Setor sucroenergético

Notícias

John Deere: Reprise

O fantasma das demissões paira novamente sobre a fábrica da John Deere em Horizontina (RS). Em outubro do ano passado,

os norte-americanos dispensaram cerca de 170 funcionários.

O problema é que, de lá para cá, as vendas de tratores caíram ainda mais. Consultada, a John Deere disse "não confirmar as novas demissões". (Jornal Relatório Reservado 09/02/2015

 

São Martinho e Cosan: Volta por cima

Após anos sofrendo com a política de controle de preços da Petrobras estabelecida pelo governo, as produtoras de etanol vão se dar bem com a alta dos impostos sobre a gasolina.

Segundo analistas de mercado do banco HSBC que cobrem o setor, a São Martinho será a maior beneficiada. A empresa deverá apresentar um crescimento de 10% em seu lucro projetado para 2015, já que o etanol ficará mais competitivo na comparação com a gasolina.

Já para a Cosan, que vem diversificando seus negócios em outros setores, a medida representará uma alta de 8% nos lucros. Os 13 analistas que acompanham de perto as duas empresas acreditam que os papéis estão baratos. (Exame edição nº 1082)

 

Açúcar: Ganhos em NY

Os contratos futuros do açúcar ganharam impulso na sexta-feira na bolsa de Nova York, diante de um mercado físico mais aquecido e da alta do petróleo.

Os lotes do demerara para entrega em maio subiram 6 pontos, para 14,58 centavos de dólar a libra-peso.

"Dadas a intensa valorização do [mercado] físico e a disponibilidade restrita de produto descompromissado no Centro-Sul do Brasil e na América Central, a balança parece pesar para o lado da recuperação"em Nova York, apontou Bruno Lima, da FCStone.

Os fundos aproveitaram para cobrir posições vendidas, apesar da pressão baixista exercida pela valorização do dólar.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal registrou queda de 0,3%, para R$ 49,99 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 09/02/2015)

 

Gasolina sobe 5,8% em SP na 1ª semana de alta de tributo

Boa parte da alta da tributação sobre os combustíveis, que entrou em vigor no início deste mês, já foi repassada para o bolso do consumidor.

Na cidade de São Paulo, os postos de abastecimento passaram a cobrar, em média, R$ 3,082 por litro de gasolina, 5,77% mais do que na semana passada.

O aumento foi de R$ 0,17 por litro, um valor ainda inferior ao R$ 0,22 esperado com a elevação da tributação.

Essa defasagem ocorre porque alguns postos, com estoques, mantiveram os preços. Outros, ao contrário, já incorporaram o repasse total.

O posto que lidera os preços da gasolina na lista de pesquisa semanal da Folha registrou aumento de R$ 0,20 na semana, elevando o litro de gasolina para R$ 3,50 para o consumidor.

O etanol, que havia antecipado a alta na semana passada, voltou a subir e passou a custar, em média, 3,77% mais para os consumidores na cidade de São Paulo.

O valor médio do litro de álcool negociado nos 50 postos pesquisados pela Folha subiu para R$ 2,064. Alguns estabelecimentos já cobram R$ 2,449 pelo derivado de cana, enquanto outros mantêm os preços em R$ 1,799.

Com a puxada nos preços da gasolina, o álcool ampliou a vantagem sobre o derivado de petróleo. A média de preços dos dois combustíveis indica que o etanol vale 67% da gasolina, abaixo dos 68% da semana passada. Há um mês, a paridade era de 65%.

Pesquisas indicam que, em média, o álcool tem vantagem sobre a gasolina quando o preço do derivado de cana fica em até 70% do do valor do derivado de petróleo.

A esperada volta da tributação sobre a gasolina fez o preço médio do combustível acumular 7,24% de alta nos últimos 30 dias. Nesse mesmo período, o etanol teve alta de 10%.

Após esse reajuste nos postos de abastecimento de São Paulo, o etanol terá menos fôlego para novas altas.

Como é um produto que não tem preços controlados, deu uma esticada antes do reajuste da gasolina, que serve de parâmetro para os reajustes do etanol.

Passada essa oportunidade, no entanto, os produtores vão pisar no freio nos reajustes do etanol, o que já aconteceu nos preços praticados nesta semana.

A safra de cana-de-açúcar deste ano caiu em pelo menos 30 milhões de toneladas em relação ao que o setor esperava. Mesmo com essa queda, a produção de etanol foi recorde. Além disso, as exportações do combustível no ano passado ficaram em 1,4 bilhão de litros abaixo das de 2013.

O resultado é que os produtores estão com estoque e devem vendê-lo até o fim de abril. A partir de maio começa, com ritmo forte, a safra 2015/16. Quem não desovar os estoques vai ter de carregá-los por muito tempo.

O etanol hidratado foi entregue, em média, a R$ 1,4150 por litro nas usinas nesta semana, 2% mais do que na anterior, aponta o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Esse valore não inclui frete e ICMS.

Já o anidro passou a custar R$ 1,5016 para as distribuidoras, alta de 1% na semana.

O diesel subiu 5,4% na semana em São Paulo e foi a R$ 2,867 por litro, em média. O aumento ficou dentro do previsto após a alta da tributação: R$ 0,15 por litro. (Folha de São Paulo 07/02/2015)

 

Bolívia terá usina para 100 mil litros de etanol por dia

Planta industrial fica no município de San Buenaventura e deverá ser inaugurada em março próximo.

Com previsão da planta industrial estar pronta até o dia 6 de março próximo, a Empresa Açucareira San Buenaventura (EASBA) programa a inauguração de seu complexo industrial de açúcar e de etanol no município de San Buenaventura, na Bolívia.

Denominada como Empresa Pública Nacional Estratégica, a unidade, segundo a companhia, terá personalidade jurídica e patrimônio próprio, de duração indefinida, autonomia de gestão administrativa, financeira e legal.

A estrutura da nova fábrica, orçada em US$ 128 milhões, permitirá capacidade de produção de 57,5 mil toneladas de açúcar por ano e 100 mil litros de etanol por dia. A área canavieira destinada à nova planta ocupa área de 758 hectares em San Buenaventura. (Jornal Cana 09/02/2015)

 

Mercado de açúcar: QUEM SEGURA ESSE MERCADO?

Às medidas adotadas pelo governo, como a alteração na mistura de anidro na gasolina de 25% para 27%, somadas ao potencial de crescimento do consumo de etanol no estado de Minas Gerais com a redução do ICMS daquele produto e o crescimento no consumo de combustível em nível nacional a despeito da crise econômica, podem elevar de maneira significativa a quantidade de cana que será destinada a atender essas demandas adicionais.

A alteração do percentual de mistura eleva o consumo mensal de anidro em cerca de 75 milhões de litros. Minas, que é o estado com a segunda maior frota, com 10.6%, deve ganhar consumidores de hidratado favorecidos pela paridade alcançada com a redução do imposto estadual. O ganho de consumo não é automático apenas pela paridade favorável. Há de se mudar os hábitos do consumidor que leva tempo para perceber as vantagens financeiras do etanol. Mas, de qualquer forma, sendo conservador, Minas pode contribuir com o acréscimo de 1.4 bilhão de litros anuais. Além desses, a frota brasileira terá uma adição (veículos novos menos veículos sucateados) este ano de pelo menos 2 milhões de veículos que devem consumir juntos mais dois bilhões de litros de etanol anidro e hidratado no ano. Com isso, temos potencialmente um acréscimo de 4.3 bilhões de litros que vão consumir 50 milhões de toneladas de cana.

Difícil prever qual será a safra de cana do Centro-Sul para este ano. Os números oscilam entre 540 e 590 milhões de toneladas, como tem ocorrido recentemente. Os mais pessimistas apontam a seca como grande vilã e acreditam que o verdadeiro estrago ainda não teve sua magnitude avaliada corretamente. De qualquer sorte, o fato é que haverá menor disponibilidade de açúcar. Algumas tradings jogam a safra de açúcar para acima dos 34 milhões de toneladas, mas não consigo ver esse número muito longe dos 32.4 milhões (que deve ser provavelmente o número de previsão da Archer, ainda não encerrado).

Esses pontos analisados acima se não são altistas, pelo menos devem dar um razoável suporte ao mercado de açúcar. Não fossem as turbulências políticas internas no Brasil que colocam o dólar na cotação mais alta dos últimos 10 anos e o derretimento do preço do petróleo no mercado internacional, hoje nós estaríamos falando de 20 centavos de dólar por libra-peso. Mas, a história é outra.

Alguns outros fatores, no entanto, inibem o aparecimento de altistas nesse mercado inundado de baixistas. O real, por exemplo, vai continuar sofrendo com a crise política nacional que está apenas se iniciando. O crescimento da economia mundial põe o consumo em espera. A China desacelera. O preço declinante do barril do petróleo, embora promova a sobra de dinheiro no bolso das famílias, leva para baixo outras commodities. Em seis meses, vimos o petróleo despencar 46.7%, o gás natural 34.2%, soja 12%, açúcar e café 11% e por aí afora. Nenhuma commodity agrícola escapou.

No rol das dificuldades e mostrando que existem pontos vulneráveis ainda para uma recuperação do mercado é o número apurado pelo modelo desenvolvido pela Archer Consulting que aponta o volume de fixação das usinas para a safra 2015/2016. Esse número é considerado baixo, portanto deixa as usinas atrasadas extremamente vulneráveis caso ocorra um recrudescimento da situação. Na apuração do modelo até 31 de janeiro, o percentual de fixação estava em 27.27% ao preço médio de 17.34 centavos de dólar por libra-peso. Coincidentemente, esse é o mesmo valor que as usinas há um ano tinham na média de suas fixações para a safra 2014/2015, só que naquele momento o percentual era bem maior: 40.88%. O que ocorreu?

Falta de crédito por parte das corretoras que cada vez são mais seletivas na escolha de seus clientes, inibindo a antecipação de hedge que demanda garantias a serem depositadas. As tradings, que não tiveram um ano muito bom em virtude da deterioração dos prêmios no mercado físico, diminuíram com razão - o apetite para contratos de longo prazo, a menos que os descontos fossem generosos e confortáveis. Assim, muitas usinas acabam fixando da mão para a boca, ou seja, gradualmente conforme vai negociando o físico. Esses ingredientes refletem na queda de 13 pontos percentuais do volume que nesse momento já deveria estar fixado. Também explica a média relativamente alta para um ano como esse, de preços decadentes, pois somente as empresas bem capitalizadas e estruturadas tem sido capaz de fixar os preços quando houve boa oportunidade.

E o fundo desse poço, qual seria? Sem nenhuma vocação para pitonisa nem Nostradamus, prefiro me ater nos valores negociados em reais por tonelada que é o ponto em que muitas das empresas do setor se balizam. A média de fixação para 2015/2016 é de R$ 971 por tonelada. O mínimo visto foi R$ 880 por tonelada. Vamos imaginar o pior cenário com o dólar a 3.000 devido a um eventual agravamento do cenário político. Isso coloca NY equivalente a 12.78 centavos de dólar por libra-peso na mínima do ano. Na média, estaríamos em 14 centavos de dólar por libra-peso. Com o dólar a 2.7000 estamos falando em 14 centavos de dólar por libra-peso como mínima e 15.70 como média. Para onde pode ir esse mercado depois que a tempestade perfeita acabar? Ou ainda, os fundos teriam o mesmo apetite de ter uma enorme posição vendida nos níveis atuais?

Imagine que você tenha US$ 1 milhão que deve ser obrigatoriamente apostado numa opção digital, ou seja, você tem que apostar que o mercado ou chega a 12 centavos de dólar por libra-peso ou que chega a 18 centavos de dólar por libra-peso. Onde você apostaria? Mande sua opinião.

A Petrobrás estima que o valor subtraído do seu patrimônio pode chegar a R$ 88 bilhões. Dinheiro que foi usado para o pagamento de propinas, para encher o bolso de partidos políticos, empresários, apadrinhados e outros meliantes. Como deve se sentir o empresário honesto ao ver tamanho descalabro. A quantia surrupiada pelas gangues que infestam a vida política brasileira é 20% maior do que toda a receita estimada do setor sucroalcooleiro no ano de 2015. (Archer Consulting 07/02/2015)

 

Consultoria britânica defende juros mais altos ao agronegócio

A razão? É uma das atividades que mais consomem recursos naturais e deve pagar por isso.

Quando a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, declarou não haver mais latifúndios no País, escrevi que sin duda los hay,mas que é bom distingui-los entre produtivos e não. Uns trazem riqueza a seus donos e ao País; os demais somente aos primeiros.

Sobre o tema é esclarecedora observação do norte-americano Joseph Stiglitz sobre as teses expostas pelo francês Thomas Piketty no livro “O Capital no Século 21” (Editora Intrínseca, 2014), ambos críticos da concentração de renda no planeta.

Enquanto o francês acusa a acumulação de poupança e o crescimento de renda nas classes ricas pela desigualdade, Stiglitz contesta: “uma boa fração do aumento da riqueza corresponde a um aumento do valor da propriedade imobiliária e não do volume de bens de capital”.

Sacaram a quem servem os latifúndios quando improdutivos?

Não pisquem na frente de banqueiros

Em dezembro do ano passado, esteve por aqui certo Mr. Richard Mattison, CEO da consultoria britânica Trucost. Veio apresentar a banqueiros e seus economistas-chefes, ou porta-vozes em folhas e telas cotidianas, o estudo “Exposição a Riscos do Capital Natural no Setor Financeiro do Brasil”.

A tese é clara: a agropecuária é uma das atividades que mais consomem recursos naturais e por isso deve pagar, pois representa um risco que não está sendo precificado.

Como? Ora, bolas, na forma de juros mais altos nas operações de financiamento, é claro. Assim como nós, consumidores e maus pagadores, somos precificados em cheques especiais, cartões de crédito e míseros carnês.

Trechinho do que o CEO disse ao “Valor”, de 16/12/2014 (precisei reescrever, pois apesar de assinante do jornal e de citá-lo como fonte, suas normas não me permitem copiar/colar - civilizado, não?):

“Os bancos terão que reposicionar sua carteira de financiamento em setores e empresas com impacto menor”.

Sentiram a barra, ruralistas? Onde seus berrantes?

Bacias ou canetas hidrográficas?

“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia/Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia” (Fernando Pessoa - 1888/1935).

“Onde eu nasci passa um rio/Que passa no igual sem fim/Igual, sem fim, minha terra/Passava dentro de mim” (Caetano Veloso, 1942-).

E aí comentaristas infalíveis? Chegou a minha vez. Quais versos falam mais lindo a suas alminhas internautas? Manifestem-se.

No Brasil, estão algumas das maiores bacias hidrográficas do planeta. Entre elas, a Amazônica e a do São Francisco. Juntas têm dimensão três vezes maior do que Congo, na África; Mississippi, nos EUA; Prata, na América do Sul; e Obi, na Federação Russa.

Nosso clima é tropical e subtropical. Exceção a parte do Nordeste, temos chuvas abundantes o ano inteiro. Dois anos de seca em regiões pontuais, de tradição pluviométrica equilibrada, não justificam o caos atual. Caso contrário, não estaríamos ano após ano batendo recordes de produção agrícola.

O que a Federação de Corporações não registra são autoridades públicas competentes e honestas o ano inteiro.

Bodas rurais

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, casou-se com o engenheiro agrônomo Moisés Pinto Gomes, no dia de sua posse no Senado. Para que pudesse regressar a tempo para a festa, seus colegas permitiram-lhe furar a fila para votar em Renan Calheiros, velho-novo presidente da Casa.

A senadora pelo Tocantins, hoje no PMDB, já foi filiada aos partidos PFL, DEM e PSD. Além da presidente e do vice-presidente da República, estava presente na festa o padrinho da noiva, Gilberto Kassab, hoje empenhado em refundar o Partido Liberal (PL).

Que os horizontes matrimoniais e políticos tragam felicidade à pecuarista Kátia. Quem sabe assim terá mais motivação para dobrar a classe média rural do País.

Lua de mel na Etiópia

O brasileiro José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, braço da ONU para alimentação e agricultura (perdi a conta de quantas vezes me prometi não explicitar o que é a FAO; quem se interessa por agricultura já deveria saber), ainda acredita nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). As metas que deveriam acabar com a pobreza até 2015.

Bem, ainda que meio na velocidade de Rubinho Barrichello, chegamos a 2015. Temos 11 meses para vermos alimentados cerca de 900 milhões de pessoas que ainda passam fome no planeta.

Em artigo com o sugestivo título “Casamento Promissor”, Graziano propõe uma nova rodada de ODM e crença em Papai Noel, abençoando as núpcias da comida saudável com o agricultor familiar.

Considerando que faltam 85 anos para o fim deste milênio e que muitos afirmam que o melhor sexo vem na quarta idade, é bem possível que esse casamento seja mesmo promissor.

Foco na profissão

Voltando de almoço na Padaria 13 de Maio (“Basilicata”), em Moema, São Paulo, enquanto dirijo, ouço amigo que havia se excedido em taças de vinho dizer: “Acabo de ver um carro cor de sorvete passas ao rum”. Respondo: “durma, provavelmente são uvas secas do Vale do São Francisco sendo trocadas por melaço do Caribe”. Ele: “você tem razão, tudo é agronegócio

 

Crise faz produtor de laranja se reinventar

Com redução das exportações, citricultores partem para a produção de suco integral voltada para o mercado local.

Consumo brasileiro de suco 100% cresce e vira nicho para empresas menores que forneciam antes a gigantes do setor.

Insatisfeitos com a remuneração na venda da laranja à indústria exportadora, produtores da fruta decidiram deixar o papel de fornecedores e se transformaram em indústrias de suco integral.

Sem adição de açúcar, água nem conservantes, o suco integral viu o seu consumo dobrar no Brasil em três anos, para 100 milhões de litros em 2014 --só de laranja foram vendidos 75 milhões.

A maior preocupação do brasileiro com uma alimentação saudável e a necessidade de mais praticidade aumentaram a demanda, levando agricultores a encarar o mercado interno como uma saída para a crise no setor.

O consumo de suco de laranja vem caindo nos principais mercados do produto, como os EUA e países da Europa, devido, sobretudo, ao aumento da concorrência em um setor marcado por inovações nos últimos anos. Além disso, a laranja ganhou fama de calórica, o que ajudou a afastar alguns consumidores.

A piora no mercado internacional reduziu as exportações brasileiras e a demanda pela fruta das gigantes do setor, que vendem ao exterior 95% da produção. Com excesso de oferta, alguns produtores procuraram um outro caminho para suas laranjas.

"Em razão das dificuldades que há anos a citricultura enfrenta, fomos buscar alternativas", diz Dagoberto Cardili, um dos donos da Brasil Citrus, fabricante de suco de laranja integral em Tabatinga, interior de São Paulo.

Cardili pertence à segunda geração de uma família de citricultores. Há cinco anos, ele, um irmão e um primo começaram a operar a sua própria fábrica de suco. Hoje, produzem por mês 2 milhões de litros, vendidos para pequenos mercados, restaurantes, lanchonetes e cozinhas industriais no Estado de São Paulo. "É um trabalho de formiguinha, porta a porta", diz.

Vizinha à Brasil Citrus, a Life Sucos tem uma história semelhante. Os produtores Alfredo dos Santos e Wagner Mapeli, que desde 1994 forneciam para outras marcas, passaram a dedicar parte da produção à extração e ao envase de suco integral próprio.

Em Paranavaí (PR), a família Pratinha produz suco de laranja integral com a sua marca, Prat"s, desde 2012. Atualmente, são vendidos 15 milhões de litros por ano para cadeias de supermercados regionais, lojas de conveniência, bares e lanchonetes.

"Estamos começando o relacionamento com redes maiores, mas ainda não temos escala suficiente para atendê-los", diz Paulo Pratinha, um dos sócios da Prat"s.

Os pequenos canais de venda têm sido o caminho das novas indústrias da laranja, que, com menores custos logísticos e margens mais baixas no varejo, conseguem oferecer o suco 100% a preços mais competitivos.

IMPOSTOS

O preço continua sendo o maior entrave ao desenvolvimento desse mercado. Segundo empresários, seria possível reduzir mais o valor do suco integral se houvesse mudança na carga tributária, de 30% considerando todos os elos da cadeia de produção.

O setor já levou ao governo pedido para eliminar a alíquota de 7,65% de PIS e Cofins entre a indústria que envasa o suco e o varejo.

O argumento é que a medida poderia estimular a produção de frutas e o consumo de produtos mais saudáveis --a carga tributária para néctares, que têm açúcar e conservantes, é a mesma.

Para Marcos Fava Neves, professor titular da FEA/USP e conselheiro da empresa de pesquisa Markerstrat, a desoneração pode estimular mais citricultores a produzir suco.

"Há dois caminhos para o setor: ajustar a produção à demanda, o que vai reduzir o número de produtores, ou dar estímulo à demanda interna, que pode, em tese, compensar a queda na exportação e manter a produção", diz.

"O mercado interno é uma das únicas saídas para a citricultura", diz Ibiapaba Netto, da CitrusBR, que representa as exportadoras. Para ele, o mercado pode voltar ao equilíbrio com as pequenas indústrias voltadas ao consumidor brasileiro.

Espaço para crescer não falta. "O consumo de suco espremido no Brasil, sem contar a indústria, é de 2,5 bilhões de litros. Calculamos que o potencial de crescimento seja o dobro disso", diz Eduardo Eisler, líder de marketing da Tetra Pak (fornecedora de tecnologia e embalagens) para as Américas.

O mercado é tão promissor que as grandes, dedicadas apenas ao mercado de néctar até então, também partiram para o integral. A Del Valle, por exemplo, marca de suco da Coca-Cola para a América Latina, lançou em janeiro seu primeiro suco 100% no país, (Folha de São Paulo 08/02/2015)

 

Oito em cada 10 brasileiros esperam alta na inflação

Mais da metade dos entrevistados acha que a situação econômica vai piorar.

Parcela que acredita que o desemprego aumentará atingiu 62%, maior nível desde julho de 2002

Uma brutal piora nas expectativas da população em relação a emprego, renda e inflação alimenta um pessimismo inédito: mais da metade (55%) dos brasileiros acha que a situação econômica do país vai piorar nos próximos meses.

É o patamar mais alto desde dezembro de 1997, quando a pergunta começou a ser feita pelo Datafolha.

A deterioração do sentimento em relação ao futuro foi súbita. Em dezembro, quando a penúltima pesquisa Datafolha foi feita, a fatia dos que esperavam piora da economia era a metade: 28% dos entrevistados.

A enxurrada de acontecimentos negativos no início do ano ajuda a explicar a mudança repentina e faz do temor em relação à alta de preços o aspecto mais sombrio do desânimo geral. Oito em cada dez brasileiros esperam aumento da inflação daqui para a frente (81%, contra 54% em dezembro).

O percentual é recorde. Supera o pico registrado na pesquisa de setembro de 2001 --realizada uma semana após os atentados terroristas aos Estados Unidos--, quando 72% dos entrevistados acreditavam em alta dos preços.

Além do escândalo de corrupção na Petrobras, os brasileiros se defrontaram recentemente com um apagão, a piora na crise de abastecimento de água e uma série de mudanças que já afetaram ou ainda pesarão no bolso.

Desde dezembro, foram anunciados aumentos de tributos e elevação dos juros sobre crédito pessoal e empréstimos imobiliários.

Os preços da gasolina e do etanol subiram, os empréstimos bancários ficaram mais caros, a conta da energia elétrica aumentou e voltará a encarecer nos próximos meses. Além disso, o clima seco pressiona os preços de alimentos, como hortaliças e legumes.

A inflação mensal de janeiro atingiu 1,24%, maior nível desde fevereiro de 2003.

A elevação de preços corrói a renda disponível e, não por acaso, pela primeira vez desde 1994, a maior parte da população adulta do país (57%) espera redução do poder de compra dos salários.

Além da inflação, outra possível causa dessa expectativa é a aposta em alta do desemprego que, se confirmada, pode levar à diminuição dos salários, depois de anos seguidos de alta.

DESEMPREGO

A fatia de brasileiros que acredita que o desemprego subirá atingiu 62%, maior nível desde julho de 2002.

A manutenção da taxa de desemprego em patamar baixo (4,8% em 2014) é explicada atualmente pela saída do mercado de trabalho de um grande contingente de brasileiros em idade ativa e não mais por uma geração vigorosa de vagas.

Pelo contrário, o número de novos postos criados despencou em 2014 para o menor nível desde 2002.

O problema é que com a piora da situação econômica --muitos especialistas já preveem uma recessão em 2015-- parte dos que tinham decidido parar de trabalhar poderão ter de voltar a procurar emprego em um cenário de queda na geração de vagas.

A expectativa de que será difícil encontrar trabalho pode estar contribuindo para o mau humor generalizado.

Entre os entrevistados, o percentual dos que acham que sua própria situação econômica vai piorar mais do que dobrou entre dezembro e janeiro, alcançando 26%. (Folha de São Paulo 08/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Ganhos em NY: Os contratos futuros do açúcar ganharam impulso na sexta-feira na bolsa de Nova York, diante de um mercado físico mais aquecido e da alta do petróleo. Os lotes do demerara para entrega em maio subiram 6 pontos, para 14,58 centavos de dólar a libra-peso. "Dadas a intensa valorização do [mercado] físico e a disponibilidade restrita de produto descompromissado no Centro-Sul do Brasil e na América Central, a balança parece pesar para o lado da recuperação"em Nova York, apontou Bruno Lima, da FCStone. Os fundos aproveitaram para cobrir posições vendidas, apesar da pressão baixista exercida pela valorização do dólar. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal registrou queda de 0,3%, para R$ 49,99 a saca de 50 quilos.

Café: Fundos em ação: Os preços do café arábica subiram na bolsa de Nova York na sexta-feira diante da ação dos fundos especulativos. Os lotes do grão para entrega em maio fecharam cotados a US$ 1,696 a libra-peso, avanço de 205 pontos. Apesar das fortes chuvas que caíram na semana passada no Sudeste do Brasil, onde se concentra o cinturão cafeeiro do país, os produtores dão como certa a quebra de safra em 2015/16, após o baixo volume de precipitações entre dezembro e janeiro, e se recusam a comprometer sua produção nos patamares de preço observados nos dias anteriores. Dessa forma, os fundos que estavam com posições vendidas cobriram posições, dando impulso aos contratos. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 1,64%, para R$ 482,90 a saca de 60 quilos.

Laranja: Pé atrás: A proximidade da divulgação do novo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre a safra de laranja da Flórida tem gerado cautela entre os investidores do suco em Nova York, o que fez os preços da commodity recuarem na sexta-feira. Os papéis para entrega em maio fecharam a US$ 1,3625 a libra-peso, em queda de 130 pontos. O clima na Flórida foi favorável aos pomares em janeiro, sem geadas, e isso reduziu os receios de uma quebra de safra no Estado. Porém, os produtores ainda sofrem com o greening, que vem reduzindo a produtividade dos pomares. O novo relatório do USDA será divulgado amanhã. No mercado interno, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq ficou estável em R$ 10,36 a caixa de 40,8 quilos.

Trigo: Otimismo com Egito: O mercado do trigo seguiu em campo positivo na sexta-feira nas bolsas dos Estados Unidos, ainda diante da expectativa com a demanda egípcia. Em Chicago, os papéis para maio fecharam a US$ 5,29 o bushel, avanço de 1,7 5 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os contratos com igual vencimento fecharam com elevação de 1,25 centavos, a US$ 5,65 o bushel. Os investidores esperam que o governo americano libere uma linha de crédito para os compradores do Egito acessarem o mercado dos EUA. Porém, alguns analistas se mantêm céticos, já que o trigo da Europa é mais barato e a valorização do dólar reduz ainda mais a competitividade do produto americano. No mercado interno, o preço médio no Paraná ficou estável em R$ 31,14 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 09/02/2015)