Setor sucroenergético

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Açúcar: Oferta ainda maior

Os futuros do açúcar demerara cederam ontem na bolsa de Nova York em meio a novas estimativas de oferta elevada. Os lotes para maio fecharam em baixa de 55 pontos, a 14,49 centavos de dólar a libra-peso. A consultoria Kingsman cortou sua estimativa para o déficit global de oferta de açúcar na safra mundial de 2014/15 de 1,65 milhão de toneladas para 122 mil toneladas, diante de uma produção maior do que o calculado anteriormente. Porém, a previsão para 2015/16 é mais pessimista, de déficit de 5,25 milhões de toneladas. Para a safra atual, outros traders preveem uma oferta ainda mais confortável, com possibilidade inclusive de superávit de oferta. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,86%, para R$ 50,56 a saca de 50 quilos.

 

Exportação de açúcar cai 17% no primeiro mês de 2015

O Brasil exportou em janeiro 1,777 milhão de toneladas de açúcar bruto e refinado. O volume é 2,3% menor que as 1,818 milhão de toneladas embarcadas em dezembro e 16,9% menor que as 2,137 milhões de toneladas registradas no mesmo mês de 2014.

Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgados nesta segunda-feira (2) mostram que, do total embarcado em janeiro de 215, 1,747 milhão de toneladas foram de açúcar demerara e 29,2 mil toneladas de refinado.

A receita obtida com a exportação total de açúcar em janeiro último foi de US$ 625,3 milhões.

O valor arrecadado é 5,3% menor que o registrado em dezembro (US$ 660,2 milhões) e 26,8% abaixo dos US$ 853,9 milhões computados em janeiro de 2014. (Globo Rural 02/02/2015)

 

Roberto Rodrigues deixa a Unica após sete meses

No momento em que o setor sucroenergético consegue alguns avanços, Roberto Rodrigues deixa o conselho deliberativo da Unica.

Na presidência há sete meses, Rodrigues surpreendeu o setor com a saída, justificada por ele por dois motivos. Primeiro, a entidade não necessita de uma presidência-executiva e de um presidente de conselho. Uma pessoa é suficiente, e Elizabeth Farina, presidente-executiva, "vai muito bem", diz.

Segundo, dois dos pontos básicos do setor --o retorno da Cide (contribuição sobre combustíveis) e a elevação da mistura do anidro à gasolina para 27%-- foram atingidos. Apesar desses objetivos pontuais conseguidos, Rodrigues lutava por uma estratégia de longo prazo para o etanol. (Folha de São Paulo 03/02/2015)

 

Com aumento de impostos, etanol deve valer mais a pena

Aprenda a calcular qual combustível é mais vantajoso para abastecer o veículo.

Desde o último domingo (1º) começou a valer o decreto do governo que aumenta impostos sobre a gasolina. A alta nos tributos corresponderá a R$ 0,22 por litro da gasolina, segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Com a gasolina mais cara, é bem provável que o etanol se torne mais vantajoso para abastecer os veículos flex.

Para saber qual a melhor opção, o motorista deve fazer uma conta simples. Embora mais barato, o etanol é um combustível que é consumido mais rápido pelo motor flex de um carro em relação à gasolina. Por isso, para identificar qual dos dois é mais vantajoso é preciso dividir o preço do litro do etanol pelo valor do litro da gasolina. Se o resultado da conta for maior que 0,7, vale a pena colocar gasolina, se for menor, o melhor é o consumidor abastecer com etanol.

Na semana passada (entre 25 e 31 de janeiro), por exemplo, o preço médio da gasolina no Brasil alcançou R$ 3,03 e o do etanol R$ 2,08, de acordo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Utilizando o cálculo para saber qual o mais vantajoso, chegamos a 0,68, o que mostra que, na média, o etanol já era melhor para o bolso do brasileiro.

A ANP divulga todas as semanas um levantamento de preços de combustíveis feito em mais de 8,6 mil postos de todo o País.

Apesar da conta, cada carro pode ter sua particularidade e o ideal é o condutor verificar a eficiência do seu veículo. Desde 2005, o Inmetro acompanha testes das montadoras de veículos para classificar os carros de acordo com a sua eficiência energética. Todos os modelos e versões de veículos recebem um selo de classificação do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular. Além do selo, os consumidores podem consultar dados de todos os tipos de carros, como consumo de álcool ou gasolina na estrada e na cidade e emissões de poluentes. (Terra 02/02/2015)

 

Etanol sobe 10% e surpreende motoristas de Ribeirão Preto

Na região que mais produz etanol no país, o preço do combustível nas bombas teve alta de 10%, mesmo índice registrado para a gasolina.

O reajuste na manhã desta segunda-feira (2) pegou de surpresa alguns consumidores de Ribeirão Preto, que esperavam a valorização apenas do diesel e da gasolina.

Ambos tiveram aumento após o reajuste das alíquotas da PIS e da Cofins, que entrou em vigor no domingo (1º).

O governo federal não havia determinado, no entanto, que o aumento dos tributos incidisse também no etanol.

Nas bombas, o preço do litro do álcool saltou de R$ 2,054 para R$ 2,279.

Já a gasolina passou de R$ 3,052 para R$ 3,379, e o diesel, de R$ 2,517 para R$ 2,99, segundo levantamento feito pela Folha em dez postos de combustíveis com bandeira, além de dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo).

Dados do Cepea (Centro de Estudo Avançado em Economia Aplicada), da USP, apontam que, entre os dias 2 e 30 janeiro, houve aumento de R$ 0,10 no preço do etanol hidratado nas usinas. Subiu de R$ 1,2804 para R$ 1,3872, valor praticado atualmente.

"Houve essa alta e está sendo repassada. Agora, como o preço é livre, há postos que decidem aumentar o valor ainda mais", disse José Alberto Gouveia, presidente estadual do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo).

Ele afirmou que o reajuste do etanol, como ocorreu em Ribeirão, não está sendo praticado em todo o Estado.

Segundo Oswaldo Manaia, presidente regional do Sincopetro, os postos não haviam repassado o reajuste de R$ 0,10 vindo das distribuidoras.

"Os postos estão cobrando a margem que estavam perdendo", afirmou.

Além disso, conforme ele, era previsível que houvesse aumento do preço nesse período, de final de entressafra.

Neste ano, a moagem da cana nas usinas da região centro-sul do país deve ser iniciada em março –até lá, Manaia diz acreditar que os preços não deverão subir mais.

"Quando começar a safra, a oferta aumenta, e os preços tendem a cair."

SURPRESA

O aumento do preço do etanol pegou de surpresa a professora de inglês Maria Inês Franco Teixeira, 45.

Ela, que mora em Ribeirão e leciona em Bebedouro, disse que a alta não estava prevista –e, por esse motivo, não pôde encher o tanque do carro, como faz semanalmente.

Já o auxiliar administrativo Gustavo Andrade, 32, afirmou que deixou de abastecer o carro com etanol na segunda. "Enquanto o preço do etanol continuar subindo, vejo vantagem apenas na gasolina", afirmou.

Procurada, a assessoria de imprensa do Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes) informou que não irá se manifestar, pois o aumento é de responsabilidade das distribuidora e dos postos de combustíveis. (Folha de São Paulo 03/02/2015)

 

Goiás reúne amanhã governadores dos Estados produtores de cana-de-açúcar

O governador Marconi Perillo (PSDB) recebe nesta quarta-feira (4), em Goiânia, os governadores dos Estados produtores de cana-de-açúcar para a formação de uma coalizão em defesa da cadeia produtiva sucroenergética que atravessa a pior crise da sua história pela prática de políticas equivocadas por parte da presidente Dilma Rousseff.

A “frente dos governadores” tem sido sugerida pelas entidades que formam o projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética” que se reúnem logo mais as 10h30 com o governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin e servirá como viés político para uma série de atos de protesto iniciados na última terça-feira (27) em Sertãozinho. (Brasil Agro 03/02/2015)

 

Mistura de etanol na gasolina deve subir para 27%

Medida favorece usinas e pode aliviar alta de preço em combustível por causa de aumento de tributo.

Anfavea prepara estudo sobre efeitos no motor; setor sucroalcooleiro afirma que vai dar conta da demanda.

A mistura de etanol na gasolina deve subir de 25% para 27% em 16 de fevereiro. A proposta foi acordada entre o setor produtivo e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, nesta segunda-feira (2) e será apresentada nesta terça (3) à presidente Dilma, a quem caberá a decisão final.

O acordo define que, no caso da gasolina premium, o percentual da mistura continue em 25%.

Uma elevação do álcool anidro na mistura deve aliviar a alta de preço ao consumidor com a retomada da cobrança da Cide (tributo regulador incidente sobre a gasolina) e a elevação do PIS/Cofins sobre a gasolina, que vão acrescentar R$ 0,22 ao preço do litro do combustível.

A medida vai favorecer o setor sucroalcooleiro, que estima um aumento na demanda anual por etanol em 1 bilhão de litros, segundo Elizabeth Farina, presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

As usinas brasileiras produziram 28 bilhões de litros de etanol no ano passado.

De acordo com o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan, estudo feito pela Petrobras concluiu que a elevação da mistura não representa prejuízo para os motores e não compromete o desempenho dos veículos.

Outro estudo conduzido pela entidade sobre o efeito da mudança da mistura nos veículos será concluído no fim de março.

Era esperado um aumento do percentual de álcool anidro na gasolina para 27,5%. Segundo Moan, decidiu-se pelo número fechado porque as provetas de teste instaladas ao lado das bombas de combustível atualmente não têm capacidade de verificar um percentual quebrado.

Em abril, após concluído o estudo da Anfavea e com nova tecnologia, é possível que o percentual vá para 27,5%.

Segundo Farina, o setor vai dar conta da nova demanda. "Não existe nenhuma preocupação com abastecimento. Temos estoque para um mês depois de a safra terminar."

Antes, a Anfavea havia mostrado preocupação com o aumento do teor de etanol na gasolina. Em junho de 2014, a entidade argumentou que a mudança poderia ser prejudicial a carros com motores movidos exclusivamente a gasolina, aumentando o consumo e acelerando o desgaste.

Outro assunto discutido foi a ampliação do uso de eletricidade produzida a partir do bagaço da cana na matriz energética, como alternativa à produção hidrelétrica.

No ano passado, a oferta desse tipo de energia para o mercado livre cresceu 20%, abastecendo 11 milhões de casas, afirmou Farina. Segundo ela, essa geração reduziu em 14% o uso de água nos reservatórios das hidrelétricas. (Folha de São Paulo 03/02/2015)

 

Pine tem exposição à Lava Jato

Banco informa ao mercado que tem 3% da carteira emprestada a empreiteiras investigadas pela operação.

O Banco Pine informou ontem ao mercado que cerca de 3% da sua carteira de crédito, que estão classificados no setor de infraestrutura, estão relacionados a empresas investigadas pela Operação Lava Jato, que investiga indícios de corrupção na Petrobras. Em fato relevante, o banco acrescentou que operações junto às maiores empresas do setor de açúcar e etanol respondem por 14% de sua carteira de crédito, com empresas de construção civil respondendo por outros 12 %. Segundo a agência Bloomberg, a exposição a estes setores estaria prejudicando a capacidade do banco de se financiar no mercado de bonds. Os custos de captação do banco mais que dobraram em relação aqueles de mercados emergentes depois que a Moody"s Investors Service reduziu seu rating para um nível abaixo do grau especulativo. A 13%, os bonds do Pine hoje são considerados na categoria conhecida como "distressed".

A preocupação é de que a inadimplência poderá subir e reduzir gradualmente seu capital, segundo a Fator Corretora. "Construtoras e as empresas de etanol estão enfrentando dificuldades grandes, e as coisas não devem melhorar muito no curto prazo", disse Samuel Torres, analista da Fator. "Nós estimamosprovisões mais elevadas e que custos de captação deverão subir para o Pine", acrescentou. Na sexta-feira passada o Pinedisse à agência Bloomberg que o banco reitera sua política conservadora na administração de sua carteira de crédito, e que a maior parte dos empréstimos concedidos ao setor de construção se refere a desenvolvedores de projetos residenciais e comerciais. As notas subordinadas do Pine tiveram um declínio de US$ 0,038, para US$ 0,9195. Os bonds caíram US$0,083 em janeiro, pior desempenho para um único mês desde sua emissão em 2010. Juntos, os setores de construção, açúcar e álcool responderam por 26% dos empréstimos do banco em setembro, maior fatia no Brasil, segundo a Moody"s. Esse percentual se compara com 14,5% no Bic Banco, e amenos de 6,5% no Banco Daycoval. (Brasil Econômico 03/02/2015)

 

Combustíveis sobem nos postos com alta do PIS/Cofins

Em São Paulo, litro da gasolina fica acima de R$ 3 na maioria dos postos; consumidores reclamaram do aumento.

O aumento na tributação para combustível elevou o preço nas bombas de gasolina de boa parte dos postos de São Paulo. Com a alta na alíquota do PIS/Cofins e a restituição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), prevista para maio, o preço do litro foi elevado em R$ 0,22 para a gasolina e R$ 0,15 para o diesel. O preço do litro da gasolina ultrapassou os R$ 3 na maioria dos postos visitados pelo Estado. Em um posto na Avenida Rio Branco, no Centro, o litro da gasolina foi de R$ 2,899 para R$ 3,099. Em outro na Zona Oeste de São Paulo, o repasse também foi de R$ 0,20, chegando a R$ 3,199. Já o diesel e o etanol aumentaram R$ 0,10, para R$ 2,849 e R$ 1,999, respectivamente.

Muitos consumidores reclamaram da nova tributação. “Como eu sou frentista, eu já estava esperando”, disse Alex Antonio, de 30 anos, que abastecia seu carro com gasolina. Ele, que mora no Jardim Ângela, na Zona Sul, gasta cerca de R$ 600 por mês com combustível. “Infelizmente, não tem o que fazer, a gente depende do carro para vir trabalhar.” Ele conta que desde sábado, no posto em que trabalha, clientes já perguntavam sobre o aumento.

Em alguns locais, no entanto, o ajuste foi feito de forma “homeopática”. Em um posto em Santana, Zona Norte de São Paulo, gasolina, álcool e diesel foram elevados em R$ 0,10 o litro. Porém, o gerente Adelmo Souza, ao entrar em contato com o proprietário do posto, foi informado de que no dia seguinte (terça-feira) o litro da gasolina receberia um novo ajuste de R$ 0,10.

Alta da alíquota do PIS/Cofins provoca aumento de R$ 0,22 por litro na gasolina

“Não sei porque eles resolveram fazer em duas etapas. Mas o etanol e o diesel não vão mais subir”, disse Souza. “No fim das contas, aqui vai aumentar R$ 0,20 o litro da gasolina, mas já ficamos sabendo que tem lugar aumentando mais de R$ 0,30.”

Embora ele afirme que muitos consumidores já tenham chegado de sobreaviso da mudança, alguns foram pegos de surpresa. Foi o caso do eletricista José Gilson da Silva, de 41 anos. “Como não queria completar, abasteci só R$ 20 hoje cedo, que normalmente já dá para sair da reserva, mas desta vez não saiu”, disse.

No meio da tarde, retornou ao mesmo posto, e então percebeu que o preço havia aumentado. “Geralmente gasto R$ 125 para completar o tanque, e desta vez, mesmo com os R$ 20 colocados hoje cedo, deu R$ 120”, disse ele, que mora em São Miguel e trabalha em Santana.

Alguns postos ainda não repassaram o reajuste, mas pretendem fazê-lo ainda nesta semana. “As distribuidoras já aumentaram à zero hora do dia 1°. Quem fez o pedido hoje já recebeu com preço novo, mas a liberdade de subir ou baixar o preço é do dono do posto”, afirmou José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sindipetro). “O preço é livre. Se ele tem estoque, ele segura o preço para ganhar cliente.”

Ele disse que, mesmo que alguns postos possam ganhar alguma margem com o novo preço, o setor é contrário à nova tributação. “Para nós, quanto mais barato, mais se consome, e quanto mais se consome, mais a gente fatura.”

Gouveia justificou o aumento de preços do etanol, que não sofreram nova tributação, com uma alta do mercado já na semana anterior. “Com o etanol, não é uma posição de governo, é do setor: o usineiro é que sobe ou não o preço do etanol”, disse. “O que aconteceu foi que alguns estabelecimentos ainda não haviam feito o reajuste na semana passada, e deixaram para fazer o repasse junto com a gasolina.” (O Estado de São Paulo 02/02/2015 às 22h: 28m)

 

Governador receberá lideranças da cadeia produtiva sucroenergética

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, confirmou audiência no Palácio dos Bandeirantes para as 10:30 horas desta terça-feira (3) com as lideranças da cadeia produtiva canavieira que apoiam o projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética” e que na última semana( 27) promoveram ato de protesto contra a inação do governo Federal em Sertãozinho, interior do Estado, reunindo cerca de 20 mil pessoas.

A cadeia sucroalcooleira perdeu, nestes últimos anos, 83 usinas e 70 estão em processo de recuperação judicial, além da quebra de vários fornecedores de equipamentos e prestadores de serviços.

A indústria de base sobrevivente está trabalhando com ociosidade superior a 60%. Pesquisa da FEA-RP/USP aponta que houve a extinção de 300 mil pontos de trabalho não recuperados, só nos últimos 6 anos.

Quando em plena atividade, o PIB da cadeia produtiva setorial chegou a representar US$ 70 bilhões, segundo levantamento do Markestrat, coordenado pelo professor Marcos Fava Neves, da FEA-RP/USP.

Municípios canavieiros estão tendo drástica redução em suas arrecadações. Só Sertãozinho, por exemplo, tem registrado queda superior a 10% da receita a cada ano. Em outros, essa queda é muito mais dramática.

Todo este cenário é resultante da pressão política do governo Federal pela manutenção dos preços da gasolina abaixo da realidade, com forte repercussão nos custos do álcool combustível.

A audiência terá como objetivo apresentar ao Governador o Projeto de Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética e sugerir a ele a criação da “Frente dos Governadores dos Estados Produtores de Cana-de-Açúcar. Ao mesmo tempo, ele será informado que as lideranças do setor, através deste Projeto, já estão articulando a “Marcha À Brasília”. (Brasil Agro 03/02/2015)

 

Cana, ferrugem alaranjada e fungicidas – Por José Otavio Menten

Não existe a cultura, tradição ou costume de se utilizar fungicidas foliares em cana de açúcar no Brasil. Em algumas culturas como feijão, arroz, trigo, batata, tomate, citros etc. esta é uma prática tradicional. Em outras, como soja, milho e algodão, a aplicação de fungicidas, que há 15, 20 anos era muito pouco utilizada, atualmente é uma prática já incorporada no processo produtivo, com amplos benefícios para o produtor. A cana é uma cultura relativamente rústica, sendo as doenças importantes manejadas, principalmente, pela utilização de variedades resistentes. Utiliza-se, também, mudas sadias ou adequadamente tratadas, roguing, cultivo em áreas favoráveis, etc. Defensivos usados em cana são herbicidas e alguns inseticidas; o controle biológico é bastante utilizados no manejo de insetos - pragas.

Os programas de melhoramento de cana priorizam o desenvolvimento de materiais genéticos com resistência satisfatória aos agentes causais de doenças viróticas (mosaico e amarelinho), bacterianas (raquitismo e escaldadura) e fúngicas (carvão e ferrugem marrom). Em 2009, foi constatado no Brasil o fungo Puccinia kuehnii, agente causal da ferrugem alaranjada. Embora a principal medida de manejo seja a resistência, existem variedades que, apesar de apresentarem boas características agronômicas e industriais (produtividade, bom desenvolvimento em áreas com limitações edafoclimáticas, resistência a outras pragas etc.), permitem o desenvolvimento desta ferrugem. Os danos podem chegar a 25%, de acordo com experimentos e observações preliminares. Importante lembrar que o trabalho de seleção de uma nova variedade em cana leva cerca de 15 anos. Em casos como estes, é interessante lançar mão de outras medidas de manejo que impeçam que a doença atinja níveis de dano econômico e permitam que estas variedades continuem sendo utilizadas. O MIP (manejo integrado de pragas) é um procedimento adotado em todas as culturas. Não é sustentável basear o manejo de doenças em uma ou poucas medidas; o ideal é se utilizar o maior número possível de medidas, simultaneamente ou em sequência. Fungicidas são amplamente empregados em diversos sistemas patógeno - hospedeiro.

Existem fungicidas registrados e com eficiência satisfatória contra o agente causal da ferrugem alaranjada da cana. Diversos experimentos e campos de demonstração estão sendo instalados para avaliar a viabilidade do procedimento. Observações preliminares têm sido promissoras. A incorporação desta nova tecnologia em cana pode contribuir para o aumento do rendimento, que vem se mantendo estagnado há muito tempo. As culturas de grãos, que utilizam fungicidas, vem apresentando constante aumento de produtividade.

A cana é um cultivo agrícola muito importante para o Brasil e mundo. A área a ser colhida na safra 2014/15, no Brasil, deve ser de 9 milhões de hectares, com produção de 642 milhões de toneladas e produtividade de 71. 3 t/ha. É necessário um choque tecnológico na cana de açúcar. Existem diversas inovações sendo disponibilizadas, como o material de propagação: utilização de mudas no lugar dos toletes. A vinhaça, que era um problema hoje é solução; No Estado de São Paulo não se utiliza a queima como método de colheita nas áreas mecanizáveis desde o ano de 2014. É insustentável continuar com os mesmos processos de produção.

Entre estas novas tecnologias, a utilização de fungicidas deve ser analisada com muita atenção e sem preconceitos. Se em quase todos os demais cultivos é uma ferramenta importante e, em alguns casos, indispensável, pode ser bastante útil nesta nova fase de cultivo da cana no Brasil. Certamente, com o surgimento de formulações de fungicidas cada vez mais apropriadas, melhorias na tecnologia de aplicação, posicionamento adequado do produto durante o ciclo da cultura e condições ambientais etc. será possível obter avanços significativos no cultivo da cana de açúcar (José Otavio Menten, Diretor Financeiro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS), Vice-Presidente da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS), Eng. Agrônomo, Mestre e Doutor em Agronomia, Pós-Doutorados em Manejo de Pragas e Biotecnologia, Professor Associado da ESALQ/USP)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Oferta ainda maior: Os futuros do açúcar demerara cederam ontem na bolsa de Nova York em meio a novas estimativas de oferta elevada. Os lotes para maio fecharam em baixa de 55 pontos, a 14,49 centavos de dólar a libra-peso. A consultoria Kingsman cortou sua estimativa para o déficit global de oferta de açúcar na safra mundial de 2014/15 de 1,65 milhão de toneladas para 122 mil toneladas, diante de uma produção maior do que o calculado anteriormente. Porém, a previsão para 2015/16 é mais pessimista, de déficit de 5,25 milhões de toneladas. Para a safra atual, outros traders preveem uma oferta ainda mais confortável, com possibilidade inclusive de superávit de oferta. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,86%, para R$ 50,56 a saca de 50 quilos.

Cacau: Demanda fraca: Após um breve "respiro"na sexta-feira, o preço do cacau voltou a recuar na bolsa de Nova York, pressionado pela baixa demanda no último trimestre e pela recuperação das entregas nos portos africanos. Os contratos futuros com vencimento em maio encerraram o pregão de ontem cotados a US$ 2.67 7 por tonelada, queda de US$ 21. Nos últimos dias, o mercado vem sendo pressionado pela avaliação de que a produção de cacau no oeste da África pode estar voltando aos patamares esperados antes da colheita. Nos primeiros meses da safra, as entregas da amêndoa nos portos permaneceu abaixo do nível da temporada passada. No Brasil, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, caiu para R$ 99 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Recuperação em NY: Os preços do algodão subiram ontem na bolsa de Nova York, revertendo a última queda, apoiados na demanda industrial. Os lotes da pluma para maio fecharam com elevação de 25 pontos, a 60,27 centavos de dólar a libra-peso. Desde a semana retrasada, as cotações da fibra saíram do patamar dos 58 centavos de dólar, perto dos preços de cinco anos e meio atrás, após um aumento da demanda externa pelo produto americano, além do registro de um aquecimento da demanda interna nos Estados Unidos por parte do setor industrial. Esse movimento, porém, tem limites, já que a valorização do produto pode limitar as compras comerciais, segundo analistas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,14%, a R$ 1,67 83 a libra-peso.

Trigo: No negativo: Os preços do trigo fecharam no vermelho ontem nas bolsas americanas ante a baixa demanda pelo cereal dos Estados Unidos. Em Chicago, os papéis para maio recuaram 9,5 centavos, a US$ 4,97 25 o bushel, o menor valor desde 3 de outubro. Em Kansas, os lotes com igual vencimento caíram 6,5 centavos, a US$ 5,3625 o bushel. Os embarques de trigo do país subiram 23% na semana passada, mas continuam muito abaixo da safra passada no acumulado. A alta do dólar reduz mais a competitividade do produto americano. As lavouras dos EUA recebem chuvas e neve, o que não deve danificar as plantações e pode inclusive favorecer lavouras em Kansas e Texas, segundo a empresa DTN. O preço médio do cereal no Paraná apurado pelo Cepea/ Esalq subiu 0,26%, a R$ 567 ,31 a tonelada. (Valor Econômico 03/02/2015)