Setor sucroenergético

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Para Unica, campanha publicitária impulsionou consumo de etanol em SP

SÃO PAULO - A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) delegou à campanha publicitária “Etanol, o Combustível Completão”, veiculada em setembro do ano passado com objetivo de estimular o consumo de etanol hidratado pelos carros-flex, pelo aumento do consumo do biocombustível na reta final de 2014.

Em nota, a entidade mencionou que dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostraram que a participação do etanol no consumo de combustíveis do ciclo Otto (etanol, gasolina e gás natural) no Estado de São Paulo, que era da ordem de 32% nos nove primeiros meses de 2014, aumentou continuamente após setembro, totalizando 34,3% em outubro, 36,2% em novembro e 36,5% em dezembro.

“Essa progressão aconteceu justamente no momento em que a campanha estava no ar com força total na praça contemplada pelo plano de mídia [no Estado de São Paulo]”, afirmou o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.

Ele destacou ainda que o crescimento visto em São Paulo, do terceiro para o quarto trimestre de 2014, foi bem acima do observado no restante do país, que foi de 16,7 % para 18,3% no mesmo período, ou seja, 1,7 ponto percentual.

Conforme dados da ANP compilados pela Unica, de fato, no comparativo do último trimestre de 2014 em relação ao trimestre anterior, as vendas de hidratado pelas distribuidoras aumentaram 17 ,9% em São Paulo, enquanto as vendas de gasolina C cresceram 2,7 8%, mesmo com a paridade entre o combustível fóssil e o renovável permanecendo inalterada, entre 65% e 66%. (Valor Econômico 19/02/2015 às 13h: 04m)

 

Açúcar: No negativo

As cotações do açúcar demerara recuaram ontem na bolsa de Nova York sob influência do dólar e do subsídio indiano às exportações.

Os lotes para maio fecharam com recuo de 37 pontos, a 14,64 centavos de dólar a libra-peso.

A moeda americana voltou a se apreciar em meio a incertezas com a Grécia e à queda dos preços do petróleo.

Além disso, a notícia de que o governo da Índia, segundo maior produtor de açúcar do mundo, autorizou o subsídio para exportação para a safra atual teve efeito "baixista" sobre os preços

Isso, apesar de a autorização já ser esperada pelo mercado e da expectativa de que não tenha efeito significativo sobre a oferta global, que já está elevada.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,34%, para R$ 50,16 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 20/02/2015)

 

Movimento de boicote ao início da safra canavieira ganha corpo

“Crime de Lesa Pátria é o crime de atentado ou traição à pátria e à sua soberania. É o ato contrário aos interesses da pátria e da nação” (br.answers.yahoo.com)

A manchete principal do jornal O Estado de São Paulo desta 6ª feira (20) mostra a que ponto chegou a bandalheira e a irresponsabilidade institucional brasileira: “Empreiteiras da Lava Jato pedem ajuda política a Lula”.

Imaginar que um ex-presidente da República (Lula), que chegou democraticamente ao poder e lá; uma vez instalado se notabilizou como comandante dos piores escândalos de corrupção da nossa história e até mesmo no caso da Petrobras; o maior caso de assalto aos cofres de uma empresa estatal do mundo, ser agora instado por advogados defensores de notórios ladrões da coisa pública para protegê-los, supera o limite e o limiar entre o bom senso e valores como a ética e a honestidade dos crimes que estão sendo cometidos.

Diariamente as páginas dos jornais, dos sites e as notícias divulgadas pelo rádio e TV mostram fatos novos envolvendo esta cleptocracia (*) instalada pelo PT, PMDB e partidos aliados de sustentação a esta sucessão interminável de escândalos. O que ontem chocava, hoje parece não nos tocar mais e assim a cada dia que passa acabamos nos contaminando e nos conformando com escândalos que se sucedem e que parecem não ter fim. Estaríamos ficando insensíveis ou nos acomodamos com o que está sendo denunciado?

Com efeito, provocar a extinção de 300 mil postos de trabalho nos últimos 6 anos e levar ao fechamento de 83 usinas sucroenergéticas não se configura como “crime de lesa pátria”? Quebrar, propositadamente, intencionalmente e irresponsavelmente um setor que, como cadeia produtiva, já empregou 2,5 milhão de brasileiros e desenvolveu a tecnologia mais eficiente de produção de energia limpa e renovável do planeta, não se configura emcrime de atentado ou traição à pátria e à sua soberania? Não seria este um ato contrário aos interesses da pátria e da nação?

Esta discussão ganha corpo ao mesmo tempo em que se aceleram os preparativos para a “Marcha à Brasília” reunindo trabalhadores e fornecedores do setor sucroenergético para cobrar da presidente Dilma Rousseff compromissos que vem sendo descumpridos desde o início do 2º mandato do presidente Lula (quando ela ocupava a Casa Civil) e que se agravaram quando ela assumiu a Presidência da República.

E, a cada dia que passa, toma vulto o movimento de boicote ao início da safra que pode representar o colapso no abastecimento de combustíveis do País e também prejudicar as exportações de açúcar. Pelo ‘esquenta’ que se viu no último dia 27 de janeiro em Sertãozinho, Brasília poderá vivenciar (e até mesmo participar...) de um dos maiores atos de protestos de sua história. Quem viver verá!

“Cleptocracia é um termo de origem grega que significa, literalmente, “Estado governado por ladrões”. A cleptocracia ocorre quando uma nação deixa de ser governada por um Estado de Direito imparcial e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político nos diversos níveis e que conseguem transformar esse poder político em valor econômico, por diversos modos” (www.dicionarioinformal.com.br) (Ronaldo Knack é Jornalista e graduado em Direito e Administração de Empresas. É também fundador e editor do BrasilAgro;

 

Consumo global de açúcar deve ter crescimento recorde

O cenário para o açúcar brasileiro tende a ser positivo em 2015, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). No segundo semestre, o superávit mundial do produto pode dar espaço ao déficit, que seria suprido pela commodity nacional. O dólar valorizado em relação ao Real também deve reforçar a vantagem no mercado externo.

Dados globais de açúcar já projetam aumento recorde no consumo mundial para o próximo ano. Segundo relatório de revisão da safra 2014/2015 mundial, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o consumo global de açúcar pode aumentar 2,22%, para 170,996 milhões de toneladas, um recorde.

Dentre os principais países consumidores, o USDA destacou a importância da Índia, cujo crescimento no consumo vem sendo estimado em 3,85%, seguida pelo bloco da União Europeia (1,09%), China (5,45%), Brasil (2,13%), Indonésia, (3,51%), Rússia (3,57%) e Estados Unidos (0,57%). Ao mesmo tempo em que o consumo cresce, a produção mundial pode diminuir 1,46%, segundo o USDA, limitando-se a 172,458 milhões de toneladas.

No mesmo sentido, dados divulgados pela Organização Internacional de Açúcar (OIA) também reduziram em 64% a estimativa de excedente global de açúcar na temporada 2014/2015 - iniciada em outubro de 2014 -, para 473 mil toneladas. Em agosto, a instituição projetava que o excedente totalizasse 1,306 milhão. Para o próximo ciclo mundial, de 2015/2016, a OIA estima que, após cinco temporadas de excedente deaçúcar, haja um déficit em torno de 2 a 2,5 milhões de toneladas.

Exportação

Os patamares de preços para exportação em 2015 deverão continuar a remunerar menos que o mercado doméstico brasileiro - considerando-se a evolução dos contratos futuros na Bolsa de Nova York, os prêmios de qualidade negociados para o açúcar cristal até dezembro de 2014 e o Indicador Cepea/Esalq.

Segundo cálculos do Cepea, desde a segunda quinzena de setembro de 2013, o mercado spot paulista remunera mais que as exportações. Somente entre o final de setembro e início de outubro, as exportações foram mais vantajosas, puxadas pelo aumento das cotações internacionais em maior proporção que o do mercado paulista, diante do dólar valorizado frente ao Real.

Processamento de cana

Considerando possíveis perdas de produtividade e menor área a ser colhida, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) estima que as usinas da região devam processar entre 541,40 a 561,60 milhões de toneladas de cana na safra 2015/2016, o que representaria pequena queda ou estabilidade em relação à safra 2014/2015, quando foram processadas 567 milhões de toneladas.

Já para a região Nordeste, prevê-se aumento de 4,9% no volume de cana-de-açúcar a ser moída na safra 2014/2015, passando para 55,6 milhões, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A temporada 2014/2015 nordestina iniciou-se em setembro de 2014, seguindo calendário distinto do praticado na região Centro-Sul.

Preços

Em janeiro, o Indicador do Açúcar Cristal Cepea/Esalq (Estado de São Paulo) acumulou queda de 2,13%, fechando a R$ 51,00 a saca de 50 quilos no dia 30. A média mensal foi de R$ 51,05 a saca de 50 quilos, 2,05% inferior à de dezembro (R$ 52,12 a saca de 50 quilos) e 1,51% acima da média de janeiro de 2014 (R$ 50,29 a saca de 50 quilos), em termos nominais. Já o Indicador Açúcar Cristal Esalq/BVMF - Santos acumulou baixa de 0,96% em janeiro, fechando a R$ 51,63 a saca de 50 quilos no dia 30. A média mensal foi de R$ 51,54 a saca de 50 quilos, 1,42% inferior à de dezembro (R$ 52,28 a saca de 50 quilos), mas 2,40% acima da de janeiro de 2014 (R$ 50,33 a saca de 50 quilos), em termos nominais.

As negociações do açúcar cristal em janeiro envolveram volumes pouco expressivos, por se tratar de período de entressafra, mas a liquidez se manteve constante praticamente durante todo o mês. De maneira geral, agentes das usinas cederam às ofertas de preços menores para o açúcar Icumsa 180.

Cálculos do Cepea indicaram que em média, as vendas internas do açúcar remuneraram 7,27% mais que as externas em janeiro. Esse cálculo considerou o valor médio do Indicador Cepea/Esalq e do vencimento março de 2015 do Contrato nº 11 da Bolsa de Nova York (ICE Futures), prêmio de qualidade estimado em US$ 69,16 a tonelada e custos com elevação e frete de US$ 65,34 a tonelada.

Etanol

O mercado de etanol, que tem enfrentado dificuldades econômicas desde 2008, espera alguma melhora para 2015. Representantes do setor retomaram em partes o diálogo com o governo federal e esperam a definição de uma política de longo prazo. Em janeiro, foi anunciado o aumento da mistura do etanol anidro à gasolina mudança na tributação sobre a gasolina C, que deve ampliar a competitividade do hidratado.

No fim de janeiro, o governou anunciou que de fevereiro até abril, o governo tributará o litro da gasolina em 22 centavos via PIS/Cofins e, de maio em diante, este mesmo valor será "recolhido" a título de PIS/Cofins e de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

Preços etanol

O Indicador mensal Cepea/Esalq do hidratado (Estado de São Paulo) registrou média de R$ 1,3256/l (sem impostos) em janeiro de 2015, acréscimo de 4,8% em relação à de dezembro/14. Para o anidro, o Indicador mensal Cepea/Esalq foi de R$ 1,4582/litro (PIS/Cofins zerados), alta de 3,6% em igual comparativo.

O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, atualmente em 25%, também é esperado pelo setor, como mais um fator de apoio aos preços dos produtos sucroalcooleiros. Até o encerramento de janeiro, o governo se encontrava em fase final de estudos sobre a viabilidade dessa medida. Outra mudança aguardada por agentes é a redução do ICMS cobrado sobre o hidratado em Minas Gerais, de 19% para 14%, que tornaria o biocombustível mais competitivo no Estado, que é o terceiro maior produtor de hidratado do país. (Canal Rural 19/02/2015)

 

Câmbio fecha janela para as importações de etanol americano

A guinada do dólar frente ao real, ocorrida nas últimas duas semanas, fechou a "janela"de importação de etanol de milho pelo Brasil, para alívio, ao menos por enquanto, das usinas do Nordeste do país.

Todos os anos, elas reclamam da entrada de biocombustível importado nos primeiros meses do ano, quando a safra nordestina de cana-de-açúcar ainda está acontecendo.

Em janeiro, quando o câmbio ainda era favorável à importação, houve o desembarque de um volume recorde de etanol para o mês no Nordeste.

A queda nas cotações do milho nas bolsas internacionais - efeito de uma grande colheita do grão nos EUA; respingou nos preços do etanol americano, produzido a partir do cereal.

Com isso, o galão de 3,7 85 litros do biocombustível, que já chegou ao patamar de US$ 2 na bolsa de Chicago, desceu a US$ 1,30 entre o fim do ano passado e o início deste ano.

Atualmente, está no patamar de US$ 1,40. Por outro lado, o etanol no Brasil vem se valorizando nos últimos meses na usina, reflexo de um maior consumo doméstico e na esteira da valorização dos preços da gasolina.

Desde meados de dezembro, o indicador Cepea/Esalq para o anidro subiu 8,4%, para R$ 1,5067 o litro.

Nesse cenário, entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015, o etanol de milho americano chegava aos portos brasileiros valendo de 9% a 10% menos que o biocombustível nacional.

Mas com a alta do dólar - que saiu do patamar de R$ 2,60 em janeiro para níveis superiores a R$ 2,80 em fevereiro - essa relação se inverteu de forma que o etanol de milho dos EUA entraria no Brasil a preço de 7 % a 10% mais elevado que o biocombustível local, segundo cálculos da consultoria FCStone.

Entretanto, até o fechamento dessa "janela"de importação muitos negócios já haviam sido realizados com margens de lucro atrativas.

Conforme tradings, já há contratos firmados de importação de cerca de 600 milhões de litros de etanol de milho, sendo que 420 milhões devem entrar entre abril e agosto no Norte e Nordeste. Parte desse volume já está no país desde janeiro.

Foram 81 milhões de litros para todo o Brasil, sendo 59 milhões de litros pelos portos de Manaus (AM) e São Luís (MA), este último porta de entrada para o mercado nordestino, diz o presidente do Sindicato das Indústrias de Cana-de-Açúcar do Pernambuco (Sindaçúcar), Renato Cunha.Para o mês de fevereiro, a previsão do mercado é de que sejam internalizados mais 61 milhões de litros, sendo 21 milhões de litros pelos portos do Norte e Nordeste.

"Essas importações são descabidas e estão causando um colapso no mercado nordestino", reclama Cunha.

Normalmente, o Nordeste produz por ano metade da demanda de etanol do próprio mercado e do Norte do país.

Neste ciclo 2014/15, por exemplo, serão 2,36 bilhões de litros - sendo 1,46 bilhão de litros de anidro, que é misturado à gasolina, e 900 milhões de litros de hidratado - para uma demanda estimada de 3,6 bilhões de litros.

A diferença de 1 bilhão de litros deveria entrar durante a entressafra nordestina, a partir de abril, defende Cunha.

Normalmente, o produto vem da região Centro-Sul do país - de Goiás e Mato Grosso - e, eventualmente do exterior.

"Mas o que acontece é que há alguns anos os grupos do Sul do país estão despejando etanol no nosso quintal durante o período de moagem", diz.

Desde meados de janeiro deste ano, os preços do etanol no mercado nordestino subiram, refletindo a maior tributação na gasolina.

O indicador semanal Cepea/Esalq para o anidro em Pernambuco subiu 4,7 3% entre 16 de janeiro e 6 de fevereiro, último dado disponível.

Mas Cunha defende que a entrada de produto importado nesta época do ano limita o aumento da remuneração do produto às usinas.

"O nosso receio é que a valorização do etanol, decorrente da volta da Cide na gasolina e do aumento do percentual de mistura de anidro, seja anulada por causa das importações", afirma.

Ele defende que esse tipo de operação passe a depender de licença da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Embora seja a lei de mercado - tradings importarem etanol quando há margem de lucro -, as usinas do Nordeste têm razão em reclamar da entrada de produto americano durante a safra, avalia o diretor da comercializadora de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

"É como se houvesse uma espada na cabeça o tempo todo", compara Rodrigues. (Valor Econômico 20/02/2015)

 

Índia decide subsidiar embarques de até 1,4 milhão de toneladas de açúcar

O governo da Índia informou ontem que concederá subsídio para que o país exporte até 1,4 milhão de toneladas de açúcar bruto até o fim da safra atual (2014/15), em setembro.

As usinas receberão 4 mil rúpias por tonelada exportada (US$ 64,40).

Assim, as usinas indianas deverão receber o equivalente a 17 ,64 centavos de dólar por libra-peso enviada ao exterior, pouco mais de 290 pontos acima do atual patamar de negociações do contrato futuro do açúcar demerara atualmente mais negociado (maio) na bolsa de Nova York.

Apesar de superar os atuais preços praticados no mercado internacional, o valor não deverá ser suficiente para remunerar as usinas indianas, avalia Bruno Lima, consultor de gerenciamento de risco do segmento sucroalcooleiro da consultoria FCStone.

"O que incentivaria a exportação seria um preço próximo dos 18 centavos de dólar", calcula.

Atualmente, o custo de produção de açúcar na Índia está em torno de 17 ,50 centavos de dólar a libra-peso.

"Abaixo disso, não vai ter margem para exportar", diz.

A falta de vantagem econômica poderá inclusive limitar a produção indiana de açúcar para exportação.

O incentivo é concedido para as vendas externas de açúcar bruto, mas as usinas indianas produzem normalmente açúcar branco.

"As usinas da Índia só produzem açúcar bruto se tiverem contrato fechado e se a exportação for vantajosa", afirma.

As regras para a concessão do subsídio também não são consideradas simples de serem cumpridas.

Uma das condições impostas pelo governo é que as usinas que quiserem receber o subsídio devem produzir também etanol, o que reduz o número de empresas aptas a acessar o benefício.

Além disso, como o volume é fixo, a liberação do apoio também será regulada de acordo com a data de exportação certificada pelas autoridades aduaneiras.

A concessão de subsídio para a exportação de açúcar era uma reivindicação do segmento sucroalcooleiro da Índia, que atravessa um período de margens deprimidas.

Nos últimos dois meses, o preço do açúcar no mercado indiano atingiu mínimas em mais de cinco anos, como reflexo da elevada oferta doméstica e no exterior.

A produção do país deverá subir para 26 milhões de toneladas na atual temporada, conforme estimativa da associação que representa as usinas indianas (Isma).

E, hoje, os estoques já alcançam 7 ,2 milhões de toneladas.

A produção deste ciclo está avançada, e estima-se que 7 0% do total projetado já tenha sido produzido até o domingo passado.

E, ao mesmo tempo em que as exportações tendem a apresentar rentabilidade duvidosa, em um cenário de estabilidade da rúpia em relação ao dólar, o governo indiano pressiona as usinas a pagarem suas dívidas com os produtores. (Valor Econômico 20/02/2015)

 

Índia prevê 354,95 mi de toneladas de cana produzidas em 2014/15

O Ministério da Agricultura da Índia estima que a produção de cana-de-açúcar na temporada 2014/15 deve totalizar 354,95 milhões de toneladas, um incremento de 17,14 milhões de toneladas na comparação com o ciclo anterior.

A safra de grãos do país, no entanto, deve apresentar redução de 3,2%, para 257,07 milhões de toneladas, de acordo com o governo indiano. A safra de arroz deve cair 3,4%, para 103,04 milhões de toneladas, enquanto a produção de trigo deve ter redução marginal, para 95,76 milhões de toneladas.

A redução da estimativa de grãos se deve principalmente à queda de 12% no volume das chuvas durante o período das monções no ano passado. Essas chuvas são importantes para o setor agrícola do país, uma vez que a maioria dos produtores não têm sistemas de irrigação. (Dow Jones 19/02/2015)

 

Brasil perde liderança para os EUA, mas continua a exportar

Tradicional exportador de etanol, o Brasil passou a importar o biocombustível dos Estados Unidos em volumes mais expressivos a partir de 2011.

Naquele ano, foram 1,15 bilhão de litros, efeito de uma quebra na safra brasileira de cana-de-açúcar.

Ainda assim, foi um volume modesto se comparado ao consumo brasileiro do biocombustível, que foi de cerca de 19 bilhões de litros (incluindo anidro e hidratado).

Para 2015, quando a demanda tende a somar 24 bilhões de litros, mesmo patamar de 2014, as estimativas para as importações brasileiras divergem.

Algumas tradings estimam 1 bilhão de litros, mas outras apostam que o volume se limitará a 500 milhões de litros do produto americano.

Independentemente dessa diferença, o fato é que os EUA têm se firmado como o maior exportador de etanol do mundo, na esteira da estagnação da oferta do Brasil no patamar de 25 bilhões de litros.

Em 2014, os embarques americanos totais cresceram 35% em relação a 2013, para 836 milhões de galões (3,164 bilhões de litros).

Conforme dados compilados pela Associação dos Produtores de Combustíveis Renováveis dos EUA (RFA, na sigla em inglês) com base em informações do governo americano, o biocombustível foi exportado para 51 países.

O Brasil foi o segundo principal destino das vendas dos EUA no ano passado, com 112,2 milhões de galões (424,6 milhões de litros) - 147 % mais que em 2013.

O principal mercado foi o Canadá, que importou 335,9 milhões de galões (1,27 1 bilhão de litros), 4% acima do volume realizado em 2013.

Mas, ainda que tenha começado a importar volume maiores, o Brasil continua a exportar o biocombustível - , ainda que em volumes inferiores ao recorde de 5,1 bilhões de litros de 2008.

Em 2014, foram 1,397 bilhão de litros, dos quais 7 28 milhões de litros aos Estados Unidos, em especial ao mercado da Califórnia, que paga um prêmio ao etanol de cana do Brasil, que tem vantagens ambientais na comparação com o biocombustível feito do milho.

A Coreia do Sul foi o segundo maior cliente do produto brasileiro no ano passado, com 417 milhões de litros. Além desse comércio bilateral com o Brasil, determinado pelo comportamento das margens de comercialização nos diferentes períodos do ano, os EUA também consolidaram alguns mercados na Ásia, conforme análise da RFA.

Índia, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Tunísia, Coreia do Sul e Cingapura importaram juntos 243 milhões de galões (920 milhões de litros) do produto americano em 2014, ante 38 milhões em 2012. Já a União Europeia tem importado volumes menores, devido à implementação de tarifas de importação.

Em 2014, foram 49 milhões de galões (185 milhões de litros), quase o dobro que em 2013 (26 milhões de galões) - mas longe do recorde de 2011 (296 milhões de galões). (Valor Econômico 20/02/2015)

 

Empresas de defensivos planejam pesquisas sobre saúde do agricultor

SÃO PAULO - As 16 maiores empresas de agroquímicos que atuam no país planejam se unir para realizar pesquisas sobre os efeitos dos defensivos agrícolas na saúde do trabalhador rural.

O grupo entrou ontem no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) com pedido de aprovação do processo para criar um instituto, que deve receber o nome de “Prohuma”. As companhias Arysta, Basf, Bayer, Cheminova, Chemtura, Dow AgroSciences, DuPont, FMC, Iharabras, Isagro, ISK Biosciences, Adama, Monsanto, Nufarm, Sumitomo Chemical e Syngenta estão envolvidas na iniciativa.

Como são empresas concorrentes, o Cade solicitou algumas adequações de contrato. Uma fonte a par do assunto disse ao Valor que a expectativa é que a aprovação do instituto saia “em breve, talvez na próxima semana. (Valor Econômico 19/02/2015 às 17h: 45m)

 

Agência ambiental dos EUA deve apresentar proposta sobre biocombustíveis até junho

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) planeja divulgar uma proposta para os padrões de uso de combustíveis renováveis para 2014, 2015 e 2016 nesta primavera no Hemisfério Norte (entre final de março e final de junho), disse nesta quinta-feira um executivo da agência em uma conferência do setor em Grapevine, Texas.

A agência vai dar uma posição sobre os três anos de uma só vez, disse Christopher Grundler, diretor do departamento de qualidade do ar e transportes da EPA, responsável pelo programa de metas para combustíveis renováveis.

"Nós acreditamos que ao fazer isso nós possamos voltar ao cronograma obrigatório previsto em lei", disse ele.

A EPA está atrasada em estabelecer os níveis para a mistura obrigatório de etanol e outros biocombustíveis. (Reuters 19/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: No negativo: As cotações do açúcar demerara recuaram ontem na bolsa de Nova York sob influência do dólar e do subsídio indiano às exportações. Os lotes para maio fecharam com recuo de 37 pontos, a 14,64 centavos de dólar a libra-peso. A moeda americana voltou a se apreciar em meio a incertezas com a Grécia e à queda dos preços do petróleo. Além disso, a notícia de que o governo da Índia, segundo maior produtor de açúcar do mundo, autorizou o subsídio para exportação para a safra atual teve efeito "baixista" sobre os preços. Isso, apesar de a autorização já ser esperada pelo mercado e da expectativa de que não tenha efeito significativo sobre a oferta global, que já está elevada. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,34%, para R$ 50,16 a saca de 50 quilos.

Café: Águas de fevereiro: O volume de chuvas registrado em fevereiro no Sudeste do Brasil tem ficado próximo das médias históricas e colabora para derrubar os preços do café na bolsa de Nova York. Ontem, os contratos do arábica para maio caíram 430 pontos, para US$ 1,5265 a libra-peso, o menor valor em mais de um ano. O clima nas regiões produtoras do país está melhor neste início de ano do que em 2014, quando a seca se prolongou pelo primeiro trimestre. Segundo a empresa de meteorologia DTN, o tempo deve ficar mais firme até o fim de semana, mas as precipitações voltarão na próxima semana. A apreciação do dólar ante o real colaborou para o ambiente "baixista"do café. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica teve queda de 0,88%, a R$ 451,33 a saca.

Cacau: Mais uma alta: Pela décima segunda sessão seguida, os preços do cacau fecharam em alta na bolsa de Nova York, embora bem mais moderada que nos pregões anteriores. Os lotes para maio fecharam em US$ 2.97 5 a tonelada, o maior patamar desde 15 de janeiro, com avanço de US$ 2. Em doze pregões, os papéis subiram US$ 298, resultando na mais longa série de altas desde novembro de 1984. As altas são amparadas na perspectiva de quebra da safra intermediária no oeste da África por causa do tempo seco e dos ventos do Saara que alcançam as lavouras. Há ainda influência do fim da colheita da safra principal na maior parte das áreas produtoras da região. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus e Itabuna subiu para R$ 112, a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: De olho na nova safra: Os preços do algodão voltaram-se para o campo negativo no fim da sessão de ontem na bolsa de Nova York à medida em que os traders absorviam as novas projeções de área para a próxima safra. Os lotes para maio caíram 63 pontos, a 64,69 centavos de dólar a libra-peso. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou que o plantio da pluma no país chegará a 3,92 milhões de hectares em 2015/16. Ainda que a extensão seja 12% menor que a área plantada na safra atual, supera a última projeção do setor (de 3,8 milhões de hectares). As cotações chegaram a subir após a divulgação dos dados, mas a alta não se sustentou por muito tempo. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,4%, a R$ 1,697 8 a libra-peso. (valor Econômico 20/02/2015)