Setor sucroenergético

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Setor sucroenergético: Alckmin confirma apoio à ‘Frente dos Governadores’

Em audiência de mais de duas horas com sindicalistas ligados à Força Sindical, na tarde de ontem (24) no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, assumiu o compromisso de se engajar na formação da ‘Frente dos Governadores’ proposta pelo Fórum Nacional Sucroenergético e defendida pelo projeto ‘Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética’.

Segundo relato do sindicalista Antonio Vitor, que representa os sindicatos de trabalhadores da cadeia produtiva sucroenergética, “o governador Geraldo Alckmin deve se reunir nos próximos dias com os governadores dos Estados produtores de cana-de-açúcar para estabelecer uma agenda próativa em favor do setor que atravessa uma crise sem precedentes provocada pela inação do governo federal”.

Por duas vezes os governadores tentaram se reunir – uma vez em São Paulo e a outra em Goiânia – mas compromissos de agenda impediram o encontro. “Agora destravou e o governador Alckmin assumiu o compromisso de apoiar esta frente que será o viés político do projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética”.

O sindicalista também confirmou que nos próximos dias movimentos de protesto, como o ocorrido no último dia 27 de janeiro, podem ser promovidos em outros municípios canavieiros do Estado de São Paulo como Piracicaba, Araraquara, Catanduva, Jaú e Araçatuba.

Antonio Vitor voltou a criticar a presidente Dilma Rousseff que, segundo ele, “engavetou” o projeto de aumento do etanol anidro à gasolina na proporção de 25% para 27%. “Dilma afronta um setor da maior relevância social, ambiental e econômica do País mandando seus ministros negociarem medidas que acabam não sendo implementadas”, afirmou referindo-se às negociações feitas pelo ministro Chefe da Casa Civil Aloysio Mercadante.

Ele também confirmou que os sindicalistas, junto com os fornecedores de cana, estão preparando a “Marcha à Brasília” que pode coincidir com os movimentos dos caminhoneiros. “Tem tudo a ver, nosso setor já extinguiu 300 mil postos de trabalho só nos últimos seis anos e 83 usinas fecharam, enquanto uma quadrilha tomava de assalto os cofres da Petrobras”, afirmou. (Brasil Agro 25/02/2015)

 

Elizabeth Farina da UNICA SP faz parte da lista FORBES Brasil

A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA SP), Elizabeth Farina, aparece na lista da Revista Forbes Brasil (edição de fevereiro/2015), como uma das pessoas mais influentes do Agronegócio, no grupo Poder Institucional.

O grupo ainda traz Henrique Meirelles (J&F), Robson Braga de Andrade (CNI), Murilo Portugal (Febraban), Luiz Moan (Anfavea) e Edemir Pinto (Bovespa), além de figuras do cenário político (FHC, Aécio Neves, José Serra e Lula). Rubens Ometto (Raízen e Cosan), Rodrigo Santos (Monsanto) e Paulo Roberto de Souza (Copersucar).

No cargo desde novembro de 2012, a professora titular aposentada da FEA/USP e ex-presidente do Cade é uma das poucas mulheres de voz ativa no setor sucroalcooleiro. Sobre a importância do etanol na matriz energética do país, ela costuma dizer que falta uma luz no fim do túnel. Ou seja, falta mais atenção ao biocombustível da cana. (Única 24/02/2015)

 

Etanol tem leve baixa nas usinas de São Paulo

Os preços do etanol, tanto o anidro quanto o hidratado, oscilaram para baixo na última semana nas usinas do estado de São Paulo, principal mercado para o combustível no país. A informação foi divulgada nesta terça-feira (24/2) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com os pesquisadores, a maior parte das distribuidoras não teve grande necessidade de repor estoques depois do Carnaval e com o início das aulas. "Além disso, algumas usinas ofertaram, pontualmente, um volume um pouco maior, para liberar espaço nos tanques para o produto da nova safra, que se inicia oficialmente em abril. Nesse contexto, os preços dos dois tipos de etanol apresentaram pequenas quedas", dizem, em nota.

Diante da situação, o indicador do Cepea para o etanol anidro, que é misturado à gasolina, apresentou recuo de 0,9% entre os dias 16 e 20 de fevereiro, em relação à semana anterior. A cotação chegou a R$ 1,4397 o litro, sem considerar a incidência de impostos.

O indicador para o etanol hidratado, que abastece diretamente os veículos, teve queda de 0,5% na mesma comparação. A cotação chegou a R$ 1,3856, valor também livre de impostos. (Globo Rural 24/02/2015)

 

Grupo Columbia cria empresa com foco em biomassa

O Grupo Columbia, que faturou R$ 2,5 bilhões no ano passado sobretudo com operações logísticas, criou no fim do ano passado uma empresa dedicada à originação e ao fornecimento de matérias-primas para geração de energia, em especial de fontes renováveis. Batizada de Columbia Energia, a companhia herdou do grupo controlador os negócios de venda de coque de petróleo e resíduos de madeira, insumos usados na geração de eletricidade por parte de cimenteiras e indústrias de papel e celulose, principalmente.

Mas, de olho no movimento de substituição de fontes fósseis por renováveis em segmentos intensivos no uso de energia, a nova empresa quer ocupar um espaço vazio no mercado interno, que é o fornecimento "confiável de matérias-primas renováveis".

"Me refiro à qualidade desses materiais, tais como controle de umidade e de impurezas, e a regularidade no fornecimento", diz o CEO da Columbia Energia, Carlos Mussato.

Em 2015, a nova companhia já tem fechados contratos de venda de cerca de 250 mil toneladas de biomassa de madeira (cavaco), mais que o dobro das 100 mil toneladas negociadas no ano passado pelo grupo - quando a subsidiária ainda não havia sido constituída oficialmente.

"Até então, nossos clientes eram indústrias consumidoras de energia. E agora, a carteira cresceu na esteira da maior demanda por parte de grupos como as usinas de cana, interessados também em ampliar a produção de eletricidade para vender no mercado livre, cujos preços estão atrativos", diz Mussato.

Por enquanto, a única fonte renovável do portfólio da empresa é o cavaco de madeira, oriundo da operação florestal de sua controlada Operflora.

A matéria-prima é retirada das florestas onde a empresa presta serviços, e é fornecida à própria clientela - a maior parte indústrias de papel e celulose.

No entanto, a proposta da Columbia Energia é agregar outras fontes renováveis em seu escopo, além de implantar um modelo de negócio que considera inédito no país: "blend"de matérias-primas.

"O mercado compra 'gigacalorias' e não casca de arroz ou coco de babaçu. O foco é conseguir fornecer a caloria que o cliente precisa, com logística e custo que atenda às suas necessidades", diz Mussato.

O plano, que vai se concretizar na velocidade do comportamento da demanda, é implantar "blendcenters" - espécies de processadoras de biomassa e de outras fontes, não necessariamente só as renováveis.

"O produto final depende da demanda e pode ser, por exemplo, um blend de renovável com fóssil".

A companhia mapeou as diferentes alternativas energéticas no país, o que incluiu algumas inusitadas, como coco de babaçu e caroço de açaí.

A constatação foi que o potencial é originar 300 mil toneladas por ano.

A empresa não considera atuar com bagaço de cana, por se tratar de um mercado já bem explorado.

"Mas estamos conversando com um player do setor para viabilizar o recolhimento da palha", antecipa. (Valor Econômico 25/02/2015)

 

Crédito de IFC e BNDES acelera avanço da Delta Sucroenergia

Resultado da cisão dos negócios do Grupo Carlos Lyra, em 2012, a Delta Sucroenergia, controlada por Robert Lyra, filho do patriarca da tradicional família alagoana, concluiu ontem uma operação de crédito que visa otimizar a geração de caixa de seus negócios, concentrados em três usinas de cana-de-açúcar no Estado de Minas Gerais.

Mesmo em um segmento que enfrenta cada vez mais dificuldades para conseguir crédito, a empresa conseguiu fechar com o IFC, braço corporativo do Banco Mundial, um financiamento de US$ 80 milhões, com prazo de vencimento que varia de sete a nove anos.

Esse crédito complementa os recursos já captados no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e vão integrar um amplo programa de investimentos.

O principal deles é o aumento da capacidade de cogeração do grupo, mas os aportes também incluem melhorias operacionais e agrícolas.

O empréstimo do BNDES totalizou R$ 250 milhões - R$ 125 milhões por meio de um financiamento direto com o banco de fomento e o restante com instituições parceiras (Itaú e Santander).

O alvo da expansão energética é a usina Delta, localizada no município mineiro de mesmo nome. Dos atuais 50 mil megawatts-hora (MWh), o excedente de eletricidade dessa planta vai saltar para 300 mil MWh.

A previsão é que essa nova capacidade será incorporada à operação na safra 2016/17 , que começará em abril do próximo ano.

Assim, somando-se à capacidade de cogeração já existente na unidade Volta Grande, localizada em Conceição de Alagoas (MG), o grupo passará a deter, a partir da expansão da usina Delta, uma energia excedente para venda que chegará a 350 mil MWh por ano, ante os 180 mil MWh atuais.

Os reflexos dessa expansão nos negócios da companhia serão diretos, afirmou ao Valor Robert Lyra, que preside o grupo. Em seus cálculos, a partir de 2016/17 o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) terá um aumento de cerca de R$ 100 milhões em relação aos R$ 460 milhões que deverão ser registrados nesta temporada 2014/15.

Do total de US$ 80 milhões captados com o IFC, US$ 40 milhões virão diretamente do braço do Banco Mundial, enquanto o restante tem como fonte um empréstimo sindicalizado com a participação do holandês Rabobank e do IFC Managed Co-Lending Portfolio - uma nova plataforma de empréstimos sindicalizados da instituição.

As operações têm prazo de carência de três anos e custo de Libor mais 4,5% ao ano.

Os prazos de pagamento, no entanto, diferem. No caso dos recursos do IFC, o prazo é de nove anos, enquanto o vencimento da operação com o Rabobank é de sete anos, segundo Lyra.

Na temporada 2014/15, que termina oficialmente em 31 de março, as três usinas da Delta Sucroenergia - Delta, Volta Grande e Conquista de Minas - processaram 9,5 milhões de toneladas de cana e faturaram R$ 1,2 bilhão com a venda de açúcar, etanol e energia.

O endividamento líquido da empresa, atualmente na casa de R$ 1,15 bilhão, equivale a 2,5 vezes o Ebitda. Para o próximo ciclo, o 2015/16, Lyra adianta que a moagem deverá ser semelhante à do ciclo atual.

"Além de aprimorar a estrutura de capital da companhia, o investimento do IFC contribui para nossas diretrizes de governança", afirmou o empresário ao Valor. Em 2012, o Grupo Carlos Lyra concluiu a cisão de suas operações, dividindo os ativos sucroalcooleiros entre os dois filhos do patriarca, Elizabeth e Robert Lyra.

O processo deu origem a duas empresas distintas com operações independentes dos pontos de vista societário, operacional e financeiro. Além das unidades Delta e Volta Grande, a Delta Sucroenergética também tem sob seu guarda-chuva a usina Conquista de Minas, localizada no município mineiro de Conquista. Já a segunda empresa, que manteve a denominação Grupo Carlos Lyra, detém entre seus ativos três usinas de cana-de-açúcar em Alagoas e uma no Estado de São Paulo. Em nota, o IFC afirmou que o crédito à Delta foi aprovado porque o projeto em questão se encaixa na estratégia da instituição de destinar capital, no caso do agronegócio, a iniciativas que fomentem segurança alimentar, aumento da renda rural e fortaleça práticas socioambientais.

Em 2014, o investimento global do IFC no setor alcançou US$ 4 bilhões. (Valor Econômico 25/02/2015)

 

Etanol, Califórnia e alavancagem

Seria ingenuidade minha achar que todos os problemas do setor sucroenergético brasileiro estão resolvidos com a volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), o aumento da mistura de etanol na gasolina, a desvalorização do real e o mercado de eletricidade remunerando de forma satisfatória a bioeletricidade do bagaço da cana. A ingenuidade iria às alturas se ainda adicionasse o fato de que o Estado norte-americano da Califórnia está enfim tomando decisões que podem transformá-lo em realidade para as exportações de etanol brasileiro. Com tanto otimismo, angariaria, sem intenção, a pecha de Policarpo Quaresma ou, para quem gosta de uma rima pobre, o Meloni do exército de Brancaleone.

Otimismos em seu devido lugar, o fato é que tem algo acontecendo na Califórnia que merece uma reflexão além do setor sucroenergético, cujo envolvimento neste assunto já é até o pescoço. Vale dizer que EUA, Califórnia e União Europeia não resolverão o problema do setor sucroenergético do Brasil. Gato escaldado tem medo de água fria. Mas que existe uma potencial situação de ganha-ganha se desenhando entre a Califórnia e o nosso etanol, isso existe. A Califórnia fica feliz, o setor sucroenergético do Brasil fica feliz. Diante de um cenário pouco atraente para investimentos, não apenas, mas muito contaminado pelos baixos preços do petróleo, a política estadual da Califórnia (batizada de Low Carbon Fuel Standard) pode trazer pontos de alavancagem, valendo-se das ideias das teorias de sistemas complexos de Donella Meadows, que recolocam os biocombustíveis no seu devido papel: na batalha para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEEs) causadas pelos combustíveis fósseis.

Desde 2008 os defensores dos biocombustíveis de base agrícola, como eu, seguem a estratégia "de batalha em batalha ganhamos a guerra". Os últimos números publicados pelo Estado da Califórnia mostram que nossas pequenas vitórias têm forte potencial para gerar uma grande vitória.

Em 2008 os biocombustíveis de base agrícola foram postos em dúvida como solução para reduzir as emissões de GEEs dos combustíveis fósseis. Sendo um combustível que provém de matéria-prima que usa terra, sol e água, o argumento sustentava que qualquer mitigação das emissões que porventura decorresse do fato de estes serem produzidos com matérias-primas renováveis seria neutralizada pelas emissões provenientes da conversão de vegetação natural em terras para produção, direta ou indiretamente, impulsionada pelos biocombustíveis.

O Estado da Califórnia, cuja política agressiva para redução de emissões no setor de transportes, que vê os veículos elétricos e os biocombustíveis como a combinação ideal para promover tais reduções, não se privou em reagir. A reação foi um mata-leão no etanol de cana brasileiro: ele deveria, de acordo com as análises e modelos utilizados em 2008, ser penalizado em 46 gramas de CO2 equivalente por megajoule de energia produzida. Para ter ideia, assumindo que a gasolina emite 90gCO2e/Mj e que a produção de etanol de cana emite ao redor de 20gCO2e/Mj, uma penalidade de 46gCO2e/Mj tiraria toda a sedução da cana na Califórnia. Nesse cenário, o etanol de cana seria considerado um bicombustível ineficiente do ponto de vista ambiental.

Sete anos depois, e uma indubitável liderança da Califórnia nos esforços para aprimorar e tornar realistas os modelos quantitativos para calcular os 46gCO2e/Mj, a agência ambiental do Estado trouxe o número para 11gCO2e/Mj (batizado de fator de iLUC). Por causa do enorme esforço quantitativo estimulado pela Califórnia, que promoveu um aprimoramento único nos modelos econômicos e biofísicos, será tarefa árdua para a "turma antibiocombustíveis" duvidar deste número. É uma vitória para o etanol brasileiro.

A Califórnia, porém, gosta de um bate e assopra. Assopraram o etanol de cana reduzindo o fator de iLUC, mas bateram nele penalizando a bioeletricidade do bagaço. Mais uma batalha para o etanol de cana reverter a seu favor. Um pouco de otimismo aqui vale. (O Estado de São Paulo 25/02/2015)

 

Valor da produção cai menos no Brasil do que nos EUA

O valor da produção agrícola deverá ter uma queda menor no Brasil do que nos EUA. É o que mostram dados divulgados nesta terça (24) pelo Ministério da Agricultura e pelo Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).

Essa queda de renda ocorre devido à redução dos preços internacionais das commodities. Os produtores brasileiros têm, no entanto, uma ajuda do dólar.

A valorização da moeda norte-americana permite uma remuneração maior em reais para os produtores nacionais. As commodities são cotadas em dólar nas principais Bolsas de negociações.

José Gasques, do Ministério da Agricultura, diz que o VBP (Valor Bruto da Produção) brasileiro das lavouras deverá atingir R$ 293 bilhões neste ano (US$ 103 bilhões), 1,4% abaixo do de 2014.

Já o valor da pecuária -incluídos bovinos, suínos, frango, leite e ovos- tem caminho inverso ao das lavouras e atingirá R$ 185 bilhões (US$ 65 bilhões), alta de 5,3% no ano.

A boa disponibilidade de carnes coloca o Brasil como um dos principais fornecedores de proteínas no mercado internacional. Com isso, há uma sustentação dos preços no mercado interno e receitas maiores no setor.

O bom rendimento do setor considerado pelo governo como "pecuária" virá de bovinos, cujo valor sobe para R$ 70,4 bilhões neste ano, 10% mais do que em 2014.

O setor de frango acumula R$ 63 bilhões, com alta de 3,5%, enquanto o de suínos sobe para R$ 12,8 bilhões em 2015, mais 3,8%.

O segmento de leite, devido ao aumento de produção e à demanda mais fraca, terá redução de 1,2% neste ano, para R$ 27,5 bilhões.

A soma de todos esses setores agropecuários vai elevar o VBP do país para R$ 478 bilhões (US$ 169 bilhões) neste ano, 1% mais do que o de 2014, segundo Gasques.

Os produtores de grãos dos EUA, devido à queda dos preços médios das commodities, perdem renda. O Usda divulgou nesta terça (24) que o valor da produção das lavouras recuou para US$ 193 bilhões no ano passado, 8% menos do que em 2013. A maior parte dessas receitas - que atingiram US$ 150 bilhões, 10% menos que as de 2013- veio da produção de grãos.

As previsões do Usda para 2015 indicam receitas de US$ 181 bilhões no setor de lavouras. Já as receitas com carnes recuam para US$ 200 bilhões, uma queda de 5% em relação às do ano anterior.

Assim como no Brasil, a maior desaceleração nas receitas do produtores dos EUA virá do leite e derivados. O setor terá um valor de produção de US$ 38 bilhões neste ano, 22% menos do que em 2014.

O valor total da produção dos norte-americanos, incluindo lavouras e carnes, deverá somar US$ 383 bilhões (R$ 1,1 trilhão), 5% menos do que o de 2013.

Assim como no Brasil, dois produtos se destacam nos Estados Unidos: soja e milho. O primeiro soma US$ 40,3 bilhões (R$ 114,2 bilhões). Já o segundo renderá US$ 52,4 bilhões (R$ 148,5 bilhões).

No Brasil, o VBP da soja será de R$ 94 bilhões neste ano, enquanto o do milho atingirá R$ 32,1 bilhões.

A produção brasileira tem, ainda, outros itens de destaques, como cana-de-açúcar (42,4 bilhões), laranja (R$ 20,1 bilhões) e café (R$ 18,3 bilhões). (Folha de São Paulo 25/02/2015)

 

Prévia da inflação é a mais alta em 12 anos

IPCA-15 sobe para 1,33% em fevereiro, maior índice desde 2003, sob pressão de energia, transportes e educação.

Taxa em 12 meses vai a 7,36%, a maior desde junho de 2005; para analistas, inflação continuará sob pressão.

Pressionada por energia, transportes e educação, a prévia da inflação oficial do país registrou forte alta de 1,33% em fevereiro, acima do 0,89% de janeiro.

Trata-se da maior marca do IPCA-15 desde fevereiro de 2003, quando o país vivia os reflexos da crise cambial detonada pela eleição de Lula.

Os dados foram divulgados na manhã desta terça-feira (24) pelo IBGE. O índice adota a mesma metodologia do IPCA (indicador oficial), mas com coleta que se encerra em meados do mês.

O índice acumulado em 12 meses bateu em 7,36%, o mais alto desde junho de 2005. Para analistas, não há expectativa de que a inflação neste ano se mostre mais comportada, e a tendência é que fique em torno de 7,5%, um ponto percentual acima do teto da meta do governo, de 6,5%.

A maior pressão em fevereiro veio do grupo educação, com aumento de 5,98% em razão do reajuste das mensalidades escolares.

Também puxaram a inflação os reajustes de energia, com alta de 7,70% em fevereiro, e itens do grupo transportes, como ônibus (7,34%), etanol (3,55%) e gasolina (2,96%), além de metrô (8,95%) e automóvel novo (2,76%).

ALIMENTOS

Já os alimentos, embora com taxa ainda elevada em fevereiro (de 0,85%), ajudaram a conter a inflação. Ainda assim, importantes produtos, como feijão, tomate e hortaliças, tiveram fortes altas.

Para analistas, ainda que a inflação venha a subir menos nos próximos meses sem o aumento transitório de educação, a tendência é de taxas pressionadas ao longo do ano. Isso apesar da previsão de queda do PIB neste ano.

Para a Rosenberg & Associados, a inflação subiu em fevereiro na esteira dos preços administrados pelo governo. No caso da energia, o aumento se deu por causa do regime de bandeiras tarifárias, que repassa automaticamente ao consumidor o custo maior das termelétricas.

Já os ônibus subiram em sete capitais, inclusive no Rio de Janeiro e em São Paulo, num movimento típico após as eleições.

Os combustíveis, por sua vez, aumentaram em razão da elevação de tributos. A alta do diesel é um dos motivos da onda de protestos de caminhoneiros. (Folha de São Paulo 25/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Incerteza no Brasil: Os contratos do café registraram forte volatilidade ontem na bolsa de Nova York, em meio às incertezas quanto ao efeito das recentes chuvas sobre a produtividade do cinturão cafeeiro do Brasil. Os lotes do arábica para maio fecharam a US$ 1,489 a libra-peso, com alta de 65 pontos. A região Sudeste, que concentra a maior parte das lavouras brasileiras, tem recebido mais precipitações em fevereiro, depois de meses de estiagem. Apesar do alívio hídrico deste mês, os produtores e investidores ainda estão inseguros sobre os reflexos das novas chuvas sobre o desenvolvimento dos grãos para a safra 2015/16. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade variou entre R$ 480 e R$ 490 a saca de 60,5 quilos, de acordo com informações do Escritório Carvalhaes, de Santos.

Cacau: Mais uma alta: O mercado do cacau seguiu na mesma toada das 14 sessões anteriores e voltou a fechar em alta ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para maio fecharam a US$ 3.016 a tonelada, em alta de US$ 15 sobre segunda-feira e no maior patamar desde 24 de outubro do ano passado. Em quinze dias de negociação, os papéis acumularam valorização de US$ 339. Nos primeiros minutos do pregão, os traders buscaram realizar os lucros recentes, mas novas compras dos fundos renovaram a curva ascendente. As compras especulativas são estimuladas por uma possível quebra de safra no oeste da África, embora essa expectativa não seja consensual. No mercado interno, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna se manteve em R$ 114 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Fôlego em NY: Depois de dois dias de quedas, os futuros do algodão ganharam impulso ontem na bolsa de Nova York, diante da queda do dólar e do aperto de oferta na ICE Futures. Maio subiu 7 1 pontos, a 64,91 centavos de dólar a libra-peso. Segundo analistas, o mercado americano tem registrado boas compras por parte das indústrias têxteis locais e de compradores externos. Enquanto isso, os estoques certificados na ICE Futures estão em queda, às vésperas da entrega dos contratos que vencem em março, criando uma situação momentânea de aperto nos EUA. Além disso, a desvalorização da moeda americana ajudou a alavancar as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,21%, para R$ 1,7 07 5 a libra-peso.

Milho: EUA em vendas: As cotações do milho chegaram a subir ontem na bolsa de Chicago na esteira da soja, mas voltaram para o campo negativo influenciadas pelo mercado de petróleo e por notícias relacionadas à oferta. Os lotes para maio fecharam em US$ 3,855 o bushel, recuo de 1,25 centavo. Os preços foram afetados pela queda do petróleo, o que reduz a competitividade do etanol de milho nos Estados Unidos. A postura mais agressiva dos produtores do país na venda da safra 2014/15 também pressionou. O momento já é de comprar insumos para o próximo ciclo, e os agricultores começam a vender sua produção para garantir renda. Apesar do frio no Meio-Oeste, os trabalhos de preparo do solo já começaram no sul do Texas. No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa subiu 0,24%, para R$ 28,84 a saca. (Valor Econômico 25/02/2015)