Setor sucroenergético

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JP Morgan transforma usineiros em bagaço de cana

A pequena e pacata Itapira, no interior de São Paulo, tem sido testemunha do choque entre uma das mais antigas estirpes de usineiros do país e uma tropa de financistas sequiosos de que sua passagem por aqueles canaviais seja a mais breve e profícua possível. Nem é preciso dizer quem deve levar a melhor.

O JP Morgan, que, na condição de um dos maiores credores, assumiu a gestão do combalido Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), está estraçalhando as raízes plantadas e cultivadas pela família Ruette por mais de nove décadas. Se for necessário fechar alguma das quatro usinas sucroalcooleiras do grupo em São Paulo, assim será.

Se for preciso dispensar milhares de empregados, o que se há de fazer?

Todas as opções são deletérias aos olhos dos herdeiros do empresário Virgolino de Oliveira, a começar por sua viúva, Dona Carmem Ruette, que se viu forçada a deixar a gestão da companhia e entregá-la a um pool de credores.

Para o JP Morgan, que se embrenhou nesse matagal ao lado de outros bancos e fundos de investimento, só há uma saída: cortar, cortar e cortar até que seja possível vender o GVO e recuperar ao menos parte do dinheiro investido no negócio.

Os executivos do banco têm adotado uma estratégia florentina. Fazem com que as decisões mais impopulares sejam debitadas na conta dos acionistas controladores. E não são poucas.

O GVO vem atrasando o pagamento de salários sistematicamente.

A situação chegou a tal ponto que os trabalhadores têm feito piquetes na porta das usinas para dificultar as entregas de açúcar aos clientes, notadamente a Copersucar, da qual o grupo é sócio há décadas.

Os funcionários exigem garantias de que os recursos amealhados com a venda do produto serão usados para quitar as pendências trabalhistas.

O GVO tenta convencer os manifestantes a encerrar os protestos e liberar as entregas, com o aceno de pagamento de parte dos atrasados.

No entanto, entre os trabalhadores a desconfiança é generalizada.

Não por acaso.

As pendências se alastram como gafanhotos numa lavoura. Recentemente, o GVO começou a atrasar o pagamento de juros de emissões de bônus.

O passivo total beira os R$ 2,7 bilhões, aproximadamente um terço com vencimento para este ano.

Os bancos mantêm família à margem de qualquer decisão, até por entender que os Ruette fazem parte do problema e não da solução. Dona Carmem deixou a presidência do grupo para ocupar um cargo quase honorífico na diretoria.

Seu filho, Hermelindo Ruette, não teve a mesma deferência.

Ex-presidente da Copersucar, Hermelindo foi sumariamente afastado do posto de diretor-superintendente do GVO.

Antes de entregar as chaves de casa aos credores e hoje algozes, Dona Carmem chegou a pensar numa solução consanguínea: a fusão das quatro usinas do GVO com as plantas sucroalcooleiras do Grupo Ruette, controlado por seu irmão, Antonio Ruette.

No entanto, em fevereiro, a empresa de Antonio entrou com pedido de recuperação judicial.

Que sina! (Jornal Relatório Reservado 25/03/2015)

 

A propina mais masoquista do mundo

Os indiciados na Lava Jato, que penaram as privações da Guantánamo curitibana, já disseram com todas as letras aos seus defensores constituídos: “A primeira pergunta era sempre é a mesma:

"O que temos de informações contra a Odebrecht?’”.

Os intocáveis de Sergio Moro foram bater no grupo baiano por uma via oblíqua, a Braskem, por meio de uma denúncia enviesada, que envolve a empresa e sua sócia Petrobras. Seria o único caso do "petrolão" em que não há prestação de serviços. A delação parece sem pé nem cabeça.

A Braskem, conforme o relato fiel da lavação a jato, estaria pagando propina para a estatal prejudicá-la com contratos draconianos de fornecimento da nafta. Basta olhar o histórico dos preços.

A Braskem sempre sofreu nas negociações para a garantia do combustível. Até agora, é o maior non sense da Lava Jato (Jornal Relatório Reservado 25/03/2015)

 

Tribunal mantém condenação à Raízen por vincular salário à produção

O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que a 4ª turma de desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas manteve decisão da 1ª Vara do Trabalho de Araçatuba (SP), condenando em segunda instância a Raízen Energia a não vincular o salário de cortadores à quantidade de cana-de-açúcar colhida por eles, prática conhecida como “salário por produção”.

A ação foi movida pelo Ministério Público do Trabalho.

A decisão, válida para as unidades Benálcool e Destivale, ambas em São Paulo, determina que a companhia deixe de pagar aos empregados o salário calculado por tonelada cortada, tendo que adotar o sistema de pagamento salarial por tempo de trabalho.

Além disso, foram também mantidas as obrigações de monitorar a exposição dos trabalhadores ao calor e de conceder pausas mediante risco de estresse térmico (considerando-as como tempo de serviço).

O recurso impetrado pela Raízen S.A, que questiona a decisão de primeira instância, foi julgado parcialmente procedente no que se relaciona à indenização por danos morais coletivos: o valor a ser pago pela empresa foi reduzido de R$ 400 mil para R$ 200 mil (com reversão a entidades sociais de atendimento a trabalhadores na jurisdição da 1ª Vara do Trabalho de Araçatuba, a serem indicadas pelo MPT ou pela própria justiça).

Em nota, a Raízen destacou que a colheita de cana-de-açúcar nas unidades Benálcool e Destivale é 100% mecanizada e que a empresa possui funcionários que trabalham na abertura de área de corte para a entrada da máquina no canavial que não implica em remuneração por produção.

“Esses funcionários recebem salário fixo. Apesar disso, a remuneração por produtividade faz parte do acordo selado entre sindicato e empresa”, afirmou a Raízen em nota. (Valor Econômico 24/03/2015 às 16h: 47m)

 

Dívida de usinas brasileiras cresce com valorização do dólar

Pelo lado positivo, aumento de competitividade deve elevar exportações e capitalizar o setor.

A dívida das usinas de cana-de-açúcar brasileiras chega a R$ 82 bilhões, segundo consultorias especializadas.

Como 70% desse valor está atrelado ao dólar, o montante deve crescer com a recente valorização da moeda frente ao real.

De acordo com consultorias especializadas, desde 2008, 67 usinas brasileiras estão em recuperação judicial.

O maior número está na região Sudeste, com 38 usinas. Em seguida vem o Nordeste com 14, o Centro-Oeste com 13 e a região Sul, com duas.

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), cerca de 80 usinas fecharam as portas de 2008 a 2014 e nove podem fechar ainda este ano.

Segundo especialistas de mercado, a implantação de novas políticas de incentivo pode ajudar o setor no médio prazo.

Para o diretor técnico do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br), Paulo Gallo, o cenário de dólar valorizado frente ao real tem um lado positivo: o aumento das exportações e uma possível capitalização do setor. Do ponto de vista do aumento, você favorece as exportações, ou seja, com o mesmo montante de dólar o produtor ganha mais.

Mas ainda é muito cedo pra poder avaliar isso no longo prazo. Temos que ver como vai caminhar o dólar, aponta Gallo.

A presidente da Unica acredita que as medidas adotadas até agora não resolvem o problema do setor, que está em crise desde o final da década de 1990.

"Isso não resolve o problema. Nós precisamos que o governo defina qual será a matriz energética e invista em políticas de médio e longo prazo, pra que a gente possa saber como será, por exemplo, em 2030", indica Elisabeth Farina.

A perspectiva do setor é de que o etanol tenha melhor desempenho que o açúcar este ano.

Com relação à possibilidade de retomada das fusões no mercado nacional, muitos usineiros explicam que ainda é cedo pra se falar neste tipo de prática, algo que foi comum no início da década de 2000.

José Carlos Correia Maranhão, de Alagoas, um dos principais estados produtores, acredita que para que isso aconteça, o setor sucroalcooleiro precisa apresentar melhora de desempenho no curto prazo.

É um momento de cautela, de analisarmos que rumos tomaremos nos próximos meses – diz Maranhão, diretor superintendente da Usina Santo Antônio.

Evento Um dos destaques do primeiro dia do seminário Sugar & Ethanol Brazil 2015 foi a apresentação de um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) sobre o potencial competitivo do etanol 2G no Brasil.

A perspectiva é de que, em até dez anos, a produtividade por hectare aumente em até 54% com a adoção das novas tecnologias.

A gente consegue evoluir do patamar atual, que é de produção de 6,5 mil litros de álcool por hectare para 10 mil litros com o álcool 2G.

Isso representa um ganho significativo para o produtor – garante Carlos Eduardo Cavalcanti, chefe do Departamento de Biocombustíveis do BNDES. (Canal Rural 24/03/2015 às 20h: 53m)

 

BNDES estima que etanol celulósico será viável em 2021

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou ontem em evento da consultoria FO Licht em São Paulo um estudo inédito feito em conjunto com o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) sobre a viabilidade do etanol de segunda geração no Brasil, feito a partir do bagaço e da palha de cana-de-açúcar.

Nos últimos dois anos, o banco de fomento aplicou cerca de R$ 1 bilhão em projetos de etanol celulósico no Brasil. Em linhas gerais, no curto prazo, o horizonte é de que o custo de produção desse biocombustível (celulósico) ainda seja superior ao custo do de primeira geração, embora alguns projetos já estejam conseguindo equiparar essas despesas no caso do etanol anidro, que é misturado à gasolina.

Em média, segundo o estudo, o custo seria de R$ 1,50 por litro para o etanol celulósico, ante R$ 1,20 por litro do etanol de primeira geração, feito a partir do caldo da cana-de-açúcar.

Mas a partir de 2021, segundo o chefe do departamento de biocombustíveis do BNDES, Carlos Eduardo Cavalcanti, os custos do etanol celulósico tendem a ser reduzidos significativamente, para o patamar de R$ 0,80 por litro, podendo atingir níveis de R$ 0,50.

Essa redução será possível, conforme o banco, devido à introdução de variedades da chamada "cana energia", com maior produtividade de fibras e também em toneladas por hectare do que as variedades convencionais.

Os ganhos de escala também farão a diferença, assim como a diminuição de montante de investimentos na construção de novas plantas de etanol celulósico.

No estudo do BNDES e do CTBE também foi identificado que o etanol celulósico é viável no longo prazo, mesmo com um preço do barril do petróleo em US$ 40.

"Nesse estudo, o banco buscou ter uma visão conservadora, que pode até ter decepcionado alguns produtores, que acreditam que conseguem num prazo mais curto reduzir o custo do etanol celulósico a níveis mais baixos do que o de primeira geração", disse o gerente setorial do Departamento de Biocombustíveis do BNDES, Arthur Milanez.

No Brasil, há três projetos de etanol celulósico em escala comercial e um em escala de demonstração.

O da GranBio, da família Gradin, foi o primeiro a ser inaugurado e tem capacidade de produção de 80 milhões de litros de etanol celulósico a partir da palha da cana.

O segundo em operação é o da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell.

A unidade foi implantada na usina paulista Costa Pinto, que produz etanol de primeira geração, com capacidade para fabricar 40 milhões de litros anuais.

"A espanhola Abengoa começou a construção de sua usina de etanol de segunda geração, que terá condições de produzir 65 milhões de litros por ano", explicou Cavalcanti.

Nos Estados Unidos duas plantas que usam biomassa do milho para fabricar o biocombustível entraram em operação e uma outra deve entrar neste ano.

Juntas, devem ter capacidade para produzir 305 milhões de litros anuais. (Valor Econômico 25/03/2015)

 

Vendas de etanol hidratado têm recorde em março

As vendas de etanol hidratado pelas usinas produtoras da região centro-sul do Brasil atingiram patamar recorde na primeira quinzena de março deste ano, com a maior competitividade do biocombustível frente à gasolina após a implementação de tributos adicionais ao combustível fóssil, afirmou nesta terça-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

As vendas de hidratado na primeira metade do mês somaram 681,57 milhões de litros, alta de 50,5 por cento ante o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da associação das usinas da principal região produtora do país.

Uma maior tributação da gasolina, via Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e PIS/Cofins, passou a vigorar a partir de 1º de fevereiro, encarecendo o combustível frente ao etanol.

De outro lado, os preços do etanol nas usinas têm caído nas últimas semanas no Estado de São Paulo, com o início da moagem da nova safra.

O etanol hidratado registrou na última semana a sexta queda semanal nas cotações, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Já as vendas de etanol anidro (combustível misturado à gasolina) pelas usinas alcançaram 364,18 milhões de litros nos primeiros 15 dias de março, queda de 3,7 por cento ante o mesmo período do ano anterior. (Reuters 24/03/2015)

 

Demanda por etanol anidro pode crescer 17% até 2020, estima Tereos

O diretor de Relações com Investidores da Tereos Internacional, Marcus Thieme, revelou nesta terça-feira, 24, que a demanda por etanol anidro tende a crescer 17% sobre os números previstos para este ano e atingir 14,11 bilhões de litros até 2020.

O volume leva em conta, basicamente, o aumento da mistura na gasolina, de 25% para 27%. Os números foram apresentados durante painel no Sugar & Ethanol Brazil, realizado pela F.O. Lichts, em São Paulo.

Quanto ao hidratado, utilizado diretamente no tanque dos veículos, o incremento de demanda deve ser de 14% até 2020, para 17,49 bilhões de litros.

Segundo a Tereos, controladora da Guarani, contribuirá com esse aumento a redução do ICMS incidente sobre o hidratado em Minas Gerais, que detém a segunda maior frota de veículos do País, de 19% para 14%. (Agência Estado 24/03/2015)

Futuro do setor

No mesmo painel, o presidente da Usina Coruripe, Jucelino Oliveira de Sousa, afirmou que cabe ao setor sucroenergético superar as atuais dificuldades buscando otimizar a distribuição de etanol no País. "Temos de repensar a forma como comercializamos etanol", disse. A Coruripe tem cinco unidades de produção nos Estados de Alagoas e Minas Gerais.

Já o presidente da Biosev, braço sucroalcooleiro da Louis Dreyfus Commodities (LDC), Rui Chammas, comentou que a perspectiva para o setor nos próximos 10 anos é "extremamente promissora" em virtude da crescente demanda por combustíveis. "Isso desde que tenhamos claro qual o papel do etanol na matriz energética brasileira, senão teremos falta de combustíveis", disse.

 

Açúcar: Procura segue limitada, enfraquecendo as cotações

 A demanda por açúcar continua limitada no mercado spot paulista.

Compradores negociam pequenas quantidades, para atender necessidades/o abastecimento de curto prazo. De acordo com levantamentos do Cepea, muitos consumidores restringem-se mesmo à retirada dos contratos feitos em períodos anteriores ou ao uso do açúcar que têm em estoque.

Do lado vendedor, de forma geral, usinas procuram manter firmes os valores pedidos

 Com relação à safra 2015/16 do Centro-Sul, dentre as usinas que já iniciaram a moagem no estado de São Paulo, uma pequena parcela já está produzindo açúcar, porém de tipo mais escuro, com Icumsa acima de 200, não considerado para o cálculo do Indicador CEPEA/ESALQ.

Na segunda-feira, 23, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 51,06/saca de 50 kg, queda de 0,73% em relação à segunda anterior; no mês, porém, avança 2,28%. (CEPEA/ESALQ 24/03/2015)

 

Produção de açúcar do centro-sul em 15/16 soma 23,19 mil t até 16/03, diz Unica

SÃO PAULO (Reuters) - A moagem de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil na nova safra (2015/2016) somou, até 16 de março, 1,24 milhão de toneladas, informou nesta terça-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em seu site.

A produção de açúcar em 15/16 até o final da primeira quinzena de março atingiu 23,19 mil toneladas, e a de etanol, 57,57 milhões de litros.

A moagem da safra 15/16 começa oficialmente em 1º de abril, mas algumas usinas anteciparam os trabalhos e outras não interromperam o processamento na entressafra.

Além das seis empresas que não interromperam o processamento, 14 unidades produtoras do centro-sul já iniciaram antecipadamente a produção da safra 2015/2016, afirmou a Unica. (Unica 24/03/2015)

 

Centro-Sul antecipa moagem de mais de 1 mi t de cana em 15/16

SÃO PAULO (Reuters) - A moagem de cana-de-açúcar do centro-sul do Brasil na nova safra somou, até 16 de março, 1,24 milhão de toneladas, com a principal região produtora do país registrando atividades antecipadas da temporada 2015/16 em 20 usinas, informou nesta terça-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em seu site.

A moagem da safra 15/16 começa oficialmente em 1º de abril, mas algumas usinas normalmente antecipam os trabalhos e outras não interrompem o processamento na entressafra.

"Usinas que antecipam a moagem ou mesmo as que não param, em geral, são usinas de menor porte e as mais descapitalizadas", comentou o analista Júlio Maria Borges, da Job Economia.

Segundo ele, a antecipação da moagem por algumas unidades segue um movimento normal por parte de algumas empresas todos os anos.

"Não tem nada de diferente (este ano)... Trata-se de uma situação que afeta muito pouco o mercado, é uma produção pouco expressiva, é mais psicológico do que efetivo", acrescentou.

A produção de açúcar em 15/16 até o final da primeira quinzena de março atingiu 23,19 mil toneladas, e a de etanol, 57,57 milhões de litros, sendo 4,89 milhões de anidro e 52,68 milhões de etanol hidratado, informou a Unica nesta terça-feira.

O volume é quase irrelevante comparado com a produção da temporada 2014/15, que totalizou 31,97 milhões de toneladas de açúcar e 10,78 bilhões de litros de etanol anidro e 15,34 bilhões de litros de etanol hidratado, segundo a associação.

A produção de açúcar total da nova safra foi estimada nesta terça-feira em 31,8 milhões de toneladas pela consultoria F.O.Licht.

Além de seis empresas que não interromperam o processamento, 14 unidades produtoras do centro-sul já iniciaram antecipadamente a produção da safra 2015/16, acrescentou a Unica.

A entidade não forneceu dados comparativos com o mesmo período do ano passado.

Também não divulgou na nota a localização das usinas que estão operando.

Normalmente, as usinas do Paraná --quinto Estado produtor de cana do Brasil-- entram em operação antes das empresas situadas em São Paulo, que colhe mais da metade do produto do país, por questões climáticas. (Reuters 24/03/2015)

 

Consumo de etanol nos EUA deve cair 10% até 2024, projeta USDA

SÃO PAULO (Reuters) - O consumo de etanol nos Estados Unidos deverá cair para 45,6 bilhões de litros/ano em 2024, ou cerca de 10 por cento ante os atuais 50,3 bilhões de litros, devido a problemas relacionados aos limites para a mistura do biocombustível no país, afirmou nesta terça-feira o diretor da divisão de política global do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), Michael Dwyer.

Em evento em São Paulo, Dwyer lembrou que os EUA emergiram como o maior exportador líquido mundial de etanol, e que o futuro do crescimento da produção norte-americana está na abertura de novos mercados, especialmente na Ásia. (Reuters 24/03/2015)

 

Queda do etanol na usina não chega ao posto

O etanol hidratado teve queda acumulada de 13,8% nos preços na porta das usinas paulistas nas últimas seis semanas. No mesmo período, os postos ajustaram os preços para cima em 2,6% na cidade de São Paulo.

Nos últimos dias, o álcool voltou a subir nas usinas, e o produtor teme que, mesmo não tendo repassado a baixa anterior para o consumidor, o varejo volte a acumular esse novo reajuste de preços.

Se isso ocorrer, o etanol perderá parte da competitividade em relação à gasolina.

O preço médio do álcool hidratado apurado pelo Cepea indica que o litro estava a R$ 1,4150 na semana de 6 de fevereiro. Na semana passada, recuou para R$ 1,2191.

Já o preço diário da BM&FBovespa, que estava em R$ 1,152 há uma semana, foi a R$ 1,183 no início desta.

Nos postos da cidade de São Paulo, a Folha apurou que o litro do álcool hidratado estava a R$ 2,064 na semana de 6 de fevereiro, mas subiu para R$ 2,117 na passada.

A queda de preços do etanol nas usinas em plena entressafra ocorreu porque o setor estava muito estocado e o governo demorou para liberar a mistura de 27% do etanol anidro à gasolina.

Com a aproximação da nova safra, o produtor vendeu estoques para fazer caixa e garantir recursos para os custos iniciais da produção.

O novo percentual de mistura e preços mais bem comportados nesta entressafra fizeram com que as vendas de etanol atingissem 1,1 bilhão de litros na primeira quinzena de março. Desse volume, 1,05 bilhão foi comercializado no mercado interno.

As vendas do etanol anidro somaram 364 milhões de litros no mercado interno. Já as do hidratado atingiram o recorde de 682 milhões.

Maior mistura de anidro à gasolina e dólar caro, dificultando a importação, dão ânimo ao setor.

Dados desta terça-feira (24) da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) indicam que 14 usinas já iniciaram a colheita da safra 2015/16. Esse número se soma às outras seis que não haviam interrompido o processamento de cana na entressafra.

Com preços competitivos em vários Estados, o etanol ganha espaço.

Em janeiro, as vendas de gasolina somaram 3,9 bilhões de litros, volume que recuou para 3,1 bilhões em fevereiro. (Folha de São Paulo 25/03/2015)

 

Vendas de etanol hidratado têm recorde em março após aumento da Cide na gasolina

SÃO PAULO (Reuters) - As vendas de etanol hidratado pelas usinas produtoras da região centro-sul do Brasil atingiram patamar recorde na primeira quinzena de março deste ano, com a maior competitividade do biocombustível frente à gasolina após a implementação de tributos adicionais ao combustível fóssil, afirmou nesta terça-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

As vendas de hidratado na primeira metade do mês somaram 681,57 milhões de litros, alta de 50,5 por cento ante o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da associação das usinas da principal região produtora do país.

Uma maior tributação da gasolina, via Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e PIS/Cofins, passou a vigorar a partir de 1º de fevereiro, encarecendo o combustível frente ao etanol.

De outro lado, os preços do etanol nas usinas têm caído nas últimas semanas no Estado de São Paulo, com o início da moagem da nova safra.

O etanol hidratado registrou na última semana a sexta queda semanal nas cotações, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Já as vendas de etanol anidro (combustível misturado à gasolina) pelas usinas alcançaram 364,18 milhões de litros nos primeiros 15 dias de março, queda de 3,7 por cento ante o mesmo período do ano anterior. (Reuters 24/03/2015)

 

Demanda pelo biocombustível nos EUA cairá

O diretor global da divisão de análises do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), Michael Dwyer, afirmou ontem que a demanda dos Estados Unidos por etanol, atualmente na casa de 50 bilhões de litros, deve recuar nos próximos dez anos para 45,6 bilhões.

A inserção de outras fontes limpas de energia nos transportes, tais como veículos movidos à eletricidade, explica a retração.

Para uma platéia de usineiros e traders de etanol presentes no evento da consultoria FO Licht, em São Paulo, o diretor do USDA deixou claro que os EUA já são um exportador líquido e estão agressivamente avançando para consolidar essa posição, sobretudo no mercado da Ásia.

Ao Valor, Dwyer disse acreditar que o Brasil poderá ainda continuar exportando ao mercado americano, no entanto, de forma "ocasional".

Os EUA já são um exportador líquido de etanol, tomando o lugar do Brasil, o que era impensável em 2008, segundo ele.

"O grande objetivo das empresas americanas é prospectar novos mercados, em especial na Ásia", afirmou o diretor do USDA.

A previsão do órgão americano é de que o consumo do biocombustível na China passe a 4 bilhões de galões (15 bilhões de litros) em 2022, ante os 500 milhões de galões (1,8 bilhão de litros) de 2012.

Nesse cenário, as expectativas do Brasil de vender no futuro grandes volumes ao mercado americano ficam mais distantes.

Na visão do USDA, o etanol brasileiro tende a ter como destino o próprio mercado doméstico. Ao contrário do que projeta para os EUA, o órgão americano prevê que a demanda do Brasil por etanol vai crescer na próxima década.

Atualmente em 23,8 bilhões de litros, o consumo nacional deve avançar até 2024 para 36,10 bilhões de litros.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) voltou a registrar aumento das vendas internas de etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos.

Conforme a entidade, na primeira quinzena de março foram vendidos pelas usinas do Centro-Sul 681,57 milhões de litros, 50,54% de aumento em relação a igual período de 2014. (Valor Econômico 25/03/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Real "forte" não alivia: A continuidade do movimento de recuperação do real em relação ao dólar não foi suficiente para garantir a alta do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para julho fecharam em queda de 27 pontos, a 12,65 centavos de dólar por librapeso, já perto do menor patamar em seis anos. A alta do real contribui para reduzir o interesse de venda por parte dos exportadores brasileiros, que de fato estavam mais animados enquanto o dólar permanecia em ascensão. Do lado dos fundamentos, a sinalização permanece baixista, que a previsão é de clima favorável em regiões produtoras do Centro­Sul brasileiro. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal negociada em São Paulo registrou queda de 0,29%, para R$ 50,91

Café: Mudança de ventos: O café arábica chegou a subir mais de 2% no pregão de ontem na bolsa de Nova York, mas os ventos mudaram de direção e os preços despencaram. Julho recuou 460 pontos, a US$ 1,4055 por libra-peso. O dólar continuou a perder força em relação a diversas moedas, inclusive o real, e esse movimento atuou como fator "altista" porque desestimula as vendas por parte dos produtores brasileiros na medida em que diminui a rentabilidade das exportações. Mas os mapas climáticos indicam que as condições permanecerão favoráveis ao desenvolvimento dos cafezais no Brasil nos próximos cinco dias, o que determinou o tombo na bolsa. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade saiu entre R$ 480 e R$ 500, conforme o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Laranja: Escalada continua: O "rali" do suco de laranja ganhou mais um capítulo ontem, com novos avanços expressivos nos preços da bebida na bolsa de Nova York. Os lotes para julho encerraram o pregão em alta de 275 pontos, a US$ 1,2660 por libra-peso. Nas últimas três sessões, a commodity acumula valorização próxima de 20%. A escalada veio após uma queda de quase 6% na quinta-feira passada, que levou a bebida à menor cotação em três anos. E como há poucos contratos de suco negociados, qualquer movimento mais coordenado dos investidores pode aumentar a volatilidade. A retomada da alta do real sobre dólar também diminui a pressão de venda do suco brasileiro. No mercado spot paulista, a caixa de 40,8 quilos da laranja para processamento segue abaixo de R$ 10, conforme fontes das indústrias de suco.

Trigo: Realização de lucros: As condições melhores que o esperado das lavouras de trigo nos EUA levaram investidores a realizar lucros, o que empurrou para baixo os preços do cereal na bolsa de Chicago. Os papéis com vencimento em julho fecharam ontem em queda de 9,75 centavos, a US$ 5,2825 por bushel. Nas últimas semanas, analistas manifestaram preocupação de que a seca e o frio nas Grandes Planícies dos EUA pudessem trazer danos aos plantios de trigo, que estão saindo do período de dormência. Entretanto, relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) contribuiu para diminuir esse temor. No Paraná, a saca de 60 quilos do cereal saiu, em média, por R$ 32,79, conforme informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura do Estado. (Valor Econômico 25/03/2015)