Setor sucroenergético

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Luiz Carlos Carvalho é o novo presidente da Academia Nacional de Agricultura

“É uma honra estar aqui com vocês, assumir essa função. Gostaria de trazer aos nossos colegas uma reflexão sobre a realidade que estamos vivendo, um momento absolutamente diferenciado em que, de qualquer forma, a necessidade de trabalhar pela sustentabilidade do agronegócio é fundamental. Cabe essa função essencialmente às entidades de classe e à nossa Comissão.”

Desta forma, o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Carvalho, saudou os presentes em seu pronunciamento durante a cerimônia de posse à presidência da entidade, realizada na terça-feira, 24 de março, em São Paulo. Segundo ele, as pessoas vivem um momento no qual sentem forças opostas, de regionalização e da globalização, bastante complexas, além de riscos, por estar manejando recursos interconectados e que, portanto, cada vez mais trazem complexidade.

Luiz Carlos Carvalho, da Abag, recebe a medalha pelas mãos de Roberto Rodrigues, quem substituirá na presidência da Academia

“Claro que a nossa resiliência é fundamental e sabemos que o agronegócio tem uma resiliência formidável, veja o caso da cana-de-açúcar, que é uma cadeia produtiva que continua a sofrer muito apesar de tudo”, destacou. Ele também comentou sobre a questão geopolítica.

“Tivemos uma espetacular mudança nos últimos dois anos. Começamos a ver os Estados Unidos voltando à sua carreira de gestor do mundo, na verdade através da questão energética e dos alimentos. E quando todo o mundo fala de energia e de alimentos pensa em Brasil, mas os Estados Unidos vêm na frente, em termos de produção, de presença. Soma-se a isso a virada de jogo que fez com que a Arábia Saudita esteja agora dependente do comportamento do mercado americano em relação ao petróleo. Realmente, é algo indescritível, é um negócio admirável que vimos acontecer nos últimos anos”, montou o cenário.

Prosseguiu, mencionando a nova força do dólar e a estagnação da economia brasileira. “Enfim, acende a luz do risco dos acordos transatlânticos que podem acontecer e a possibilidade de o Brasil ficar fora ou distante disso”, analisou ele, que acrescentou: “São realidades que se impõem, apesar da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aclamarem o Brasil, em nível global, a aumentar a sua presença na produção de alimentos para os próximos anos. Claro, tudo vem acontecendo com a continuidade ou com o continuísmo do sistema protecionista de vários países que trazem as mais variadas dificuldades para nós. Em sua opinião, a crise atual da economia brasileira afeta muito o agronegócio.

“O primeiro impacto, óbvio, tem a ver com questão de consumo, isso sinaliza a inexistência de estoques, queda de preços, além de perdas nos mercados nacional e internacional . O segundo é a dificuldade de acesso a crédito, no volume e no custo. Estas são as duas questões que nos afligem”, resumiu.

Ele chamou atenção ainda para uma outra questão. “O Rodrigo Mesquita, aqui presente e que acompanha as redes sociais, projeto que vem coordenando conosco, há três anos, nos traz uma preocupação, pois vamos de novo sofrer uma onda fortíssima de ataque ao agronegócio e temos que nos preparar para isso, sermos mais proativos e menos reativos ao que virá”, alertou.

“Queria, portanto, trazer um dado relevante para o trabalho da Academia, no sentido de operar e trabalhar as chamadas redes sociais e nos prepararmos para o que vem e agirmos de uma forma integrada, de forma ativa. E um trabalho que a ABAG vem fazendo é a luta pela governança institucional”, aconselhou. (SNA/SP - 25/03/2015)

 

Açúcar entra na pauta da Unica, mas etanol continua a prioridade

http://www.valor.com.br/agro/3978162/acucar-entra-na-pauta-da-unica-mas-etanol-continua-prioridade

Com um orçamento equivalente à metade do que tinha há dois anos, fruto de uma reestruturação feita em 2014 para evitar a saída de associados, a União da Indústria de Canade-Açúcar (Unica), que representa 60% da produção de açúcar e etanol do Centro-Sul, não tem, a despeito da menor receita, menos desafios.

Além de inúmeras demandas de curto e longo prazos para o etanol, que estão no topo das prioridades dos seus associados, a entidade adicionou às suas angústias mais imediatas o mercado de açúcar.

Recém-empossado na presidência do conselho deliberativo da Unica no lugar do ex-ministro Roberto Rodrigues, o executivo Luís Roberto Pogetti diz que o ciclo de baixa nas cotações do açúcar está se prolongando em demasia.

Normalmente, costuma durar três anos, mas desta vez se arrasta há quase cinco.

É natural nesses momentos que os países produtores busquem proteger seus mercados, o que aumenta o risco de distorções.

"Nosso objetivo é defender o livre mercado de açúcar", diz o executivo, que também é presidente do conselho de administração da Copersucar.

Em 2014, a entidade, por meio do Itamaraty, fez questionamentos à Índia na Organização Mundial do Comércio (OMC) para entender mecanismos de incentivos dados pelo país a seus produtores.

Neste ano, fez o mesmo com a Tailândia.

Ainda não obteve resposta, mas está preparada para iniciar, se for o caso, um contencioso internacional.

Também preocupa os associados uma onda de demonização do açúcar na alimentação humana.

 Neste mês, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reduziu à metade a recomendação diária para o consumo de açúcar, de 10% para 5% das calorias diárias.

Por conta desses e outros movimentos do gênero, a Unica vai lançar em breve uma campanha publicitária para desmitificar o produto como o vilão para a saúde.

Batizada de "doce equilíbrio", a campanha quer combater a visão de que açúcar faz mal. "A nossa reação é a de buscar melhorar o nível de informação na sociedade".

Conforme Pogetti, um comitê técnico multidisciplinar, formado por nutricionistas, geriatras e endocrinologistas vão dar sustentação científica à campanha.

"Ela tem caráter preventivo. Busca esclarecer adequadamente a sociedade, tendo em conta que têm crescido movimentos contra o açúcar no mundo", afirma.

Apesar da entrada dessas questões na pauta, o etanol ainda continua sendo a grande prioridade, diz Pogetti.

Representante de um setor com histórica intervenção governamental, a entidade busca há anos convencer o governo de que é preciso um marco regulatório para etanol e eletricidade que permitam previsibilidade para investimentos.

Essa é a demanda número "um", na visão de seus associados.

O presidente do conselho afirma que a Unica está trabalhando num projeto para subsidiar o governo nessa demarcação.

"Se for definido qual o papel no longo prazo, é mais fácil definir o que fazer para chegará lá".

Ele acrescenta que a Unica continuará buscando no governo a aprovação de uma diferenciação tributária entre etanol e gasolina, de forma a "premiar" o biocombustível pelo efeito positivo que ele traz ao ambiente e à saúde pública.

"A Cide [Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico] fazia esse papel, mas ao ser retirada pelo governo [em julho de 2013], transferiu aos produtores de etanol o ônus desse 'financiamento' ambiental e à saúde pública da sociedade", argumenta.

Em fevereiro deste ano, a Cide voltou a incidir sobre a gasolina, em um montante de R$ 0,22 por litro.

Mas nas contas da Unica, trazida para valores de 2015, a Cide deveria incidir em R$ 0,50 por litro. Em janeiro de 2013, quando atingiu seu auge, a contribuição chegou a R$ 0,28, sendo zerada em julho do mesmo ano.

Assim, diz Pogetti, a recomposição foi parcial.

"A batalha para avançar nessa questão ainda não acabou. Essa diferenciação tributária tem que ser feita".

Também neste ano, as usinas conseguiram ter aprovada a elevação para 27% da mistura de etanol anidro na gasolina, que antes era de 25%.

Mas começam a enfrentar alguns ruídos, após um comunicado da Anfavea, que representa os fabricantes de veículos, recomendar que veículos movidos exclusivamente à gasolina passem a usar o tipo "premium" e não a gasolina "C" com 27% de etanol, até a conclusão dos estudos sobre o impacto na durabilidade dos motores.

Na semana passada, o Ministério Público Federal de Minas Gerais encaminhou uma recomendação à Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia para que a mistura de 27% seja suspensa até que se tenha certeza sobre a inexistência de prejuízo ao consumidor.

"Essa decisão [de elevar a mistura] não foi unilateral. A Anfavea endossou", afirma Pogetti.

Segundo ele, 80% dos testes foram feitos antes da aprovação, o que deu conforto na tomada de decisão.

"Para nós, surpreende essa polêmica. Acredito que seja uma tempestade em copo d'água".

Ele acrescenta que em duas semanas os testes finais, sobre durabilidade dos motores, 100 mil km com a nova mistura serão concluídos.

"Até o momento, ao rodar 70 mil km os veículos à gasolina não apresentaram problemas", relata.

Ao todo, a Unica tem 124 unidades industriais associadas que pertencem a 14 grupos e a outras 11 empresas com apenas 1 usina.

Além de todas essas demandas, a entidade tem ainda à frente o desafio de convencer o motorista de carro-flex a abastecer com etanol, em vez de gasolina, o que nem sempre acontece mesmo que o preço do etanol seja mais atrativo.

"As campanhas em televisão demandam orçamento alto. Estamos buscando um caminho para manter o etanol em evidência, com baixo custo", afirma Pogetti. (Valor Econômico 27/03/2015)

 

Cana: A equação da crise é 70% x 30%, 50% x 50% ou 30% x 70

http://www.brasilagro.com.br/conteudo/cana-a-equacao-da-crise-e70-x3050-x50-ou30-x70.html#.VRU6SvnF9qU

Do alto da sua sapiência e credibilidade, o prof. dr. Marcos Fava Neves, da FEA-RP/USP, já quantificou em entrevista ao TV BrasilAgro, a responsabilidade do governo pela crise e caos do setor sucroenergético em 70%, deixando os outros 30% para os empresários.

“É o inverso”, contestam conhecidos e respeitados consultores, daqueles que fazem suas previsões de safra confiáveis, ao contrário daqueles que anunciam o tamanho do que será produzido de acordo com a bolada que recebem. Ou seja, são tão confiáveis quanto uma nota de R$ 2.

Os mais conservadores creditam aos empresários 50% de responsabilidade, deixando a outra metade ao governo, com a ressalva: “Se fossem mais hábeis e de fato comprometidos com os interesses do Brasil e dos brasileiros a crise simplesmente inexistiria”.

Eles lembram que, reiteradas vezes, a presidente Dilma Rousseff – logo ela, quem diria, hein? – disse, publicamente, não confiar em “usineiros”. Outro exemplo emblemático desta afirmação foi feita na última edição do Ethanol Summit, promovido pela Única – União da Indústria da Cana-de-Açúcar, pelo presidente da EPE – Empresa de Pesquisa Energética, prof. dr. Maurício Tolmasquim: “A bioeletricidade só não avançou mais em razão do descumprimento de contratos por parte dos usineiros”.

Com efeito, vale a pena assistir a edição do TV BrasilAgro que vai ao ar neste domingo pela STZTV (www.stztv.org.br) e que estará disponibilizada na WEB TV do www.brasilagro.com.br a partir da tarde desta próxima segunda-feira e cuja tema central é a bioeletricidade.

Participam do programa o prof. Zilmar José de Souza, gerente de Bioeletricidade da Única e os engenheiros Clinger Ferreira (Ex-Eletropaulo e ex-CPFL, atual diretor da consultoria Agro Energia) e Marcos Nishi (Diretor da TGM). Com argumentos sólidos e consistentes eles mostram o imenso potencial que representa a cogeração de energia elétrica a partir do bagaço e da palha da cana e cobram ações que possam, de fato e de direito, inserir a biomassa na matriz energética brasileira.

No âmbito do Projeto de Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética, reunião marcada para a parte da manhã do próximo dia 8 de abril, no auditório da Canaoeste em Sertãozinho, vai definir as próximas ações que incluem a realização de um “Road Show” nas principais regiões produtoras de cana do País.

Além de debates e embates político-institucionais, o “Road Show” também levará aos produtores e investidores informações e tecnologias para o aumento da produtividade agrícola, industrial, logística, TI e gestão administrativa e financeira. Esta será, sem nenhuma dúvida, a grande vitrine para que a inovação chegue à toda a cadeia produtiva canavieira.

Parafraseando o grande Chacrinha, que dizia em alto e bom som que “quem não se comunica se estrumbica”, vale dizer que “quem não inova não sobrevive”. Quem viver, verá... (Ronaldo Knack é Jornalista e graduado em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br

 

Ceres acelera desenvolvimento de cana transgênica

http://www.valor.com.br/agro/3978000/ceres-acelera-desenvolvimento-de-cana-transgenica

SÃO PAULO - A Ceres, empresa de biotecnologia americana, anunciou hoje que seus “traits”(eventos transgênicos) de cana-de-açúcar avançaram para uma nova fase de testes antes do previsto, em função dos dados positivos vindos da avaliação inicial no campo sob condições tropicais da América Latina.

Os principais materiais estão atualmente sendo multiplicados para avaliações em escala mais ampla, que estão programadas para começar em maio e junho deste ano.

Conforme a Ceres, esses traits aceleraram o crescimento e aumentaram a biomassa em variedades “de elite” de cana.

Além disso, plantas com um dos eventos transgênicos de tolerância à seca desenvolvidos pela empresa mantiveram produção de biomassa sob condições de pouca água, em certos casos, com até metade da água normalmente exigida durante a produção.

"Os resultados positivos são especialmente emocionantes porque os testes foram concluídos em variedades comerciais de elite, que já são conhecidas por seus altos rendimentos e desempenho", disse em nota Roger Pennell, vice-presidente de desenvolvimento de traits da Ceres.

O próximo passo da pesquisa, que trará resultados mais definitivos, deve ser concluído até junho de 2016. No ritmo atual, cultivares de cana com os traits da Ceres podem estar disponíveis comercialmente a partir de 2018, previu a companhia.

Os trabalhos relacionados à cana avançam em paralelo com o desenvolvimento de híbridos de sorgo para a produção de etanol e energia, que ainda concentram as maiores atenções da Ceres, inclusive no Brasil. (Valor Econômico 26/03/2015 às 19h: 58m)

 

Cientistas buscam novas fontes para produzir etanol de 2ª geração

http://www.brasilagro.com.br/conteudo/cientistas-buscam-novas-fontes-para-produzir-etanol-de2-geracao.html#.VRU5N_nF9qU

Transformar problemas em solução, limões em limonada, bagaço em energia. Seguindo essa lógica, um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) procura novas formas de produzir etanol. Há três anos, o Laboratório de Tecnologia de Bebidas e Alimentos (LTBA) do Centro de Tecnologia (Ctec) faz de restos de diversos alimentos o combustível alcoólico.

O álcool derivado de resíduos da cana-de-açúcar é chamado de etanol segunda geração (etanol 2G ou E2G). Enquanto o original é derivado do caldo, esta nova versão é retirada do bagaço e da palha desse vegetal. Como uma das especialidades do LTBA é diversificar os produtos derivados de alimentos – como vinhos de cajá, maracujá, acerola e até mel –, eles não se contentaram em fazer etanol somente de cana – muito menos só de caldo. “Estudamos a fabricação de etanol a partir do sabugo e da palha de milho e de cascas de coco, arroz e soja”, explicou a professora Renata Rosas, coordenadora do projeto.

Essas matérias-primas são compostas por três tipos de moléculas complexas que os químicos conseguiram quebrar para produzir o combustível: a lignina, a hemicelulose e a celulose – por isso, ele também pode ser chamado etanol celulósico. O avanço foi uma grande oportunidade para o reaproveitamento dos recursos naturais. "Quando não utilizado como ração de animais ou para produção de adubo, a agroindústria buscava se livrar desse material. O bagaço então torna a usina autossustentável em termos de energia: ela consome a energia que produz e ainda pode vendê-la", explicou a professora.

A equipe é formada por cerca de dez pessoas, entre professores e estudantes de graduação e pós-graduação, do curso de Engenharia Química da Ufal e trabalha em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da professora Renata Rosas, colaboram com o projeto de pesquisa os professores Fred Carvalho e Wagner Pimentel, na parte computacional.

Movimentando a economia

Para Renata, no entanto, diante das demandas comerciais, o E2G deve ser compreendido apenas como um complemento. "Eu não considero que ele vá substituir o etanol original, o Brasil não está suprindo nem o mercado interno. Mas é um complemento importante, sim, visto as crises de energia que a gente vive", opinou.

O novo método de produção permite que se poupe a produção direcionada para a indústria alimentícia. "Não podemos acabar com todas as plantações de alimentos para produzir etanol. Usar o que resta delas, porém, é uma opção excelente", destacou a professora, acrescentado que o etanol de segunda geração é também uma alternativa à escassez de recursos naturais.
"A gente descobre o pré-sal e temos petróleo a vontade; depois, o preço do petróleo sobe e voltamos para o álcool. Vivemos um ciclo, mas sempre pensando que as reservas de petróleo não vão durar para sempre; enquanto isso, a cana pode ser plantada e replantada indefinidamente", enfatizou.

Profissionais especializados

Conforme a pesquisadora, os profissionais do etanol 2G podem atuar basicamente em duas áreas. “Pode ser na área do campo, da agricultura – há muitos engenheiros agrícolas pesquisando tipagem genética, melhoramento genético da cana-de-açúcar etc.; ou pode ser na parte da engenharia, mexer com os processos dentro da indústria”, explicou. Segundo ela, o curso de Engenharia Química da Ufal dedica-se bastante à indústria canavieira, tanto com disciplinas obrigatórias quanto eletivas. “O curso leva em consideração a vocação histórica do Estado de Alagoas para essa indústria”, explicou.

1º Workshop em Etanol 2G

Para capacitar novos profissionais a atuar na área e mostrar os resultados de suas pesquisas, o grupo está promovendo até esta sexta-feira, 27, o 1º Workshop em Etanol 2G. Foram convidados, como palestrantes, pesquisadores, da Ufal e de outras instituições, especialistas no assunto, entre eles a professora Vera Dubeux Torres, recentemente nomeada membro da Academia de Agricultura da França.

Segundo a professora Renata, é uma oportunidade de compartilhar conhecimento entre universidades, estudantes, pesquisadores, os setores da indústria e da agricultura. “Aproveitamos para discutir também sobre a realidade, porque uma coisa é fazer tudo aqui dentro do laboratório e outra é ir para a indústria, onde há uma série de macro-problemas”, observou. (Brasil Agro 26/03/2015)

 

Dólar em alta favorece exportações de açúcar bruto em março

http://www.brasilagro.com.br/conteudo/dolar-em-alta-favorece-exportacoes-de-acucar-bruto-em-marco.html#.VRU5nvnF9qU

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Brasil embarcou 1,12 milhão de toneladas de açúcar bruto até a terceira semana de março.

A média diária foi de 75,0 mil toneladas, alta de 66,5% frente ao mês anterior e incremento de 25,4% na comparação com o total de março do ano passado.

Ao que tudo indica o país deverá fechar o mês com 1,65 milhão de toneladas de açúcar bruto exportadas, aumento de 103,5% em relação a fevereiro último.

Apesar dos altos estoques mundiais do produto, a valorização do dólar favorece as exportações. Atrelado a isso, a política de subsídios do governo tailandês para o açúcar é outro fator de baixa sobre os preços da commodity no mercado internacional.

Essa situação tem gerado uma série de discussões na Câmara Setorial do Açúcar e Álcool e preocupações dos produtores quanto ao produto brasileiro, que se depara com um novo competidor nesse mercado.

A tonelada do açúcar bruto para exportação está cotada, em média, em US$339,65, decréscimo de 2,1% em relação a fevereiro deste ano e baixa de 7,8% frente a março de 2014 (Brasil Agro 26/03/2015)

 

Lucro líquido da Louis Dreyfus cresce 1,25% em 2014

http://www.valor.com.br/agro/3976598/lucro-liquido-da-louis-dreyfus-cresce-125-em-2014

SÃO PAULO - A trading agrícola Louis Dreyfus Commodities divulgou um lucro líquido de US$ 648 milhões no ano passado, o que significa um incremento de 1,25% sobre o resultado de 2013.

A companhia, que junto com Archer Daniels Midland (ADM), Bunge e Cargill domina o comércio mundial agrícola, tem capital fechado e não divulga muitos dados financeiros.

A receita líquida de vendas somou US$ 64,7 bilhões ante US$ 63,6 bilhões no ano anterior. Segundo o comunicado, no ano passado, a produção abundante de grãos pressionou os preços das commodities agrícolas, mas o lucro da companhia cresceu com o aumento do volume transcionado e melhora da logística.

A trading divulgou que sua movimentação de carga cresceu 4% em 2014 para 80 milhões de toneladas.

“Esse resultado prova que nosso modelo de negócio e estratégia, combinado com as operações de logística e processamento e expertise no comércio mundial, formam uma receita de sucesso”, disse Serge Schoen, presidente-executivo da Louis Dreyfus. (Valor Econômico 26/03/2015)

 

Juros do Moderfrota sobem para 7,5%

Decisão do Conselho Monetário Nacional também eleva Taxa de Juros de Longo Prazo para 6% ao ano.

http://www.canalrural.com.br/noticias/agricultura/juros-moderfrota-sobem-para-55648

A necessidade de reforçar o ajuste fiscal para arrumar as contas públicas foi o lastro para a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de elevar em três pontos porcentuais a linha de financiamento do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota).

O Moderfrota aumentou os juros de 4,5% para 7,5% ao ano na taxa de financiamento para empresas com receita operacional ou renda de grupo econômico superior a R$ 90 milhões anuais.

Já para renda acima de R$ 90 milhões, o financiamento de equipamentos agrícolas subiu de 6% para 9% ao ano.

A mudança já valerá a partir de 1º de abril. A decisão ainda inclui, também, o aumento na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) de 6% ao ano.

"Para não prejudicar os mutuários com operações já protocoladas no BNDES até o dia 27 de março deste ano, o cujo processo de contratação ainda não foi concluído, foi concedido prazo até 10 de abril para a formalização dessas operações com as taxas de juros anteriores", diz o CMN em nota.

A justificativa foi apresentada pelo secretário-adjunto de Política Econômica da Fazenda, João Rabelo, após a reunião do CMN, e está relacionada à situação macroeconômica internacional.

É um ano importante de ajuste para que possamos ter os próximos anos de crescimento adequado ao Brasil e, para isso, é necessário fazer ajustes nas linhas subvencionadas pelo governo.

Essas linhas geram equalização, subvencionadas pelo governo, e impacto no resultado primário. Rabelo destacou que "há uma necessidade forte" de reforçar o ajuste "num ano de transição". Isso implica, segundo ele, a necessidade de cortar subsídios.

Há necessidade forte, estamos num ano de transição, de fazer um ajuste fiscal para que a gente possa continuar sendo um país bem percebido por todos os nossos credores, afirmou.

A última vez que o governo mexeu nas taxas do Moderfrota foi em julho do ano passado, no âmbito do Plano Safra 2014/2015, que destinou R$ 3,6 bilhões para o programa.

A elevação das taxas ocorre, portanto, faltando apenas quatro meses para o final do Plano Safra 2014/2015.

Rabelo disse que existe R$ 1,8 bilhão em estoque no Moderfrota para a tomada de crédito até julho:

A tendência é de que novas taxas permaneçam as mesmas no próximo Plano Safra. O impacto fiscal do aumento da TJLP e do Moderfrota não foi informado pelo CMN, apenas as respectivas elevações das taxas. Estoque pode ser insuficiente.

O presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, disse que o aumento na taxa de juros do Moderfrota é aceitável, diante da situação econômica brasileira e que todos os setores devem se adaptar a essas mudanças.

Já o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, afirmou que o estoque de recursos de R$ 1,8 bilhão garantido para o Moderfrota até o final da atual safra, no começo de julho, pode ser insuficiente.

A conta da Abimaq e da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) é que R$ 1,8 bilhão garantem o financiamento até a Agrishow, disse

Veloso, se referindo à principal feira do agronegócio da América Latina, que acontece entre 27 de abril e 1º de maio.

Segundo ele, o setor de máquinas e equipamentos agrícolas acredita que para encerrar a safra 2014/2015 seriam necessários entre R$ 2,2 bilhões e 2,3 bilhões.

Ele avalia que o aumento anunciado hoje pelo CMN "é aceitável", por conta da inflação estimada em torno de 8% para 2015.

Ele lembrou que Abimaq e Anfavea enviaram documento ao governo federal no qual pedem, além da manutenção dos juros – que não foi atendida,  a antecipação do anúncio do Plano Agrícola e Pecuário 2015/2016, normalmente feito em junho.

Seria ideal que o anúncio dos recursos para a próxima safra ocorresse em maio e seria uma excelente ideia que fosse na Agrishow deste ano, concluiu. (Canal Rural 26/03/2015)

 

GO: Alcoolduto que deveria chegar a Jataí pode atrasar devido “Lava Jato”

Com 850 quilômetros, o alcoolduto atravessa quatro Estados brasileiros; a proposta final é levar o duto até Jataí para permitir o transporte da produção de álcool do interior de Goiás até Paulínia (SP).

O alcoolduto que deveria chegar a Itumbiara no próximo ano e, depois, até Quirinópolis e Jataí, pode sofrer novo atraso na sua implantação por causa da decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de travar o financiamento de R$ 5,8 bilhões para a Logum Logística continuar a obra.

Com 850 quilômetros, o alcoolduto atravessa quatro Estados brasileiros e requer mais de R$ 7 bilhões em investimentos. A proposta final é levar o duto até Jataí para permitir o transporte da produção de álcool do interior de Goiás até Paulínia (SP), onde começa o trabalho de distribuição do produto aos centros consumidores. A expectativa é concluir a implantação do projeto até 2017, com investimento total em torno de R$7 bilhões.

Um dos principais motivos para o banco protelar a liberação do empréstimo é o fato de a Logum ter entre seus sócios três empresas investigadas na Operação Lava Jato: Petrobras, que detém 20% de participação, a Odebrecht, que tem outros 20%, e a própria Construtora Camargo Corrêa, com 10%. Os outros sócios do empreendimento são Copersucar, Raízen (do grupo Cosan) e Uniduto Logística, que reúne usinas de açúcar e álcool.

Outro ponto que atraiu a atenção sobre a Logum foi o fato de que há até pouco tempo o seu presidente era Roberto Gonçalves, ex-integrante de uma equipe que se reportava ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, delator na Lava Jato. A Logum está sendo submetida a uma auditoria interna, nos moldes do que é feito hoje na Petrobras. A conclusão está prevista para ser entregue aos sócios nesta semana.

Setor

A situação da Logum tornou-se um tema delicado entre seus sócios, que não quiseram falar sobre o assunto. Além dos problemas por ter acionistas envolvidos na Lava Jato, a companhia também está numa situação economicamente delicada. Os potenciais clientes do setor de açúcar e álcool vivem uma das maiores crises de sua história e pouco têm a transportar pela parte dos dutos que já está pronta.

No começo do ano passado, os dutos que saíam de Ribeirão Preto até o polo petroquímico de Paulínia tinham apenas 10% de sua capacidade de transporte sendo utilizada. A empresa não informa qual é a atual situação.

Em agosto, antes de a Operação Lava Jato ganhar a atual dimensão, a Logum conseguiu refinanciar o empréstimo-ponte de R$ 1,7 bilhão que tinha com o próprio BNDES. Esse empréstimo é em sua maior parte garantido por fianças dos bancos Bradesco e Santander, que teriam de assumir um eventual calote caso o empreendimento não vá para a frente.

O balanço da Copersucar de 2013 informa, entretanto, que em caso de inadimplência os próprios sócios teriam de aportar recursos na empresa, além dos que já foram investidos. Juntos, os sócios colocaram R$ 1,5 bilhão no negócio. O trecho entre Ribeirão Preto (SP) e Uberaba (MG) já foi concluído. Na próxima etapa, Uberaba será ligada a Itumbiara.

Sociedade

A Camargo Corrêa está agora tentando sair da sociedade, mas afirma que isso não prejudicaria a construção desse segundo trecho que já está em fase de finalização. A saída da Camargo resolveria em parte o problema com o BNDES, que fez novas exigências de garantia, mas não aceita as que venham da Camargo. Os outros sócios teriam de dar garantias pela empresa.

Em nota, a construtora informou que contratou uma consultoria para realizar o desinvestimento. Segundo um outro sócio, uma das soluções seria os atuais acionistas comprarem a parte da Camargo. “Mas é preciso ter preço bom”, diz um deles. (Imagem Goiás 25/03/2015)

 

Fila para embarque de açúcar em portos fica menor na semana até dia 25

http://www.novacana.com/n/acucar/exportacao/fila-embarque-acucar-menor-260315/

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros diminuiu de 33 para 28 na semana encerrada em 25 de março, de acordo com levantamento feito pela agência marítima Williams Brasil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 7 de abril.

Foi agendado o carregamento de 860 mil toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 651,58 mil toneladas, ou 76% do total. Paranaguá responderá por 16% (140,50 mil toneladas); Maceió, por 7% (58 mil toneladas); e Suape, por 1% (10 mil toneladas).

Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 321,78 mil toneladas. No da Rumo, estão agendadas 329,80 mil toneladas no período analisado. A maior quantidade a ser exportada é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 828,08 mil toneladas. Os embarques do cristal A-45 somam 10 mil t e os do B-150, 22 mil toneladas. O A-45 e o B-150 são embarcados ensacados. (Agência Estado 26/03/2015)

 

Commodities Agrícolas

http://www.valor.com.br/agro/3978152/commodities-agricolas

Açúcar: Efeito câmbio: A volatilidade do dólar ante o real ditou os preços do açúcar demerara no pregão de ontem na bolsa de Nova York. Depois de oscilar ao sabor das altas e baixas da moeda americana, os lotes da commodity com entrega para julho encerraram o dia negociados a 12,53 centavos de dólar por libra­peso, queda de 16 pontos. Nas últimas semanas, o fortalecimento do dólar vem impactando os preços do açúcar porque incentiva as exportações da commodity pelos produtores do Brasil, que têm um ganho de rentabilidade. Do ponto de vista do fundamentos, há preocupações também com uma sobreoferta de açúcar, o que também contribui para pressionar as cotações do açúcar. Em São Paulo, o indicador do Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 50,94 a saca de 50 quilos, ligeira baixa de 0,06%.

Laranja: Ritmo de ajuste: Os futuros de suco de laranja recuaram ontem na bolsa de Nova York, interrompendo uma sequência de quatro sessões de alta. Os contratos para julho caíram 55 pontos, a US$ 1,2745 a libra-peso. Essa escalada teve início após a queda de quase 6% na quinta-feira passada, que levou o suco à menor cotação em três anos. E como há poucos contratos da commodity negociados, qualquer movimento mais coordenado dos investidores tem potencial para aumentar a volatilidade. Contudo, a disparada das cotações teve fôlego curto porque não há mudanças entre os fundamentos. A demanda pela bebida continua enfraquecida e o clima, favorável nas principais regiões produtoras. A laranja para a indústria foi negociada ontem em queda de 0,95%, a R$ 10,40 a caixa, segundo o Cepea/Esalq.

Milho: Exportações fracas: Preocupações com o enfraquecimento da demanda empurraram ontem para baixo as cotações futuras do milho na bolsa de Chicago. Os papéis para julho caíram 3,75 centavos, a US$ 3,9925 o bushel. De acordo com relatório divulgado pelo USDA, os Estados Unidos finalizaram acordos para a exportação de 464 mil toneladas de milho na semana até 19 de março, sendo 435 mil toneladas da temporada atual. Desse total da safra 2014/15, houve uma queda de 13% em relação à semana anterior e de 29% na comparação com a média das últimas quatro semanas. Além disso, agentes que detinham apostas na alta do grão optaram por liquidar posições para realizar lucros. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o grão subiu 0,14%, para R$ 29,09 a saca.

Milho: Dólar e demanda: Os preços futuros do trigo despencaram ontem nas bolsas americanas, pressionados pela contínua alta do dólar ante outras moedas e preocupações com a demanda. Os contratos para julho recuaram 19 centavos em Chicago, a US$ 5,0475 o bushel. Em Kansas, o mesmo vencimento teve queda de 19,50 centavos, a US$ 5,4875 por bushel. Relatório divulgado ontem pelo USDA indicou que os americanos acertaram a venda de 181,7 mil toneladas de trigo ao exterior na semana até 19 de março, sendo 102,3 mil toneladas referentes a 2014/15. Esse volume é 74% inferior ao da semana anterior e 75% menor que a média das últimas quatro semanas. No Paraná, o dia foi de alta. A saca do cereal foi negociada em valorização de 0,37%, a R$ 32,87, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 27/03/2015)