Setor sucroenergético

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Por câmbio, Cosan eleva em 9% o hedge em reais do açúcar de 2015/16

SÃO PAULO - A Raízen Energia, braço sucroalcooleiro do grupo Cosan, realizou o hedge de 998,7 mil toneladas de açúcar que serão produzidas no ciclo 2015/16, que começa em 1º de abril.

O volume foi precificado ao valor de 46,61 centavos de real por libra-peso, 8,9% acima do hedge médio de 42,79 centavos de real feito para o volume de 2,760 milhões de toneladas do ciclo 2014/15.

Foi importante nessa precificação, segundo a empresa, o hedge cambial.

A companhia conseguiu fixar o câmbio para o açúcar que será exportado em 2015/16, em média, a R$ 2,71 por dólar.

No ciclo 2014/15, essa média ficou em R$ 2,40 por dólar. (Valor Econômico 19/03/2015 às 12h: 22m)

 

Cosan prevê aquisição em combustíveis

O plano de investimentos da Raízen Combustíveis para 2015 prevê a aplicação de R$ 200 milhões em pequenas operações de aquisição de postos bandeira branca, contrato de exclusividade com postos de combustíveis que não têm vínculo de compra com distribuidoras, disse ontem o diretor de relações com investidores da Cosan, Marcelo Martins.

Para o ano, a previsão de investimento em combustíveis vai de R$ 750 milhões a R$ 850 milhões, teto que supera os R$ 795 milhões aplicados na operação em 2014.

No ano passado, a Raízen adquiriu a distribuidora de combustíveis Latina, do Rio Grande do Sul.

A compra não estava computada na previsão de orçamento do ano.

Nesse negócio, a projeção da Cosan é crescer 4% em volume neste ano, acima da média de 1% esperada para todo o mercado brasileiro e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 2,3 bilhões a R$ 2,5 bilhões.

O valor é acima dos R$ 2,15 bilhões apurados em 2014.

Em dezembro, a rede Shell da Raízen tinha 5.356 postos e 944 lojas de conveniência.

Na Raízen Energia, operação de processamento de cana-de-açúcar e produção de etanol, açúcar e eletricidade, a Cosan prevê investir na safra 2015/16 entre R$ 1,6 bilhão e R$ 1,8 bilhão, ante R$ 2 bilhões a R$ 2,2 bilhões até o fim de março deste ano, quando termina o ano fiscal 2014/15.

"O capex da atual safra tem ainda resquício de cerca de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões de investimentos em cogeração de energia e etanol celulósico", disse o presidente da Cosan, Marcos Lutz.

Para 2015/16, o valor orçado só prevê manutenção da operação. "Ao reduzir aportes, não estamos matando oportunidade de crescimento no futuro desse negócio. Só estamos numa inclinação de manter a moagem atual de cana", afirmou.

"O foco neste caso é ter geração de caixa e não investir mais. O negócio sucroalcooleiro, no momento, traz um retorno abaixo do desejado", diz Lutz.

Com o balanço de 2014, a Cosan informou que projeta para este ano receita líquida consolidada de R$ 42 bilhões a R$ 45 bilhões, frente a R$ 39,1 bilhões no ano passado.

Para o Ebitda, a empresa projeta algo no intervalo de R$ 4 bilhões a R$ 4,3 bilhões, que se compara a R$ 3,763 bilhões.

Para a Comgás, a Cosan estima crescimento da base de clientes de 1,46 milhão para algo entre 1,53 milhão e 1,58 milhão, Ebitda de R$ 1,5 bilhão a R$ 1,7 bilhão e investimento de R$ 500 milhões a R$ 560 milhões.

É menos que R$ 661 milhões do último ano. Na Lubrificantes, a previsão é de expansão do Ebitda anual, de R$ 103 milhões para R$ 120 milhões a R$ 160 milhões.

E na Radar, cujo resultado no ano passado foram beneficiados pelo maior volume de venda de propriedades, a previsão é a de recuo, para R$ 130 milhões a R$ 140 milhões (em 2014 foram R$ 193 milhões).

Sobre a incorporação da ALL pela Rumo, que ainda é o único ativo da Cosan Logística, a companhia indicou que a operação pode ser concluída em "alguns meses".

No início do mês, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) manteve as restrições impostas à fusão, entre as quais o estabelecimento de cota máxima fixa para utilização da ferrovia pela Cosan, maior acionista individual da Rumo.

Essa cota deverá ser respeitada até que a empresa cumpra os investimentos prometidos. Para analistas, as estimativas da Cosan de resultados em 2015 não vieram fortes como esperado, mas indicam performance operacional sólida ao longo do ano.

Segundo o BTG Pactual, as estimativas aparentam ser "justas", ainda que um pouco conservadoras.

A melhora nas tendências de preços de energia e etanol, além da forte lucratividade em seu segmento de produção, indicam que a Cosan pode surpreender positivamente esse ano, segundo o BTG, que manteve recomendação de compra para os seus papéis e preço­alvo, em R$ 37.

O Citi também manteve a recomendação de compra, devido à expectativa de bom desempenho em distribuição de combustíveis.

O preço-alvo foi mantido em US$ 12 para os ADRs em Nova York. (Valor Econômico 20/03/2015)

 

Dólar valorizado elevará preços globais do açúcar no longo prazo, projeta Cosan

A atual situação de dólar valorizado ante o real e também em relação a outras moedas vai contribuir para enxugar a produção de açúcar de alguns países e aumentar os preços internacionais, mas usinas brasileiras terão dificuldades de aproveitar esta conjuntura, em um primeiro momento, para aumentar participação de mercado, devido a seus problemas de endividamento, avaliou nesta quinta-feira o diretor-presidente da Cosan, uma das principais empresas do setor.

"No longo prazo, o dólar como está hoje fará o Brasil retomar 'market share'. Retomar 'market share' significaria o Brasil voltar a investir. Mas a gente não vê isso acontecendo com facilidade por (falta de) disponibilidade de musculatura financeira do setor sucroalcooleito brasileiro", afirmou Marcos Lutz, presidente da Cosan, em teleconferência com jornalistas.

O primeiro contrato do açúcar bruto em Nova York é negociado atualmente na mínima de quase seis anos, em grande parte devido a vendas de produtores brasileiros que buscam lucrar com a atual desvalorização do real. Isso após o setor amargar baixos retornos com o adoçante por um longo período.

"No longo prazo, o dólar baixo começa a tirar produção marginal do mundo. Outros países que não tiveram desvalorização (de suas moedas ante o dólar) começam a ficar com o sistema produtivo muito caro, ou o preço muito baixo", disse o executivo.

O dólar tocou nesta quinta-feira o maior patamar em 12 anos frente ao real.

O executivo não detalhou que países ou produtores sofreriam com a valorização do dólar. Mas esse não é o caso do Brasil, que já começa a se beneficiar do câmbio, especialmente companhias com melhor situação financeira.

Segundo Lutz, essa mudança de cenário em função do câmbio deverá ocorrer, seguramente, em cinco anos, ou até em dois ou três anos, numa projeção mais arriscada.

"A fotografia de longo prazo é altista para o preço em dólar do açúcar, e muito altista", completou.

A empresa acelerou recentemente sua fixação de preços de açúcar no mercado futuro para aproveitar a oscilação do câmbio e a volatilidade das cotações em Nova York, disse Lutz.

"Na prática, a gente teve boas oportunidades de fixar preços rentáveis o suficiente ao longo do tempo", afirmou o executivo.

A empresa de infraestrutura e energia teve prejuízo líquido de 83,5 milhões de reais no quarto trimestre de 2014, ante lucro de 229,8 milhões de reais no mesmo período de 2013, segundo balanço divulgado na noite de quarta-feira. (Reuters 19/03/2015)

 

Clima ajuda Raízen, da Cosan, a elevar moagem de cana em 2015/16, diz executivo

As chuvas das últimas semanas no Sudeste permitiram um aumento da projeção de moagem de cana na safra 2015/16 da Raízen, maior produtora de açúcar e etanol do mundo, disse nesta quinta-feira o diretor-presidente da Cosan.

A Raízen é uma joint venture entre Cosan e Shell para a produção de energia e distribuição de combustíveis.

Em seu relatório de resultados de 2014, divulgado na noite de quarta-feira, a Cosan disse que a Raízen Energia processará 57 milhões a 60 milhões de toneladas de cana na temporada 2015/16, que começa nas próximas semanas, ante 57 milhões a 58 milhões em 2014/15.

"Você teve um atraso de chuvas, mas você teve um período chuvoso no Sudeste bastante acentuado nas últimas semanas, o que fez com que as lavouras ficassem com uma perspectiva boa de produção para o ano", explicou o diretor-presidente da Cosan, Marcos Lutz, em teleconferência com jornalistas.

A empresa também projeta aumento no volume de açúcar vendido na temporada, para 4,2 milhões a 4,4 milhões de toneladas, ante 4,1 milhões a 4,3 milhões na temporada passada. Ao mesmo tempo, foi mantida a projeção de venda de etanol em 1,9 bilhão a 2,1 bilhões de litros em 2015/16, mesmo volume de 2014/15.

Segundo Lutz, a explicação é uma melhora no preço em real da venda do açúcar, em meio à recente alta do dólar.

"Isso decorre de uma perspectiva mais positiva de preço dada a variação cambial. Você tem um aumento relativo da competitividade brasileira... o que reflete também na rentabilidade das empresas", afirmou o executivo. (Reuters 19/03/2015)

 

Lula, Dilma, PT e Estado Islâmico: tudo a ver

Há muito tempo neste espaço democrático temos criticado a inação e falta de coragem do governo federal em enfrentar os problemas que colocam o Brasil na berlinda e o situam como um país onde a corrupção é uma das maiores do mundo.

Tem razão a presidente Dilma quando afirma, assustada e acuada com a insatisfação dos brasileiros, notadamente daqueles que trabalham e produzem, que a corrupção não é uma ‘nova senhora’. Ao mesmo tempo, com efeito, também têm razão os que constatam que a corrupção tomou um vulto gigantesco e assustador a partir da chegada de Lula e seus ‘exércitos’ de corruptos e descarados ao poder.

A visão de atraso, a intolerância, a falta de respeito, a covardia e a barbárie da ‘troupe’ que se instalou no poder tem tudo a ver com o que se assiste nas ações do Estado Islâmico. O desrespeito e o mundo irreal em que vivem, só tem o único propósito de destruírem o que foi construído pelos outros com muito sacrifício.

Que o digam os mais de 300 mil trabalhadores do setor canavieiro demitidos nos últimos seis anos; as 83 usinas fechadas e as 70 que se encontram em processo de Recuperação Judicial. Como explicar este caos iniciado com Lula e que prossegue no mandato de Dilma?

Talvez a única explicação, convincente, seja a de uma executiva, ex-alta funcionária do Ministério da Ciência e Tecnologia, ao dar a sua opinião a este jornalista sobre a política errática adotada pelo Ministério de Minas e Energia em relação aos biocombustíveis e a bioeletricidade:

“Para quem está no governo, fica muito mais fácil tomar dinheiro de poucas empreiteiras que atuam na construção de hidrelétricas do que tentar negociar com as cerca de 400 usinas sucroenergéticas que produzem bioeletricidade. O mesmo raciocínio vale para o etanol e o biodiesel. Ou seja, com o PT no poder, o sistema de arrecadação saiu do varejo e seguiu para o atacado. O negócio é centralizar e aí fica mais fácil de achacar!”.

Ao mesmo raciocínio, acrescentamos o do ex-ministro e Professor Emérito da Universidade de São Paulo – USP, Dr. José Goldemberg ao ser indagado numa entrevista ao TV BrasilAgro sobre as dificuldades do governo em reconhecer as vantagens da bioeletricidade: “O PT trouxe consigo o processo de sovietização, o espalhou e aparelhou em todas as instâncias do governo tão logo assumiu o poder!”

Para piorar, jornais no início da semana, publicaram notícias cifradas indicando que a roubalheira da Petrobras é muito maior do que o que já foi divulgado. E, mais: os empreiteiros presos nas celas da Polícia Federal em Curitiba no Paraná, já relataram aos representantes do Ministério Público Federal, à Polícia Federal e ao juiz Sérgio Moro, detalhes sobre os desvios e a roubalheira no sistema elétrico nacional.

Por isto só, a visão míope e a falta de respeito aos brasileiros, mostrada pelo ministro Miguel Rossetto na condição de porta-voz da presidente Dilma Rousseff na entrevista coletiva da noite deste último domingo, creditando aos que “não votaram em nós” a avalanche de brasileiros que foram às ruas para gritar “basta”, só pode ser considerada deboche.

Até porque, Rossetto como ministro da Reforma Agrária e também como presidente da Petrobras Biocombustíveis, onde sua maior obra foi o escândalo em que se meteu com a compra da BSBios – tema que deve aparecer logo na CPI da Petrobras na Câmara Federal – se insere, ao vivo e a cores, dentre aqueles petistas que muito lembram o Estado Islmâmico. Ou não? (Ronaldo Knack é Jornalista e graduado em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Comissão dos EUA aprova acordo com México sobre comércio de açúcar

Reguladores dos Estados Unidos aprovaram nesta quinta-feira um controverso acordo comercial com o México que impõe uma cota para a importação de açúcar e estabelece preços mínimos, rejeitando questionamentos de refinarias norte-americanas e deixando a batalha comercial mais perto de um fim, após cerca de um ano de discussões.

A decisão da Comissão de Comércio Internacional dos EUA abriu caminho para a acordo de suspensão entre EUA e México que estabelece valores mínimos e coloca uma limitação nos volumes comprados do México.

Duas refinarias norte-americanas, a Imperial Sugar, da Louis Dreyfus Commodities, e a AmCane Sugar, dizem que serão prejudicadas com a implementação das restrições.

A disputa afeta o comércio de açúcar na América do Norte desde o fim de março de 2014, quando um grupo representando empresas de açúcar dos EUA e agricultores pediu ao governo dos EUA que implementasse barreiras antidumping e antissubsídios. (Reuters 19/03/2015)

 

SP: safra de cana teve redução de área, produção e produtividade, segundo IEA

Os resultados finais para a safra 2013/14 de cana-de-açúcar do levantamento realizado em novembro de 2014 registraram diminuições na área plantada, na produção e na produtividade, em relação à safra passada, informa o Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Este quadro é decorrente da conjunção de dois fatores: o primeiro refere-se à política econômica de administração dos preços da gasolina, que inviabilizou a competitividade do etanol e o segundo é devido aos baixos índices pluviométricos registrados durante a safra, afetando a produtividade. Este último quadro implicou diferentes comportamentos na queda da produtividade nas regiões produtoras.

De acordo com os dados levantados pelos técnicos da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), “cerca de 80% da área explorada com cana-de-açúcar apresentou precipitações abaixo dos 1.200 mm. Já, em relação às temperaturas médias máximas, foi registrado aumento de 5,5% quando comparado, o ano de 2014 em relação ao anterior e de 3,2% para as temperaturas médias mínimas para o mesmo período, portanto, além de baixa precipitação o ano de 2014 apresentou aumento nas temperaturas médias mínima e máxima, afirmam Vagner Azarias Martins e Mario Olivette, pesquisadores do IEA responsáveis pelo estudo.

Pode-se verificar que, regionalmente, os impactos do menor índice pluviométrico afetaram em diferentes escalas cada EDR na questão relativa à queda da produtividade. Os situados ao norte foram os que sofreram as menores quedas: Barretos (-8,1%), Orlândia (-2,8%) e Ribeirão Preto (-3,0%). Já na região central o EDR de Jaboticabal (-21,6%), cabe ressaltar, que na safra 2012/13 o rendimento dessa cultura foi de 102 toneladas por hectares, enquanto para a safra 2013/14 foi em torno de 80 t/ha; ou seja, mesmo com as adversidades ocorridas, a região de Jaboticabal apresentou produtividade dentro dos patamares aceitáveis, visto a média estadual ser de 73 t/ha para a safra em análise.

Esses resultados podem ser justificados devido às variações locais de clima e de variedades, como também a existência de uma relação entre produção e consumo de água pela cana-de-açúcar que varia em função do estágio fenológico, do ciclo da cultura (cana planta ou cana soca), das variações climáticas e da água disponível no solo, entre outros fatores. Assim, pode-se inferir que em tais regiões esses aspectos estão implícitos nos resultados da safra 2013/14.

Em dezembro de 2014 e janeiro deste ano as precipitações foram inferiores ao volume esperado para o período. Esse panorama sugere que a safra 2014/15 sofrerá ainda os efeitos dessa adversidade, mesmo que ocorram chuvas dentro da normalidade nos meses de janeiro a março de 2015, fato que deve resultar na manutenção do volume de cana-de-açúcar produzido em São Paulo e mesmo uma queda para esta safra, no quadro geral do Estado. (IEA 19/03/2015)

 

Planeta terá déficit de 40% em abastecimento de água até 2030

Para o Brasil: O relatório da Unesco destaca as iniciativas de um programa batizado de "Rio Rural", realizado na região Norte do Estado fluminense. O programa, que até 2018 receberá recursos do Banco Mundial, é voltado para a produção agrícola na região. 

"Em partes do Norte do Estado do Rio de Janeiro, políticas rurais do passado priorizaram a monocultura do café e da cana-de-açúcar, além de a pecuária. O desmatamento e a exploração não sustentável resultaram em degradação do solo e em esgotamento dos recursos hídricos", informa o relatório, destacando que, desde 2006, o programa Rio Rural trabalha para reverter a situação, com suporte para que pequenos agricultores adotem sistemas produtivos mais ecológicos.

"Como a maioria das tecnologias mais sustentáveis tem custos mais elevados de implementação e baixo impacto sobre a renda rural, é fundamental estabelecer um sistema de incentivo financeiro para apoiar a sua adoção", afirma o estudo.

Com apoio do Banco Mundial, governos federal, estadual e do setor privado, a previsão é de que o Rio Rural receba um total de US$ 200 milhões até 2018, atingindo uma área de 180 mil hectares e 78 mil agricultores. Desse total de agricultores, 47 mil recebem incentivos financeiros diretos e assistência técnica para melhorar a produtividade. Em troca, os agricultores se comprometem em conservar áreas florestais remanescentes. (O Estado de São Paulo 20/03/2015)

 

Marcos Jank será novo colunista de 'Mercado'

O especialista em agronegócio e comércio exterior Marcos Jank estreia neste sábado (21) como novo colunista de "Mercado", na Folha.

Em seus textos, que serão publicados a cada duas semanas, sempre aos sábados, Jank deve trazer análises que desenvolveu sobre o setor durante experiências em entidade de classe, governo, instituto de pesquisa e, agora, no setor privado.

Jank acaba de assumir o comando da área de assuntos corporativos da BRF (empresa formada na fusão da Sadia com a Perdigão) na região Ásia-Pacífico. Por essa razão, mudou-se para Cingapura, de onde acompanhará o desenvolvimento de novos negócios da indústria de alimentos em toda a região.

Ele pretende trazer à coluna "um olhar global sobre o agronegócio". Além de debater questões como a alimentação no mundo e novas demandas na área ambiental, Jank quer discutir a importância das cadeias produtivas –produção, indústria, armazenagem, distribuição e varejo.

"As exportações brasileiras ainda estão muito focadas em commodities. Temos uma grande oportunidade de internacionalizar a nossa cadeia de valor", afirma.

Aproveitando a sua presença na Ásia, Jank pretende mostrar ao leitor da Folha como está a imagem do Brasil no exterior, com destaque para a sua posição em negociações internacionais em comparação com os asiáticos.

BIOGRAFIA

Filho de produtores de leite do interior de São Paulo, Jank formou-se em agronomia pela Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"). É mestre em economia e política agrícola pelo Instituto Agronômico de Montpellier, na França, e doutor em administração pela FEA (Faculdade de Economia e Administração da USP).

Dedicou-se à vida acadêmica durante 18 anos –é livre-docente pela Esalq-USP.

Tem passagens pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Em 2003, fundou o Icone (Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais), organização dedicada ao desenvolvimento de estudos e projetos sobre o agronegócio e o comércio agrícola mundial, entre outros temas.

De 2007 a 2012, foi presidente da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) e participou do processo de abertura do mercado dos EUA para o etanol brasileiro.

Em 2013, foi para a BRF, onde ocupa o cargo de diretor-executivo global de assuntos corporativos. (Folha de São Paulo 20/03/2015)

 

Kátia Abreu aponta prioridades da sua gestão

Ministra participou de audiência na Comissão de Agricultura do Senado.

A ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) apresentou, nesta quinta-feira (19), à Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado projetos que o Mapa pretende desenvolver na atual gestão. Entre os assuntos que têm recebido atenção especial está o Matopiba (região formada por partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a atuação dos fiscais federais e a produção de leite.

Matopiba

A região, que abrange 337 municípios nos quatro estados, é estratégica para o país e para o Mapa, disse a ministra. “O governo está tendo a chance de acompanhar esse crescimento e promover um verdadeiro desenvolvimento regional. No passado, produtores experientes ocuparam nossas áreas agrícolas, mas a população local ficou ao largo assistindo”, afirmou Kátria Abreu.

O pesquisador da Embrapa Evaristo Miranda acompanhou a ministra na audiência pública e fez uma apresentação sobre as características econômicas, sociais e agrícolas da região.

Fiscais federais

Kátia Abreu afirmou que o ministério pretende adequar o processo de fiscalização sanitária a fim de tornar o trabalho dos fiscais federais agropecuários mais dinâmico, objetivo e inteligente. As empresas fariam o autocontrole e caberiam aos fiscais auditar o trabalho dos frigoríficos.
A ministra destacou que o setor frigorífico está constantemente em expansão, por isso o número de fiscais não é capaz de atender toda a demanda. Atualmente, há cerca de 3 mil profissionais no país, mas há 3,2 mil frigoríficos.

“Queremos transformar nossos fiscais federais em auditores para fiscalizarem por amostragem. O Estado não pode pretender ter um fiscal dentro de cada empresa privada. Vamos levar a inspeção para a responsabilidade das empresas, que têm o nome a zelar”, explicou.
Leite

O ministério está montando um programa de modernização do setor nos cinco principais estados produtores de leite – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Paraná – que, juntos, são responsáveis por 73% da produção do país.

Kátia Abreu disse que o objetivo é erradicar a tuberculose e a brucelose do rebanho leiteiro, aumentar a produtividade e ampliar as exportações.

CTNFITO

O Mapa, afirmou a ministra, está sensível à reclamação de produtores sobre a burocracia na aprovação de produtos químicos agrícolas. O governo estuda a criação de um órgão nos moldes da Coordenação-Geral da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBIO), destinado a analisar registros de agroquímicos. A nova instituição deverá ter o nome de CTNFITO.

“Seria um mecanismo seguro para o consumidor porque não eliminaria os critérios técnicos, mas sim a burocracia”, explicou. “Se não usássemos o agroquímico, produziríamos menos e isso alteraria o preço do produto na prateleira do consumidor”, completou. (Mapa 19/03/2015)

 

MPF de Minas Gerais pede suspensão do aumento do etanol na gasolina

SÃO PAULO - O Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF-MG) encaminhou uma recomendação à Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia para que o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina (de 25% para 27%) seja suspenso até que o MME conclua, “de forma cabal” que tal aumento não danificará os automóveis movidos à gasolina, com eventuais prejuízos aos seus proprietários.

“Notícias recentes apontam que o aumento do percentual de álcool na gasolina pode afetar os veículos, especialmente os modelos mais antigos. Além disso, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a medida não traria grandes benefícios ambientais, já que, se por um lado ocorre a diminuição do monóxido de carbono, por outro aumenta a emissão de aldeídos”, diz o órgão na recomendação.

A recomendação, feita pelo procurador Fernando de Almeida Martins e datada do último dia 16, também inclui afirmações da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) de que seria necessário realizar testes para detectar eventual desgaste de peças e componentes das motos.

"É evidente que estamos falando de possibilidades. Mas a legislação brasileira também é clara no sentido de que o consumidor tem direito a informações claras e completas sobre o produto que irá adquirir.

Ou seja, sem o resultado dos testes para detectar possíveis efeitos sobre os componentes dos veículos, resultantes do aumento da quantidade de álcool na gasolina, não se poderia colocar tal mistura à venda", afirmou o procurador.

Martins ainda cita regras do Código de Defesa do Consumidor (CDC) que defendem o acesso à informação "adequada e correta" e de publicidade enganosa. Para o procurador, além dos direitos dos consumidores, a recomendação visa a defender o próprio patrimônio público.

"Imagine se, após a colocação do produto no mercado, os testes venham a concluir que a mistura tem potencial para causar danos aos veículos. A União ficaria sujeita a inúmeras ações de ressarcimento, o que pode ser definitivamente evitado se o Ministério das Minas e Energia aguardar a conclusão dos testes", declarou.

Segundo o MPF, a recomendação pode implicar a adoção de providências administrativas e judiciais cabíveis e a secretaria executiva do MME terá prazo de dez dias para informar o acatamento da recomendação. (Valor Econômico 19/03/2015 às 08h: 28m)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Terceira queda seguida: Os preços do açúcar demerara bem que iniciaram a sessão de ontem em alta na bolsa de Nova York, mas não resistiram à valorização do dólar, puxada por novas projeções do Federal Reserve para a economia dos EUA e voltaram a fechar em baixa, pela terceira sessão consecutiva. Os contratos com vencimento em julho caíram mais 8 pontos, para 12,81 centavos de dólar por libra-peso. Do lado dos chamados fundamentos, o cenário também segue baixista. O clima continua favorável ao desenvolvimento dos canaviais de São Paulo, Estado que concentra a produção no Brasil, e, de modo geral, a ampla oferta mundial reduz o espaço para eventuais recuperações. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal subiu 0,29%, para R$ 51,17.

Café: Ajustes continuam: A valorização do dólar que se seguiu às novas projeções do Federal Reserve para a economia americanas não foi suficiente para evitar uma expressiva alta das cotações do café arábica ontem na bolsa de Nova York, novamente determinada por ajustes técnicos de posições. Os contratos para entrega em maio fecharam a US$ 1,4415 por libra-peso, ganho de 410 pontos em relação à véspera. Segundo analistas, ainda que as chuvas que atualmente caem em regiões produtoras do Brasil sejam consideradas baixistas, as estimativas ainda são de quebra da safra 2015/16, o que abriu espaço para um movimento de recompra de papéis por parte de investidores. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos da espécie arábica registrou alta de 3,06%, para R$ 482,39.

Cacau: Sequência histórica:  O cacau recuou ontem pelo 12º pregão seguido na bolsa de Nova York, ampliando a maior sequência de quedas da história. O contrato para julho caiu US$ 42, a US$ 2.709 por tonelada. O clima favorável ao desenvolvimento das lavouras no oeste da África (região que concentra o plantio de cacau no mundo) vem pesando sobre os preços da commodity. Diante desse cenário, os compradores têm deixado as aquisições em suspenso, à espera de que as cotações possam se desvalorizar ainda mais. Em Camarões, um dos maiores exportadores globais de cacau, as compras de duas importantes processadoras caíram no intervalo de agosto de 2014 a fevereiro de 2015. No mercado interno, a arroba da amêndoa foi negociada ontem em alta de 0,84%, a R$ 119, segundo a Central Nacional dos Produtores de Cacau.