Setor sucroenergético

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Governança Corporativa: Ameaça de boicote à safra canavieira acua governo

Com a divulgação das primeiras ações do projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética” e a ameaça de se boicotar o início da safra canavieira 2015/16; caso o governo federal não atenda a pauta de reivindicações do setor, a presidente Dilma Rousseff finalmente saiu do imobilismo e começou a olhar de forma diferente para o setor que já fechou 83 usinas, colocou outras 70 em processo de recuperação judicial e extinguiu 300 mil empregos nos últimos seis anos.

Pouco antes do gigantesco e marcante protesto promovido em Sertãozinho, o governo avisou que a Cide seria restabelecida no preço da gasolina, o que tornou o etanol um pouco mais competitivo e também anunciou o aumento de 25% para 27% na mistura do etanol anidro à gasolina, o que cria um novo mercado de 1 bilhão de litros.

Na última segunda-feira, ao fazer o balanço do seu primeiro mês como ministra da Agricultura, Kátia Abreu anunciou oficialmente que três leilões de energia a partir da biomassa (cogeração) estão definidos para os próximos meses. A realização de leilões por fontes de geração era antiga reivindicação dos usineiros, pois é insensato misturar todas as fontes como se elas tivessem as mesmas planilhas de custo.

Ou seja, o estilo Dilma de governar fica mais uma vez claro e mantém o estigma “Brasília não age, reage!”. O prejuízo que foi imposto ao setor sucroenergético a partir do início do 2º mandato do presidente Lula e agravado no primeiro mandato de Dilma, é monstruoso e não se equilibra com as três medidas já anunciadas.

É preciso mais, muito mais. A indústria de base precisa de oxigênio e incentivos para sobreviver. Não é possível escancarar nossas fronteiras para indústrias de bens de capital da China, Rússia e Índia invadirem nosso mercado apenas porque temos aí instalado um governo incompetente e irreponsável.

Os fornecedores de cana não podem se desfazer de suas propriedades, grande parte delas herdadas e que representam agricultura familiar na sua essência, para pagar as dívidas acumuladas nas últimas três safras quando todos pagaram para entregar sua produção às usinas.

A cadeia produtiva canavieira, por sua vez, precisa se repensar e buscar novas tecnologias de produção e gestão que permitam que sobreviva com os preços do petróleo no mercado internacional a menos de US$ 50 o barril. Com efeito, todas estas questões estão contempladas no bojo no projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética”. (Brasil Agro 11/022/2015)

 

Biosev registrou perdas no 3º tri de seu atual exercício

A estratégia de carregar estoques para o último trimestre da safra 2014/15 (entre janeiro e março) e o impacto da variação cambial no endividamento levaram a Biosev a registrar no terceiro trimestre da temporada, encerrado em 31 de dezembro passado, um prejuízo líquido de R$ 81,5 milhões.

A perda, no entanto, foi mais amena do que a de R$ 203,7 milhões verificada em igual intervalo de 2013/14.

O desempenho da Biosev, que é a segunda maior companhia sucroalcooleira do país, reflete uma redução de 9% no volume de açúcar vendido no período.

Além disso, a quebra de safra devido à estiagem em São Paulo manteve elevados os custos por tonelada processada nas usinas onde a perda de produtividade foi maior.

O resultado reflete ainda a alta do dólar sobre o endividamento total da companhia (7 1% na moeda americana). Em 31 de dezembro, a dívida líquida havia crescido 7 ,5%, para R$ 5,3 bilhões em relação a setembro.

A despesa financeira no trimestre subiu 37 ,9%, para R$ 220 milhões. No acumulado da safra - entre abril e dezembro de 2014 - o resultado líquido da empresa foi negativo em R$ 27 7 milhões, ante a perda de R$ 449 milhões de igual intervalo da safra 2013/14.

Por outro lado, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da empresa, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities (LDC), subiu 7 8,5%, para R$ 309,926 milhões. Entre abril e dezembro, o Ebitda alcançou R$ 1,002 bilhão, aumento de 42,9% em relação aos nove meses do ciclo 2013/14.

"Tivemos uma redução de R$ 40 milhões, ou 9,4%, nas despesas gerais de venda no acumulado da safra", explicou o presidente da companhia, Rui Chammas. Como consequência da estratégia de carregar mais estoques para o último trimestre da temporada, a Biosev comercializou menos produto até 31 de dezembro passado.

No terceiro trimestre, a receita líquida ainda registrou uma leve alta, de 1,5%, a R$ 1,031 bilhão. Mas no acumulado dos nove meses do ciclo, a queda foi de 10,6%, para R$ 3,053 bilhões.

Os estoques de etanol em 31 de dezembro estavam 40% mais altos do que em igual período do ano anterior, em 47 3 milhões de litros.

"O objetivo de gerar caixa positivo deve se materializar no último trimestre da safra", disse Chammas. No caso do açúcar, o volume armazenado na mesma comparação estava 47 % maior,em 367 mil toneladas.

No início de 2014/15, em abril, a companhia colocou em prática seu plano estratégico para reduzir custos e elevar a eficiência operacional e a rentabilidade do negócio.

Uma usina foi desativada, a princípio, temporariamente. "Entre os efeitos foi o de moer a cana dessa unidade nas usinas do polo de Ribeirão Preto, que 'rodou' a safra com maior uso da capacidade instalada", afirmou.

Apesar de os investimentos da Biosev entre abril e dezembro terem ficado 5,2% acima do observado no mesmo período de 2013, em R$ 7 16 milhões, o executivo garantiu que ao fim de 2014/15, o montante aplicado será praticamente igual ao de 2013/14. (Valor Econômico 11/02/2015)

 

Açúcar: Pressão externa

Os contratos futuros do açúcar registraram forte volatilidade ontem em Nova York, em meio a novos ajustes técnicos por parte dos fundos, mas fecharam em queda.

Os lotes do demerara para maio fecharam a 14,70 centavos de dólar a libra-peso, em baixa de 11 pontos.

Já os lotes de primeira posição, para março, seguiram mais valorizados, o que reforça o foco dos compradores internacionais na oferta de curto prazo.

Mas o dólar em alta e petróleo em queda forçaram uma desvalorização dos contratos com diferentes vencimentos, também pressionados pela disponibilidade de açúcar da Tailândia, segundo Bruno Lima, da FCSTone.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal recuou 0,24%, para R$ 49,89 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 11/02/2015)

 

Moagem de cana no acumulado de 2014/2015 cai 4,3%, revela Unica

As usinas do Centro-Sul do Brasil processaram 820 mil toneladas de cana na segunda quinzena de janeiro, volume 163,74% maior na comparação com as 311 mil toneladas observadas em igual período do ano passado.

O período é de entressafra na principal região produtora do país e, por isso, as variações são bruscas. No acumulado do ciclo 2014/2015, iniciado em abril, o processamento é 4,34% menor, com 570,10 mil toneladas. Os dados foram divulgados no início da tarde desta terça, dia 10, pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

Na última metade de janeiro, o mix de produção pendeu para o etanol, com 84,96% da oferta de cana destinada ao biocombustível - no acumulado da safra, o porcentual é de 56,94%.

Com isso, foram fabricados 54 milhões de litros (+126,25%), sendo 43 milhões de litros de hidratado (+152,01%) e 11 milhões de litros de anidro (+63,78%). A produção de açúcar, por sua vez, aumentou 500,18%, para 14 mil toneladas.

Desde o início da safra, foram produzidas 31,95 milhões de toneladas de açúcar (-6,75%) e 26,03 bilhões de litros de etanol (+2,09%), dos quais 10,88 bilhões de litros de anidro (-1,29%) e 15,15 bilhões de litros de hidratado (+4,67%).

ATR

Com relação à qualidade da matéria-prima, a Unica informou que o nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana ficou em 115,11 kg (+3,64%) na segunda quinzena de janeiro. No acumulado da temporada, chega a 136,61 kg/t (+2,43%).

Etanol

As vendas de etanol pelas unidades produtoras do Centro-Sul diminuíram 1,54% em janeiro ante igual mês de 2014. Segundo a Unica, foram comercializados 2,17 bilhões de litros no mês passado, contra 2,20 bilhões de litros há um ano. Desse total, 78,59 milhões de litros foram para o mercado externo e 2,09 bilhões de litros ficaram no mercado interno.

No acumulado da safra 2014/15 até 1º de fevereiro, as vendas chegam a 20,66 bilhões de litros (-4,96%), dos quais 1,19 bilhão de litros para exportação e 19,47 bilhões de litros para uso interno. (Unica 10/02/2015)

 

Relação etanol/gasolina sobe em SP e atinge 66,55%

A relação entre os preços do etanol e os da gasolina avançou e atingiu 66,55% na primeira semana de fevereiro na capital paulista, na comparação com 65,17% na última semana de janeiro, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

"Ainda é a mais baixa desde 2009, mas já começa a embicar para cima, e deve manter-se nessa trajetória ao longo dos próximos meses", estimou o economista e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, André Chagas.

De acordo com Chagas, o aumento nos preços da gasolina, por causa da volta da Cide, também está abrindo espaço para reajustes nos valores do etanol no varejo.

No IPC, que mede a inflação na cidade de São Paulo, a gasolina subiu 3,75% na primeira leitura deste mês, após 0,65% no fechamento de janeiro.

Já o álcool combustível ficou com uma taxa de 4,17%, depois de 1,93%. "Se a sazonalidade (desfavorável, com a entressafra) se confirmar, a relação entre os preços deve permanecer elevada até meados de abril, quando reinicia o ciclo de colheita e processamento da safra de cana-de-açúcar", avaliou.

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina.

A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder da gasolina. Entre 70% e 70,50%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque. (Agência Estado 10/02/2015)

 

Presidente da FAESP: agricultura não é a vilã da crise hídrica, mas a salvaguarda do país

Ao divulgar levantamento realizado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo sobre o impacto da seca na agropecuária paulista, o Presidente da FAESP, Fábio Meirelles, afirmou ser necessário haver maior transparência e esclarecimento à população, pois há muitas críticas infundadas contra à agricultura, “que é colocada como vilã da crise hídrica, por pretenso consumo demasiado de água, da ordem de 70%”.

Segundo Meirelles é preciso esclarecer que existe um ciclo hidrológico e que cerca de 60 a 70% da água das chuvas passa pela evapotranspiração (evaporação do solo mais a transpiração das plantas) e é por isso que, equivocadamente, se diz que a agricultura é grande consumidora de água, “como se fosse possível efetivamente “consumir” 70% da água das precipitações”.

Meirelles ressalta que a água disponível para a utilização das plantas, excetuada a evapotranspiração, é de cerca de 10% da precipitação e o que é realmente consumido é muito menos que isso, a maior parte retorna ao ciclo hidrológico. E exemplifica: “Um hectare de soja com produtividade de 3.600 kg do grão carrega cerca de 18% de água ou o equivalente a 648 litros de água, toda água restante envolvida na produção, ou seja, a da evapotranspiração, a que escorre e acumula na superfície, a que infiltra e chega ao lençol freático e a dos restos culturais (matéria orgânica) pertence ao ciclo da água. Portanto, o consumo efetivo de 648 litros em um hectare representa apenas 0,005% da precipitação média anual de uma região com 1.200 mm”.

Destaca que a agricultura irrigada de alta produtividade consome mais água e tem sistemas que podem ser mais ou menos eficientes, dependendo do caso, mas ainda assim o “consumo efetivo” é pequeno.

Reitera que a agricultura não é a vilã, “mas a salvaguarda do país”, pois são nas áreas rurais que ocorrem os processos de infiltração, escorrimento superficial, recarga de lençóis e acumulação de água. “A agricultura contribui positivamente para o equilíbrio hídrico, gera excedentes para consumo nas cidades, presta outros serviços ecossistêmicos, sem receber por isso, e ainda garante a alimentação de milhares de brasileiros. E é sempre válido lembrar que, independentemente de inclinação política ou religião, diariamente, todos precisam se alimentar”.

Considerações

A grave situação hídrica tem merecido atenção permanente da FAESP, que vem conduzindo amplas consultas com sindicatos e dirigentes rurais para avaliar as perdas e consequências.

Em um momento em que se discute como lidar com as mudanças climáticas, a Federação destaca a importância de um seguro rural amplo e efetivo, capaz de assegurar renda aos empreendedores rurais.

Segundo Meirelles, eventos climáticos extremos têm sido cada vez mais frequentes. “Diante disso é preciso garantir linhas de crédito com taxas de juros acessíveis, a fim de possibilitar a implementação de novas tecnologias e a superação das dificuldades impostas pelo clima. A prorrogação das dívidas é fundamental para garantir a oportunidade de quitar débitos e manter as atividades produtivas. Somente assim os produtores poderão continuar dedicando-se às suas atividades, contribuindo para a segurança alimentar e a paz social”. (FAPESP 10/02/2015 às 12h: 02m)

 

Cade julga hoje fusão de R$ 11 bi entre ALL e Rumo

O julgamento da fusão entre o grupo de concessões de ferrovias América Latina Logística (ALL) e a Rumo (companhia do grupo Cosan), marcado para hoje pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), é acompanhado de perto por pelo menos 16 empresas e entidades preocupadas com os efeitos que a operação pode acarretar - principalmente para o fluxo de exportação de commodities. As partes estão confiantes que a operação será aprovada, embora condicionantes sejam esperados.

O estabelecimento, por parte do Cade, de "remédios"que evitem atos anticoncorrenciais por parte de ALLRumo é visto como certo por terceiros interessados.

A dúvida é o tamanho dessas medidas, que podem incluir apenas estabelecimento de normas comportamentais ou também estruturais, como venda de ativos. Vários interessados pedem que a ALL-Rumo seja obrigada a se desfazer de terminais em Santos. Atualmente, o grupo ALL detém participação de 10% no TGG (grãos), de 20% no Termag (fertilizantes) e de 50% no TXXXIX (grãos).

Já o grupo Cosan possui, por meio da Rumo, dois terminais próprios para movimentação de açúcar em Santos. O principal temor entre os terceiros interessados no processo é o poder operacional que a ALL-Rumo pode alcançar. Ao operar terminais concentradores de carga no interior, terminais de transbordo para a ferrovia, os trilhos em si e os terminais portuários.

Um dos receios é que a empresa "force"os clientes a usarem toda a cadeia logística da companhia - e não apenas a ferrovia, por exemplo. Em análise sobre a concentração, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificou uma sobreposição horizontal que ocorreria na movimentação de armazenagem no Porto de Santos.

A ANTT recomendou, todavia, a aprovação da operação. "A ANTT não afasta integralmente a potencialidade de efeitos anticompetitivos decorrentes da operação, porém entende que as ferramentas regulatórias existentes seriam suficientes para coibir eventuais condutas abusivas", diz a agência nos autos. A ANTT defende ainda poder de arbitrar eventuais conflitos entre usuários e ferrovia.

Mas as demais empresas e entidades interessadas na movimentação de cargas por ferrovias são fortemente céticas em relação à capacidade de a ANTT fiscalizar o comportamento da ALL e Rumo. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), por exemplo, argumentou que a regulação do setor não impede efeitos anticompetitivos.

Alegou ainda que poderá haver fechamento de mercado e elevação dos custos dos rivais a partir das integrações verticais. Entre os terceiros interessados no processo, há quem tenha até pedido o impedimento da fusão - como é o caso da produtora de celulose Eldorado, que teme a elevação de tarifas nas ferrovias.

A Ipiranga aponta possibilidade de o grupo Cosan "explorar posição monopolista garantida pela infraestrutura ferroviária da ALL, afetando negativamente tanto o mercado de serviços ferroviários quanto o de distribuição de combustíveis". Para a Agrovia, o negócio "criará dificuldades"para acessos aos terminais portuários.

A VLI se preocupa com o acesso ao porto de Santos e a Fibria teme redução de sua carga na ferrovia. Os integrantes do G7 (Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Federação do Comércio do Paraná, Federação e Organização das Cooperativas do Paraná, Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná, Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná e Associação Comercial do Paraná) não chegam a apontar problemas específicos, mas lembram que o cenário logístico no país é de limitações da capacidade das ferrovias. A fusão cria uma gigante logística com valor de R$ 11 bilhões, de acordo com avaliação elaborada na época do acordo de fusão.

A Cosan, que será a maior acionista da empresa a ser formada, informou, em nota, que "todas as questões apresentadas pelas partes interessadas nesse processo foram amplamente debatidas, nos últimos sete meses, no Cade"e que somente se manifestará sobre após a decisão final do órgão. (Valor Econômico 11/02/2015)

 

Produção de açúcar recua ao final da safra 2014/15 no centro-sul

SÃO PAULO (Reuters) - A produção de açúcar da principal região produtora de cana do Brasil caiu cerca de 50 por cento para 14 mil toneladas na segunda quinzena de janeiro, na comparação com a primeira metade do mês passado, como a temporada de moagem 2014/15 do centro-sul perto do final, informou nesta terça-feira a associação da indústria.

Ao longo do mesmo período do ano passado, a região centro-sul produziu 2 mil toneladas de açúcar, disse a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Embora o Brasil pareça estar produzindo significativamente mais açúcar do que no ano passado, neste momento, o volume produzido em duas semanas mal conseguiria encher um quarto de um navio Panamax de 60 mil toneladas.

Durante os meses de pico da colheita de cana do centro-sul, de junho a outubro, as usinas da região produzem regularmente mais de 2 milhões de toneladas em uma quinzena.

A colheita de cana tardia nas últimas semanas vem de fora de áreas tradicionais do Estado de São Paulo, que responde por 60 por cento da produção brasileira de açúcar.

Em seu último relatório quinzenal, a Unica não forneceu seu comentário típico sobre o andamento da safra, uma vez que poucas usinas estão em operação.

A região está agora na entressafra, quando as usinas normalmente fecham para manutenção anual.

O processamento da nova safra, que deverá ser semelhante ao da temporada atual, vai começar oficialmente no dia 1º de abril.

O volume de cana processada desde o início desta temporada, em abril de 2014 atingiu 570,1 milhões de toneladas, uma queda de 4,3 por cento ante o recorde de 596 milhões de toneladas da temporada anterior, informou a Unica.

A seca tem sido responsabilizada pela queda nos números de produção de cana.

A produção de açúcar do centro-sul caiu 6,75 por cento ante a safra anterior, para 31,96 milhões de toneladas. Já a produção total de etanol atingiu 26,04 bilhões de litros, alta de 2,1 por cento na comparação anual. (Reuters 10/02/2015 às 16h: 132m)

 

Distribuidoras driblam a Petrobras

Segundo agência, distribuidoras de combustíveis já aproveitam os altos preços no Brasil para trazer gasolina e diesel mais baratos no exterior. Mercado cresceu 5,28% em 2014.

Com pequenas cargas, entre 30 milhões e 40 milhões de litros por navio, distribuidoras de combustíveis começam a aproveitar as oportunidades geradas pelos altos preços da gasolina e do diesel no Brasil para trazer produtos mais baratos do exterior. Segundo fontes do setor, as importações têm como destino prioritário o mercado de São Paulo, o maior e mais competitivo do país. Na avaliação da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a competição com a Petrobras tende a aumentar este ano, caso os preços internos da gasolina e do diesel se mantenham mais caros do que as cotações internacionais. "Há outros agentes (além da Petrobras) fazendo importações significativas de combustíveis neste momento", disse ontem o superintendente de Abastecimento da ANP, Aurélio Amaral, em seminário sobre o desempenho do mercado de combustíveis em 2014. No ano passado, disse ele, a agência emitiu 21 autorizações de importação e exportação de combustíveis a mais do que em 2013.

A partir de junho, quando atingiu o pico de US$ 115 por barril, o preço do petróleo iniciou uma trajetória de queda intensa, chegando a ser cotado na casa dos US$ 40 por barril, sem redução correspondente nos preços internos. Pelo contrário, em novembro a Petrobras elevou os preços da gasolina e do diesel em 3% e 5%, respectivamente. "O que movimenta o mercado é o preço", resumiu Amaral, evitando informar nomes das empresas importadoras. Segundo uma fonte, as distribuidoras têm aproveitado as baixas cotações no exterior para defender seus mercados em São Paulo, onde já existe uma tradição de importação de correntes de petróleo para produção de gasolina a custos mais baixos. "É um mercado muito competitivo, que já opera com margens menores e hoje é atacado por produtos mais baratos do que os vendidos pela Petrobras", diz o especialista.

Segundo cálculos de analistas, os preços da gasolina e do diesel no Brasil estão entre 40% e 60%superiores às cotações praticadas no mercado internacional. A Petrobras já anunciou que pretende manter os valores atuais, em estratégia para reforçar a geração de caixa enquanto enfrenta restrições para contratação de novas dívidas. Em sua última entrevista como presidente da estatal, Graça Foster reconheceu que a política poderia abrir espaço para outros importadores, mas disse que o benefício financeiro é mais importante. No ano passado, segundo dados divulgados ontem pela ANP, o mercado brasileiro de combustíveis cresceu 5,28%, com destaque para os combustíveis automotivos (gasolina e etanol), que registraram alta de 7,85%.

O aumento da mistura de etanol anidro à gasolina, de 20% para 25%. A melhora nas vendas do combustível derivado da cana-de-açúcar(aumento de 10,54% com relação ao ano anterior) garantiu um alívio à balança comercial de gasolina: o déficit do produto caiu 28,16%, para 1,8 bilhão de litros. Já o déficit nas compras de diesel se manteve em alta, apesar da desaceleração econômica: foram 10,8 bilhões de litros, volume 9,73% superior ao registrado em 2013. Parte desse aumento é fruto da geração de energia por termelétricas, que ficaram ligadas durante quase todo o ano. A estratégia do governo para poupar água nos reservatórios das hidrelétricas também provocou alta nas vendas de óleo combustível, de 24,14% com relação a 2013.

Nesse caso, porém, o Brasil é exportador. Amaral afirmou que a tendência é que o mercado se mantenha aquecido em 2015. "Pelos próximos dois ou três anos, o cenário é de expansão", comentou. Para especialistas, porém, o déficit na balança comercial do setor, por outro lado, deve apresentar queda, com a entrada em operação da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e o aumento da mistura de etanol na gasolina para 27% — que deve começar a vigorar em março, segundo conversas entre o governo e a indústria sucroalcooleira. Presente ao seminário da ANP, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) sugeriu incentivo ao uso de biodiesel em volumes além do obrigatório (hoje em 7% do diesel vendido nas bombas) nos estados mais distantes das refinarias, como medida para contribuir com a redução do déficit comercial. (Brasil Econômico 11/02/2015)

 

MT proíbe plantio de soja safrinha e aumenta período sem o cultivo

Os sojicultores de Mato Grosso estão proibidos de fazer a segunda safra de soja --a chamada safrinha. Além disso, deverão obedecer a um período maior para o vazio sanitário --período sem plantas vivas de soja.

A decisão foi tomada pelas secretarias de Desenvolvimento Econômico e da Agricultura Familiar e pelo Indea (Instituto de Defesa agropecuária de Mato Grosso).

Conforme a instrução normativa número 1/2015 desta terça-feira (10), o vazio sanitário para a safra 2015/16 terá início em 1º de maio e terminará em 15 de setembro. A nova instrução revoga os prazos da anterior, cuja proibição era de 1º de junho a 30 de setembro.

A liberação de plantio a partir de 15 de setembro será analisada por um grupo de trabalho, para avaliar os efeitos sobre a soja semeada a partir de outubro.

Seneri Paludo, da Sedec, diz que a decisão de expandir o vazio sanitário foi tomada com base em estudos agronômicos, que apontam a não sustentabilidade do plantio de soja sobre soja.

Nery Ribas, diretor técnico da Aprosoja (associação dos produtores), diz que o vazio sanitário é uma ferramenta importante, mas só ele não resolve.

É uma prática que vem sendo adotada há anos, mas que precisa ser complementada com outras boas aplicações de manejo pelo produtor.

Ribas diz que uma das preocupações dessa ampliação do vazio sanitário é com a produção própria de semente feita por parte dos produtores.

A não produção gera custos extras para os produtores. Além disso, a semente produzida na própria fazenda vai exigir mais cuidados dos produtores, afirma Ribas. (Folha de São Paulo 11/02/2015)

 

Venda de combustíveis cresce 5,28% em 2014 e deve se manter em alta

Apesar do enfraquecimento da economia brasileira, o mercado de combustíveis cresceu 5,28% no país, em 2014, para cerca de 144,5 bilhões de litros, segundo dados divulgados ontem pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para este ano, a expectativa é que o setor continue em alta, mesmo diante das perspectivas pessimistas para o crescimento econômico e dos preços mais altos do diesel e gasolina.

"Não dá para dizer se vai crescer da mesma forma este ano. A estimativa é que será um mercado ainda em crescimento, mas a ordem de grandeza é muito difícil de prever", afirmou ontem o superintendente de Abastecimento da ANP, Aurélio Amaral. Mais uma vez o setor cresceu descolado do PIB.

O indicador de 2014 ainda não está fechado, mas a expectativa do mercado é que o produto interno bruto do ano passado fique próximo de zero. Em 2013, o crescimento das vendas de combustíveis foi de 6,2%, enquanto o PIB subiu 2,3%. Ainda segundo a ANP, as vendas de diesel cresceram 2,49% frente a 2013, para 60,03 bilhões de litros.

O aumento na comercialização foi acompanhado de um crescimento da dependência das importações. O déficit da balança comercial de diesel subiu, ao todo, 9,7 %, em 2014, para 10,88 bilhões de litros. Na contramão das importações de diesel, o déficit no mercado de gasolina caiu 28,16%, para 1,89 bilhão de litros.

As vendas de gasolina C (misturada ao etanol) subiram 7 ,09%, para 44,3 bilhões de litros, enquanto a gasolina A cresceu 5,03% (33,2 bilhões de litros). O consumo total de etanol, por sua vez, cresceu 12,33% em 2014, para 24,08 bilhões de litros.

Segundo a ANP, esse crescimento pode não representar um aumento real, dada a possível existência de subnotificação por parte dos agentes do mercado.

O biodiesel, por sua vez, subiu 16,45%, para 3,4 bilhões de litros, alavancado, sobretudo, pelo aumento da mistura do biocombustível no diesel convencional.

Já as vendas de GLP (gás liquefeito de petróleo) subiram 1,26%, para 13,44 bilhões de litros, enquanto o mercado de óleo combustível cresceu 24,14% (6,19 bilhões de litros) e o de QAV (querosene de aviação) aumentou 3,4%, para 7 ,47 bilhões de litros. As vendas de GNV, por sua vez, foram o destaque negativo, com queda de 3,23%, para 4,9 milhões de metros cúbicos por dia. (Valor Econômico 11/02/2015)

 

Concorrência da Petrobras deve importar combustível, diz ANP

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aposta no aumento da concorrência à Petrobras na compra de combustíveis no mercado externo.

Segundo o superintendente de Abastecimento da agência, Aurélio Amaral, existe uma tendência de crescimento da importação por empresas que não a estatal.

Hoje, a Petrobras é responsável por quase a totalidade da gasolina e óleo diesel trazidos de fora.

A ANP autorizou 21 novas empresas a importar combustíveis. A maior parte das autorizações foi dada depois que os preços da Petrobras foram reajustados e passaram a superar os do mercado internacional.

A ex-presidente da estatal Graça Foster havia admitido que conta com o aumento da concorrência de empresas importadoras e que não era intenção da Petrobras reduzir os preços para evitar a perda de participação de mercado.

Segundo o superintendente da ANP, o déficit de gasolina, que dá a medida da necessidade de importação, caiu 28,16% em 2014. Já de óleo diesel subiu 9,7%.

A avaliação de Amaral sobre o comércio de combustíveis em 2015 é que "continuará aquecido". Ele diz ainda que "pelos próximos dois ou três anos o cenário é de expansão". A perspectiva é de que o mercado continuará a crescer, "repetindo 2014". (Agência Estado 10/02/2015)

 

SIAMIG anuncia que moagem de cana será menor nesta safra em Minas

A moagem de cana-de-açúcar em Minas Gerais caminha para o final do período produtivo 2014/15. Em decorrência das chuvas registradas em dezembro, várias usinas encerraram as atividades mais cedo. Até o fechamento da primeira quinzena de janeiro, haviam sido esmagadas 58,5 mil toneladas, volume 3,99% inferior ao processado em igual intervalo da safra anterior.

Para 2015/16, a tendência é de uma safra mais alcooleira devido às boas expectativas em relação à maior competitividade do produto. Os dados são da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig).

De acordo com o presidente da Siamig, Mário Campos, apenas uma unidade, localizada no Triângulo Mineiro, ainda está em período de moagem. "Nossa estimativa é encerrar a safra 2014/15 com o esmagamento de pouco mais de 59 milhões de toneladas.

Até o momento, somente a usina do Triângulo, que começou a operar mais tarde, mantém o esmagamento. Acreditamos que a safra daquela unidade vai emendar com a próxima", diz. As expectativas em relação à produção 2015/16 são positivas, principalmente no que se refere ao etanol, cuja produção deve crescer em detrimento do açúcar.

A aprovação do Projeto de Lei 5494/2014, que reduziu a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) incidente sobre o etanol hidratado de 19% para 14%, que entrará em vigor em março, também deve trazer novo fôlego ao setor sucroenergético de Minas Gerais.

Outros fatores, como a retomada da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e o possível aumento da mistura de etanol ao combustível fóssil, dos atuais 25% para 27%, que ainda depende apenas da aprovação da presidente Dilma Rousseff, também devem contribuir para a evolução do setor.

Do volume total de cana já processada, 42,74% foi destinada à fabricação de açúcar, índice inferior à utilizada na safra 2014/15, que era de 44,04%. Os preços baixos pagos pelo produto no mercado internacional é o principal fator de desestímulo.

Até a primeira quinzena de janeiro, Minas Gerais havia produzido 3,25 milhões de toneladas de açúcar, retração de 4,41% frente á safra anterior. O volume total para a safra foi estimado em 3,29 milhões de toneladas. Ao contrário do açúcar, houve aumento na destinação de cana para o etanol, passando de 55,96% para 57,3%.

Até a primeira quinzena de janeiro, a produção de etanol total somou 2,68 bilhões de litros, aumento de apenas 0,82% quando comparado com o mesmo período do ano passado.

A produção de etanol hidratado ficou 2,97% superior, com a fabricação de 1,52 bilhão de litros, volume que superou a estimativa inicial do Siamig que previa uma geração de 1,5 bilhão de litros. Já o volume de etanol anidro recuou 1,89%, encerrando o período em 1,15 bilhão de litros. O volume total estimado é de 1,17 bilhão de litros. (Jornal Diário do Comércio 10/02/2015)

 

Estudo mostra como usinas de cana podem reduzir consumo de água

Medidas simples e bem direcionadas podem resultar em reduções expressivas no consumo de água em usinas de cana-de-açúcar. É o que mostra estudo desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária (SP), em conjunto com a Faculdade de Tecnologia (Fatec) de Piracicaba (SP).

Tecnologias como a limpeza a seco da cana-de-açúcar para a queima da palha nas caldeiras de alta pressão fazem com que o consumo diminua entre 11 a 13%, em relação à lavagem úmida que é bem usual atualmente. A substituição do "splay", sistema de refrigeração por aspersão, pela torre de resfriamento reduziria as perdas de 5 a 8% para 1,5 a 3%, no total do balanço hídrico.

Adotando-se o conjunto de medidas propostas pela pesquisa, pode-se adequar a captação da água das usinas à legislação ambiental. De acordo com o pesquisador Fábio César da Silva, da Embrapa Informática Agropecuária, para reduzir ainda mais esses números é necessário o tratamento do reúso da água contida no efluente e a realização de processos como a concentração e a biodigestão da vinhaça.

O pesquisador explica que a modelagem do balanço hídrico fornece dados que permitem estimar o consumo de efluentes e estabelecer o tipo de operação unitária para o seu tratamento, além de avaliar o impacto do uso da água pela destilaria, no caso da produção de etanol, e pela fábrica, na produção de açúcar.

Para isso, sugere a instalação de um desareador para o aumento da eficiência térmica da caldeira, a substituição de trocadores de calor a placas por chillers de redução de temperatura na fermentação do mosto, a limpeza a seco da cana-de-açúcar e a instalação de torres de refrigeração para reutilização da água em operações unitárias da própria usina.

"A otimização do consumo hídrico da usina é essencial para a sustentabilidade do agronegócio sucroalcooleiro. Dessa forma, empregar sistemas de água fechados fazendo somente a reposição das perdas de processo traz enormes vantagens econômicas para a usina e diminui a captação de água bruta de rios, lençóis freáticos e mananciais", afirma Silva.

O balanço hídrico é usado por gestores das áreas agrícola e industrial visando à redução de custos de produção e também com o objetivo de identificar pontos nos quais, com o uso de tecnologias mais modernas, seja possível reduzir ainda mais o consumo de água e aperfeiçoar a prática do reúso, conta o engenheiro-agrônomo Ericson Marino, diretor da Consultoria EPP. Marino acompanhou a aplicação da metodologia na Usina Iracema, localizada em Iracemápolis (SP).

"Esta usina já pratica uma gestão cuidadosa de seus recursos hídricos por estar em uma região na qual já não há muita água disponível para uso industrial, pois as captações disponíveis na região estão comprometidas com o abastecimento da população nela residente. No teste conduzido na Usina Iracema verificou-se a perfeita aplicabilidade do modelo desenvolvido pela Embrapa Informática Agropecuária", disse Marino.

O consultor alerta que os processos de produção de açúcar e de etanol têm variantes de tecnologia que precisam ser levadas em conta quando se faz o balanço hídrico da unidade considerada. "Portanto, as diversas alternativas já conhecidas e que se destinam à redução do consumo e reúso da água têm de ser adaptadas a cada situação", informa.

No caso de usinas e destilarias recém-construídas, os projetos já incorporam as melhores alternativas disponíveis e o que ainda pode ser feito nestas novas unidades depende de uma análise de viabilidade econômica e financeira, segundo Marino. "E este é o caso da biodigestão da vinhaça e de sua evaporação posterior à biodigestão. A água evaporada para concentrar a vinhaça tem reúso garantido em várias etapas do processo de produção de açúcar e etanol."

Os pesquisadores envolvidos no estudo explicam que agora é possível determinar a quantidade de consumo de água na produção e as medidas necessárias para a sua otimização de uso e reúso, assim como distinguir os processos de utilização de água e efetuar o dimensionamento de tubulações (coletores, distribuidores, entre outros), bombas, trocadores de calor, evaporadores e estações de tratamento de água.

Três décadas atrás, a captação de água na indústria sucroalcooleira era de 15 a 20 m³ por tonelada de cana. Uma redução ocorreu devido à legislação ambiental e à implantação do sistema de cobrança pela utilização de recursos hídricos, decorrentes da Constituição Federal de 1988.

Levantamento realizado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em 1997, analisou a captação de 34 usinas da Copersucar, que chegou à média de 5 m³ por tonelada. Em 2012, no Estado de São Paulo, o valor foi de 1,26 m³ por tonelada, de acordo com dados da Secretária do Meio Ambiente de São Paulo.

Os resultados da pesquisa auxiliam no desenvolvimento de soluções sustentáveis para as produções de etanol e de açúcar. Os dados foram obtidos a partir de diagnóstico sobre a intensidade da utilização de recursos hídricos nas atividades relacionadas ao processamento da cana-de-açúcar e estão disponíveis na internet.

O trabalho foi apresentado no final de 2014 no Conference on Sugar Processing Research (SPRI 2014) na forma do artigo "Analysis of water comsumption in the sugar and alcohol mills in Brazil" e no Congresso Nacional de Bioenergia da União dos Produtores de Bioenergia (Udop), sob o título "Análise de consumo hídrico em usinas sucroenergéticas e as práticas de reúso de efluentes".

Limpeza a seco

Quatro usinas foram submetidas aos métodos de avaliação propostos pela pesquisa realizada em colaboração entre a Embrapa e a Fatec. Três delas apresentaram uma relação de consumo de água por tonelada de cana satisfatória e dentro dos parâmetros hídricos solicitados pela Secretaria do Meio Ambiente, que determina que o consumo de água deve ser abaixo de 0,7 m³ por tonelada de cana processada. Uma usina analisada, que utiliza 1 m³ por tonelada, deve investir na otimização do balanço hídrico da fábrica.

Segundo Silva, os estudos realizados reduzem a captação de 0,69 a 0,62 m³ por tonelada, indicando as práticas que permitem chegar a esses valores. "Como solução para o uso inadequado e exagerado dos recursos hídricos nas produções de álcool, podemos apontar a otimização dos fatores que influenciam o funcionamento e reduzem as perdas dos equipamentos e processos de resfriamento", avalia.

O Brasil está entre os maiores produtores de álcool do mundo, e no País funcionam 347 usinas. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na safra 2013/2014 foram produzidos 40,97 milhões de toneladas de açúcar e 27,17 bilhões de litros de etanol numa área plantada de 8,8 milhões de hectares. Isso significa que houve o consumo aproximado de 880 milhões de metros cúbicos (m³) de água pelas usinas, embora a maioria tenha circuitos de água fechados.

O estudo traz resultados de impacto positivo para o setor sucroenergético, já que há carência de pesquisas nessa área, na opinião de Marino. "A administração deste recurso, hoje tão escasso, exige e exigirá cada vez mais instrumentos de gestão mais poderosos em termos de capacidade de planejamento e previsão de crises, com antecedência suficiente para orientar atitudes no âmbito das empresas privadas e dos órgãos governamentais", diz. "É também importante instrumento da gestão ambiental que está cada vez mais responsável nas usinas e destilarias brasileiras", avalia.

As soluções apresentadas são tecnicamente viáveis, embora tenham um custo elevado. Contudo, muitas usinas já vêm adotando tecnologias como a limpeza da cana a seco ou adequando o processo de extração do caldo de cana sem que esta seja lavada. Várias delas também estão instalando evaporadores de vinhaça, para atender à legislação ambiental. Outra tendência é o uso de torres de resfriamento, que devem substituir as piscinas de resfriamento de água ou tanques ‘spray', mais comuns em usinas e destilarias antigas. (Embrapa 10/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Pressão externa: Os contratos futuros do açúcar registraram forte volatilidade ontem em Nova York, em meio a novos ajustes técnicos por parte dos fundos, mas fecharam em queda. Os lotes do demerara para maio fecharam a 14,70 centavos de dólar a libra-peso, em baixa de 11 pontos. Já os lotes de primeira posição, para março, seguiram mais valorizados, o que reforça o foco dos compradores internacionais na oferta de curto prazo. Mas o dólar em alta e petróleo em queda forçaram uma desvalorização dos contratos com diferentes vencimentos, também pressionados pela disponibilidade de açúcar da Tailândia, segundo Bruno Lima, da FCSTone. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal recuou 0,24%, para R$ 49,89 a saca de 50 quilos.

Café: Tombo em NY: O apetite especulativo no mercado do café não durou mais do que duas sessões. Ontem, as cotações do arábica sofreram forte queda na bolsa de Nova York, em meio ao cenário externo e à pressão dos fundamentos. Os lotes para maio fecharam a US$ 1,6225 a libra-peso, com baixa de 815 pontos. A alta do dólar em relação a diversas moedas ontem, especialmente ante o real, colaborou para o movimento, já que favorece o aumento da oferta a partir do Brasil. O clima mais chuvoso no Sudeste do país registrado desde o início do mês tem reduzido os receios de que a quebra de safra de 2014/15 possa se repetir no ciclo atual. Esses fatores deram a base para a realização de lucros por parte dos fundos. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 4,09%, a R$ 463,80 a saca.

Laranja: Flórida no foco: A manutenção da estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra de laranja da Flórida aliviou os temores dos investidores, levando a um recuo expressivo das cotações do suco da fruta na bolsa de Nova York. Os lotes do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para maio fecharam a US$ 1,352 a libra-peso, com baixa de 415 pontos. O USDA calcula uma safra de 103 milhões de caixas no Estado, com rendimento 1% menor que o projetado em janeiro. O clima na Flórida tem sido favorável aos pomares, e há otimismo quanto ao pacote de US$ 30 milhões que o órgão anunciou para combater o greening a curto e longo prazo. No mercado interno, o preço da laranja para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq ficou em R$ 10,36 a caixa.

Algodão: Efeito USDA: As novas projeções de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) provocaram diferentes efeitos sobre os futuros do algodão, que encerraram a sessão de ontem na bolsa de Nova York com leve alta. Os papéis para maio fecharam a 62,89 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 16 pontos. A primeira reação ao documento foi de forte valorização, já que o órgão aumentou sua estimativa para as exportações dos EUA para 2,32 milhões de toneladas em 2014/15. Porém, o movimento perdeu fôlego ao longo do dia, uma vez que o cenário geral do USDA é de oferta ainda mais confortável que o estimado em janeiro. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu apenas 0,03%, para R$ 1,6809 a libra-peso. (Valor Econômico 11/02/2015)