Setor sucroenergético

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Conselho da Cosan aprova nova estrutura executiva da Cosan Limited

http://www.valor.com.br/empresas/3989850/conselho-da-cosan-aprova-nova-estrutura-executiva-da-cosan-limited

O conselho de administração da Cosan aprovou ontem, quarta-feira, uma nova estrutura executiva para a Cosan Limited, controladora dos negócios de Energia, Gás e Logística, e para a Cosan S.A.

O presidente Marcos Lutz e o vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores Marcelo Martins deixarão suas atividades na Cosan S.A. para exercer as mesmas funções executivas na Cosan Limited.

Ambos serão membros do conselho de administração de todas as companhias do grupo. Na diretoria-executiva da Cosan S.A, Nelson Roseira Gomes Neto será promovido de vice presidente para diretor presidente e de relações com investidores.

Ricardo Dell Aquila Mussa será o diretor vice-presidente de Lubrificantes e Marcelo de Souza Scarcela Portela permanecerá no posto de diretor vice-presidente jurídico. (Valor Econômico 02/04/2015 às 10h: 48m)

 

Emprego em extinção no setor sucroalcooleiro

http://www.brasilagro.com.br/conteudo/emprego-em-extincao-no-setor-sucroalcooleiro.html#.VSJkHvnF9qU

Pesquisa do IEA mostra que Sertãozinho e Pontal foram as que mais demitiram em todo o estado, em 2014.

Sertãozinho e Pontal foram as cidades que mais demitiram no setor sucroalcooleiro no ano passado, no Estado de São Paulo. A extinção de empregos na área foi comprovada em um levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA) com informações do Ministério do Trabalho e Emprego. Ao todo, o saldo de postos de trabalho formais ficou negativo em 22.551 no estado, número 18 vezes maior em relação a 2013.

Ainda segundo o estudo, todas as atividades do complexo agroindustrial do açúcar e etanol (cultivo de cana, fabricação de açúcar e de etanol) registram, ano após ano, sucessivas quedas na geração de empregos.

“As estatísticas corroboram a crise estabelecida no setor e noticiada há meses. Nos últimos anos, indústrias foram fechadas e trabalhadores perderam seus empregos. Alto custo de produção aliado à perda de competitividade com os preços do açúcar e álcool reforçam a crise do emprego no setor sucroalcooleiro”, informou o IEA.

“Soma-se isso a crise hídrica dos últimos meses que diminuiu a produção de cana-de-açúcar a ser processada pelas usinas que decidiram interromper suas atividades, ocasionando o menor número de admissões, bem como engrossando o número das demissões.”

Indústria

Segundo o IEA, não apenas nessas usinas processadoras os empregos foram afetados, mas também os empregados em indústrias fornecedoras de peças e equipamentos, como é o caso do município de Sertãozinho, segundo maior município do estado em número de demissões, com saldo negativo de 322 vagas em 2014.

“É um reflexo do que o setor energético está vivendo e o setor de bens de capital não escapa, estamos com 40% da nossa capacidade produtiva, estamos demitindo para poder adequar a esse quadro. É um beco sem saída, pois não temos condições financeiras para investir em tecnologia para outros segmentos, e nem tempo”, diz Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Ceise-Br.

Ainda segundo ele, medidas como o aumento da mistura do etanol na gasolina e a volta da Cide no combustível, deram um fôlego para o setor. “Também é preciso encontrar alternativas, como a cogeração de energia, para sair da crise”. (A Cidade 05/04/2015)

 

Açúcar: Efeito cambial

http://www.valor.com.br/agro/3992248/commodities-agricolas

Os preços do açúcar bruto dispararam na última quinta-feira na bolsa de Nova York, estimulados pela desvalorização do dólar em relação ao real.

Os contratos futuros da commodity com vencimento em julho encerraram o pregão cotados a 12,8 centavos de dólar por libra-peso alta de 3,1% (39 pontos).

Conforme analistas, investidores têm aumentado as apostas na elevação dos preços do açúcar, diante da percepção de que o dólar atingiu seu pico em relação à moeda brasileira.

Nas últimas semanas, o fortalecimento do dólar encorajou os exportadores brasileiros a ampliarem as vendas, com o objetivo de se beneficiarem da taxa de câmbio.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal negociada em São Paulo subiu 0,21% no dia 2, para R$ 51,70. (Valor Econômico 06/04/2015)

Etanol hidratado cai 0,74% na última semana na usina em São Paulo

http://www.valor.com.br/agro/3992014/etanol-hidratado-cai-074-na-ultima-semana-na-usina-em-sao-paulo

O etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, foi negociado em queda entre os dias 30 de março e 2 de abril na usina em São Paulo.

O indicador semanal para o biocombustível caiu 0,74%, a R$ 1,2589 o litro, interrompendo a tentativa de valorização registrada na semana anterior, entre 23 e 27 de março, quando o indicador foi a R$ 1,2683 o litro, alta de 4%.

No acumulado de quatro semanas, o indicador para o hidratado em São Paulo registra queda de 1,85%.

A retração é atípica para o período, uma vez que o mercado se encontra na entressafra da cana-de-açúcar do Centro-Sul, quando normalmente os preços sobem.

Mas o elevado volume de etanol em estoques e a necessidade de as usinas venderem produto para fazer caixa ajudaram na depreciação do produto.

Já o indicador para o anidro, que é misturado à gasolina na proporção de 27%, subiu 1,09% entre 30 de março e 2 de abril, para R$ 1,3534 o litro.

No entanto, também acumula queda em quatro semanas, de 3,76%. (Valor Econômico 05/04/2015 às 16h: 25m)

 

Melhores perspectivas de colheita no Brasil impulsionam queda do preço do açúcar

http://www.canalrural.com.br/noticias/cana/melhores-perspectivas-colheita-brasil-impulsionam-queda-preco-acucar-55768

Índice da FAO mostra que preço do açúcar é o mais baixo em quatro anos.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) informou no Índice de Preços de Alimentos que o valor global dos alimentos continuou diminuindo em março, quando teve uma queda de 40 pontos em relação ao nível de 2014, com o preço do açúcar caindo ao nível mais baixo desde fevereiro de 2009.

Devido a melhores perspectivas de colheita de açúcar nos países produtores, particularmente no Brasil, maior produtor do mundo, o preço do produto caiu 9,2% desde fevereiro, para 187,9 pontos, no índice de preços da FAO em março.

Foi a maior queda entre todos os alimentos.

A constante desvalorização do real frente ao dólar também contribuiu para esse mudança.

Notando uma queda de 1,5% desde fevereiro e de 18,7% no preço dos alimentos em relação ao ano passado, a FAO concluiu que os baixíssimos preços de óleos vegetais, cereais e carne mais do que compensaram o aumento no valor dos laticínios, contribuindo para o índice mais baixo, que em março alcançou 173,8 pontos.

A trajetória descendente, desde abril de 2014, dos preços da maioria dos alimentos foi impulsionada pela grande quantidade de suprimentos e pela alta do dólar.

Entretanto, de acordo com a nova previsão de produção mundial de cereais da FAO, uma colheita de milho maior do que a prevista na União Européia levantou a estimativa de produção de cereal de 2014 para 2,5 bilhões de toneladas, que caso confirmada, vai ultrapassar o recorde de 2013 em 1%. (Notícias Agrícolas 03/04/2015 às 15h: 22m)

 

Ceres e Raízen produzirão etanol de sorgo sacarino

http://www.canalrural.com.br/noticias/agricultura/ceres-raizen-produzirao-etanol-sorgo-sacarino-55753

Empresas fecharam acordo para colaboração no cultivo da variedade.

A Ceres Sementes do Brasil e a Raízen, maior companhia sucroalcooleira do País, anunciaram acordo de colaboração para desenvolver e produzir sorgo sacarino em escala industrial destinado à fabricação de etanol. O sorgo sacarino é uma cultura alternativa à cana-de-açúcar, utilizado pelas usinas como matéria-prima complementar na produção de álcool, principalmente em períodos de entressafra da cultura canavieira.

Pelo acordo, as duas empresas contribuirão com serviços e recursos no desenvolvimento do sorgo sacarino Blade, além de compartilhar a rentabilidade proveniente do etanol obtido a partir dessa cultura. Na safra de sorgo em andamento, a Raízen plantou híbridos da Ceres para avaliação e planeja estender a cultura para outras unidades de produção nos próximos ciclos.

Acreditamos que o sorgo sacarino, cujo custo de produção é inferior ao da cana-de-açúcar, constitui uma tecnologia que reúne plenas condições de crescer em escala no suprimento de matéria-prima para a indústria sucroenergética, informou o presidente e CEO da Ceres Inc., Richard Hamilton em comunicado. No texto, o gerente-geral da Ceres Sementes do Brasil, André Franco, também diz que, ao trabalhar em conjunto com a Raízen, a empresa aumentará as perspectivas de consolidação da cultura no Brasil. Além do sorgo sacarino, a Raízen também testa o sorgo com alta biomassa na produção de energia elétrica por meio de cogeração, bem como na produção de etanol segunda geração. (Notícias Agrícolas 02/04/2015 às 10h: 34m)

 

Ações da Rumo sobem 20,59% e lideram altas do Ibovespa

http://www.valor.com.br/empresas/3990062/acoes-da-rumo-sobem-2059-e-lideram-altas-do-ibovespa

As ações da Rumo Logística assumiram no pregão desta quinta-feira da bolsa a liderança dos ganhos do Ibovespa, depois de a companhia anunciar mudanças em seu alto escalão.

Há pouco, os papéis da empresa agora já unida à ALL subiam 20,59% e eram negociados a R$ 1,64.

Ontem, quarta-feira, após o fechamento do mercado, a ALL divulgou ata de reunião do seu conselho de administração no qual confirmava a troca de seu presidente-executivo, Alexandre Santoro, por Julio Fontana Neto.

Além disso, também foram destituídos o diretor de ativos, Henrique Langon, e Marcelo Dias, diretor de tecnologia.

O colegiado ainda criou duas novas diretorias, a de produção das malhas Oeste e Sul e das malhas Paulista e Norte.

Darlan Fabio de David e Daniel Rockenbach, respectivamente, assumem os novos cargos.

Paralelamente, a Cosan Logística anunciou que Marcos Lutz renunciou à presidência-executiva para a entrada de Julio Fontana Neto. Marcelo Martins, diretor financeiro, dá lugar a José Cezário Sobrinho, que já ocupa o mesmo posto na ALL, e sai ainda Márcio Yassuhiro Ida da diretoria de relações com investidores.

Durante teleconferência realizada ontem, Lutz informou que o objetivo no longo prazo é tirar a Cosan Logística da BM&FBovespa, já que agora os ativos de logística que eram da ALL e os do grupo energético foram reunidos.

Segundo o executivo, contudo, ainda não foi desenhado um modelo para a operação. A ALL apresentou seu balanço de 2014 na terça-feira à noite, no qual registrou prejuízo líquido atribuível a controladores de R$ 1,9 bilhão para o período, contra lucro de R$ 29,9 milhões em 2013.

A receita líquida subiu 6,6%, para R$ 3,66 bilhões, mas o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) recuou 39,2%, para R$ 1,04 bilhão.

Com a deterioração dos resultados, a alavancagem da companhia saltou e terminou dezembro em 5,02 vezes, segundo o índice que relacional dívida e Ebitda.

Mas Cezário, durante a teleconferência com analistas e investidores, revelou que os credores já aceitaram que o teto de alavancagem seja fixado em 5,5 vezes, todos os detentores de obrigações da ALL menos o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (Valor Econômico 02/04/2015 às 12h: 13m)

 

A ilusão cambial

http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Imprimir=1&ano_ant=2015&Opcao=Materia&veiculo=16&ID=1999221&txt=%20etanol

A alta no dólar chega em boa hora para algumas empresas, mas o benefício nas exportações será modesto — e deixará a vida mais cara para os brasileiros.

A economia brasileira ainda vai piorar antes de começar a melhorar. Tremendo avanço em relação ao cenário anterior: piorar antes de piorar ainda mais. Na semana passada, grandes empresas dos setores automobilístico e de telefonia, fortemente empregadores, anunciaram a demissão de funcionários para se ajustar à queda nas vendas. Empresas envolvidas nas investigações da Lava- Jato entraram em recuperação judicial depois de cortar milhares de postos de trabalho. O aumento dos gastos do governo com o seguro-desemprego revela que a recessão chegou ao mundo real dos brasileiros. A retração no consumo de carne e cerveja é um indício claro de que o capítulo da piora já começou. O que todo mundo quer saber é quando vão se abrir as páginas menos dolorosas da nossa história econômica atual. As estimativas variam. Por conveniência, o governo assumiu o discurso de que o Natal de 2015 dos brasileiros será auspicioso. Quem tem, porém, mais compromisso com a própria reputação vê muitas dificuldades neste ano e no próximo. Por enquanto, a via de ajuste escolhida pelo governo foi deixar de lutar contra a tendência de alta do dólar e aceitar a consequente desvalorização do real. Isso se traduz por menor poder de compra ou, mais simples ainda, menos dinheiro no bolso.

A alta do dólar tende a derrubar o volume das importações e desincentivar os gastos com viagens ao exterior. Por outro lado, as empresas exportadoras e as que enfrentam a concorrência direta de produtos importados se beneficiam com a valorização do câmbio. Ter custos em real e receita em dólares é uma equação positiva para elas, uma fonte de alívio temporário para sobreviver à selva de impostos, à lei trabalhista dos tempos da ditadura de Getúlio Vargas e à paralisante burocracia brasileira. A multinacional Marcopolo, com sede em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, fabrica carroceria de ônibus em diversas partes do mundo e tem clientes em cinquenta países. Entre 2008 e 2014, as exportações da Marcopolo originárias do Brasil caíram simplesmente à metade, derrubadas pelo câmbio sobrevalorizado. Com a subida do dólar, as carrocerias Marcopolo passaram a ser competitivas nos mercados antes dominados pelos chineses. Afirma Ricardo Portolan, gerente de exportação da Marcopolo: "O real vem de um grande período de sobrevalorização. Acreditamos que o atual processo de desvalorização vai continuar". O câmbio cumpre, assim, mais uma vez, seu papel recorrente na história brasileira: o de corrigir falhas na política econômica. No início do século passado, o Brasil viveu um período de altíssima liquidez graças às exportações de café. As divisas obtidas financiaram o crescimento nacional, mas bastou que as cotações caíssem no mercado externo para que a moeda brasileira se desvalorizasse, reduzindo as perdas dos exportadores.

O economista Celso Furtado definiu esse processo de privatização dos lucros e socialização das perdas: "Como as importações eram pagas pela coletividade em seu conjunto, os empresários exportadores estavam na realidade logrando socializar as perdas". A única maneira de escapar dessa armadilha histórica de dependência dos humores dos mercados externos é investir no aumento da produtividade. Só assim a indústria brasileira poderá fabricar produtos de exportação que disputem agilmente suas fatias de mercado sem o peso do Custo Brasil. Leia- se: infra-estrutura em frangalhos, leis caquéticas, burocracia, corrupção e, agora, inflação e tarifas extorsivas de eletricidade. Uma análise feita pelo economista Alexandre Schwartsman indica que os custos de produção no Brasil subiram significativamente nos últimos anos. Por essa razão, mesmo com o impulso dado pelo câmbio, será modesto o crescimento das exportações.

Um levantamento da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) mostra que em 2007 o país tinha 20889 empresas exportadoras, número que hoje está em 20 000. "Principalmente a partir de 2003, com o real muito valorizado, as empresas brasileiras começaram a perder competitividade lá fora", diz José Augusto de Castro, presidente da entidade. O corolário disso é o aumento do número de empresas importadoras no Brasil, que já são 44 000. É ilusão, portanto, contar com o dólar para reanimar a economia. Os números mostram isso: a produção industrial brasileira recuou 9,1% em fevereiro deste ano em comparação com fevereiro de 2014.

As empresas nacionais bem-sucedidas no exterior buscam ser competitivas sem se ancorar apenas no câmbio. "É necessário um conjunto coerente de preço, qualidade do serviço, redução de custos e inovação", afirma Gustavo Iensen, diretor internacional da Weg, uma das maiores fabricantes de equipamentos elétricos do mundo, cujo centro de operação está em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. "A empresa que deseja exportar de maneira constante precisa trabalhar por anos a fio para estabelecer os relacionamentos necessários no exterior e ter uma presença sólida lá fora, sem sobressaltos." As vendas internacionais respondem por aproximadamente 50% da receita da empresa. O plano da Weg é fazer com que esse índice suba para 60% em cinco anos. "Sem dúvida, o câmbio desvalorizado nos ajuda e nos leva a fazer um planejamento mais agressivo", explica Iensen. Mas ele possui plena consciência de que o sucesso de seu plano de expansão não pode se valer da taxa cambial: "Da mesma maneira que os nossos produtos ficaram mais atraentes no preço, o dólar também subiu em países onde estão alguns de nossos concorrentes". A valorização do dólar, portanto, deve ser vista como um mero ajuste cíclico da economia brasileira. Nem a Weg, nem nenhuma outra exportadora, nem o país como um todo devem esperar que essa correção, por si só, faça desaparecer as mazelas que afligem o setor produtivo do Brasil.

O dólar e a mesa

O trigo representa um terço do custo final do pãozinho. A maior parte do cereal, pouco produzido no Brasil, vem da Argentina e de outros países. Trata-se de um produto negociado internacionalmente, com preços em dólar. Sempre que a moeda americana se valoriza, as padarias não demoram em reajustar o preço. Em abril, o pão deverá ficar cerca de 10% mais caro. Este é apenas um exemplo de como o valor do dólar afeta o custo de muitas mercadorias produzidas localmente.

O etanol é feito a partir da cana-de-açúcar cultivada no Brasil, mas ainda assim pode ficar mais caro quando o dólar sobe. Por quê? Explica-se: se o preço não é reajustado aqui, fica mais interessante para o produtor vender álcool ou açúcar no mercado externo do que comercializar etanol no Brasil.

O efeito alcança produtos industriais. Muitos dos insumos, peças e máquinas são importados. O dólar mais caro também inibe as importações, reduzindo a competição e dando aos fabricantes locais maior liberdade de elevar os seus preços. Por tudo isso, estima-se que, em média, um aumento de 10% no dólar eleve a inflação anual em 1 ponto porcentual. Portanto, sempre que a moeda americana sobe, o poder de compra dos brasileiros desce.

Na campanha eleitoral, uma peça publicitária do PT informava que, em caso de vitória da oposição, o projeto de dar autonomia ao Banco Central deixaria a economia nas mãos dos banqueiros, e os pratos de comida desapareceriam da mesa dos brasileiros. Que ironia. O PT está fazendo ele próprio o feitiço. (Veja 04/04/2015)

 

Brasil, terra fértil para agrotóxicos perigosos

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País já superou os EUA como o maior importador mundial de herbicidas, inseticidas e fungicidas para a agricultura, mas compra muitos produtos proibidos no Primeiro Mundo.

Os fazendeiros do Brasil se tornaram os maiores exportadores mundiais de açúcar, suco de laranja, café, carnes e soja. Também conseguiram uma distinção nada boa: em 2012, o Brasil superou os EUA como maior importador de agrotóxicos. Esse rápido crescimento fez do país um mercado atraente para agrotóxicos proibidos ou que tiveram a produção suspensa em países mais ricos, por riscos à saúde e ao meio ambiente. Pelo menos quatro grandes fabricantes de defensivos agrícolas — a americana FMC Corp, a dinamarquesa Cheminova A/S, a alemã Helm AG e a gigante suíça do agronegócio Syngenta AG — vendem em solo brasileiro produtos banidos em seus mercados domésticos, conforme revelou uma análise de agrotóxicos registrados. Entre as substâncias amplamente vendidas no Brasil estão a paraquat, rotulada como "altamente tóxica" por reguladores dos EUA.

Tanto a Syngenta como a Helm estão autorizadas a vender o produto no mercado brasileiro. As próprias agências reguladoras do Brasil alertam que o governo não foi capaz de garantir o uso seguro de agrotóxicos, como são conhecidos os herbicidas, inseticidas e fungicidas. Em 2013, um avião pulverizador lançou inseticida sobre uma escola em Goiás. O incidente, que causou vômitos e tontura em alunos e professores e levou mais de 30 pessoas ao hospital, ainda está sendo investigado. "Não conseguimos acompanhar...", admite Ana Maria Vekic, chefe de toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão federal encarregado de avaliar os riscos dos agrotóxicos à saúde.

"Não temos o pessoal ou os recursos para o volume e a variedade de produtos que os fazendeiros querem usar", conta. FMC, Cheminova e Syngenta disseram que seus produtos são seguros, se usados adequadamente. A proibição em um país não significa necessariamente que um agrotóxico deveria ser proibido em toda parte, argumentam, porque cada mercado tem necessidades diferentes para suas várias colheitas, pestes, doenças e climas. A Helm, de Hamburgo, não respondeu aos pedidos de comentário. "Não dá para comparar um país temperado", explica Eduardo Daher, diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). "Temos mais pragas, mais insetos e mais safras." Especialistas em saúde pública rejeitam a justificativa.

"Não importa se as safras e os solos no Brasil são diferentes...", afirma Victor Pelaez, engenheiro de alimentos e economista da Universidade Federal do Paraná. "As pessoas, a saúde do ser humano, são iguais no mundo todo. Veneno em um lugar é veneno em todos, no Brasil também", acrescenta. Avaliações das agências reguladoras mostram que grande parte dos alimentos cultivados e vendidos no Brasil viola as regulamentações nacionais. No ano passado, a Anvisa finalizou sua análise mais recente de resíduos de agrotóxicos em alimentos de todo o país. De 1.665 amostras coletadas, de arroz a cenoura, maçãs e pimentões, 29% apresentavam resíduos que excediam os níveis permitidos ou continham agrotóxicos sem aprovação. (Brasil Econômico 06/04/2015)

 

A Índia está chegando

http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Imprimir=1&ano_ant=2015&Opcao=Materia&veiculo=21&ID=1999347&txt=%20a%E7%FAcar

Diante da desaceleração chinesa, a Índia desponta como o maior motor do crescimento global e encabeça a lista de destinos potenciais para empresas brasileiras.

Nove anos após iniciar as exportações para a índia, por estímulo do governo brasileiro, a calçadista gaúcha Piccadilly sucumbiu às altas taxas de importação locais e decidiu interromper, nu ano passado, os envios ao parceiro asiático. Bastaram menos de 12 meses, porém, para que o rompimento fosse revisto. Não que a índia tenha experimentado uma grande mudança no período, mas a fabricante brasileira decidiu olhar mais para o futuro do que para o presente. "Como a Índia tem um potencial de consumo muito grande, com oportunidades de amadurecer, decidimos retomar as exportações", afirma Micheline Grings, diretora de exportação da marca.

A convicção de Micheline encontra respaldo na mais recente avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em visita ao país, no mês passado, a diretora do FMI, Christine Lagarde. ressaltou que a economia indiana será o grande motor do crescimento global nos próximos anos, na direção oposta dos principais emergentes. "Neste horizonte nublado, a Índia é um ponto brilhante", disse a diretora.

A ascensão indiana já começou. 0 ritmo de avanço deve subir de 7.2% no biênio 2013-2014 para 7.5% nos dois anos seguintes, superando a China na liderança do ranking global de crescimento econômico. Com um PIB de cerca de US$ 2 trilhões, a economia indiana ainda é menor que a brasileira (US$ 2,2 trilhões) e a chinesa (USS 10 trilhões). Em quatro anos. no entanto, deve dobrar de tamanho com relação ao nível de 2009. para quase US8 3 trilhões, tomando o seu mercado interno ainda mais atraente para us empresas. Para o Brasil, que enfrenta um período de baixo crescimento, é uma oportunidade que pode ser aproveitada diante de um novo patamar do dólar, acima de R$ 3,00. Já há sinais, inclusive, de que essa parceria pode florescer. No ano passado, a índia passou a ser o 8° maior comprador dos pro dutos nacionais, dez posições acima do ranking de 2013, com U$ 4,7 bilhões. Projeções da equipe de análise do HSBC indicam um crescimento de 20% nas vendas para o mercado indiano até 201b, acima do previsto para qualquer comprador do Brasil (leia quadro acima). Além da pauta tradicional de exportação, que inclui petróleo e açúcar, os setores químicos e têxteis podem ser beneficiados. "A Índia nunca foi priorizada pelos exportadores brasileiros cm relação á China e outros mercados importantes", afirma Gerd Pircher, diretor de mercado e finanças do HSBC na América Latina. "O País pode deve assumir um papel maior na participação das exportações." Pelos cálculos do banco, a Índia deve alcançar a quarta posição entre os maiores compradores de produtos brasileiros cm 2030, encostando na Argentina.

Com uma população de 1,2 bilhão de habitantes e a previsão de crescimento sustentando por um longo período, o país ascende como importante mercado consumidor global – a montadora americana GM, por exemplo, ampliou os Investimentos no país projetando que será o terceiro maior mercado automotivo em duas décadas. Mais de 50% da população têm, hoje, menos de 25 anos e, até 2030, a Índia concentrará a maior força de trabalho do mundo. O sentimento de otimismo em relação ao emergente asiático se acentuou com a chegada ao poder, em maio do ano passado, do primeiro-ministro, Narendra Modi, e o seu discurso pró-investimentos, baseado numa agenda de reformas voltadas para melhorar o ambiente de negócios do país, um dos entraves apontados por investidores. No último relatório do Banco Mundial sobre o tema, a Índia ocupou a modesta posição de 142, entre 189 nomes avaliados, atrás do Brasil (120). Com apenas dois meses no cargo, Modi participou da 6ª Cúpula dos BRICS, o bloco de países emergentes, em Brasília, onde foi recebido pela presidente Dilma Rousseff.

Desde sua chegada ao poder, o principal índice de ações local já se valorizou cerca de 20%, numa clara demonstração de que os investidores estão "comprando" o discurso oficial. Contribui para esse ganho de credibilidade, o fato de o Banco Central ser comandado pelo ex-economista-chefe do FMI Raghuram Rajan. "Existem grandes oportunidades para as empresas brasileiras na Índia", afirma Leonardo Ananda, diretor-excutivo da Câmara de Comércio Índia- Brasil. "É preciso que elas entendam que estamos em um ótimo momento para explorar este mercado." Um acordo bilateral assinado em 2009 prevê preferências tarifárias para as exportações e importações de 450 itens. Em 2013, o governo brasileiro abriu uma consulta pública para analisar novos produtos que poderiam integrar o acordo, mas a ampliação ainda não foi finalizada. Quem escolheu a índia, no passado, hoje colhe os frutos da decisão. A fabricante de ônibus Marcopolo já instalou duas fábricas no país, em parceria com o gigante local Tata Group, e atualmente vende 14 mil ônibus por lá. "Estamos muito satisfeitos com a atuação no país", diz Rubem Bisi, diretor de negócios internacionais da Marcopolo. Enquanto o mercado interno dá sinais de estagnação, a opção é pegar carona na pujança indiana. (Isto é Dinheiro 04/04/2015)

 

Commodities Agrícolas

http://www.valor.com.br/agro/3992248/commodities-agricolas

Açúcar: Efeito cambial: Os preços do açúcar bruto dispararam na última quinta-feira na bolsa de Nova York, estimulados pela desvalorização do dólar em relação ao real. Os contratos futuros da commodity com vencimento em julho encerraram o pregão cotados a 12,8 centavos de dólar por libra-peso alta de 3,1% (39 pontos). Conforme analistas, investidores têm aumentado as apostas na elevação dos preços do açúcar, diante da percepção de que o dólar atingiu seu pico em relação à moeda brasileira. Nas últimas semanas, o fortalecimento do dólar encorajou os exportadores brasileiros a ampliarem as vendas, com o objetivo de se beneficiarem da taxa de câmbio. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal negociada em São Paulo subiu 0,21% no dia 2, para R$ 51,70.

Café: Na esteira do dólar: A depreciação do dólar perante o real animou os investidores especulativos e impulsionou as cotações do café na quinta-feira, último pregão da semana passada na bolsa de Nova York. Os lotes do arábica com vencimento em julho fecharam a US$ 1,4375 por libra-peso, em alta de 570 pontos em relação à véspera. A desvalorização do dólar torna a venda do café brasileiro menos rentável, o que é um desestímulo às exportações do país, que lidera a oferta global. Em que pese esse efeito, as altas têm tido vida curta, uma vez que o dólar segue em geral forte e, no que tange aos fundamentos, o clima tem sido favorável às lavouras brasileiras. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 60 quilos posta na cidade de São Paulo subiu 2,7% no dia 2, para R$ 463,88.

Milho: Chuvas nos EUA: Os preços do milho subiram na quinta-feira na bolsa de Chicago, sustentados por adversidades climáticas em áreas produtoras nos Estados Unidos. Os contratos para julho fecharam com elevação de 4,5 centavos, a US$ 3,9450 o bushel. O Meio­Oeste americano, principal região produtora do país, tem recebido chuvas constantes, o que pode atrasar os trabalhos de preparo do solo e semeadura que costumam ocorrer nessa época do ano. Na parte sudeste do rio Mississipi, o excesso de umidade já está atrasando o plantio, o que pode levar os produtores a reduzir a área plantada na safra 2015/16. A alta do milho também foi influenciada pelo avanço do trigo. No mercado doméstico, o indicador Esalq / BM&FBovespa recuou 0,07% no dia 2, para R$ 29,28 a saca de 60 quilos.

Trigo: Lavouras secas: Enquanto as áreas produtoras de milho nos Estados Unidos sofrem com excesso de chuva, as lavouras de trigo no país sofrem com uma estiagem, o que motivou uma nova subida nos preços nas bolsas americanas na quinta-feira. Em Chicago, julho subiu 6,25 centavos, a US$ 5,3575 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, o mesmo vencimento fechou a US$ 5,86, alta de 10,25 centavos. O sul das Grandes Planícies, onde se concentra o cultivo de trigo nos EUA, continua sem chuvas previstas para os próximos dias. Além disso, havia a possibilidade de geadas no fim de semana, o que poderia prejudicar as lavouras que já saíram do período de dormência. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a tonelada negociada no Paraná subiu 0,13% no dia 2, a R$ 669,71. (Valor Econômico 06/04/2015)