Setor sucroenergético

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Brasil exporta etanol para os EUA em meio à queda do real ante o dólar

A barganha é uma espécie de “válvula de escape” para a crescente oferta do combustível no Brasil.

A Royal Dutch Shell Plc encomendou um grande carregamento de etanol brasileiro para ser enviado aos Estados Unidos, o sinal mais forte até agora de que as grandes oscilações nos valores do dólar e do real começam a ter reflexo nos fluxos de comercialização do biocombustível, disseram fontes.

Os grandes estoques do produto nos dois maiores produtores mundiais de etanol também influenciam nos negócios.

A Raízen Energia, uma joint venture entre a Cosan e a Shell, e a Biosev, unidade de açúcar e etanol controlada pela Louis Dreyfus Commodities, venderam um carregamento de aproximadamente 30 mil toneladas de etanol com destino à Flórida, segundo cinco fontes no setor de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos.

O carregamento ficou apenas um pouco abaixo da soma de todas as importações de etanol brasileiro feitas pelos Estados Unidos em dezembro, que foram os maiores volumes desde maio de 2014, de acordo com os mais recentes dados do governo dos EUA.

A Biosev confirmou ter negociado cerca da metade do carregamento, informando que a entrega está prevista para o final de março. A Shell e a Raízen não quiseram comentar.

Operadores dizem que a forte queda do real ante o dólar tornou o etanol brasileiro mais competitivo nos EUA, mesmo com os estoques norte-americanos situados em níveis elevados, proporcionando uma oportunidade de curto prazo para a Shell.

O real chegou a ser negociado a 3,283 por dólar nesta semana, o ponto mais fraco ante a moeda norte-americana em 12 anos, ante 2,86 reais por dólar há um mês, em meio à deterioração da economia brasileira.

Tarsillo Rodrigues, diretor-executivo da corretora Bioagencia, de São Paulo, diz que o negócio pode funcionar como uma "válvula de escape" para grupos que buscam reduzir estoques de etanol no Brasil, mas que esse tipo de negócio vai depender muito da estratégia de cada companhia.

"Do ponto de vista de preço não faria muito sentido, porque em tese o mercado local ainda paga um pouco melhor. Mas cada empresa tem que avaliar sua posição de estoque, suas metas acertadas com o conselho, existem vários fatores", afirmou.

Alguns grupos de açúcar e álcool no Brasil admitiram ter carregado um pouco mais de estoques durante o período da entressafra ante anos anteriores, aguardando por condições melhores de comercialização e também pelo aumento da mistura de etanol na gasolina, que demorou a se concretizar.

Agora, com a aproximação da nova safra de cana, produtores de etanol tentam reduzir esses estoques.

"As distribuidoras estão pressionando usinas para vender um pouco mais barato. Aproveitam o nível alto armazenado e também a situação financeira apertada de algumas empresas para pagar menos (pelo etanol)", disse Rodrigo Teixeira Bombig, diretor comercial da Usina Alta Mogiana.

Nos Estados Unidos, que foi o maior exportador mundial de etanol no ano passado, volumes maiores de importações brasileiras colocariam em alerta os produtores locais que se digladiam com margens apertadas e se esforçam para buscar mercados externos para um volume excedente do produto estimado em 3 milhões de toneladas.

"Está todo mundo agarrando as migalhas do que resta de demanda por derivados de milho", afirmou Steve Nicholson, analista do Rabobank AgriFinance in Saint Louis (o etanol é feito a partir do milho nos EUA).

Os preços de referência para o etanol no mercado físico no Meio-Oeste norte-americano estão 15 por cento menores do início do ano até agora, em cerca de 1,40 dólar o galão (3,78 litros), sob pressão dos baixos preços da gasolina. O produto é negociado na Flórida com um prêmio de cerca de 30 centavos de dólar por galão.

O preço em dólar do etanol anidro na usina no Estado de São Paulo já caiu mais de 15 por cento nas últimas semanas, para 1,60 dólar o galão, menor valor em dólar em mais de um ano. Em reais, a queda foi menor, de pouco mais de 7 por cento desde o pico da entressafra, há cerca de um mês.

Apesar desse negócio pontual, há dúvidas sobre a possibilidade de mais exportações, tanto para os EUA como para outros destinos.

"O atual cenário é bem diferente daquele observado em 2008, quando as exportações brasileiras superaram 5 bilhões de litros", diz Bruno Freitas, economista da consultoria Datagro.

"Além de contar com uma maior produção interna, a União Europeia e os EUA diminuíram as importações também em virtude das revisões dos programas de uso de biocombustíveis", afirmou. (Reuters 18/03/2015)

 

Lucro da Cosan cresce 11,7% em 2014

SÃO PAULO - A Cosan obteve lucro líquido de R$ 292 milhões em 2014, aumento de 11,7% na comparação com o ganho de 2013, de R$ 261,3 milhões.

O desempenho refletiu equivalência patrimonial dos resultados da Raízen (empresa criada a partir da junção de parte dos negócios da Shell e da Cosan), impacto da variação cambial sobre a própria empresa, além da redução no resultado financeiro, por conta também do câmbio e de operações com derivativos.

A receita da companhia, no intervalo, cresceu 32,9%, para R$ 8,146 bilhões.

Na separação por segmento de negócio, a Raízen Combustíveis teve receita líquida de R$ 55,733 bilhões, com aumento de 14,8% na comparação anual.

A rede de postos revendedores Shell encerrou o ano de 2014 com 5.356 postos e 944 lojas de conveniência, crescimento de 496 postos e 94 lojas no ano.

Já a Raízen Energia, que produz e comercializa produtos derivados de cana-de-açúcar, teve receita operacional líquida de R$ 9,263 bilhões, aumento de 0,7% no ano.

A Comgás, de distribuição e comercialização de gás natural, teve receita operacional líquida de R$ 6,387 bilhões, com alta de 0,8%.

O segmento de lubrificantes, composto pelas atividades de industrialização e distribuição das marcas Mobil e Comma, teve receita operacional líquida 3,8% maior, de R$ 1,602 bilhão. (Valor Econômico 18/03/2015 às 19h: 44m)

 

Setor sucroenergético encolheu 20% frente à crise dos últimos anos

Este e outros números serão apresentados pela Unida a deputados e senadores durante evento promovido pela Feplana nesta quinta-feira (19), na Câmara dos Deputados.

A falta de políticas pública nacionais voltada às questões energéticas nos últimos anos é responsável pelo fechamento de quase 41 usinas no Brasil.

Outras 33 estão paradas mesmo que em recuperação judicial, além de 10 funcionando em recuperação judicial. Estima-se que mais 30 unidades entrarão em recuperação judicial em seis meses.

Das 439 unidades do território nacional, apenas 343 continuam funcionando normalmente. O setor sucroenergetico ficou 20% menor depois de 2009, período quando a presidente Dilma Rousseff assumiu o primeiro mandato.

Estes dados serão apresentados pela União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) aos parlamentares do Congresso Nacional nesta quinta-feira, durante evento promovido pela Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), em parceria com a Unida e com a Organização dos Plantadores de Cana do Centro-Sul (Orplana).

“A nossa crise iniciou com a instabilidade financeira mundial em 2008. Dezenas de usinas fecharam e houve uma perda de 350 mil postos de trabalho”, diz Paulo Leal, presidente da Feplana. Além disso, foi gerada no período outro problema por conta da mecanização dos canaviais, que aumentou os custos de produção, ao invés de abaixar, como se esperava.

A partir do mesmo ano, o governo federal iniciou a desoneração do Cide da gasolina, barateando o preço final do combustível fóssil, criando uma concorrência desleal com o etanol.

O tributo foi zerado em 2012, piorando o problema, só voltando a ser tributado em 2015, ano em que o governo atendeu outro pleito do setor elevando o anidro da gasolina para 27%.

O dirigente defende políticas especificas para auxiliar a saída da crise, como a inclusão da cana no Programa de Garantia de Preço Mínimo, bem como a renegociação de dívidas e o PRER para as indústrias em dificuldades. Outra ação importante é a redução do ICMS estadual sobre o etanol.

Para Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida, o governo federal é responsável pela maior parte dos fatores que estão influenciando direto e indiretamente no setor sucroenergético de forma negativa.

“O governo só não é culpado pela crise hídrica e a financeira internacional de 2008, mas desde então vem adotando política de desvalorização do etanol nacional”, garante. Ele destaca a política equivocada de preços intervencionista e irreal para os combustíveis, a exemplo do valor do preço da gasolina importada e vendida no mercado interno com preço menor do que foi adquirida. Isso ajudou a baixar os preços do etanol, agravando ainda mais a crise diante do custo elevado de produção.

Outro ponto que o dirigente da Unida credita na conta da presidente Dilma foi a mudança de direção da política nacional sobre o etanol.

“Ele deixou de ser prioridade como era no governo Lula”, diz Lima. Com isso e diante da falta de políticas públicas correspondentes, o setor fica impedido de fazer qualquer planejamento de longo prazo, como também amarga com alto endividamento, haja vista que havia feito expressivos investimentos com base na posição do então presidente Lula sobre a valorização do etanol.

Assim, o dirigente defende que o governo federal adote uma nova postura capaz de contribuir para reativar o setor sucroenergético do país. Ele reivindica a implementação de um programa de incentivo referente à bioeletricidade através da queima do bagaço, o desenvolvimento do motor Flex e um programa específico voltado para saneamento dos passivos do agronegócio em longo prazo.

Nordeste

Com 77 usinas ainda em funcionamento, sendo que muitas já estão em recuperação judicial diante da atual crise, o setor é responsável 8% da produção de cana do Brasil. Todavia, apesar do número parecer pequeno, ele responde por 13% do PIB nordestino.

Envolve 25 mil produtores independentes de cana e cerca de 640 mil empregos diretos e indiretos na região.

Isso representa 21% de toda a mão de obra do país voltada ao segmento sucroenergético. Porém, devido a topografia declisova, terra menos fértil e a seca recorrente, a produção de cana no Nordeste tem um custo de produção maior do que no centro-sul do Brasil, mesmo sendo o 5º menor custo de produção mundial, se considerar a região como sendo um País.

Diante dessas condições, com maior custo produtivo, mas com uma forte contribuição socioeconômico para o NE, o governo federal, desde o presidente Lula, vem concedendo aos produtores subvenções, baseadas no Programa de Custos de Produção de Cana para o Nordeste.

“Defendemos a manutenção deste programa para reduzir a desigualdade produtiva dentro do país, bem como para continuar estimulando a cultura canavieira na região e o respectivo desenvolvimento socioeconômico, uma vez que outras culturas agrícolas são inviáveis na maior parte de nossas 222 cidades com vocação canavieira”, ressalta Lima.

O dirigente aproveitará o encontro da Feplana com os parlamentares para reivindicar que seja liberada pelo governo federal a subvenção da safra 2012/2013, período auge da maior seca dos últimos 50 anos da região.

O benefício consta na Lei 12.999, de julho de 2014, mas até agora o ministro da Fazenda, Joaquim Levi, não assinou o decreto regulamentando a legislação, impedindo o início do pagamento de R$ 12 por ton. de cana fornecida pelo agricultor há duas safras atrás. (Unica 18/03/2015)

 

Fornecedores de cana se reúnem com deputados hoje em Brasília

O encontro, articulado pela entidades representativas do setor canavieiro, acontece nesta quinta-feira (19), em Brasília. A Asplan vai estar presente.

Representantes da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), da Organização dos Plantadores de Cana do Centro-Sul (Orplana), da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) e do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC) vão expor, na manhã desta quinta-feira (19), as demandas que são prioritárias para o setor canavieiro. O público alvo do evento, que acontece no auditório Freitas Nobre, da Câmara dos Deputados, em Brasília, a partir das 8h, são os deputados e senadores da atual Legislatura do Congresso Nacional. O presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Murilo Paraíso e o diretor da entidade, Pedro Jorge Coutinho, vão participar dos dois eventos.

“A proposta é passar informações do setor aos parlamentares, mostrando a real situação e a necessidade de se implantar uma política nacional energética voltada para valorizar o etanol”, explica o presidente da Feplana, Paulo Leal. Dentre as reivindicações, o pleito em defesa da subvenção econômica da cana nordestina e do Rio de Janeiro, pendente deste julho de 2014, se destaca.

A programação do evento começa com uma apresentação das lideranças do setor que vão abordar o tema ‘O setor de cana-de-açúcar, suas necessidades e demandas’. Em seguida, o deputado Arnaldo Jardim, atual secretário estadual da Agricultura de São Paulo, falará sobre ‘Políticas públicas da cadeia produtiva do açúcar e do álcool’. Na sequência, o deputado Marcos Montes mostrará as ações da Frente Parlamentar da Agropecuária e a Agenda Legislativa para Agricultura em 2015. Depois será o momento do deputado Rubens Bueno falar sobre a atual conjuntura política do Brasil.

Ainda haverá a participação dos deputados Sérgio Souza que vai falar sobre ‘Ações para o setor de Biocombustíveis’, e Mendes Thame que vai falar sobre as ações do Legislativo em geral. O senador Ronaldo Caiado vai abordar a agenda do Senado para o setor de biocombustíveis. No final das exposições e debates será elaborado um documento sobre ‘Diretriz do Setor de Cana-de-Açúcar’.

A tarde, outra reunião vai mobilizar os representantes do setor. Será a reunião da direção da Feplana voltada para fazer a prestação de contas da entidade Na ocasião também serão debatidas estratégias para destravar a liberação dos pagamentos da subvenção federal da cana para os produtores do NE e do RJ. (Brasil Agro 19/03/2015)

 

Logística para combustíveis em expansão

O terminal de combustíveis da Raízen em Rondonópolis é o terceiro construído pela empresa em Mato Grosso desde que ela foi criada, em 2011, a partir da fusão entre as gigantes Cosan e Shell.

"Havia uma certa acomodação na logística para combustíveis no país, e a Raízen veio para mudar isso", afirmou o vice-presidente de Logística, Distribuição e Trading da companhia, Leonardo Gadotti Filho.

A nova estrutura tem condições de movimentar 1 bilhão de litros de combustíveis por ano entre gasolina, diesel, biodiesel e, eventualmente, etanol.

O prefeito de Rondonópolis, Percival Muniz, presente ontem na inauguração do terminal, afirmou que nos próximos dois a três anos em torno de 6 bilhões de litros deverão ser movimentados a partir de Rondonópolis a partir de projetos também de outras distribuidoras de combustíveis que tendem a seguir os mesmos passos da Raízen.

"Viemos investindo muito nos últimos quatro anos para modernizar e ganhar eficiência da logística de distribuição de combustíveis. Os aportes vem sendo realizados em terminais, portos, dutos e em outros modais alternativos à rodovia. Com isso, conseguimos no ano passado 20% da nossa frota primária, ou 200 caminhões", disse Gadotti.

Na inauguração do terminal de Rondonópolis, o presidente da Cosan, Marcos Marinho Lutz, afirmou que os investimentos em Rondonópolis não vão parar no terminal da Raízen.

Controladora também da ALL, via Rumo Logística, a Cosan incluiu o município no plano de investimentos da empresa ferroviária, que prevê o aporte de R$ 7 bilhões dos próximos cinco anos.

"Vamos dobrar a capacidade da ferrovia em Rondonópolis e, ainda sim, consideramos que será insuficiente para atender ao crescimento de demanda que vemos para essa região", disse Lutz.

Em operação há um ano, a ferrovia da ALL em Rondonópolis escoa uma parcela importante da produção de grãos de Mato Grosso até o porto de Santos, no litoral paulista.

No período de 12 meses encerrado em setembro de 2014, foram transportados pela ferrovia, a partir de Rondonópolis, pouco mais de 10 milhões de toneladas de grãos.

No terminal de combustíveis de Rondonópolis, a Raízen investiu R$ 60 milhões.

A estrutura é considerada pela companhia a mais moderno entre os 63 terminais que controla no país.

Com capacidade para carregar 40 vagões simultaneamente, o terminal realiza em cinco horas uma operação de carregamento que normalmente levaria de 12 a 15 horas.

O diferencial está nos sistemas automáticos de medição de volume e de qualidade dos combustíveis, que eliminam o controle manual desses processos, explicou o gerente de novos negócios de Logística e Trading da Raízen, Luiz Felipe Saraiva.

O terminal tem condições de armazenar 24 milhões de litros em sete tanques e faz parte de um plano de investimentos de R$ 120 milhões no Centro-Oeste.

O terminal da companhia em Paulínia também foi ampliado para receber os biocombustíveis vindos do Centro-Oeste.

No primeiro semestre do ano passado, a Raízen inaugurou um terminal de combustíveis em Porto Nacional (TO), a 66 quilômetros de Palmas, às margens da ferrovia Norte-Sul, e já iniciou a construção de uma outra unidade semelhante em Marabá (PA). (Valor Econômico 19/03/2015)

 

Ferrovia barateia escoamento de biodiesel de MT

Segundo maior produtor de biodiesel do país, Mato Grosso agora tem estrutura para escoar sua oferta atual por ferrovia até a refinaria de Paulínia, em São Paulo.

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, inaugurou ontem um terminal ferroviário de combustíveis no município de Rondonópolis que, em larga medida, terá justamente essa finalidade.

O projeto gerou expectativa no Estado pela redução de custos que promete garantir na comparação com a utilização de rodovias.

O transporte do biodiesel puro (B-100) de Rondonópolis a Paulínia será realizado nos mesmos vagões que agora poderão levar gasolina e diesel da cidade paulista até o polo agrícola mato-grossense.

Por caminhão, são cerca de 2 mil quilômetros

Nas contas da Raízen, essa otimização do transporte, com a ocupação dos vagões ferroviários na ida e na volta, possibilitará um ganho de eficiência de 27% na distribuição de combustíveis na região, segundo Leonardo Pontes, diretor-executivo de logística da empresa.

E boa parte desse ganho virá da redução dos fretes.

A Raízen, cujo faturamento anual supera R$ 50 bilhões, começou a transportar biocombustíveis por trilhos em 2013, com o transporte de biodiesel de Esteio (RS) até Araucária (PR).

Na base de distribuição ferroviária da empresa em Alto Taquari (MT), o uso do modal para o escoamento de biocombustíveis entrou em escala comercial em 2014, puxado pelo etanol produzido no sul de Goiás, tanto na usina própria da companhia, localizada em Jataí, como em outras unidades da região.

Com o terminal de Rondonópolis, todo o biodiesel de Mato Grosso que até agora chegava a Paulínia em caminhões deverá seguir em vagões.

Com isso, a empresa espera ampliar significativamente o volume total de biocombustíveis que movimenta por ferrovias no ciclo 2015/16, que terá início em abril.

A área de distribuição de combustíveis da Raízen projeta que deverá movimentar no mercado interno 3,8 bilhões de litros de etanol e outros 700 milhões de litros de biodiesel nesta temporada 2014/15, que terminará no dia 31 deste mês.

Do total de 4,5 bilhões de litros, 20% serão escoados por trilhos, disse Pontes.

"Com Rondonópolis, esse percentual vai dobrar", previu.

A maior parte do biodiesel de Mato Grosso é produzido em um raio de cinco a dez quilômetros do novo terminal da Raízen em Rondonópolis, construído às margens da malha da América Latina Logística (ALL) - agora também controlada pela Cosan por meio da subsidiária Rumo Logística.

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2014 o Brasil produziu 3,4 bilhões de litros de biodiesel e Mato Grosso representou 18% desse volume (611 milhões de litros).

Aproximadamente 400 milhões de litros vieram de unidades de processamento localizadas em Rondonópolis, incluindo as das multinacionais americanas ADM (161 milhões de litros) e Bunge (115 milhões de litros) e a da asiática Noble (116 milhões).

É difícil saber como o ganho de eficiência calculado pela Raízen em 27% vai se distribuir ao longo da cadeia produtiva.

Mas, conforme o diretor de logística da empresa, o novo terminal tende a mudar o patamar de competitividade de Mato Grosso em biodiesel em relação a seu maior "concorrente", o Rio Grande do Sul. Do total de 700 milhões de litros que a Raízen movimentará em biodiesel no ciclo 2014/15 em todo o Brasil, em torno de 50% virão de Mato Grosso e 40% de fábricas gaúchas.

"A projeção é que o biodiesel mato-grossense amplie sua participação em 10 pontos percentuais nos próximos cinco anos, pois é aqui que está a maior produção de soja do país e os maiores potenciais de crescimento na fabricação de biodiesel", afirmou Pontes.

Em 2015/16, segundo ele, a Raízen deverá movimentar 830 milhões de litros de biodiesel no Brasil, em virtude do aumento do percentual de biodiesel no diesel, de 5% para 7%, em vigor desde o último trimestre do ano passado, e também desse crescimento de "market share".

Desde sua implementação no país, há quase dez anos, o mercado de biodiesel é regulado pelos leilões da ANP, que define os volumes a serem adquiridos a cada bimestre e estabelece os limites para os preços de comercialização.

Mas Leonardo Gadotti Filho, vice­presidente de Logística, Distribuição e Trading da Raízen, não tem dúvidas de que esse mercado vai mudar um dia no Brasil.

"E, quando isso acontecer, o diferencial será a logística", afirmou Gadotti. Atualmente, o biodiesel B-100 pode ser adquirido apenas por uma distribuidora de combustível, que o mistura, na proporção permitida, no diesel que é distribuído no país. "

Quando o mercado se abrir, poderemos movimentar volumes bem maiores do produto, uma vez que atuaremos também como trading de biodiesel", disse o executivo. (Valor Econômico 19/03/2015)

 

Commodities Agrícolas

Café: Terceira alta seguida: Os preços do café arábica voltaram a subir ontem na bolsa de Nova York, pela terceira sessão consecutiva. Os contratos com vencimento em maio fecharam a US$ 1,4005 por libra-peso, com ganhos de 190 pontos. Desde segunda-feira, a valorização acumulada chegou a 1.025 pontos. Como não há novidades relacionadas aos fundamentos de oferta e demanda desse mercado, analistas creditam o movimento a ajustes técnicos após um longo período de quedas. Mas os traders seguem de olho nos reflexos deixados pela recente seca no Brasil, que ainda geram incertezas do lado da oferta, e no comportamento das chuvas atuais. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade saiu entre R$ 470 e R$ 490, conforme o Escritório Carvalhaes, de Santos

Algodão: Respiro em NY: Após três pregões seguidos de baixas, quando desceram ao menor patamar em um mês, os preços do algodão reagiram e fecharam em alta ontem na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em julho fecharam a 62,87 centavos de dólar por libra-peso, com ganho de 204 pontos. Segundo analistas, essa recuperação pode até ganhar algum fôlego hoje, a partir da divulgação de novos dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) sobre as exportações do país. Afora isso, contudo, os sinais são de mais pressão, sobretudo por conta da firmeza do dólar em relação a outras moedas. Nas principais praças de Mato Grosso, a arroba tem sido negociada por volta de R$ 57, segundo o Instituto mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Soja: Empurrão do Fed: Depois de quatro pregões de queda, a soja reagiu ontem na bolsa de Chicago, em meio ao enfraquecimento do dólar registrado no fim do pregão por conta de um comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Os lotes para julho fecharam a US$ 9,6975 por bushel, em alta de 10,25 centavos. Nos últimos dias, o grão vinha em baixa em razão do fortalecimento do dólar, que diminui a competitividade do produto americano no exterior. Ontem, porém, o Fed revisou para baixo as projeções para os juros, reduzindo a cotação do dólar. Sinais de que a oleaginosa estava sobrevendida, após as recentes quedas, foram um suporte adicional aos preços. No oeste da Bahia, a saca foi negociada a R$ 56,33, segundo a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Milho: Influência macro: O comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) que reduziu as projeções para crescimento, inflação e juros nos EUA determinou a alta das cotações do milho na bolsa de Chicago ontem. Os contratos com vencimento em julho fecharam em elevação de 3,75 centavos, a US$ 3,8275 por bushel. Com o anúncio do Fed, o dólar registrou queda ante outras moedas, cenário que torna as exportações americanas mais competitivas. No pregão anterior, relatos de que os chineses estavam comprando milho da Ucrânia, em detrimento do grão dos EUA ­ mais caro em função do dólar valorizado ­ contribuíram para que o milho recuasse. No Paraná, a saca foi negociada por R$ 21,81, em média, alta de 0,46%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). (Valor Econômico 19/03/2015)