Setor sucroenergético

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Pedro Mizutani: Mesmo com investimentos, canaviais estão mais velhos

Apesar do esforço do segmento sucroalcooleiro para investir na área agrícola nos últimos anos, na média da região Centro-Sul, os canaviais estão mais "velhos"; na avaliação do vice-presidente da Raízen Energia, Pedro Mizutani.

Por isso, diz ele, as chuvas abaixo da média na região, tendem a afetar mais a planta neste ano, uma vez que canaviais mais novos resistem mais a intempéries.

"A idade média ideal é de 3,2 anos. A cada 0,1 ponto de aumento da 'idade' do canavial, a perda de produtividade é de 1 tonelada por hectare", afirma o executivo da Raízen, controlada pela Cosan e pela Shell.

No último triênio, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o percentual da área de cana renovado no Centro-Sul ficou abaixo de 15%, quando o recomendado é 18% para a que a idade média da plantação se estabilize em 3,2 anos.

De acordo com o diretor-técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, o plantio em 2015 ainda está "devagar".

"Não estamos observando uma renovação maior do que nos anos anteriores", afirma Rodrigues.

Além de dificuldades financeiras, os baixos índices de renovação têm relação com condições climáticas desfavoráveis ao plantio, além de falta de mudas no mercado, segundo ele.

Para a safra 2015/16, o vice-presidente da Raízen Energia projeta para o Centro-Sul uma moagem de entre 580 milhões e 585 milhões de toneladas, um incremento de apenas 2,5% em relação às 57 1 milhões da atual temporada - fortemente castigada pela seca.

Mizutani não faz projeções para a safra 2015/16 da Raízen, cuja controlada Cosan está em período de silêncio.

Maior companhia sucroalcooleira do Brasil, a Raízen processou em 2014/15 perto de 58 milhões de toneladas da matéria-prima.

Apesar de o cenário deste ciclo 2015/16 indicar uma maior tendência de as usinas destinarem mais cana para fabricar etanol, na visão de Mizutani, ainda é cedo para avaliar.

"O aumento da tributação na gasolina vai beneficiar o etanol, mas pode também trazer efeito positivo para o açúcar, e mudar o mix ao longo da safra", avalia Mizutani. (Valor Econômico 06/02/2015)

 

Produtividade da cana-de-açúcar cai em todo o Estado de São Paulo

Ao todo, foram 401,2 milhões de toneladas produzidas.

A cana-de-açúcar perdeu produtividade na última safra em todo o Estado de São Paulo, segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Segundo o levantamento final da safra 2013/2014, houve diminuição na área plantada (de 1,5%), sendo que a maior parcela é referente à área nova (12,8%).

O volume produzido foi de 401,2 milhões de toneladas, redução de 9,7% no comparativo com a safra anterior, já a queda da produtividade que foi de 9,6%.

“Este quadro é decorrente de dois fatores: o primeiro refere-se à política econômica de administração dos preços da gasolina, que inviabilizou a competitividade do etanol, causando desestímulo e, por conseguinte, a crise do setor; o segundo é devido aos baixos índices pluviométricos registrados durante a safra, afetando a produtividade”, informou o instituto.

Em apenas duas regiões, das 38 do estado, houve aumento na produtividade. A região de Ribeirão foi classificada no grupo com queda de até 5%, considerada pouco expressiva.

Região está entre as cinco que menos perderam

Os Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDR) de Ribeirão Preto, Franca, Orlândia, Bauru, Avaré e Guaratinguetá foram os que registraram a menor queda na produtividade da cana na safra passada, entre 5% e 0,1%, segundo o IEA.

Já as regiões de Presidente Prudente e Jaú foram as únicas que tiveram alta. “Resultado que pode ser justificado pelo rendimento da safra 2012/13 que foi abaixo da média, 62,8 t/ha. Já para a safra que se encerra, foi registrada 78,2 t/ha, mais próximo à realidade”, explicou o instituto. (A Cidade 05/02/2015)

 

Desembolsos do BNDES a usinas deverão diminuir

Após dois anos oferecendo crédito a taxas de juros subsidiadas; por meio do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e outras linhas voltadas a estimular a inovação, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ainda quer entender melhor como as usinas sucroalcooleiras vão se comportar diante de suas novas diretrizes de concessão de crédito, mais restritivas diante do aperto fiscal em vigor no país.

A percepção é que em 2016 as usinas deverão apresentar melhores resultados, efeito de uma rentabilidade maior para o etanol em 2015/16, safra que começa em abril.

Mas o apetite ainda contido das usinas para investimentos - inclusive em renovação de canaviais (ver abaixo) - tende a gerar uma redução de empréstimos ao segmento em 2015. Nas contas de Carlos Eduardo Cavalcanti, chefe do departamento de biocombustíveis do BNDES, os desembolsos em 2015 poderão recuar a níveis próximos de R$ 5 bilhões, o que representaria uma queda de 17 % frente a 2014.

Em um cenário mais otimista, são projetados R$ 6 bilhões, praticamente o mesmo montante do ano passado.

No que tange aos fundamentos, as razões do desaquecimento esperado para 2015 não são novas. Mesmo com a volta da Cide na gasolina - que ampliou a margem de ganho das usinas com o etanol -, as empresas do segmento ainda padecem de cotações deprimidas do açúcar (parcialmente compensadas pelo dólar valorizado) e com uma elevada alavancagem.

Conforme especialistas nesse mercado, há ainda o "estoque"de perdas com etanol decorrentes dos mais de cinco anos de controle dos preços da gasolina no país. Pesam, ainda, as mudanças nas regras operacionais do BNDES para 2015, já à luz do duro ajuste fiscal promovido pelo governo. "Ainda estamos observando a reação das empresas em relação a isso", afirma.

Esses novos parâmetros, já em vigor, tratam como "prioritários"projetos de infraestrutura, transporte coletivo, saneamento básico, inovação e gestão pública. Aos excluídos desse grupo, o financiamento do banco terá alcance menor, podendo chegar a apenas 30% do valor do projeto.

Nesses casos, o custo final do crédito também terá embutida uma taxa de remuneração bancária mais elevada.

No caso dos programas específicos ao segmento sucroalcooleiro, ainda não há uma definição sobre as condições para suas renovações. Entre eles está o Prorenova, lançado em 2012 para financiar a renovação de áreas de cana. Em 2013, o custo total do recurso desse programa foi de 5,5% ao ano e a demanda foi elevada.

Em 2014, o custo subiu a 7 ,7 %, e não há uma posição sobre quais serão as taxas de juros e condições para 2015. "Estamos também aguardando a renovação do programa de estocagem de etanol", explica Cavalcanti.

Em 2014, do total de R$ 6,04 bilhões desembolsado pelo BNDES ao setor, R$ 4,24 bilhões foram de investimentos denominados "industriais". Nessa categoria estão os aportes para estocagem do biocombustível, que alcançaram R$ 1,6 bilhão, o dobro do realizado em 2013 (R$ 800 milhões), segundo o executivo.

A grande demanda, afirma Cavalcanti, se explica pelo volume robusto de etanol produzido no ciclo 2014/15, cuja entressafra começou em dezembro do ano passado e seguirá até o fim de março - a condição aumentou a necessidade dos grupos de levantar mais capital de giro para carregar estoques.

Na área agrícola, na qual se inclui o Prorenova, os desembolsos do banco de fomento em 2014 atingiram R$ 1,69 bilhão, ante os R$ 2,05 bilhões de 2013.

"Já esperávamos esse desaquecimento, pois o ápice da renovação de canaviais foi em 2013", observa o executivo do BNDES. Os investimentos em cogeração de energia recuaram a R$ 110 milhões no ano passado, ante os R$ 200 milhões de 2013.

"Mas acreditamos que em 2015 haverá algum aquecimento na demanda por esse tipo de projeto. Já aprovamos dois neste ano. O cenário para bioeletricidade está se mantendo positivo", avaliou o executivo.

De qualquer forma, a visão é de que o cenário para as companhias sucroalcooleiras será melhor este ano.

"Se o clima for bom, as usinas vão ter em 2015 um dos melhores anos em muitos anos", avalia o gerente setorial do departamento de biocombustíveis, Artur Milanez.

Há alguns anos, lembram os executivos do banco, o BNDES não recebe novas demandas para expansão da capacidade instalada no país. Cavalcanti, no entanto, acredita que esse cenário vai começar a mudar em 2016, quando os balanços das empresas vão passar a refletir o melhor momento do etanol e o início do ciclo de déficit global no mercado de açúcar.

"Nesses últimos anos de crise no setor, procuramos lançar crédito para busca de eficiência e inovação industrial e agrícola [PAISS]. Esses programas devem dar impulso ao ganho de eficiência, podendo desencadear uma retomada de investimentos", espera Cavalcanti. (Valor Econômico 06/02/2015)

 

MS: Usina do grupo Odebrecht é investigada pelo MPE por danos ambientais

O MPE (Ministério Público Estadual) instaurou hoje inquérito para investigar possíveis danos ambientais causados pela Usina Santa Luzia em Nova Alvorada do Sul.

A usina pertence ao grupo Odebrecht Agroindustrial e faz parte de uma rede de unidades de geração de energia da empresa, que também atua no setor da construção civil em diversos estados do Brasil e foi apontada como uma das empresas que pagaram propina a funcionários da Petrobras descobertos pela Operação Lava Jato.

Segundo inquérito 007/2015, a Promotoria de Justiça de Nova Alvorada irá apurar danos ambientais ao ecossistema do município por conta da atividade da usina de geração de energia a partir do bagaço da cana.

O inquérito será conduzido pelo promotor de justiça Maurício Mecelis Cabral e tem prazo de 180 dias para ser concluído. (MS Notícias 05/02/2015)

 

São muitos e enormes os desafios da cadeia produtiva sucroenergética

Quem pensava que a inação do governo Dilma Rousseff , mais a falta de competência política dos produtores em estabelecer um canal de comunicação com as várias esferas do governo federal fossem as razões pelo colapso da cadeia produtiva sucroenergética a partir de 2007, o novo choque do petróleo, com os preços abaixo de US$ 50 o barril mudam completamente o cenário e o horizonte do setor canavieiro e das nossas vidas.

Esta também passou a ser uma das grandes preocupações e foco do projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética”, que conta com o apoio dos elos do setor (trabalhadores, fornecedores de cana, indústria de base, usineiros e as cooperativas Coplacana, Copercana e Coopercitrus). Todos os analistas nacionais e internacionais são unanimes em reconhecer que o preço do barril superior a US$ 50 é coisa do passado.

A tecnologia para a exploração do petróleo a partir do xisto, já largamente usada nos EUA e no Canadá, quebrou o arco imposto pelos produtores tradicionais do Oriente Médio e já deixa um rastro de prejuízos (Vide Venezuela, a beira do colapso total e a Rússia, mergulhada numa das piores crises da sua história).

Neste momento, a melhor alternativa de negócios para as usinas sucroenergéticas, é a produção de bioeletricidade. Não que “Madame Dilma” tenha em seu receituário a solução para a crise do setor sucroenergético.

Certamente ela terá que se apressar em buscá-lo a partir da “Marcha à Brasília”; que deve ser promovida no começo do próximo mês de março e que tem tudo para se transformar na “Invasão de Brasília”, tamanho é a indignação não apenas dos produtores e trabalhadores, mas de toda a sociedade civil com as denúncias de corrupção, incompetência e omissão dos gestores do nosso Brasil varonil.

As empresas do setor canavieiro passam a olhar, agora mais do que nunca e velozmente, em alternativas de redução brutal em seus custos e em novas tecnologias. Só vai sobreviver quem, de fato, se empenhar em novas estratégias de produção e, principalmente, de gestão em seus negócios.

Vale lembrar que a palavra ‘crise’, representa um ideograma chinês que une risco e oportunidade. E que fênix é um pássaro da mitologia grega que, quando morria, entrava em auto-combustão e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas.

O Proálcool, surgiu na década de 70, como solução para a crise provocada pelo primeiro choque de petróleo. A alavancagem da bioeletricidade (cogeração a partir da queima do bagaço de cana), no final do segundo mandato FHC, se efetivou em razão da crise provocada pelo ‘apagão’, o mesmo tão citado pelos petistas e que ronda nossas casas e nossos empregos.

Portanto, tudo aquilo que tem sido dito nos últimos anos em direção de novas tecnologias e novos processos de gestão, precisa ser discutido e incorporado rapidamente. Sem esta estratégia; o já combalido setor sucroenergético e todo o agronegócio não sobreviverá.

O raciocínio remete a tecnologias como o telex e o fax que revolucionaram as comunicações nas últimas décadas mas que simplesmente foram varridos do nosso dia-a-dia com o advento da internet e agora da comunicação móvel.

Com efeito, recente pesquisa BrasilAgro – SucroTrends apontou que 67% dos empresários do setor canavieiro não farão investimentos neste ano enquanto 100% não acreditam em qualquer solução da crise via as “Frentes Parlamentares” criadas no ano passado. Ao mesmo tempo, 73% apostam em movimentos como o do último dia 27 de janeiro em Sertãozinho.

A informação que chega aos nossos executivos é a prova mais contundente das mudanças que aí estão: 67% usam a internet como principal fonte de informação, 23% os jornais, 7% as revistas e 3% a televisão. É preciso dizer algo mais?

Talvez sim, sugerir que o amigo leitor deixe de lado o uso exagerado do retrovisor e olhe à frente, que é onde ocorrem as mudanças que nos manterá vivos ou mortos (Ronaldo Knack é Jornalista e graduado em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Unida pede apoio a ministro sobre o decreto da subvenção da cana

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto decidiu que, amanhã, falará com o ministro da Fazenda, Joaquim Levi, em favor da subvenção econômica para 30 mil produtores de cana do Nordeste e do Rio de Janeiro. Apesar do benefício ter sido publicado em lei no ano passado, anterior a chegada dos novos ministros, o atual chefe da Fazenda ainda não aprovou o decreto que regulamenta a lei. Com isso, os agricultores não podem receber os R$ 12 por tonelada decana fornecida na safra 2012/13, e continuam penando os efeitos da última seca. O ministro Armando, que é um profundo conhecedor do setor sucroenergético, decidiu fazer a solicitação a Levi, depois que dirigentes da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) o procuram ontem.

O encontro entre os dirigentes da Unida com o ministro foi realizado nesta quarta-feira (4) no gabinete de Armando em Brasília. O setor o atualizou sobre os trâmites pendentes para a assinatura do decreto da subvenção, regulamentando a lei 12.999, que foi publicada em julho de 2014. "Kátia Abreu, ministra da Agricultura, já chancelou o decreto e encaminhou para a análise da Fazenda há duas semanas, mas o ministro Levi não avaliou o documento ainda", falou Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida. O dirigente contou ainda que se antecipou e se reuniu ontem mesmo com o secretário adjunto de Política Agrícola da Fazenda, João Rabelo. O gestor público repassou que o decreto já passou positivamente pelo setor jurídico e, até sexta-feira (6), estará na mesa do ministro. Porém, Rabelo disse, que, mesmo assim, não a prazo fechado para Levi avalia-lo. Eis o motivo da solicitação de apoio da Unida ao ministro Armando Monteiro.

Nesta quinta-feira (5), a Unida ampliará a busca de apoio político para agilizar a assinatura do decreto, que, depois do aval do ministro Joaquim Levi, precisa da chancela final da presidente Dilma Rousseff. A entidade se reúne hoje com o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL). O encontro será com o presidente da Unida e seus diretores Fabiano França, da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas; Frederico Pessoa de Queiroz, vice-presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco; e o diretor do Sindicato dos Cultivadores de Cana de PE, Flávio Romero.

Motor Flex

Além da subvenção para os produtores de cana nordestinos e cariocas, a reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior levantou outra pauta: o incentivo para as montadoras de veículos evoluir a tecnologia de motores flex, com o objetivo de melhorar a eficiência do consumo do etanol, que atualmente corresponde a 70% da gasolina. O pleito foi feito pelo presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Paulo Leal, que também participou do encontro ontem. Ao qualificar a eficiência do motor a álcool, eleva-se a concorrência com a gasolina, e, consequentemente, aumenta o consumo do combustível à base de cana-de-açúcar - matéria-prima produzida pelos agricultores. O ministro Armando se mostrou conhecedor da pauta e adiantou que está para publicar um decreto atendendo a demanda do setor canavieiro. (Brasil Agro 05/02/2015)

 

Cade marca data para julgar fusão entre ALL e Rumo e ações disparam

Mais de seis meses após ser protocolada no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a proposta de fusão entre a companhia de ferrovias América Latina Logística (ALL) e a Rumo (empresa de logística controlada pela Cosan) finalmente tem uma data para ser julgada pelo órgão antitruste.

O ato de concentração entrou na pauta do dia 11 de fevereiro (próxima quarta-feira) e o fato despertou euforia entre os investidores.

Um acordo está sendo negociado entre Cade e representantes da Rumo, mas o desfecho ainda é dúvida para o mercado e para as mais de 16 empresas e entidades que temem a operação.

O Valor apurou que a tendência do Tribunal do Cade é a de analisar um acordo pelo qual a Rumo e a ALL se comprometam a não discriminar o acesso à ferrovia por outras empresas.

Os detalhes do termo a ser assinado pelas empresas e pelo órgão antitruste ainda estão em discussão. "Nós trabalhamos muito desde o parecer no sentido de atender as preocupações da Superintendência-Geral do Cade e de dar tranquilidade ao mercado no sentido de que não haverá discriminação", afirmou Juliano Maranhão, advogado da Cosan. Segundo ele, o objetivo da operação é aumentar a capacidade da ferrovia para atender mais empresas em diversos mercados.

No mercado, a reação dos investidores foi positiva. As ações da ALL, que vinham registrando cotações historicamente baixas, registraram ontem a maior alta em mais de seis anos. Subiram 23,6%, para R$ 4,50 e figuraram como a maior alta do Ibovespa.

Já as da Cosan Logística (fora do índice) subiram 28,9%, a R$ 2,7 2. O principal índice da bolsa fechou em queda de 0,14%, para 49.234 pontos. Mas o acordo é visto com ceticismo por impugnantes que estão pedindo medidas mais duras ao Cade. Segundo eles, o órgão está focando a sua decisão na imposição de medidas comportamentais sobre a ALL e a Rumo - mas o necessário seriam medidas estruturais, como a venda de ativos.

Várias empresas e entidades já manifestaram ao Cade preocupações sobre a fusão. Entre as companhias, estão Agrovia, Ipiranga, Fibria, Eldorado, Petrobras Distribuidora, VLI e Copersucar. A VLI, por exemplo, teme que a operação "gere incentivos para a discriminação de empresas no acesso competitivo às infraestruturas essenciais do Complexo Portuário de Santos".

Já a Copersucar manifestou preocupação "em relação à garantia de condições isonômicas de competição para o acesso de terceiros à malha ferroviária e aos terminais portuários de Santos". Foram sugeridos ao Cade como "remédios"desde a venda de ativos até o impedimento da fusão.Responsável por um sexto das exportações brasileiras de soja e milho, o que significa US$ 35,5 bilhões anuais, as associadas da Abiove defendem que o Cade determine a venda de ativos da Rumo no porto de Santos.

"Esse processo de fusão vai fazer com que a rumo detenha 100% da ferrovia e o interesse econômico sobre 45% da capacidade de embarque de granéis vegetais em Santos, que é o principal porto da América Latina", afirmou o presidente da Associação, Carlo Lovatelli.

"Nós reputamos como imprescindível a venda de terminais portuários do grupo Cosan para terceiros", completou. Em dezembro, a Superintendência-Geral do Cade já havia impugnado (se oposto) à operação, alegando que seria necessária a imposição de condições para garantir que concorrentes da Rumo no setor sucroalcooleiro e empresas de outros segmentos da economia, como produtores de soja, milho e farelo, tivessem acesso ao sistema de escoamento de mercadorias da ALL.

A Rumo é do grupo Cosan, um dos líderes na produção do setor sucroalcooleiro do país. Pela operação proposta, as ações da ALL serão incorporadas pela Rumo.

Os atuais acionistas da ALL terão 63,5% do capital da nova companhia. Os da Rumo (Cosan, TPG e Gávea) terão os 36,5% restantes. Com isso, a Cosan passará a indicar a maioria dos membros do Conselho de Administração da nova companhia.

Os atuais acionistas da Rumo e os integrantes do atual acordo de acionistas da ALL (BNDESPar, BRZ, Previ, Funcef, Riccardo Arduini, Júlia Dória Antônia Koranyi Arduini e GMI) comprometeram-se a eleger os membros da nova companhia, com até 17 membros, na primeira eleição após a incorporação.

Um membro será necessariamente indicado pelo BNDESPar. Um pode ser indicado pela TPG; um pela Gávea; nove pela Cosan; e seis pelos demais signatários do acordo de acionistas da ALL. A Cosan, portanto, será a maior acionista indireta da ALL. (Valor Econômico 06/02/2015)

 

Venda de máquinas agrícolas cai 21,6% em janeiro, diz Anfavea

As vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias no atacado atingiram 3.245 unidades em janeiro, queda de 21,6% na comparação com dezembro e recuo de 13,9% ante janeiro de 2014, divulgou nesta quinta-feira (5/2), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Já a produção de máquinas agrícolas e rodoviárias chegou a 4.608 unidades em janeiro, alta de 22,9% na comparação com dezembro, mas recuo de 11,3% ante mesmo mês do ano passado. (Reuters 05/02/2015 às 14h: 32m)

 

Copersucar: Alternativa é investir em sistema de reúso

A Copersucar vem reduzindo o consumo de água no terminal açucareiro no porto de Santos (TAC) nos últimos anos. Apostando em melhorias de processos, racionalização do uso e conscientização dos empregados, a empresa diminuiu em 25,6% o consumo de água por tonelada nos oito primeiros meses da safra 2014/15 (de abril a novembro de 2014) sobre a safra 2013/2014.

A média atual está em 4,15 litros/tonelada embarcada. Devido ao incêndio em outubro de 2013, que destruiu o TAC, houve um acréscimo de 7 % na média da safra 2013/14 em relação à safra 2012/13. Contudo, o consumo foi 12,6% menor que em 2011/12.

A Brasil Terminal Portuário tem um sistema de utilização da água da chuva e reúso da água dos chuveiros e lavatórios, que abastece diariamente as descargas das bacias sanitárias dos banheiros.

"Além do sistema de reúso, foram instaladas caixas acopladas nas bacias sanitárias e torneiras com temporizadores e arejadores, de modo a otimizar o recurso e diminuir os desperdícios", diz Cristhiane Vojevodovas, gerente de infraestrutura. Isso reduziu o consumo em 10%. O terminal, inaugurado em 2013, estuda a ampliação do sistema de reúso de água da chuva com a coleta nas coberturas da oficina e do armazém.

A ideia do terminal é usar a água na limpeza dos equipamentos. O Ecoporto Santos já utiliza água de recirculação para esse fim. Com a crise hídrica, intensificou as ações para eliminar desperdícios.

"Substituímos válvulas, corrigimos eventuais vazamentos e trocamos todas as torneiras por torneiras temporizadas", afirma Renato Ferreira, gerente de sustentabilidade. A queda no consumo foi de 8%. Em Cubatão, a Anglo American diminuiu em 16,7 3% a captação de água dos rios entre 2010 e 2014, para 2.464.000 m3 , praticamente atendendo a meta de redução de 17 ,6% definida pela multinacional para 2020.

A fábrica de fertilizantes fosfatados tem uma estação para o tratamento de efluentes líquidos, o que permite a reutilização da água. Hoje, a recirculação na Anglo American supera 60% da demanda de água da planta.

Grande dependente de água no processo produtivo, a Usiminas utiliza, em média, 15% de água doce em sua unidade. Do montante, reaproveita 97 %, via estações de recirculação. (Valor Econômico 06/02/2015)

 

Bolsa fecha com leve baixa com investidor a espera de mudança na Petrobras

O Ibovespa caiu 0,14%, a 49.233 pontos. O volume financeiro da sessão somou R$ 7,1 bilhões.

Nos ajustes finais do pregão, a Bovespa virou para o território negativo, encerrando a sequência de alta da semana, com investidores na expectativa sobre quem comandará a Petrobras após a renúncia na véspera de praticamente toda a diretoria da estatal, incluindo a presidente-executiva. O Ibovespa caiu 0,14%, a 49.233 pontos. Na máxima, chegou a 49.816 pontos, em alta de 1% e, no pior momento do dia, caiu 0,57%, a 49.019 pontos. O volume financeiro da sessão somou R$ 7,1 bilhões. As preferenciais da Petrobras caíram mais de 3% nos primeiros negócios, recuperaram o fôlego ao longo do pregão, chegando a subir 2,69% na máxima, mas terminaram o dia em queda de 2,2%, a R$ 9,80. As ações ordinárias fecharam em baixa de 2,42 %.

Após alta significativa na véspera, os bancos Itaú Unibanco e Bradesco também pressionaram negativamente em razão da forte participação na composição do índice. Banco do Brasil, por sua vez, deu continuidade aos ganhos e subiu 2,2%, chegando a limitar em parte do dia o efeito nocivo de seus pares privados. A administradora de planos de saúde Qualicorp chegou a cair 10,71%. O papel, contudo, reduziu a queda ao fim do pregão, para 4,73%, em meio a esclarecimentos do Ministério da Saúde sobre o Ministério da Saúde o pacote de medidas para mudar o modelo de atendimento do setor de planos de saúde. A fabricante de bebidas Ambev, que também tem peso importante no índice, subiu 1,56% e ajudou manter o Ibovespa próximo da estabilidade.

Quem chamou a atenção na ponta positiva foi a transportadora ferroviária América Latina Logística (ALL), que disparou 21,43% em meio a expectativas sobre o julgamento da fusão coma Rumo Logística, do grupo Cosan, que entrou na pauta do tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Cosan Log, que não faz parte do Ibovespa, saltou 27,96%. A empresa de insumos para a construção civil e marcenaria Duratex subiu 1,29%, após divulgação de resultado trimestral e programa de recompra de ações. A corretora Brasil Plural destacou que a geração de caixa medida pelo Ebitda ficou acima das suas expectativas. A Gol caiu 1,34%. A companhia aérea divulgou receita por passageiro menor no quarto trimestre de 2014, com a redução do indicador que mede os preços de passagens aéreas. (Brasil Econômico 06/02/2015)

 

Por que Dilma demorou a demitir Graça Foster?

A presidente Dilma Rousseff resistiu o quanto pôde às pressões para aceitar a demissão de sua indicada pessoal ao comando da Petrobras, Graça Foster. A própria chegou a colocar seu cargo à disposição duas vezes ao longo da crise, mas a presidente preferiu mantê-la até esta semana.

Políticos e analistas divergem sobre os motivos da demora. Alguns entendem que Foster foi mantida o máximo possível à frente da estatal simplesmente porque não há indícios de que ela tenha participado dos desvios na empresa.

Mas na versão da oposição, a saída de Foster foi evitada ao máximo porque significaria uma derrota da própria Dilma, já que a executiva foi uma indicação pessoal da presidente e tem estilo parecido ao seu - é descrita como técnica, centralizadora e durona.

"Foi um ato de irresponsabilidade por apego a uma relação pessoal", criticou o deputado federal Bruno Araújo (PSDB-PE), líder da minoria na Câmara. "Fica claro que esse estilo de comando (das duas) não funciona", acrescentou.

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) considera que a lentidão na decisão de mudar o comando da estatal é reflexo de um governo "confuso e inseguro".

Porém, na sua avaliação, não foi apenas a amizade com a presidente que deu sobrevida à Foster, mas também a longa trajetória da executiva na empresa. Foster entrou como estagiária na Petrobras em 1978.

"A Foster era uma funcionária de carreira da Petrobras, muito empenhada e sem indícios de que tenha cometido qualquer desvio. Acho que tudo isso contou. E tem também o estilo da presidente, de não querer dar o braço a torcer, o que levou a situação até o limite."

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) rebateu as acusações de que Dilma demorou demais para tomar uma decisão sobre a diretoria da estatal. Segundo ele, o cronograma da empresa previa a mudança do conselho até março e o governo aguardava isso para definir os novos diretores.
A previsão é de que a nova diretoria seja anunciada sexta-feira pelo conselho da Petrobras.

Gota d'água

Em meio a tantas pressões pela saída de Foster, o que teria sido a gota final para tornar insustentável a situação de ex-presidente à frente da empresa foi a divulgação do último balanço da Petrobras com dois meses de atraso, autorizada por ela no meio da madrugada na semana passada – seguido do maior tombo das ações da Petrobras nos últimos 12 anos.

O balanço não auditado informou que a estatal teria o equivalente a R$ 88 bilhões em ativos "superavaliados", ou seja, registrados na contabilidade da empresa com valores mais altos que os reais. O número teria irritado Dilma.

A primeira aproximação entre as duas ocorreu no início dos anos 2000, quando Foster era gerente da Gasbol (Transportadora Brasileira Gasoduto Bolíva-Brasil) e Dilma era secretária de Energia do Rio Grande do Sul. Na ocasião, Foster recusou a demanda gaúcha por uma ramal do gasoduto no Estado.

As duas se tornaram realmente próximas quando Dilma a convidou, em 2003, para ser secretária de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, cargo no qual ela permaneceu até 2005. No ano seguinte, Foster voltou à estatal para assumir a presidência da BR Distribuidora e, em 2007, a diretoria de Gás e Energia. Foi escolhida por Dilma para ser a primeira mulher presidente da companhia em 2012.

"Se houve um cargo com indicação pessoal de Dilma, foi este. Ela fez uma escolha muito no estilo (de comando) dela. É quase uma derrota (pessoal) nesse sentido", afirma o analista político Francisco Carlos Teixeira, professor de História Contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Teixeira avalia que a mudança da diretoria tende a ser positiva politicamente. "Desmonta a oposição", acredita o cientista político, na medida em que abre espaço para uma nova direção menos sujeita à ataques.

Oportunidade

Para o cientista político da FGV, Fernando Abrucio, apesar de ter sofrido um revés, o governo pode transformar o momento difícil de troca do comando da estatal em "oportunidade". Ele nota que a diretoria da Petrobras recebe indicações políticas desde antes do PT.

"No governo FHC também era assim, no governo Collor. A presidente poderia nomear pela primeira vez uma direção sem indicações políticas", disse.

Abrucio considera que a resistência de Dilma em dispensar sua indicada foi uma estratégia de "garantir um atestado de idoneidade a Foster e dar credibilidade ao governo".

O acadêmico nota que a presidente aguardava a apresentação da denúncia do Ministério Público Federal contra políticos e executivos investigados na Lava Jato, prevista para este mês, para então mudar o comando da empresa.

"Mas essa estratégia acabou dando errado. A saída da Foster não tem a ver com corrupção, mas com a derrocada da empresa" (BBC Brasil 05/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Incerteza climática: O café arábica até tentou acompanhar a euforia do dia nos principais mercados financeiros, mas seus investidores ficaram decepcionados com as notícias sobre o clima no Brasil. Choveu nas principais áreas produtoras do país e a previsão é que as precipitações continuem até o início da semana que vem. Embora isso não evite totalmente a quebra da safra (estimada por alguns players do mercado em 10%), recompõe boa parte do estresse do solo e reduz as chances de que os grãos fiquem chochos, dizem os analistas. Assim, os futuros do grão que oscilaram bastante em Nova York, terminaram a sessão de ontem a US$ 1,67 55 por libra-peso no vencimento maio, queda mínima de 15 pontos ante o dia anterior. No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 1,29%, para R$ 47 5,12 a saca.

Cacau: Temores com o vento: Pelo terceiro pregão consecutivo, os contratos de cacau fecharam em alta em Nova York, reflexo da preocupação dos investidores com o clima em Gana. O país africano, segundo maior produtor mundial da amêndoa, está recebendo o Harmattan, vento quente e seco proveniente do Saara e que rouba a umidade das árvores, reduzindo os frutos produzidos. Entretanto, os futuros de cacau não conseguiram uma alta mais expressiva porque a oferta mundial permanece grande e a demanda segue enfraquecida. Os lotes com vencimento em maio terminaram o dia a US$ 2.7 55 por tonelada, US$ 25 mais que no fechamento anterior. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus e Itabuna ficou em R$ 101 a arroba, de acordo com a Central Nacional dos Produtores de Cacau.

Soja: Influência externa: Os contratos de soja reverteram o quadro de quarta-feira e fecharam em alta de 9 centavos na bolsa de Chicago ontem. O movimento foi causado principalmente por um impulso técnico, mas também pelo cenário macroeconômico, com o enfraquecimento do dólar e a elevação do preço do petróleo. Os papéis para maio ficaram cotados a US$ 9,87 7 5 por bushel. O ambiente positivo nos mercados financeiros foi tão grande que os investidores preferiram ignorar os dados de exportação americana. De acordo com o Departamento de Agricultura do país (USDA), as vendas da oleaginosa caíram 35% de uma semana para outra e somaram 489,7 mil toneladas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq, em Paranaguá, ficou estável em R$ 61,98 a saca.

Trigo: Impulso do dólar: Os futuros de trigo tiveram a maior alta da bolsa de Chicago ontem entre as commodities agrícolas, influenciados pelo enfraquecimento do dólar ante as principais moedas. A queda da divisa americana torna o cereal dos Estados Unidos mais competitivo e desestimula a demanda pelo produto do Leste Europeu. Além disso, há rumores de que os EUA devam criar uma linha de crédito específica para o Egito, maior importador mundial do cereal. Os contratos com vencimento em maio fecharam em US$ 5,27 25 por bushel, com alta de 13,25 centavos. Em Kansas, onde o trigo de maior qualidade é negociado, os papéis subiram 10,25 centavos, para US$ 5,6625 o bushel. No Brasil, o preço médio do trigo no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,69%, a R$ 57 0,44 a tonelada. (Valor Econômico 06/02/2015).