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Política da Tailândia para açúcar vira alvo do Brasil na OMC

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) espera que o governo brasileiro, por meio do Itamaraty, apresente na próxima reunião do Comitê Agrícola da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, os questionamentos sobre a política do governo da Tailândia para sua produção de açúcar.

A presidente da Unica, Elizabeth Farina, afirmou que há alguns anos a entidade vem identificando fortes indícios de distorção na política do governo da Tailândia para sua produção local e que, por isso, contatou o governo brasileiro para que mais informações sejam solicitadas ao país asiático, no âmbito da OMC.

O Brasil é o maior exportador global de açúcar, responsável por cerca de 50% do volume negociado no mundo.

Nos últimos anos, a Tailândia despontou como uma grande competidora, assumindo a segunda posição na exportação.

No entanto, o que se observou, disse Elizabeth, é que o avanço do concorrente asiático está calcado em um conjunto de políticas internas de apoio ao aumento da produção interna.

Mas como o consumo interno de açúcar na Tailândia é pequeno, essa política acaba se refletindo no aumento das exportações, segundo a presidente da Unica.

"O sinal é de que há um apoio para substituição do plantio de arroz por cana, com subsídio ao produtor e preços mínimos no mercado interno, além de um conjunto de instrumentos para ampliar a produção local".

É o que a pesquisadora sênior da consultoria em comércio internacional Agroicone, Luciane Chiodi Bachion, chama de "subsídio cruzado".

No caso da Tailândia, há uma cota de comercialização de açúcar no mercado interno, controlada pelo governo e cujos preços são muito mais elevados do que os de exportação, explicou a pesquisadora.

Essa remuneração artificialmente alta dá sustentação para que a indústria na Tailândia siga produzindo e exportando a commodity, ainda que os preços internacionais estejam deprimidos, como é o caso dos últimos três anos.

Além disso, a Tailândia faz pagamento adicional aos seus produtores de cana para que consigam fornecer a matéria-prima a preços estáveis à indústria.

Até o momento, segundo Luciane, os estudos sobre essa política da Tailândia para o açúcar vêm sendo feitos com base em dados de terceiros, tais como os do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

"Por isso, é preciso fazer esses questionamentos oficiais ao governo tailandês para entender como funciona essa política para a commodity e ter informações mais seguras", afirmou.

A Tailândia, agora objeto de dúvidas quanto à sua política interna para o açúcar, já foi um aliado do Brasil, juntamente com a Austrália, no contencioso aberto em 2010 contra os subsídios dados pela União Europeia aos seus produtores da commodity. (Valor Econômico 24/02/2015)

 

Açúcar: Dólar e clima

Os contratos futuros do açúcar demerara caíram ontem na bolsa de Nova York, refletindo a alta do dólar, o clima úmido no Brasil e os subsídios da Índia à exportação.

Os lotes para maio fecharam com recuo de 19 pontos, a 14,13 centavos de dólar a libra-peso, o menor valor desde 22 de setembro de 2014.

A moeda americana teve forte alta ante o real até metade do dia, antes de voltar-se ao campo negativo, mas foi suficiente para pressionar as cotações do açúcar.

A previsão de mais chuvas no Centro-Sul do Brasil nesta semana reduz o estresse hídrico dos canaviais.

O incentivo à exportação na Índia e o excedente da última safra na Tailândia também pressionam as cotações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,52%, para R$ 50,26 à saca. (Valor Econômico 24/02/2015)

 

FERP busca apoio para impedir fechamento do “Porto Seco”

O possível fechamento do “Porto Seco”, no qual são armazenado produtos da região de Ribeirão Preto para exportação; o pleito de uma fiscalização da ANVISA na cidade para facilitar a exortação de produtos médicos-odontológicos e hospitalares aqui produzidos, a internacionalização do Aeroporto Leite Lopes e a implantação da Região Metropolitana constituíram a pauta de reunião realizada na tarde da última quinta-feira, 19, a sala da diretoria da ACIRP (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) pelo comitê gestor do FERP (Forum das Entidades de Ribeirão Preto) com o deputado Welson Gasparini(PSDB). Conduzida por Antonio Carlos Maçoneto (ACIRP), Guilherme Feitosa (CIESP-FIESP) e Joaquim Augusto Azevedo Souza (SRRP), gestores da entidade como representantes dos setores comercial, industrial e agrícola, a reunião deu ensejo ao parlamentar de proclamar a tese da união das lideranças políticas, empresariais e comunitárias de Ribeirão Preto em prol de objetivos comuns.

Para Gasparini; citando o exemplo da construção do Forum Trabalhista de Ribeirão Preto (resultante de um trabalho do qual participaram, quando da sua última administração como prefeito, todas as lideranças da cidade); só a união de todos (incluindo a prefeita, os vereadores, o secretário Duarte Nogueira e os deputados Baleia Rossi, Leo Oliveira e Rafael Silva) ensejará, em todos esses pleitos, resultados concretos num prazo mais curto.

Gasparini comprometeu-se com o FERP a procurar o engajamento das lideranças mencionadas e do próprio governador Geraldo Alckmin em torno, inicialmente, do problema imediato: reverter a intenção da empresa Rodrimar de paralisar o “Porto Seco” que obrigaria as empresas exportadoras de Ribeirão Preto e da região a se utilizarem de equipamentos semelhantes em Bauru ou em Uberaba com, é claro, encarecimento dos seus custos.

Também participaram dessa reunião o engenheiro Cantidio Maganini (secretário executivo do FERP), Marcelo Maçoneto (gerente regional do CIESP-FIESP), Fred Guimarães e Paulo Bueno (gerentes da ACIRP). (Brasil Agro 24/02/2015)

 

Etanol: Brasil perde liderança para os EUA, mas continua a exportar

Em 2014, foi o segundo maior cliente do etanol de milho dos EUA.

Tradicional exportador de etanol, o Brasil passou a importar o biocombustível dos Estados Unidos em volumes mais expressivos a partir de 2011. Naquele ano, foram 1,15 bilhão de litros, efeito de uma quebra na safra brasileira de cana-de-açúcar. Ainda assim, foi um volume modesto se comparado ao consumo brasileiro do biocombustível, que foi de cerca de 19 bilhões de litros (incluindo anidro e hidratado).

Para 2015, quando a demanda tende a somar 24 bilhões de litros, mesmo patamar de 2014, as estimativas para as importações brasileiras divergem. Algumas tradings estimam 1 bilhão de litros, mas outras apostam que o volume se limitará a 500 milhões de litros do produto americano. Independentemente dessa diferença, o fato é que os EUA têm se firmado como o maior exportador de etanol do mundo, na esteira da estagnação da oferta do Brasil no patamar de 25 bilhões de litros.

Em 2014, os embarques americanos totais cresceram 35% em relação a 2013, para 836 milhões de galões (3,164 bilhões de litros). Conforme dados compilados pela Associação dos Produtores de Combustíveis Renováveis dos EUA (RFA, na sigla em inglês) com base em informações do governo americano, o biocombustível foi exportado para 51 países.

O Brasil foi o segundo principal destino das vendas dos EUA no ano passado, com 112,2 milhões de galões (424,6 milhões de litros) – 147% mais que em 2013. O principal mercado foi o Canadá, que importou 335,9 milhões de galões (1,271 bilhão de litros), 4% acima do volume realizado em 2013.

Mas, ainda que tenha começado a importar volume maiores, o Brasil continua a exportar o biocombustível -, ainda que em volumes inferiores ao recorde de 5,1 bilhões de litros de 2008. Em 2014, foram 1,397 bilhão de litros, dos quais 728 milhões de litros aos Estados Unidos, em especial ao mercado da Califórnia, que paga um prêmio ao etanol de cana do Brasil, que tem vantagens ambientais na comparação com o biocombustível feito do milho. A Coreia do Sul foi o segundo maior cliente do produto brasileiro no ano passado, com 417 milhões de litros.

Além desse comércio bilateral com o Brasil, determinado pelo comportamento das margens de comercialização nos diferentes períodos do ano, os EUA também consolidaram alguns mercados na Ásia, conforme análise da RFA. Índia, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Tunísia, Coreia do Sul e Cingapura importaram juntos 243 milhões de galões (920 milhões de litros) do produto americano em 2014, ante 38 milhões em 2012.

Já a União Europeia tem importado volumes menores, devido à implementação de tarifas de importação. Em 2014, foram 49 milhões de galões (185 milhões de litros), quase o dobro que em 2013 (26 milhões de galões) – mas longe do recorde de 2011 (296 milhões de galões). (Brasil Agro 23/02/2015)

 

MS: Governador recebe usineiros e discute investimento em 5 municípios

Nas duas reuniões, o principal assunto discutido foi a pavimentação das rodovias de acesso às usinas.

Em encontro com representantes de duas usinas instaladas em Mato Grosso do Sul, o governador Reinaldo Azambuja discutiu investimentos em infraestrutura que podem beneficiar moradores de cinco municípios – Angélica, Ivinhema, Chapadão do Sul, Paraíso das Águas e Costa Rica.

Ele se reuniu com os diretores Leonardo Berridi e Marcelo Vieira, da usina Adecoagro, produtora de etanol, e com o superintendente Edson Rocha, da usina Iaco, produtora de etanol e geradora de energia, ontem (20).

O encontro foi acompanhado pela deputada federal Tereza Cristina Corrêa da Costa e pelo secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica, Eduardo Riedel.

Nas duas reuniões, o principal assunto discutido foi a pavimentação das rodovias de acesso às usinas. Segundo Marcelo Vieira, a obra de acesso a Adecoagro já foi licitada e será executada pelo Governo do Estado. “Nós estamos muito entusiasmados com a proposta desse governo de continuar o desenvolvimento que o Estado sempre teve”, disse.

Edson Rocha, da Iaco, afirmou que ficou “otimista” com o compromisso do Estado em ajudar no desenvolvimento do setor produtivo. A pavimentação do acesso a Iaco favorece e as regiões de Chapadão do Sul, Paraíso das Águas e de Costa Rica. (Correio do Estado 21/02/2015)

 

Novas regras do PSI paralisam mercado de caminhões

“Do jeito que o governo está agindo, ele vai cortar pela metade o número de concessionárias de caminhões no Brasil.” A declaração é do gerente comercial da Konrad (concessionária Ford) no Paraná, Fernando Xavier Mourão. Ele se refere às novas regras do Programa de Sustentação do Investimento (PSI). O prognóstico de Mourão pode parecer apocalíptico, mas revela o clima atual na rede distribuidora.

“O governo deixou R$ 30 bilhões para o PSI. Esse foi o dinheiro que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deu no final de outubro do ano passado para complementar os negócios de novembro e dezembro. Ou seja, a verba que foi gasta em dois meses em 2014 terá de atender todo o ano de 2015”, reclama. Com pouco dinheiro disponível, os bancos ficam mais rigorosos e os negócios andam a passos de tartaruga.

Em sua loja, Mourão vendeu 11 caminhões em janeiro e apenas 3 em fevereiro (até dia 19). “Eu preciso vender de 30 a 40 por mês para pagar as contas e faturar um pouco”, declara. Segundo ele, em todo o País somente 158 caminhões haviam sido faturados na primeira quinzena de fevereiro, informação que a reportagem ainda não conseguiu confirmar com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O gerente explica que a Konrad está buscando outras linhas para impulsionar os negócios. “O problema é que é difícil convencer o brasileiro, que ficou os últimos cinco anos comprando caminhão com taxas subsidiadas, a pagar mais juros”, afirma. (Canal Rural 23/02/2015)

 

Gasolina sobe pela 2ª vez em um mês por causa do ICMS

Abastecer o carro fica ainda mais caro para os brasileiros a partir desta segunda-feira (23/2). O preço dos combustíveis passa pelo segundo reajuste do ano em menos de um mês, conforme reportagem do Correio havia adiantado na sexta-feira (20/2). 

Desde a segunda-feira passada, entrou em vigor decisão do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), presidido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e formado pelos secretários de Fazenda, que atualizou o valor de referência para a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas refinarias em 15 estados e no Distrito Federal. Com isso, o litro da gasolina teve acréscimo no preço final.

A nova mexida nas tabelas dos postos é reflexo da elevação do PIS/Cofins anunciada no início de fevereiro, que gerou efeito cascata sobre o ICMS. Como o imposto é estadual, o impacto varia conforme a unidade da Federação. A Secretaria de Fazenda do DF explicou que a mudança na alíquota do imposto que incide sobre o faturamento das distribuidoras, o custo médio ao consumidor ficou defasado e precisou ser ajustado. Com isso, o preço médio ponderado ao consumidor final (PMPF) em Brasília, que entrou em vigor na última segunda-feira, subiu de R$ 3,19 para R$ 3,47, um salto de 8,5%.

Em Mato Grosso do Sul, o PMPF sofreu a maior variação do país, corrigido em 14,11% para a gasolina, 25,45% para o álcool e 27% para o diesel. Por conta dos ajustes, o consultor técnico do sindicato dos distribuidores (Sinpetro-MS), Edson Lazaroto, estima que o litro da gasolina pode ficar de R$ 0,11 a R$ 0,15 mais caro. "Os postos ainda não repassaram o reajuste, mas os donos não têm como absorver isso", alertou. A expectativa do setor é de que até a próxima semana a elevação chegue parcialmente às bombas de combustíveis.

O diretor regional em Uberaba (MG) dos representantes de distribuidoras, José Antônio do Nascimento Cunha, já comprou gasolina R$ 0,08 mais cara na semana passada, mas teme que o repasse integral do aumento assuste ainda mais o consumidor. "Minha venda caiu 20% desde janeiro em relação a igual período de 2014. Se aumento muito, vou acumular mais prejuízos", analisou. Segundo ele, o cenário está disseminado em todo o estado e pode piorar. "Em 1º de março, teremos aumento de R$ 0,06 na gasolina, puxado pelo ICMS. Depois, dia 16, haverá nova pauta da Confaz e o preço da gasolina deve subir de novo", completou.

A dificuldade em saber o impacto do PMPF nos postos é que o ICMS incide sobre os volumes vendidos ao consumidor. "O Confaz calcula um preço médio praticado pelo mercado sobre o qual o imposto pode ser recolhido ainda na refinaria. Assim, se o dono do posto cobrar menos do que o estipulado, vai perder dinheiro", explicou o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), João Elói Olenike.

Para o advogado Rui Coutinho, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a incidência do ICMS sobre um valor que já inclui o PIS/Cofins é uma deturpação do sistema tributário. "É uma barbaridade", opinou. Outros especialistas, contudo, ponderam que os postos já podem ter aumentado o combustível com uma margem superior à prevista pela Petrobras no início de fevereiro, de R$ 0,22 para gasolina e R$ 0,15 para o diesel, justamente prevendo esse fato.

Perguntada sobre a possível arrecadação extra com o ICMS, a Receita informou que as respostas cabem ao Confaz. O conselho, por sua vez, comunicou que as questões deveriam ser respondidas pelas secretarias de Fazenda. (Correio Braziliense 23/02/2015)

 

Bloqueios prejudicam transporte de cargas e agronegócio em vários Estados

Os protestos promovidos por transportadores e caminhoneiros contra os baixos preços de frete e os custos com combustíveis prejudicam o transporte de cargas e o escoamento de produtos do agronegócio em diversos Estados brasileiros nesta segunda-feira.

Na Fernão Dias (BR-381), principal ligação entre Belo Horizonte e São Paulo, há pelo menos quatro pontos com bloqueios em Minas e longas filas de caminhões, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a concessionária da rodovia.

Já os bloqueios na BR-163, principal rodovia de Mato Grosso, maior produtor brasileiro de grãos, entraram no sexto dia nesta segunda-feira, com interrupções em cinco trechos, preocupando agricultores do norte do Estado, que temem ficar sem diesel para as máquinas que realizam a colheita de soja.

Desde o início da manhã há interrupções para o trânsito de caminhões na BR-163 em Cuiabá, Rondonópolis, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde e Sorriso, com formação de filas de três quilômetros em alguns pontos, informou a concessionária Rota do Oeste.

Também há registros de paralisações em estradas federais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná, segundo a PRF.

REFLEXOS PARA O AGRONEGÓCIO

Produtores de aves e suínos estão enfrentando dificuldades no abastecimento de insumos e liberação de cargas perecíveis em meio aos vários piquetes armados por frentes sindicais de caminhoneiros, disse nesta segunda-feira a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A associação disse que os protestos afetam regiões produtoras de aves e suínos, no Sudeste e no Sul, e podem comprometer também o transporte e a exportação de produtos. O Brasil é o maior exportador de carne de frango.

Em Mato Grosso, a BR-163 é responsável pelo escoamento de 70 por cento da safra de grãos do Estado, principal produtor de soja do país, e também é a única rota de chegada de insumos para muitos municípios no norte e médio-norte mato-grossense.

As manifestações ocorrem em um período em que os trabalhos de colheita estão intensos, preocupando compradores e agricultores.

Em alguns municípios pequenos, como Vera, já há registros de falta de óleo diesel para abastecer propriedades rurais, relatou o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja) para a região norte de Mato Grosso, Silvésio de Oliveira.

"A preocupação existe, por conta do desabastecimento. Ainda não é uma coisa generalizada, mas daqui a pouco começa a faltar óleo diesel. Em alguns municípios mais de fora já há problemas", disse Oliveira à Reuters.

A colheita de soja em Mato Grosso atingiu até a sexta-feira 25 por cento da área plantada, contra 45 por cento na mesma época do ano passado.

"O que preocupa é o diesel", disse o produtor de soja Jucelino Dalmolin, que na noite de domingo, mesmo sem a luz do sol, coordenava o trabalho de colheita de suas lavouras em Sinop, recuperando o atraso causado por chuvas recentes na região.

NEGÓCIOS AFETADOS

Na sexta-feira, fontes do mercado já sinalizavam que os bloqueios na BR-163 começavam a afetar os negócios com a soja de Mato Grosso.

Grandes tradings, que realizam o processamento e a exportação da soja, têm oferecido preços menores pela soja no mercado à vista, tentando precaver-se de possíveis despesas com multas por atraso no embarque de navios.

Enquanto isso, produtores, em geral capitalizados pelas boas safras dos últimos anos, pedem valores maiores pelo produto, esfriando o fechamento de negócios.

Os bloqueios em rodovias de Mato Grosso estão sendo organizados por caminhoneiros e donos de transportadoras que reclamam dos baixos preços de frete praticados atualmente e dos altos custos de operação --pela distância em relação aos principais polos de refino, o diesel é ainda mais caro em Mato Grosso do que em outras áreas do país.

Os manifestantes pedem ações do governo do Estado para reduzir impostos sobre o diesel e balizar os preços pagos pelo transporte.

A Petrobras elevou ao final do ano passado os preços do diesel na refinaria, e posteriormente o governo federal reimplementou alguns tributos incidentes sobre os combustíveis, como a Cide, com impacto no valor da bomba. (Reuters 23/02/2015)

 

Aumenta demanda de empresas por gás natural

O ainda incipiente mercado de gás natural para climatização de ambientes e cogeração de energia foi alavancado nos últimos meses pela crise hídrica.

"Desde outubro, com o estresse do setor elétrico, sentimos um aumento de 15% na solicitação de estudos para a implantação de sistemas a gás", afirma Ricardo Augusto Michelin, da Comgás.

A empresa projeta que o crescimento da demanda se acelere em 2015. Grande parte das companhias recorrem ao gás natural como fonte de energia para seus equipamentos de ar-condicionado.

"Esses aparelhos são responsáveis por 40% a 50% do consumo de um empreendimento", acrescenta Michelin.

Hoje, a Comgás tem 71 clientes no segmento de climatização e 55 no de geração. Em 2014, foram ligados 18 novos projetos. A média anual até então era de sete. Para 2015, são projetados 30.

A maior procura vem de shoppings, indústrias e hotéis, que também pretendem diminuir seus gastos com energia ao adotar o gás.

"O gás é usado no horário de pico do consumo, entre as 17h30 e as 20h30, quando a energia de concessionárias pode custar até seis vezes mais que em outros horários."

A Gasmig e a SC Gás (que atuam em Minas e em Santa Catarina, respectivamente) também perceberam um aumento do interesse pelo produto para cogeração e para sistemas de ar condicionado.

"O empresário vê a lógica que estamos atravessando, fica inseguro e vê o gás como alternativa", diz o presidente da SC Gás, Cosme Polêse. (Folha de São Paulo 24/02/2015)

 

Balança acumula déficit de US$ 4,9 bi em 2015

Valor, porém, é 26,7% inferior ao registrado no mesmo período de 2014, segundo Mdic.

O Brasil importou US$ 1,779 bilhão a mais do que exportou nas três primeiras semanas de fevereiro, segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Com o desempenho nas últimas duas semanas, a balança comercial, diferença entre exportações e importações, acumula déficit de US$ 4,953 bilhões no ano.

Apesar de continuar no vermelho, o saldo é 26,7% menor que o resultado negativo de US$ 6,755 bilhões registrado até a terceira semana de fevereiro de 2014. Segundo os dados do Mdic, o déficit da balança comercial em 2015 está menor porque as importações estão caindo mais que as exportações.

No acumulado do ano, as importações somam US$ 27,665 bilhões, com queda de 10,1% pela média diária. Já as exportações totalizam US$ 22,712 bilhões, retração de 8,1% também pela média diária.

A estatística da segunda semana de fevereiro ainda não tinha sido divulgada por causa do carnaval. Os números mostram que, de todo déficit acumulado no mês, US$ 1,754 bilhão referem-se à segunda e terceira semanas. A queda das exportações afeta todas as categorias de mercadorias.

Os produtos básicos acumulam retração de 19,4%em fevereiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. A queda foi puxada por soja em grão, minério de ferro e carne bovina e suína. As vendas de semimanufaturados têm recuo de 1,3%, por causa principalmente de açúcar bruto, semimanufaturados de ferro e de aço e ferro-liga. As exportações de manufaturados caíram 8,1%, com destaque para polímeros plásticos, máquinas de terraplanagem, motores e geradores.

Em relação às importações, as maiores reduções nas três primeiras semanas do mês em relação a fevereiro do ano passado ocorrem com produtos farmacêuticos (-24,8%), borracha para obras (-18,4%), veículos, automóveis e partes (-16,9%) e instrumentos de ótica e de precisão (-16,6%).

Em 2014, a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 3,93 bilhões, o primeiro resultado negativo desde 2000. O mau desempenho foi provocado pela queda nos preços das commodities, principalmente o minério de ferro, crise na Argentina e aumento das importações de combustíveis.

Ontem, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) divulgou carta com sugestões feitas ao governo para ampliar as exportações brasileiras. Entre as propostas, estão a manutenção e ampliação dos instrumentos de desoneração tributária, a adoção de política cambial neutra, a realização de campanha institucional no exterior e maior atenção ao mercado dos Estados Unidos. "O foco está na competitividade", diz o documento. (Brasil Econômico 24/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Dólar e clima: Os contratos futuros do açúcar demerara caíram ontem na bolsa de Nova York, refletindo a alta do dólar, o clima úmido no Brasil e os subsídios da Índia à exportação. Os lotes para maio fecharam com recuo de 19 pontos, a 14,13 centavos de dólar a libra-peso, o menor valor desde 22 de setembro de 2014. A moeda americana teve forte alta ante o real até metade do dia, antes de voltar-se ao campo negativo, mas foi suficiente para pressionar as cotações do açúcar. A previsão de mais chuvas no Centro-Sul do Brasil nesta semana reduz o estresse hídrico dos canaviais. O incentivo à exportação na Índia e o excedente da última safra na Tailândia também pressionam as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,52%, para R$ 50,26 a saca.

Café: Piso em um ano: Os preços do café arábica despencaram ontem em Nova York, pressionados pela alta do dólar e pelo clima mais úmido no Sudeste do Brasil. Os papéis para maio fecharam em baixa de 465 pontos, a US$ 1,4825 por libra-peso, o menor patamar desde 14 de fevereiro de 2014. A queda foi mais uma vez ditada pelos investidores especulativos, já que os produtores permanecem retraídos. "Investidores, mais uma vez, resolveram liquidar posições compradas em alinhamento ao fortalecimento do dólar no Brasil e também às recentes chuvas no cinturão produtivo", afirmou Marcus Magalhães, da Maros Corretora. Previsões indicam mais chuvas para as regiões produtoras do Sudeste do Brasil esta semana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca do grão ficou em R$ 450,66, baixa de 2,56%.

Cacau: Escalada de preços: As cotações do cacau fecharam em alta pela 14ª sessão seguida ontem na bolsa de Nova York, em meio ao temor com o clima para a próxima colheita no oeste da África. Os lotes para maio fecharam com ganhos de US$ 22 ontem, a US$ 3.001 por tonelada, o maior valor desde 24 de outubro de 2014. Investidores liquidaram posições nos últimos dias, mas novas compras devolveram os preços para o campo positivo, superando a "barreira psicológica"de US$ 3.000 por tonelada. Os produtores do oeste da África já calculam que o tempo seco e os ventos do deserto do Saara reduzirão a produtividade da safra intermediária de cacau, colhida ainda no primeiro semestre. Em Ilhéus e Itabuna, o preço médio da arroba ficou em R$ 114, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Trigo: Pressão externa: A baixa competitividade do trigo americano no mercado internacional voltou a pesar sobre os preços nas bolsas dos Estados Unidos. Em Chicago, os lotes para maio caíram 3 centavos, a US$ 5,04 o bushel, o menor nível desde 30 de janeiro. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento cederam 2,25 centavos, a US$ 5,36 o bushel. A alta do dólar frente a várias moedas agrava a situação do cereal dos EUA, já que torna o produto americano mais caro que o da Europa. Alguns analistas, porém, acreditam que os contratos podem se valorizar se o clima seguir adverso quando as lavouras americanas saírem do período de dormência. No mercado doméstico, o preço médio da tonelada no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,19%, a R$ 503,74. (avalor Econômico 24/02/2015)