Setor sucroenergético

Notícias

Açúcar: Fôlego cambial

A queda do dólar frente o real ofereceu impulso aos preços do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York, que registraram forte alta.

Os papéis para julho fecharam a 12,41 centavos de dólar a libra-peso, um avanço de 35 pontos ante o fechamento anterior.

A moeda americana interrompeu a sequência de altas após a divulgação de dados fracos dos Estados Unidos.

O recuo do dólar desestimula as usinas brasileiras a fecharem negócios, retraindo a oferta de açúcar no mercado.

O movimento do câmbio, porém, foi pontual, e os analistas acreditam que o dólar deve voltar a se fortalecer, voltando a pressionar a commodity.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,53%, para R$ 51,59 a saca de 50 quilos

 

Rabobank: estoques globais de açúcar estão abundantes

Relatório do banco aponta forte redução de preço e sobra de 0,7 milhões de toneladas no mundo.

De acordo com o último relatório do Rabobank, os estoques globais de açúcar estão abundantes.

Depois de quatro anos de produção excedente, o acúmulo está levando os preços a cair fortemente no mercado internacional.

Os principais destinos de importação como a China e a Indonésia têm estoque preenchido e estão cautelosos sobre novas compras do produto em 2015.

O Rabobank prevê um déficit de produção global de 0,7 milhões de toneladas de açúcar bruto para a temporada.

A falta de demanda por importações, apesar da queda dos preços internacionais do açúcar, reflete em altos estoques no local de destino, este por sua vez, está resultando em um grande acúmulo de estoques na origem, diz a analista Yong Chang Jian, em relatório.

Dólar

As moedas dos principais países exportadores estão desvalorizando em relação ao dólar e os produtores de países como Brasil e Austrália estão dispostos a vender a preços futuros mais baixos, que são denominados em dólares reforço.

Regulamentações mais rígidas de importação, por parte dos governos nos principais destinos, como China e Indonésia, levaram à redução das importações de açúcar bruto de refinarias nestes país. (Canal Rural 01/04/2015 às 19h: 17m)

 

BB anuncia linha de mais de R$7 bi para produtores rurais

O Banco do Brasil anunciou nesta quarta-feria que disponibilizou mais de 7 bilhões de reais para capital de giro dos produtores rurais.

Em comunicado, o banco explicou que o crédito atende principalmente produtos da Política Geral de Preços Mínimos pelo prazo de 120 dias. (Reuters 01/04/2015

 

Importação de gasolina deve mudar por consumo de etanol

As usinas de cana-de-açúcar entram hoje no último mês da entressafra e devem encontrar um mercado mais aquecido na temporada de 2015/2016, que começa no dia 30. Estima-se um aumento na participação do etanol entre os combustíveis consumidos e, em consequência, uma possível queda nas importações de gasolina.

Na avaliação do presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, o cenário para o setor está dominado pelo aumento no consumo de etanol, tanto anidro - pelo aumento na mistura com a gasolina, de 25% para 27% - quanto hidratado - com uma nova demanda que surgiu com a ligeira elevação no preço da gasolina ocasionada pelo retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

"O aumento no consumo, no fundo, significa a possibilidade de redução nos volumes de importação da gasolina. Isso deve começar a aparecer com as estatísticas do mês de março encerradas", explica o especialista.

Desempenho

Em janeiro, o consumo de hidratado cresceu 13,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Foram 1,252 bilhão de litros, o maior volume desde janeiro de 2009. No mês seguinte, bateu-se um novo recorde: 1,268 bilhão de litros. A quantidade que mais se aproxima desta foi registrada também há seis anos, quando foram consumidos 1,172 bilhão.

"A entressafra de etanol teria um estoque tranquilo e abundante, mas com esse crescimento no biocombustível estamos caminhando para um volume muito próximo dos estoques do ano passado, de 1,2 bilhão de litros", diz.

O etanol se tornou mais competitivo em municípios do interior paulista e nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Este último por conta de uma modificação tributária na cobrança do ICMS sobre combustíveis que entrou em vigor a partir deste ano.

Mesmo com a expansão, o especialista acredita que a capacidade instalada pode suprir a demanda do mercado.

Neste contexto, a participação do etanol entre os combustíveis consumidos tem aumentado gradativamente e segue em tendência de alta. Levantamento da Datagro indica, em 2012, o percentual era de 30,3%; no ano seguinte, 33,7% e, em 2014, 38,6%.

"Em contrapartida, em 2009, essa participação era de 45%. Ainda temos que caminhar para chegar à recuperação do setor", enfatiza Nastari. Para ele, faltam resoluções ao endividamento das usinas.

Açúcar

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), como o Brasil é o maior exportador desta commodity, a valorização do câmbio dá importante suporte aos preços domésticos. Na parcial de março, o dólar equivale a R$ 3,14, ante a R$ 2,82 em fevereiro e a R$ 2,64 em janeiro.

"O preço atingiu R$ 0,1199 por libra-peso em função do dólar, o que há muito tempo não se via. Porém, para a próxima safra, a tendência é de um mix de produção mais alcooleiro, pois se espera um ganho na moagem no Brasil e alguns de seus principais concorrentes no mercado açucareiro, Índia e Tailândia. Isso pressiona as cotações", afirma a analista do Cepea, Heloísa Burnquist, e professora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq).

Apesar dos estoques altos no mercado de açúcar, Nastari alerta para um déficit global nos próximos tempos. "A relação entre estoque e consumo vem diminuindo aos poucos, está em 46,3%, um ano antes, era de 47,6%", completa. (DCI 01/04/2015)

 

Cana: Lideranças debatem em Sertãozinho fim da crise e novo ciclo

Lideranças que formam e integram o Projeto de Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética – trabalhadores, fornecedores de cana, indústria de base, máquinas, insumos, serviços, tecnologia e usineiros – têm reunião marcada na manhã desta próxima 4ª feira no auditório da Canaoeste, em Sertãozinho.

O encontro - que será aberto ao público e imprensa e inscrições através do e-mailinfo@brasilagro.com.br – objetiva discutir as próximas ações que incluem a “Marcha à Brasília” e o Road Show nas principais regiões canavieiras do País para discutir questões pontuais e estruturais e também implementar um vigoroso projeto que busca aumentar a produtividade e implantar inovação nos processos de produção agrícola, industrial, logística e gestão administrativa, financeira e de tecnologia da informação.

Desde que foi anunciado, no último trimestre do ano passado, o projeto provocou já provocou significativas mudanças na estratégia do governo federal em relação à cadeia produtiva sucroenergética. A cobrança da Cide na gasolina, que tornou mais competitivo o etanol, o aumento da mistura do etanol anidro à gasolina de 25% para 27% e o anúncio de leilões que podem viabilizar a biomassa na matriz energética, foram respostas, embora tímidas, que trouxeram novo alento e esperança aos produtores.

Segundo o empresário Evandro Ávila – foto -, um dos coordenadores e porta-voz do Projeto de Governança Corporativa, este é o melhor momento, o “mágico” para impor ao governo federal uma agenda positiva que estanque a sangria em que colocou o setor canavieiro e o coloque como novamente como protagonista para a geração de empregos qualificados e produção de energia limpa e renovável.

Evandro Ávila destaca a importância histórica do ato de protesto público, apoiado pelo projeto, realizado em Sertãozino na manhã do último dia 27 de janeiro. “Fomos os primeiros a ir às ruas para dizer “chega, basta, assim não dá mais”, através de um movimento organizado e ordeiro que contou com apoio dos trabalhadores, dos fornecedores de cana e dos empresários. Precisamos mais para resgatar a autoestima dos brasileiros que vivem, dependem e devem voltar a investir no setor que viu serem extintos 300 mil postos de trabalho nos últimos 6 anos, o fechamento de 83 usinas e colocando outras 70 em processo de recuperação judicial e que assiste o desmanche da sua indústria de base em detrimento de companhias da Rússia, China e Índia que estão reduzindo a competividade da tecnologia verde-amarela”, afirma.

O Projeto de Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética tem apoio da Força Sindical, que representa os sindicatos dos trabalhadores da cadeia produtiva sucroenergética, da Orplana – Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul, do Fórum Nacional Sucroenergético, que representa todos os sindicatos da indústria do açúcar e do álcool e da Única – União da Indústria da Cana-de-Açúcar.

Tem também o apoio da indústria de base, máquinas, insumos, serviços e tecnologia representados pelo CEISE Br – Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis, do Simespi de Piracicaba e das cooperativas Coplacana (sede em Piracicaba), Copercana (sede em Sertãozinho) e Coopercitrus (sede em Bebedouro) (Ronaldo Knack é jornalista e bacharel em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br

 

Agência ambiental dos EUA vai exigir plano de manejo para o glifosato

SÃO PAULO - Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) vai exigir a implantação de um plano de manejo para o glifosato, o principal herbicida da Monsanto, com o nome comercial de Roundup, segundo a agência de notícias Reuters.

A agência americana agendou uma teleconferência para a próxima semana com uma comissão da Weed Science Society of America, uma das principais entidades do país dedicadas ao estudo de ervas, para discutir quais exigências devem constar em um plano final para o glifosato, disse Larry Steckel, cientista americano que preside a comissão, à Reuters.

Um porta-voz da EPA não quis dar mais detalhes sobre o plano, mas disse que as exigências seriam similares àquelas impostas a um novo herbicida produzido pela Dow AgroSciences, uma unidade da Dow Chemical.

Entre elas, o monitoramento de ervas daninhas, a educação de fazendeiros e planos de reparação.

É exigido também da Dow que a companhia forneça um relatório completo à EPA sobre o estado de resistência das ervas, assim como deve informar aos interessados sobre dificuldades no controle das plantas por meio de uma página mantida pela empresa na Internet.

A porta-voz da Monsanto, Charla Lord, não quis discutir se a companhia estava negociando um plano com os reguladores, mas disse que a Monsanto "vai continuar a trabalhar com a EPA para garantir o manuseio apropriado do produto à medida que avançamos no processo regulatório".

Ao menos 14 espécies de ervas daninhas e biótipos desenvolveram resistência ao glifosato nos EUA, o que afeta mais de 60 milhões de acres de terras férteis, de acordo com dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos EUA.

As ervas resistentes ao herbicida prejudicam a produtividade das safras e tornam as plantações mais difíceis e caras.

A atitude da EPA vem à tona após a divisão de pesquisa sobre câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter divulgado este mês a descoberta de que o glifosato é "provavelmente cancerígeno para os homens", uma conclusão que, de acordo com o grupo de trabalho responsável pelo estudo, foi feita a partir de uma revisão de anos de pesquisas científicas.

A avaliação preliminar da EPA sobre os riscos do glifosato deve ser divulgada para comentários públicos ainda este ano. Reguladores dos EUA e de diversos países há muito consideram o glifosato como um dos herbicidas mais seguros disponíveis.

Uma reavaliação sobre o herbicida feita pelo governo da Alemanha para a União Européia no ano passado concluiu não haver ligação entre o agrotóxico e o câncer.

A Monsanto, que detinha a patente do glifosato até 2000 e no ano passado vendeu mais de US$ 5 bilhões de seu herbicida Roundup, afirmou ter ficado comprovada repetidas vezes a segurança da substância. (Valor Econômico 01/04/2015 às 18h: 19m)

 

Safra 2015/16 de cana tem início no centro-sul com foco no clima mais uma vez

Após as chuvas em fevereiro e março, a safra de cana 2015/16 no Centro-Sul do Brasil começa nesta quarta-feira com menos preocupações quanto ao desenvolvimento das lavouras, bem diferente do que ocorreu com o ciclo anterior, prejudicado pela estiagem. Ainda assim, o clima continuará no radar do setor sucroenergético, dada a possibilidade de El Niño no meio do ano.

Caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno climático acarreta em chuvas acima da média durante o inverno no Hemisfério Sul, período que coincide com o pico de colheita da cana. Dessa forma, o temor é de que as precipitações, embora importantes para a recuperação dos reservatórios, impliquem em atraso nos trabalhos de campo das usinas ou até em perda da qualidade da cana.

Segundo a consultoria F.O. Lichts, a chance de El Niño entre junho e setembro é de 50% a 60%. Já Paulo Etchichury, sócio-diretor da Somar Meteorologia, disse no início desta semana que o fenômeno irá ocorrer, sim, mas não em sua forma "clássica". "Será um El Niño fraco", afirmou em evento em São Paulo, acrescentando que episódios de chuvas durante o inverno podem até beneficiar a cana colhida no segundo semestre.

Por enquanto, as projeções para o processamento em 2015/16 são de estabilidade ou de leve crescimento ante 2014/15, ainda refletindo a seca do ano passado. Segundo a Datagro, a moagem no ciclo crescerá 2,5%, para 584 milhões de toneladas. A Archer fala em expansão quase nula, para 573 milhões de toneladas, ao passo que a F.O. Lichts estima incremento de 1,6%, para 580 milhões de toneladas. Até agora, o Banco Pine é um dos mais otimistas, com estimativa de 592 milhões de toneladas de cana moída (+3,7%).

Em abril, devem ser divulgadas duas outras projeções aguardas pelo mercado e pelo setor: a da consultoria Canaplan, no dia 24, e a da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), ainda sem data definida.

Produtos

Os incentivos dados pelo governo brasileiro ao etanol, com o aumento da mistura e a reintrodução da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide) na gasolina, aliados à queda das cotações internacionais do açúcar, devem fazer com que a safra 2015/16 seja mais alcooleira frente as anteriores. Na média das previsões feitas até agora, espera-se que 57% da oferta de cana seja destinada à fabricação do biocombustível, que deve somar pouco mais de 26 bilhões de litros.

Quanto ao açúcar, os preços na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) nos menores níveis em seis anos desestimulam a produção no Centro-Sul. Espera-se que sejam fabricadas no máximo 32 milhões de toneladas do alimento, mesmo volume do ciclo anterior. (Agência Estado 01/04/2015)

 

ALL negocia perdão por alavancagem

Os resultados de 2014 da empresa de logística ALL trouxeram estouro nos limites de endividamento, mas a companhia já conseguiu o perdão de seus credores pela piora na saúde financeira e estabeleceu novo teto para sua alavancagem.

De acordo com José Cezário Sobrinho, diretor financeiro, a companhia pode registrar até 5,5 vezes no índice que relaciona dívida bancária e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) daqui para frente.

O executivo conversou sobre o assunto com analistas e investidores que acompanharam teleconferência na sexta-feira para discutir o balanço do ano passado.

Mas se os detentores de obrigações da empresa aceitaram essa mudança, um credor importante ainda não deu sua anuência ao grupo: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Mesmo assim, Cezário acredita que a negociação será bem-sucedida.

O banco de fomento, somando empréstimos e repasses, estes nem sempre cobrados de volta pela própria instituição, possuía 72% do endividamento consolidado da ALL em dezembro.

Para o próximo plano de negócios, cujas diretrizes serão divulgadas ao mercado no dia 23, o diretor financeiro disse que prevê mais participação do BNDES.

Questionado, Cezário garantiu que as conversas não devem resultar em conversão de dívida em capital, o que aumentaria participação do banco na companhia.

Na opinião da concessionária, o limite de 5,5 vezes é suficiente para que não seja necessário pedir o perdão dos credores novamente durante a implantação do plano de negócios.

Com o planejamento sendo desenvolvido para permitir a recuperação da rentabilidade dos negócios, o início do processo de desalavancagem está previsto para 2017.

Durante a teleconferência, a ALL ainda revelou que aguarda fluxo de caixa livre de R$ 800 milhões neste ano.

O valor, que significa a geração de caixa da companhia menos seus investimentos e aumentos da dívida, se compara com R$ 850 milhões no negativo em 2014.

Os investimentos previstos, apesar de implicarem queima de caixa, não vão demandar um aumento de capital, afirmou Cezário.

"Não consideramos nenhum aumento de capital e, como é normal nesse tipo de negócio, parte do financiamento virá do BNDES", disse, reforçando que o banco de fomento deve garantir parte dos recursos.

Para o diretor financeiro da empresa, 2015 será um ano melhor do que o 2014, por conta de iniciativas de eficiência que já foram colocadas em curso.

Durante as duas teleconferências das quais participou na sexta, em inglês e português, Cezário afirmou muitas vezes que "2014 foi um ano muito ruim".

Nas respostas a analistas, Marcos Lutz, presidente da Cosan, revelou que o grupo pretende tirar sua controlada de logística da BM&FBovespa, depois da fusão entre Rumo e ALL.

Ainda não há nenhuma estrutura proposta para a operação.

"A Cosan Logística não vai comprar mais nenhum ativo, mas temos a intenção em algum momento de deslistar a empresa. Faria pouco sentido mantê-la na bolsa assim", disse o executivo-chefe da companhia.

Também na sexta, o conselho de administração da ALL aprovou a saída de Alexandre Santoro da presidência executiva para a entrada de Julio Fontana Neto.

O colegiado da Cosan Logística também aprovou a troca de Marcos Lutz por Fontana no comando. (Valor Econômico 02/04/2015)

 

"BNDES diz que tem crédito (para miniusinas de etanol de milho)", diz Aprosoja

A Associação de Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja-MT) se articula junto a seus associados para a instalação de miniusinas de etanol de milho no Estado. Para desenvolver a atividade, produtores do grão precisam de crédito. De acordo com Glauber Silveira, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dispõe de crédito para financiamento das usinas.

"O BNDES diz que tem crédito (para a criação de miniusinas de etanol de milho), mas ainda não temos certeza porque o Brasil está em contenção de gastos", contou em entrevista por telefone à Revista Globo Rural. Cada usina deve custar entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões, ao invés de R$ 300 milhões de uma grande destilaria; e deve produzir 50 mil litros por dia cada. "Esse valor é pouco perto de outros investimentos. Ao invés de fazer uma usina maior, pode-se fazer dez menores em varios municípios, fomentando mais indústrias, mais empregos. Tem um valor social maior", defende.

"AO INVÉS DE FAZER UMA USINA MAIOR, PODE-SE FAZER DEZ MENORES EM VARIOS MUNICÍPIOS, FOMENTANDO MAIS INDÚSTRIAS, MAIS EMPREGOS. TEM UM VALOR SOCIAL MAIOR"

Em quase meia década, os custos para abrir uma miniusina caíram bastante. "De quatro anos para cá, custava R$ 80 milhões, e era inviável. Hoje, os equipamentos estão mais baratos e o estabelecimento se paga em cinco anos", diz o conselheiro. Hoje, custa relativamente pouco, é rentável e ajuda a controlar os estoques de milho. Para safra 2015/2016 ainda não há especulação de quanto será o excedente do grão.

O financiamento é uma forma do governo sinalizar seu apoio. "Hoje o governo não impõe mais dificuldades. Se não atrapalhar, já está bom demais. Quando o processo for andando, o próprio governo tem que ter inteligência de gerenciar os estoques de milho para não faltar em outros Estados", explica Gláuber. (Globo Rural 01/04/2015)

 

Bancos de fábrica devem compensar aumento de juros no Moderfrota

Uma das maiores expectativas negativas para o setor de máquinas e implementos agrícolas foi confirmada com o anúncio de reajuste nas taxas de juros do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), definido na última semana. Com isso, a participação de bancos ligados às principais empresas do setor deve aumentar, assim como a liberação de recursos que complementem o financiamento.

A necessidade de reforçar o ajuste fiscal para arrumar as contas públicas foi o lastro para a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN). O Moderfrota teve elevada de 4,5% para 7,5% ao ano a taxa de financiamento para empresas com receita operacional ou renda de grupo econômico superior a R$ 90 milhões anuais. Já para renda acima de R$ 90 milhões, o financiamento de equipamentos agrícolas subiu de 6% para 9% ao ano. A mudança já valerá a partir de 1º de abril.

"Com a subida dos juros, a tendência é de retração nos negócios do setor, mas a agricultura não pode parar. Quem precisa de máquinas vai pagar juros um pouco maiores. Quando olhamos para dentro de casa, nossa participação como banco aumenta mesmo com a demanda retraída, por sermos mais ágeis e estarmos mais próximos do cliente. Em momentos difíceis os outros bancos saem do mercado e dificultam, enquanto nós facilitamos. Neste cenário, a tendência é aumentar o market share [participação de mercado] dentro da New Holland", explica o gerente do Banco CNH Industrial para o segmento agrícola, Marcio Contreras. (Notícias Agrícolas 01/04/2015 às 13h: 33m)

 

Publicada no Diário Oficial MP que adia obrigatoriedade de emplacamento de veículos agrícolas para 1º de janeiro de 2016

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) informa que o Diário Oficial da União (DOU) de hoje (1º) publicou a Medida Provisória 673, que altera o Código de Trânsito Brasileiro quanto à necessidade do registro de tratores e máquinas agrícolas, cujo registro só será exigido para os aparelhos ou máquinas fabricados a partir de 1º de janeiro de 2016. Desde o momento em que o governo federal decidiu cobrar o emplacamento desses veículos agrícolas, deputados e senadores da FPA entraram em campo com o propósito de sustar mais esse tributo imposto aos agricultores do país.

A MP determina que "os aparelhos automotores destinados a puxar ou a arrastar maquinaria de qualquer natureza ou a executar trabalhos de construção ou de pavimentação são sujeitos, se transitarem em via pública, ao registro e ao licenciamento da repartição competente". Acrescenta ainda que os tratores e demais aparelhos automotores destinados a puxar ou a arrastar maquinaria agrícola ou a executar trabalhos agrícolas são sujeitos ao registro único em cadastro específico da repartição competente, dispensado o licenciamento e o emplacamento

Vitória da FPA - Vale lembrar que a emenda à Medida Provisória 656 que previa o fim do emplacamento de veículos agrícolas foi vetada dia 20 de janeiro pela presidente Dilma Rousseff. A publicação ocorreu no mesmo dia em que o governo anunciou uma série de medidas - chamadas de pacote de maldades - que visavam aumentar a arrecadação através da elevação dos impostos. "Portanto, esta foi uma vitória da FPA, da nossa bancada ruralista, não temos dúvidas quanto a isso", enfatizou o deputado Alceu Moreira, vice-presidente da FPA para região Sul.

Sobre a posição governamental em insistir com o emplacamento de veículos agrícolas, Alceu Moreira (PMDB-RS), lembrou que anteriormente a presidente havia vetado o projeto de sua autoria (3312/2012) e trabalhado pela manutenção do seu veto pelo Congresso. "A fúria arrecadatória do governo não tem tamanho. Onera o produtor de alimentos", destacou.  "O governo calculou o número de máquinas, o percentual dos impostos - licenciamento, placa e IPVA - e viu os milhões que poderia abocanhar, então faz de tudo para meter a mão no bolso do produtor", criticou.

Emplacamento - Uma resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), articulada por deputados no final de 2014, postergou o começo do emplacamento de veículos agrícolas por mais dois anos, o que foi considerado por parlamentares, produtores e lideranças do setor apenas como uma medida paliativa, por não resolver o problema. Por isso, foi defendida a derrubada do veto à emenda, de autoria do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), ex-presidente da FPA.

No dia 10 de março, o plenário do Senado anulou a Resolução 429/2012, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que estabelece critérios para o registro de tratores destinados a puxar ou arrastar maquinaria de qualquer natureza ou a executar trabalhos agrícolas e de construção ou pavimentação.

A sustação é consequência da aprovação do Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 124/2013, do senador Blairo Maggi (PR-MT), que lembrou que o Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997) é bastante claro quanto a seu escopo: "o trânsito de qualquer natureza nas vias terrestres do território nacional, abertas à circulação, rege-se por este Código" (artigo 1º). Maggi defende que o interior de fazendas e outras áreas privadas destinadas à produção agropecuária não estão abrangidos no conceito de "vias terrestres abertas à circulação", logo não são regidas pelo Código de Trânsito.

Para Blairo Maggi, o Contran não pode regulamentar a circulação de máquinas agrícolas utilizadas fora das vias públicas, exigindo-lhes Certificado de Registro Veicular, como propunha a resolução. Segundo ele, o Contran exorbitou do poder regulamentador do Poder Executivo. O projeto seguiu para exame na Câmara dos Deputados.

Na integra, a MP 673 em nosso site: http://fpagropecuaria.org.br[...] medida provisória nº 673 de 31 de marco de-2015. (Notícias Agrícolas 01/04/2015 às 18h: 52m)

 

Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution promove setor em Cuba

Missão comercial com 12 empresas brasileiras será realizada de 8 a 10 de abril em Havana.

O Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution realiza de 8 a 10 de abril, missão comercial em Havana, Cuba. Organizada pelo Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a ação tem como objetivo promover produtos, equipamentos, soluções e a tecnologia do setor sucroenergético brasileiro na ilha.

A instalação de empresas estrangeiras em Cuba tem sido especialmente estimulada por medidas adotadas pelo Governo desde que o Presidente da República, Raúl Castro assumiu o poder, em 2008, e que visam a reformar o modelo econômico cubano, abrindo-o aos poucos à iniciativa privada.

Ao passar dos anos, a economia e o comércio de Cuba estão se adaptando gradativamente, conforme os avanços, aproximações e investimentos de outros países, como o Brasil.

Nesta missão, 12 empresas brasileiras irão mostrar as vantagens e benefícios brasileiros para toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. “Cuba é um país que vem avançando aos poucos em termos de abertura de mercado internacional. Há alguns anos, através do projeto, estamos fazendo aproximações com associações do setor, como a AZCUBA e, agora teremos a oportunidade de estreitar ainda mais essas possibilidades comerciais”, explicou Flavio Castelar, diretor executivo do Apla.

Durante o evento, os empresários brasileiros e os líderes do setor açucareiro cubano acompanharão apresentações sobre o mercado e o desenvolvimento da cadeia produtiva da cana-de-açúcar em Cuba, além de uma explanação sobre o Projeto 5 de Setembro – terminal internacional de contêineres no porto de Mariel -, coordenado pela Odebrecht em sociedade com a companhia Quality.

Também estão previstas visitas técnicas a instituições de pesquisas e engenhos de açúcar em Havana. Os encontros comerciais e apresentações serão realizados no Hotel Meliá Havana.

Sobre o Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution

Em dezembro de 2006, o Apla e a Apex-Brasil iniciaram o Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution - parceria para promoção das tecnologias, máquinas, equipamentos e serviços para produção de bioenergia em diversos continentes visando a expansão do comércio de toda a cadeia produtiva do setor sucroenergético.

Através dessa parceria, foi implantado um planejamento estratégico que resultou em diversas ações, estudos de mercado, análise da competitividade, mapeamento de novos projetos, participações em palestras, conferências, feiras, congressos, visitas e rodadas de negócios - conjunto de ações determinantes para o considerável crescimento na geração de negócios internacionais relacionados ao setor da cana-de-açúcar.

O Projeto Brazil Sugarcane Bioenergy Solution agrega empresas e instituições públicas e privadas ligadas ao setor sucroenergético, cobrindo a cadeia agroindustrial da cana-de-açúcar desde o desenvolvimento de tecnologias industriais e agrícolas, fabricação de máquinas e equipamentos, desenvolvimento de variedades de cana e prestação de serviços diversos, até a participação efetiva no desenvolvimento e estruturação de mercados. Além de possuir um expressivo número de plantas processadoras de cana, respondendo por um percentual significativo da produção do setor.

Aumentar o faturamento real dos integrantes do projeto, atrair oportunidades de negócios para o Brasil, maximizar a vantagem competitiva para as empresas brasileiras, fortalecer a geração de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e sua aplicação no setor, promover produtos, serviços, tecnologias nos mercados externos, e desenvolver parcerias estratégicas com instituições nacionais e internacionais em sintonia com as demandas do mercado, são alguns dos objetivos do Projeto Sugarcane Bioenergy Solution (Brasil Agro 01/04/2015

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Fôlego cambial: A queda do dólar frente o real ofereceu impulso aos preços do açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York, que registraram forte alta. Os papéis para julho fecharam a 12,41 centavos de dólar a libra-peso, um avanço de 35 pontos ante o fechamento anterior. A moeda americana interrompeu a sequência de altas após a divulgação de dados fracos dos Estados Unidos. O recuo do dólar desestimula as usinas brasileiras a fecharem negócios, retraindo a oferta de açúcar no mercado. O movimento do câmbio, porém, foi pontual, e os analistas acreditam que o dólar deve voltar a se fortalecer, voltando a pressionar a commodity. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,53%, para R$ 51,59 a saca de 50 quilos

Laranja: Queda em NY: Os contratos futuros do suco de laranja recuaram ontem de forma expressiva pelo segundo dia seguido na bolsa de Nova York, ainda sob impacto de uma nova queda no consumo americano. Os lotes do produto para entrega em julho fecharam com queda de 80 pontos, a US$ 1,2415 a libra-peso. No dia anterior, os preços haviam sofrido queda ainda mais aguda após a divulgação de que as vendas do suco de laranja nos Estados Unidos caíram 6,4% nas quatro semanas encerradas em 14 de março. Por outro lado, os preços ao consumidor continuaram em elevação, ancorados na oferta reduzida de laranja nesta safra. No mercado interno, o preço da laranja à indústria monitorado pelo Cepea/Esalq sofreu forte alta e acumulou elevação de 5,77%, sendo negociado a R$ 11 a caixa de 40,8 quilos

Soja: Área menor: As negociações da soja continuaram ontem a repercutir a indicação do USDA de que a área plantada com o grão no país crescerá em 2015/16 abaixo do esperado. Os contratos para julho subiram 16,75 centavos, para US$ 9,9450 o bushel. O órgão americano previu na terça-feira que a área cultivada com soja no país avançará apenas 1% na safra 2015/16, para 34,24 milhões de hectares, enquanto muitos analistas estavam aguardando algo mais próximo de 35 milhões. Operadores acreditam que o USDA podem revisar para cima sua projeção nos próximos meses, refletindo a maior rentabilidade da soja perante o milho nos Estados Unidos. No mercado do Paraná, a saca da oleaginosa foi negociada em leve queda de 0,07%, a R$ 61,24, segundo o Deral/Seab.

Trigo: Ajuste de posições: Após a forte queda de terça-feira, as cotações do trigo se recuperaram ontem nas bolsas americanas, na esteira do avanço da soja e ante receios climáticos. Em Chicago, os lotes para julho subiram 15,50 centavos, a US$ 5,2950 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento subiu 12 centavos, a US$ 5,7575 por bushel. Os fundos aproveitaram a desvalorização de terça-feira para cobrir posições vendidas. Além disso, o solo nas áreas produtoras está seco e tem levantado receios de que se a estiagem continuar, pode haver danos à produtividade. Em breve, as plantações vão começar a sair do período de dormência, que as mantém mais protegidas de intempéries. No Paraná, a saca foi negociada em baixa de 0,47%, a R$ 33,78, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 02/04/2015)