Setor sucroenergético

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Divisão Antimáfia investiga Odebrecht

Procuradoria apura relação da empresa com esquema criado por um italiano no Panamá.

A Procuradoria Antimáfia da Itália abriu investigação contra a Odebrecht num caso de corrupção no metrô do Panamá, que faz parte de um grande esquema que teria sido criado por Ricardo Martinelli, ex-presidente daquele país. Por se tratar de um operação da unidade Antimáfia, o caso corre em sigilo, segundo informaram ao 'Estado' fontes ligadas ao processo. Nesse sistema, nem os investigados são informados.

Desde janeiro, a Justiça brasileira também está envolvida no caso, mas de maneira mais ampla. Colabora com as investigações que tentam elucidar como funcionava todo o esquema criado pelo ex-presidente panamenho. Segundo o chefe do Departamento de Cooperação Internacional do Ministério Público, Vladimir Aras, "o Brasil já está respondendo aos pedidos de cooperação feitos pelo Panamá nesse caso".

O ponto de partida que levou à investigação da Odebrecht foram escutas telefônicas feitas pela Justiça italiana. Numa delas, a empresa italiana Impregilo, que perdeu para a brasileira a licitação no Panamá, indicou que sabia, com três anos de antecedência, o valor final da obra tocada pela Odebrecht - incluindo a soma dos valores dos aditivos que seriam feitos futuramente no contrato original.

A suspeita é de que o contrato foi fechado com pagamento de propina, recolhida pelo italiano Valter Lavitola, condenado em Nápoles. Lavitola, na verdade, é o grande alvo das investigações. Provar que ele recolhia as propinas, de quem quer que seja, é a meta maior da divisão Antimáfia. A Odebrecht é uma dessas empresas.

Na transcrição da escuta, obtida pelo Estado, os executivos italianos indicavam que a empresa brasileira receberia US$ 500 milhões a mais do que o preço fechado no leilão para a construção do metrô no Panamá.

Diálogos suspeitos

O presidente da empresa, Massimo Ponzellini, havia recebido uma ligação na noite de 2 de agosto de 2011 do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, alertando sobre a situação no Panamá.

No dia seguinte, Ponzellini telefonaria para um de seus diretores, Alberto Rubegni, para contar a conversa com Berlusconi e pedir explicações sobre o que estava ocorrendo com cada uma de suas obras no Panamá.

Ao responder, Rubegni explicou a situação sobre a derrota na licitação do metrô do Panamá. "Pelo metrô, pegaram o trabalho com US$ 500 milhões a mais que nós", disse.

A frase levou o MP a abrir uma nova direção nas investigações e se deparou com a Odebrecht. O que chama a atenção é que Rubegni deu o valor da alta antes mesmo que os aditivos tivessem sido assinados nos dois anos seguintes. Detalhe: segundo relatos da Odebrecht no Panamá, as obras adicionais, que levaram aos aditivos, foram feitas a pedido do governo.

Os dados consultados pelo Estado mostram a empresa italiana perdedora ofereceu US$ 1,402 bilhão - US$ 50 milhões a menos do que a proposta vencedora da da brasileira. A diferença foi considerada estranha, mas poderia ser explicada pelo fato de o modelo da licitação dar mais peso à qualidade do projeto do que ao custo da obra (65% versus 45%). Mas o que chamou a atenção do procurador foi o custo final da obra. Entre 2010 e 2013, três aditivos foram somados ao contrato inicial, elevando o custo a US$ 2,009 bilhões.

Aditivos

O primeiro aditivo foi fechado em 30 de dezembro de 2011, avaliado em US$ 281,9 milhões. O valor adicional estava relacionado à mudança de localização de serviços públicos de manejo ambiental. O aumento também foi justificado pela alta nos preços do aço e do cimento, pelo aumento do diâmetro do túnel e por uma mudança na configuração dos trens.

Em 4 de fevereiro de 2013, mais um aditivo, de US$ 126 milhões. Uma vez mais, a mudança em preços de materiais, relocalização de serviços públicos e melhoria do desenho justificariam a alta. Em dezembro, mais um aditivo de US$ 211 milhões.

A primeira suspeita foi levantada no Panamá pela Sociedade Panamenha de Engenheiros e Arquitetos, que questionou o valor adicional da obra. Diante de críticas, a Secretaria del Metro de Panamá (SMP) decidiu contratar uma auditoria. A escolhida foi a KPMG, que julgou que os aditivos não apresentavam irregularidades.

Mas a auditoria não acabou com a polêmica no Panamá. Zulay Rodríguez, deputada do Partido Revolucionário Democrático, alertou que o Metrô do Panamá acabou custando mais caro do que o de Los Angeles, avaliado em US$ 735 milhões.

A contratação de uma empresa privada para fazer a auditoria também foi criticada. O ex-controlador-geral da Nação Carlos Vallarino atacou o fato de a administração do metrô ter recorrido à KPMG. Segundo ele, o artigo 220 da Constituição do Panamá prevê que "é o Ministério Público o encarregado do serviço de conselhos jurídicos aos funcionários administrativos".

Na Itália, o que chamou a atenção do procurador foi a forma pela qual a Odebrecht venceu o contrato, com um valor superior ao que havia sido oferecido pelo concorrente. "Que o projeto era melhor, não acredito", disse Piscitelli à corte de Nápoles, em novembro de 2014. "Martinelli preferiu o brasileiro. Quem sabe o que ele conseguiu com isso?", questionou.

O Ministério Público italiano suspeita que há ligação entre o empresário, a Odebrecht e o ex-presidente do Panamá, também acusado de corrupção em seu país.
Em sua apresentação diante da Corte de Nápoles, em novembro, o procurador italiano Vincenzo Piscitelli indicou que Lavitola "exerceu um canal corruptivo no Brasil" e que ele teria sido o mediador dos interesses da Odebrecht no Panamá. Os dados devem ser compartilhados com a Justiça brasileira. (O Estado de São Paulo 15/03/2015)

 

Açúcar: Piso em seis anos

As cotações do açúcar demerara caíram na sexta-feira ao menor patamar desde janeiro de 2009 na bolsa de Nova York, sob o peso de questões climáticas e do enfraquecimento do real ante o dólar.

Os lotes para julho fecharam em baixa de 56 pontos, a 12,80 centavos de dólar por libra-peso. As previsões que indicam chuvas nos próximos dias no Brasil e na Índia, dois dos maiores produtores e exportadores mundiais de açúcar, podem elevar a expectativa de uma safra maior que a projetada até agora nesses países.

Já a derrocada do real encoraja as vendas de açúcar pelos produtores brasileiros, na medida em que aumenta a rentabilidade com as exportações.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 51,23, com ligeira alta de 0,02%. (Valor Econômico 16/03/2015)

 

Tradings buscam alternativas para driblar queda do etanol

Nas últimas semanas, os preços do etanol na usina desabaram, em uma espiral que anulou todo o efeito positivo decorrente do aumento dos preços da gasolina na refinaria, em vigor desde 1º de fevereiro.

O litro do hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, chegou a bater R$ 1,41 na indústria em São Paulo, conforme sinalizou o indicador Cepea/Esalq na semana entre os dias 2 e 6 de fevereiro.

Entretanto, desde então os preços vêm caindo sem trégua, apesar do período de entressafra da cana-de-açúcar.

Na semana finda na sexta-feira, o indicador atingiu R$ 1,2745, em baixa de 9,9% desde o começo do mês passado.

A queda reflete, em parte, os estoques elevados do produto no Centro-Sul e a percepção de que muitas usinas têm precisado vender o biocombustível para gerar caixa.

No entanto, a visão de alguns traders é que agora a maior parte do estoque está nas mãos de grupos mais capitalizados que não querem negociar na baixa.

Conforme apurou o Valor, alguns deles consideram correr o risco de exportar, ainda que com margem apertada ou para obter a mesma remuneração do mercado interno.

Uma exportação nessas condições teria sido fechada na última semana para o embarque de 40 milhões de litros em abril.

Os grupos reticentes em apostar na exportação consideram manter o produto estocado por alguns meses após o início da próxima safra, a 2015/16, em abril, à espera de preços mais remuneradores.

Puxadas pelo dólar valorizado, as exportações de etanol de "entressafra" podem "enxugar" o mercado interno com a saída de 400 milhões e 500 milhões de litros, segundo traders.

O produto alvo da exportação é o anidro, cujos preços no mercado interno também despencaram.

Desde a primeira semana de fevereiro, o indicador Cepea/Esalq para esse biocombustível acumula retração de 7,2%.

Nos cálculos da consultoria americana FCStone, o estoque conjunto de anidro (produto misturado à gasolina) e hidratado deve ficar perto de 2,5 bilhões de litros em 31 de março deste ano, em torno de 1 bilhão acima do volume de um ano atrás.

Assim, na visão da empresa, se os preços caíram em fevereiro o tombo pode ser ainda maior em março, dada a necessidade das usinas de levantar recursos para realizar pagamentos e iniciar a próxima temporada.

"Neste momento, as distribuidoras e as usinas estão brigando por margem e, as distribuidoras estão ganhando a disputa", afirma o especialista da FCStone, Bruno Lima.

Apesar da queda de braço, Tarcilo Rodrigues, diretor da trading de etanol Bioagência, avalia que o preço do biocombustível atingiu seu piso e, que, daqui em diante, vai ficar estável, com tendência ascendente.

A pressão vinda da proximidade do início da nova safra, a 2015/16, também existe, no entanto, vigora a percepção de que haverá um atraso no começo da moagem na maior parte das usinas.

Até agora, em torno de seis unidades já retomaram em março o processamento no Centro­Sul do país. Conforme a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), até 1º de março, 293,3 mil toneladas de cana do ciclo 2015/16 haviam sido processadas.

Oficialmente, a safra só começa em 1º de abril. A antecipação é pontual, segundo a Unica.

Na média, ainda falta mais de um mês para o início efetivo do ciclo, quando 80% das usinas devem estar religando as máquinas. (Valor Econômico 16/03/2015)

 

Setor sucroenergético organiza ato em Piracicaba

Em Piracicaba, no interior de São Paulo, o protesto deste domingo, dia 15, teve a participação de lideranças do setor sucroenergético.

Os manifestantes pediram por reforma política e o fim da corrupção.

Conforme a Polícia Militar, 8,5 mil pessoas fizeram barulho pelas ruas da cidade.

Como nós conseguimos tirar o Collor, votar para presidente, nós brasileiros que temos vergonha na cara de ver como está este país, nós vamos também fazer uma mudança nele – declarou a dentista Isabel Bortoletto, que protestou batendo panela.

A maioria vestiu verde e amarelo e levou a bandeira do Brasil. As cores da pátria também coloriram as caras. Os manifestantes levaram cartazes, pedindo a reforma política e o fim da corrupção. 

Do jeito que está, está ruim, não está? Então, tem que melhorar – diz Ivana França, escritora.

A Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana) foi uma das organizadoras do protesto. Oportunidade para criticar as políticas do setor sucroenergético, que é muito forte na região.

O etanol que é uma energia nossa, o sucroenergético sendo deixado de lado pelo governo. Quando nós soubemos que ia ter este movimento, nos engajamos, tomamos a frente – afirmou Arnaldo Bortoletto, presidente da Coplacana.

O vice-presidente, José Coral, também esteve presente e citou a crise que o setor enfrenta nos últimos anos:

Pela grande dificuldade que nós estamos passando, pela falência das usinas, pela falência dos fornecedores, desaparecendo diariamente. Então, é humanamente impossível que um combustível limpo, renovável, seja esquecido por causa do Pré-Sal – pontou.

Depois de sair em passeata pelas ruas do centro de Piracicaba, os manifestantes se reuniram na Praça José Bonifácio

A gente não está suportando mais estas coisas que vêm acontecendo, muita corrupção, muita roubalheira. A gente vê que não tem medida pra este pessoal que rouba, não têm leis para eles, eles não fazem nada – diz Éverton Henrique da Rosa, metalúrgico. (Canal Rural 15/03/2015 às 17h: 26m)

 

Sob Dilma, dívida do setor sucroenergético dispara

Com o dólar atingindo 3.2600 nesta última sexta-feira, não poderia se esperar outra reação no mercado futuro de açúcar que não fosse uma enorme desvalorização. Faz sentido que seja assim. Como temos falado quase que à exaustão nesse espaço, o que interessa para as usinas capitalizadas e com gestão e governança, é o valor em reais por tonelada. E esse tem alcançado níveis bem acima do custo médio de produção das usinas. Se levarmos em consideração o NDF, contrato a termo de dólar que a usina negocia objetivando que seu vencimento coincida com o embarque do açúcar para a exportação, o ganho ainda é maior. Essas operações estruturadas contribuem para que o mercado caia lá fora e os fundos acrescentem mais lenha na fogueira, potencializando a queda. Isso vai continuar assim. Pense no limite/suporte como sendo o equivalente a R$ 880 por tonelada. O efeito Dilma-Petrobrás-Dólar é uma outra bola em jogo.

O fechamento do primeiro vencimento do contrato futuro de açúcar em NY, o maio/2015, foi de 12.70 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 74 pontos na semana, ou o equivalente a 16.30 dólares por tonelada. A taxa de câmbio, no entanto, negociava a 3.2600 reais no fechamento do mercado de açúcar. Assim, o ajuste no encerramento equivale a R$ 950 por tonelada. Na semana anterior, NY e câmbio fecharam, respectivamente a 13.44 centavos de dólar por libra-peso e 3.0495 reais, ou R$ 940 por tonelada. Resumindo, o mercado fechou em alta em reais.

As commodities, em geral, desvalorizaram-se bem nesse ano. No acumulado até sexta-feira, o café já caiu quase 23% em 2015. Suco de laranja, 17.5% de queda. Petróleo o mesmo percentual e o trigo 14.5%. O açúcar fechou dezembro/2014 a 14.52 centavos de dólar por libra-peso portanto desvalorizou-se apenas 12.5%. O real, por sua vez, derreteu 18.5%.

Há três semanas demonstramos aqui, no comentário “Uma Tungada de Bilhões” quanto o setor sucroalcooleiro havia perdido nos quatro anos do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Chegamos à imoral e nefasta soma de 67.1 bilhões de reais divididos entre 32.6 bilhões no ruinoso subsídio sustentado pelo suor do setor (o PT, como se sabe, adora cumprimentar com o chapéu alheio) durante anos de preços artificialmente baixos da gasolina, e R$ 34.5 bilhões referentes ao prejuízo direto no fluxo de caixa do setor por perda de mercado do etanol e de sua receita equivalente.

Atendendo ao pedido de alguns leitores, no entanto, faltou incluir o aumento do endividamento do setor, que fazemos agora. Embora a gestão e governança das usinas circunscrevam-se aos seus executivos, e todos sabemos que existiram planos de voo não devidamente calculados por parte da direção de algumas delas, que privilegiou o ego do acionista em detrimento de um planejamento econômico-financeiro mais substancioso, o fato é que o governo atrapalhou em alto grau o setor dando sinais tortuosos para aqueles que estavam expandindo suas atividades.

Em março de 2012, num estudo apresentado pelo diretor comercial de açúcar e etanol do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, a dívida do setor atingiu R$ 48 bilhões, “tendo crescido R$ 5 bilhões em relação ao ano anterior”, segundo ele.

O link está aqui https://www.itau.com.br/setorsucroalcooleiro. Ou seja, em 2011 a dívida era de R$ 43 bilhões. Hoje, com o dólar atingindo os píncaros, estimamos que a dívida nesta última sexta-feira tenha alcançado R$ 85.4 bilhões, praticamente o dobro.

Esse é apenas o estrago em um setor da economia. Evidentemente, o cálculo não inclui os milhares de empregos diretos e indiretos que deixaram de ser criados pela falta de planejamento e ausência de transparência na formação de preços dos combustíveis, apenas para citar um ponto. Há cinco anos, por exemplo, estimando que o etanol se manteria como principal combustível a alimentar a crescente frota de veículos, prevíamos que o Centro-Sul iria moer em 2015/2016 mais de 700 milhões de toneladas de cana, assumindo que os investimentos ocorreriam e que novas usinas seriam construídas.

A incompetência de Dilma traduzida em números salta aos olhos e deixa-nos todos nós, cidadãos de bem e pagadores de impostos, aparvalhados. Teria sido bem melhor para o Brasil se a súcia que comanda o país não apenas destruindo setores produtivos e competentes, mas distorcendo os valores éticos da sociedade contaminada pela bandidagem que grassa na política brasileira, ao invés de terem lido Karl Marx, tivessem trocado pelos irmãos Marx. O resultado teria sido mais cômico e menos trágico (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Moagem da cana é antecipada em SP

Mercado de açúcar pouco atraente incentiva produção de etanol.

Expectativa é que aumento da mistura do etanol na gasolina beneficie setor.

Uma fazenda em Restinga, no nordeste de São Paulo, tem 360 hectares de plantação de cana. O desenvolvimento não está como o agricultor esperava. “A parte produtiva, que é o que nos interessa, está muito abaixo da média anual. Ela deveria estar no mínimo, com o dobro de gomo e gomos maiores do que está”, diz Marcelo Ravagnani, agricultor. A esperança agora é que as chuvas deste ano recuperem parte das perdas.

No ano passado, as colheitas nas regiões, central e sul do Brasil chegaram a 570 milhões de toneladas de cana, queda de quase 5% em relação à safra de 2013. Isso afetou ainda mais a situação das usinas que já vivem uma crise que já dura mais de cinco anos.

Na região centro-sul do país, pelo menos 50 usinas fecharam as portas, mas tem unidade que já começou a safra. A expectativa é que o aumento da mistura do etanol na gasolina, a partir de 16 de março, possa melhorar a situação.

A primeira usina a entrar em operação nesta safra, na região de Ribeirão Preto, estima moer 3,9 milhões de toneladas de cana, 5% a menos que no ano passado.

A antecipação em quase um mês faz parte de uma estratégia “Nós deixamos um pouco de cana do ano passado para este ano e estamos iniciando com esta cana neste mês de março”, diz Bernardo Biagi, presidente da empresa.

As usinas brasileiras devem reduzir o volume de açúcar produzido para atender a demanda de etanol. “Essa adição de 25 para 27% do álcool à gasolina, é uma medida muito bem-vinda para o nosso setor. E hoje, como o preço do açúcar no mercado internacional está muito ruim, muito baixo, nós vamos direcionar um pouco mais de cana para a produção de etanol”, declara Biagi.

A maioria das usinas do Centro-Sul só começa a colheita da cana no mês que vem. (G1 15/03/2015)

 

Açúcar recua quase 5% em NY para mínima de 6 anos

LONDRES/NOVA YORK (Reuters) - Os contratos futuros de açúcar bruto caíram quase 5 por cento nesta sexta-feira na bolsa de Nova York para uma mínima de seis anos, sob impacto de uma queda da moeda do Brasil, maior produtor e exportador global da commodity.

O dólar fechou com alta de mais de 2,5 por cento frente ao real, no maior nível em quase 12 anos, com investidores buscando proteção em meio à turbulência política que vem dificultando a aprovação de medidas para o reequilíbrio das contas públicas brasileiras e às dúvidas sobre a intervenção do Banco Central.

A moeda norte-americana subiu 2,77 por cento, a 3,2490 reais na venda.

Já o primeiro contrato do açúcar fechou em baixa de 0,51 centavo, ou 3,9 por cento, a 12,70 centavos de dólar por libra-peso, tendo registrado o nível mais baixo desde abril de 2009, a 12,57 centavos. O contrato teve a maior queda diária desde 23 de janeiro.

"Isso é relacionado ao real e (venda) técnica também. Treze (centavos) era um nível de suporte", disse o diretor sênior da mesa do Brasil no Societe Generale em Nova York, Michael McDougall.

O café arábica também foi pressionado pelo real fraco, que aumenta os incentivos para os produtores brasileiros embolsarem lucros na moeda local com commodities negociadas em dólar, como o açúcar e o café.

O maio do arábica recuou 1,8 por cento, fechando a 1,298 dólar por libra-peso. O segundo contrato fechou a semana em baixa de 7,2 por cento, na quinta perda semanal seguida. (Reuters 13/03/2015 às 18h: 30m)

 

Eles cansaram de esperar na fila

Cansados da precária infraestrutura brasileira, dois dos maiores exportadores agrícolas em operação no país vão construir o próprio porto.

A holandesa Nidera, uma das cinco maiores exportadoras de grãos, e a Al Khaleej Sugar, dos Emirados Árabes, que exporta cerca de 10% do açúcar  brasileiro, serão as investidoras do Terminal Graneleiro da Babitonga, em São Francisco do Sul, no norte de Santa Catarina.

O outro sócio na empreitada é o empresário catarinense Alexandre Fernandes, dono do terreno.

A previsão dos sócios é entregar o porto em 2018. As obras estão orçadas em 600 milhões de reais.

Pelo projeto, o novo terminal deverá exportar o equivalente a 40% do volume de grãos que hoje sai do porto de Paranaguá, situado 170 quilômetros ao norte. (Exame 14/03/2015)

 

Mais etanol na gasolina não trará mudanças

Impacto do aumento no porcentual de etanol na gasolina vendida no País é irrisório, segundo especialista.

A partir desta segunda-feira (16), passa a valer o aumento do porcentual de etanol na gasolina vendida no País, fruto de medida sancionada pela presidente Dilma Rousseff em "socorro" ao setor sucroalcooleiro, que precisa escoar a produção. O porcentual subirá dos atuais 25% para 27%. Mas na prática, pouca coisa muda para o consumidor, principalmente porque os preços, tanto do etanol quanto da gasolina, não deverão mudar.

A hipótese de que mais etanol na gasolina faria com que os carros consumissem até 4% mais combustível é descartada pelo diretor executivo da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, Nilton Monteiro. O engenheiro afirma que o aumento no consumo será imperceptível no dia a dia. Outra tese é de que a nova mistura poderia afetar os carros apenas a gasolina, pois a programação eletrônica desses modelos teria sido pensada para o combustível antigo, com 25% de etanol.

Monteiro afirma que essa tese também não se sustenta. "Isso até pode acontecer em casos específicos, como o de carros importados de forma independente e modelos mais antigos, mas serão raros". Ele indica a adição de aditivos ao combustível, cuja recomendação já era feita para quem já usava a gasolina com 25% de etanol.

Por ora, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), recomenda o uso da gasolina premium nos modelos movidos apenas pelo combustível mineral. Consideravelmente mais caro, esse produto manterá os 25% de etanol na mistura.

Essa medida é recomendada ao menos até que sejam concluídos os testes que comprovarão se o aumento do etanol trará algum efeito negativo aos motores. A "nova" gasolina está sendo testada a pedido da Anfavea desde outubro de 2014 e os resultados devem sair até o fim deste mês.

Em modelos com motores flexíveis, nada muda, já que esse carros estão preparados para rodar com até 100% de etanol no tanque. Logo, a mudança na mistura não fará diferença.

Preços. A recente alta nos preços dos combustíveis não alterou o fato de que no Estado de São Paulo continua sendo mais vantajoso abastecer os veículos bicombustíveis com etanol. Considerando que a adição do combustível vegetal na gasolina não trará aumentos significativos no consumo, o preço do derivado da cana deve ser pelo menos 30% menor que o da gasolina para se manter vantajoso.

Segundo informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do litro da gasolina no Estado de São Paulo é de R$ 3,177, enquanto o do etanol é de R$ 2,112. Nesse caso, a paridade entre etanol e gasolina é de 66%. Ou seja: é melhor abastecer com o combustível vegetal. (O Estado de São Paulo 15/03/2015 às 17h: 05m)

 

Receita agrícola de 2015 deve ter menor taxa dos últimos 5 anos, diz GO Associados

A receita de uma das principais bases da economia brasileira, o setor agrícola, deverá despencar em 2015 de uma média de 12,1% na média dos últimos cinco anos para 2,5%. É o que mostra estudo desenvolvido pelo diretor de Pesquisa Econômica da GO Associados, Fábio Silveira.

Em valores, a expansão de 2,5% da receita agrícola esperada para este ano deverá perfazer um montante de R$ 330,1 bilhões. O crescimento será assegurado, basicamente, pelo ainda favorável desempenho da renda da sojicultura e cafeicultura. Para as demais culturas, de acordo com o diretor da GO Associados, a perspectiva é de relativa estabilização da receita de cana, milho, arroz, trigo e fumo, além de redução das rendas nos casos da laranja e algodão.

"Para este ano, espera-se que a receita das lavouras de soja tenha incremento de 12,6%, alcançando R$ 106,9 bilhões em resposta, sobretudo, à ampliação da colheita em 9,8% já que o preço médio do grão, no mercado interno, deve subir apenas 2,6%, em termos nominais", afirma Silveira.

No caso do café, a expectativa é de um acréscimo na renda da ordem de 8,7%, atingindo R$ 23,4 bilhões, como reflexo, sobretudo, da depreciação da moeda brasileira, já que a quantidade colhida do produto deverá ser equivalente à de 2014.

Nos últimos cinco anos, entre 2009 e 2014, de acordo com a GO Associados, a receita da agricultura apresentou elevação de 77% sustentada pela contribuição de soja, milho e cana-de-açúcar.

"Nesse período, as taxas de crescimento da receita dessas lavouras foram de, respectivamente, 112%, 108% e 75% e refletiu a valorização desses produtos em dólar nos mercados internacionais, decorrente, em boa medida, do expansionismo monetário praticado nos Estados Unidos", diz Silveira.

Também contribuíram para a expansão da receita da agricultura brasileira nos últimos cinco anos a expansão da demanda chinesa na esteira de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China em 50,4% ou 8,5% ao ano, em média.

A ampliação do consumo doméstico entre 2009 e 2014, que elevou em 36,7% (6,5% ao ano) foi outro vetor de crescimento da renda da agricultura naquele momento. Além de tudo isso, a receita da agricultura foi ainda beneficiada pela desvalorização do real, que se depreciou em 17,8% ou em 3,3%, em média ao ano.

Em 2015, no entanto, muito dos fatores que influenciaram na expansão da renda da agricultura nos últimos cinco anos não estão se repetindo. A China deve apresentar menor taxa de crescimento e o consumo doméstico brasileiro, por exemplo, deve encolher em relação à média anual dos últimos cinco anos. (O Estado de São Paulo 15/03/2015 às 14h: 25m)

 

Usinas de Alagoas fazem balanço da safra de cana-de-açúcar

A produção aumentou e há otimismo no campo e na indústria. O estado lidera a produção no Nordeste.

As 19 usinas em operação no estado moeram até agora quase 17 milhões de toneladas de cana. A previsão é terminar essa safra com um balanço bem positivo: mais de 23 milhões de toneladas. A anterior não chegou a 22 milhões, com 20 unidades em funcionamento.

A cana teve um ganho significativo de qualidade graças às chuvas regulares no ano passado e até um pouco acima da média, em setembro e outubro. Foi tanta água, que algumas usinas chegaram a atrasar a colheita. Mas os resultados já estão sendo comemorados no campo e na indústria.

Uma usina vai encerrar a colheita e a moagem em meados de abril com 1,1 milhão de toneladas de cana, 20% a mais do que na safra passada, quando foram moídas 850 toneladas. “Nós tivemos acréscimo por causa de chuva, melhoria nos tratos, a usina também investiu mais em plantio", declara Leonardo Costa, gerente agrícola da usina.

Outra usina recebeu 800 mil toneladas de cana de fornecedores. "Nós crescemos em termos de volume de cana, saindo de uma safra de 1,4 milhão de toneladas de cana, para uma safra de 1,6 milhão, projetada e que vai se realizar", avalia Paulo Lira, diretor da usina. (G1 15/03/2015

 

Taxa de juros do Moderfrota pode chegar a 8,5%

Nova taxa deve ser publicada na segunda-feira, dia 16, no Diário Oficial da União.

O saldo disponível no Moderfrota da safra 2014/2015 terá a taxa de juros reajustada na próxima segunda, dia 16. O montante que será disponibilizado com os novos juros é R$ 1,8 bilhão.

No Plano Safra 2014/2015, o governo destinou R$ 3,5 bilhões para a revitalização do Moderfrota, com vigência até 31 de dezembro do ano passado. Mas, de acordo com o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, ninguém havia pego essa linha de financiamento até o final do ano – motivo pelo qual ela foi prorrogada até junho deste ano.

Em janeiro a linha de crédito equalizada, disponibilizando R$ 1,7 bilhão com taxa de juros de 4,5% ao ano. Na abertura da Expodireto nesta semana, a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, afirmou que a taxa para este montante está garantida até junho no patamar de 4,5%. Mas a estimativa do setor é que esse recurso já tenha sido utilizado.

Nesta sexta, dia 13, o presidente da Expodireto, Nei Mânica, afirmou que o governo federal deve liberar o restante dos recursos anunciados no plano safra passado para o Moderfrota. O montante de R$ 1,8 bilhão, no entanto, terá a taxa de juros reajustada. De acordo com Mânica, a informação foi dada a ela pela própria ministra Kátia Abreu.

Mânica não informou qual será a nova taxa, que deve ser publicada no Diário Oficial da União na próxima segunda-feira. Fontes do Canal Rural acreditam que essa nova tava pode chegar a 8,5%.

Revitalizado, mas pouco atraente

No ano passado, o governo federal prometeu revitalizar o Moderfrota, reduzindo a taxa de juros do programa de 5,5% para 4,5% e voltando a financiar a aquisição de máquinas agrícolas novas. Além da redução na taxa de juros, o programa teve aumento nos limites de crédito. Mesmo assim, as condições eram menos atraentes que as do Programas de Sustentação de Investimento (PSI). Enquanto o Moderfrota tem prazo máximo de oito anos, o PSI oferece dez anos de prazo.

Condições

O objetivo do Moderfrota é financiar a aquisição, individual ou coletiva, de tratores, colheitadeiras, plataformas de corte, pulverizadores, plantadeiras, semeadoras e outros equipamentos agrícolas. O recurso é disponível para produtores rurais (pessoas físicas ou jurídicas) e cooperativas. É possível financiar tanto itens novos como usados.

A carência é de até oito anos para itens novos e até quatro anos para usados.

O limite de financiamento é de até R$ 40 mil na aquisição de equipamentos para preparo, secagem e beneficiamento de café. Para os demais itens não há limite. (Canal Rural 13/03/2015 às 21h: 08m)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Piso em seis anos: As cotações do açúcar demerara caíram na sexta-feira ao menor patamar desde janeiro de 2009 na bolsa de Nova York, sob o peso de questões climáticas e do enfraquecimento do real ante o dólar. Os lotes para julho fecharam em baixa de 56 pontos, a 12,80 centavos de dólar por libra-peso. As previsões que indicam chuvas nos próximos dias no Brasil e na Índia, dois dos maiores produtores e exportadores mundiais de açúcar, podem elevar a expectativa de uma safra maior que a projetada até agora nesses países. Já a derrocada do real encoraja as vendas de açúcar pelos produtores brasileiros, na medida em que aumenta a rentabilidade com as exportações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal ficou em R$ 51,23, com ligeira alta de 0,02%.

Soja: Vendas pressionam: Os preços da soja sofreram novo revés na bolsa de Chicago na sexta-feira, em meio ao aumento das vendas brasileiras do grão, impulsionadas pela valorização do dólar. Os contratos para maio fecharam em baixa de 16,50 centavos, a US$ 9,74 por bushel. O ganho de força da moeda americana em relação ao real estimula a venda da produção pelos agricultores brasileiros, na medida em que eleva a rentabilidade das exportações. O aumento da comercialização vem no momento em que a demanda por soja também está sendo redirecionada dos EUA para a América do Sul, onde a oferta tem crescido e ficado mais barata, com o avanço da colheita. No oeste da Bahia, a saca foi negociada a R$ 56 na sexta-feira, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Milho: Mudança de eixo: Especulações de que o milho mais em conta da América do Sul tenha estimulado criadores de gado dos EUA a importar cargas da região ajudaram a empurrar para baixo os preços do grão em Chicago na sexta-feira. Os contratos para maio encerraram a sessão em queda de 8 centavos, a US$ 3,8050 por bushel. As cotações foram afetadas, ainda, por temores de que taxas de frete mais baixas possam incentivar os pecuaristas americanos a importar milho também da Europa. O dólar forte permanece como fator adicional, juntamente com a desvalorização do petróleo, que desencoraja as refinarias a misturarem aditivos na gasolina, incluindo o etanol feito de milho nos EUA. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa registrou baixa de 0,17%, a R$ 29,65 por saca de 60 quilos.

Trigo: O peso do dólar: Após uma sequência de cinco sessões consecutivas de valorização, o trigo cedeu nas bolsas americanas na sexta-feira. Em Chicago, os papéis para maio fecharam em queda de 5,25 centavos, a US$ 5,02 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os lotes de mesmo vencimento recuaram 7,25 centavos, a US$ 5,3925 por bushel. O dólar forte continuou a pesar sobre o trigo, já que diminui a competitividade do cereal americano e leva compradores a buscarem produto mais barato em outras origens. Mas os investidores permanecem atentos às condições do clima nas Grandes Planícies dos EUA, onde a seca nas últimas semanas aumenta o temor de que a colheita seja prejudicada. No Paraná, a saca de 60 quilos foi negociada a R$ 31,75, baixa de 0,06%. (Valor Econômico 16/03/2015)