Setor sucroenergético

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Outras 30 usinas estão prontas para pedir recuperação judicial

Estiagem atrasa safra e reduz produção de cana.

Para especialistas, chuva recente não evita perda no desenvolvimento da planta.

Setor enfrenta forte crise, com fechamento de usinas, atrasos salariais e unidades em recuperação judicial;

A crise hídrica vai "engolir" parte dos benefícios recentemente obtidos pelo setor sucroenergético para este ano, que incluem a alta da mistura do etanol anidro à gasolina e a cobrança da Cide nesse combustível.

Enquanto mudanças na Cide (tributo regulador) e no PIS/Cofins e a alta da mistura de 25% para 27% devem representar R$ 4 bilhões de ganhos para o endividado setor, a seca pode gerar perdas de R$ 2,4 bilhões neste ano.

O cálculo é da Udop (União dos Produtores de Bioenergia), que prevê que a estiagem provoque perdas de 3% a 4% do total do faturamento, estimado em R$ 60 bilhões no ano no centro-sul do país.

"A situação climática até melhorou nos últimos dias, mas a grande dúvida do ano é o impacto da seca. A safra atrasará e devemos ter redução do volume de cana. Apesar das medidas, o ano pode terminar empatado", disse Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da Udop.

A previsão de perdas é até conservadora, na avaliação de Rejane Cecília Ramos, pesquisadora do IEA (Instituto de Economia Agrícola), órgão do governo de São Paulo.

"Não choveu na época do plantio, no início de 2014, e, quando a cana foi plantada, não cresceu, por causa das altas temperaturas e da falta de água", afirmou. Segundo ela, é difícil definir um percentual de perdas, mas é certo que haverá queda na produção.

Com a seca, a safra, que geralmente começa em março, deve ficar para a segunda quinzena de abril ou até maio na maioria das usinas. E, segundo o setor, as chuvas das últimas semanas não servem para evitar a perda gerada no desenvolvimento da planta, entre novembro e janeiro.

AS MEDIDAS

O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina deve gerar receita de R$ 80 milhões/safra, segundo a Udop.

As usinas passarão a produzir o anidro (1 bilhão de litros a mais) em vez do hidratado --usado diretamente nos carros flex. Essa mudança vai gerar ganho de R$ 0,08 por litro de combustível.

Além disso, com a volta da cobrança da Cide e da elevação do PIS/Cofins sobre a gasolina, o preço do combustível subiu, o que tornou o etanol mais atraente.

O problema é que o mercado sucroenergético enfrenta uma forte crise, com o fechamento de usinas, unidades em recuperação judicial e atrasos salariais.

Estudo da RPA (Ricardo Pinto e Associados), de Ribeirão Preto, apontou que 30 usinas estão a ponto de pedir recuperação judicial, com dívidas somadas de R$ 11 bilhões. (Folha de São Paulo 07/03/2015)

 

Brasil deve recuperar produção de cana no próximo ciclo

Usinas devem direcionar oferta para o etanol, especialmente o anidro, e reduzir a safra de açúcar.

A safra 2015/2016 de cana-de-açúcar, que começa oficialmente em abril, deve ser de recuperação da queda sofrida no ciclo atual. A avaliação é da consultoria Safras e Mercado, que estima um crescimento de 4% do volume colhido apenas no Centro-Sul, onde se concentra a maior área de canaviais do país.

O total deve chegar a 598 milhões de toneladas na região. Na safra 2014/2015, a produção foi calculada em 575 milhões de toneladas. Em nível nacional (o que inclui a região Norte-nordeste), a consultoria espera uma oferta de 661 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um crescimento de 4,26% em relação ao ciclo 2014/2015.

De acordo com o analista Maurício Muruci, o clima chuvoso, especialmente no centro-sul do Brasil, vivido desde do mês de novembro, justifica a expectativa de uma recuperação na produtividade dos canaviais. “Os processos de renovação devem continuar constantes mais em função da melhora na eficiência produtiva mesmo com a desmotivação política do setor e da economia como um todo”, diz o especialista, em comunicado.

Etanol

A Safras e Mercado acredita que a indústria de cana-de-açúcar deve elevar sua aposta no mercado de etanol. A expectativa é de que, em nível nacional, a produção cresça 11,12% e chegue a 30,7 bilhões de litros. Só no Centro-Sul, o volume deve chegar a 28,5 bilhões, um aumento de 11,33% em relação à safra 2014/2015. Outros 2,2 bilhões de litros (+8,48%) devem ser fornecidos pela área Norte-nordeste do país.

Com a demanda estimulada pelo aumento da mistura do combustível de cana à gasolina, o etanol anidro deve ter maior crescimento. O volume do combustível deve chegar a 14,2 bilhões de litros, 17,98% a mais que na safra 2014/2015 (12,29 bilhões) no Brasil. Só no Centro-sul, a produção de etanol anidro deve chegar a 13 bilhões de litros (+18,18%).

A variedade deve ter também maior participação na oferta de etanol. No ciclo atual, o anidro representou 44,5% do volume total produzido no país. No próximo, deve representar 47,2%, conforme os números da consultoria.

Já a produção de etanol hidratado deve ter um crescimento de 5,62% em nível nacional. O volume deve chegar a 16,2 bilhões de litros. O Centro-sul deve produzir 15,5 bilhões de litros (+6,16%).

Açúcar

Com foco no etanol, as usinas deve reduzir em 1,39% o volume de açúcar produzido na safra 2015/2016. A oferta deve ser de 35,5 milhões de toneladas. No Centro-sul, a safra deve cair para 31 milhões de toneladas (-3,13%). Na região Nordeste, a expectativa é de um crescimento de 12,5%, com a quantidade chegando a 4,5 milhões de toneladas. (Globo Rural 06/03/2015)

 

Cargill e USJ dão largada ao etanol de milho em GO

A subutilização da capacidade industrial das usinas de cana-de-açúcar no Brasil sempre foi algo intrigante para a americana Cargill, uma das maiores tradings de commodities do mundo e também um grande player industrial.

No setor há cerca de dez anos com uma unidade em São Paulo (Cevasa), a multinacional há três se associou ao Grupo USJ para investir na produção de açúcar e etanol em Goiás.

Desde então, se planeja para fazer a fábrica rodar nos 12 meses do ano. Tradicionalmente, as usinas moem cana por oito meses, depois as máquinas são desligadas para manutenção, permanecendo assim por um quadrimestre, até o início do ciclo seguinte.

A entressafra que termina em 31 de março deste ano, no entanto, será a última de 'ociosidade' para a usina São Francisco, um das duas unidades canavieiras que a americana controla com o grupo USJ, sob o guarda-chuva da joint venture SJC Bioenergia. Instalada em Quirinópolis (GO), essa unidade vai passar a operar também com milho a partir de janeiro de 2016.

A escolha do grão para "encher"a fábrica veio da grande oferta do cereal na região, além da experiência que a americana já tem nos Estados Unidos com suas usinas que produzem etanol de milho.

Com R$ 160 milhões de investimento, o projeto adicionará à planta goiana produção de etanol de milho, mais eletricidade e o chamado DDGS (sigla em inglês para Resíduos Secos de Destilaria Contendo Solúveis), uma espécie de farelo de milho que é extraído na produção do etanol e usado para ração animal.

"O potencial é de elevarmos em 20% a 30% nosso resultado operacional, uma vez que a receita vai crescer, com o mesmo custo fixo", calcula o presidente do conselho de administração da SJC Bioenergia, Marcelo de Andrade.

Quando chegar à sua capacidade máxima, em três anos, a São Francisco estará produzindo mais etanol a partir do grão do que da própria cana, afirma Andrade.

O cronograma é fabricar nos primeiros doze meses de operação 80 milhões de litros de etanol com o uso de milho, metade do que a unidade produz a partir da cana - 160 milhões de litros.

Nos três anos seguintes, a meta é elevar esse volume a 200 milhões de litros feitos a partir do grão.

"É um volume equivalente a uma usina tradicional de cana com moagem de 2,5 milhões de toneladas", compara Andrade, que é também o responsável pela operação de Açúcar e Etanol da Cargill no país.

Ele cita ainda como vantagem, além da otimização dos ativos, o fato de o projeto graneleiro demandar bem menos capital e ter menores riscos comparados a um projeto canavieiro. "Uma usina de cana a partir do zero custaria cerca de R$ 7 50 milhões, sem contar que ela começaria a gerar caixa positivo em cinco anos".

Do total de R$ 160 milhões que serão investidos no projeto de etanol de milho, 7 0% serão financiados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o restante, de capital dos sócios, na distribuição de 50% para cada um.

O apoio da Finep se deu porque há um desenvolvimento tecnológico associado ao projeto, explica o superintendente de apoio a projetos inovadores da financiadora, Alexandre Velloso.

"Isso vai trazer um encaminhamento novo ao setor, criando um modelo de negócio para as usinas de cana do Centro-Oeste", acredita Velloso.

O cronograma é rodar a fábrica com milho na entressafra canavieira, por volta de dezembro até o fim de março, e também durante safra, nas 'janelas' em que a chuva impedir a colheita da cana.

No período em que a unidade estiver operando com milho, a planta vai poder continuar cogerando energia com o bagaço estocado.

Conforme Andrade, a fabricação adicional de eletricidade será de 40 mil Megawatts hora (MW-h), elevando o volume total da produção da SJC Bioenergia para 480 mil MW-h já na safra 2015/16.

Além da receita adicional com a produção de etanol de milho e eletricidade, a São Francisco vai vender o DDGS aos pecuaristas locais.

A intenção é também estimular os produtores de grãos da região a introduzirem a atividade pecuária, com confinamento bovino, diz Andrade.

Está ainda em estudo projeto para agregar ainda mais valor ao processamento de milho, com a fabricação de produtos voltados à alimentação humana, mas Andrade ainda não comenta o tema.

Tradicional grupo sucroalcooleiro de São Paulo, o USJ começou a planejar a expansão para Goiás em 2004. Das duas unidades programadas, somente a São Francisco ficou pronta num primeiro momento.

A segunda só foi construída quando a Cargill entrou no negócio, em 2011. Vice-presidente do conselho de administração da SJC Bioenergia, Maria Carolina Ometto Fontanari, diz que quando foi idealizado, o projeto goiano tinha clara a percepção de que havia espaço na região para cana e outras culturas.

"E a Cargill trouxe a viabilidade de incluir o milho e otimizar o uso dos ativos", afirma Maria Carolina. Na sua visão, agora a SJC Bioenergia está entrando na "maturidade", operando praticamente com toda sua capacidade.

"Estamos obtendo resultados como poucos 'greenfields'[usinas construídas a partir do zero] recentes". A Cargill é uma grande processadora de milho no mundo e, no Brasil, detém a maior fábrica fora dos Estados Unidos - Uberlândia (MG). A planta de Goiás, no entanto, vai superar a unidade mineira, voltada à produção de amidos e adoçantes. (Valor Econômico 09/03/2015)

 

Alckmin elogia aumento da mistura de etanol à gasolina

O governador Geraldo Alckmin reuniu-se com os governadores Marconi Perillo, de Goiás; Beto Richa, do Paraná; Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul; e Pedro Taques, do Mato Grosso para discutir estratégias para o setor sucroenergético no País. O encontro ocorreu, nesta quinta-feira, 5, em Goiânia, no Palácio das Esmeraldas, e reuniu os representantes maiores estados produtores de etanol, açúcar e bioeletricidade.

O governador de São Paulo considerou positivo o aumento de 25% para 27% na mistura do etanol anidro à gasolina, anunciado esta semana pelo Governo Federal, mas destacou que o ideal seria chegar aos 30%. "Com isso, teríamos um combustível mais limpo, um combustível verde, uma energia renovável e mais empregos. Esse setor é vital e estratégico para o país, muito importante do ponto de vista social, econômico e ambiental", disse Alckmin durante o encontro. (Portal Governo do Estado de São Paulo 05/03/2015)

 

Império do usineiro João Lyra não cobre dívida com credores

Bens do empresário são avaliados em R$ 1,91 bilhão enquanto o débito é estimado hoje em R$ 2,1 bilhões.

Guaxuma, avaliada em R$ 864,1 milhões, é a mais valiosa entre as cinco usinas de João Lyra.

Após sete anos de decretada falência do Grupo JL, o juiz Mauro Baldini, da comarca de Coruripe, determinou a venda dos bens da massa falida do Grupo Laginha Agro Industrial S/A, pertencente ao empresário e ex-deputado federal João Lyra (PSD), avaliados em R$ 1,9 bilhão. Ou seja, o império de JL não é o suficiente para pagar dívidas milionárias a credores e ex-funcionários, reconhecidas pela Justiça em aproximadamente R$ 2,1 bilhões. Dos bens em questão, o de maior valor é a Usina Guaxuma, com valor global (sem cana) avaliado em R$ 864,1 milhões.Vale ressaltar que o magistrado não aceitou a contestação de JL sobre o valor e homologou o laudo da empresa Valor Engenharia, responsável pela avaliação.

O juiz frisou que “estamos na fase da falência, e não mais na fase de recuperação judicial...” Ele determinou, ainda, a realização de processo para venda de todos os ativos e que a venda seja feita na modalidade de proposta fechada, após publicação de edital com antecedência mínima de 30 dias.

De acordo com a decisão, as cinco usinas, em Alagoas e Minas Gerais, além do escritório central da companhia, em Maceió, e uma Aeronave Prefixo PT-RVT serão leiloados para sanar as dívidas existentes da empresa.O documento aponta que a situação é insustentável: “Milhares de credores à míngua aguardando o recebimento de seus créditos, cidades com suas economias paralisadas [...], invasão das terras das usinas por diversos movimentos ‘sem terra’ e os incêndios nos canaviais”, afirmou o juiz Baldini”.

Em sua decisão, o magistrado foi enfático ao afirmar que o sócio majoritário da Laginha foi intimado para participar da arrecadação dos bens em destaques, mas “ficou inerte, deixando de fiscalizar o ato”. Porém, vão ficar de fora outros bens conhecidos do empresário João Lyra que não foram avaliados porque não fazem parte da massa falida, a exemplo do avião e do helicóptero que pertencem à Lug Táxi Aéreo, da revendedora VW Mapel e de imóveis particulares.

Veja o valor de avaliação dos bens do Grupo JL

Escritório Central- Valor Global R$ 15,7 milhões.II) Avião Laginha- Valor Global – R$300 mil.III) Usina Guaxuma – Valor Global sem Cana R$ 864,1 milhões (Área Total das Fazendas e Usina – 17.453,4650 há, Área Cultivada – 12.285,9849 ha. Capacidade de produção Produção – 900.000 t/safra).IV)

Usina Uruba- Valor Global sem Cana R$ 296,2 milhões (Área Total das Fazendas e Usina – 8.323,15 há, Área Cultivável – 6.891,85 ha, capacidade de moagem 1.100.000 t /safra)V) Usina Laginha -Valor Global sem Cana R$ 297,5 milhões (Área Total das Fazendas e Usina – 16.521,80 há,Área Cultivável – 7.978,75 há, Área de Pasto – 1.881,26 ha.

Usina – Produção – 900.000 t / safra)VI) Usina Trialcool- Valor Global sem Cana R$ 227,7 milhões ( Área Total das Fazendas e Usina – 8.197,95 há, Área Cultivável – 4.364,10 há. Usina – Produção – 1.800.000 t/ safra).VI) Usina Vale de Paranaíba -Valor Global sem Cana R$ 211,2 milhões (Área Total das Fazendas e Usina – 3.228,8775 ha. Área Cultivável – 1.744,50 há. Usina – Produção – 1.700.000 t/ safra). (Jornal Extra Alagoas 05/03/2015)

 

Desafio tecnológico foi gerar energia para as duas operações

O principal desafio tecnológico de adicionar à usina de cana-de-açúcar uma processadora de milho foi o desenvolvimento de um sistema de geração de energia que pudesse alimentar a operação durante 365 dias por ano, incorporando o milho na entressafra e ainda produzindo no mesmo período eletricidade excedente para ser comercializada, afirma o diretor-geral da SJC Bioenergia, Abel Uchoa.

O ponto-chave foi implantar secagem do bagaço da cana - que fica estocado a céu aberto - para que ele pudesse ser queimado durante a entressafra, sem perda de eficiência.

"A solução foi 'reprocessar' o bagaço para retirar a umidade, por meio de uma cadeia de aproveitamento de vapor do próprio processamento de milho", explica Uchoa.

Afora esse maquinário para processar o grão, todas as estruturas da usina de cana, tais como equipamentos para fermentação, destilação, tanques, cogeração e tratamento de água, foram integradas para receber os dois processos.

Operar durante 365 dias só foi possível, segundo Uchoa, porque a unidade de Quirinópolis foi implantada com dois módulos, ou seja, com duas caldeiras, dois geradores e duas turbinas.

"Enquanto é feita a manutenção em um módulo, o outro segue funcionando", acrescenta.

Goiás é um dos maiores produtores de milho do país, com uma colheita estimada em 7 ,5 milhões de toneladas no ciclo 2014/15, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Além de comprar o grão de produtores locais, a SJC Bioenergia pretende cultivar milho em área própria e também estimular seus fornecedores a aderir à cultura nas áreas de renovação anual de cana - equivalentes a 17 % dos canaviais.

O presidente do conselho de administração da SJC Bioenergia, Marcelo Andrade, afirma que, quando o projeto começou a ser concebido, há cerca de dois anos, havia viabilidade com o milho a até R$ 23 a saca.

Mas na época, diz ele, o litro do etanol na entressafra estava na casa de R$ 1,250 por litro.

"Agora, nesta entressafra, o etanol está em R$ 1,50 por litro, o que, certamente, elevou a margem de retorno do negócio", afirma Andrade.

No entanto, o executivo observa que o projeto tem como principal vantagem a possibilidade de gerar mais receita com o mesmo custo fixo.

Além dos investimentos industriais, a SJC Bioenergia também vai construir um silo com capacidade para estocar 9 mil toneladas de grão por dia. O DDGS também será estocado para ser vendido durante o período de seca, quando a disponibilidade de pasto para engorda de bovinos é menor, informa Andrade.

A estimativa da empresa é de que a produção de DDGS na primeira etapa será da ordem de 7 0 mil toneladas.

Quando a unidade estiver operando a plena carga, esse volume vai alcançar 110 mil toneladas. Além da usina São Francisco, a SJC Bioenergia controla uma outra usina de cana em Cachoeira Dourada (GO), que produz apenas etanol.

Juntas, elas processaram 6,857 milhões de toneladas de cana em 2014/15. Só a São Francisco moeu 4,7 milhões de toneladas, produzindo 350 mil toneladas de açúcar e 160 milhões de litros de etanol. (Valor Econômico 09/03/2015)

 

Estiagem atrasa safra e reduz produção de cana

Para especialistas, chuva recente não evita perda no desenvolvimento da planta.

Setor enfrenta forte crise, com fechamento de usinas, atrasos salariais e unidades em recuperação judicial

A crise hídrica vai "engolir" parte dos benefícios recentemente obtidos pelo setor sucroenergético para este ano, que incluem a alta da mistura do etanol anidro à gasolina e a cobrança da Cide nesse combustível.

Enquanto mudanças na Cide (tributo regulador) e no PIS/Cofins e a alta da mistura de 25% para 27% devem representar R$ 4 bilhões de ganhos para o endividado setor, a seca pode gerar perdas de R$ 2,4 bilhões neste ano.

O cálculo é da Udop (União dos Produtores de Bioenergia), que prevê que a estiagem provoque perdas de 3% a 4% do total do faturamento, estimado em R$ 60 bilhões no ano no centro-sul do país.

"A situação climática até melhorou nos últimos dias, mas a grande dúvida do ano é o impacto da seca. A safra atrasará e devemos ter redução do volume de cana. Apesar das medidas, o ano pode terminar empatado", disse Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da Udop.

A previsão de perdas é até conservadora, na avaliação de Rejane Cecília Ramos, pesquisadora do IEA (Instituto de Economia Agrícola), órgão do governo de São Paulo.

"Não choveu na época do plantio, no início de 2014, e, quando a cana foi plantada, não cresceu, por causa das altas temperaturas e da falta de água", afirmou. Segundo ela, é difícil definir um percentual de perdas, mas é certo que haverá queda na produção.

Com a seca, a safra, que geralmente começa em março, deve ficar para a segunda quinzena de abril ou até maio na maioria das usinas. E, segundo o setor, as chuvas das últimas semanas não servem para evitar a perda gerada no desenvolvimento da planta, entre novembro e janeiro.

AS MEDIDAS

O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina deve gerar receita de R$ 80 milhões/safra, segundo a Udop.

As usinas passarão a produzir o anidro (1 bilhão de litros a mais) em vez do hidratado --usado diretamente nos carros flex. Essa mudança vai gerar ganho de R$ 0,08 por litro de combustível.

Além disso, com a volta da cobrança da Cide e da elevação do PIS/Cofins sobre a gasolina, o preço do combustível subiu, o que tornou o etanol mais atraente.

O problema é que o mercado sucroenergético enfrenta uma forte crise, com o fechamento de usinas, unidades em recuperação judicial e atrasos salariais.

Estudo da RPA (Ricardo Pinto e Associados), de Ribeirão Preto, apontou que 30 usinas estão a ponto de pedir recuperação judicial, com dívidas somadas de R$ 11 bilhões. (Folha de São Paulo 07/03/2015)

 

A inflação como efeito colateral do ajuste fiscal

Alta de impostos e das tarifas de energia pressionam o IPCA.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro mostra uma inflação muito influenciada pelo ajuste fiscal do governo. Um quarto (25,41%) da alta do mês veio da gasolina, que subiu 8,42% e foi responsável por 0,31 ponto percentual da variação de 1,22% do IPCA. O aumento da gasolina é reflexo da volta da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre combustíveis, que estava zerada desde 2012, e da alta da alíquota do PIS/Cofins. Este mesmo imposto também pressionou outros combustíveis, como o diesel (alta de 5,32%) e o etanol (7,19%), e levou junto os preços de transportes coletivos.

Já a recomposição das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) teve efeito no preço de automóveis novos, alta 2,88%, e eletrodomésticos, que ficaram 2,15% mais caros. Os cosméticos também tiveram os preços pressionados pela alta do IPI. Segundo a responsável pelos índices de preços do IBGE, Eulina Nunes, a elevação dos impostos teve "influência significativa" na inflação de fevereiro.

- Com o aumento de impostos, alguns preços ficam mais altos para o consumidor. Esse é um resultado já esperado do ajuste fiscal. Por outro lado, o ajuste vai atuar também para reduzir a alta de outros preços, mas isso ainda não ocorreu. E seu efeito será aliado à alta das taxas de juros - avalia o professor de Economia da FEA/USP e economista-chefe da Fator Corretora José Francisco de Lima Gonçalves.

Outro preço controlado pelo governo que está impactando a inflação é o da energia elétrica. Em fevereiro, a alta foi de 3,14%, e, nos últimos 12 meses, o choque nos preços chegou a 30,27%. E novos aumentos já estão contratados para março, por causa da elevação de 83% no valor da bandeira tarifária (cobrança extra por causa do uso de termoelétricas), além de reajustes de tarifas de várias concessionárias.

Em março, teremos aumentos importantes, com peso significativo no orçamento, como energia elétrica. Será um mês em que haverá pressão dos preços monitorados sobre a inflação - afirmou Eulina.

Imune aos juros

O que se vê na inflação deste início de 2015, segundo Eulina, é uma mudança em seu perfil. Os preços administrados estão avançando em ritmo superior ao da média da inflação. Até algum tempo atrás, eles foram fundamentais para puxar o IPCA para baixo. Em 2013, a inflação de preços administrados ficou em 1,5%. Nos 12 meses encerrados em fevereiro, a alta foi de 9,66%, bem acima dos 7,7% do IPCA geral.

É por causa desse novo perfil da inflação que, a despeito do ciclo de aumento da taxa básica de juros da economia, que visa a derrubar os preços por meio da queda de consumo, já se estima uma inflação beirando os 8% em 2015. A alta da Selic - que na quarta-feira subiu 0,5 ponto percentual, a 12,75% ao ano - não tem efeito sobre os preços administrados.

Os juros levam de seis a nove meses para fazer efeito sobre a atividade econômica e mitigar alguns reajustes de preços. Só que tem um pedaço da inflação que não vai reagir à alta da Selic. Independentemente da Selic, vai haver reajuste de preços administrados, diz o economista da LCA Consultores Fabio Romão. (O Globo 07/03/2015)

 

Gasolina sobe 8,42% em fevereiro e leva ipca a 7,7% em doze meses, acima do teto da meta

Preços em disparada

Apesar da queda no preço do petróleo no mercado internacional, a gasolina foi a grande vilã da inflação brasileira no mês passado. De acordo com o IBGE, o preço do combustível subiu 8,42% em fevereiro e foi o item com maior influência na alta de 1,22% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país. A taxa foi a mais alta para um mês de fevereiro nos últimos 12 anos e ficou acima das expectativas do mercado, que projetava inflação de 1,08%.

O resultado também foi quase o dobro do registrado em fevereiro do ano passado, quando ficou em 0,69%, e ainda permaneceu no mesmo ritmo da alta registrada em janeiro deste ano, 1,24%. Assim, no acumulado em doze meses, o aumento nos preços chegou a 7,70%, o maior em quase dez anos e acima do teto da meta do governo, que é 6,5%.

Em fevereiro, o litro da gasolina ficou acima de R$ 3 em todas as 13 regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. Segundo especialistas e representantes dos postos de gasolina, o aumento do combustível é explicado pela elevação do PIS/Cofins, como parte do pacote de aumento de tributos do governo para elevar a arrecadação, pela volta da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), pela recomposição de margem de lucro das empresas revendedoras e pela greve dos caminhoneiros, que prejudicou o abastecimento em diversas regiões do país, reduzindo os estoques.

Os preços do litro de gasolina eram inferiores a R$ 3 em janeiro. O que vimos em fevereiro é que nenhuma região tem preço médio do litro menor que R$ 3,10. Vai de R$ 3,10 em São Paulo a R$ 3,53 em Salvador. Em janeiro, o preço em São Paulo era de R$ 2,89 e em Salvador, de R$ 3,10 - explicou Eulina Nunes, coordenadora de índice de preços do IBGE.

No Rio, destacou o IBGE, o preço médio do litro era de R$ 3,21 em janeiro e passou a R$ 3,38 em fevereiro - alta de 5,29%.

Diesel e etanol sobem

Além da gasolina, o preço do diesel (que também sofreu com o aumento das alíquotas do PIS/Cofins) subiu 5,32% em fevereiro. O etanol (álcool) seguiu o movimento e ficou 7,19% mais caro. Com a disparada dos preços dos combustíveis, o consumidor também sentiu no bolso o custo maior do transporte - o grupo teve alta de 2,2% e impacto de 0,41 ponto percentual no IPCA.

Maria Aparecida Schneider, presidente do Sindicomb Rio, que reúne os postos, lembra ainda que o ICMS incide sobre o preço cheio do combustível, que ficou mais caro por conta da alta nos tributos.

Assim, o ICMS acabou tendo peso ainda maior nos preços. E hoje o Rio conta com a maior alíquota no país, de 31% sobre cada litro vendido, acima da média de 25% nos outros estados do país - explicou Maria Aparecida.

Já, de acordo com levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em mais de oito mil postos, o preço da gasolina subiu 8,19% no Estado do Rio entre janeiro e março, para R$ 3,448. No Brasil, o avanço foi de 9,45%, para R$ 3,325, no mesmo período de comparação. Foi um percentual maior que os 7% esperados pelo próprio governo:

O governo esqueceu de considerar, na conta dos 7%, o aumento do ICMS sobre a gasolina. A alíquota se manteve a mesma, mas, como a base de impostos aumentou, a arrecadação teve incremento. Um aumento puxou o outro - aponta Leonardo França Costa, economista da consultoria Rosenberg Associados.

O especialista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), destacou ainda a busca por margens maiores das empresas revendedoras.

Houve avanço no custo da energia elétrica e das despesas em geral no país. É natural que os preços aumentem em velocidade maior para que o empresário recupere sua margem. O diesel, principal combustível da matriz rodoviária, também teve forte aumento em seu preço, mas não pesa tanto na composição do IPCA.

Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, destaca o aumento generalizado de custos para o setor:

Em parte tem o efeito da greve dos caminhoneiros, mas também há o efeito de uma aceleração inflacionária mais grave, como insumo, câmbio e salário. Assim como a indústria, os serviços perderam muita margem nos últimos anos.

Especialistas, no entanto, apostam que a gasolina pode ter mais reajustes, já que a cotação do dólar atingiu ontem a maior cotação em oito anos, a R$ 3,05.

Em janeiro, a Petrobras comprava os combustíveis mais baratos no exterior, por conta da queda no preço do petróleo, e vendia aqui no Brasil 68% mais caros. Agora, com o dólar alto, não há mais essa diferença, e a Petrobras terá de rever seus preços - disse Pires.

Alimentos também em alta

Diante da alta de preços maior que a esperada em fevereiro, bancos e consultorias revisaram para cima as projeções do IPCA em 2015. Na LCA Consultores, a estimativa passou de 7,80% para 8%. Na Fator Corretora, subiu de 7,56% para 8%.

O patamar da inflação mudou e em grande parte de 2015 vai ficar acima dos 8% em doze meses - aponta Fábio Romão, economista da LCA Consultores.

Além dos combustíveis, o IBGE destacou que os preços dos alimentos se mantêm elevados, apesar da desaceleração registrada no mês passado - o grupo alimentos e bebidas passou de aumento de 1,48% em janeiro para 0,81% em fevereiro.

No Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Goiânia, a alta no preço dos alimentos já ultrapassa a casa dos dois dígitos. Está bem mais caro fazer as refeições - afirmou Eulina, do IBGE.

Ela destacou que os preços dos alimentos no país subiram 8,99% nos doze meses encerrados em fevereiro. No Rio, a alta foi de 11,25%. Goiânia teve a maior alta no preço de alimentos no resultado acumulado em doze meses, de 13,12%. Já em Porto Alegre, 10,12%.

Segundo especialistas, os preços de alimentos vêm sendo afetados pela seca, que atinge muitas regiões do país e prejudica alimentos mais sensíveis, como hortaliças. A carne também é uma pressão, já que a Rússia ampliou as compras de carne brasileira diante das restrições comerciais impostas por EUA e Europa. Em fevereiro, os preços de alimentos tiveram um impacto adicional: a valorização do dólar. (O Globo 07/03/2015)

 

Agronegócio do lado do sol

Mesmo com a ocorrência de eventos climáticos negativos (falta ou excesso de chuvas) em varias regiões, a safra de verão será bastante boa. A última estimativa da Conab, de 15 de fevereiro passado, ajustada pela MB Agro, projeta uma produção de 142 milhões de toneladas, aproximadamente 3% maior do que o ano passado.

O setor de carnes passa por um bom momento, especialmente, na área de carne bovina; aí, verificamos um aumento persistente na demanda internacional, a qual deverá ser reforçada por maiores importações da China. No mercado interno, o consumo per capita cresceu mais de 10% entre 2012 e 2014, o que resulta na sustentação de bons preços para a cadeia como um todo, na verdade os melhores dos últimos anos. Ademais, a pecuária de corte vem mostrando uma melhoria persistente na produtividade, dos pastos e do rebanho, fruto de importantes investimentos em tecnologia e manejo.

Na área de cana temos algumas notícias positivas decorrentes da recriação do imposto ambiental (Cide) e da elevação da mistura de etanol na gasolina para 27%. Finalmente, anuncia-se a retomada de leilões de bioeletricidade. Com isso, as perspectivas do setor sucroalcooleiro são as melhores dos últimos anos.

As outras atividades também mostram desempenho bastante razoável. A safra de café é pelo menos igual à do ano passado e, embora os preços tenham caído recentemente, eles são muito melhores do que aqueles de algum tempo atrás. A produção florestal continua se elevando. Algumas atividades vêm sofrendo com problemas na oferta decorrentes de doenças ou das dificuldades climáticas, como é o caso do próprio café, dos hortigranjeiros e da laranja, que, ainda assim, mostrará uma importante elevação na produção de suco na safra 14/15, de mais de 30%. A única cultura relevante com redução na área cultivada (11%) é o algodão. Entretanto, mesmo neste caso, a evolução da cultura está tão boa que é provável que a produção nem sequer caia.

Entretanto, considerada como um todo, a agropecuária deverá apresentar um crescimento próximo a 3% no seu PIB. Este é o único resultado positivo, junto com a esperada elevação da produção de petróleo, na nossa projeção de crescimento para este ano. Observe-se que, ao contrário da agropecuária, a cadeia do petróleo está sofrendo terrivelmente com a situação da Petrobrás. Na mesma direção, projetamos uma significativa queda nas atividades industriais e de construção, e uma estabilidade no setor de serviços. No final, o PIB de 2015 deverá se contrair, e de fato a agropecuária é o único setor relevante da economia brasileira a estar do lado do sol e a crescer.

Além da mencionada evolução da produção, os preços em reais para os produtos agrícolas estão em patamares bem decentes, especialmente tendo em vista as expressivas quedas nas cotações internacionais dos últimos meses. Os preços em dólares de soja e algodão caíram algo como 30%, enquanto os do milho e suco de laranja contraíram aproximadamente 20%.

Obviamente, estamos mencionando o impacto positivo para o setor da forte desvalorização recente do real ante o dólar. Em reais, os preços do mercado nacional são, atualmente, maiores que no início de março do ano passado nos casos do arroz, frango, boi gordo e suíno. Os preços do açúcar e do café são praticamente os mesmos, enquanto milho e soja mostram cotações 10% menores. Algodão e trigo caem mais de 20%.

Como a produção será maior, José Garcia Gasques, do Ministério da Agricultura, calcula o Valor Bruto da Produção, semelhante ao do ano passado, resultado muito positivo quando comparado com a crise do resto da economia.

Alguns poderiam argumentar que os custos também sobem com a desvalorização do real. Embora isso seja verdade, o é apenas em parte. Isso porque, com a queda do petróleo, alguns preços caíram no mercado internacional, notadamente fretes e fertilizantes nitrogenados. Desde setembro, o Índice de Fretes do Báltico, o indicador mais utilizado para cargas secas, recuou nada menos que 50%! Ureia caiu 20% e nafta, que influencia a cadeia do plástico, mais que 60%.

Mesmo que nem tudo seja repassado aos preços em reais, o efeito positivo sobre as margens é inequívoco. Ademais, muitos custos do setor agrícola são fixados em reais e não respondem diretamente às variações da cotação do dólar. Falo aqui de salários, aluguéis indexados ao IGPM, etc. Outros custos, como fretes rodoviários, até caíram, como revelou a recente greve dos caminhoneiros.

O resultado inequívoco é que, em geral, as margens no setor se mantiveram e, dependendo do dólar, até podem se elevar. Lembremo-nos que o setor comprou seus insumos de maio a setembro com um dólar na faixa de R$ 2,30 e vai vender seus produtos na faixa de R$ 3,00.

Isso não quer dizer, entretanto, que não existam dificuldades de diversas ordens: as limitações de infraestrutura se mantêm, muitos serviços públicos (como defesa sanitária e abertura de mercados) deixam a desejar e outros.

Uma visão mais geral mostra, sem dúvida, que o agronegócio é fundamentalmente beneficiado pela desvalorização de nossa moeda. Isso decorre do fato de que falamos de um segmento competitivo e aberto ao resto do mundo e que tem na inovação tecnológica e na melhoria de produtividade o centro de seu modelo de negócios.

Essa é uma lição que seria muito útil para outros segmentos da economia brasileira, especialmente a indústria.

Na elaboração deste artigo abusei da paciência e da competência da equipe da MB Agro, em particular a de Ana Laura Menegatti, a quem agradeço. (O Estado de São Paulo 08/03/2015)

 

Albioma pretende atingir Ebitda de até 130 milhões de euros em 2015

SÃO PAULO - A francesa Albioma, que no Brasil controla uma unidade de cogeração de energia a partir do bagaço de cana, pretende gerar em 2015 um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) entre 126 milhões e 130 milhões de euros, ante os 125,6 milhões de euros de Ebitda registrados em 2014.

No ano passado, a companhia teve uma receita líquida de 354 milhões de euros, queda de 3% em relação a 2013. O Ebtida, no entanto, cresceu 2%, para 125,6 milhões de euros na mesma comparação.

Em nota, a companhia afirmou que a termelétrica Rio Pardo deu uma forte contribuição em 2014 amenizando o impacto no resultado de incidentes técnicos nas unidades de Ilha da Reunião e Guadalupe no primeiro semestre do ano.

O resultado líquido da francesa em 2014 aumentou 18%, para 38 milhões de euros, valor que exclui pagamentos retroativos, itens não recorrentes e ganhos com realização de ganhos do negócio de energia eólica em 2013.

A companhia reafirmou seu plano de investir no período de 2013 a 2023 cerca de 1 bilhão de euros, principalmente em projetos de energia renovável.

No ano passado, a Albioma adquiriu a cogeração da usina Rio Pardo, localizada no município paulista de Cerqueira César e com potência instalada de 60 Megawatts (MW). (Valor Econômico 06/03/2015 às 17h: 56m)

 

Pronunciamento de Dilma na TV gera panelaço em 12 capitais do país

Ela culpou crises internacional, climática e diz que é preciso mudar 'método'.

Durante o pronunciamento, houve protestos em algumas cidades do país.

Em pronunciamento à nação em cadeia de rádio e televisão na noite deste domingo (8), por ocasião do Dia da Mulher, a presidente Dilma Rousseff admitiu que o Brasil passa por dificuldades, consequências da crise financeira mundial e da "maior seca" da história", e pediu paciência aos brasileiros. Disse ainda que o governo absorveu, até o ano passado, todos efeitos negativos da crise e que "agora" tem "que dividir parte deste esforço com todos os setores da sociedade".

"Entre muitos efeitos graves, esta seca tem trazido aumentos temporários no custo da energia e de alguns alimentos. Tudo isso, eu sei, traz reflexos na sua vida. Você tem todo direito de se irritar e de se preocupar. Mas lhe peço paciência e compreensão porque esta situação é passageira", declarou. Segundo ela, o Brasil tem condições de vencer os "problemas temporários", e afirmou que a vitória "será ainda mais rápida se todos nós nos unirmos neste enfrentamento”.

De acordo com a presidente, "todos efeitos negativos" da crise financeira foram absorvidos pelo governo, até o ano passado, por meio de reduções de impostos para estimular a economia e favorecer a geração de empregos. Acrescentou que não havia como prever que a crise duraria "tanto" e que viria acompanhada de "grave crise climática".

"Absorvemos a carga negativa até onde podíamos e agora temos que dividir parte deste esforço com todos os setores da sociedade. É por isso que estamos fazendo correções e ajustes na economia", afirmou, acrescentando que um ajuste semelhante foi feito no início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003.

Protestos

Gritos, vaias, panelas batendo e buzinas foram ouvidos em algumas cidades do país na noite de domingo durante o discurso da presidente Dilma Rousseff em rede nacional de televisão.

Em São Paulo, isso aconteceu em bairros como Aclimação, Pinheiros, Santana, Vila Leopoldina, Brooklin, Vila Mariana, Perdizes, Moema, Itaim Bibi e Morumbi; em Brasília, em Águas Claras, no Sudoeste, em Guará, nas Asas Norte e Sul e Eixo Monumental; no Rio de Janeiro, no Recreio dos Bandeirantes e em Ipanema; em Goiânia, no Jardim Goiás, no Alto da Glória, em Bueno, em Bela Vista, em Pedro Ludovico e Marista; em Curitiba, no Batel, Água Verde e Bigorrilho; em Vitória, na Praia do Canto e Mata da Praia; em Vilha Velha (ES) na Praia da Costa e Itapuã; em Belo Horizonte, nas regiões Centro-Sul; Noroeste e Oeste.

O panelaço registrado nessas cidades foi uma resposta à convocação que circulou neste domingo nas redes sociais, convidando as pessoas para protestar durante a fala da presidente.

Os vídeos ao lado mostram que em partes dessas cidades a convocação para o panelaço foi atendida.

Crise financeira

Ainda durante o pronunciamento, Dilma afirmou que o mundo passa pela segunda etapa de combate à "mais grave crise internacional desde a grande depressão de 1929". "E, nesta segunda etapa, estamos tendo que usar armas diferentes e mais duras daquelas que usamos no primeiro momento", declarou a presidente.

Disse ainda que a crise afetou "severamente" grandes economias, como os Estados Unidos, a União Européia, o Japão e "até mesmo a China”.

Segundo ela, o Brasil foi um dos países que melhor reagiram em um primeiro momento da crise financeira internacional e, neste momento, está "implantando as bases para enfrentar a crise e dar um novo salto no seu desenvolvimento". Ela afirmou que, pela primeira vez na história, o Brasil enfrenta a crise sem "quebra financeira e cambial" e, ao mesmo tempo, preservando e aumentando o emprego e o salário.

Novo 'método' contra a crise

Segundo Dilma, após o governo ter absorvido nos últimos anos todos efeitos negativos da crise com reduções de impostos para estimular a atividade e o emprego, houve uma escolha por "mudar de método e buscar soluções mais adequadas ao atual momento". "Mesmo que isso signifique alguns sacrifícios temporários para todos e críticas injustas e desmesuradas ao governo", afirmou.

Nos últimos meses, para reequilibrar as contas públicas, que tiveram o pior resultado da história em 2014, o governo subiu tributos sobre combustíveis, automóveis, cosméticos, empréstimos e sobre a folha de pagamentos. Para combater a alta da inflação, que está pressionada neste ano principalmente aumento de tarifas públicas, como energia elétrica e gasolina, e também pela disparada do dólar, o Banco Central já promoveu quatro aumentos seguidos nos juros, que estão no maior patamar em seis anos.

Além disso, informou que não fará mais repasses à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) - o que impactará a conta de luz, que, segundo analistas, pode ter aumento acima de 40% neste ano - limitou benefícios sociais, como seguro-desemprego e abono salarial, e reduziu gastos de custeio e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Economistas já preveem a maior contração do Produto Interno Bruto (PIB) em 25 anos e não afastam a possibilidade de nova recessão neste ano. No pronunciamento à nação, a presidente Dilma admitiu que espera "uma primeira reação [da economia]" no final do segundo semestre deste ano.

De acordo com a presidente da Repúblcia, as medidas são necessárias para "sanear as nossas contas e, assim, dar continuidade ao processo de crescimento com distribuição de renda, de modo mais seguro, mais rápido e mais sustentável”.

Petrobras

A presidente avaliou ainda que este esforço "tem que ser visto como mais um tijolo, no grande processo de construção do novo Brasil".

"Esta construção não é só física, mas também espiritual. De fortalecimento moral e ético. Com coragem e até sofrimento, o Brasil tem aprendido a praticar a justiça social em favor dos mais pobres, como também aplicar duramente a mão da justiça contra os corruptos. É isso, por exemplo, que vem acontecendo na apuração ampla, livre e rigorosa nos episódios lamentáveis contra a Petrobras", afirmou.

Nova lei para as mulheres

Dilma anunciou ainda que sancionará, nesta segunda-feira (9), a Lei do Feminicídio, que transforma em crime hediondo, o assassinato de mulheres decorrente de violência doméstica ou de discriminação de gênero. Em sua visão, este é "um novo passo no fortalecimento da justiça, em favor de nós, mulheres brasileiras". (G1 09/03/2015)

 

Commodities Agrícolas

Laranja: Perda de sustentação: Após duas sessões seguidas em alta, o suco de laranja perdeu sustentação na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os lotes com entrega em maio fecharam com perdas de 325 pontos, a US$ 1,1590 por libra-peso - o menor valor em mais de dois anos. O suco vinha em recuperação desde a queda de 7 ,53% na terça-feira, mas fundamentos baixistas voltaram a pesar. Além do clima favorável na Flórida e também em São Paulo, a contínua redução no consumo da bebida pressiona as cotações. Pesquisa da consultoria Nielsen, divulgada pelo Departamento de Citros da Flórida, indicou uma redução de 10% nas vendas da bebida no varejo dos EUA nas quatro semanas encerradas em 14 de fevereiro. No mercado spot de São Paulo, a laranja para indústria permaneceu estável, a R$ 10,60 por saca.

Algodão: Tensão com demanda: Em meio a temores com a demanda, os contratos de algodão para maio encerraram a sexta-feira com perdas de 26 pontos na bolsa de Nova York, a 62,97 centavos de dólar por libra-peso. Na quinta-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que foram cancelados contratos de exportação do país, que levaram a um saldo líquido negativo de 13,60 mil toneladas da pluma na semana até 26 de fevereiro. No fim do mês passado, a commodity subiu ao maior valor em cinco meses, impulsionada por compras especulativas e pela expectativa de demanda aquecida pela fibra dos EUA. Mas a alta de preços desestimulou os compradores. No oeste da Bahia, a arroba foi negociada a R$ 56,87 na sexta-feira, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Milho: Influência externa: O milho devolveu na sexta-feira os ganhos da sessão anterior na bolsa de Chicago. Os lotes para maio fecharam em queda de 4,50 centavos, a US$ 3,86 por bushel. Dados do Departamento de Trabalho dos EUA indicaram que a criação de vagas de trabalho no país em fevereiro ficou acima da expectativa, o que ajudou a elevar o dólar e a pressionar o petróleo - dois fatores negativos para os preços de commodities, como o milho. O dólar alto encarece o grão dos EUA para os compradores estrangeiros, levando-os a buscar ofertas mais baratas. Já a baixa do petróleo desencoraja a mistura de aditivos à gasolina - caso do etanol, feito de milho nos EUA. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos ficou em R$ 29,42 na sexta-feira, uma queda de 0,07 %.

Trigo: Dia de recuperação: O trigo recuperou-se na bolsa de Chicago na sexta-feira, depois de atingir o menor nível de preços em cinco meses no pregão anterior. Os lotes para maio fecharam em alta de 2 centavos, a US$ 4,8250 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento subiram 5,25 centavos, a US$ 5,2225 por bushel. Com o dólar valorizado, muitos compradores passaram a evitar o trigo americano, em busca do produto mais barato em outras origens. A presença de altos níveis de toxinas no trigo dos EUA também trouxe tensão ao mercado, mas analistas disseram que as entregas do cereal continuaram, o que indica que há compradores interessados no produto de menor qualidade. No Paraná, a saca de 60 quilos recuou 0,19%, a R$ 31,31, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 09/03/2015)