Setor sucroenergético

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Objetivo é tornar Biosev geradora de caixa em 2015, diz diretor-presidente

O diretor-presidente da Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Commodities (LDC), Rui Chammas, disse esta semana ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que o objetivo para 2015 é tornar a empresa uma geradora de caixa. Para tanto, a companhia leva em conta a entrada em capital dos R$ 128 milhões da International Finance Corporation (IFC) e os R$ 318 milhões em financiamento sindicalizado, captados em dezembro e janeiro, respectivamente, que devem contribuir com o alongamento da dívida. "Na próxima safra, vamos maximizar a utilização de nossos ativos", destacou Chammas.

Destaca-se nesta "maximização" a cogeração de energia, segmento que registrou receita 15,6% maior no último trimestre do ano passado, com R$ 78,6 milhões e 31kW/h por tonelada de cana. "Acredito que o setor possa ter um papel importante no abastecimento (de energia) do País", comentou o executivo.

Indagado sobre o perfil da dívida da empresa, sendo 71% em dólar, Chammas ponderou que há uma correlação com os negócios da empresa, a qual é "fortemente exportadora". "Parte das nossas vendas também é em dólar", afirmou, minimizando a exposição da companhia à moeda norte-americana, que hoje trabalha acima dos R$ 2,80 e caminha a passos largos rumo aos R$ 3,00.

Chammas reafirmou que a meta da Biosev é fechar o ciclo 2014/15, em 31 de março, com alavancagem inferior a 3,5 vezes - em 31 de dezembro, a relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado estava em 4,1 vezes. Já o objetivo de médio prazo, entre dois e três anos, é trazer a alavancagem para 2,5 vezes.

Esta semana, a Biosev reportou prejuízo líquido de R$ 86,242 milhões no terceiro trimestre do ano-safra 2013/14, correspondente ao quarto trimestre de 2014. O montante é 57,7% menor em relação às perdas de R$ 203,738 milhões registradas em igual período do ciclo anterior. A receita líquida aumentou 1,5% no período, para R$ 1,031 bilhão. O Ebitda, por sua vez, somou R$ 309,926 milhões (+78,5%).

A parcela de curto prazo da dívida apresentou redução de R$ 129 milhões na comparação com o último trimestre.

Safra

Conforme Chammas, a Biosev ainda tem duas usinas moendo cana-de-açúcar, ambas no Nordeste (Paraíba e Rio Grande do Norte). Segundo ele, a quebra de processamento em 2014/15 por causa da seca deverá ser "pequena" ante as 30 milhões de toneladas do ciclo anterior.

No acumulado da safra 2014/15, iniciada em abril, as unidades da Biosev processaram 26,8 milhões de toneladas de cana (-7,7%), com nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) de 133,1 kg por tonelada de cana processada.

Quanto aos estoques, em 31 de dezembro a Biosev tinha reservas de 473 milhões de litros de etanol (+39%) e de 367 mil toneladas de açúcar (+46%). Para Chammas, a estratégia de carregar esses estoques, a qual significou menor comercialização ao longo do ano, foi "acertada", já que os preços agora estão remuneradores, principalmente no caso do etanol - no caso do açúcar, já havia sido feito hedge.

A Biosev nasceu em 2009, a partir da fusão da LDC Bioenergia com a Santelisa Vale, uma das maiores companhias nacionais na produção e processamento de cana-de-açúcar. Ela é a segunda maior processadora de cana do mundo, com 11 unidades industriais estrategicamente localizadas em 4 polos agroindustriais no Brasil. A capacidade total de moagem é de 36,4 milhões de toneladas por safra. (Agência Estado 18/02/2015)

 

Estiagem ameaça avanço na produção de cana

O setor sucroalcooleiro comemorou a elevação de impostos sobre os combustíveis e o esperado aumento da mistura de etanol anidro na gasolina. No entanto, a estiagem que atinge o País pode frustrar os planos de um crescimento na safra de cana-de-açúcar em 2015 para dar conta do provável avanço na demanda por etanol, alertam especialistas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prevê uma queda de 9,543 milhões de toneladas na produção de cana deste ano, retração de 1,4% ante o ano passado, quando a safra também foi menor devido à forte seca. Em 2014 a estiagem prejudicou as plantações nos principais estados produtores, São Paulo e Minas Gerais.

“Tudo o que ocorre em São Paulo reflete na safra de cana, por ser o maior produtor. Com a estiagem em 2014, muita cana não foi colhida, foi deixada para 2015. Mas a planta fica de menor qualidade, mais fibrosa, com menor teor de sacarose”, disse Mauro Andreazzi, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE

A safra de cana-de-açúcar em 2014 foi 6,7% menor do que a de 2013. O rendimento médio passou de 75.166 quilogramas por hectare alcançados em 2013 para 69.552 quilogramas por hectare em 2014, um recuo de 7,5%. “Ou seja, (o agricultor) produziu menos 5.614 quilogramas por hectare”, apontou Andreazzi.

A União das Indústrias de Cana-de-açúcar (Unica) divulgou que foram processadas 819 mil toneladas de cana no Centro-Sul do Brasil na segunda quinzena de janeiro, uma alta de 164% em relação ao mesmo período de 2014, lembrou Amaryllis Romano, sócia responsável pelo setor de agronegócio, alimentos e biocombustíveis da Tendências Consultoria Integrada. Mas o crescimento expressivo registrado pela Unica deve-se a uma base de comparação fraca. “Está ruim, mas ainda melhor que no ano passado”, diz Amaryllis.

A sócia da Tendências diz que o setor garante que terá condições de corresponder ao aumento da demanda por etanol, mas que o cenário climático atualmente é “catastrófico”, principalmente em São Paulo.

Consumo

O consumo de etanol deve crescer em 2015 por dois motivos: seja diretamente nas bombas, por causa do preço mais competitivo do hidratado em relação à gasolina; seja por conta do esperado anúncio do maior teor de anidro misturado na gasolina comum - hoje de 25% e que tende a passar a 27%. Segundo o IBGE, o ideal para a cana-de-açúcar é um clima primeiro quente e úmido, para proporcionar a germinação, perfilhamento e desenvolvimento vegetativo, seguido de outro período mais frio e seco, para promover a maturação e consequente acúmulo de sacarose nos colmos.

O setor também vem de anos de investimentos reprimidos na lavoura, o que dificulta um aumento substancial na produção mesmo que o clima coopere. (Agência Estado 15/02/2015)

 

Raízen: Entressafra com metade da produção anual de etanol em estoque

A divisão de sucroalcooleira da Raízen, joint venture da Cosan e da Shell, entrou no período de entressafra com praticamente metade de sua produção de etanol estocada, devido a uma estratégia de vendas, disse a companhia nesta sexta-feira.

A Raízen Energia, cuja principal atividade é a produção e a comercialização de produtos derivados da cana-de-açúcar, incluindo açúcar e etanol, tinha estoques de 975 milhões de litros de etanol em 31 de dezembro de 2014, cerca de 45 por cento dos mais de 2 bilhões de litros produzidos anualmente, disse a empresa.

"A estratégia da Raízen Energia neste ano foi de manter maior volume de etanol em estoque para a comercialização do produto a preços mais atrativos entre janeiro e março de 2015, predominantemente por meio de contratos previamente firmados com diversas distribuidoras de combustíveis", disse a empresa.

A safra da região centro-sul do Brasil, onde Raízen tem suas operações concentradas, começa oficialmente em 1º de abril de cada ano e em dezembro já está praticamente encerrada.

Os estoques com que a empresa ingressou na entressafra representam um aumento de 33 por cento ante o verificado em 31 de dezembro de 2013.

O grupo Raízen, que inclui uma divisão de comercialização e distribuição de combustíveis, movimenta cerca de 7 bilhões de litros de etanol por ano.

As informações foram prestadas por executivos, em uma teleconferência, e pela assessoria de imprensa da companhia nesta sexta-feira. Na quarta-feira, a Raízen informou ao mercado que teve lucro líquido de 314,4 milhões de reais no terceiro trimestre da safra 2014/15, aumento de 35,1 por cento na comparação com o mesmo período do ano anterior. (Reuters 13/02/2015)

 

BR pode ajudar Petrobras. Mas quanto?

O novo presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, foi taxativo ao descartar a possibilidade de um novo aumento de capital na companhia e também disse que não vai "entregar o ouro", quando negou o interesse em vender fatias em campos de petróleo para fazer caixa.

Como alternativa para reduzir o endividamento da companhia, mencionou, em entrevista ao jornalista Cristiano Romero na semana passada, a venda de participação minoritária em algumas de suas subsidiárias, e a sugestão foi bem recebida pelo mercado.

Não dilui os acionistas diretamente e ao mesmo tempo pode "destravar"valor de algumas unidades que estão menos sujeitas às interferências diretas do governo e mais protegidas (ainda que não totalmente) dos recentes escândalos de corrupção na estatal.

A BR Distribuidora aparece como a principal candidata para venda.

Com participação de mercado de 35%, o que a coloca na liderança do setor no país, a empresa teve receita líquida de R$ 89,08 bilhões em 2013 e tem tudo para funcionar como um relógio em termos de resultado.

Teve margem operacional de 3% nos últimos três anos e margem líquida de 2%, sem grandes oscilações neste intervalo.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 3,24 bilhões em 2013, com leve alta de 4% sobre o ano anterior.

A margem Ebitda média dos últimos três anos ficou em 3,5%. As duas grandes concorrentes da BR são controladas por grupos de capital aberto.

A Ipiranga pertence à Ultrapar e a Raízen tem controle compartilhado entre a Cosan, listada no Brasil, e a Shell.

A Ipiranga teve receita de R$ 53,38 bilhões em 2013, enquanto a Raízen vendeu R$ 43,53 bilhões em combustíveis. Como Ultrapar e Cosan possuem outros negócios, além da distribuição de combustíveis, é difícil estabelecer um paralelo direto no mercado que permita servir de referência para avaliação da BR Distribuidora.

Mas como a Ipiranga representa 7 0% do Ebitda da Ultrapar, não chega a ser um absurdo usar seus indicadores como uma aproximação.

Apenas para se ter uma dimensão das coisas.O valor de empresa da Ultrapar equivale hoje a 11 vezes seu Ebitda. Mas é importante considerar que a empresa está no Novo Mercado e é reconhecida, inclusive no preço das ações, por suas práticas de governança. E isso está embutido no preço da ação, e no múltiplo.

Tendo em conta o histórico recente da Petrobras, é de se imaginar que a BR Distribuidora, uma vez listada em bolsa, sofreria um desconto em decorrência disso.

Além do mais, a BR só está menos exposta que sua controladora aos riscos de ser uma estatal. Mas não está livre deles.

No terceiro trimestre deste ano, por exemplo, a unidade registrou uma perda de R$ 1 bilhão por inadimplência em contratos de venda de óleo combustível para subsidiárias da Eletrobras na região Norte, o que sacrificou seu resultado de 2014.

Por outro lado, a BR é líder de mercado e possui margens históricas levemente superiores às das principais concorrentes, o que pesaria a seu favor numa avaliação. Numa conta de padaria que considere um múltiplo de 9 vezes o Ebitda, um desconto de 20% para a Ultrapar, a BR valeria cerca de R$ 30 bilhões tendo em conta o resultado de 2013 (o deste ano deve ser maior, já que o combustível subiu no ano passado, o que puxaria o número para cima).

Partindo da premissa de que as ações teriam que ser vendidas no Novo Mercado (sem uso de ações preferenciais, portanto), a Petrobras poderia arrecadar cerca de R$ 15 bilhões se vendesse metade do capital da BR, mas conservando seu controle.

Certamente é bastante dinheiro e ajuda uma empresa que tinha dívida líquida de R$ 261 bilhões em setembro. Mas a redução seria de menos de 6%.

Ainda que Bendine não queira, se a Petrobras não cortar de forma relevante os investimentos e a depender do estrago que o dólar caro fizer no seu endividamento, talvez ele tenha que vender, mas não entregar, o "ouro" da companhia, ou recorrer a uma nova e indesejada capitalização. (Valor Econômico 19/02/2015)

 

Jorge Maeda eleva aposta em empresa de monitoramento

Jorge Maeda prefere não falar do passado.

Recluso desde que a Maeda Agroindustrial foi incorporada pela Vanguarda Agro, em dezembro de 2010, limita-se a dizer que não pode mais ser considerado produtor agrícola e que as três holdings que dividem os negócios de sua família concentram os investimentos no setor imobiliário.

Desconfortável com o início da entrevista, o empresário, cujo sobrenome ainda remete ao algodão, cultura que ajudou a fomentar no país, volta a se animar quando finalmente a conversa migra para a Ruraltec.

Aos 63 anos, Maeda encontrou nessa empresa de monitoramento agrícola uma maneira de se manter perto do campo e disseminar sua vasta experiência.

Com sede na capital paulista, a Ruraltec foi criada cerca de um ano atrás, mas integra tecnologias conhecidas e aplicadas por Maeda e seus sócios - entre os quais agrônomos, consultores e especialistas da área de TI - há mais de uma década.

"Nossa ferramenta de monitoramento é alimentada com informações climáticas e agronômicas que permitem antecipar tendências, mitigar riscos e otimizar resultados", diz Maeda.

Dados sobre clima, solo, manejo, risco sanitário e sementes plantadas, por exemplo, fazem parte do sistema, que permanece online e pode ser consultado pelos clientes a qualquer hora.

Esse tipo de gerenciamento de informações, muitas delas obtidas com o auxílio de fotos de satélites, é parte importante da chamada agricultura de precisão, que ganhou força no agronegócio brasileiro nos últimos anos em linha com o próprio avanço da profissionalização do setor.

Com uma equipe de campo variável, mas que chega a ser formada por cerca de 50 pessoas em períodos de plantio ou colheita, a Ruraltec, cuja receita não é divulgada, tem sua carteira de clientes composta sobretudo, por seguradoras, mas agora planeja expandir a venda de seus serviços a empresas agrícolas, companhias de defensivos e sementes e produtores.

Conforme Marcelo Louro, um dos sócios de Maeda na empreitada, afirma que, atualmente, a área de cobertura da Ruraltec chega a 250 mil hectares, espalhados por todo o país. Nessa área, diz ele, são cultivados principalmente soja, milho, trigo, café e cana-de-açúcar. (Valor Econômico 19/02/2015)

 

Tonon tem prejuízo de R$ 101 milhões no 3º trimestre de 2014/15

A Tonon Bioenergia, empresa sucroalcooleira que tem como acionista o fundo de private equity FIP Terra Viva, da DGF Investimentos, informou que teve no trimestre encerrado em 31 de dezembro, equivalente ao terceiro trimestre da safra 2014/15, um prejuízo líquido de R$ 101,1 milhões, ante a perda líquida de R$ 52,5 milhões registrada em igual intervalo do ano passado.

No acumulado dos nove meses da temporada 2014/15, o resultado foi negativo em R$ 27 1,8 milhões, ante o prejuízo líquido de R$ 196,2 milhões registrados no mesmo período de 2013/14.

O desempenho da companhia foi impactado por uma elevada despesa financeira que, no trimestre, resultou em um resultado financeiro líquido negativo em R$ 193 milhões, ante a perda financeira de R$ 107 milhões do mesmo trimestre de 2013/14.

No trimestre, a companhia teve uma receita líquida de R$ 150,5 milhões, 28% abaixo da registrada no trimestre encerrado em 31 de dezembro de 2013.

No acumulado dos nove meses da safra 2014/15, a receita consolidada foi a R$ 690 milhões, 21% acima da observada em igual período de 2013/14, mas 5% menor se considerar a receita pro-forma com os números da usina Paraíso, incorporada no grupo a partir de maio de 2013.

A companhia informou um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 155,3 milhões no terceiro trimestre da safra, e de R$ 427 milhões no acumulado dos nove meses da temporada, 9,9% e 11,9% acima dos respectivos períodos do ano passado.

Ao fim do trimestre, em 31 de dezembro, a companhia registrava uma dívida líquida 10% mais elevada do que no trimestre anterior, a R$ 1,550 bilhão, o equivalente a 3,5 vezes o Ebitda.

Em 31 de dezembro, a dívida total da empresa era de R$ 1,7 69 bilhão, sendo R$ 1,518 bilhão de vencimento no longo prazo — sendo R$ 1,342 milhões em bonds.

A Tonon Bioenergia controla três usinas de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país, sendo duas em São Paulo e uma em Mato Grosso do Sul. Na safra 2014/15, que se encerra oficialmente em 30 de março, a companhia processou 7,6 de toneladas de cana-de-açúcar. (Valor Econômico 18/02/2015 às 18h: 23m)

 

Renuka tem prejuízo de US$ 14,5 milhões no 3º tri da safra 2014/15

A indiana Shree Renuka Sugars, que no Brasil controla quatro usinas de cana-de-açúcar, informou que teve no trimestre encerrado em 31 de dezembro de 2014, equivalente ao terceiro trimestre da safra 2014/15, um prejuízo líquido de 897 milhões de rúpias indianas (em torno de US$ 14,5 milhões, ao dólar médio do trimestre).

No mesmo intervalo do ciclo anterior, a companhia, uma das principais produtoras de açúcar da Índia, teve um resultado líquido negativo de 1,9 bilhão de rúpias indianas (US$ 31,2 milhões).

No período de nove meses encerrado em 31 de dezembro, a empresa acumula uma perda líquida de 2,994 bilhões de rúpias (US$ 49,3 milhões), ante um prejuízo líquido de 3,7 7 8 bilhões de rúpias em igual intervalo do ano passado (US$ 62,9 milhões).

No trimestre, a receita líquida da indiana, que tem capital aberto na bolsa de Mumbai, cresceu 7 %, a 12,7 39 bilhões de rúpias (US$ 205,7 milhões).

No acumulado dos nove meses do exercício fiscal, no entanto, a receita líquida caiu 13%, a 40,6 bilhões de rúpias indianas (US$ 668 milhões), pressionada pela queda de 22% na receita com açúcar, o carro-chefe dos negócios da companhia.

O resultado operacional antes de impostos e juros no trimestre foi negativo em 92 milhões de rúpias (US$ 1,4 milhão), ante a perda de 408 milhões de rúpias (US$ 6,5 milhões).

Apenas o segmento de cogeração e etanol tiveram lucro operacional no trimestre, de 56 milhões e 106 milhões de rúpias, respectivamente (US$ 904 e US$ 1,7 milhão, na mesma ordem).

O resultado operacional antes de impostos e juros nos nove meses do exercício fiscal 2014/15 foi negativo em 604 milhões de rúpias (US$ 9,9 milhões), ante a perda operacional de 394 milhões de rúpias (US$ 6,5 milhões) de igual intervalo de 2013/14.

Mais uma vez, o açúcar foi o principal responsável pelo recuo, com um resultado operacional negativo em 844 milhões de rúpias (US$ 13,8 milhões) entre abril e dezembro de 2014, ante a perda operacional de 663 milhões de rúpias (US$ 11 milhões) registrada em igual intervalo de 2013. (Valor Econômico 18/02/2015 às 17h: 00m)

 

Südzucker paralisa planta de bioetanol da controlada CropEnergies

SÃO PAULO - A alemã Südzucker, uma das principais produtoras de açúcar da Europa, informou hoje que sua controlada CropEnergies, do segmento de produção de bioetanol, paralisou temporariamente a produção de sua subsidiária inglesa Ensus, localizada em Wilton.

A planta produz bioetanol a partir de trigo e também o DDGS (Distillers’ Dried Grains with Solubles), um subproduto da fabricação do biocombustível com alto valor protéico usado para alimentação animal.

Em comunicado, a companhia informa que a decisão foi tomada diante da dificuldade atual do mercado de bioetanol da Europa com a queda dramática dos preços do petróleo nos últimos meses.

Os preços do bioetanol atingiram os menores níveis em todos os tempos no dia 15 de janeiro recuando a 417 euros por metro cúbico posto em Rotterdam (Holanda), afirmou a companhia em nota.

A desvalorização do euro comparado à libra também foi um peso adicional para a perda de competitividade.

A unidade inglesa foi colocada fora de serviço há alguns dias para limpeza e inspeção.

As outras plantas da CropEnergies na Alemanha, Bélgica e França estão operando na capacidade máxima apesar das condições difíceis do mercado, conforme informações da Südzucker.

Em breve, quando as condições do mercado permitirem, a produção da planta inglesa pode ser retomada e o potencial de produção total do grupo CropEnergies, de 1,2 bilhão de litros anuais, poderá ser explorado.

Conforme a Südzucker, a possibilidade de recomissionamento da unidade será continuamente revisada na medida que novas decisões políticas sobre biocombustíveis forem tomadas na Europa.

A CropEnergies espera que a parada temporária da unidade resulte em uma reestruturação de custos de até 40 milhões de euros no resultado financeiro de 2014/15, impactando também o desempenho consolidado da Südzucker. (Valor Econômico 18/02/2015 às 16h: 48m)

 

Fazenda regulamenta parcelamento para empresa em recuperação judicial

A Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) regulamentaram o parcelamento de débitos de tributos federais de empresas em recuperação judicial e o uso de base de cálculo negativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e prejuízo fiscal para abatimento de dívidas incluídas em outros programas - como o Refis da Crise, reaberto no ano passado.

As novas regras estão nas Portarias Conjuntas 1 e 2, publicadas no Diário Oficial da União.

A regulamentação do parcelamento das empresas em recuperação judicial era muito esperada pelo mercado.

A dívida dessas companhias poderá ser paga em até 84 vezes, com correção das parcelas conforme a Lei nº 13.043, de 2014.

"Com as perspectivas econômicas desfavoráveis, vejo a regulamentação como uma medida importante. O número de empresas que consultam sobre recuperação judicial já aumentou e o parcelamento será essencial para dar mais fôlego a elas", afirma o advogado Pedro Moreira, do Celso Cordeiro e Marco Aurélio de Carvalho Advogados.

O requerimento do parcelamento poderá ser feito junto com o pedido de recuperação judicial.

Mas se a recuperação for negada, o parcelamento será rescindido.

A Portaria Conjunta nº 1 também reafirma que a adesão ao programa não libera bens ou direitos da empresa, que tenham sido constituídos como garantia.

O que mais chamou a atenção dos advogados foi um aspecto negativo: é preciso incluir a totalidade dos débitos da empresa no parcelamento, inclusive os relativos a contribuições previdenciárias.

E se os débitos incluídos estiverem sendo discutidas nas esferas administrativa ou judicial, a desistência dos processos deverá ser comprovada expressamente e de forma irrevogável.

Além disso, a empresa poderá ter apenas um parcelamento referente à recuperação judicial.

Para Marcelo Annunziata, advogado do Demarest Advogados, condicionar a concessão do benefício à desistência de todas as discussões administrativas e judiciais, o que inclui aquelas nas quais a empresa pode ter sucesso, é incoerente.

"Isso é questionável. Se a empresa puder escolher de quais discussões desistir eganhar um processo relevante, poderá pagar uma série de credores, o próprio Fisco e evitar até a quebra da empresa", diz.

Em relação aos parcelamentos que permitem o uso da base negativa da CSLL ou do prejuízo fiscal para reduzir o valor a pagar, a Portaria Conjunta nº 2 traz um benefício.

O parcelamento não será rescindido imediatamente caso o Fisco discorde do valor utilizado.

Nesse caso, o contribuinte será intimado e terá 30 dias para pagar esse saldo, sem risco de exclusão do parcelamento.

Ou no mesmo prazo poderá apresentar manifestação de inconformidade para discutir na esfera administrativa qual seria o valor correto. "E se o indeferimento pela Receita se der em razão de alguma revisão no valor do prejuízo ou base de cálculo negativa de CSLL e o contribuinte comprovar a existência de defesa administrativa em andamento contra referido auto de infração, o Fisco deverá aguardar o desfecho final do processo administrativo", afirma o advogado Fabio Calcini, do escritório Brasil Salomão & Matthes Advocacia.

As medidas são válidas para Refis da Crise (tanto o original como as reaberturas) e os demais programas de parcelamento que permitiram o uso da base negativa da CSLL e prejuízo fiscal para quitar a dívida - o Refis da Copa, o parcelamento de débitos relativos a crédito-prêmio de IPI e o referente a crédito de IPI usado na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou não tributados. (Valor Econômico 19/02/2015)

 

Nova mistura de etanol pode ficar para abril

Duas semanas após o governo definir o novo porcentual da mistura de etanol anidro na gasolina, nada mudou.

A expectativa inicial era de que o reajuste, de 25% para 27%, ocorresse nesta terça-feira, 17, mas a medida ainda não foi oficializada pela presidente Dilma Rousseff.

Fontes do setor sucroenergético ouvidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, comentaram que a presidente pode ter optado por aguardar os últimos testes de durabilidade feitos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Se assim for, a nova mistura só entrará em vigor em meados de março ou mesmo após 8 de abril, quando ocorre outra reunião da Anfavea e do setor sucroalcooleiro com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

O primeiro encontro entre as partes foi em 2 de fevereiro e, na ocasião, foi solicitado que os 27% fossem aplicados em até 15 dias, tempo necessário para que as distribuidoras acertassem a compra do produto.

Na semana passada, Mercadante despachou com Dilma a respeito do assunto, mas nada foi definido.

De acordo com as fontes, teme-se que essa demora estimule os produtores a transformar etanol anidro em hidratado, que tem comercialização mais rápida.

Caso isso ocorra, a oferta de anidro disponível neste momento para o aumento da mistura poderia ficar comprometida. Pela lei atual, o governo pode optar por um porcentual que vai de 18% a 27,5%.

A cadeia produtiva de açúcar e álcool havia solicitado, inicialmente, o limite máximo, mas dificuldades quanto à medição do 0,5 ponto porcentual limitaram a mistura, ao menos num primeiro momento, a 27% e apenas para a gasolina C.

No caso da gasolina premium, o porcentual permanece em 25%. (O Estado de São Paulo 18/02/2015)

 

Safra de cana do centro-sul terá leve crescimento, diz Archer

A safra de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil terá um crescimento de apenas 0,6 por cento no período de abril de 2015 a março de 2016, para 573,69 milhões de toneladas, ante moagem de 570,1 milhões de toneladas no período anterior, previu a consultoria Archer.

Em sua primeira estimativa da nova safra, a Archer disse que a produção de açúcar deverá atingir 32,2 milhões de toneladas, praticamente estável à da temporada anterior, de 32 milhões de toneladas.

A produção de etanol deve ser 1 por cento maior na comparação anual, para 26,3 bilhões de litros, como a melhoria das margens de lucro e maior demanda para o biocombustível induzindo usinas a destinarem mais cana na próxima temporada para o etanol.

As previsões de Archer estão em linha com as projeções do mercado para a nova safra.

Boa parte das usinas tem enfrentado crescente endividamento e retornos baixos nas vendas de açúcar e etanol nos últimos anos. (Reuters 13/02/2015)

 

Pesquisa da USP aponta desperdício na irrigação da cana e propõe solução

Após constatar que há desperdício na irrigação de canaviais, uma pesquisa do Programa de Pós-graduação em Sistemas Agrícolas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), campus da USP em Piracicaba (SP), mostra que é possível reduzir o uso de água nesses casos. A irrigação é importante porque ajuda a diminuir a perda de produção da cana-de-açúcar, o que pode interferir no preço do açúcar e do álcool, segundo a Esalq.

Para o diretor-presidente da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), Arnaldo Antonio Bortoletto , a constatação do desperdício não atinge canaviais no interior porque cana é a cultura que tem menos irrigação no estado. “E além disso, o setor já tem uma tecnologia apropriada para evitar o desperdício que é a irrigação por gotejamento”, explicou.

O estudo integra a tese de doutorado do engenheiro agrônomo Daniel Nassif, que reconhece que na região Sudeste, a irrigação não é essencial, entretanto, o estudo pode ajudar, especialmente em um ano seco como foi 2014. Já em regiões como o Centro-Oeste e Nordeste, o clima não é muito favorável e, por isso, a irrigação nos canaviais torna-se essencial.

Técnica

A pesquisa avaliou o consumo hídrico da cana e as relações com as variáveis meteorológicas. “Para fazer isso, usei diferentes técnicas em três níveis. De modo simples: medi a perda da água, na folha, na planta e no canavial”, explicou o pesquisador em entrevista ao G1.

O trabalho foi desenvolvido na fazenda Areão, em área experimental da Esalq, e utilizou um pivô central de irrigação. O projeto teve orientação de Fábio Marin, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas, e teve como proposta verificar a quantidade necessária de água em um canavial, para então tentar reduzir a utilização dessa água no processo de irrigação.

“Como já tinha uma análise assim para café e citrus, resolvemos olhar isso na cana também. E essa medição é importante, porque até então, o trabalho era feito com base em um padrão mundial de 1998. Então, outro benefício da pesquisa também foi o aumento no conhecimento do consumo de água pela cana, com intuito de avaliação da real necessidade de irrigação da cultura”, ressaltou.

A pesquisa levou três anos e meio para ser concluída. “A partir da análise dos dados, foi possível afirmar que o uso da água nos canaviais pode ser reduzido e, com base nas simulações realizadas em laboratório, pode-se predizer a demanda de água de um canavial de acordo com as condições climáticas e características do solo, por exemplo”, reforçou o autor da pesquisa.

Quantificação

De acordo com Nassif, o percentual de redução depende de diversas variáveis ambientais, tais como temperatura, umidade relativa do ar, vento. “Uma situação de alta demanda atmosférica, que seria um tempo extremamente quente e muito seco, poderia reduzir a quantidade de água utilizada. Então, primeiro identificamos essa possibilidade de redução para depois avançar mais e quantificar em outro momento”, explicou. (G1 18/02/2015)

 

Reajuste da energia elétrica amplia custos para usinas

Aumento de preço deverá ocorrer ainda neste mês, quando as unidades estão sem cogerar.

O esperado reajuste das tarifas de energia elétrica, em função do uso das termelétricas para atender a demanda em 2014, também deverá penalizar as usinas e toda a cadeia do setor sucroenergético. Isso porque o aumento de preços é esperado para ainda este mês, na conta a vencer em março, período no qual a maioria das unidades está sem cogerar eletricidade e na entressafra.

O JornalCana teve acesso a conta paga por usina da região de Ribeirão Preto que, em janeiro, precisou desembolsar R$ 120 mil no pagamento da tarifa para distribuidora. O custo foi assumido porque a unidade não cogerou no período, no qual teve que exigir demanda elevada de eletricidade por conta dos serviços de reforma e readequação dos equipamentos da planta industrial. (Jornal Cana 18/02/2015)

 

Setor sucroenergético mineiro acumula dívida de R$ 8 bilhões

Até 2008, usinas investiram pesado, mas etanol perdeu competitividade, e sobraram muitas contas.

Com as dificuldades enfrentadas nos últimos anos, o setor sucroenergético brasileiro somou uma dívida de quase R$ 80 bilhões, conforme estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Em Minas Gerais, a dívida do setor está na casa de R$ 8 bilhões. A estimativa, do presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, considera o fato de o Estado responder por cerca de 10% da produção nacional. “O endividamento é alto, pois os investimentos demandados pelo setor são elevados, e ainda tem a questão dos juros”, observa Campos.

As dívidas são fruto de uma época áurea, que durou de 2003 a 2008. Nesse período, embalado por programas de incentivo do governo federal, o setor investiu alto. Mas, depois disso, o esforço do governo para manter os preços da gasolina controlados – como a eliminação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o petróleo – tiraram a competitividade do etanol. As vendas caíram, e o setor travou.

Campos afirma que o cenário para 2015 ainda não é dos melhores, mas há potencial de crescimento no país, desde que medidas adequadas ao setor sejam implementadas. “O Brasil é o maior produtor de açúcar no mundo, e 65% da nossa frota é de carro flex. Só que o produto precisa ser competitivo para que o consumidor abasteça seu carro com álcool”, diz.

Esperança

Para este ano, a torcida é por chuva, para amenizar os impactos da seca na produção. A colheita se concentra em abril e, sem as águas, a produção ficará comprometida. Apesar de não descartar dificuldades, entre elas, o endividamento alto, Campos aposta em resultados melhores em 2015. No caso do açúcar, a redução do excedente do produto no mercado internacional deve ajudar na recuperação dos preços.

No caso do etanol, o retorno da Cide, que vai encarecer a gasolina a partir de março, traz esperança. “A volta da Cide deve ajudar a atividade, pois torna o etanol mais competitivo”, diz.

Outra boa notícia é a mudança da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Prestação de Serviços (ICMS), que hoje é de 19%, vai cair para 14%. A mudança passa a vigorar em 18 de março deste ano.

E para não perder arrecadação, o Estado vai subir o ICMS da gasolina de 27% para 29%, e o combustível ficará cerca de R$ 0,06 mais caro, segundo estimativas feitas em dezembro do ano passado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro). (O Tempo 16/02/2015)

 

Usina pernambucana de etanol reabre e já fatura mais de R$ 30 mi

Localizada na Zona da Mata pernambucana, usina reabriu em meados de novembro de 2014.

Na contramão da crise no setor sucroenergético, a Usina Pumaty, localizada na Zona da Mata pernambucana, reabriu em meados de novembro de 2014, movida pela ação de entidades de classe da região.

A unidade produtiva configura um dos poucos casos de retorno da recuperação judicial e já faturou mais de R$ 30 milhões, após dois anos parada. De acordo com o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, a quantidade de usinas fechadas no Brasil por causa de dificuldades financeiras chegou a 83 unidades, entre 2008 e o fim de 2014. Juntas elas representam perda de capacidade de processamento de 75,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Destas, 19 unidades ficam na Região Norte-Nordeste, reduzindo capacidade de processamento em 13,71 milhões de toneladas.

“Nos vimos em um beco sem saída. Várias usinas da região fechando e a matéria-prima foi ficando na lavoura. Se a Pumaty não reabrisse, pelo menos 800 mil toneladas de cana deixariam de ser colhidas em Pernambuco e outras 200 mil toneladas em Alagoas”, conta o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana (AFCP) e da União Nordestina dos Produtores de Cana, Alexandre Andrade Lima.

Atualmente, a usina é gerenciada pela Cooperativa do Agronegócio da Cana-de-Açúcar (Agrocan), com apoio institucional da AFCP e do Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-Açúcar em Pernambuco (Sindicape).

Segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), das 56,4 milhões de toneladas moídas entre o Norte e Nordeste na safra 2013/ 2014, cerca de 15,1 milhões de toneladas eram provenientes de Pernambuco e 21,6 milhões de Alagoas, os dois maiores estados produtores da região.

O processo

Lima afirma que foi feito o processo de arrendamento da usina para que fosse possível a blindagem dos débitos que ficaram em haver quando a unidade foi para a recuperação judicial. Até que se complete o mínimo de R$ 1,2 milhão, 4% do faturamento da usina é destinado à Justiça, para pagamento, principalmente, de ativos trabalhistas aos antigos funcionários.

“Nestes poucos meses, já pagamos R$ 700 mil, pouco mais da metade do arrendamento. Após isso teremos mais fôlego para investir em modernização da capacidade instalada”, diz o presidente.

Além disso, as entidades têm negociado isenções ou reduções no ICMS para capitalização da unidade e possibilidade de investimentos. Desde a reabertura, foram gastos R$ 800 mil para manutenção, sem troca de máquinas, sendo que as atuais só possibilitam a produção de etanol, uma vez que a capacidade instalada responsável pela geração de açúcar ainda está muito debilitada. Ao todo, a usina pode moer cerca de oito mil toneladas de cana.

Incentivos

A reabertura da Pumaty revigorou os ânimos da população do entorno. Segundo Lima, já foram gerados quatro mil empregos diretos, sendo 300 funcionários da cooperativa e os demais espalhados entre as funções do campo, onde a topografia e as características do solo ainda não permitem a aplicação de colheita mecanizada. Mais de R$ 4 milhões em ICMS já foram pagos ao governo pernambucano e pelo menos outros R$ 30 milhões foram injetados como capital de giro, através de fornecedores.

O modelo deu tão certo que já caiu nos olhos do poder público, atraindo a visita de autoridades, e deve ser replicado em unidades alagoanas.

Em janeiro, a usina recebeu a visita do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) para acompanhar o desempenho do processo produtivo. O parlamentar foi acompanhado do deputado Aloísio Lessa (PSB-PE) e da maioria dos prefeitos da região. “O senador ficou admirado com o que viu, pois mesmo sem o apoio do governo estadual até então, observou a retomada do vigor econômico e social da região em função da reabertura das portas da usina”, disse Lima. (DCI 18/02/2015)

 

Exportação agrícola dos EUA ao Brasil cai 16%

Dois dos principais produtores e exportadores mundiais de alimentos, Estados Unidos e Brasil, têm pouco intercâmbio nesse setor.

Os norte-americanos terminaram 2014 com exportações recordes de US$ 150,5 bilhões em produtos agrícolas.

Pouca coisa veio para o Brasil. Conseguiram colocar o correspondente a US$ 1,4 bilhão em produtos agrícolas no mercado brasileiro.

Se somados outros itens relacionados à agricultura, como etanol e produtos florestais, essa soma vai a US$ 1,7 bilhão, 16% menos do que em 2013, segundo dados do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

E esse comércio entre os dois países só se tornou mais intenso devido à dificuldade dos argentinos em suprir o Brasil com trigo, como faziam há poucos anos.

Em 2014, as importações brasileiras do cereal somaram US$ 753 milhões, após terem atingido US$ 1,24 bilhão em 2013, segundo o Usda.

Esse foi o maior gasto brasileiro na lista dos produtos importados dos EUA. O Brasil comprou 2,5 milhões de toneladas de trigo em 2014 nos EUA, o que o colocou como o terceiro maior importador mundial do cereal dos norte-americanos, atrás apenas de Japão e México.

Esse volume representou 10% das exportações dos EUA, que somaram 25,4 milhões de toneladas no período, segundo o Usda. Em 2013, o Brasil era o segundo maior importador dos EUA desse cereal, com participação de 12% nas exportações do país.

O outro destaque das importações brasileiras foram as compras de etanol, que somaram US$ 266 milhões, o segundo item na lista.

Já o Brasil conseguiu no ano passado a maior receita financeira com as exportações para os Estados Unidos desde os anos de 1970. O período é longo, mas os números continuam curtos. As vendas externas nacionais somaram US$ 4,8 bilhões, 4% das importações dos norte-americanos no setor de produtos agrícolas e de outros itens relacionados à agricultura.

Dois produtos brasileiros são constantes na lista das importações do norte-americanos: café e produtos florestais. A liderança é do café, cujas receitas do produto em grãos foram de US$ 1,33 bilhão no ano passado. Já as vendas de café torrado, moído e solúvel somaram US$ 105 milhões.

Os produtos relacionados a floresta renderam US$ 839 milhões, vindo a seguir hortifrútis e sucos, que atingiram US$ 429 milhões.

Milho: O Japão liderou as compras norte-americanas de milho no ano passado. O país asiático importou 12,5 milhões de toneladas do cereal, 91% mais do que em 2013. México e Coreia do Sul vieram a seguir.

Recuperação: Os dados finais de 2014 indicam que os EUA voltaram a ocupar o espaço perdido nas exportações de milho no período da seca de há dois anos. As vendas totais do país somaram 49,5 milhões de toneladas, 107% mais.

Soja: As exportações da oleaginosa também voltaram a se recuperar, com as vendas externas dos EUA subindo para 50,1 milhões de toneladas. China foi a líder nas compras, adquirindo 31,3 milhões. União Europeia e México vieram a seguir.

Frango: O custo de produção do frango de corte teve alta de 6,23% no ano passado. Já os custos da produção de suínos tiveram variação de apenas 0,44% no período, conforme dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos da Embrapa.

Safra: Mato Grosso semeou 23% de área de milho, estimada em 2,8 milhões hectares. O levantamento é do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

Atraso: No mesmo período de 2014, o plantio já atingia 46% da área que seria destinada ao milho. Franciele Dal'Maso, da Aprosoja, diz que o clima atual contribui para a colheita da soja, o que facilita o plantio do milho. (Folha de São Paulo 19/02/2015

 

Governo muda regras de Moderfrota e Programas de Sustentação de Investimento

Juros estão maiores e limite de financiamento caiu de 90% para 70% do valor do bem.

As linhas de financiamento do Moderfrota e do Programa de Sustentação de Investimento (PSI) vão ser mantidas este ano, mas as regras mudaram. Mesmo assim, produtores acreditam que ainda vale a pena aproveitar o crédito.

Em 2014, uma revendedora de tratores de São Paulo vendeu 60 unidades por meio dos dois programas. O proprietário está animado com a prorrogação das linhas de financiamento, mas já considera que a estiagem que afeta a produção deve prejudicar as vendas.

O produtor precisa ficar atento às mudanças das linhas de financiamento. O PSI ficou com os juros maiores, para quem tem renda operacional bruta de até R$ 90 milhões, a taxa passou de 4,5% para 7% ao ano. Para os produtores que arrecadam valor maior, os juros saíram de 6% para 9,5% ao ano. Antes, o produtor podia financiar 90% do valor, agora, o limite é 70%, com oito anos para pagar. Na regra antiga, o prazo era de 10 anos.

Já no Moderfrota a taxa de juros foi mantida, 4,5% ao ano para produtores com faturamento anual total de até R$ 90 milhões e 6% para o produtor com renda superior a esse valor.

O prazo para adesão vai até junho. Nas novas regras, o produtor pode continuar financiando até 90% do valor máximo, que é R$ 120 milhões, com oito anos de prazo para pagar.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, critica as regras do financiamento e afirma que os recursos não vão conseguir atender a demanda até o segundo semestre.

Estamos já alertando o governo federal de que vai haver necessidade de complementação, ainda mais neste momento em que o PSI está praticamente desaparecendo, as taxas do Moderfrota estão mais interessantes, afirma Pastoriza. (Canal Rural 17/02/2015 às 19h: 02m)

 

Área agrícola irrigada cresceu menos no país no ano passado

Em meio à forte seca que afetou o Sudeste e outras regiões do país, o avanço da área agrícola irrigada pelos produtores brasileiros registrou desaceleração em 2014.

Conforme estimativas da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o total cresceu 4,4% em relação ao ano anterior, ou 220,8 mil hectares, e chegou a 5,2 milhões.

Em 2013, a alta havia sido de 5,8%.

Antonio Alfredo Teixeira Mendes, presidente da câmara de irrigação da Abimaq, observa que, ainda que a seca chame a atenção para a importância da irrigação no campo, a escassez de recursos hídricos pode afetar negativamente esse mercado no curto prazo, até por conta da menor liberação de outorgas para captação de água, como ocorreu no Rio Grande do Sul.

Não por coincidência, a desaceleração geral do ano passado foi puxada pelo menor crescimento de áreas com pivô central, sobretudo no Rio Grande do Sul, Estado que liderou as vendas desse tipo de equipamento em 2013.

Vale destacar que os pivôs centrais são muito utilizados em lavouras de grãos, cujas cotações registraram queda expressiva no ano passado - outro fator que desestimulou as aquisições em 2014.

Em todo o país, a expansão da área irrigada com pivôs centrais caiu de 126 mil hectares, em 2013, para 102 mil no ano passado, de acordo com dados da câmara da Abimaq.

Para 2015, a expectativa dos fabricantes de equipamentos ligados à entidade é de manutenção dessa menor taxa de crescimento e de aumento de 10% no caso da irrigação localizada, de acordo com Mendes.

O executivo afirma que o mercado de carretel, tecnologia mais usada na irrigação por aspersão de cana-deaçúcar, também acusou os reflexos da crise no segmento sucroalcooleiro.

A expansão de irrigação por carretel caiu de 32,5 mil hectares em 2013 para 10,5 mil. "Basicamente as vendas de carretel foram para outras culturas, como hortaliças. Foi o pior resultado dos últimos dez, 15 anos [nesse mercado]", diz.

A irrigação localizada foi a única frente que apresentou maior crescimento no ano passado que em 2013. A expansão chegou a 7 9,8 mil hectares, ante os 7 2,6 mil do ano anterior.

Segundo Mendes, a hortifruticultura e o café foram os dois principais segmentos que contribuíram para esse avanço. Alguns negócios envolvendo especificamente a citricultura se destacaram, de acordo com ele.

Apesar da expansão observada nos últimos anos (ver infográfico acima), a irrigação ainda cobre apenas cerca de 10% da área total cultivada no país.

Percentual baixo se comparado ao dos EUA, por exemplo, que irrigam cerca de 30% de sua área de plantio.

Isso sem falar de Israel, cuja falta de água leva o índice a 100%.Nesse contexto, o faturamento das empresas associadas à câmara da Abimaq com a venda de equipamentos de irrigação somou cerca de R$ 1,5 bilhão em 2014, mesmo patamar de 2013.

A receita não foi impactada negativamente porque houve repasse de aumento dos custos de produção.

Para este ano, a estimativa é que as vendas alcancem R$ 1,45 bilhão. A câmara reúne 36 associadas, que representam mais de 90% do mercado.

Assim, o segmento de equipamentos para irrigação também deverá reivindicar mais recursos no âmbito do Moderinfra (Programa de Incentivo à Irrigação e à Armazenagem), do BNDES. Foram disponibilizados R$ 300 milhões para a agricultura irrigada na safra 2014/15. Mas a demanda "usual", conforme Mendes, chega R$ 1 bilhão, e esses recursos são importantes para "sustentar"as estimativas que cercam o segmento.

Outra demanda da área é uma política de reservação de água nas propriedades. Para se manter uma represa em uma propriedade rural, é preciso licenciamento ambiental - cujo processo é considerado moroso e, de acordo com Mendes, dificulta a expansão da área irrigada no país. (Valor Econômico 19/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Onze altas: O impulso "altista"oferecido pela possível quebra de safra no oeste da África continuou ditando os preços do cacau ontem na bolsa de Nova York, que não se abalaram pelo feriado de segunda-feira nos Estados Unidos e completaram onze dias em alta. Os lotes para maio fecharam a US$ 2.97 3 a tonelada, alta de US$ 31. Em onze dias, as cotações subiram US$ 296. Os traders justificam a alta diante do clima quente e seco em Gana e na Costa do Marfim, cenário agravado pelos ventos Harmattan, que carregam areia do deserto. A valorização da amêndoa já se reflete nos preços da manteiga de cacau, conforme levantamento da trading Cocoa Merchants'Association of America. No mercado interno, o preço médio da arroba em Ilhéus e Itabuna (BA) se manteve em R$ 111, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Teto em cinco meses: O mercado do algodão continuou sustentado pela baixa disponibilidade de pluma certificada nos estoques da ICE Futures, que administra a bolsa de Nova York, onde os preços subiram ontem pela quarta sessão seguida. Os papéis para maio fecharam com avanço de 7 9 pontos, a 65,32 centavos de dólar a libra-peso, o maior valor para os contratos de segunda posição desde 17 de outubro do ano passado. O aumento das exportações americanas neste início de ano enxugou os estoques, que estão agora perto dos menores patamares em cerca de dois anos. O otimismo com o desempenho da economia americana colabora para a valorização da commodity. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,05%, para R$ 1,6911 a libra-peso.

Trigo: Efeito cambial: O mercado do trigo foi particularmente atingido por mais um dia de alta do dólar no mercado internacional, e os preços do cereal fecharam no vermelho nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para maio caíram 8 centavos, para R$ 5,237 5 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento recuaram 13,25 centavos, para US$ 5,495 o bushel. O dólar manteve-se em alta até a divulgação da ata do Fed, o que pressionou as matériasprimas, já que a moeda valorizada eleva o custo para os compradores. Com o dólar em alta, o trigo americano fica ainda menos competitivo, motivo pelo qual o Egito cancelou ontem um leilão de compra do cereal dos EUA. No mercado do Paraná, o preço médio caiu 0,38%, para R$ 31,16 a saca, segundo o Deral.

Preços ao Consumidor em São Paulo: Batata e tomate em alta O IqPR, índice quadrissemanal de preços recebidos pelos produtores agropecuários de São Paulo pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria da Agricultura do Estado, subiu 1,1% em janeiro. Com o resultado, o indicador passou a acumular alta de 13,31% em 12 meses. A alta foi determinada pelo grupo formado por 14 produtos de origem vegetal. Neste, a valorização alcançou 1,94%, puxada por batata (7 5,32%) tomate para mesa (47 ,88%), laranja para mesa (10,61%) e trigo (10,02%). A produção de tomate e batata voltou a ser atingida pelo déficit hídrico no Estado. Já os produtos de origem animal caíram em média 1,44%. Houve quedas nos mercados de ovos (5,37 %), carne de frango (2,69%) e carne bovina (0,62%). (Valor Econômico 19/02/2015)