Setor sucroenergético

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Usinas Itamarati: Restos de bagaço

Da série “Novas notícias sobre velhos negócios que muitos achavam já nem existirem”: a Usina Itamarati, de Ana Claudia Moraes, filha de Olacyr de Moraes, avança em seu calvário.

A dívida já rompeu a casa dos R$ 2 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 17/03/2015)

 

Usina da Odebrecht atrasa pagamento de arrendatários

Empresa diz que vai cumprir os contratos com produtores de cana em Nova Alvorada do Sul.

Cerca de 50 produtores rurais que arrendam terras para a Odebrecht Agroindustrial, empresa do grupo Odebrecht, que toca a usina Santa Luzia, geradora de etanol, açúcar e energia em Nova Alvorada do Sul, cidade distante 116 km de Campo Grande, vivem momentos de aflição com o atraso no pagamento dos aluguéis das áreas. Na extensão locada, são cultivados pelo menos 80 mil hectares de cana-de-açúcar.

A organização Odebrecht, gigante brasileira da construção civil, é uma das dez empreiteiras investigadas pela Lava Jato, operação da Polícia Federal que descortinou um dos mais escandalosos esquemas de corrupção do País implicando a Petrobras, maior empresa brasileira, e perto de 50 políticos, entre eles senadores, deputados federais e até governadores. A construtora é acusada de pagar propina em troca de serviços conquistados por meio de licitações supostamente fraudadas.

Cálculos presumidos do Sindicato Rural de Nova Alvorada indicam que os 50 produtores rurais, entre os quais pequenos e médios, arrendem em torno de 80 mil hectares à usina Santa Luzia, da organização Odebrecht. “Pelo que apuramos até agora, o atraso no pagamento pela parceria agrícola [os donos das propriedades não aceitam o termo arrendatários e, sim, parceria], foi anunciado por telefone. Hoje [ontem], vamos nos reunir com os parceiros e redigirmos uma carta que enviaremos à empresa pedindo detalhes sobre o episódio. Até agora, o que soubemos foi por telefone, nada oficial, não sabemos até quando será mantido o atraso”, disse a presidente do sindicato dos produtores, Telma Menezes. A usina Santa Luzia entrou em operação em Nova Alvorada do Sul em 2008 e “nunca” tinha atrasado parcelas aos arrendatários, segundo a sindicalista.

Outro dado desconhecido do sindicato tem a ver com o valor pago pela Odebrecht aos produtores. “Creio que uns R$ 5 milhões por mês [juntando todos os parceiros], varia muito, tem gente que arrenda muitos outros poucos hectares para a usina”, disse um dos arrendatários, que não autorizou a publicação do nome.

Outro lado

A assessoria de imprensa da Odebrecht, por meio de nota, informou que “analisa os contratos vigentes”. Leia a íntegra do comunicado.

“Desde 2008, o setor sucroenergético enfrenta desafios cada vez maiores por inúmeras razões, que passam por fatores climáticos e ausência de políticas públicas de longo prazo para a matriz energética brasileira. Mesmo com todo este cenário, a empresa segue com a visão estratégica de que o etanol, combustível brasileiro de fonte renovável, é um negócio de grande potencial para o País.

Em uma safra particularmente desafiadora, a Odebrecht Agroindustrial tem criado oportunidades para aumentar a competitividade do negócio bem como otimizar a sua necessidade de capital de giro. Em relação aos contratos firmados com parceiros agrícolas, peças fundamentais para a nossa operação, a empresa está analisando todos os contratos vigentes a fim de negociar possíveis prazos de pagamento, sempre em alinhamento e consenso entre as partes, mantendo a relação de confiança e parceria de longo prazo já estabelecida.

Como sempre foi feito desde a fundação da empresa em 2007, todos os contratos serão cumpridos em sua integralidade” (Correio do Estado 17/03/2015)

 

STJ considera válido aval em cédula de crédito rural

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade de votos, que é válido o aval prestado em cédula de crédito rural.

Com esse entendimento, o colegiado deu provimento a recurso do Banco do Brasil para prosseguir com ação de execução contra um avalista de financiamento destinado a produtor rural. (Cana Rural 17/03/2015 às 18h: 57m)

 

Campo aproveita mal tecnologia, diz produtor

Os gargalos do agronegócio vão além do comportamento do dólar e passam por uma ampliação do conhecimento e das informações disponíveis no setor.

A avaliação é de Rui Prado, presidente do sistema Famato (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso).

As indústrias voltadas para o fornecimento de insumos e equipamentos para o setor já têm ciência dessa necessidade e começam a agregar empresas de informação sob seu guarda-chuva.

Prado diz que é necessário levar o conhecimento também para dentro das fazendas, onde ainda há uma forte ausência. Para ele, é necessário que o país caminhe rapidamente para sanar esse gargalo de conhecimento no setor agropecuário.

O presidente da Famato cita o exemplo das máquinas agrícolas. O avanço da tecnologia disponível nesses equipamentos é grande, mas o aproveitamento final do produto, muito pouco.

As máquinas são muito bem desenvolvidas na indústria, mas têm uma utilização bem inferior ao que podem oferecer no campo, aponta.

Em uma escala de 10 para a tecnologia disponível na máquina, o aproveitamento no campo fica em apenas 5, afirma.

Na avaliação de Prado, as entidades voltadas para o campo buscam ampliar o conhecimento das pessoas envolvidas na produção.

Uma ação mais ampla depende, no entanto, de um programa de governo. E isso passa até por uma mudança curricular do ensino.

Não faz sentido orientar todos para carreiras como as de advogados ou médicos se muitos vão necessitar mesmo é de conhecimentos técnicos.

Um grande desafio do setor rural hoje é encontrar trabalhadores capacitados para os novos equipamentos à disposição da agricultura.

Algumas máquinas chegam a valer até R$ 1,3 milhão atualmente e, apesar do salário elevado, é muito difícil encontrar um profissional preparado para o uso adequado desses equipamentos.

Prado diz que um operador de máquina que atua no campo chega a ganhar o correspondente a R$ 9.000 em São Paulo atualmente.

Ele considera nesse valor o fato de o trabalhador rural não ter custos de moradia, alimentação, transporte, água e luz.

Apesar do salário, o país não está preparado para fornecer todos os profissionais exigidos pelo setor, de acordo com ele (Folha de São Paulo 18/03/2015)

 

Mesmo com demanda pontual, preço do açúcar no spot segue firme

No mercado spot paulista de açúcar, apesar de a demanda continuar restrita às negociações que envolvem pequenos volumes, usineiros mantiveram-se firmes com relação aos valores negociados.

Na segunda-feira, 16, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 51,23/saca de 50 kg, alta de 1,2% em relação à segunda anterior, 09.

Conforme pesquisadores do Cepea, mesmo com o dólar em alta, os preços firmes no Brasil ainda garantem vantagem ao mercado interno. Em janeiro e fevereiro, dados da Secex indicaram que o açúcar exportado pelo porto de Santos totalizou 2,333 milhões de toneladas de açúcar, o que corresponde a 68% das exportações totais brasileiras do produto no período.

Pelos portos do Nordeste, as exportações de açúcar totalizaram 398.742 toneladas, correspondendo a 11,7% dos envios do Brasil. Os principais destinos do açúcar nacional foram os Emirados Árabes em janeiro e Bangladesh em fevereiro. (Cepea / Esalq 17/03/2015)

 

Etanol de outros estados pressiona valores em SP

A entrada de etanol de outros estados, principalmente MS e GO, no mercado paulista reforçou a pressão sobre as cotações em São Paulo, principalmente do hidratado posto em Paulínia.

Entre 9 e 16 de março, o Indicador diário do combustível Esalq/BM&FBovespa teve forte queda de 5%, fechando a última segunda-feira a R$ 1.155,00/m3, o menor valor desde 11 de novembro de 2014, de R$ 1.148,00/m3.

Na parcial do mês, o Indicador acumula baixa de 6,5%. Segundo pesquisadores do Cepea, no estado de São Paulo, usinas continuaram ofertando um volume maior de etanol, com o objetivo de liberar espaço nos tanques para o produto da nova safra (2015/16), que começa oficialmente em abril.

Do lado da demanda, compradores continuaram adquirindo pequenos volumes, na expectativa de mais desvalorizações com o avanço da nova temporada.

Entre 9 e 13 de março, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado (estado de São Paulo) teve média de R$ 1,2745/litro (sem impostos), queda de 0,6% em relação à semana anterior. Para o anidro, o Indicador recuou 0,9% em igual comparativo, com a média a R$ 1,3934/l. (Cepea / Esalq 17/03/2015)

 

Dívida da Petrobras triplicou em 2 anos e foi a R$ 332 bilhões

A crise financeira da Petrobras, que a obriga agora a vender ativos, se agravou nos últimos dois anos.

De 2012 ao final de 2014, as dívidas da estatal passaram de R$ 181 bilhões para R$ 332 bilhões.

A relação entre a dívida e o patrimônio da companhia subiu de 31% em 2013 para 43% no fim do terceiro trimestre de 2014.

Ao mesmo tempo, a geração de caixa foi prejudicada pela defasagem do preço dos combustíveis (a empresa importa por preço maior que o de venda no Brasil) e investimentos em atividades pouco rentáveis, como novas refinarias no Nordeste.

A estatal ampliou ao máximo o uso de refinarias, mas as perdas com a política de preços da gasolina está longe de ser zerado. No terceiro trimestre de 2014, a empresa importava 222 mil barris/dia de petróleo e derivados –quase 10% de sua produção.

Nesse período de dois anos, a dívida, que já era quase o triplo da capacidade de gerar fundos, subiu para quase o quíntuplo.

Medida pela alavancagem (que relaciona dívida e geração de caixa), passou de 2,77 para 4,63.

EFEITO LAVA JATO

A situação piorou com as investigações da operação Lava Jato, que provocou um impasse na publicação do balanço: a auditoria PwC recusou-se a assinar o documento.

Para atender às exigências da auditoria, a Petrobras montou uma força-tarefa para calcular as perdas com propinas e os valores reais de seus ativos.

Se não publicar o balanço até o final de maio, pode ser obrigada a antecipar o pagamento de US$ 110 bilhões, ou um terço de tudo o que deve na praça.

O alto endividamento e as dúvidas sobre a capacidade de pagamento fizeram a agência de risco Moody′s rebaixar a nota da estatal, que perdeu assim o grau de investimento.

Na prática, significa que eventuais financiadores cobrarão juros mais altos para fazer empréstimos à estatal, piorando a situação da dívida. (Folha Online 17/03/2015)

 

Distribuidora paulista Comgás tem queda de 14% no lucro do 4º tri

SÃO PAULO ­ A distribuidora paulista de gás natural Comgás, parte do grupo Cosan, registrou queda de 14,1% no lucro líquido do quarto trimestre, em relação a igual intervalo de 2013, para R$ 149,2 milhões.

O resultado foi impactado pela alta de custos provocada pela indexação em dólares dos preços do gás natural comprado da Petrobras.

O custo total de bens e serviços vendidos avançou 3,5% no trimestre, na base de comparação anual, para R$ 1,19 bilhão, com aumento de 7,7% e 9,1% nas linhas de custo do gás e transporte, explicados, principalmente, pelo aumento do custo unitário do gás decorrente dos contratos de fornecimento de gás precificado em dólar.

“A escalada do dólar frente ao real nos últimos anos continua impactando a competitividade do gás vendido pela companhia”, queixou-se a Comgás em relatório que acompanha o balanço.

“A política de preço do gás natural implementada pela Petrobras contribuiu para uma perda contínua da competitividade do combustível na indústria paulista”, completou.

A receita líquida da empresa ficou praticamente estável no trimestre, com variação positiva de 0,6% , somando R$ 1,6 bilhão.

Os lucros antes de juros, impostos, despesas financeiras, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) recuaram 13,1%, a R$ 295,7 milhões. Considerado o Ebitda normalizado, sem o efeito da conta corrente regulatória, o valor é de R$ 323,6 milhões, queda de 1,6% em relação ao quarto trimestre de 2013.

A conta regulatória acumula as diferenças entre o custo de gás pago aos fornecedores e o custo do gás contido nas tarifas da Comgás, valor posteriormente repassado aos clientes.

O volume total de gás vendido pela Comgás foi de 1,37 bilhão de metros cúbicos, alta de 1,9%. Sem o segmento de termogeração, o volume recuou 2,6% no trimestre, para 1,12 bilhão de metros cúbicos. (Valor Econômico 17/03/2015 às 21h: 12m)

 

Demanda por etanol anidro deve crescer 1,36 bilhão de litros nos próximos 12 meses

A demanda por etanol anidro nos próximos 12 meses no Brasil deve crescer em 1,36 bilhão de litros, de acordo com cálculos apresentados ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, pela Datagro, especializada no setor sucroenergético. O volume leva em conta o consumo adicional de 923 milhões de litros gerado em razão da nova mistura do biocombustível à gasolina, e também a quantidade de 443 milhões de litros que seriam acrescidos pela expansão natural da frota de veículos.

Considerando-se que a comercialização interna do produto tem girado em torno de 10 bilhões de litros, de acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), pode-se dizer que esses 1,36 bilhão de litros representam expansão de aproximadamente 13% no consumo doméstico. E segundo o próprio setor sucroenergético, há produto suficiente para garantir o abastecimento, com 1 bilhão de litros em estoque no início de março. A partir de abril, com o início da safra de cana no Centro-Sul do País, a produção tende a aumentar, suprindo a nova mistura.

Desde a segunda-feira, 16, a gasolina C vendida no País contém 27% de etanol anidro e não mais 25%. A decisão foi tomada pelo Conselho Interministerial de Açúcar e Álcool (Cima) no começo de março, com base em uma série de estudos feitos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) nos últimos meses.

Agora, a expectativa do setor sucroenergético é de que o porcentual seja elevado novamente e atinja o teto da banda aprovada pelo governo em setembro passado, de 27,5%. Para tanto, já está agendada uma nova reunião da cadeia produtiva de açúcar e álcool e da indústria automobilística com o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para 8 de abril, na qual serão apresentados os últimos testes de durabilidade realizados pela Anfavea.

Pelos cálculos da Datagro, esse 0,5 ponto porcentual representaria incremento de 231 milhões de litros na demanda por anidro nos próximos 12 meses, aumentando a demanda total pelo biocombustível em quase 1,60 bilhão de litros no período. (Agência Estado 17/03/2015)

 

Conab realiza reunião sobre estudos de perdas na pós-colheita

Pesquisadores têm prazo de cinco anos para apresentar resultados finais.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reúne-se, nos dias 17 a 19 de março, com os coordenadores dos três projetos contratados pelo CNPq para o Estudo das Perdas Quantitativas e Qualitativas na Pós-colheita e no Transporte de Grãos, em Brasília-DF. A reunião marca o início do estudo, que determinará os aspectos relacionados às perdas durante o transporte e na armazenagem de grãos de arroz e trigo, estocados em armazéns localizados nas principais regiões produtoras brasileiras: Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Tocantins.

Para a execução das atividades, a Conab vai investir um total de R$ 4 milhões, durante o tempo de vigência do Termo de Cooperação, que é de 5 anos, podendo ser prorrogado por mais 12 meses. Nesse encontro, os pesquisadores irão apresentar os projetos de pesquisa e discutir com representantes da Conab a metodologia que será implantada em atendimento às necessidades e expectativas da Companhia.

Histórico – A Conab e o CNPq assinaram o Termo de Execução Descentralizada, no dia 08/09/2014, para selecionar e contratar os projetos de desenvolvimento científico, tecnológico e inovação, voltados para a análise das perdas agrícolas. “Esse estudo é uma demanda antiga do agronegócio brasileiro e de outros países produtores”, explica o superintendente de Armazenagem da Conab, Rafael Bueno. “Quando concluídos, os trabalhos vão produzir informações fundamentais para a tomada de decisão e implementação de políticas para minimizar essas perdas”, avalia. (Conab 17/03/2015)

 

Estudos mostrarão se gasolina com mais etanol trará problemas a carros

Os testes que dariam segurança para o consumidor ainda não acabaram, mas nova mistura já entrou em vigor.

O incremento do fluido vegetal no de origem fóssil –de 25% para 27%–, segundo o governo, é visto como um incentivo ao setor sucroalcooleiro, que há anos enfrenta crise, ao menos nove usinas devem deixar de operar na safra deste ano, prevê a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Segundo especialistas consultados pela Folha, a mudança não interfere na durabilidade dos motores bicombustíveis, já construídos com materiais resistentes ao álcool. Quanto àqueles movidos apenas a gasolina, há chances de a durabilidade ser reduzida, embora especialistas acreditem que a possibilidade é pequena.

A AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva) afirma que "a probabilidade de haver diferença em corrosão nas peças além do que já existe é muito baixa, quase nula, para carros mais antigos. Nos carros mais modernos, é nula a variação".

Francisco Satkunas, engenheiro mecânico e conselheiro da SAE (sociedade que reúne engenheiros do setor automotivo) afirma que os carros movidos somente a gasolina –sobretudo os importados– "terão que ser avaliados quanto à sua durabilidade, que poderá ser reduzida em longo prazo por conta dessa adição de etanol". Contudo, o especialista ressalta que é pouco provável o surgimento de problemas.

A Anfavea (associação dos fabricantes de veículos) conduz um estudo sobre o tema, que deverá ser concluído até o fim do mês. O objetivo é esclarecer tecnicamente as reações da nova composição nos motores flex e nos movidos apenas a gasolina.

"Entendemos a adoção desta medida como apoio à economia brasileira. Com a preservação do teor de álcool na gasolina premium fica mantida, em defesa de nossos consumidores, há alternativa de abastecimento para os veículos movidos a gasolina", declara Luiz Moan, presidente da entidade.

Até que o estudo seja concluído, a Anfavea recomenda que os carros movidos a gasolina sejam abastecidos com gasolina premium, que mantém os 25% de etanol em sua composição, mas facilmente esbarra nos R$ 4 por litro. A comum custa, em média, R$ 3,30 o litro, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo).

A Abeifa (associação que representa importadores e fabricantes de veículos) diz que o novo teor de etanol na gasolina é "adequado", e que os carros de suas associadas (em sua maioria importados e movidos a gasolina) "foram projetados para os mais diversos mercados, desenvolvidos para receber uma composição de combustível com maior tolerância". Ainda assim, a entidade também recomenda o uso de gasolina premium e lamenta não ter tido mais tempo "para realizar testes de pelo menos 60 mil quilômetros, que trariam uma visão melhor de um possível impacto no desempenho dos veículos e/ou no comportamento dos componentes, utilizando gasolina com teor mais alto de etanol".

CONSUMO

Segundo Nilton Monteiro, diretor executivo da AEA, o desempenho dos motores referente a consumo e performance será fruto da "estratégia das empresas em calibrar os motores favorecendo a performance ou a economia de combustível".

As fabricantes consultadas pela Folha confirmam que realizam testes para saber se a calibração atual dos motores mudará por conta da porcentagem mais elevada de etanol na gasolina, mas a divulgação dos resultados ficará a cargo da Anfavea.

De acordo com Satkunas, "o consumo deverá ser praticamente o mesmo nos motores flex e mesmo nos demais a gasolina. Dois pontos percentuais acima dos 25% atuais não deverão ter maior impacto nesse quesito".

ANTIGOS

O engenheiro mecânico da SAE Brasil ainda explica que os mais afetados serão os donos de automóveis mais antigos, sobretudo os que usam carburador.

"Eles poderão ter mais falhas na partida a frio e corrosão de componentes. Para esses casos a orientação é usar gasolina premium". Isso porque o gicleur (componente que determina a quantidade de combustível que entra no sistema de combustão para se misturar ao oxigênio) foram originalmente calibrados para 15% de etanol, que era a proporção praticada naqueles anos, e poderão ter que ser regulados para os 27% atuais.

Ainda assim, as chances de ocorrer algum dano ao sistema é considerada pequena. (Folha de São Paulo 17/03/2015)

 

Diretoria da Petrobras faz "de tudo" para antecipar balanço auditado

A Petrobras está fazendo "de tudo para antecipar o máximo possível" a divulgação de resultados financeiros auditados e seus executivos manterão silêncio sobre assuntos da gestão da empresa para não atrapalhar o processo, disse nesta segunda-feira o diretor de Gás e Energia da petroleira, Hugo Repsold.

Questionado sobre uma data para a publicação do balanço, ele evitou fazer uma previsão, já que isso poderia ser mal interpretado pela Comissão de Valores Mobiliares (CVM) e pelo órgão equivalente nos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).

"A gente está fazendo tudo para antecipar o máximo possível (o balanço auditado), mas é muito difícil de prever (uma data), porque tem etapas para serem cumpridas e a gente tem que trabalhar duro", afirmou o diretor a jornalistas, após ministrar uma aula inaugural na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Durante discurso de pouco mais de uma hora, o novo diretor de Gás e Energia, com mais de 30 anos de carreira na Petrobras, evitou assuntos mais delicados e se mostrou bastante confiante diante dos desafios que terão que ser enfrentados pela empresa.

"Temos a tarefa árdua de concluir as contas, terminar as demonstrações contábeis da Petrobras e mostrar os números para que todos conheçam, números que sejam transparentes, claros, reconhecidos e auditados...", disse.

O balanço do terceiro trimestre foi publicado sem a assinatura da auditoria independente, que se recusou a assinar o documento sem que fossem feitas baixas contábeis relacionadas ao escândalo de corrupção que envolve a petroleira. Já o balanço do quarto trimestre ainda não foi apresentado.

Segundo Repsold, após a divulgação de balanço auditado, os funcionários na Petrobras poderão "prosseguir com a vida normal, técnica, de planejar, implementar os projetos, prosseguir com o desenvolvimento da produção". (Reuters 17/03/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau:  Mais um dia de queda: Os preços do cacau registraram a décima queda consecutiva ontem na bolsa de Nova York. Ainda que tenha sido uma retração pequena ­ os papéis para entrega em maio, que ocupam a segunda posição de entrega, encerraram o pregão a US$ 2.782 por tonelada, em baixa de US$ 1 ­, a curva alimenta preocupações nos principais países produtores, concentrados no oeste da África. Um dos fatores dessa pressão é o fortalecimento do dólar americano em relação a outras moedas, mas outro é justamente o clima mais favorável à produção na região, que tem recebido mais chuvas. Nas praças de Ilhéus e Itabuna, na Bahia, a arroba da amêndoa continua a ser negociada, em média, a R$ 118, de acordo com levantamento da Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Piso em dois anos: Os preços do suco de laranja atingiram ontem o menor valor em mais de dois anos na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em julho, que atualmente ocupam a segunda posição de entrega (normalmente a de maior liquidez), encerraram a sessão a US$ 1,1390 por libra-peso, em queda de 320 pontos. Trata-se do menor valor para o contrato mais negociado desde janeiro de 2013. De maneira geral, os preços do produto têm sido pressionados pela insistente queda do consumo no grande varejo dos Estados Unidos, mas a valorização do dólar também ajuda a aprofundar a tendência. No mercado spot paulista, a caixa de 40,8 quilos da laranja destinada às indústrias continua, em média, abaixo de R$ 10, conforme fontes ligadas às indústrias de suco.

Soja: Demanda fraca: O enfraquecimento da demanda externa pela soja americana e um movimento de liquidação de posições derrubaram as cotações da soja ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em julho, que ocupam a segunda posição de entrega, fecharam a US$ 9,5950 por bushel, em queda de 14,25 centavos de dólar. Conforme o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os embarques do país caíram 6,7% na semana encerrada em 12 de março, para 583,94 mil toneladas. Também pesam sobre as cotações o avanço da colheita na América do Sul e o dólar mais forte em relação a outras moedas. Nas principais praças de Mato Grosso, a saca de 60 quilos do grão é negociada entre R$ 55 e R$ 61, segundo o Instituto mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Milho: Dólar pesa: A perda de competitividade do milho dos EUA provocada pela alta do dólar voltou a pressionar as cotações da commodity ontem na bolsa de Chicago, que também acusaram os reflexos de um movimento de liquidação de posições. Os contratos com vencimento em julho encerraram a sessão a US$ 3,79 por bushel, em queda de 8 centavos de dólar. Conforme analistas, há relatos cada vez mais concretos de que, por causa do dólar, a China vem ampliando as compras do grão da Ucrânia em detrimento do produto americano. Mas, nas últimas semanas, as exportações americanas têm sido em geral decepcionantes, o que preocupa o mercado. No Paraná, a saca de 60 quilos saiu, em média, por R$ 21,71, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura. (Valor Econômico 18/03/2015)