Setor sucroenergético

Notícias

Copersucar prepara grande emissão de títulos no mercado internacional

Além do lançamento de R$ 300 milhões em certificados de recebíveis do agronegócio, já em curso, a Copersucar estaria preparando uma grande emissão de títulos no mercado internacional. (Jornal Relatório Reservado 05/02/2015)

 

BP negocia venda de 26 fazendas de cana em MG

Depois de se desfazer em 2012 dos ativos industriais e dos contratos de fornecimento de cana do projeto "Campina Verde", um greenfield inacabado localizado no município mineiro de mesmo nome, a BP Biocombustíveis, braço sucroalcooleiro da petroleira britânica, deve finalizar em breve a venda das 26 fazendas de cana-de-açúcar que detém na região, por meio de sua controlada Campina Verde Bioenergia.

Juntas, as fazendas somam uma área de 3,4 mil hectares, e estão avaliadas entre R$ 24 milhões e R$ 30 milhões, conforme apurou o Valor. O tamanho das propriedades varia. Há fazendas de 50 hectares a 1,2 mil hectares e, nas estimativas da Commercial Properties, uma empresa especializada em negócios imobiliários, o valor do hectare de fazendas com esse perfil na região está entre R$ 14 mil e R$ 22 mil. Em nota, a BP Biocombustíveis afirmou que mantém de forma confidencial suas transações com terceiros.

A companhia lembrou, entretanto, que, em maio de 2012 já havia vendido os ativos que detinha na região. À época, a compradora foi a multinacional americana Bunge, que adquiriu os equipamentos e os contratos de fornecimento de cana do projeto Campina Verde, por um valor não revelado. Esse projeto entrou nos ativos sucroalcooleiros da BP Biocombustíveis em 2011, com a aquisição das duas usinas da Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA).

Mas, em 2012, a britânica anunciou que não tocaria o projeto por razões estratégicas. Já a Bunge tem três usinas de cana-de-açúcar no Sudeste de Minas Gerais - Santa Juliana, Frutal e Itapagipe, esta última localizada a cerca de 50 quilômetros dos canaviais de Campina Verde.

Mas, segundo fontes ouvidas pelo Valor, a multinacional americana não tem interesse em adquirir as fazendas canavieiras da BP. Conforme apurou a reportagem, a britânica já teria fechado a venda das fazendas para um produtor de cana com áreas de cana em Minas Gerais e em São Paulo e para um empresário do ramo de revenda de máquinas agrícolas da região.

Em aviso publicado na última semana no Diário Oficial de São Paulo, a BP Biocombustíveis convocou seus acionistas para uma assembléia geral extraordinária marcada para hoje, a fim de oficializar internamente o compromisso de compra e venda das terras.

Conforme informações da companhia britânica, nos últimos três anos foram investidos cerca de R$ 2 bilhões em eficiência e produtividade das usinas de cana-de-açúcar da empresa - duas em Goiás e uma em Minas Gerais. Juntas, elas têm capacidade para moer 7 ,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano.

Somente entre o fim de dezembro e início deste ano, a companhia anunciou ainda dois aumentos de capital que somam R$ 560 milhões e visam concluir investimentos nos projetos já em andamento, tais como a expansão da unidade Tropical, localizada em Edeia (GO), assim como a ampliação do canavial e melhoria das operações industriais.

Quando concluir a duplicação da unidade Tropical, a capacidade total de processamento de cana da britânica no Brasil alcançará 10 milhões de toneladas. Conforme estimativas de mercado, no ciclo 2014/15 a BP processou cerca de 5 milhões de toneladas de cana nas suas três usinas. (Valor Econômico 05/02/2015)

 

SP tem o menor imposto sobre etanol do País, diz Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, destacou nesta terça-feira, 3, que o Estado, desde a administração de Mário Covas (PSDB), "nunca aumentou imposto". "Sempre que pôde, reduziu", afirmou durante audiência com lideranças da cadeia produtiva de açúcar e etanol no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista.

Alckmin ressaltou, ainda, que o etanol comercializado em São Paulo tem o menor imposto do País, de 12% de ICMS. "Estamos racionalizando a questão tributária no Estado", ressaltou, referindo-se aos dois decretos assinados hoje por ele.

O governador assina hoje decreto que prevê a ampliação do deferimento do ICMS, concedido atualmente apenas à cana-de-açúcar, para outras matérias-primas e subprodutos utilizados na produção de etanol, incluindo milho e sorgo sacarino. Outro decreto prevê a redução de 18% para 7% no ICMS incidente na saída interna de amido de milho, glicose e outros açúcares e xaropes advindos do milho.

O tucano destacou ainda, sem dar mais detalhes, que pretende inserir a Cesp no segmento de cogeração de energia e ampliar financiamentos para equipamentos que recolham palha de cana, necessária à cogeração. (Agência Estado 03/02/2015)

 

Máquinas agrícolas têm retração de vendas no começo deste ano

As vendas do setor iniciaram o ano com retração, principalmente no caso das colheitadeiras. Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH para a América Latina, acredita, no entanto, que as coisas mudem e a Case terá um primeiro semestre positivo.

Dois motivos fazem o executivo acreditar nessa mudança. Um deles é a intenção de negócios dos produtores que participam da feira de Cascavel (PR). As vendas da empresa nesta feira, por ora, superam em 10% as de 2014.

Além disso, as perspectivas de maior produtividade no campo e de melhor renda, bem como a disposição de crédito, incentivam o produtor a comprar, segundo Romagnoli. (Folha de São Paulo 05/02/2015)

 

Mudança de foco

O presidente do conselho de administração da Copersucar, Luís Roberto Pogetti deverá substituir o ex-ministro Roberto Rodrigues na presidência do conselho deliberativo da União da Indústria de Cana-de Açucar (Unica).

Em 2012, diante das dificuldades de negociar com o governo, a entidade delegou ao presidente de seu conselho a função de articulação política.

Na época, o cargo era ocupado por Pedro Parente, então presidente da Bunge no Brasil.

Agora, com os sinais de melhora no relacionamento com Brasília, a Unica entende que a figura do presidente do conselho pode voltar às suas atribuições originais, que incluem harmonizar as estratégias e demandas do segmento. (Valor Econômico 05/02/2015)

 

Embrapa e ABAG avaliam emissão de gases pela cana

Levantamento junto a unidades checará impacto do uso de combustíveis fósseis na produção agrícola.

Qual a contribuição das emissões de gases de efeito estufa associados à produção agrícola do setor sucroenergético? A resposta estará em trabalho da Embrapa Monitoramento por Satélite, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto (ABAG-RP).

A ABAG-RP já realizou levantamento sobre a dinâmica do carbono no setor sucroenergético, que é utilizado no trabalho da Embrapa.

“Para que o etanol seja considerado um combustível renovável, é essencial determinar qual a contribuição das emissões de gases de efeito estufa associadas diretamente a produção agrícola”, diz o pesquisador da Embrapa, Carlos Roquim.

No plantio, nos tratos culturais e na colheita da cana-de-açúcar são consumidos combustíveis fósseis pelo maquinário agrícola que geram emissões de gases de efeito estuda (GEE).

“É preciso, portanto, fazer um balanço dos GEE para se avaliar quais os resultados líquidos no ciclo agrícola de produção da cana-de-açúcar”, emenda ele.

O próximo passo do trabalho será formatar questões a serem respondidas por gestores das unidades produtoras de cana-de-açúcar. (Jornal Cana 04/02/2015)

 

Relação de etanol e gasolina é menor no mês em SP desde 2009

A relação entre o valor médio do etanol e o preço médio da gasolina atingiu o nível médio de 66,08% em janeiro na cidade de São Paulo, conforme levantamento com base no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O número apurado no mês passado ficou acima do verificado em dezembro de 2014, de 65,26%, mas alcançou a menor marca para janeiro desde 2009, quando foi de 55,22%.

Na avaliação de especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina.

A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder da gasolina.

Em janeiro de 2010, a relação entre os dois combustíveis ficou no nível médio de 72,85%.

Em 2014, ficou em 68,08%.

Nos mesmos períodos de 2011, 2012 e 2013, a relação entre etanol e gasolina ficou em 69,89%, 70,82% e 69,20%, respectivamente.

Em janeiro de 2015, com base na pesquisa do IPC, o valor médio do etanol teve alta menos intensa (de 1,93%) que a de dezembro (de 2,47%).

O preço médio da gasolina, por sua vez, subiu em janeiro 0,65%, a mesma variação do mês anterior. (Agência Estado 04/03/2015)

 

Investimento pesado em Santos

Mesmo prevendo diminuição no ritmo de expansão do agronegócio, ADM vai destinar recursos para terminais portuários em São Paulo e no Pará.

A norte-americana Archer Daniels Midland (ADM), gigante do agronegócio com 33 mil empregados e atuação em 140 países, vai investir pesado em seus terminais nos portos de Santos (SP) e Barcarena (PA) ao longo deste ano. Apesar do cenário de desaceleração econômica no país, a companhia trabalha com a perspectiva de expansão do agronegócio este ano, num ritmo inferior ao de 2014 e 2013. Mesmo com a perspectiva menos favorável, a empresa confirmou ainda a manutenção dos investimentos no complexo de produção de proteína de soja — orçado em US$ 250 milhões — que está em construção no município de Campo Grande (MS). "A partir da renovação da nossa concessão portuária, que foi efetivada no fim de janeiro, vamos fazer um grande investimento no porto de Santos", afirmou Valmor Schaffer, presidente da ADM América do Sul, sem informar valores. "Estamos também no processo de fazer um investimento superior em termos de valor no nosso porto em Barcarena, no Pará".

Anteontem, a ADM informou que vai quadruplicar a capacidade anual do terminal em Barcarena, que passaria de 1,5 milhão de toneladas para seis milhões de toneladas. O terminal privado será operado pela joint venture formada pela ADM e a pela Glencore, multinacional da área de commodities. Schaffer trabalha com uma perspectiva positiva para o agronegócio brasileiro no longo prazo, apesar das cotações de commodities terem mantido a tendência de queda no mês passado. De acordo com o Índice de Commodities Brasil (IC-Br), divulgado mensalmente pelo Banco Central, em janeiro os preços de produtos primários negociados no mercado internacional recuaram 5,14%, na comparação com dezembro de 2014. "A queda nos preços das commodities, de alguma forma, não na totalidade mas parcialmente, teve um offset (compensação) na melhoria do dólar", lembra Schaffer, referindo-se à valorização da moeda norte-americana frente ao real.

Com mais de 4.300 empregados no país, a ADM tem quatro instalações para processamento de soja no Brasil, uma usina de cana de açúcar que produz etanol e mais de 40 silos. A empresa comercializa as marcas de óleo de soja Concórdia e Corcovado. A multinacional é dona, também, da maior unidade produtora de biodiesel instalada no país. Segundo Schaffer, embora a proporção de biocombustível adicionado ao diesel mineral tenha aumentado no ano passado, a tendência para o mercado brasileiro é de uma consolidação na ponta produtora. "A utilização da capacidade instalada nacional está hoje abaixo de 60%, na média", diz o CEO da companhia para a América do Sul. No ano passado, o Governo Federal, que regula o mercado, autorizou a elevação de 5% para 7% no percentual de biodiesel misturado ao diesel mineral.

O aumento fez crescer a capacidade instalada do setor. "Obviamente, [o percentual de 7% de mistura] trouxe uma demanda nova, que acabou melhorando a performance das empresas mais integradas, aquelas que produzem desde a soja até o óleo e o biodiesel. Essas empresas conseguem ter um resultado melhor nesse negócio", acrescenta Schaffer. Com uma estrutura de produção integrada verticalmente, a ADM usa atualmente cerca de 80% da capacidade instalada de sua planta produtora de biodiesel. Schaffer acredita que futuramente o Governo Federal vai aumentar para 10%a mistura do biodiesel no diesel mineral. "O que vejo é uma possibilidade de consolidação do setor de produção. O fato de haver um excesso de capacidade industrial só vai trazer essa consolidação, um número menor de produtores", argumenta.

Na área de etanol, castigada pelo fechamento de dezenas de usinas nos últimos anos, afetadas pelo endividamento e pelo preço pouco competitivo do combustível frente à gasolina, a ADM mantém uma planta industrial em Minas Gerais. Schaffer não fala em venda da unidade, apesar de no passado já terem circulado no mercado informações de que a corporação iria se desfazer da usina. "Nesse momento nós consideramos que a nossa participação nesse negócio está de bom tamanho", limita-se a dizer o executivo. No mundo, a ADM soma mais de 460 unidades voltadas para a compra de culturas agrícolas, além de 300 instalações de processamento e 40 centros de inovação. (Brasil Econômico 05/02/2015)

 

Exportação de açúcar em contêiner cai 11% em 2014

O Brasil exportou 2,05 milhões de toneladas de açúcar em contêiner no ano passado, 10,8% menos na comparação com as 2,30 milhões de toneladas de 2013, de acordo com a agência marítima Williams Brasil.

O maior volume foi escoado pelo Porto de Santos (SP), de onde saíram 1,81 milhão de toneladas, ou 88,3% do total. Logo em seguida vem o Porto de Paranaguá (PR), com 125,35 mil toneladas (6,1% do total).

No ano, o pico de exportações de açúcar em contêiner foi em agosto, com 297,39 mil toneladas. Já abril foi o mês em que esse tipo de embarque registrou o menor volume, com 107,18 mil toneladas.

De acordo com a Williams Brasil, o Sri Lanka foi o principal comprador, com 250 mil toneladas, ou 12,2% do total. Na sequência estão Estados Unidos e Angola, empatados com 240 mil toneladas (11,7%), seguidos pelo Iêmen, com 207 mil toneladas (10%). (Agência Estado 04/02/2015)

 

MPF denuncia usina sucroalcooleira Santa Rita por acidente ambiental

SÃO PAULO - O Ministério Público Federal em São Carlos (SP) denunciou a Usina Santa Rita Açúcar e Álcool pelo derramamento de resíduos industriais no leito do rio Mogi-Guaçu em outubro de 2013.

O acidente foi causado pelo rompimento da contenção de uma lagoa de decantação de resíduos industriais que pertencia à empresa, localizada no município de Santa Rita do Passa Quatro.

A poluição atingiu cerca de 110 quilômetros de extensão e provocou a morte de pelo menos 30 espécies de peixes. Conforme o MPF, também prejudicou comunidades ribeirinhas locais que vivem da pesca. Em nota, o MPF destacou que inspeção realizada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) identificou que a usina foi negligente, pois não realizou a manutenção periódica e a remoção de sedimentos dos tanques de armazenamento de resíduos, o que provocou a sobrecarga e o consequente rompimento da contenção.

Ainda conforme informações do MPF, os técnicos da Polícia Federal também indicaram que o acidente foi, na realidade, previsível, uma vez que ocorreu em época de chuvas intensas e numa região onde o solo tem menor capacidade de absorção da água devido ao plantio da cana-de-açúcar.

De acordo com o MPF, a Usina Santa Rita já é ré em uma outra ação civil pública movida pelo MPF para que a empresa seja obrigada a elaborar e executar projeto de recuperação ambiental da área degradada. (Valor Econômico 04/02/2015 às 19h: 25m)

 

China já dá mais subsídios agrícolas que EUA e Europa

Valor do apoio aos produtores equivale a US$ 15,3 bi por ano e supera os US$ 12,1 bi dos americanos e os US$ 12,6 bi dos europeus.

A China já dá mais subsídios para sua produção agrícola do que os Estados Unidos e a Europa, tradicionalmente os maiores fornecedores de recursos ao produtores e acusados por anos de distorcerem os mercados. Um documento confidencial obtido pelo 'Estado', datado de 28 de janeiro e enviado por um grupo de países à secretaria da Organização Mundial do Comércio (OMC), indica que Pequim distribuiu o equivalente a US$ 15,3 bilhões em apoio ao setor agrícola por ano.

O volume é superior aos US$ 12,1 bilhões dados pelos americanos a seus agricultores em subsídios domésticos e ultrapassa ainda o volume de US$ 12,6 bilhões dados pelos europeus por ano. Os dados reabriram o debate sobre o futuro da regulação dos subsídios agrícolas entre os governos, uma velha batalha do Brasil para garantir que possa exportar em condições de igualdade.

O levantamento foi produzido por um grupo liderado pelos governos da Austrália, Chile, Canadá, Paraguai e Uruguai, todos preocupados com o impacto dos subsídios pelo mundo, tanto no impacto sobre os preços das commodities como na competitividade de cada uma das produções.

No documento, o Brasil aparece como tendo dado cerca de US$ 3 bilhões ao setor agrícola em subsídios domésticos. Os dados, segundo a delegação americana, revelam que já não se pode apenas culpar EUA e Europa por distorções nos mercados das commodities, uma antiga briga dos governos emergentes. O dinheiro chinês vai principalmente para a produção de arroz, algodão, cereais e milho.

Se diversos governos admitem que a tendência na China pode ser preocupante em alguns anos, autoridades como a do Brasil afirmam em reuniões em Genebra que as distorções criadas pelos subsídios americanos e europeus continuam sendo superiores às dos chineses.

Além de contar com os subsídios às exportações, o dinheiro de Washington e Bruxelas iria para um grupo concentrado de empresas e produtores, afetando os preços. No caso chinês, Pequim alega que a meta é a evitar o êxodo rural. Em apenas dez anos, 200 milhões de chineses deixaram o campo em direção às cidades.

O governo aponta ainda que os subsídios representam apenas 3% da renda de um fazendeiro, enquanto nos EUA e Europa o dinheiro do Estado chega a cobrir 40% da renda dos produtores.

Em meados de 2014, a China chegou a indicar que iria aumentar ainda mais os subsídios. Uma das metas de Pequim é de evitar que a área cultivada do país seja inferior a 120 milhões de hectares. A meta é ainda a de garantir um aumento da produção de grãos em 50 milhões de toneladas. Hoje, essa colheita chega a 602 milhões de toneladas. (O Estado de São Paulo 04/02/2015)

 

Roberto Rodrigues cobra espaço para a agroenergia na matriz energética

O presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, afirmou nesta terça, dia 3, que o Estado de São Paulo "lidera o movimento na questão tributária para que o setor sucroenergético se reerga".

Rodrigues participou de uma audiência no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, na qual o governador Geraldo Alckmin (PSDB) assinou decretos deferindo o ICMS incidente sobre produtos utilizados na fabricação de etanol.

Rodrigues destacou também que as conversas com o governo federal têm avançado nos últimos meses. Como exemplo, ele citou as recentes medidas tomadas por Brasília: aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 25% a 27%, que deve ser oficializada hoje; e a reinstituição da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), em vigor desde o dia 1º de fevereiro.

Apesar do apoio em termos estadual e federal, Rodrigues cobrou uma definição do "espaço da agroenergia na matriz brasileira", em referência a políticas de longo prazo para o etanol.

São Paulo

Alckmin destacou nesta terça, que o Estado, desde a administração de Mário Covas (PSDB), "nunca aumentou imposto". "Sempre que pôde, reduziu", afirmou durante a audiência com lideranças da cadeia produtiva de açúcar e etanol.

O governador ressaltou, ainda, que o etanol comercializado em São Paulo tem o menor imposto do país, de 12% de ICMS.

-Estamos racionalizando a questão tributária no Estado - ressaltou, referindo-se aos dois decretos assinados nesta terça por ele.

Alckmin assinou dois decretos, sendo um voltado à questão tributária do setor sucroenergético e outro que prevê a redução de 18% para 7% no ICMS incidente na saída interna de amido de milho, glicose e outros açúcares e xaropes advindos do milho, que deve acarretar em renúncia de R$ 15 milhões por ano aos cofres do governo.

O tucano destacou ainda, sem dar mais detalhes, que pretende inserir a Cesp no segmento de cogeração de energia e ampliar financiamentos para equipamentos que recolham palha de cana, necessária à cogeração.

Leilões de bionergia

O secretário de Agricultura de São Paulo, Arnaldo Jardim, afirmou que os "leilões vocacionados" de energia que o Estado pretende realizar podem ser "colocados na rua" em dois meses.

- Primeiro, precisamos determinar qual é a demanda do Estado, qual a necessidade - destacou em entrevista a jornalistas após a audiência do governador Geraldo Alckmin (PSDB) com representantes da cadeia produtiva de açúcar e álcool.

Conforme Jardim, esses leilões de energia serão realizados pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e voltados à bioenergia, aquela produzida a partir de biomassa, como palha e bagaço de cana.

Indagado sobre o preço do megawatt comercializado nos leilões, o secretário apenas comentou que será semelhante àqueles oferecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo Jardim, as usinas estão em dificuldades, o que torna necessária a entrada da Cesp para arcar com os custos de cogeração.

-Essa medida recuperaria parte dos empregos perdidos pelo setor, mas para recuperar todos será necessário melhorar a competitividade do etanol - afirmou.

Outros Estados

Governadores dos seis principais Estados produtores de etanol se reunirão nesta quarta, dia 4, em Goiânia (GO), para discutir a criação da Frente dos Governadores dos Estados Produtores de Cana-de-Açúcar. O encontro, liderado pelo governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), deve contar também com os representantes de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Alagoas e Paraná.

A iniciativa faz parte de um projeto mais amplo, denominado Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética, que envolve as principais entidades representativas do segmento.

O objetivo das lideranças do setor é chamar a atenção das autoridades estaduais e do governo federal para as dificuldades enfrentadas pela cadeia produtiva de açúcar eálcool. Desde 2008, 83 usinas fecharam no país. (Agência Estado 04/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Incerteza com Brasil: Após passar incólume pela euforia especulativa de terça-feira, os contratos do café arábica subiram ontem na bolsa de Nova York, refletindo as incertezas com a oferta do produto brasileiro. Os papéis com vencimento em maio fecharam com elevação de 410 pontos, a US$ 1,67 7 a libra-peso. Segundo Marcus Magalhães, da Maros Corretora, os produtores têm se negado a fechar negócio diante dos atuais patamares de preço, considerados por eles ainda muito baixos, o que forçou uma correção para cima nas cotações. Ainda há receios com os efeitos do baixo nível de chuvas nos cafezais, mas os institutos de meteorologia preveem mais precipitações nesta semana em Minas Gerais. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 5,95% ontem, para R$ 469,05 a saca.

Cacau: Fôlego renovado: As cotações do cacau subiram pelo segundo dia seguido ontem na bolsa de Nova York, em mais um dia de compras especulativas dos fundos. Os contratos para maio subiram US$ 25, a US$ 2.7 30 a tonelada. Ao longo do dia, as compras dos fundos levaram os papéis da commodity a romper vários patamares técnicos de resistência. Porém, algumas liquidações foram feitas para embolsar os ganhos recentes, o que reduziu o ímpeto do mercado no fim da sessão. Alguns traders tentam dar argumentos de fundamento para a alta observada e citam o retorno dos ventos Harmattan, do deserto do Saara, que podem prejudicar a safra do oeste da África. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus e Itabuna subiu para R$ 101 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Queda em Chicago: Os futuros do milho cederam ontem na bolsa de Chicago com a forte liquidação de posições dos fundos de investimento para embolsar os lucros do dia anterior. Dados do setor de etanol nos EUA também pressionaram. Os papéis para maio recuaram 2,25 centavos, para US$ 3,915 o bushel. A agência americana de informações energéticas informou ontem que a produção de etanol nos EUA (que no país é feito a partir do milho) caiu 3%, para 948 mil barris por dia, enquanto os estoques subiram 2%, maior patamar desde junho de 2012. Os dados indicam que os produtores dos EUA estão pisando no freio diante do baixo consumo local de etanol, reduzindo sua demanda pelo cereal. No mercado doméstico, o indicador Esalq/ BM&FBovespa subiu 0,7 1%, para R$ 27 ,13 a saca.

Trigo: Vendas de fundos: Os preços futuros do trigo fecharam no campo negativo nas bolsa americanas ontem com o movimento dos fundos para embolsar os lucros de terça-feira. Em Chicago, os lotes para maio caíram 3,7 5 centavos, a US$ 5,14 o bushel. Em Kansas, onde o trigo de melhor qualidade é negociado, os papéis com igual prazo de entrega cederam 5,5 centavos, a US$ 5,56 o bushel. Ao longo do dia, o mercado buscou novas altas com os conflitos entre forças ucranianas e rebeldes pró-Rússia. Os dois países já adotaram restrições à exportação de trigo, mas a oferta global segue alta e as medidas não sustentaram os preços do cereal. Os fundos de investimento aproveitaram para liquidar posições no fim da sessão. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,19%, a R$ 566,51 a tonelada. (Valor Econômico 05/02/2015)