Setor sucroenergético

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Raízen tem lucro na divisão de combustíveis e perdas na produção

A Raízen, empresa de cana-de-açúcar e distribuição de combustíveis controlada pela Cosan e pela angloholandesa Shell, registrou lucro líquido de R$ 314 milhões no terceiro trimestre do ciclo 2014/15, encerrado em 31 de dezembro.

O resultado representou um crescimento de 35,1% em relação ao mesmo intervalo do exercício passado.

No acumulado do ano-fiscal - entre abril e dezembro -, o resultado líquido da companhia foi positivo em R$ 922,8 milhões, 36,8% acima do registrado em igual intervalo do ano-fiscal anterior.

A área de distribuição de combustíveis, a Raízen Combustíveis, trouxe impacto positivo ao resultado, ao registrar no período um lucro líquido de R$ 401,9 milhões, 15,4% maior.

Já o negócio de processamento de cana-de-açúcar, a Raízen Energia, teve perda líquida de R$ 87 ,5 milhões no período, ante um prejuízo de R$ 115,4 milhões no mesmo período do exercício anterior.

Em comunicado a investidores, a Raízen explicou que o avanço em combustíveis se deveu a um melhor resultado operacional, com aumento da margem bruta em função dos maiores volumes vendidos e de uma redução de despesas operacionais com vendas e administrativas.

No caso da Raízen Energia, a perda decorreu de um pior resultado financeiro - negativo em R$ 300 milhões, 24,9% maior. As perdas decorrentes de variação cambial no período cresceram 7 3,7 %, a R$ 221,1 milhões; apenas parcialmente compensadas por ganhos em operações com derivativos.

Ainda, os encargos da dívida bruta aumentaram 29%, a R$ 135,5 milhões, no terceiro trimestre na comparação com igual intervalo do exercício anterior. Conforme a empresa, a operação sucroalcooleira obteve uma compensação decorrente de melhora nos indicadores operacionais no trimestre.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) da Raízen Energia aumentou 49% no período de três meses encerrados em dezembro, para R$ 607 milhões.

Na mesma comparação, o Ebitda da Raízen cresceu 23%, a R$ 1,27 7 bilhão. A receita líquida da Raízen cresceu no trimestre 14%, a R$ 16,9 bilhões, na comparação com igual intervalo do exercício anterior.

Desses, R$ 2,6 bilhões foram da operação sucroalcooleira, um aumento de 24,3% ante um ano antes.

No terceiro trimestre, a Raízen Energia obteve um lucro bruto de R$ 387 ,5 milhões, um aumento de 12,3% em relação a igual intervalo do ciclo anterior.

Conforme a companhia, o resultado decorrente da venda de açúcar caiu 13,9% na comparação trimestral, para R$ 203,4 milhões.

Na mesma comparação, o lucro bruto vindo da venda de etanol caiu 31,1%, a R$ 83,2 milhões. Somente o resultado bruto decorrente da venda de energia elétrica cresceu no terceiro trimestre.

Foi uma alta de 88%, a R$ 165,6 milhões.Nos três meses encerrados em 31 de dezembro, as usinas da Raízen Energia processaram 11,668 milhões de toneladas de cana, queda de 27 ,5% em relação ao mesmo trimestre de 2013/14.

No acumulado da safra, o volume processado foi de 57 milhões de toneladas, recuo de 7 ,1%.

Ao todo, o negócio de cana-de-açúcar foi afetado pela estiagem de 2014, que reduziu a produtividade agrícola dos canaviais, em especial os de São Paulo, em 12,7 %, para 67 ,4 toneladas por hectare.

Esses efeitos foram parcialmente compensados pela maior concentração de açúcar na cana, o chamado ATR, em 2,5%. (Valor Econômico 12/02/2015)

 

Contrato de etanol tem grande potencial de expansão e está em discussão

Ampliar o leque de produtos e o uso da plataforma de renda fixa são alguns dos desafios da BM&FBovespa para este ano. Para isso, o conselho de administração nomeou Eduardo Guardia para a diretoria executiva de produtos, após deixar a diretoria de RI. De acordo com o executivo, há uma percepção positiva dos bancos quanto ao uso da plataforma de renda fixa. No entanto, ele lembra que precisa haver uma mudança de cultura para que os negócios sejam ampliados.

"Aos poucos os bancos estão percebendo que existe prioridade da Bolsa no mercado de balcão. Além disso, tem a questão cultural, os bancos estão há mais de 30 anos acostumados com determinada alternativa", diz. Sobre a ampliação de produtos, Guardia avalia que isso deve ocorrer no segundo semestre.

"No primeiro semestre o foco é a migração para a nova plataforma. A partir do mês que vem já estaremos disponibilizando CDB escalonado, letras financeiras e COE (Certificado de Operações Estruturadas) com entrega física. Já estamos em testes, já temos a autorização e estamos fazendo a certificação com o mercado", diz, acrescentando que a partir de 18 de março essas operações já estarão liberadas na plataforma de renda fixa.

O executivo disse ainda que o segmento de commodities também terá novidades. Um contrato que tem grande potencial e está em discussão é o de etanol.

Ele lembra que a maioria dos contratos agrícolas tem liquidez muito grande nos mercados internacionais, principalmente nos Estados Unidos, e o etanol tem condições de se desenvolver.

"Do lado dos produtores, existe o interesse em usar esse contrato como instrumento de hedge, mas a gente precisa trazer para a mesa de negociação os distribuidores. Estamos tendo uma série de conversas para tentar aumentar a liquidez. Nós estamos fazendo um esforço grande para atrair novos clientes, principalmente, estrangeiros", diz. (Brasil Econômico 12/02/2015)

 

Governo da Índia estuda retomar subsídio para exportação de açúcar

O governo indiano considera conceder subsídios a usinas para estimular a exportações de 1,4 milhão de toneladas de açúcar demerara, em uma tentativa de ajudar as indústrias do país a reduzir os estoques volumosos. Esta não seria a primeira vez que a Índia usa o subsídio.

Na temporada encerrada em dezembro do ano passado, o governo pagou 3.371 rupias indianas (US$ 56) por tonelada de açúcar exportada. O governo não divulgou o valor do subsídio proposto, de acordo com Ramvilas Paswan, ministro de Consumo, Alimento e Distribuição do país.

O setor vem solicitando o incentivo para ajudar a exportar os estoques domésticos volumosos de açúcar. A grande oferta pressiona os preços do produto no país e por isso as usinas têm dificuldades em pagar os agricultores.

A Índia, segundo maior produtor mundial da commodity, produziu 13,48 milhões de toneladas do produto entre outubro e janeiro, segundo dados da Associação das Usinas de Açúcar do país, acima das 11,7 milhões de toneladas apuradas em igual período da temporada anterior.

A produção de açúcar da Índia deve somar 25 milhões de toneladas nesta temporada, que vai de outubro de 2014 até setembro deste ano, enquanto o consumo estimado pelo governo é de 24,8 milhões de toneladas.

O açúcar indiano não é competitivo no mercado internacional por ser mais caro que o produzido no Brasil e na Tailândia. No ano passado, com o subsídio, a Índia exportou mais de 1 milhão de toneladas de açúcar demerara. (Dow Jones 11/02/2015)

 

Fusão ALL/Rumo preocupa setor sucroenergético do PR, afirma Alcopar

O presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), Miguel Rubens Tranin, voltou a manifestar preocupação com relação à fusão entre América Latina Logística (ALL) e a Rumo, do Grupo Cosan.

Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, ele disse esperar que a logística paranaense não seja prejudicada pela união das duas empresas.

Nos preocupa por causa do impacto econômico que isso geraria. No Paraná, 85% do açúcar produzido é exportado. E 90% desses 85% são transportados por ferrovia", comentou Tranin.

A Alcopar foi a primeira a se posicionar contra a fusão das companhias. Ao todo, 16 associações e entidades se opuseram à união, aprovada hoje pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A união entre as empresas foi aprovada pelo tribunal antitruste por unanimidade, mas com uma série de restrições, entre elas multa prévia mínima de R$ 5 milhões por descumprimento do acordo de fusão balizado pelo Cade e punição direta e individual de multa entre R$ 50 mil e R$ 1 milhão ao supervisor da nova empresa, em caso de descumprimento de regras acertadas com o tribunal. (Agência Estado 11/02/2015)

 

Biosev tem janeiro de chuvas abaixo da média em canaviais de SP

Às vésperas de começar a safra 2015/16, a Biosev, segunda maior processadora de cana-de-açúcar do Brasil, registrou chuvas abaixo da média histórica em janeiro em importantes áreas de produção, embora melhores que as vistas no mesmo mês de 2014, disse nesta quarta-feira seu principal executivo.

"As chuvas de janeiro ficaram abaixo da média histórica em São Paulo, mas melhores que ano passado", disse o presidente da companhia, Rui Chammas, em entrevista à Reuters.

"E fevereiro é um mês que ainda se constrói, do ponto de vista de umidade do solo. Tem um ponto que a gente está observando com bastante atenção", afirmou o executivo, sem dar outros detalhes.

Das onze usinas da companhia, cinco estão no interior paulista, concentradas principalmente no norte do Estado. Outras três ficam em Mato Grosso do Sul, duas no Nordeste e uma em Minas Gerais.

Em meados de janeiro, Chammas havia dito que chuvas dentro da normalidade, até aquele momento, poderiam provocar uma reação dos seus canaviais na safra que começa a ser colhida oficialmente em 1º de abril, em comparação à temporada anterior, que foi afetada por poucas chuvas no verão de 2014.

O executivo disse que a previsão para a nova safra de cana (2015/16) será divulgada apenas em março.

A Biosev informou que seu volume de moagem de cana da safra 2014/15 deverá ficar ligeiramente abaixo do limite inferior da previsão feita anteriormente.

A estimativa para a safra 14/15 era entre 29 milhões e 31,5 milhões de toneladas de cana, contra 30 milhões em 2013/14.

A Biosev continua moendo cana da safra 14/15 no Nordeste, tendo encerrado já as atividades nas demais usinas.

A empresa registrou prejuízo de 86,2 milhões de reais no período de outubro a dezembro do ano passado, em comparação a uma perda de 203,7 milhões de reais um ano antes, segundo informações divulgadas na noite de terça-feira.

PREÇOS

A Biosev, controlada pela gigante francesa do setor de commodities Louis Dreyfus, projeta melhoria nos preços do açúcar e do etanol em 2015.

"Este é um ano em que a gente imagina ter balanço entre oferta e demanda (no mercado global). Contrário ao que a gente teve na última safra (2014/15), que foi ainda de superávit de açúcar. Nossa perspectiva é que com esse balanço, o preço tenda a se recuperar", disse Chammas.

O açúcar bruto negociado em Nova York acumula perdas de 20 por cento ante o pico de 2014, registrado no início de março.

A Biosev também comemorou uma série de medidas recentes, incluindo o aumento de impostos sobre a gasolina, que prometem melhorar a competitividade e aumentar o consumo de etanol no Brasil este ano.

"Olhando para frente; esta medida (aumento de impostos), somada ao aumento da mistura (de etanol na gasolina) e somada ainda ao aumento do ICMS para a gasolina em Minas Gerais e à redução para o etanol, esse conjunto de medidas vai favorecer o uso do biocombustível, o que acho bastante positivo para a indústria e para a Biosev", afirmou o presidente da companhia.

Ele não fez projeções para preço de açúcar e etanol em 2015.

A empresa já tem fixados preços para 574 mil toneladas de açúcar, ou 36 por cento, da exposição para a safra 2015/16.

Para este volume fixado, o preço médio ficou em 17,40 centavos de dólar por libra-peso, ante 19,04 centavos da média da safra 2014/15. (Reuters 11/02/2015)

 

Biosev: volume fixado de açúcar para safra 2015/16 alcança 574 mil t

O diretor-presidente da Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities (LDC), Rui Chammas, destacou nesta quarta-feira, 11, em teleconferência, que a empresa fixou o preço, até 31 de dezembro, de 574 mil toneladas de açúcar a ser comercializada na safra 2015/16, que começa em abril.

O preço médio fixado foi de 17,40 centavos de dólar por libra-peso, afirmou. Com o dólar médio em R$ 2,66, esse valor fica em R$ 46,28 por libra-peso.

Ontem, a Biosev reportou prejuízo líquido de R$ 86,242 milhões no terceiro trimestre do ano-safra 2013/14, correspondente ao quarto trimestre de 2014. O montante é 57,7% menor em relação às perdas de R$ 203,738 milhões registradas em igual período do ciclo anterior.

A receita líquida aumentou 1,5% no período, para R$ 1,031 bilhão. O Ebitda, por sua vez, somou R$ 309,926 milhões (+78,5%).

A Biosev nasceu em 2009, a partir da fusão da LDC Bioenergia com a Santelisa Vale, uma das maiores companhias nacionais na produção e processamento de cana-de-açúcar. Ela é a segunda maior processadora de cana do mundo, com 11 unidades industriais estrategicamente localizadas em 4 polos agroindustriais no Brasil. A capacidade total de moagem é de 36,4 milhões de toneladas por safra. (Agência Estado 11/02/2015)

 

Cade aprova com restrições a fusão entre ALL e Rumo

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem a fusão entre a ALL e a Rumo (da Cosan) com restrições (como o limite de movimentação de cargas próprias, por exemplo), mas sem que as empresas tenham que vender um centavo em ativos.

A decisão foi tomada por unanimidade, em um caso que bateu recorde de pedidos de impugnação junto ao órgão antitruste.

A aprovação foi antecipada na última semana pelo Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor.

A aprovação põe fim a uma série de incertezas regulatórias que o processo de fusão causava entre investidores, que receberam bem a decisão final do Cade.

Ontem, as ações da ALL subiram 15%, para R$ 5,18. Já as da Cosan Logística (antiga Cosan Infraestrutura) valorizaram 10%, para R$ 2,97

O Ibovespa caiu 0,56%, para 48.240 pontos. Agora, a expectativa do mercado é que as companhias negociem com o governo federal a extensão do prazo de concessão das ferrovias em troca de mais investimentos na malha.

Para os analistas Renato Mimica e Samuel Alves, do BTG Pactual, "todos os olhos" dos investidores estão agora voltados a isso.

Eles esperam que a fusão trará melhorias para a nova companhia ainda neste ano. Ao longo das discussões sobre a operação, os executivos da Cosan chegaram a falar que a extensão dos prazos era uma parte importante do negócio.

O próprio presidente da Cosan, Marcos Lutz, subiu à tribunal do Cade para defender a operação, citando os investimentos que a nova companhia pode fazer. "Concordo que a ALL não atende bem os seus clientes, mas essa operação muda isso", afirmou.

Segundo ele, a ALL não tinha capacidade de se financiar e a fusão modifica esse cenário, permitindo novos investimentos na companhia. "Aqui, nós conseguiremos expandir a ALL, que é o que o país precisa", concluiu.

Na época das negociações da fusão, informações indicaram que seriam feitos investimentos de ao menos R$ 8 bilhões em cinco anos. Lutz também disse, após o julgamento, que as restrições do Cade são aceitáveis, já que "não afetam a capacidade de investimento".

"A decisão dá conforto aos usuários de que (os ativos) serão usados de forma igualitária e permite a expansão da companhia", acrescentou.

As argumentações sobre potencial de novos investimentos influenciaram o Cade. O presidente do órgão antitruste, Vinícius Carvalho, admitiu que pesou no julgamento os anúncios de novos desembolsos na ferrovia, o que deve causar aumento de transporte de cargas. "Esse compromisso aposta muito nas eficiências e na possibilidade de que elas advenham de aportes de investimentos robustos.

“É isso que a sociedade espera", disse Carvalho. Entre os terceiros interessados no processo há temores sobre a decisão.

Para um executivo, algumas das restrições impostas à fusão foram brandas.

"As condições de governança também não impedem abuso de poder econômico". Para essa fonte, todavia, o ponto positivo é a existência de um novo investidor na ALL.

"Eles [Cosan] foram os únicos dispostos e as restrições impostas pelo Cade não devem dificultar o investimento, que é o que a ALL precisa".

Outra fonte observa que ainda há possibilidade de discriminação, que pode ocorrer em questão de "horas" durante a operação, mas que demoraria "meses"para ser remediada de acordo com as medidas estabelecidas.

De forma geral, no entanto, os interessados ainda vão estudar o chamado Acordo em Controle de Concentração (ACC) do Cade - cujo texto ainda nem havia chegado às mãos de todos os interessados ontem.

Ao todo, mais de 16 empresas e associações pediram restrições contra a fusão no Cade temendo dificuldades no acesso à estrutura logística da nova companhia.

A lista inclui Agrovia, Fibria, Eldorado e Ipiranga. Durante o julgamento, os conselheiros optaram por impor condições sobre a conduta das empresas no mercado de transporte e armazenamento de produtos.

Segundo o relator do processo, conselheiro Gilvandro Vasconcelos Araújo, a Cosan terá, por exemplo, uma cota máxima para utilização da ferrovia para o transporte de açúcar e os concorrentes terão uma cota mínima de 40% de participação nos terminais da Rumo no Porto de Santos.

O valor da cota máxima não foi revelado, mas foi fixado com base nos volumes transportados atualmente pela Cosan.

Outra medida importante foi a obrigação de contratar um Supervisor, que será responsável por fiscalizar possíveis casos de discriminação na ferrovia.

Ele será eleito pelo Conselho de Administração e deverá analisar as reclamações de usuários da ferrovia, informando os casos problemáticos ao Cade.

"O supervisor será responsável por garantir a isonomia na prestação do serviço", explicou Araújo. A ALL e a Rumo concordaram com as condições e assinaram um acordo com o Cade para cumpri-las. Esse acordo determinou ainda que poderão ser instaurados procedimentos de arbitragem caso haja problemas no uso da ferrovia por concorrentes da Cosan.

O objetivo de o Cade prever a arbitragem foi o de permitir que eventuais disputas pelos trilhos da ALL possam ser resolvidas com mais rapidez.

O acordo prevê também que, caso o órgão antitruste apure atitudes discriminatórias por parte da companhia, serão aplicadas multas que vão de R$ 5 milhões até a proibição de transporte de cargas da Cosan.

O supervisor pode sofrer multa de até R$ 1 milhão se não impedir eventuais casos de discriminação.

Pouco antes da votação, no entanto, impugnantes já tinham pedido a imposição de condições mais fortes à ALL-Rumo. Representando a Abiove, o advogado Ubiratan Mattos afirmou que o Cade não poderia aprovar a fusão sem impor medidas de desinvestimento.

Ele pediu a venda de ativos da companhia no Porto de Santos e o impedimento dela em participar de novas licitações no local.

"Não há registro na história do Cade de uma operação que tenha recebido tantas impugnações", ressaltou. Já a advogada Maria Cecília Andrade, da Agrovia, disse que a empresa pode ser prejudicada pela Cosan no transporte de açúcar e também pediu a venda de ativos.

"Em casos dessa magnitude não adiantam remédios comportamentais. As condutas, os abusos na ferrovia acontecem no dia a dia, na madrugada. É impossível ter um monitoramento suficiente para conter todos os abusos que acontecerem nessa operação", afirmou.

A conselheira Ana Frazão acredita que as medidas são capazes de evitar discriminação. "Não me lembro de condições de contratação tão detalhadas como essas", disse.

O conselheiro Márcio de Oliveira Júnior lembrou que o Cade recebeu diversas queixas contra a fusão, mas que o órgão conseguiu equacioná-las. (Valor Econômico 12/02/2015)

 

Sem manifestação de Dilma, aumento da mistura de etanol pode não acontecer

A demora da presidente Dilma Rousseff em oficializar o novo porcentual de etanol anidro na gasolina indica ao setor sucroalcooleiro que a implantação da mistura pode não acontecer no dia 16 de fevereiro, como esperado.

Sabe-se que o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, esteve ontem com Dilma para tratar do assunto. A reunião entre os dois deveria ter ocorrido no dia 3 de fevereiro, um dia depois da audiência do setor com o ministro, mas com a crise na Petrobras o debate foi adiado. De acordo com fontes do setor sucroenergético ouvidas pelo Broadcast, apesar da conversa, nada foi oficializado ainda.

Conforme as fontes, se o reajuste da mistura fosse decretado hoje, por exemplo, seriam necessários cerca de 15 dias para as distribuidoras acertarem a compra do produto. Esse seria, ao menos, o prazo "ideal".

Pela lei atual, o governo pode optar por um porcentual que vai de 18% a 27,5%. A cadeia produtiva de açúcar e álcool havia solicitado, inicialmente, o limite máximo, mas dificuldades quanto à medição do 0,5 ponto porcentual devem limitar a mistura, num primeiro momento, a 27%.

Em evento na semana passada em São Paulo, a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina, disse que o governo tem disposição de elevar a mistura para 27,5%. Porém, isso vai depender, segundo ela, dos últimos testes de durabilidade, que devem terminar em meados de março. (Agência Estado 11/02/2015)

 

BrasilAgro defende estratégia de plantio menor

A BrasilAgro, uma das principais companhias agrícolas do país, especializada no desenvolvimento de terras, defendeu a estratégia de redução da área plantada que promoveu na atual safra 2014/15.

"Os ajustes que fizemos foram muito prudentes e equilibrados com o que estamos sentindo. Estamos caminhando para um resultado operacional bastante positivo", disse ontem o CEO Julio Piza, em teleconferência com analistas para comentar o balanço da empresa.

No segundo trimestre do ano-fiscal 2015, encerrado em 31 de dezembro, a BrasilAgro registrou um lucro líquido de R$ 1,18 milhão, revertendo o prejuízo de R$ 1,38 milhão no mesmo período do ano anterior. Já a receita líquida de vendas somou R$ 21,25 milhões, forte elevação de 47 6,9% sobre os R$ 3,68 milhões de um ano antes.

O cenário negativo para os preços dos grãos em 2014/15 levou a empresa a cultivar 7 8,04 mil hectares (entre soja, milho, cana e pasto), 6% aquém dos 83,13 mil hectares da temporada anterior.

Em novembro, a expectativa da companhia era semear uma área até um pouco maior, de 82,2 mil hectares. "Nosso plantio foi mais conservador, mas nossa visão está muito alinhada com as expectativas do mercado atual", afirmou Piza.

De acordo com o executivo, em abril do ano passado, a BrasilAgro estimava que a soja com entrega para julho de 2015 alcançaria R$ 53 a R$ 54 sacas por hectare, posto no Piauí (onde a empresa trabalha com duas fazendas).

Em setembro, a projeção caiu a R$ 44, e agora, já subiu para o patamar de R$ 51 a R$ 52. "Recuperamos um bom pedaço disso através do câmbio, e também não temos passivo em dólar.

Estamos conseguindo capturar a depreciação do câmbio, afirmou. Por outro lado, Piza disse que deve haver um estresse no sistema de financiamento no país.

"O custo do financiamento agrícola vai subir". O CEO reforçou que a companhia continua atenta a novos negócios na área de terras.

Mas, por ora, esses preços ainda não sofreram alterações. "Existe um espaço de tempo entre mexidas nos fundamentos e ajustes no preço das terras. Neste momento, o mercado está morno, mas deve haver um realinhamento de preços e possíveis chances de aquisições", acrescentou.

A BrasilAgro já negociou 7 1% da produção de soja esperada para 2014/15, a US$ 10,7 0 por bushel - acima dos atuais US$ 9,80 na bolsa de Chicago. Além disso, 7 0,9% da oleaginosa também já têm seu preço travado, com o dólar a R$ 2,7 1.

"Temos acumulado resultados positivos, o que obviamente vai impactar nosso patrimônio líquido, deixando-nos aptos a pagar dividendos, por exemplo", disse Piza.

Conforme a companhia, o desenvolvimento do milho na Bahia foi prejudicado pela escassez de chuvas em janeiro, mas ainda não é possível mensurar o impacto na produtividade, que vem se recuperando com as últimas chuvas.

Já a soja tem bom desenvolvimento em todas as fazendas. (Valor Econômico 12/02/2015)

 

Bactéria modificada transforma energia do Sol em etanol

O armazenamento da inesgotável energia do Sol, submetida aos vaivéns das nuvens e do dia e da noite, está mais próximo de se tornar realidade. Cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, criaram um sofisticado sistema que utiliza uma bactéria geneticamente modificada para transformar a energia solar em combustível líquido. A fórmula, caso sua eficácia seja comprovada, ajudaria a enfrentar o desafio energético e lutar contra as mudanças climáticas.

Os pesquisadores, liderados pelo químico norte-americano Daniel Nocera, utilizaram a energia do Sol para obter hidrogênio da água (formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio). Com esse hidrogênio, a bactéria modificada, da espécie Ralstonia eutropha, é capaz de transformar o CO2, o principal gás responsável pelo aquecimento global, em álcool combustível, o isopropanol. Ao ser líquido, poderia ser transportado com a infraestrutura atual, destacam os autores.

Nocera está há anos sonhando com uma revolução energética planetária. Em 2009, foi considerado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, pelo reconhecimento de seus estudos sobre combustíveis inspirados na fotossíntese das plantas.

“As células fotovoltaicas têm um considerável potencial para satisfazer as futuras necessidades de energia renovável, mas são necessários métodos eficientes e escaláveis para armazenar a eletricidade intermitente que produzem e poder implantar a energia solar em grande escala”, explicam os autores na revista científica PNAS. Seu sistema poderia ser esse desejado depósito de energia solar.

Outras equipes de cientistas descobriram métodos semelhantes, mas precisaram acelerar as reações químicas com metais como a platina e o índio, disparando os custos. A equipe de Nocera emprega como catalisadores metais abundantes na Terra, como o cobalto, conseguindo o triplo do rendimento obtido pelos melhores combustíveis bioeletroquímicos existentes, resultantes de sistemas parecidos. Para os autores, é “uma importante prova de conceito”.

“Ainda não vamos utilizar esse sistema em nossos carros. Por enquanto, é apenas uma descoberta científica. Agora temos que corrigir as ineficiências para ser viabilizado comercialmente, embora já sejamos tão eficientes, ou mais, do que a fotossíntese natural”, diz Nocera.

Nenhuma empresa se interessou ainda pelo sistema. No ano passado, a multinacional norte-americana Lockheed Martin, uma gigante da indústria aeroespacial e militar, comprou um dos produtos anteriores do laboratório de Nocera: uma espécie de folha artificial que utiliza a energia solar para separar o hidrogênio e o oxigênio da água. O hidrogênio também pode ser empregado como combustível, embora exista pouca infraestrutura para facilitar seu uso.

Há dois anos, cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e da petrolífera Shell modificaram os genes de outra bactéria, a Escherichia coli, para que fabricasse diesel a partir de ácidos graxos. O biocombustível, promissor, também enfrenta agora desafios para sua comercialização como, por exemplo, a redução de custos. Em 2013, a produção de um litro custava milhares de euros. (El País 11/02/2015)

 

Bancos ditam segunda queda seguida da Bovespa

No dia, Ibovespa recuou 0,56%, a 48.239 pontos. O volume financeiro somou R$ 6,97 bilhões.

A Bovespa fechou ontem no vermelho pelo segundo pregão seguido na semana, pressionada pela queda das ações dos bancos privados, enquanto Banco do Brasil descolou após resultado trimestral acima das expectativas. O Ibovespa recuou 0,56%, a 48.239 pontos. O volume financeiro somou R$ 6,97 bilhões.

A ALL Logística chamou atenção ao disparar quase 14% com a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) da fusão da transportadora ferroviária com a empresa Rumo Logística, controlada pela Cosan Log, notícia considerada positiva por analistas. Bradesco caiu 2,7% e Itaú Unibanco recuou 1,90%, pressionando o Ibovespa devido ao importante peso que têm no índice.

As quedas ocorreram com especulações sobre potenciais medidas fiscais incluindo tributação sobre lucros e dividendos de empresas. Banco do Brasil, por sua vez, subiu 1,1% após reportar lucro recorrente acima do previsto no quarto trimestre e estimar aumento da margem financeira no primeiro semestre. BM&FBovespa corroborou o tom negativo, com queda de 3,76%, mesmo após crescimento nos lucros e nas receitas no último trimestre de 2014.

Vale avançou 2,88%e limitou a queda do Ibovespa, com o noticiário incluindo modificação de regras na China que abrem caminho para que os navios gigantes de minério de ferro da companhia possam chegar oficialmente ao país. Petrobras teve outra sessão volátil, mas terminou com as preferenciais em alta de 1,23%.

A explosão de um navio plataforma da empresa ocupou o noticiário à tarde.

A nova alta do dólar sustentou na ponta positiva empresas que tem sua receita beneficiada pela depreciação da taxa de câmbio, como Fibria e Suzano Papel, além de Embraer, enquanto pressionou Gol, apesar da queda dos preços do petróleo. Papéis de educação seguiram pressionados, com Kroton despencando 6,8%, por preocupações com os efeitos das mudanças no programa de financiamento ao ensino Fies. Fora do Ibovespa, Ser Educacional caiu 10,23%. Estácio foi exceção, com alta de 1,46%. (Brasil Econômico 12/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Algodão: Oferta abundante: Os futuros do algodão tombaram ontem na bolsa de Nova York, refletindo o aumento das estimativas de safra e estoques divulgados na terça-feira pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os lotes para maio fecharam com queda de 7 3 pontos, a 62,16 centavos de dólar a libra-peso. Embora o órgão tenha projetado um comércio mais aquecido que o calculado em janeiro, os traders se voltaram às indicações de oferta ontem. O órgão aumentou suas estimativas para a produção e estoques finais da pluma no mundo para 25,98 milhões de toneladas e 23,91 milhões de toneladas, respectivamente. Para a colheita americana, a projeção foi mantida em 3,5 milhões de toneladas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq subiu 0,36%, a R$ 1,6868 a libra-peso.

Soja: Demanda em pauta: A atenção dos investidores do mercado da soja voltou-se ontem às perspectivas de demanda, que ditaram a alta dos preços do grão na bolsa de Chicago. Os papéis para entrega em maio fecharam com avanço de 6,5 centavos, a US$ 9,807 5 o bushel. Se o último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou produções maiores de soja nesta safra, o documento divulgado na terça-feira também trouxe perspectivas mais robustas de demanda, a ponto de refletir em estimativas de estoques finais menores que o calculado em janeiro. Globalmente, o USDA cortou sua projeção de estoques de passagem em 1,26 milhão de toneladas, para 89,26 milhões. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja no Paraná caiu 0,1%, para R$ 60,12 a saca.

Milho: Etanol de sobra: Os preços do milho registraram nova queda ontem na bolsa de Chicago após a divulgação de aumento dos estoques de etanol nos Estados Unidos (que utiliza o cereal como matéria-prima). Os lotes para maio fecharam com recuo de 2,5 centavos, a US$ 3,937 5 a o bushel. Segundo agência de energia dos EUA, a EIA, os estoques do biocombustível voltaram a subir na semana passada e alcançaram o maior patamar desde junho de 2012, reflexo do crescimento da produção e da queda do consumo. Os analistas acreditam que a atividade deve começar a retroceder em breve, reduzindo a demanda interna por milho. O mercado já é pressionado pela estimativa de safra mundial recorde nesta temporada. No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa subiu 0,04%, para R$ 27 ,63 a saca.

Trigo: Especulação climática: Especulações climáticas afastaram por um dia as novas projeções de oferta de trigo da pauta de negociações dos futuros do cereal na bolsa de Chicago. Os papéis para maio fecharam ontem com valorização de 1,5 centavo, a US$ 5,237 5 o bushel. Os traders justificaram a alta por causa do clima seco que toma conta do sul das Grandes Planícies dos Estados Unidos, onde se concentra a maior parte das plantações de trigo do país. "A secura é a maior preocupação para o trigo de inverno nas planícies do centro e do sul, já que o tempo frio fica principalmente no leste e no norte da região", assinalou a empresa de meteorologia DTN em relatório diário. No mercado doméstico, o preço médio do trigo no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq apresentou queda de 1,13%, para R$ 496,87 a tonelada. (Valor Econômico 12/02/2015)