Setor sucroenergético

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Araçatuba: Usinas devem enxugar em 10% o quadro de funcionários em 2015

O setor de bioenergia passa por dificuldades. Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o setor cresceu e fez elevados investimentos. Porém, nos últimos anos, no governo Dilma Rousseff, o setor amarga prejuízos, usinas foram negociadas e outras estão em processo de recuperação. O setor passar por profundas transformações e isso reflete diretamente na questão trabalhista. Três sindicatos de Araçatuba atuam no setor - Sindalco (indústria de álcool e químicos), Alimentação (fabricação de açúcar) e Trabalhadores Rurais (serviço de campo). Cada sindicato enfrenta uma realidade.

O presidente do Sindalco (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e na Fabricação de Álcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível de Araçatuba e Região), José Roberto da Cunha, disse, em entrevista ao O LIBERAL, que as usinas de cana-de-açúcar da região devem trabalhar em 2015 com 10% a menos em seu quadro de funcionários do que trabalharam em 2014.

A causa desta redução é a crise hídrica, que causou centenas de demissões e uma previsão de lucro menor para a safra de 2015. O calculo vale para 20 usinas no qual o sindicato representa os trabalhadores do setor industrial.

"Estão cortando os gastos porque o ano passado foi muito seco. Em abril, quando começarem a contratar de novo, pretendem trabalhar com 10% a menos do que podem", disse.

Desde 2009 o setor passa por dificuldades por conta da seca. De acordo com dados fornecidos pelo sindicato, no comparativo entre 2013 e 2014, o número de demitidos do setor industrial das usinas da região passou de 887 para 1.046. As paralisações feitas pelos funcionários em 2014 também prejudicaram no lucro das usinas e influenciaram nessa estimativa mais modesta.

A presidente do Sindicato da Alimentação de Araçatuba, Dulce Helena Ferreira acredita em estabilidade, mas não descarta redução no quadro por conta da crise no setor. Dulce representa trabalhadores de quatro usinas.

O quadro mais preocupante é dos trabalhadores rurais. Segundo o presidente do sindicato, Aparecido Guilherme de Moura, que desde 1981 acompanha o setor, além da crise hídrica, que reduz o tempo de moagem e até mesmo os investimentos no campo, há outro agravante, que é a mecanização do corte da cana. "Essa é uma realidade que não muda e por isso trabalhamos pela requalificação dos trabalhadores, para que possam atuar em outra área", explicou o experiente sindicalista.

Segundo Aparecido Moura, há pouco mais de cinco anos, o setor empregava mais de 12 mil trabalhadores rurais e na safra de 2014, chegou a 3 mil trabalhadores, o que representa redução de 75%. "Trata-se de uma mudança brusca em pouco tempo", disse o sindicalista, afirmando que para a safra de 2015 o quadro ainda é de muita preocupação. "Além dos problemas vividos pelas usinas com a crise do setor, há fatores climáticos, que reduzem a produção da cana. O ciclo de moagem neste ano deve ser menor", disse Aparecido Moura. (O Liberal 01/03/2015)

 

Canaviais melhoram e safra deve crescer no ciclo 2015/2016

Apesar da estiagem registrada ao longo do ano passado, os canaviais brasileiros tiveram melhora nas condições, levando a consultoria INTLC FC Stone a revisar sua projeção de volume colhido da matéria-prima do açúcar e etanol. A empresa estima agora que a colheita do ciclo 2015/16, que começa oficialmente em abril, será de 571,02 milhões de toneladas. O número vale para a região Centro-Sul do país, que concentra mais de 90% da produção brasileira de cana. Se confirmado, o resultado ficará muito próximo das 570,1 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior, ou 0,2% a mais.

Mesmo com previsão de aumento da produção, o índice de Açúcar Total Recuperável (ATR) deve ser 1% menor que o da safra 2014/15 e somar 77,1 milhões de toneladas. "O rendimento industrial médio de 135 kg de açúcares recuperáveis por tonelada de cana foi calculado de acordo com as perspectivas de um ciclo de chuvas mais próximo das médias históricas, já que a variável é muito sensível à quantidade de chuva ao longo da safra", disse a consultoria.

A empresa também afirma que maior parte dos usineiros não está com o mix de produção totalmente definido, mas que a tendência é de que a produção seja mais alcoleira, com 57,7% do volume colhido destinado à fabricação do combustível. Outros 42,3% serão usados na fabricação de açúcar. "Essa seria a menor participação do adoçante desde 2008, mas ainda dentro do que consideramos ser o limite técnico para o mix". (Canal Rural 02/03/2015)

 

Cosan nomeia diretoria e assume comando da ALL

O grupo Cosan, principal acionista da nova companhia ferroviária fruto da fusão Rumo Logística ­ ALL, já assumiu o comando da empresa.

Ontem, em reunião em Curitiba (PR), sede da ALL, com um grupo de funcionários, anunciou o novo presidente, os nomes dos dois vice-presidente operacionais, do diretor financeiro e de relações com investidores e o novo diretor jurídico.

Ao definir e informar a nova estrutura de gestão de Rumo ­ALL, a Cosan decidiu acelerar as mudanças na concessionária, que opera 13 mil km de trilhos no país, divididas em quatro concessões, e que tem muita coisa para ser consertada.

A fusão já recebeu todas as aprovações dos órgãos de governo e agências reguladoras.

O atual presidente da Cosan Logística, Júlio Fontana Neto, foi indicado como novo presidente da ALL, no lugar de Alexandre Santoro, que ocupava o cargo há pouco menos de dois anos. Fontana está no grupo Cosan desde 2009, quando chegou para tocar a Rumo Logística, vindo de longo período de gestão à frente da MRS Logística.

Ele fará uma transição no cargo com Santoro até o fim de março. Existe ao menos um período de cinco anos pela frente para pôr a ferrovia nos eixos, renovar a frota de vagões e locomotivas, modernizar a malha de transporte, ganhar eficiência e atender satisfatoriamente seus clientes.

O pacote de investimentos nesse período não é pequeno: estima-se R$ 7 bilhões.

A empresa embora a Cosan não detalhe o assunto também terá de equacionar sua situação financeira, que, aparentemente é confortável, mas há muitos ajustes a serem realizados.

A nova gestão quer analisar com cautela todos os dados e números da ALL. A Cosan alocou ainda de seu quadro o diretor financeiro e de relações com os investidores José Cezário Sobrinho.

Para a diretoria jurídica, buscou no mercado José Alberto Martins.

Tratam-se de duas áreas consideradas essenciais dentro da nova gestão. A operação comercial-operacional de Rumo­ ALL, conforme antecipou o Valor na semana passada, ficou dividida em duas unidades de negócios.

Considera-se que cada uma delas tem suas especificidades e atua em plataformas diferentes. O corredor Rondonópolis­ Santos, com trilhos de bitola larga (1,60 m) e onde estão grandes problemas a serem atacados, ficou com Daniel Rockenbach, que veio da MRS e que preside a Rumo.

É por esse trajeto chamado de Malha Norte e Paulista, que vai até o porto que passam mais de 60% da carga transportada pela ALL, principalmente grãos oriundos do Centro-Oeste, negociados pelas tradings multinacionais de grãos, que são clientes de peso, além de produtores de açúcar e empresas distribuidoras de combustíveis.

Como menos urgência de uma ação operacional mais rigorosa, a malha de bitola estreita (um metro de largura), ou Sul e Oeste, ficou a cargo do vice-presidente Darlan Fábio De David.

O executivo já ocupa cargo de diretor na ALL.

Na ALL há muita coisa para arrumar.

Da troca de trilhos e vagões já carcomidos até pendências tributárias.

O desafio fica maior com a junção de duas culturas bastante diferentes e que viveram em conflito por mais de um ano, desde 2013.

Devido a desavenças sobre um contrato de prestação de serviços por parte da ALL à Rumo, ambas foram parar na Justiça. (Valor Econômico 03/03/2015)

 

Oferta derruba preço do etanol em 5%, mesmo com alta na gasolina e entressafra

O valor do etanol hidratado recuou 5% nas usinas de São Paulo em fevereiro, mesmo com o cenário favorável ao aumento do preço do combustível, com a alta de R$ 0,22 por litro no preço da gasolina - causada pela reintrodução da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e do PIS / Cofins - e com o pico da entressafra de cana-de-açúcar, ou seja, sem produção de álcool. A queda nos preços, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast, ocorreu por uma série de fatores que trouxe o aumento da oferta do combustível. Entre eles estão a busca pela redução de estoques, a necessidade de liquidez financeira e ainda operações de hidratação do etanol em unidades que esperaram, sem sucesso, o aumento na mistura do anidro à gasolina.

Por ter paridade econômica de até 70% do valor da gasolina, esperava-se que o preço do etanol hidratado subisse nas usinas, em linha com a valorização do combustível derivado de petróleo. Mas as expectativas o setor foram frustradas. Nas unidades produtoras de São Paulo, maior mercado do País, o preço do etanol começou fevereiro cotado em R$ 1,3872, o litro, em média, e encerrou o mês em R$ 1,3174, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

De acordo com Mirian Bacchi, coordenadora da equipe de pesquisadores do Cepea/Esalq/USP, o problema no mercado de etanol foi a oferta das usinas e não a demanda nos postos, que cresce constantemente se comparados iguais períodos dos anos. Além disso, segundo ela, há a questão de mercado. Com a proximidade da nova safra de cana e com cinco usinas já processando no Centro-Sul para o período 2015/16, as distribuidoras se retraem e compram o mínimo necessário de etanol à espera de novas quedas de preço.

"As distribuidoras sabem que a cada semana poderão ter preços menores. Além disso, as usinas têm de liberar tanques para colocar álcool novo", disse Mirian. Para o diretor de uma grande trading comercializadora de álcool, muitas usinas ampliaram os estoques de anidro no fim do ano passado à espera da demanda que o aumento da mistura deste tipo de etanol na gasolina, de 25% para até 27,5%, traria. Mas com a série de adiamentos da medida por parte do governo, as companhias foram obrigadas a "molhar" (reprocessar) o anidro e a vendê-lo como hidratado, o que acabou por aumentar a oferta do álcool utilizado diretamente nos tanques dos veículos.

De acordo com ele, as usinas tinham reserva de 400 milhões de litros de anidro capaz de serem "transformadas" em hidratado.

"Isso causou pressão vendedora. Sem a medida (aumento da mistura), anulou-se uma demanda histórica do setor, que era a volta da Cide. É decepcionante", afirmou o executivo. "Houve uma corrida desesperada para realizar (comercializar) os estoques", acrescentou, lembrando que já este mês tem início a safra 2015/2016 no Centro-Sul, com incremento de produção do etanol.

Para sócio e diretor da consultoria Canaplan Luiz Carlos Corrêa Carvalho, a demanda pelo etanol até subiu com o aumento nos preços da gasolina, mas a oferta de grandes grupos produtores foi maior e pressionou o preço nas usinas. "Alguns grupos venderam muito, mais do que normalmente ocorre no mercado nesta época". Ainda segundo ele, os sinais de arrocho do governo federal tornam difícil para setor esperar a liberação de crédito para estocagem de etanol na próxima safra, o que levou companhias a desovarem estoques em busca de liquidez financeira. (Agência Esta do 02/03/2015)

 

Preço do etanol sobe ao motorista de 17 Estados e do DF

SÃO PAULO - Os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, subiram ao motorista de 17 Estados e do Distrito Federal na semana entre 22 e 28 de fevereiro na comparação com a semana anterior, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

A maior valorização foi observada no Distrito Federal (7,42%), em Goiás (1,33%) e em Mato Grosso do Sul (1,08%). Em São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, os preços médios do hidratado recuaram 0,14%, a R$ 2,113 o litro.

No acumulado das últimas quatro semanas, no entanto, o preço médio do biocombustível no mercado paulista se valorizou 2,02%.

Já a gasolina, que desde 1º de fevereiro subiu na refinaria em torno de R$ 0,22 centavos por litro em função de uma maior tributação anunciada pelo governo Federal, se valorizou na semana entre 22 e 28 de fevereiro nos postos de combustíveis de 20 Estados, segundo a ANP.

A maior alta foi observada em Roraima (4,5%). No Estado de São Paulo, o preço médio da gasolina ao consumidor final teve na última semana um leve recuo de 0,06%.

A demanda aparentemente fraca pelo etanol fez os preços recuarem com força nas usinas de cana-de-açúcar de São Paulo.

O indicador Cepea/Esalq para o hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, recuou 4,92%, a R$ 1,3174 o litro, entre 23 e 27 de fevereiro, na comparação com a semana anterior, quando o litro ficou em R$ 1,3856.

O anidro, que é misturado à gasolina, também caiu. Na mesma comparação, o indicador semanal se desvalorizou 4,29%, a R$ 1,4296 por litro.

Conforme o analista de açúcar e etanol da consultoria FCStone, João Paulo Botelho, a queda do preço na usina foi maior do que a esperada pelo mercado.

A percepção inicial é de que a demanda das distribuidoras por etanol está fraca nas últimas semanas, uma vez que essas empresas já se abasteceram antes do aumento dos preços da gasolina.

Pesa ainda, segundo ele, o fato de muitas usinas estarem precisando fazer caixa para pagar compromissos da safra, tais como fornecedores, manutenção de equipamentos, etc.

“Com isso, elas precisam entrar no mercado ofertando o biocombustível mais agressivamente, derrubando preços para conseguir vender”, explica Botelho. (Valor Econômico 02/03/2015 às 18h: 12m)

 

Desafios para o etanol brasileiro

De 17 a 21 de fevereiro foi realizada a 20a Conferência Nacional do Etanol “Going Global” em Grapevine no Texas, com a participação de vários representantes da cadeia produtiva do etanol nos Estados e outros países como Brasil, Alemanha, Canadá, Itália, Peru, Irlanda, México, Inglaterra, Índia e Gana.

Uma questão ficou bem clara: o atraso da divulgação dos volumes obrigatórios do mandato de combustíveis renováveis (Renewable Fuel Standard RFS) está deixando o setor apreensivo em relação ao mercado americano, o que impulsiona ainda mais as iniciativas de explorar o mercado internacional.

Bob Dineen, Presidente da Renewable Fuels Association (RFA), destacou em seu discurso de abertura que incluiu os 10 pontos da agenda do etanol, o fato da associação estar trabalhando junto com a US Granis Council e a Growth Energy em um Programa de Exportações de Etanol.

O objetivo é manter o recorde de exportações atingido em 2011 de 1.2 bilhões de galões de etanol. Já mapearam 61 países que possuem mandatos de etanol e podem ser explorados, além de terem missões comerciais planejadas para Brasil, Peru, Panamá, Filipinas, Japão, Coreia do Sul e China.

Essa proposta vai ao encontro do discurso do ex-representante dos EUA para assuntos comerciais (USTR, em inglês) Ron Kirk que enfatizou a importância do setor do etanol apoiar a aprovação do Trade Promotion Authority o qual facilitará a conclusão dos acordos como Parceria Transpacífica (TPP, sigla em inglês) e Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP, na sigla em inglês). Jim Galvin, Presidente da Lakeview Energy também apontou que entre os desafios do setor está o de não ficar de fora de tais acordos.
A apresentação que mais ressaltou o Brasil foi a de Owen Wagner da LMC International. Wagner apontou que apesar de os custos de processamento do etanol brasileiros serem menores do que nos EUA, os custos totais de produção (incluindo custos de matéria-prima) nos EUA foram inferiores aos do Brasil ao longo dos últimos anos. Essa é uma das razões pelas quais a indústria brasileira de etanol tem sido menos rentável nos EUA desde 2011.

Isto colabora para o fato de Brasil e Estados Unidos terem mudado de posição no cenário internacional. Pedro Paranhos da Eco-energy destacou que em 2014, as exportações dos EUA representaram 70% das exportações de etanol no mundo e as do Brasil apenas 30%. Em 2004, os EUA representavam 10% e o Brasil 90%.

Por outro lado, Wagner destaca que pode haver melhoras na eficiência de produção no cenário futuro. Do lado da demanda, o aumento do preço da gasolina e a adoção de 27% de etanol na mistura gasolina também devem colaborar para mais incentivos no setor. Outro destaque está no fato do governo de Minas Gerais ter reduzido o ICMS do etanol em 14%. De toda forma, Wagner defende que neste momento abriu-se uma janela de oportunidade para o etanol americano aumentar as exportações para o mercado brasileiro.

Paranhos ressaltou que os mercados japoneses e sul-coreanos ainda privilegiam etanol brasileiro, devido a regulações que restringem o mercado ao etanol de cana. Vale ressaltar que os representantes brasileiros do setor tem tido sucesso na defesa do etanol brasileiro dentro da política estadual da Califórnia (Low Carbon Fuel Standard - LCFS).

Nesse sentido, mais cem usinas brasileiras são registradas no CARB, e na safra de 2013/14 um quarto das exportações brasileiras de etanol foram pra este estado. Assim, o mercado californiano se consolida como uma opção para exportações brasileiras. (Portal Universidade 02/03/2015)

 

Agricultura paulista adota medidas para usar menos água

Secretário diz que é preciso diminuir o uso de recursos naturais e manter produtividade.

Com o volume de chuvas de fevereiro acima da média esperada para o mês, a Sabesp deixou de captar água do segundo volume morto do Sistema Cantareira. Mesmo assim a secretaria estadual de Agricultura anunciou ontem medidas para minimizar os efeitos da estiagem sobre a produção.

Pesquisa para culturas mais resistentes a estresse hídrico, revisão de equipamentos de irrigação, linhas de financiamento para modernização dos equipamentos e perfuração de poços artesianos, além da recuperação da mata ciliar são as medidas que devem surtir efeito no médio prazo.

"É fundamental que a população como um todo  o agricultor especialmente, entendam que a crise hídrica não é momentânea: a seca de 2014 é um fenômeno climático que se apresentará cada vez mais agudo", disse o secretário de Agricultura Arnaldo Jardim. Segundo ele, a falta de disponibilidade hídrica no Brasil é reflexo das mudanças climáticas e é preciso se preparar para conviver com essa nova situação. Por isso, disse, as medidas anunciadas fazem parte dessa nova realidade. "A agricultura não será mais a mesma e, por isso, deve-se repensar procedimentos, rever métodos de produção e tratar a água como um bem finito e de absoluta racionalidade", afirmou Jardim. Das medidas anunciadas, apenas as ligadas aos equipamentos de irrigação terão efeito imediato.

"A Câmara de Irrigação da Abimaq iniciou uma força- tarefa para fiscalizar e calibrar os equipamentos de irrigação",disse Jardim. A secretaria disponibilizou uma linha especial de financiamento para a modernização desses maquinários. O prazo é de oito anos, com taxa de 3% ao ano.

Paralelamente, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) estuda novos cultivares que tenham maior produtividade em função da disponibilidade hídrica menor. "Os resultados foram satisfatórios para um tipo de feijão que consome menos água e mantém a mesma produtividade", disse.

A outra medida diz respeito ao programa de recuperação das nascentes de água. O estado já tem projetos-piloto em Botucatu e Holambra. E também o Programa de Regularização Ambiental (PRA), sancionado em meados de janeiro pelo governador Geraldo Alckmin, que é a "adaptação" do processo de implantação do novo código florestal que cabe aos estados. Nele, os proprietários de terra terão de fazer recomposição de mata ciliar e de reserva legal.

O secretário reconhece que o agronegócio paulista já sofre as consequências da estiagem com a redução da safra da cana e da produção de grãos. Mas afirmou que apenas no decorrer de março será possível definir um quadro mais claro. Ele não descarta medidas drásticas, como restringir a irrigação se a situação de agravar. (Brasil Econômico 03/03/2015)

 

Exportação de açúcar em fevereiro cai 42% na comparação com 2014

O Brasil exportou em fevereiro 1,044 milhão de toneladas de açúcar bruto e refinado. O volume é 41,2% menor que o 1,777 milhão de toneladas embarcadas em janeiro; e 42% inferior ao 1,800 milhão de toneladas registradas em igual mês de 2014.

Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 2, mostram que do total embarcado no mês passado, 811 mil toneladas foram de açúcar demerara e 233,5 mil toneladas, de refinado.

A receita obtida com a exportação total de açúcar em fevereiro último foi de US$ 380,5 milhões, 39,1% menor que a registrada em janeiro (US$ 625,3 milhões) e 45,8% abaixo ante os US$ 702,3 milhões computados em fevereiro de 2014.

No acumulado de 2015, foram exportadas 2,821 milhões de toneladas de açúcar (-28,4%), com receita de US$ 1,005 bilhão (-35,4%). (Agência Estado 02/03/2015)

 

Exportação de etanol cresce 7,8% sobre fevereiro de 2014

O Brasil exportou em fevereiro 70,8 milhões de litros de etanol, o que corresponde a uma queda de 54% na comparação com os 153,8 milhões de litros embarcados em janeiro. Em relação a fevereiro do ano passado, quando foram embarcados 65,7 milhões de litros, o volume é 7,8% maior.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A receita cambial com a venda do biocombustível alcançou US$ 41,5 milhões em fevereiro, recuo de 53% ante os US$ 88,3 milhões registrados em janeiro. Em relação aos US$ 39,8 milhões de fevereiro de 2014, houve avanço de 4,3%. No ano acumulado de 2015, as exportações somam 224,6 milhões de litros (-13,1%), com receita de US$ 129,8 milhões (-20,2%). (Agência Estado 02/03/2015)

 

Mecanização da cana-de-açúcar atinge 84,8% na safra 2013/14 em SP

O Instituto de Economia Agrícola (IEA), em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), estimou o percentual de área colhida por máquinas na colheita da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo na safra agrícola 2013/14. Do total de área em produção, ou área de corte (5.497.118 hectares), 84,8% encontra-se mecanizada, correspondendo a 4.659.684,0 hectares, aumento de 3,5 pontos percentuais em relação à safra 2012/13.

Consequentemente, o restante da área em produção ainda demanda trabalhadores para a colheita manual, como será visto adiante.

Esta pesquisa é realizada no mês de novembro de cada ano por meio do levantamento “Previsão e Estimativas de Safra do Estado de São Paulo”, aplicado em todos os municípios paulistas e informado por técnicos das Casas de Agricultura da CATI. Na pesquisa, cada responsável deve informar o percentual de área colhida por máquinas, sendo possível calcular tanto o índice de mecanização por Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDR), bem como o índice para o estado (ou qualquer outra abrangência geográfica de interesse).

O resultado informado aponta que, entre as safras 2012/13 e 2013/14, a área mecanizada apresenta uma variação positiva de 5,2%, enquanto a área em produção de cana-de-açúcar basicamente não se alterou, um recuo de 0,09%. Isto significa que houve avanço da mecanização sobre áreas que antes eram colhidas ainda manualmente.

A partir desse índice de mecanização é possível acompanhar a evolução da mecanização da colheita de cana-de-açúcar e avaliar o cumprimento de dois marcos regulatórios com fins de proteção ambiental e erradicação da queima da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo: Lei n. 11.241 de 2002 do governo do Estado de São Paulo4 e Protocolo Agroambiental de 2007 (acordo de intenções entre o setor público e privado).

Pela Lei n. 11.241/2002, a erradicação da queima da cana-de-açúcar está prevista em áreas mecanizáveis para o ano de 2021 e em áreas não mecanizáveis para 2031. Dessa maneira, a mecanização na colheita está bem adiantada, inclusive nas metas intermediárias: 80% para o ano de 2016 em áreas mecanizáveis e 20% em áreas não mecanizáveis para o mesmo ano.

As diretivas técnicas estabelecidas pelo Protocolo Agroambiental estipularam para usinas e fornecedores a erradicação total da queima da cana-de-açúcar para o ano de 2014 em áreas mecanizáveis (áreas cultivadas superiores a 150 hectares e declividade inferior de 12%) com metas intermediárias: 70% de mecanização a partir de 2010 para usinas e 60% para os fornecedores de cana-de-açúcar no mesmo ano6.

Para áreas não mecanizáveis (áreas cultivadas inferiores a 150 hectares e declividade superior a 12%), o prazo é maior. Tanto para usinas como para fornecedores com áreas não mecanizáveis a erradicação será até 2017 e com metas intermediárias: a partir de 2010, 30% de mecanização para usinas e 20% para fornecedores.

Apesar do levantamento realizado não identificar as áreas em produção pertencentes às usinas ou aos fornecedores, ou mesmo se são áreas mecanizáveis ou não, é possível constatar que o índice de mecanização para o total do estado está em uma posição intermediária para as metas estabelecidas.

Analisando o índice de mecanização entre as regiões produtoras de cana-de-açúcar dos EDRs, observou-se que há uma heterogeneidade entre as várias regiões produtoras do estado aqui analisadas em termos de abrangência geográfica dos Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs).

Observa-se a partir da tabela 1 que 15 EDRs estão com seus índices de mecanização acima da média estadual (84,8%) e que juntos representam 50,5% do total de área em produção da cana-de-açúcar. Ressalta-se ainda que 8 dessas regiões encontram-se com mais de 90% mecanizadas, tais como Araçatuba, Andradina e Assis, regionais que contêm menos de 5,0% da área de corte estadual. Por outro lado, regionais como Orlândia e Ribeirão Preto, que participam com aproximadamente 6,5% da área de corte estadual, apresentam pouco mais de 70,0% de mecanização. Tais resultados talvez tenham como justificativa as características de solo.

Entretanto, algumas regiões, como Piracicaba, encontram-se abaixo da média (72,7%) e apresentam dificuldades para aumentar a mecanização por conta de dois fatores: a declividade do solo que impede o uso de colhedoras e a presença de fornecedores de cana-de-açúcar com áreas inferiores a 150 hectares. Tais fatores dificultam o cumprimento do Protocolo Agroambiental nos prazos estabelecidos, porém, ainda possuem uma margem de tempo para a mecanização por meio da Lei n. 11.241 de 2002.

Cabe ressaltar que, em algumas regiões, pequenos produtores estão arrendando suas terras ou migrando para outras culturas em decorrência da proibição da queima da cana, pois a baixa remuneração do setor e a desvantagem econômica em fazer a colheita mecanizada em pequenas áreas acaba excluindo esses produtores na produção da cana-de-açúcar.

Por fim, o índice de mecanização permite também mensurar o impacto da colheita mecânica sobre o emprego de cortadores de cana-de-açúcar. Na safra 2013/14, a demanda por trabalhadores na colheita foi estimada em 51,7 mil cortadores, cerca de 18 mil a menos em relação à safra 2012/13.

Destaca-se o EDR de Orlândia, segundo maior EDR em área em produção, que apresentou nessa safra 77,3% de sua área já mecanizada, mas que ainda é responsável por aproximadamente 6 mil cortadores. Outros EDRs, como Barretos, Catanduva e Presidente Prudente demandam juntos cerca de 10 mil cortadores na colheita manual.

Essas regiões, bem como outras em que o processo de mecanização se intensifica e é irreversível, ainda merecem atenção pelas questões sociais que os marcos regulatórios impuseram a essa classe trabalhista. Reforça-se aqui sempre a preocupação de políticas voltadas para esses cortadores seja no processo de requalificação ou no controle ao desemprego, questões essas deixadas de lado na formulação de tais marcos regulatórios. (IEA 02/03/2015)

 

Terras no Brasil têm valorização de 308% em 11 anos

Cálculo é do Ministério da Agricultura, e teria ficado abaixo da variação da inflação no período, de 121,9%, segundo Fundação Getulio Vargas.

As terras no Brasil se valorizaram 308% entre 2002 e 2013, enquanto a inflação ficou muito abaixo disso, de 121,9% (IGPI-DI da Fundação Getulio Vargas). Os números foram apurados pela Assessoria de Gestão Estratégica (AGE) do Ministério da Agricultura, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB).

Segundo o pesquisador José Gasques, da AGE, cerca de 60% do valor das terras do país encontram-se em propriedades acima de 200 hectares, que somam 252.400 (Censo de 2006, do IBGE) e representam 5% do total dos estabelecimentos levantados pelo censo.

Ainda segundo o estudo, a produtividade agrícola tem forte correlação com o preço de terras de lavouras e de pastagem e também o preço dos produtos agrícolas – o aumento da produtividade pode arrefecer a escalada de preços do hectare pela menor demanda por áreas livres e o preço dos produtos agrícolas, ao contrário, quanto mais altos, podem estimular o mercado de compra e venda de terras, contribuindo para a tendência crescente de preços.

Por fim, o crédito rural, especialmente o de investimento, tem contribuído para a valorização de terras no Brasil. O estímulo ao crédito de investimento por meio de programas e políticas específicas também foi essencial para a elevação do preço de terras e para sua valorização, informa o estudo. (Canal Rural 02/03/2015 às 15h: 16m)

 

Heringer anuncia outro sócio de peso

Pouco menos de nove meses após anunciar a entrada da marroquina OCP International Cooperative em seu capital, a Fertilizantes Heringer, uma das maiores empresa do segmento no país, confirmou ontem que chegou a um acordo para vender o equivalente a 9,5% de seu capital para a PotashCorp.

Conforme informações divulgadas pela Potash, que tem ações negociadas em bolsas do Canadá e dos EUA e valor de mercado que se aproxima de US$ 30 bilhões, o negócio com a companhia brasileira, que ainda depende da aprovação das autoridades antitruste, foi fechado por US$ 55,7 milhões.

A multinacional é uma das maiores fabricantes de cloreto de potássio do mundo, com capacidade para cerca de 13 milhões de toneladas por ano, e classificou a transação como um importante passo para expandir suas operações no mercado brasileiro de fertilizantes, que há anos bate sucessivos recordes de vendas.

Potássio, fosfato e nitrogênio são as matérias-primas básicas para a produção de fertilizantes agrícolas.

Cada vez mais dependente da importação de fertilizantes para atender à sua crescente demanda doméstica, o Brasil já tem na PotashCorp uma importante fornecedora de cloreto de potássio há décadas.

A própria Heringer já importa o cloreto da Potash há mais de 20 anos, como destacou ao Valor o CEO Dalton Carlos Heringer.

E, da mesma forma que procurou fincar bases sólidas e de longo prazo para negociar parte de suas importações com a marroquina OCP, forte em fosfato, a Heringer espera estabelecer o mesmo tipo de relação estável e mais vantajosa com a Potash.

"O acordo com a Potash foi uma excelente oportunidade", afirmou o executivo brasileiro. Na BM&FBovespa, as ações da Heringer subiram mais de 17% com o anúncio da venda da participação.

Depois do fechamento do mercado, a Heringer divulgou seus resultados em 2014 e confirmou que voltou ao azul.

Mesmo prejudicada pela forte variação cambial do quarto trimestre, a companhia fechou o ano passado com lucro líquido de R$ 7,963 milhões, ante prejuízo líquido de R$ 33,904 milhões em 2013.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa subiu 4,9% na mesma comparação, para R$ 321,857 milhões.

Além de ter registrado um melhor desempenho financeiro, a Heringer viu seu volume de vendas e sua receita atingirem patamares recorde em 2014, conforme destacou seu principal executivo.

O volume registrou incremento de 9,3%, para 5,509 milhões de toneladas, acima do crescimento do mercado como um todo, que foi de cerca de 5%, enquanto a receita subiu 9,7%, para R$ 5,952 bilhões.

"Foi um ano muito bom, difícil de repetir", resume Dalton Carlos Heringer. Mas, ainda assim, ele demonstra otimismo em relação a 2015.

"É verdade que os preços de commodities agrícolas importantes estão mais baixos que há um ano, mas, nos últimos meses, houve uma certa manutenção de patamares. E o dólar subiu. Ou seja, em comparação com novembro, a agricultura hoje está melhor".

De qualquer forma, a Heringer trabalha com a expectativa de manutenção do volume de vendas de fertilizantes no Brasil neste ano. Em 2014, as entregas das misturadoras às revendas somaram 32,2 milhões de toneladas, ante as 30,7 milhões do ano anterior. (Valor Econômico 03/03/2015)

 

Chuvas generalizadas retornam a áreas de café e cana no Brasil

Chuvas isoladas que têm atingido lavouras nas principais regiões de café e cana-de-açúcar do Brasil deverão se intensificar, atingindo áreas mais amplas nos próximos cinco a dez dias, com a chegada de uma frente fria ao Sudeste do país, segundo o painel Reuters Weather Dashboard.

A chuva irá ajudar a aliviar o estresse hídrico enfrentado pelos cafezais e canaviais, mas não será suficiente para recuperar todas as perdas sofridas no ano passado.

Analistas esperam que a colheita das duas culturas apresentem aumentos modestos ante a produção do ano passado, largamente afetada pela seca.

Meteorologistas brasileiros e norte-americanos também disseram nesta segunda-feira que esperam que as chuvas se intensifiquem até o fim da semana no cinturão de cana e café do Estado de São Paulo e também em algumas áreas de café de Minas Gerais.

Desde o começo de 2015, as chuvas têm ficado cerca de 30 por cento abaixo da média histórica, mas os níveis de umidade do solo estão muito maiores do que no mesmo período do ano passado, quando a pior seca em décadas impactou fortemente as principais área de café do sul de Minas.

O painel meteorológico da Reuters projeta intensificação das chuvas no próximo fim de semana com a chegada de uma frente fria, e uma gradual queda nos volumes de precipitações ao longo da próxima semana. Uma segunda frente fria deverá levar mais chuvas para a região por volta dos dia 15 e 16 de março.

O Commodity Weather Group, dos Estados Unidos, disse que as chuvas irão aumentar nas áreas de café no fim de semana, embora precipitações isoladas devam ser registradas com alguma regularidade nas regiões de grãos, cana e café do Brasil ao longo desta semana.

A Somar Meteorologia disse que as chuvas vão se intensificar em São Paulo até o fim de semana, seguindo depois para o sul de Minas, onde vão perder força ao longo da próxima semana.

A colheita nas principais áreas de cana e café do Brasil em 2015 deverá começar em breve, em abril e maio, respectivamente. (Reuters 02/03/2015)

 

Exportações de petróleo superam as importações

Balança comercial, entretanto, tem seu pior resultado para o mês de fevereiro.

No mês em que a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 2,842 bilhões, pior resultado para os meses de fevereiro da série histórica, iniciada em 1980 — as exportações de petróleo conseguiram superar as importações do produto no primeiro bimestre de 2015, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). As exportações de petróleo somaram US$ 1,865 bilhão nos dois primeiros meses do ano, alta de 5,3% na média diária, quando comparadas ao mesmo período de 2014. Já as importações do produto somaram US$ 1,083 bilhão no mesmo período, queda de 56,9% na média diária em relação a janeiro e fevereiro do ano passado. O movimento acontece em um momento em que a Petrobras aumentou a produção de petróleo no país, que subiu 14% ante o mesmo mês do ano passado. Outras petroleiras, especialmente as estrangeiras atuando no Brasil, também estão elevando a produção consideravelmente.

Apesar desse bom desempenho do petróleo frente às importações, o resultado ruim da balança comercial em fevereiro foi influenciado por queda nas exportações em todas a categorias de produtos, com destaque para minério de ferro, o próprio petróleo, soja e componentes automotivos. Em janeiro, a balança havia registrado déficit de US$ 3,174 bilhões. No mês passado, as exportações somaram US$ 12,092 bilhões, com queda de 15,7% em relação a igual mês em 2014, por quedas nas vendas em todas as categoria sde produtos: básicos, semimanufaturados e manufaturados. Entre as principais retrações estão minério de ferro (-35,7%), soja (-72,2%), petróleo (-5,5%), açúcar em bruto (-44,6%) e autopeças (-12,2%). No acumulado do ano, os embarques feitos pelo país somam US$ 25,796 bilhões, 13,1% a menos que em 2014, e as importações estão em US$ 31,812 bilhões, 10,2% menores.( Reuters 03/03/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Piso em um ano: Depois de uma elevação marginal na sexta-­feira, as cotações do café arábica recuaram ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para maio fecharam em baixa de 215 pontos, a US$ 1,3835 por libra­peso ­ o menor valor desde 11 de fevereiro de 2014. Um dos fatores que estimulou a baixa do grão foi a continuidade da valorização do dólar ante o real. A moeda americana forte tende a ampliar a oferta de café no mercado mundial, já que aumenta a rentabilidade das exportações brasileiras. Os preços do café também são pressionados pelas chuvas no Sudeste do Brasil (onde se concentra a produção do tipo arábica), após um longo período de seca. No mercado interno, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou de R$ 450 a R$ 470, conforme o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Realização de lucros: Os preços do cacau recuaram ontem em Nova York, interrompendo uma sequência de 17 altas em 18 sessões. Os contratos para maio caíram US$ 10, a US$ 3.006 por tonelada. Fatores técnicos encorajaram a venda de posições no mercado, apesar de previsões indicarem uma escassez mundial da amêndoa. Na sexta­feira, a Organização Internacional do Cacau (ICCO, na sigla em inglês) afirmou esperar que a demanda global pela commodity ultrapasse a produção em 17 mil toneladas na atual temporada 2014/15, iniciada em 1º de outubro do ano passado. Mas parte dos traders começou a embolsar lucros com as apostas que mantinham na alta do cacau. No mercado de Ilhéus e Itabuna (BA), a arroba da amêndoa foi negociada a R$ 116, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Clima sai do foco: Os preços do suco de laranja reagiram na bolsa de Nova York no pregão de ontem, após registrar desvalorização em oito sessões consecutivas. Os contratos para maio encerraram em alta de 560 pontos, a US$ 1,2675 por libra­peso. A diminuição das preocupações com o tempo frio na Flórida (que detém o segundo maior pomar de citros do mundo) vinha pesando sobre as cotações da bebida nos últimos dias. Em oito pregões, o suco acumulou queda de 12%. Apesar do repique de ontem, o cenário dosfundamentos não se alterou. Os analistas continuam otimistas não apenas em relação à colheita de laranja da Flórida, mas também a de São Paulo. No mercado interno, a caixa da laranja para a indústria permaneceu estável em R$ 10, segundo o Cepea/Esalq.

Trigo: Efeito do dólar: A valorização do dólar ante diversas moedas voltou a empurrar para baixo os preços do trigo nas bolsas americanas. Em Chicago, os contratos para maio fecharam em queda de 13 centavos, a US$ 5,00 por bushel. No pregão em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento recuou 13,75 centavos, a US$ 5,2575 o bushel. A alta do dólar diminui a competitividade do cereal americano no mundo, levando os compradores a buscarem trigo mais barato em outras origens. Ainda assim, persistem as tensões com o tempo frio no Meio ­Oeste dos EUA. Há preocupações climáticas também em outros importantes produtores, caso da Rússia e dos países do Mar Negro. No Paraná, a saca do cereal foi negociada ontem em queda de 0,69%, a R$ 31,44, segundo informações do Deral/Seab. (Valor Econômico 03/03/2015)