na renda média dos agricultores, nos cálculos do ISAAA. Houve também elevação de 22% na produtividade das culturas transgênicas nesse período. (Valor Econômico 29/01/2015)

 

Commodities Agrícolas

Laranja: Flórida sem frio: A constatação de um inverno ameno na Flórida - onde geadas não se concretizaram nos últimos dias, ao contrário do previsto - levou a uma forte queda dos futuros do suco de laranja ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do produto concentrado e congelado para maio caíram 530 pontos, a US$ 1,354 a libra-peso, rompendo o patamar de suporte de US$ 1,40. Desde novembro, os preços vêm oscilando acima desse nível diante dos receios com a intensidade do frio no inverno. Após dois meses, a Flórida não registrou geadas, que historicamente prejudicam a produção, o que retirou o risco de ameaça climática para a safra 2014/15. No mercado interno, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,1%, a R$ 10,13 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Interesse industrial: Os preços do algodão seguiram ontem na contramão das demais "soft" commodities e registraram alta na bolsa de Nova York, no terceiro dia seguido. Os lotes para maio fecharam a 60,23 centavos de dólar a libra-peso, elevação de 69 pontos. Os investidores acreditam que os baixos preços da pluma têm atraído compradores para o mercado da commodity. Segundo Jack Scoville, do Price Futures Group, em Chicago, os traders comentam que "o cenário geral da demanda está começando a melhorar nos atuais níveis de preço, com as tecelagens domésticas (dos EUA) mais interessadas em comprar, e fortes vendas externas reportadas em duas semanas". No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,1%, para R$ 1,6854 a libra-peso.

Milho: Oferta abundante: Os contratos futuros do milho tombaram ontem na bolsa de Chicago pressionados pela colheita na América do Sul e pelos elevados estoques de etanol nos Estados Unidos. Os papéis para maio fecharam com recuo de 8,25 centavos, a US$ 3,815 o bushel, o menor valor desde 2 de dezembro. Os institutos de meteorologia preveem chuvas nos próximos dias nas áreas produtoras do Brasil, o que deve amenizar o estresse hídrico de algumas regiões que receberam chuvas abaixo da média. Nos EUA, a produção de etanol de milho manteve-se estável na última semana, mas os estoques subiram ao maior volume desde dezembro de 2012, sinalizando baixa demanda. No mercado doméstico, o indicador Esalq/ BM&FBovespa caiu 0,23%, para R$ 26,56 a saca.

Trigo: O peso do dólar: Os preços do trigo cederam pela sexta sessão seguida reflexo da alta do dólar e da elevada oferta do cereal no mundo. Na bolsa de Chicago, os lotes de trigo para maio caíram 12,75 centavos, para US$ 5,1025 o bushel, enquanto em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento cederam 14 centavos, para US$ 5,4175 o bushel. A elevação do dólar torna o trigo dos Estados Unidos mais caro, o que leva os traders a rebaixarem o preço da commodity para competir com o produto do centro da Europa e do Leste Europeu. Para os traders, as restrições às exportações da Rússia e da Ucrânia não devem causar redução da oferta global. No mercado interno, o preço médio do trigo do Paraná apurado pelo Cepea/Esalq caiu 0,13%, para R$ 563,52 a tonelada. (Valor Econômico 29/01/2015)