Setor sucroenergético

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Aumento do etanol na gasolina pode aumentar safra 2015/16

O aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, que passou de 25% para 27%, tem potencial para tornar a safra 2015/16 de cana no Centro-Sul do Brasil ainda mais alcooleira. Isso porque, enquanto ocorriam as discussões a respeito do novo porcentual, o dólar disparou ante o real e pressionou as cotações internacionais do açúcar. "Pela lógica dos fundamentos, a produção de álcool é estimulada pela mistura. A tendência, hoje, é de que a temporada seja mais alcooleira", disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o sócio-diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

Até agora, as previsões divulgadas por consultorias especializadas mostram que aproximadamente 57% da oferta de cana será destinada à fabricação do biocombustível no ciclo que começa oficialmente em 1º de abril. A avaliação é de que, com a nova mistura, esse porcentual possa subir um pouco mais e se aproximar dos 60%.

Só neste ano, o dólar acumula valorização de 22% ante a moeda brasileira, ao passo que o açúcar negociado na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) cedeu 14%. Por conta disso, a expectativa é de que as usinas aumentem a produção de etanol, visando a suprir a demanda adicional por anidro, estimada em 1 bilhão de litros.

A mistura de 27% foi decidida pelo Conselho Interministerial de Açúcar e Álcool (Cima) no último dia 4, após meses de negociações com o setor sucroenergético e a indústria automobilística. O Cima é formado pelos ministérios da Agricultura, Fazenda, Desenvolvimento e Minas e Energia e levou em conta testes feitos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A entidade deve terminar no fim deste mês as averiguações de durabilidade para decidir se a mistura pode passar de 25% para 27% também na gasolina premium.

Mais anidro?

Representantes da cadeia produtiva de açúcar e álcool ouvidas pelo Broadcast relataram que já há novas reuniões agendadas com o governo para se discutir uma mistura ainda maior de anidro na gasolina. A primeira delas será em 8 de abril, com o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), para tratar do porcentual de 27,5%, limite da banda vigente.

Já o diretor de um importante sindicato sucroalcooleiro afirmou que há também um encontro agendado para o início de maio com o governo, no qual será discutida a possibilidade de uma mistura de 30%. Conforme a fonte, a ideia dos 30% foi apresentada pela primeira vez em Brasília em janeiro de 2011. "Existe esse pleito, existe essa demanda. Alguns dos testes feitos até agora, inclusive, foram com o porcentual de 30%", complementou um representante do segmento em São Paulo. "Nossa primeira ''briga'' será pelos 27,5%, mas vamos discutir os 30% também."

Tal porcentual chegou a ser incluído na carta redigida e assinada pelos governadores dos principais Estados produtores de etanol, no início do mês, em Goiânia (GO). O documento, que enumera medidas de apoio às usinas, defende a mistura de 30%, o que gerou críticas por parte da ministra da Agricultura, Kátia Abreu. "O porcentual de 30% não foi testado, não está em discussão e seria ilegal", escreveu ela em nota enviada ao Broadcast em 6 de março.

De fato, para se chegar aos 30% seria necessário alterar a banda de mistura. Pela lei vigente, o governo pode aplicar um porcentual entre 18% e 27,5% para o anidro misturado à gasolina. A banda consta da Medida Provisória 647, aprovada pelo Congresso em setembro de 2014 e sancionada pela presidente Dilma Rousseff no mesmo mês.

Procurada pela reportagem, a Anfavea disse que só comentará o assunto quando os últimos testes de durabilidade forem concluídos. Já a Casa Civil informou que ainda não está na pauta do governo a mistura de 30%, mas sim a de 27,5%. (O Estado de São Paulo 22/03/2015 às 10h: 06m)

 

Usina investe em etanol 2G se tiver financiamento a juro atraente

Se houver linhas de financiamento com juros atraentes, as usinas investirão em sistemas de produção de etanol celulósico.

Se houver linhas de financiamento com juros atraentes, as usinas investirão em sistemas de produção de etanol celulósico, ou 2G.

É o que revela pesquisa por amostragem da Pro Cana feita com 30 dos participantes de curso sobre 2G promovido nesta sexta-feira (20), em Ribeirão Preto, pelo Sinatub.

Segundo os resultados, 90% dos participantes concordam que as usinas investem em 2G se houver linhas de financiamento com taxas de juros atraentes. Para 8% esse tipo de investimento não seria feito e 2% não responderam. (Jornal Cana 20/03/2015)

 

Raízen tem planos de novos centros de distribuição no Centro-Oeste

Após inaugurar mais uma base de distribuição de combustíveis em Mato Grosso, a Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, se prepara para a construção de novos centros. Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o gerente de Novos Negócios e Infraestrutura da área de Logística, Distribuição e Trade da companhia, Luiz Filipe Saraiva, afirmou que alguns projetos estão em fase de aprovação e poderão ser anunciados em breve, mas não deu mais detalhes. "A Raízen continua com seu plano agressivo em termos de distribuição de combustíveis", disse.

Conforme Saraiva, "Mato Grosso é onde há expansão da fronteira agrícola nacional, onde a área cultivada tem potencial para crescer". "Nos últimos anos, o PIB (Produto Interno Bruto) do Estado tem crescido até duas vezes mais que o do Brasil", comentou, explicando o porquê dos investimentos no local.

Desde 2011, a Raízen aplicou R$ 120 milhões em bases de distribuição no Estado e em ligações, via modal ferroviário, com a Refinaria de Paulínia (SP). Além do centro de Rondonópolis, inaugurado com expectativa de movimentar mais de 1 bilhão de litros de combustíveis por ano, a empresa possui também as unidades de Cuiabá e de Alto Taquari.

"O viés do projeto (de Rondonópolis) é aproximar o Sudeste do Centro-Oeste, que são grandes produtores e consumidores de combustíveis", afirmou Saraiva. "Buscamos ganhos de produtividade e de eficiência, pois o mesmo vagão que sobe com produto desce carregado", explicou.

O centro de distribuição de Rondonópolis irá receber diesel e gasolina provenientes de Paulínia (SP) e devolverá biodiesel e etanol ao mercado de São Paulo via ferrovia. O local da base foi adquirido pela Raízen em 2011, sendo que as obras de construção da unidade começaram em junho de 2013. (O Estado de São Paulo 21/03/2015 ás 17h: 05m)

 

Região de Ribeirão Preto: Calor e pouca chuva prejudicam lavouras

Estudo mostra que, na região de Ribeirão, fatores climáticos fizeram produtividade cair 3% ano passado.

A produtividade na safra 2013/14 da cana-de-açúcar caiu 9,6% em todo o Estado de São Paulo, em comparação com a safra anterior. Na região de Ribeirão Preto, a queda na produção foi de 3%.

E de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA), que levantou os dados, o clima foi um dos responsáveis por essa perda.

Um relatório divulgado ontem pelo instituto mostra que a falta de chuvas e o aumento das temperaturas na região prejudicaram as lavouras de cana.

Segundo o estudo, na safra passada, a média de chuvas na região foi de 950 milímetros, ante 1.483 na safra 2012/13.

Já as temperaturas subiram, em média, um grau no período. “Essas variáveis climáticas são fundamentais para a cultura da cana-de-açúcar nos seus diferentes ciclos de vida. A produtividade foi afetada”, explica o estudo do instituto.

“A quantidade de água necessária para a cultura atingir seu máximo potencial é em torno de 1.200 a 1.300 milímetros anuais, porém, todos os principais EDRs do estado, produtores de cana-de-açúcar, encontram-se abaixo do limite inferior, notadamente os situados ao norte e região central de São Paulo.”

Regiões

Além de Ribeirão os EDRs situados ao norte do estado que também sofreram perdas foram Barretos (-8%) e Orlândia (-2,3%). Já Araraquara (-8,6%) e Jaboticabal (-21,6%), na região central, tiveram perdas ainda maiores na produtividade. “Existe uma relação entre produção e consumo de água pela cana-de-açúcar”, diz o relatório.

Para a safra atual, cenário é o mesmo.

A expectativa para a safra que começa no mês que vem na maioria das unidades produtoras da região -apenas a usina Batatais já começou a moagem neste mês- segue no mesmo ritmo do registrado na safra passada.

Segundo Gustavo Nogueira, gerente do Departamento Técnico da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), este ano também deve ser de perdas na produtividade. “Se o volume de chuvas não subir de forma considerável e as temperaturas seguirem altas, a tendência é que a produtividade siga em queda”, diz.

Mas, ainda segundo ele, por outro lado, o setor ganha o fôlego econômico com o aumento na mistura do etanol anidro na gasolina e também recuperação de preços do hidratado. (A Cidade 22/03/2015)

 

BNDES trava R$ 5,8 bi para obra de alcoolduto

Com sócios envolvidos na Lava Jato, banco fez novas exigências e Camargo decide sair.

A Construtora Camargo Corrêa prepara a sua saída da Logum Logística, empresa responsável pela construção do alcoolduto de 850 quilômetros que atravessa quatro Estados brasileiros e requer mais de R$ 7 bilhões em investimentos. A decisão ocorre no momento em que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) trava o financiamento de R$ 5,8 bilhões para a empresa continuar a obra.

Um dos principais motivos para o banco protelar a liberação do empréstimo é o fato de a Logum ter entre seus sócios três empresas investigadas na Operação Lava Jato: Petrobrás, que detém 20% de participação, a Odebrecht, que tem outros 20%, e a própria Construtora Camargo Corrêa, com 10%. Os outros sócios do empreendimento são Copersucar, Raízen (do grupo Cosan) e Uniduto Logística, que reúne usinas de açúcar e álcool.

Quando concluído, alcoolduto ligará Paulínia (SP) a Itumbiara (GO), passando por Ribeirão Preto (SP) e Uberaba (MG).

Outro ponto que atraiu a atenção sobre a Logum foi o fato de que há até pouco tempo o seu presidente era Roberto Gonçalves, ex-integrante de uma equipe que se reportava ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, delator na Lava Jato. 

A Logum está sendo submetida a uma auditoria interna, nos moldes do que é feito hoje na Petrobrás. A conclusão está prevista para ser entregue aos sócios nesta semana.

Setor. A situação da Logum tornou-se um tema delicado entre seus sócios, que, procurados pela reportagem, não quiseram falar sobre o assunto. Além dos problemas por ter acionistas envolvidos na Lava Jato, a companhia também está numa situação economicamente delicada.

Os potenciais clientes do setor de açúcar e álcool vivem uma das maiores crises de sua história e pouco têm a transportar pela parte dos dutos que já está pronta. No começo do ano passado, os dutos que saíam de Ribeirão Preto até o polo petroquímico de Paulínia tinham apenas 10% de sua capacidade de transporte sendo utilizada. A empresa não informa qual é a atual situação.

Em agosto, antes de a Operação Lava Jato ganhar a atual dimensão, a Logum conseguiu refinanciar o empréstimo-ponte de R$ 1,7 bilhão que tinha com o próprio BNDES. Esse empréstimo é em sua maior parte garantido por fianças dos bancos Bradesco e Santander, que teriam de assumir um eventual calote caso o empreendimento não vá para a frente. Procurados, os bancos não comentaram.

O balanço da Copersucar de 2013 informa, entretanto, que em caso de inadimplência os próprios sócios teriam de aportar recursos na empresa, além dos que já foram investidos. Juntos, os sócios colocaram R$ 1,5 bilhão no negócio. O trecho entre Ribeirão Preto (SP) e Uberaba (MG) já foi concluído. Na próxima etapa, Uberaba será ligada a Itumbiara (GO).

Sociedade

A Camargo Corrêa está agora tentando sair da sociedade, mas afirma que isso não prejudicaria a construção desse segundo trecho que já está em fase de finalização. A saída da Camargo resolveria em parte o problema com o BNDES, que fez novas exigências de garantia, mas não aceita as que venham da Camargo. Os outros sócios teriam de dar garantias pela empresa.

Em nota enviada ao Estado, a construtora informou que contratou uma consultoria para realizar o desinvestimento. Segundo um outro sócio, uma das soluções seria os atuais acionistas comprarem a parte da Camargo. “Mas é preciso ter preço bom”, diz um deles.

Para lembrar. Ao ser concebida, a rede de dutos para o transporte do combustível à base de cana-de-açúcar gerou uma polêmica semântica. Não se sabia ao certo se deveria ser chamada de alcoolduto, duto de etanol ou dutovia. Ninguém nunca questionou, porém, a sua importância para tornar o preço final do produto mais competitivo. À medida que novas usinas eram construídas no interior do Brasil, cada vez mais longe dos maiores centros urbanos e dos portos, esta seria a alternativa mais inteligente e barata para escoar a produção, Estima-se que o transporte por uma dutovia seja um terço do custo do da rodovia.

O projeto da Logum, porém, não se resume a uma rede de tubos. Prevê a criação de um sistema de logística. Vai ligar regiões produtoras nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul ao principal ponto de armazenamento de distribuição, em Paulínia (SP) e Duque de Caxias (RJ). Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou a obra, em Ribeiro Preto. (O Estado de São Paulo 21/03/2015 às 17h: 00m)

 

Etanol 2G será viável em 5 anos, revela pesquisa

O etanol 2G deverá ser viabilizado no Brasil dentro de cinco anos, ou seja, em 2020.

É o que acreditam 60% dos participantes de curso sobre etanol de segunda geração realizado nesta sexta-feira, em Ribeirão Preto, pelo Sinatub.

Eles participaram de pesquisa por amostragem feita pela Pro Cana Estatística.

Para 30% dos participantes, o 2G será viabilizado em dois anos.

Os demais 20% dizem ainda não ser possível fazer uma previsão. (Jornal Cana 20/03/2015)

 

Porto de Antonina volta a exportar açúcar

O Porto de Antonina, no Paraná, voltou a exportar açúcar ensacado depois de um ano sem nenhuma movimentação da commodity.

O primeiro carregamento começou esta semana e totaliza 17 mil toneladas de produto proveniente do interior de São Paulo, com destino para Angola, segundo a administração geral do porto.

Até o final do ano, espera-se que passem por Antonina cerca de 200 mil toneladas de açúcar, volume maior que o exportado em 2013, diz a administração. (Valor Econômico 20/03/2015 às 10h: 36m)

 

Fusão cria maior distribuidora regional

A gaúcha Rodoil e a paranaense Mazp anunciam hoje uma fusão que cria a maior distribuidora regional de combustíveis do Sul do país.

Com uma rede de 270 postos próprios, a nova empresa, que manterá a marca RodOil, nasce com um faturamento de R$ 1,2 bilhão e planos de se posicionar entre as dez maiores distribuidoras do país em número de postos e se consolidar como a quarta maior companhia do mercado de derivados da região Sul, atrás das gigantes BR, Ipiranga e Raízen.

Com a fusão, a rede da RodOil ultrapassa a Ale no Sul do país.

Com dez bases de distribuição na região, a nova companhia começa a operar fornecendo 50 milhões de litros por mês, a 270 postos de marca própria e outros 540 postos de bandeira branca, em 330 municípios.

A meta da RodOil é permanecer na quarta posição do mercado sulista a partir de investimentos de até R$ 20 milhões nos próximos quatro anos.

O plano de expansão da empresa prevê atingir uma rede de 400 postos de marca própria. O investimento, segundo o executivo, deve ser financiado pelo próprio caixa da companhia e sustentado pela conversão de postos de bandeira branca.

A companhia avalia até uma expansão para fora da região Sul.

"Concluindo a fusão, pensamos, num horizonte de 12 a 18 meses, a olhar novos mercados", disse o presidente executivo da RodOil, Roberto Tonietto, que permanecerá à frente da nova companhia e cita o Mato Grosso do Sul como um mercado interessante.

De acordo com o executivo, a fusão da RodOil e da Mazp fortalece o caixa da nova empresa, que nasce com um faturamento de R$ 1,2 bilhão (R$ 687,8 milhões da RodOil e R$ 489 milhões), mas projeta um aumento de 20% nas receitas este ano, para R$ 1,4 bilhão, e de 60% para os próximos quatro anos, para R$ 2,2 bilhões.

Segundo Tonietto, a fusão também deve trazer ganhos logísticos e operacionais.

A ideia, conta o executivo, é que, com um volume de vendas maior, a companhia consiga renegociar melhores condições contratuais de fornecimento de combustíveis.

A RodOil também espera reduzir em 10% os custos logísticos.

O executivo cita, como exemplo, a expectativa de ganhos durante a compra de etanol anidro nas usinas do Mato Grosso do Sul.

"A Mazp tem uma atuação muito forte no Oeste do Paraná, que é próxima do Mato Grosso do Sul. Isso nos dá um ganho logístico importante e deve nos permitir reduzir os valores do frete", disse o presidente da RodOil. Antonietto explica que os caminhões que transportam as cargas de etanol para as bases da empresa no Rio Grande do Sul retornam vazios para as usinas.

O plano, agora, é que, na volta, os veículos transportem combustíveis até as bases no Oeste do Paraná e, com isso, otimizar a distribuição.

A expectativa da RodOil é concluir a fusão em 60 dias.

A estruturação e a negociação duraram cerca de nove meses e foram conduzidas pela gestora independente de recursos Quantitas, de Porto Alegre (RS). A nova companhia será transformada em uma S.A. de capital fechado, e auditada pela KPMG.

O percentual de participação de cada uma das empresas na nova RodOil não foi informado. (Valor Econômico 23/03/2015)

 

Setores da indústria reduzem o consumo

Grandes companhias mudam processos e adotam reúso para gastar menos água.

A maioria das indústrias (67%) de São Paulo tem hoje a preocupação de rever seus processos de produção para reduzir o consumo de água.

A adoção de fontes alternativas à rede de abastecimento, entretanto, é uma realidade para menos da metade das empresas (45%), segundo uma pesquisa realizada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) no ano passado.

O reúso é mais comum no setor industrial, que consome 40% da água disponível para abastecimento da Grande São Paulo e da Baixada Santista, segundo o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica de SP).

Segundo a Fiesp, 65% das grandes e médias empresas paulistas adotam esse expediente para economizar água.

Na Ford, a meta para o período de 2009 a 2015 era reduzir em 30% o consumo de água nas fábricas, ou seja, gastar 3.800 litros a menos em cada veículo produzido.

No Brasil, as fábricas da montadora em São Bernardo do Campo (SP) e Camaçari (BA) economizaram mais: cerca de 60% nos últimos cinco anos (ou 240 piscinas olímpicas por fábrica). Para isso, a Ford mudou sua produção.

Na unidade baiana, a diminuição do uso de lubrificantes gerou economia de 1,2 milhão de litros de água/ano.

A fábrica de motores da marca adotou tecnologia que só lubrifica as ferramentas de corte no momento necessário, com um spray muito fino.

Assim, elas não precisam ser banhadas em fluidos que consomem muita água.

"Trabalhamos com base na redução por veículo produzido", diz Edmir Mesz, supervisor de qualidade ambiental da Ford América do Sul.

Na Volkswagen do Brasil, a redução no gasto de água na produção de cada veículo foi de 11% entre 2010 e 2014, com medidas como a modernização da unidade de pintura da planta de Taubaté (SP).

Já a fábrica de caminhões da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo (SP), conseguiu cortar o consumo anual em 84 milhões de litros com ações como substituir vasos sanitários de 10 e 12 litros por outros de seis litros.

Para reduzir o consumo em 10% nos últimos dois anos, a multinacional de bebidas Ambev criou uma competição entre suas fábricas para premiar os três melhores projetos de economia de água.

Com parcerias locais, a empresa economizou 984 milhões de litros em 2014.

A Ambev trata efluentes para serem reutilizados na refinaria do Alumar (Consórcio de Alumínio do Maranhão), grupo formado por Alcoa, Rio Tinto Alcan e BHP Billiton, ou para irrigar a plantação de cana de açúcar da Usina São José, em Pernambuco.

A Pepsico tem um programa de uso racional de água desde 2006 --no mundo, a empresa gasta 3,2 litros do insumo para cada quilo de alimento produzido.

Em nove anos, o consumo caiu 31% no Brasil com a readequação de equipamentos e de mangueiras e a correção de válvulas. As fábricas de Sorocaba (SP) e Recife (PE) reduziram os gastos acima da média nacional --em 81% e 51%, respectivamente.

JARDINS FILTRANTES

A Natura consome cerca de 290 milhões de litros de água por ano e adota o reúso desde 2000 na fábrica de Cajamar (SP), para regar os jardins e limpar áreas comuns.

Em seu novo parque industrial, inaugurado no Pará no ano passado, a empresa criou jardins filtrantes.

Neles, os efluentes industriais são tratados sem produtos químicos; as bactérias nas raízes das plantas decompõem os poluentes.

A meta da Natura é que, em 2050, esse líquido residual seja tão limpo quanto o recebido da rede de abastecimento, afirma João Mocelin, diretor industrial da companhia.

Até lá, a empresa tem projetos de novas aplicações para a água de reúso, como abastecer o ar-condicionado e gerar vapor.

Em alguns estádios usados na Copa do Mundo de 2014, a chuva é reaproveitada para irrigar o gramado e abastecer descargas e banheiros.

No Maracanã, reformado pela Odebrecht, essa água é recolhida em 25 mil m² dos 47 mil m² da cobertura e enche dois reservatórios, um de 920 m³ e outro de 1.230 m³. "Obedecemos a recomendações da Fifa e as exigências do BNDES", afirma Bernard Malafaia, gerente de engenharia do Maracanã.

Já a Fibria, produtora de eucalipto de celulose, recicla 84% da água captada para suas três unidades. "A mesma água circula na fábrica cinco ou seis vezes", diz Umberto Cinque, gerente-geral de Meio Ambiente Industrial. (Folha de São Paulo 22/03/2015)

 

Redução do ICMS deixará o etanol mineiro R$ 0,12 mais barato

O consumidor mineiro poderá contar com uma redução no preço do litro do etanol hidratado de R$ 0,12 em função da redução da alíquota do ICMS de 19% para 14% - que entra hoje em vigor no estado - ganhando competitividade com a gasolina. Foi o que disse hoje, o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais – SIAMIG, Mário Campos, em coletiva à Imprensa.

Com a medida, a expectativa é de que o consumo de etanol hidratado no estado possa dobrar de 750 milhões de litros para 1,5 bilhão de litros. Mário Campos ressaltou também que a previsão é do aumento da produção de etanol no estado na safra 15/16, passando dos atuais 1,582 bilhões de litros (safra 14/15) para cerca de 1,8 bilhões de litros. “Esperamos um consumo de etanol hidratado muito grande este ano no estado, já que Minas Gerais possui a segunda maior frota de veículos leves do país e poderá contar com o combustível mais barato em relação a gasolina”, afirmou.

A relação de preço do etanol frente à gasolina pode alcançar 66%, muito favorável ao combustível limpo e renovável, já que, atualmente, está em 71,5%. Caso ocorra também o repasse para as bombas da queda de R$ 0,14 do preço do etanol hidratado na produção ocorrido nas últimas semanas, o consumidor mineiro poderia contar com uma diminuição do preço do etanol em até R$ 0,26.

O presidente da SIAMIG frisou que é preciso que as distribuidoras e postos repassem a redução do ICMS para o preço do etanol e acredita que isso ocorrerá em função da forte concorrência no mercado de combustíveis.

Tributos

Esta é a terceira vez que Minas Gerais reduz o ICMS do etanol hidratado, mas somente agora com a recomposição tributária também do preço da gasolina é que o combustível renovável ganhará competitividade na bomba. Em 2010, o ICMS do etanol hidratado saiu de 25% para 22%; em 2012 de 22% para 19% e este ano caiu para 14%. O tributo da gasolina em 2010 passou de 25% para 27% e este ano de 27% para 29%.

Com a atual tributação do etanol, Minas Gerais passa a contar com a segunda menor alíquota do país, além de que hoje esse combustível tem embutido somente o ICMS, diferente da gasolina onde os impostos chegam a 40% do seu valor. “Se não quiser pagar imposto alto, o consumidor deve optar pelo etanol”, afirma Mário Campos.

Minas Gerais é o terceiro estado produtor de etanol do país, possui 37 usinas em funcionamento e emprega 80 mil trabalhadores diretos. (Brasil Agro 23/03/2015)

 

Marcos Sawaya Jank: O que o mundo espera do agronegócio?

Nosso único papel é vender commodities ou há outras oportunidades que não estão sendo exploradas?

Ninguém mais duvida de que o Brasil é hoje uma das maiores potências agrícolas do planeta. Graças a agricultores competentes e investimentos em tecnologia tropical, tornamo-nos líderes globais em importantes commodities. Grãos, açúcar, café e algodão são exportados com base em cotações de Bolsas e chegam a mais de 200 países.

Mas a pergunta que fica é: estamos conseguindo entender e atender as expectativas de nossos consumidores finais? Nosso único papel é vender commodities ou há outras oportunidades que não estão sendo exploradas?

Vejo hoje quatro grandes vetores que puxam a demanda do agronegócio no mundo. Nos países pobres, a preocupação central é a "segurança alimentar" da população no sentido mais clássico ("food security") --oferta crescente de alimentos a preços acessíveis.

Quase 1 bilhão de pessoas ainda passa fome no mundo. Na Ásia e na África, mais da metade da população vive em condições precárias de subsistência em pequenas propriedades no campo, sem conhecimento, tecnologia e acesso a mercados.

Para esse imenso grupo, a palavra mágica é "produtividade", obtida pelo aumento do rendimento e escala da produção doméstica, ou pela maior abertura para importações competitivas, reduzindo as barreiras que hoje impedem o comércio. Esse é o segmento em que o Brasil se posiciona muito bem desde que existe, primeiro em produtos tropicais, depois nas grandes commodities da alimentação mundial.

Na sequência, vem outro vetor ainda pouco explorado pelo agronegócio brasileiro: a questão da "segurança do alimento" ("food safety"). Cresce o número de países cuja preocupação central não é mais a quantidade produzida no campo, mas sim a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos consumidores. Aqui o que interessa não é volume, mas sim sanidade comprovada, armazenagem adequada, distribuição rápida, certificação, rastreabilidade etc. Em suma, o consumidor quer ter certeza quanto à qualidade do alimento que vai comer e, para isso, a palavra mágica é "segurança da cadeia de suprimento".

A China deve ser o país em que essa preocupação é hoje mais intensa. O Brasil possui cadeias produtivas consolidadas e bem coordenadas que chegam com eficiência à mesa do consumidor doméstico. Porém, na exportação, com raras exceções, ainda não conseguimos ir além da venda de commodities básicas sem grande diferenciação.

Países de renda média de América Latina, Leste Europeu e alguns asiáticos se encontram no terceiro grupo. Aqui a palavra forte é "valor adicionado", traduzido em segmentação e variedade de produtos, criação de marcas globais, conveniência, sabores, embalagens e logística eficiente.

Oferecer ao consumidor produtos confiáveis, acessíveis, saborosos, de alta qualidade, na hora certa. Este é o estágio em que estamos no mercado interno. Mas no exterior ainda há muito por ser feito, principalmente entre o processamento e o consumidor final. Reside aí a maior oportunidade de internacionalização da cadeia de valor que o agronegócio brasileiro tem hoje.

No quarto grupo, estão consumidores de renda maior, que, na maioria dos casos, vivem em países desenvolvidos em que a dimensão preço x qualidade x variedade já foi conquistada. Para esses consumidores mais ricos, o que interessa são "novas demandas" do tipo de alimentos produzidos localmente, próximos à região de consumo, com mínimo impacto ambiental e menor uso de tecnologia --orgânicos, sem antibióticos, sem transgênicos, sem instalações fechadas. Exigências que costumam elevar o preço do produto.

Esses quatro vetores definem demandas com diferentes comportamentos e velocidades, às vezes em direções opostas. Por exemplo, enquanto o primeiro grupo busca o aumento da produtividade por meio da maior tecnificação da produção, o quarto grupo está disposto a pagar mais por alimentos produzidos com menor intensidade tecnológica.

Cabe às empresas entender esse quadro e buscar satisfazer seus diferentes grupos de clientes e consumidores. Cabe aos países entender as diferentes dimensões da demanda global por alimentos e gerar as políticas e as regulações adequadas.

Claramente cumprimos um papel relevante no suprimento global de commodities. Mas será que estamos nos organizando adequadamente para aproveitar as fantásticas oportunidades que o mundo nos oferece?

MARCOS SAWAYA JANK é especialista em questões globais do agronegócio. Atualmente trabalha em Cingapura. (Folha de São Paulo 21/03/2015)

 

Mercado sobrevive abaixo do custo de produção?

O mercado de açúcar em NY encerrou a semana praticamente inalterado nos primeiros dois meses de negociação - maio e julho de 2015 - com ligeira alta nos meses seguintes até outubro de 2016 quando se viu pequena queda. São ajustes relacionados à moeda, segundo um trader do mercado, cujo valor ascendente ao longo da curva do câmbio (via NDF) pressiona os valores do açúcar em NY. Só para constar, os valores negociados a partir de março de 2016 se hedgeados de maneira adequada utilizando-se dos instrumentos financeiros disponíveis no mercado, mostram valores de fixação superiores a R$ 1,050 por tonelada FOB trazidos para valor presente descontada a taxa de juro praticada pelo Governo. Quem estiver estruturado para operar dessa forma, está fixando a preços muito convidativos. Isso vai continuar a pressionar NY se o real continuar se desvalorizando.

O dólar tem se valorizado em relação às outras moedas atingindo diretamente o preço das commodities no mercado internacional. O impacto dessa desvalorização favoreceu alguns países que viram o custo de produção de suas matérias primas ficar mais barato em dólares e consequentemente trazendo vantagens competitivas para alguns deles. No caso especifico do açúcar, analisamos o custo de produção de alguns países que competem com o Brasil no mercado internacional. O resultado acende uma luz de preocupação sobre a perenidade da participação desses países nos próximos anos, encarando um custo de produção interno muito acima do valor praticado no mercado internacional. Não se consegue sobreviver nesse ambiente a menos que haja pesados subsídios, como é o caso da Índia.

Desde meados de 2012 quando fizemos uma apuração do custo de produção da Tailândia, Índia, Austrália, África do Sul e Brasil, para citar alguns, até hoje podemos observar alguns pontos que merecem destaque. Desses produtores, o Brasil é aquele que teve sua moeda mais desvalorizada no período observado, com 36.57% de queda do real em relação ao dólar. Ao mesmo tempo, enquanto o custo de produção na usina, sem custo financeiro, estava em 15.43 centavos de dólar por libra-peso, hoje sob o mesmo parâmetro está em 11.71 centavos de dólar por libra-peso. É bom que se diga que esse valor não propicia margem às usinas uma vez que para levar esse açúcar até o porto, o custo aproximado hoje é de 180-200 pontos, ou seja, eleva o custo equivalente FOB Santos para 13.50-13.70 centavos de dólar por libra-peso, bem acima do preço de fechamento de NY nesta sexta-feira.

A África do Sul é o segundo país da lista com a maior desvalorização: 31.56% de junho de 2012 até hoje. Seu custo de produção de açúcar na usina despencou de 14.14 centavos de dólar por libra-peso em 2012 para 11.14 centavos de dólar por libra-peso. A Austrália viu o dólar australiano se desvalorizar em relação à moeda americana em nada menos que 24.34%. Dessa forma, o custo de produção de açúcar naquele país caiu de 15.27 centavos de dólar por libra-peso para 12.38 centavos de dólar por libra-peso.

A dificuldade para se sobreviver nesse mercado de preços baixos em dólares é dividida entre dois países produtores: Índia e Tailândia. O açúcar na Índia, cuja moeda se desvalorizou em 9% nesse período de dois anos e meio, tem um custo de produção estratosférico, apesar do subsidio generoso de 64 dólares por tonelada. Nada menos que 23.17 centavos de dólar por libra-peso (que com o subsidio chega perto de 20 centavos de dólar por libra-peso). Na Tailândia, exportador vigoroso de açúcar, cuja moeda praticamente permaneceu inalterada desde 2012, desvalorizando apenas 3%, o custo de produção (difícil de se obter junto às autoridades daquele país, notórias por esconder essa informação de quem quer que seja) é estimado em 16.21 centavos de dólar por libra-peso. Como sabemos, a produção naquele país cresceu vertiginosamente, praticamente dobrando nos últimos dez anos (de 5 para 10 milhões de toneladas).

Quanto tempo os produtores de açúcar de outros países (Tailândia, principalmente) conseguem sobreviver com os atuais preços baixos praticados no mercado internacional, é uma pergunta de um milhão de dólares. Quem se dispõe a responde-la?

De acordo com o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, o volume de fixação das usinas para a safra 2015/2016, até 28 de fevereiro de 2015 era de 34.05% das vendas exportação estimadas para a safra, com o preço médio de 16.91 centavos de dólar por libra peso, ou ainda pelo seu equivalente em reais de 42.25 centavos de real por libra peso (com prêmio de polarização).

No ano passado, no final de fevereiro, o volume fixado das usinas atingia 47.01% das vendas estimadas. O decréscimo no volume de fixação deste ano em relação ao do ano passado pode ser explicado por alguns fatores: 1. Falta de crédito para operações de hedge em NY, esteja a usina utilizando sua própria conta de futuros juntos às corretoras lá fora ou usando a conta de terceiros (em geral das tradings com quem negociam); 2. Menor volume contratual para essa safra (as tradings estão sofrendo de anorexia); 3. Incerteza em relação ao mix de produção, que pode disponibilizar menos açúcar para a exportação. O fato é que as fixações estão em ritmo mais lento (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda. (Brasil Agro 23/03/2015)

 

MS: Governador debate com produtores crescimento da produção de bioenergia

O governador Reinaldo Azambuja debateu com o presidente da Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda Filho e com representantes do setor sucroenergértico do Estado uma agenda com propostas que ampliam a cadeia produtiva da energia sul-mato-grossense.

Apesar do cenário de estagnação econômica brasileira, a meta do setor ainda para este ano é passar das 43 milhões de toneladas de cana moída para 50 milhões, levando Mato Grosso do Sul para o quarto lugar entre os estados produtores, atrás apenas de São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

A agenda apresentada ao governador e aos secretários Jaime Verruck, de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico e Marcio Monteiro, da Fazenda, apresenta dados consolidados da atual produção e geração de energia do setor e de demandas do setor que podem ser analisadas e viabilizadas pelo Governo do Estado.

Entre as demandas está o estudo de uma diferenciação tributária para o etanol, normatização da aplicação da vinhaça, envolvimento em pesquisas e tecnologia e apoio da Inteligência da Secretaria de Justiça e Segurança Pública contra roubos de grandes cargas de fertilizantes.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico, Jaime Verruck, o Governo do Estado estuda as possíveis aplicações das demandas em parceria com o setor pautado sempre pela evolução produtiva.

O estudo de uma tributação diferenciada já está nos planos do governo, que trabalha atualmente na criação de uma política de combustíveis capaz de tornar os preços mais competitivos e ampliar a produção sem perdas de arrecadação.

“A política de combustíveis do Governo do Estado está sendo estudada e engloba não apenas o diesel, que já foi objeto de debates com revendedores, mas também o etanol. Nossa meta é garantir que a tributação diminua na mesma proporção em que a produção cresça, para estimularmos o consumo interno”, explicou o secretário.

O governo também assegurou aos representantes do setor sucroalcooleiro que acompanhará as definições da Assembléia Legislativa quanto à normatização da vinhaça, já que um projeto de lei que regulamenta sua utilização está tramitando na Casa de Leis.

Resultado do processamento industrial do etanol, a vinhaça pode ser usada na produção de proteínas por fermentação anaeróbica, na produção de gás metano, na formulação de ração animal, na utilização como adubo na lavoura ou queima para a produção de fertilizante e na utilização agrícola do resíduo in natura, em substituição total ou parcial às adubações minerais.

O Estado também investirá em ciência e tecnologia para desenvolver alternativas em duas frentes: na formulação de uma variedade de cana-de-açúcar plenamente adaptada ao clima e solo sul-mato-grossense e no combate à mosca dos estábulos, inseto que ataca os rebanhos e cujo aumento populacional está vinculado à prática de fertiirrigação com vinhaça. Surtos populacionais já foram observados no estado de São Paulo.

“O governador também estuda formas de diminuir os casos de roubo de cargas de fertilizantes que acontecem nas usinas do Estado. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública irá utilizar as ferramentas adequadas para evitar esses crimes, que acontecem de forma organizada e abastecem o mercado paralelo”, explicou Verruck.

Produção

Com capacidade instalada de produzir mais de 61 milhões de toneladas de cana, Mato Grosso do Sul pode ampliar sua atual produção através de investimentos da iniciativa privada e apoio do Governo. Atualmente 22 usinas operam no Estado, garantindo a quarta colocação entre os estados produtores de etanol.

A produção oriunda dessas usinas – cerca de 750 mil hectares de cana para a próxima safra que serão colhidas em 97% dos casos de forma mecanizada – devem render ao Estado e ao país um mínimo de 3 bilhões de litros de etanol e 2,2 milhões de toneladas de açúcar, oferecendo maior oferta do combustível vegetal e ampliando a matriz econômica através das exportações.

Somente na safra passada as usinas sul-mato-grossenses produziram 2,44 bilhões de litros de etanol, volume 9,7% maior em relação à safra anterior. Desse total, 1,77 bilhões de litros de hidratado, que é direcionado para as bombas dos postos de combustíveis e 668,6 milhões de litros de anidro, utilizado na mistura com a gasolina regida pelo governo federal.

Em 2014, das 22 unidades de produção de açúcar e etanol instaladas no Estado, 12 conseguiram exportar excedente de bioeletricidade para o sistema elétrico nacional. Foram adicionados ao consumo brasileiro 2.182,7 GWh, o que representa o consumo doméstico e parte do consumo industrial anual do Estado. (Agora MS 21/03/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Fôlego recuperado: O cacau interrompeu na sexta­feira uma sequência de 12 pregões de perdas na bolsa de Nova York, favorecido pela perda de força do dólar ante outras moedas. Os contratos com vencimento em julho fecharam em alta de US$ 74, a US$ 2.783 por tonelada. Investidores que confiavam na queda dos preços da amêndoa voltaram às compras de posições no mercado futuro, depois que o dólar se desvalorizou. Por outro lado, previsões indicam uma colheita maior na Costa do Marfim, principal produtor global de cacau, o que pode voltar a adicionar pressão às cotações. De maneira geral, o clima está benéfico à produção da amêndoa em todo o oeste da África. Em Ilhéus e Itabuna (BA), o preço médio da arroba ficou em R$ 118,00, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Movimento técnico: A expressiva queda de quase 6% do suco de laranja na quinta-feira em Nova York abriu espaço para uma retomada dos preços da bebida na sexta-feira, que dispararam. Os lotes para julho fecharam a US$ 1,1475 por libra-peso, com alta de 745 pontos. O suco tem oscilado ao sabor de movimentos técnicos nos últimos dias. Mas, de maneira geral, os fundamentos seguem baixistas, principalmente em razão do ritmo decrescente de consumo ao redor do mundo. O clima benéfico aos pomares de São Paulo e da Flórida, as duas principais regiões produtoras de laranja do mundo, também tem ajudado a pressionar as cotações. No mercado spot paulista, o preço da caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à indústria ficou estável em R$ 10 na sexta-feira, segundo o Cepea/Esalq.

Soja: Recuo do dólar: Após contabilizar ligeiras perdas na quinta-feira, a soja subiu na bolsa de Chicago na sexta-feira, favorecida pela desvalorização do dólar. Os contratos para julho subiram 11,25 centavos, a US$ 9,78 o bushel. A escalada da moeda americana nas últimas semanas vinha empurrando para baixo as cotações das commodities agrícolas, inflando as preocupações de que as exportações americanas perderiam ímpeto por conta do encarecimento causado pela valorização do dólar. Contudo, com a perda de firmeza do dólar em relação a outras moedas, os grãos produzidos nos EUA voltam a ficar competitivos. A divulgação de novas previsões que indicam menor área plantada de soja nos EUA influenciou o mercado. No Paraná, a saca do grão subiu 0,92% na sexta­feira, para R$ 61,59, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Mercado climático: A preocupação com o clima seco na região central dos Estados Unidos e a queda do dólar impulsionaram as cotações do trigo nas bolsas americanas na sexta­feira. Os contratos para julho em Chicago subiram 18 centavos, a US$ 5,3375 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento teve alta de 19 centavos, para US$ 5,75 o bushel. No mercado, há preocupação com o clima seco que atinge as lavouras de trigo de partes da região central americana. Neste momento, as plantas estão saindo da fase de dormência e precisam de chuvas para se desenvolver, e a perspectiva para esta semana é que o clima seco continue. O dólar mais fraco também influenciou. No Paraná, o preço médio da saca ficou em R$ 32,16, queda de 0,4% segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 23/03/2015)