Setor sucroenergético

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Evaporação: José Pessoa deve deixar presidência da CBAA

O empresário José Pessoa, ao que parece, cansou de assinar os seguidos e pouco exitosos, planos de reestruturação da Companhia Brasileira de Álcool e Açúcar (CBAA).

Deve deixar a presidência do grupo sucroalcooleiro e se restringir ao Conselho de Administração. (Jornal Relatório Reservado 10/03/2015)

 

Chegou a vez da cana estrangular a gasolina

Na queda de braço entre o etanol e a gasolina, o primeiro round em 2015 é do etanol. Depois de dois anos e meio apanhando nas bombas de postos, o biocombustível ganhou forças para competir, com o retorno da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), no mês passado. O imposto encarece em R$ 0,22 o litro da gasolina e faz com que o etanol fique mais atraente ao consumidor. Além disso, está previsto o aumento da parcela de etanol na mistura com a gasolina, dos atuais 25% para 27%.

A volta do estímulo do consumo do etanol fazia parte de um pacote de reivindicações do setor sucroenergético, mergulhado numa dívida de R$ 70 bilhões. No entanto, mesmo com as conquistas recentes, ainda há muito chão pela frente, pois isoladas essas medidas não garantem a saída da crise. "O retorno do imposto foi importante", diz a economista Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). "E apesar de não ser suficiente para tirar o setor do vermelho, já melhorou o quadro de muitas indústrias, que passaram a cobrir os custos de produção".

Segundo Elizabeth, para que o setor volte a crescer, o governo tem de definir regras de preço da gasolina e políticas de longo prazo sobre papel do etanol na matriz energética do País. Com uma diferença de R$ 0,06 frente aos R$ 0,28 cobrados quando foi zerada, em junho de 2012, a atual Cide pode produzir ganhos de até R$ 4,68 bilhões no ano. "Isso vai depender muito do fluxo de preços no mercado", afirma Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, especializada na análise de mercado do setor sucroenergético. "Mas, nesse momento, ela tinha de ser maior". Na visão do consultor, a cobrança deveria chegar a R$ 0,43 por litro. "O problema é que a inflação foi correndo e a gasolina não acompanhou isso em mais de uma década", diz.

De janeiro a outubro do ano passado, por exemplo, o preço da gasolina ao consumidor final aumentou somente 0,14%, fechando em R$ 2,96 por litro, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Isso agravou a situação do etanol, que ficou estagnado. Para Nastari, a saída para garantir a retomada da competitividade do etanol, é uma definição, de parte do governo, de regras para a formação de preços dos combustíveis no País. "Do jeito que está o mercado só alimenta incertezas e não garante investimentos", diz Nastari.

Além de uma política clara de preços, é preciso também que o governo sinalize qual a participação destinada ao etanol na matriz energética brasileira. Segundo a presidente da UNICA, essa definição permitiria à indústria adaptar-se à demanda do mercado. "Quanto mais tempo levam para tomar essa decisão, mais longe ficam as condições do setor em atender a demanda, pois a retomada dos investimentos na capacidade de moagem não é imediata", diz Elizabeth. De 2008 para cá, cerca de 80 usinas já fecharam as portas no Brasil, comprometendo a capacidade de moagem da cana-de-açúcar. Das atuais 389 indústrias, 67 estão em recuperação judicial.

Para a gigante Raízen, o maior grupo do setor de açúcar e etanol, com 24 usinas e moagem de 66 milhões de toneladas por ano, o retorno da Cide também explicita o apelo sustentável do etanol. Segundo o engenheiro de produção, Pedro Mizutani, vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen, de acordo com o senso comum, o etanol só compensa caso seu preço final fique abaixo de 70% do da gasolina.

"No entanto, o consumidor esquece que o etanol polui menos, o que favorece o meio ambiente". Otimista com o impacto das medidas anunciadas, Mizutani diz que elas reforçam a decisão da Raízen de investir R$ 200 milhões numa usina etanol 2G, em Piracicaba (SP).

Na mesma linha, Jacyr da Silva Costa Filho, diretor da divisão Brasil da Tereos Internacional, com sete indústrias e 21 milhões de toneladas processadas, diz que o cenário para o setor ficou mais otimista com anúncios beneficiando o etanol.

"Além da Cide e do aumento da mistura do etanol na gasolina, a proposta do governo de Minas Gerais de diferenciar tributariamente os dois combustíveis anima ainda mais o setor", diz Costa Filho. O Estado aumentou a alíquota do ICMS da gasolina, de 27% para 29%, e diminuiu a do etanol, de 19% para 14%. "Esperamos que isso seja consolidado", diz Costa Filho. (Revista Dinheiro Rural 06/03/2015

 

Alta da gasolina começa a favorecer venda de etanol

Concorrente da gasolina C nos tanques dos carros flex fuel que rodam no país, o etanol hidratado tende a tornar essa disputa ainda mais acirrada em 2015.

O aumento dos preços do combustível fóssil desde 1º de fevereiro começou a provocar uma reação perceptível por parte dos motoristas, que já recorrem mais ao biocombustível para "completar"o tanque de seus veículos.

O mercado estima que, até o fim de março, o "market share"do hidratado no Estado de São Paulo, maior consumidor de combustíveis do país, deverá atingir 50%, ante os 41% estimados para 2014.

O recorde histórico foi em 2009, quando o etanol representou 56% do mercado do Ciclo Otto (que inclui gasolina e hidratado).

Ainda não há ainda dados oficiais sobre essa divisão no mês de fevereiro.

Mas, conforme Luciano Libório, diretor de abastecimento e regulamentação do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), a volta da incidência da Cide sobre a gasolina - que significou um acréscimo de R$ 0,22 por litro no preço na refinaria - já provocou uma migração da demanda para o hidratado.

"A percepção é que ela ocorreu, mas ainda não fechamos os números".

Ainda que o etanol também tenha ficado mais caro ao consumidor final na esteira da alta da gasolina, o impacto dos reajustes do derivado fóssil falou mais alto ao consumidor, dizem especialistas.

Nos postos de combustíveis de São Paulo, o preço médio do litro da gasolina C, que estava em R$ 2,908 em meados de janeiro (antes do anúncio da volta da Cide) ficou em R$ 3,17 7 entre 1º e 7 de março, segundo pesquisa da ANP.

Um aumento, portanto, de R$ 0,27 por litro. Mas a ANP identificou o teto de R$ 3,499 em alguns postos.

Nas estimativas da comercializadora de etanol SCA Trading, no mês de fevereiro esse deslocamento de demanda causada pela alta da gasolina significou de 4 a 5 pontos percentuais de "market share"a favor do etanol - o que significa um aumento de consumo mensal de 260 milhões a 300 milhões de litros, considerando como base o consumo de etanol registrado em janeiro deste ano em todo o país, que foi de 1,251 bilhão de litros, segundo a ANP.

Responsável por 60% da demanda nacional por etanol hidratado, o Estado de São Paulo deverá liderar, mais uma vez, o avanço do etanol sobre a gasolina.

Após o recorde de 2009, a participação do biocombustível no mercado paulista declinou até 2012, quando chegou a 36%.

Desde então vem esboçando alguma recuperação. Em 2013, subiu para 39%, e em 2014 bateu em 41%, nas contas do diretor da trading de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

"Em janeiro, esse percentual já foi a 45% em São Paulo. Em fevereiro ou março, essa participação vai a 50%", estima o especialista.

Em linhas gerais, o consumidor opta por abastecer com etanol hidratado quando seu preço equivale, nos postos, a menos de 7 0% do preço da gasolina.

Esse parâmetro, atualmente o mais aceito pelo mercado, foi estabelecido com base na eficiência energética do biocombustível, que é equivalente a 7 0% do desempenho do concorrente fóssil.

Nos últimos 12 meses, essa vantagem deu o tom em quatro Estados brasileiros, além de São Paulo, em Goiás, Mato Grosso e Paraná.

Deverá fazer parte do grupo o Estado de Minas Gerais, onde entra em vigor neste mês a redução da alíquota de ICMS do etanol hidratado de 19% para 14%, além da elevação da alíquota da gasolina de 27 % para 29%.

"Com o diferencial tributário de 15 pontos, o consumo de hidratado no Estado tem potencial para dobrar dos atuais 7 50 milhões de litros para 1,5 bilhão de litros por ano"; calcula o presidente do Sindicato das Indústrias Sucroenergéticas de Minas, Mário Campos. Em 2014, o mercado de combustíveis do Ciclo Otto cresceu 7 ,7 %.

O mercado estima que, mesmo com a desaceleração da economia brasileira em 2015, a demanda por esses combustíveis vá aumentar ao menos 4% neste ano.

"A previsão é que a frota flex cresça 8%. Menos que em 2014, mas ainda um aumento expressivo.

Assim, se o etanol tiver a mesma paridade com a gasolina que teve em 2014, o mercado será 8% maior", diz o sócio da consultoria FG Agro, Willian Hernandes.

A velocidade do repasse da queda dos preços na usina ao consumidor final também pesará na conta.

"Os preços na usina em São Paulo caíram de R$ 1,30 para R$ 1,210 por litro. Se esse recuo tivesse sido repassado ao consumidor final, a paridade com a gasolina, atualmente em 66%, seria de 61%, o que potencialmente poderia dobrar o consumo do biocombustível", afirma Hernandes. (Valor Econômico 10/03/2015)

 

SEP aprova investimento da Rumo e antecipa prorrogação de contrato

A Secretaria de Portos (SEP) aprovou, no fim da semana passada, o plano de investimentos da Rumo para unificar os terminais da empresa no porto de Santos (SP) e antecipar a prorrogação do arrendamento.

O terminal é a principal porta de saída do açúcar exportado pela empresa, que pertence ao grupo Cosan.

Em troca, a Rumo se compromete a investir R$ 315 milhões na expansão da capacidade de movimentação da instalação, que sairá de 10 milhões de toneladas para 14 milhões de tonelada ao ano.

A aprovação do plano de investimentos é uma das etapas do processo de reequilíbrio do contrato dos três terminais arrendados pela Rumo no cais santista

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), reguladora do setor, dará continuidade à análise do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), entregue em março de 2014, para a unificação e prorrogação dos contratos.

Na sequência, o processo deve retornar à SEP para a elaboração do aditivo que unificará as operações e estenderá o arrendamento até 2036. A SEP não estimou data para assinar o aditivo.

Dois dos três contratos foram firmados em 1996 e o outro, em 2001.

Todos são válidos por 20 anos e podem ser prorrogados uma única vez pelo mesmo período.

O aporte de R$ 315 milhões será usado, principalmente, para integrar fisicamente os terminais, "permitindo o melhor equilíbrio entre recepção, armazenagem e embarque e a melhoria da capacidade e produtividade com foco no aumento de participação do transporte por ferrovia", informou a empresa ao Valor, por meio de nota.

O terminal da Rumo tem a maior oferta de acesso ferroviário no porto. Criada para fazer a logística do açúcar para exportação, a Rumo se tornou uma empresa multimodal.

Atua na armazenagem de contêineres e carga geral e embarca outros granéis, além de transportar fertilizantes.

Atualmente opera sete terminais de transbordo, além do terminal marítimo em Santos.

Enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) não libera os editais para a licitação dos arrendamentos portuários, o governo segue apostando na antecipação das renovações dos contratos vigentes, os pós-1993, para deslanchar investimentos no setor.

Até agora, assinou dois aditivos: da Ageo e da ADM, cujos terminais movimentam granéis líquidos e sólidos, respectivamente, em Santos. (Valor Econômico 10/03/2015)

 

Cargill é a empresa que mais tem bilionários no mundo todo

A Cargill é hoje a maior empresa privada dos Estados Unidos, com 75 negócios diferentes, 143.000 funcionários e presença em mais de 67 países.

Com sede em Minnesota e faturamento estimado de 134 bilhões de dólares anuais, a companhia é hábil em enxergar oportunidades. E em gerar bilionários.

A família Cargill, que controla 88% do conglomerado agrícola criado em 1865, conta hoje com 14 bilionários na lista da Forbes, divulgada nesta semana.

O número é maior do que qualquer outra família no mundo e inclui James Cargill II, Austen Cargill II e Marianne Liebmann.

Aliás, se a Cargill fosse um país ela teria o mesmo número de bilionários de países como a Suécia e Israel, aponta a publicação.

E, quanto mais os negócios vão bem, mais os herdeiros recebem. E o negócio ainda tem muito que prosperar.

A companhia é hoje a terceira maior fornecedora de peru e oitava de carne suína do mundo, além de uma das maiores fornecedoras do McDonald´s (Agência Estado 05/03/2015)

 

Grupo Ruette deve retirar pedido de recuperação judicial

O grupo sucroalcooleiro Ruette, que entrou com um pedido de recuperação judicial na última semana de fevereiro, está negociando um acordo com credores para suspender o pedido de proteção judicial que fez à Vara de Monte Azul Paulista (SP).

Conforme o advogado contratado pela empresa, Joel Thomaz Bastos, do escritório Dias Carneiro Advogados, esse acordo, que deve ser assinado ainda hoje pela manhã, inclui a suspensão por 90 dias de qualquer contestação de dívida por parte dos credores.

Dentro desse prazo (que deverá ser prorrogável por mais 90 dias), as duas usinas de cana da companhia, localizadas em São Paulo, serão colocadas à venda para pagamento dos credores.

Conforme Thomaz Bastos, as terras do grupo não serão incluídas no acordo.

No mercado, estima-se que as duas usinas da empresa, que somam capacidade de moagem de 3,6 milhões de toneladas por safra, possam ser vendidas por cerca de R$ 600 milhões - o valor da dívida bancária.

As terras (mais 2 mil hectares cultivados com cana-de-açúcar) são avaliadas em cerca de R$ 120 milhões.

A principal usina do grupo, situada no município de Paraíso, processa 2,3 milhões toneladas de cana por safra, produz açúcar e etanol e cogera energia a partir do bagaço.

Está localizada na mesma região de unidades de outras empresas do segmento, como a asiática Noble e a Guarani (Tereos Internacional). Conforme especialistas, a melhor solução é, de fato, a venda dos ativos.

Acredita-se que o pedido de recuperação judicial do grupo Ruette, que pegou os credores de surpresa, tenha fechado todas as portas dos bancos para a companhia mesmo que não siga adiante.

Controlada pelo octagenário Antonio Ruette de Oliveira, o grupo pediu recuperação judicial menos de 20 dias após receber recursos de credores que haviam analisado o balanço auditado da empresa sem perceber sinais de falta de liquidez.

Por isso, os mais de 25 bancos e fundos que integram a carteira de credores resolveram acionar a Justiça para impedir que o pedido fosse aceito.

Também pesou negativamente sobre a imagem do grupo o cancelamento de contratos de exportação de açúcar que haviam sido dados como garantia de empréstimos.

Diante de contestações dos credores, o juiz da Vara de Monte Azul determinou perícia nos dados apresentados pela Ruette.

O perito concluiu que a recuperação era cabível. Foi quando o acordo começou a ser costurado.

Conforme Domício dos Santos Neto, do Santos Neto Advogados, a Justiça já foi informada do andamento do acordo. (Valor Econômico 10/03/2015)

 

STF: Lei municipal contra queima da palha de cana é inconstitucional

O Supremo Tribunal Federal (STF), julgou na quinta-feira (05/03) como inconstitucional a Lei 1.952/1995 da cidade de Paulínia (SP), que proíbe a queima da palha de cana-de-açúcar em seu território. Segundo a decisão, o município deve acatar as normas ambientais já estabelecidas pelo Estado e pela União. A causa teve sua repercussão geral reconhecida, com isso os demais processos com características similares terão o mesmo entendimento.

Segundo o relator da ação, o ministro Luiz Fux, a legislação federal, através do Código Florestal, já determina uma política nacional para utilização do fogo como prática agrícola. Em nível estadual, o Decreto Estadual 2.661/98, de forma complementar, regulamenta a queima como prática agrícola, prevendo a substituição gradativa dessa prática pela mecanização da colheita. Sendo assim, o Supremo entendeu que o município poderia apenas complementar a legislação, mas não anular as já existentes.

“A solução de Paulínia é contrária ao planejamento federal e não passa pelo controle da sua razoabilidade”, declarou Fux. O ministro afirmou ainda que a proibição da queima precisa ser gradativa e considerar fatores socioambientais, como a realocação dos trabalhadores e o impacto negativo que a utilização de máquinas gera ao meio ambiente.

Para a advogada que representou o setor sucroenergético na ação, Dra. Ângela Maria da Motta Pacheco, o impacto do precedente estabelecido pelo STF é enorme, pois se aplica em nível nacional a toda matéria de direito ambiental. “Os municípios devem respeitar a legislação estadual e federal em matéria ambiental, dando aos produtores maior segurança jurídica,” destacou a advogada.

Mecanização em curso

O Estado de São Paulo fechou a safra 2013/2014 com 83,7% das áreas destinadas à cultura da cana colhidas com máquinas, sem o uso do fogo. Com a redução, 26,7 milhões de toneladas de poluentes deixaram de ser emitidas, assim como 4,4 milhões de toneladas de gases de efeito estufa (GEEs), algo equivalente à emissão anual de 77,5 mil ônibus movidos a diesel.

Graças ao Programa Etanol Verde, uma vertente do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, que determina, entre outros aspectos, a antecipação voluntária dos prazos legais para o fim da queima controlada nos canaviais paulistas, a cana colhida com o uso do fogo caiu de 27,4%, na safra 2012/2013, para 16,3% na safra 2013/2014, o que corresponde a uma área de cerca de 780 mil hectares.

“As signatárias do Protocolo são responsáveis, hoje, por 94% da produção paulista e 48% da produção nacional de etanol. Se considerarmos apenas os canaviais controlados por usinas, a colheita da cana-de-açúcar já é realizada de forma mecanizada em praticamente 100% dessas áreas. É importante ressaltar que os resultados do Protocolo Agroambiental não evidenciam apenas o sucesso de um programa de adesão voluntária para mecanização, mas o comprometimento do setor sucroenergético com a adoção e desenvolvimento das melhores práticas de sustentabilidade para sua cadeia produtiva,” destacou a advogada da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Renata Camargo. (Unica 09/03/2015)

 

Demanda por milho aumentará nos próximos anos

Infraestrutura brasileira é o principal entrave para o setor, segundo 7º Fórum Nacional do Milho.

A cultura do milho possui uma perspectiva positiva nos próximos anos no âmbito nacional e internacional, por conta da expectativa de aumento da demanda por proteína animal no mercado doméstico e internacional.

No entanto, a situação precária da infraestrutura no país ainda é um fator que atrapalhará os produtores. A avaliação foi feita durante o 7º Fórum Nacional do Milho, em Não me Toque (RS), evento que faz parte da 16ª Expodireto Cotrijal.

Apresentando as tendências para o mercado de milho, Carlos Cogo, sócio-diretor de Consultoria da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, afirmou que o aumento da demanda internacional por carne de frango e suína, além do avanço na produção de peixes em cativeiro, abre uma série de oportunidades para o milho, diante da maior necessidade por ração.

O potencial para o consumo mundial de carnes é muito grande. Frango e suíno depende de milho e soja, aumentando a demanda por esses produtos, disse Cogo.

Ele reconheceu que o milho ganhou força nos últimos anos no Brasil, tornando-se a segunda maior cadeia produtiva do setor pecuário nacional e levando o país a se tornar o segundo maior exportador global, tendo uma participação de 19% no mercado global. Apesar dos elogios, Cogo enumerou uma série de questões que ainda dificultam a vida dos produtores, destacando os problemas de infraestrutura, principalmente do lado da armazenagem.

Nós temos um déficit de armazenagem de 57,7 milhões de toneladas, o que reduz a margem de ganho dos produtores. O país ainda não conseguiu resolver os problemas de logística – disse.

Ele também destacou que diversas regiões, especialmente o Centro-Oeste e o Rio Grande do Sul, enfrentam déficits de estoque milho, apesar de o país registrar um excedente de 40 milhões de toneladas. Cogo novamente culpou os problemas de infraestrutura pelo problema, demonstrando as dificuldades de escoamento da produção.

O problema do Brasil é transportar o produto para lugares que precisam – afirmou.

Outra questão apresentada pelo sócio-diretor de Consultoria da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica foi a diminuição na quantidade de terras utilizadas para a produção de milho, apontando a soja como principal responsável pela situação. Segundo ele, o problema pode ser contornado com o maior uso de tecnologia nas lavouras, para compensar a alta rentabilidade da soja.

Sobre a safra 2014/2015, Cogo acredita que ela não deve bater recorde de produção, ficando levemente abaixo das 200 milhões de toneladas previstas pela Companhia Nacional de Abastecimento Conab); devido a quebras na produção em partes do país, principalmente o Centro-Oeste, mas acredita que o nível atual do dólar abre “perspectivas de preços remuneradores e estáveis”.

Apesar das vantagens da atual cotação da moeda norte-americana, ele afirmou que o dólar vai elevar os custos da próxima safra de milho, principalmente dos adubos importados.

Um dólar a R$ 3,10 é excelente para comercializar a safra 2014/2015, mas péssimo para constituição de custos para a próxima safra, disse.

Abramilho

Diante do cenário apresentado por Carlos Cogo, e das dificuldades econômicas previstas ao Brasil em 2015, o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Enori Barbieri , destacou a importância do Projeto de Desenvolvimento para a Cadeia Produtiva, plano da entidade para elevar a produção do milho no Brasil.

O Projeto nada mais é que criar uma grande safra de milho e incentivar sua transformação em subproduto, para que o país tenha capacidade de transformá-lo em proteína animal, afirmou.

Em pareceria com a Fundação Dom Cabral e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Projeto de Desenvolvimento para a Cadeia Produtiva visa elevar a produção de milho no Brasil através do desenvolvimento da cadeia do produto, em pareceria com o governo federal.

Governo

A questão da infraestrutura precária também foi levantada pelo coordenador geral da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Sávio Rafael Pereira, mas ele afirmou que o governo federal liberou R$ 25 bilhões em crédito nos últimos cinco anos para a construção de centros de armazenagem.

O maior problema do país é o escoamento da safra. O déficit de armazenagem é histórico e grande, mas o governo tem atuado, disse.

Pereira disse que os preços do milho devem ser favoráveis, por conta da alta do dólar e da demanda do mercado global por proteína animal, mas disse que o produto ainda deve enfrentar a concorrência da soja e que essa é uma questão que o governo federal não terá capacidade de resolver.

O que determina a dinâmica de toda a produção é o mercado. O governo atua em horas mais difíceis, mais complexas. Não esperemos que o governo faça grandes intervenções, afirmou. (Canal Rural 09/03/2015 às 21h: 12m)

 

Aumento da tarifa de energia puxa inflação

Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da FGV capta forte aceleração, de 1,26%, com a bandeira vermelha a R$ 5,50/kWh.

O reajuste da bandeira tarifária vermelha, que passou dos R$ 3 por 100 kWh para R$ 5,50, já foi captado pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre) na primeira semana de março. O aumento provocou a aceleração do indicador, que registrou alta de 1,26%, 0,29 ponto percentual (p.p.) acima da taxa observada na última semana de fevereiro, em 0,97%. Isolado, o item tarifa de eletricidade residencial acelerou para 7,20%, ante variação de 1,09% na última semana de fevereiro. O forte aumento da conta de luz levou a inflação do grupo habitação a subir de 0,90% para 1,75%, na primeira semana de março. "Essa é apenas uma prévia do impacto do reajuste tarifário da bandeira vermelha.

Mas se espera uma pressão ainda mais forte do que se vem chamando de realismo tarifário; que engloba os reajustes da energia, combustíveis e transportes urbanos", avalia a economista e professora da Coppead/UFRJ, Margarida Gutierrez. Em função dos reajustes autorizados nas passagens de ônibus, metrôs, trens e táxis nas principais regiões metropolitanas, os transportes continuam com uma inflação no patamar de 2%. Na última semana de fevereiro, o grupo registrava variação de 2,52%, mas agora em março houve uma desaceleração, tendo o IPC-S apontado para 2,28%.

Segundo a FGV, foi identificado arrefecimento nos preços das tarifas de ônibus urbano, cujo IPC-S passou de 1,11% para 0,39%. Ao mesmo tempo, as passagens aéreas ainda vêm apresentando deflação, embora em menor intensidade: de 19,76%para 1,52%, agora em março. Além da revisão das tarifas de transporte público, o aumento do PIS/Cofins sobre a gasolina parecem ainda pressionar a inflação dos combustíveis e transportes. No caso da gasolina, o IPC-S saiu de 8,35% para 7,60%. Já o etanol, de 5,28%para 5,23%. Essa desaceleração da inflação dos combustíveis, no entanto, deve ser passageira.

"A cobrança da Cide está prevista para começar em maio", lembra Margarida Gutierrez . A alimentação também ficou mais cara na primeira semana de março, acelerando de 0,77% para 1,11%, puxado pela alta sazonal de hortaliças e legumes, que subiram de 4,56% para 8,21%. Já educação, leitura e recreação, que apresentou retração de 0,02% na última semana de fevereiro, teve alta de 0,42%em março. O grupo vestuário também acelerou nesta primeira semana do mês, saindo dos 0,11% para 0,20%, puxado por acessórios, que subiram de 0,77% para 1,64%. (Brasil Econômico 10/03/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Queda em NY: O café arábica devolveu ontem os ganhos registrados na sexta-feira na bolsa de Nova York, apesar de o dólar ter registrado leve queda em relação a uma cesta de moedas. Os contratos com vencimento em maio fecharam em queda de 290 pontos, a US$ 1,37 por libra-peso. Na sessão anterior, a alta havia sido de 3,59%. O fato de a moeda americana seguir valorizada em relação ao real encoraja as vendas de café dos produtores do Brasil, uma vez que torna mais rentáveis as exportações, feitas em dólar. O Brasil é o maior fornecedor global do grão. As chuvas no Centro-Sul brasileiro também colaboram para pressionar as cotações do arábica (ver página B12). No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade permaneceu entre R$ 440 e R$ 460, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Vendas técnicas: A expectativa de que a colheita seja um pouco menor do que sinalizavam as estimativas mais recentes chegou a motivar a alta dos preços do cacau no início da sessão de ontem em Nova York, mas vendas técnicas voltaram a ganhar força ao longo do dia e derrubaram as cotações. Os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 2.934 por tonelada, em queda de US$ 11. Esse movimento de vendas começou na semana passada, depois que a commodity "falhou"em superar sua média móvel de 200 dias na bolsa americana. Mas o mercado continua atento ao clima, sobretudo em Gana. Nas praças de Ilhéus e Itabuna, na Bahia, a arroba da amêndoa caiu para R$ 117 , em média, de acordo com informações divulgadas pela Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Foco nos estoques: O milho superou a desvalorização de sextafeira e subiu na bolsa de Chicago ontem. Os lotes para maio fecharam em alta de 2,7 5 centavos, a US$ 3,887 5 por bushel. Investidores estão atentos ao novo relatório de oferta e demanda que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgará hoje. Muitos analistas creem que o órgão reduzirá a estimativa para os estoques americanos de milho, um dos motivos que embalaram as cotações ontem. Os preços avançaram mesmo com a queda de 7 ,8% nos embarques do grão pelos EUA na semana encerrada em 5 de fevereiro, para 1,18 milhão de toneladas, conforme dados do USDA. No oeste da Bahia, o preço médio da saca ficou em R$ 25,50, de acordo com a Aiba, associação que representa os agricultores do Estado.

Trigo: Dólar mais fraco: A ligeira queda do dólar em relação a uma cesta de moedas fez ontem os preços do trigo se valorizarem na bolsa de Chicago. Os lotes para maio encerraram o pregão a US$ 4,90 por bushel, com ganhos de 7 ,50 centavos de dólar. A perda de força da moeda americana, ainda que quase desprezível ontem (0,1%, segundo índice do The Wall Street Journal), contribui para baratear o cereal dos EUA, que nas últimas semanas perdeu competitividade - por ter ficado muito caro em relação ao trigo de outras origens, como o europeu. No mercado do Paraná, a saca de 60 quilos saiu, em média, por R$ 31,45, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado. Em relação à média de sexta-feira, houve alta de 0,45%. (Valor Econômico 10/03/2015)