Setor sucroenergético

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Itochu: Limão amargo Usinas

Da caipirinha que os japoneses da Itochu preparavam sobrou apenas o bagaço do limão. O projeto do grupo de montar uma trading no Brasil voltada à comercialização de álcool e açúcar escorreu pia abaixo.

A parceria com a Bunge ficou no papel e as conversações com a Cosan não passaram disso, conversações. (Jornal Relatório Reservado 27/02/2015)

 

Cosan lança seu plano de mudanças para a ALL

Aos 45 anos, o presidente-executivo do grupo Cosan, Marcos Lutz, tem pela frente, certamente, o maior desafio em sua carreira: a reconstrução da ALL, um grupo ferroviário com 13 mil km de concessões e muita coisa para consertar.

Pelo menos cinco anos serão necessários para pôr a ferrovia nos eixos, renovar sua frota de locomotivas e vagões, modernizar seus trilhos para ganhar eficiência operacional e atender satisfatoriamente a demanda de centenas de clientes.

O pacote de investimentos previsto nesse período totaliza R$ 7 bilhões.

Outros R$ 2 bilhões estão orçados para os anos seguintes.

Dentro de um mês, a nova companhia, oriunda da incorporação da ALL pela Rumo Logística, que é controlada pela Cosan, terá definida sua nova gestão.

Já está certo que dois superexecutivos ficarão logo abaixo do CEO - um responsável pelo corredor Rondonópolis-Santos, que transporta mais de 60% da carga escoada hoje, e outro pelas operações de bitola estreita, que estão no Sul do país, conectadas aos portos de Paranaguá, São Francisco do Sul e Rio Grande.

Eles terão cargos de vice-presidente operacionais e seus nomes devem ser revelados nos próximos dias.

A divisão; justifica Lutz, se deve ao tipo de operação das linhas.

A de Rondonópolis-Santos, por exemplo, onde trafegam grãos e açúcar, requer ações urgentes, principalmente no trecho de Araraquara (SP) até divisa com o Estado de Mato Grosso do Sul.

É esperada para até fim de março a última aprovação das autoridades reguladoras para a fusão.

Ontem, teve o sinal verde da Antaq (agência que regula transporte aquaviários).

Na segunda-feira, o processo será encaminhado para a Secretaria Especial de Portos (SEP) para aprovação final.

O negócio já passou pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que impôs algumas restrições, e da ANTT (que regula transportes terrestres).

Após esse ritual, as duas empresas se fundem, obtendo as aprovações de praxe dos acionistas de ambas. A ação ALLL3, da concessionária, deixa de ser negociada na BMF&Bovespa e virá em seu lugar o ticker Rumo3.

"A partir desse momento, com os nomes do alto escalão da nova equipe de gestão definidos, vamos arregaçar as mangas da camisa e começar a reconstruir um projeto que possa atender toda a carga com vocação de transporte ferroviário", afirmou Lutz, em entrevista ao Valor.

O executivo está envolvido com o negócio ferrovia na Cosan desde o fim de 2011, quando foi definido um plano de entrar na ALL.

Como era vésperas de Natal, recebeu o nome de "Projeto Noel"para evitar vazamento das informações.

A oferta de compra de uma participação na ferrovia ocorreu em fevereiro de 2012. Conforme o executivo, atualmente, bem menos da metade da carga potencial de captação destina aos portos de Santos e Paranaguá.

"Nosso objetivo é que toda a carga de grãos, como soja e milho, do Mato Grosso que vai para Santos seja transportada por trem".

Boa parte vai por caminhão.

Ele estima que isso possa ocorrer em até seis anos.

Um fator importante para o negócio ganhar a dimensão de investimentos prevista e passe por uma profunda transformação, é a extensão dos prazos de três concessões da ALL, afirma Lutz, que está à frente da Cosan desde 2009.

Elas vencem a partir de 2026 (Malha Oeste). Em 2027 , termina a da Malha Sul e, em 2029, a da Malha Paulista.

A antiga Ferronorte, no Mato Grosso do Sul, vigora até 2079.

O governo e a ANTT vão receber da Cosan um projeto detalhado da nova ALL.

"Vamos mostrar a importância dele para o país e para atender a demanda de carga".

Segundo o executivo, o pesado montante de investimentos precisa de mais tempo para retorno do capital.

"Com cinco anos ou pouco mais, nenhum banco vai me emprestar dinheiro para investir", afirma.

A capacidade da ferrovia vai mais que dobrar em até seis anos.

Vai atingir 50 milhões de toneladas apenas no corredor entre Rondonópolis e o porto de Santos.

O prazo de sete anos, com investimentos de até R$ 9 bilhões, prevê a troca de quase tudo nos trilhos da ferrovia Lutz conta que terá de refazer tudo e que será como trocar a turbina do avião com ele voando.

Terá de mexer em mais de 1500 km de trilhos sem parar o fluxo de carga.

Entre os gargalos a serem atacados com mais urgência, ele aponta inúmeras ações no acesso ao porto de Santos para movimentar com mais agilidade os trens que chegam aos terminais.

A nova companhia também buscará uma relação de comprometimento de longo prazo com seus clientes - grandes tradings de commodities agrícolas, fabricantes de celulose e distribuidoras de combustíveis, entre outros.

De maneira geral, a ALL não adotava essa prática. É de conhecimento público as reclamações de clientes em relação aos serviços da ferrovia.

"Vamos oferecer mais eficiência e cumprir volumes acordados nos contratos", assegura Lutz.

Assim, diz, todos vão se beneficiar. O foco comercial da nova companhia, no primeiro momento, é buscar cargas mais distantes (grãos do Mato grosso) e a seguir desenvolver mais o mercado de açúcar.

O prazo de sete anos previsto para receber até R$ 9 bilhões, informa, prevê a troca de quase tudo, desde locomotivas de maior capacidade e mais eficiência (hoje são mil em operação), a maior parte dos vagões (20 mil), grande parte de trilhos, construção de novos e ampliação de atuais pátios ao longo da via.

O plano prevê operação com trens de 120 vagões.

Uma equipe de 20 pessoas formada por técnicos de ALL e Rumo - que atuou de forma neutra devido às regras do Cade - dedicou-se nos últimos nove meses a um levantamento completo dos ativos de ALL e Rumo.

Apontou gargalos existentes e o valor de investimentos para a nova ferrovia.

"É uma transformação crucial para duas empresas, com histórias conturbadas", diz o executivo.

Em 2009, a Rumo firmou um contrato de operação na via da ALL, de Campinas a Santos, fazendo investimento de R$ 1,1 bilhão (valor da época).

Receberia em troca, transporte de açúcar.

O plano desandou, foi parar na Justiça e só se resolveu com a fusão de ambas no início do ano passado.

Nos próximos seis meses, a nova empresa terá de implementar uma série de ações exigidas pelo Cade no ato de aprovação da fusão para atender padrões de concorrência: um supervisor de compliance, um Comitê de Partes Relacionadas e emitir relatórios periódicos de suas operações.

A ALL, sigla de América Latina Logística, com sede em Curitiba (PR) foi criada em 1997 , quando um grupo de investidores arrematou, na privatização da antiga RFFSA, a concessão da Malha Sul. Daí, a empresa se expandiu para a Argentina (onde só perdeu dinheiro e de lá saiu em 2013), e para São Paulo e Mato Grosso.

Atualmente, controla duas empresas: Brado e Ritmo.

Nos nove meses de 2014, a concessionária obteve receita líquida de R$ 2,97 bilhões, com lucro líquido de R$ 138,8 milhões.

A relação entre dívida líquida e resultado operacional (Ebitda, que foi de R$ 1,47 bilhão) é de 2,45 vezes, ligeiramente em alta desde 2009.

Além de terminais de captação de cargas no interior de São Paulo e de embarque no porto de Santos, a Rumo vai adicionar 1,3 mil funcionários à ALL, que emprega cerca de 8,5 mil pessoas. (Valor Econômico 27/02/2015)

 

Açúcar: Fôlego em NY

Os contratos do açúcar registraram alta ontem na bolsa de Nova York, em meio a compras técnicas e notícias ligadas à oferta.

Os lotes do demerara para maio subiram 20 pontos, a 13,99 centavos de dólar a libra-peso. Embora os estoques sigam elevados no mundo, os exportadores do Brasil não possuem um grande volume físico disponível para venda imediata, enquanto na Tailândia os exportadores estão retraídos por causa dos baixos preços, já que as perspectivas são de produção um pouco menor.

A safra 2014/15 no país deve ter uma redução de 1 milhão de toneladas, calcula a FCStone, após bater uma produção recorde de 11,8 milhões de toneladas no ciclo anterior.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,16%, para R$ 49,94 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 27/02/2015)

 

Etanol/Cepea: Com demanda enfraquecida cotações seguem em queda

A maioria das distribuidoras não apresentou grande necessidade de reabastecer seus estoques depois do Carnaval, nem mesmo com a retomada das aulas. Segundo levantamentos do Cepea, muitas estiveram inclusive fora de mercado.

Além disso, algumas usinas ofertaram, pontualmente, um volume um pouco maior, para liberar espaço nos tanques para o produto da nova safra, que se inicia oficialmente em abril.

Nesse contexto, os preços dos dois tipos de etanol apresentaram pequenas quedas; no caso do hidratado, pela segunda semana seguida. Vale ressaltar que, no geral, a oferta não é elevada. Entre 16 e 20 de fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado (estado de São Paulo) teve média de R$ 1,3856/litro (sem impostos), pequena queda de 0,5% em relação à semana anterior.

Quanto ao anidro, a média do Indicador CEPEA/ESALQ (estado de SP), de R$ 1,4937/l, recuou 0,9% em relação ao período anterior. Os poucos negócios envolvendo este combustível continuam prioritariamente sendo realizados via contratos. (Cepea 26/02/2015)

 

Justiça determina venda de bens da massa falida do grupo João Lyra

O juiz Mauro Baldini, da comarca de Coruripe, determinou a venda dos bens da massa falida do grupo Laginha Agroindustrial S/A, pertencente ao empresário alagoano e ex-deputado Federal João Lyra (PSD), que teve falência decretada em 2008.

A decisão foi publicada no Diário de Justiça Eletrônico do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) da últma sexta-feira (20)

Segundo o magistrado, as cinco usinas, em Alagoas e Minas Gerais, além do escritório central da companhia, em Maceió, e um jatinho serão leiloados para sanar as dívidas existentes da empresa.

A reportagem tentou contato com o administrador da massa falida, Felipe Olegário, para repercutir a decisão, mas não obteve sucesso.

De acordo com o texto, as usinas Vale do Parnaíba e Triálcool, em Minas Gerais, serão vendidas em bloco, por serem geograficamente próximas uma da outra, "levando-se em consideração que há pouca 'terra própria' da Massa Falida naquela região".

As usinas Guaxuma, Uruba e Laginha, por estarem localizadas em diferentes pontos de Alagoas, devem ser leiloadas separadamente. O mesmo se aplica ao escritório central e ao jatinho prefixo PT-RVT. O magistrado justifica a decisão dizendo que a situação financeira em que se encontra o grupo é de falência, e a quitação das dívidas deve ser feita o quanto antes.

"Estamos na fase de falência, e não mais na fase de recuperaçào judicial. É preciso ter foco no escopo do processo falimentar, sob pena de perpetuação de uma situação insustentável: Milhares de credores à míngua aguardando o recebimento de seus créditos, cidades com suas economias paralisadas [...], invasão das terras das usinas por diversos movimentos 'sem terra' e os incêndios nos canaviais", afirma o juiz Baldini.

Falência

A falência do grupo João Lyra foi decretada pela Justiça em 2008. Nove anos depois, foi decretada novamente, pelo juiz Sóstenes Alex Costa de Andrade. Durante o processo, o empresário ficou impedido de entrar na usina Laginha. A alegação era que a presença dele era prejudicial ao andamento da ação, por conta de ameaças recebidas pelos funcionários. (G1 26/02/2015)

 

Grupo Ruette surpreende e pede recuperação judicial

Certos de que já sabiam quais usinas de cana-de-açúcar ofereciam risco de calote, os investidores do mercado sucroalcooleiro foram surpreendidos nesta semana com uma notícia improvável.

Um tradicional grupo do setor, com dívidas ou equacionadas ou em processo avançado de negociação, decidiu pedir recuperação judicial.

O grupo Antonio Ruette Agroindustrial, controlado pelo octagenário Antonio Ruette de Oliveira, protocolou na última terça-feira um pedido de proteção contra credores na Vara de Monte Azul (SP), alegando incapacidade para honrar suas dívidas.

No entanto, conforme documentos protocolados na Justiça, a empresa, que detém duas usinas no Estado, tinha um índice de liquidez que mostrava solidez: para cada R$ 1 de dívida a pagar no curto prazo, o grupo tinha a receber R$ 1,01.

A Justiça ainda não tomou uma decisão sobre o pedido.

Mas, a possível recuperação já está virando uma grande briga judicial. Com a assessoria do escritório Santos Neto Advogados, o fundo americano Amerra Agri Opportunity, o banco holandês ABN AMRO e a ED&F Man Capital Markets protocolaram uma petição para evitar que o pedido da Ruette seja aceito.

O advogado Domício Santos Neto afirmou que outros credores se organizam em bloco para fazer o mesmo. Ainda hoje, segundo ele, BTG Pactual e o Banco BBM vão se juntar ao time.

Santos Neto afirmou que as informações prestadas pela própria empresa à Justiça não indicam falta de liquidez.

"O grupo informava R$ 50 milhões em caixa, R$ 198 milhões em estoques e um índice de liquidez acima de 1", afirma.

Na sua avaliação, a empresa tem a intenção de usar o Judiciário para forçar os bancos a reverem seus créditos em uma posição mais enfraquecida. "Há dez dias, o grupo recebeu empréstimos dos credores de R$ 20 milhões, após apresentar informações financeiras auditadas que mostravam solidez.

Após esse aporte; cancelaram todos os contratos de exportação de açúcar com as tradings, que eram usados como garantias dessas operações, conta o sócio do Santos Neto, Fernando Ferreira.

Os cálculos feitos até agora, segundo ele, indicam que os contratos envolviam um volume de 162 mil toneladas da commodity, fixadas ao preço de US$ 361 por tonelada.

"Atualmente, o produto está sendo negociado no mercado futuro a US$ 308 por tonelada, o que significa que a própria companhia perdeu mais de R$ 20 milhões somente ao cancelar contratos", disse Ferreira.

Na visão de alguns agentes que atuam no mercado sucroalcooleiro, com objetivo de obter alguma vantagem perante os credores, o grupo vai se autodestruir, prejudicando todos os demais envolvidos, como funcionários e produtores de cana.

Fontes próximas ao grupo sucroalcooleiro acreditam que Antônio Ruette de Oliveira, hoje com 86 anos, decidiu pela recuperação judicial diante do receio de o patrimônio da família ser afetado por uma eventual perda de controle da situação financeira do grupo.

Esse temor se intensificou com os desdobramentos do caso do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), controlado pelos netos de Carmem Ruette de Oliveira, irmã de Antônio Ruette de Oliveira.

Com um endividamento impagável, o GVO ofereceu nos últimos anos como garantias a empréstimos grande parte do patrimônio da família, tais como terras.

A condição, segundo fontes, estaria causando ao núcleo familiar um grande desconforto, do qual Antonio Ruette de Oliveira é testemunha. (Valor Econômico 27/02/2015)

 

Dilma engaveta aumento da mistura de etanol na gasolina 25% para 27%

Bem ao seu estilo, que junta arrogância, incompetência e irresponsabilidade, a presidente Dilma Rousseff está fazendo o que mais gosta de fazer: usar seus ministros como marionetes, dando-lhes um falso sopro de poder e imaginando que alguém neste país ainda acredite em suas promessas.

É isto que está acontecendo com o falso anúncio de que o governo aumentaria de 25% para 27% a mistura do etanol anidro à gasolina numa negociação muito bem conduzida pelo ministro Chefe da Casa Civil, Aloysio Mercadante. Quando todos os atores envolvidos na negociação chegaram a um acordo, “Madame” simplesmente engavetou a proposta.

Pelo menos até o momento; a presidente não se deu conta que provocou a extinção de 300 mil postos de trabalho rurais só nos últimos 6 anos, provocou o fechamento de 83 usinas e a elas se somarão mais 10 nesta safra, segundo a previsão da Única – União da Indústria da Cana-de-Açúcar e está enterrando o mais bem sucedido projeto mundial de produção de energia limpa e renovável.

Ao mesmo tempo, o ex-Lula se arvora em defensor do patrimônio público que foi tomado de assalto pela “companheirada” que usou, abusou e se lambuzou da história, do presente e colocou em risco o futuro da Petrobras, outrora orgulho de todos nós brasileiros.

Falastrão, Lula promete colocar o “exército de Stélie”, mais conhecido como “chupa-tetas” do MST, para defender a Petrobras (assista ao discurso de Lula em https://www.youtube.com/watch?v=zezwnMkxHMQ).

Seria oportuno se este ‘exército’ se voltasse ao Palácio do Planalto para exigir ética e respeito por quem não o tem demonstrado. Ou que buscasse neste momento o enfrentamento para ajudar o desespero dos caminhoneiros que, como última instância, fazem um dos maiores protestos já registrados neste Brasil varonil.

Melhor ainda seria que Stédile explicasse de onde vem os recursos que mantém vivo o único exército do mundo onde os soldados nada fazem, e se locupletam com recursos desviados do Tesouro Nacional.

Se pelo menos parte desta transferência indevida e abusiva fosse investida em educação, saneamento básico e segurança, a precária situação de milhões de brasileiros seria amenizada.

Por fim, impressionam os números de acesso do vídeo do projeto “Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética” no Facebook até a manhã de hoje: 308.608 pessoas alcançadas; 73.432 visualizações; 5.131 compartilhamentos e 3.718 curtidas (Ronaldo Knack é Jornalista e graduado em Direito e Administração de Empresas; é também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Funcionários da Usina Virgolino fazem manifestação em Monções

Reivindicação é pelo pagamento de salários atrasados. Representantes sindicais aguardam a decisão judicial.

Funcionários da Usina Virgolino, que tem empresas em três cidades da região noroeste paulista, fizeram manifestação pedindo o pagamento dos salários atrasados. O problema se arrasta há meses e alguns trabalhadores estão desesperados sem dinheiro nem para comprar comida.

Os funcionários chegaram cedo nesta quarta-feira (25) e se reuniram em frente à entrada da usina. “Temos filhos e família para tratar e tem gente passando dificuldade, e eles não dão parecer para nós”, afirma o operador de máquinas Maurício Soares Ferreira.

A reivindicação pelo pagamento de salários atrasados começou em novembro do ano passado. A preocupação é com de cerca de 100 trabalhadores. O atraso nos pagamentos afeta várias áreas, entre elas a lavoura, transporte e linha de produção. Segundo os trabalhadores, a última tentativa de negociação com a usina foi em dezembro. “Até agora chamaram nós no dia 19 de dezembro e pagaram R$ 500, mas desde então mais nada, não dão resposta”, diz a trabalhadora Sandra Izidoro.

Além de Monções, a Usina Virgolino de Oliveira tem outras três unidades no estado, duas delas no noroeste paulista, em Catanduva (SP) e José Bonifácio (SP). No ano passado a dívida do grupo ultrapassava R$ 700 milhões, reflexo da crise que afeta o setor, por causa da baixa produtividade, segundo levantamento da Única - União das Indústrias da Cana-de-açúcar.

Para quem veio de outros estado em busca de um emprego promissor, a situação é de desespero. “Sou de Minas Gerais e minha família mora lá. Pago aluguel para morar sozinho e tenho de sustentar a família que está em Minas. Estou com conta de luz, água e aluguel atrasados. O último pagamento foi em outubro e quem é de fora não tem condições de se manter”, diz o trabalhador rural Serafim de Matos Moura.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação de Votuporanga disse que moveu uma ação conjunta com outros sindicatos, que também representam funcionários das unidades da Usina Virgolino de Oliveira na região, pedindo o pagamento imediato dos salários e benefícios atrasados. Agora, os representantes sindicais aguardam a decisão judicial. Em reunião, realizada em janeiro, os advogados da usina disseram que o grupo já estava vendendo alguns bens para quitar os débitos e regularizar a situação dos funcionários. (G1 26/02/2015)

 

FCStone prevê queda na produção de açúcar do Centro-Sul

Em sua primeira estimativa para a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil na safra 2015/16, a FCStone previu produção de 29,7 milhões de toneladas de açúcar, 7 % abaixo das 31,9 milhões de toneladas produzidas em 2014/15.

O preço mais atrativo do etanol na comparação com o açúcar é a principal razão para essa estimativa de queda, de acordo com João Paulo Botelho, analista da consultoria americana.

Nos cálculos da empresa, o volume de cana previsto para ser processado no ciclo será apenas 900 mil toneladas maior que o de 2014/15 e alcançará 57 1 milhões de toneladas, mas, por causa do clima menos seco, o teor de açúcar deverá ser menor.

Por isso, mesmo com a mesma moagem e com uma produção de açúcar menor, a fabricação de etanol em 2015/16 não deverá crescer, apenas manter os mesmo níveis do ano passado, (26 bilhões de litros), segundo Botelho.

A consultoria projeta a produção de hidratado em 14 bilhões de litros e a de anidro em 12 bilhões.

A produção do anidro, que é misturado à gasolina na proporção de 25% - percentual que está em vias de ser elevado para 27 % -, tende a ser bem mais "justa", na visão do analista.

Em 2014, o consumo de anidro no país foi de 11 bilhões de litros, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

"A percepção é de que em 2015/16, a importação de etanol dos Estados Unidos será de 200 milhões a 300 milhões acima do realizado em 2014/15, que foi de 500 milhões de litros", diz Botelho.

O levantamento, segundo o analista da FCStone, foi feito considerando a capacidade de moagem e a oferta de cana de cada polo.

A consultoria partiu da premissa de que a expansão de área de cana no Centro-Sul foi de 1,1% em 2014, ante 3% em 2013. O índice de renovação de canaviais também foi menor, observa Botelho, e ficou em 12%.

Para o ciclo 2014/15, esse índice havia sido de 14% e o recomendado para manter o canavial com boa produtividade é 17 % por ano", explica o analista da consultoria. (Valor Econômico 27/02/2015)

 

Dilma se manifesta em Brasília e expõe descontrole na crise com caminhoneiros

A presidente Dilma Rousseff se pronunciou nesta quinta-feira pela primeira vez sobre a greve dos caminhoneiros – e tornou mais evidente o descontrole do governo sobre a crise. Depois de participar da cerimônia de lançamento do programa Bem Mais Simples, no Palácio do Planalto, ela afirmou que o Executivo tem se esforçado para resolver o problema, mas não apresentou qualquer novidade sobre a paralisação, que dura mais de uma semana em algumas partes do Brasil.

"O governo está fazendo todo um esforço na questão da resolução da greve. Nós apresentamos, junto com várias lideranças e empresários que foram consultados e avaliados, um conjunto de propostas. Esse conjunto de propostas foi divulgado pelos órgãos de comunicação e a gente tem visto que elas têm tido uma recepção. Aguardamos. Os ministros responsáveis estão todos em atividade trabalhando essas propostas", disse a presidente, na única resposta que deu sobre o tema.

A fala de Dilma se deu após o lançamento do Bem Mais Simples, programa que tem como objetivo agilizar os procedimentos para a criação de empresas. Por ora, a única mudança será a possibilidade de encerramento do CNPJ de forma imediata, por meio de um site criado pelo governo. Os eventuais débitos da companhia serão transferidos para o CPF dos proprietários. O objetivo do governo é que, em junho, seja possível criar uma empresa em cinco dias. Hoje, de acordo como próprio Executivo, o procedimento leva em média 102 dias.

Agora à tarde lideranças do movimento dos caminhoneiros esperam ser atendidos nas 2 principais reivindicações dos motoristas: redução de R$ 050 no litro do diesel e um frete mínimo para todo o País. (Canal Rural 26/02/2015 às 20h: 34m)

 

Shell terá rede de lojas de serviços automotivos

A Shell vai trazer para o Brasil a rede americana Jiffy Lube, especializada em lubrificantes, troca de óleo e serviços automotivos.

O grupo anglo-holandês planeja abrir no país aproximadamente 200 lojas em três anos, por meio de franquias, mas não revela os investimentos iniciais no projeto.

A companhia tem cerca de 2.000 pontos nos Estados Unidos e no Canadá com a mesma bandeira. São unidades que atuam de forma independente dos postos de combustíveis, com endereços próprios, sobretudo em áreas urbanas.

A entrada no país ocorrerá por meio de três operações na cidade de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

"Vamos trabalhar com essas lojas até junho, em uma espécie de projeto-piloto, para fazer as adaptações necessárias do modelo ao mercado brasileiro", afirma Guilherme Perdigão, vice-presidente de lubrificantes para a América Latina da Shell.

A cidade paulista foi escolhida para o início das operações por causa de características como o volume de veículos em circulação e o nível de consumo da população.

Tendo como principal atividade a troca de óleo, a rede servirá como um novo canal para os lubrificantes do portfólio da multinacional. "É uma forma de agregar serviços aos nossos produtos."

O Brasil é o quinto maior mercado de lubrificantes para a companhia, atrás de Estados Unidos, China, Alemanha e Índia. O grupo tem uma fábrica no Rio de Janeiro.

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Empresas de lubrificantes projetam ano sem crescimento

Com a queda na venda de veículos novos e baixas em vários segmentos da indústria, o mercado de lubrificantes também não deverá crescer neste ano, de acordo com companhias da área.

"Acreditamos que, no melhor dos cenários, o volume se manterá estável em relação a 2014", afirma Guilherme Perdigão, vice-presidente de lubrificantes da Shell para a América Latina.

No ano passado, as vendas caíram 2,3%, segundo uma prévia divulgada pelo Sindicom (sindicato das distribuidoras). Foi o primeiro recuo desde a crise de 2009.

"Não é apenas a queda do segmento automobilístico [que causa reflexos]. A área industrial como um todo não vem crescendo", diz Ricardo Mussa, diretor-presidente da Cosan Lubrificantes, que produz a marca Mobil.

O único "alento" para o setor neste ano, na avaliação do executivo, é que a linha de produtos de alto padrão, formada principalmente por lubrificantes sintéticos, deverá manter a curva de alta.

"Mesmo com a redução na venda de carros, a frota nacional passa por uma renovação, o que aumenta a demanda por produtos de maior qualidade", diz Mussa.

"O mercado 'premium' continuará aquecido", complementa Perdigão, da Shell. (Folha de São Paulo 27/02/2015)

 

Estudo mapeia impacto das mudanças climáticas sobre o agronegócio

Pesquisa observa como a economia agrícola de dez estados brasileiros se comportou nas últimas duas décadas diante das variações de temperatura e quantidade de chuvas.

Os efeitos adversos produzidos por mudanças nas condições climáticas médias sobre o setor agrícola são divergentes entre os estados, sendo mais atrelados às variações de temperatura e, ao mesmo tempo, a agricultura praticada no Centro Oeste tem sido a menos vulnerável em relação às variações de temperatura. Estes são os principais resultados de uma pesquisa conduzida no Programa de Pós-graduação em Economia, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ). “As mudanças impactam a atividade econômica, e as atividades agropecuárias devem enfrentar tais efeitos de forma mais intensa, uma vez que o setor tem seu desempenho intrinsecamente dependente dos recursos naturais e das condições climáticas”, aponta a economista Nicole Rennó Castro, autora do estudo.

Segundo a pesquisadora, a questão ganha relevância, uma vez que efeitos adversos sobre a agricultura, além de prejudicarem os produtores via quedas de produção e produtividade, afetam diretamente os preços e a qualidade dos alimentos, o equilíbrio do mercado internacional de commodities e, também, a segurança alimentar global. No caso específico do Brasil, ressalta-se ainda que o agronegócio responde por parcela relevante da renda, cerca 23% do PIB em 2013 (CEPEA, 2014); o país destaca-se como importante player no mercado global de commodities agrícolas; e, que o território nacional concentra-se em regiões de relativamente baixas latitudes, onde os efeitos climáticos, segundo a literatura internacional, devem implicar em danos mais intensos, fatores que evidenciam a relevância da questão no país.

Com orientação do professor Humberto Francisco Silva Spolador, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia, Nicole avaliou empiricamente, e sob um enfoque econômico, o impacto potencial das variáveis climáticas (em termos anuais) no valor da produção agrícola agregado dos principais estados produtores do país. “A análise foi realizada a partir de um modelo de efeitos fixos aplicado a um painel de dados com 10 estados (Bahia, Espírito Santo, Minas Gerias, São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) durante 23 anos (1990 a 2012). Foi implementada a estimação por meio do uso direto da função de produção, de forma agregada para cada estado”, explica.

O estudo teve apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e mostrou que a resposta da agricultura em relação às variações nas condições climáticas médias é divergente entre os estados. Mesmo que a análise se concentre nos principais estados produtores, ainda entre eles as estruturas do setor agrícola são bastante distintas. “Os resultados estão condicionados às diferenças na composição da produção agrícola a partir de diferentes lavouras, no nível de tecnologia empregado e demais estratégias de manejo, e em aspectos como o tamanho das propriedades e outros fatores”, acrescenta Nicole.

Considerando a heterogeneidade dos cenários agrícolas brasileiros, a pesquisa apontou a região Centro-Oeste como a menos vulnerável às variações na temperatura média. De acordo com o trabalho, diversos fatores podem ser avaliados a fim de se justificar este resultado. “O expressivo crescimento da região como grande produtora e exportadora no contexto nacional; a predominância da soja no Valor Bruto de Produção destes estados – cultura que teve expressivo aumento de adaptabilidade a diversas condições climáticas tropicais; e, também, à recente capitalização dos produtores, consequente da expressiva elevação dos preços internacionais da soja, inclusive após 2006 (ano do último censo agropecuário disponível, base de dados para os demais trabalhos sobre o tema) – o que pode ter levado ao aumento dos investimentos e fortalecimento dos sistemas agrícolas da região”, descreve a autora. Segundo os autores Pereira, Angelocci e Sentelhas (2007), algumas ações que podem auxiliar na obtenção de resiliência são a diversificação das variedades plantadas, a utilização do plantio direto, a correção nutricional e controle de pragas e doenças (culturas com maior vigor tendem a ter maior tolerância às mudanças nas condições climáticas ideais), e o uso de irrigação.

“Ao captar o nível de vulnerabilidade dos principais estados produtores às potenciais mudanças nas condições climáticas médias, os resultados desta pesquisa representam um diagnóstico geral para políticas públicas setoriais regionais e para novos estudos. No caso do Brasil, devido à extensão territorial e à expressiva heterogeneidade do setor agrícola, pesquisas e demais ações que auxiliem e subsidiem estas políticas direcionadas permitem, a orientação de investimentos na aplicação de medidas compensatórias para reduzir estes potenciais impactos”, finaliza a economista. (ESALQ 26/02/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Fôlego em NY: Os contratos do açúcar registraram alta ontem na bolsa de Nova York, em meio a compras técnicas e notícias ligadas à oferta. Os lotes do demerara para maio subiram 20 pontos, a 13,99 centavos de dólar a libra-peso. Embora os estoques sigam elevados no mundo, os exportadores do Brasil não possuem um grande volume físico disponível para venda imediata, enquanto na Tailândia os exportadores estão retraídos por causa dos baixos preços, já que as perspectivas são de produção um pouco menor. A safra 2014/15 no país deve ter uma redução de 1 milhão de toneladas, calcula a FCStone, após bater uma produção recorde de 11,8 milhões de toneladas no ciclo anterior. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,16%, para R$ 49,94 a saca de 50 quilos.

Café: Nova queda: Os preços do café arábica voltaram a recuar ontem na bolsa de Nova York, mais uma vez sob pressão das chuvas no cinturão cafeeiro do Brasil (maior produtor e exportador global da commodity) e da elevação do dólar. Os papéis do grão para entrega em maio fecharam com baixa de 290 pontos, a US$ 1,4055 a libra-peso. As previsões indicam que as chuvas devem continuar na região Sudeste. Com isso, os traders acreditam que "as lavouras podem se recuperar e a produção no Brasil pode ser maior que a esperada", afirma Jack Scoville, da Price Futures Group. O enfraquecimento do real ante dólar tem favorecido as exportações brasileiras. No mercado interno, a saca do café de boa qualidade oscilou entre R$ 47 0 e R$ 480 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Algodão: Vendas enxutas: Um menor volume de algodão vendido pelos Estados Unidos ao exterior provocou uma queda das cotações da pluma ontem na bolsa de Nova York. Os papéis para maio fecharam em baixa de 34 pontos, a 65,21 centavos de dólar a libra-peso. Entre os dias 13 e 19, os exportadores do país fecharam a venda de 29,9 mil toneladas de algodão, queda semanal de um terço e de 7 0% ante a média das quatro semanas anteriores, segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA). Segundo analistas, a redução reflete a menor disponibilidade da pluma nos estoques certificados da ICE Futures e do aumento recentes das cotações. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias teve alta de 0,21%, para R$ 1,7 109 a libra-peso.

Soja: Ladeira acima: Incertezas quanto ao fim do bloqueio das estradas no Brasil fizeram a soja retomar a trajetória de alta ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para maio subiram 15,7 5 centavos, a US$ 10,265 o bushel. Apesar do aumento das ordens judiciais e de ações policiais para liberar o tráfego nas estradas, além do governo ter proposto medidas para a categoria, ainda há muitos pontos bloqueados, e a pulverização do movimento cria incertezas quanto a uma curta duração do protesto. Com isso, em Mato Grosso 20% dos produtores já não têm mais diesel para usar nas máquinas, segundo a Aprosoja/MT. A insegurança abriu espaço para compras especulativas de fundos de investimento. No mercado doméstico, o preço médio da oleaginosa no Paraná subiu 0,26%, para R$ 58,44 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 27/02/2015)