Setor sucroenergético

Notícias

Cargill: Grão em grão

Nem tudo está perdido: em 2015, a Cargill deverá investir cerca de US$ 200 milhões em sua operação de grãos no Brasil

 É praticamente o mesmo valor de 2014.

Na atual circunstância, já está de ótimo tamanho. (Jornal Relatório Reservado 07/04/2015)

 

Hidratado volta a recuar nas usinas em São Paulo

Mesmo com o consumo em alta no bimestre e os sinais são de que em março a demanda também foi expressivamente maior do que em igual mês de 2014, os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, acumulam queda nas usinas em São Paulo.

O indicador Cepea/Esalq para o biocombustível recuou 1,6% neste ano e 11% desde o pico de preços da entressafra, de R$ 1,41 por litro em 6 de fevereiro. Em 31 de março, os estoques de hidratado estavam estimados em 1,1 bilhão de litros, 550 milhões a 600 milhões de litros acima do registrado um ano antes, segundo estimativas da SCA Trading.

Ainda que timidamente, o recuo vem se refletindo nos postos, para o consumidor final.

Conforme dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) divulgados ontem os preços médios do hidratado caíram na maior parte dos Estados brasileiros entre os dias 29 de março e 4 de abril, na comparação com a semana anterior.

O biocombustível ficou mais barato para o motorista de 17 Estados e do Distrito Federal.

Em Mato Grosso foi registrada a maior retração, com o preço médio a R$ 2,094 por litro, queda de 2,42% na comparação semanal.

Minas Gerais também se destacou pela queda de 1,78%, com o preço médio a R$ 2,307 o litro.

Em São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o preço médio do biocombustível caiu 0,27%, a R$ 2,069 o litro.

Pela segunda semana consecutiva, Minas entrou no grupo dos Estados onde abastecer com etanol é mais vantajoso economicamente do que a gasolina.

Conforme parâmetro mais aceito pelo mercado, isso ocorre quando os preços do biocombustível equivalem a menos de 70% do preço da gasolina.

Na semana entre os dias 29 de março e 4 de abril, essa paridade em Minas Gerais ficou em 68,4%, ante 69,7% da semana anterior.

Em outros cinco Estados, essa relação já é favorável há mais tempo.

Em São Paulo é de 65%, em Goiás, de 68%, em Mato Grosso de 62%, Mato Grosso do Sul, de 69,7% e no Paraná de 68,3%, de acordo com os dados da ANP.

Em seis Estados, os preços médios do etanol ao consumidor final subiu e em três ficaram estáveis, segundo a agência.

Já no caso da gasolina, os preços médios subiram em dez Estados e caíram em 14 e no Distrito Federal. (Valor Econômico 07/04/2015)

 

Usina obtém prêmio menor na venda de anidro

No dia 31 de março se encerrou o prazo para que as distribuidoras de combustíveis do país fechassem os contratos de compra de 70% do etanol anidro que será misturado à gasolina nos próximos 12 meses, contados a partir de abril.

Dada a grande oferta disponível do produto nos estoques das usinas e a percepção de que está a caminho uma oferta abundante no ciclo 2015/16, que começou oficialmente no dia 1º deste mês, as usinas fecharam a venda do anidro, na média, em níveis abaixo do que esperavam há um mês, quando os contratos começaram a ser negociados.

A expectativa inicial era de que o valor pago pelo anidro fosse equivalente ao preço do hidratado (que é usado diretamente no tanque dos veículos) mais um prêmio de 11,5% a 12,5%.

A variação já estava abaixo do prêmio de 13% adotado para o ciclo 2014/15.

"Mas, no fim das contas, os contratos foram fechados a níveis entre 10% e 13% de prêmio, com uma média de 10,5% a 11%", estima o diretor da comercializadora Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

Pelas regras da Agência Nacional de Petróleo (ANP), as distribuidoras tinham até 30 de março para apresentar ao órgão regulador contratos de aquisição de 70% do anidro que vão misturar nos 12 meses, com base no consumo do ano anterior.

Com essa operação, essas empresas adquirem o direito de comprovar a aquisição de outros 20% até 1º de junho, cumprindo, portanto, a determinação de deixar "em aberto" apenas 10% da demanda projetada. Nas estimativas da Bioagência, até o fim de março, as distribuidoras haviam contratado entre 70% e 80% da demanda prevista de etanol anidro para o ano, dentro do mínimo definido em normativa, mas abaixo dos níveis de 80% a 90% registrados na mesma época de 2014.

"No ano passado, a percepção era de que a produção do biocombustível seria menor, dada a forte estiagem que havia recaído sobre os canaviais no primeiro trimestre de 2014", observa Rodrigues.

Ele afirma que, neste momento, a visão é de uma boa oferta do produto, dada as condições climáticas favoráveis à cana.

Além da percepção de uma abundante disponibilidade de etanol e de que muitas usinas têm de realizar esses contratos para buscar capital de giro nos bancos, os contratos servem de lastro para operações de crédito,  também pesou no menor prêmio para o anidro o fato de, no ano passado, o percentual de prêmio efetivo do anidro sobre o hidratado ter sido de 11%, e não de 13% como foi definido antecipadamente nos contratos de compra e venda de 2014/15.

O percentual acordado a cada ano nesses contratos é aplicado semanalmente sobre o preço do hidratado, na medida em que a entrega do anidro é feita.

A existência de um prêmio entre os dois produtos se deve ao valor agregado de um sobre o outro.

O anidro é um etanol puro, que passa por desidratação para eliminar o máximo de água.

Por isso, também tem custo maior que o do hidratado. Em 2014, com o percentual de 25% na gasolina, o consumo de etanol anidro no país foi de 11,096 bilhões de litros, segundo a ANP, 14,5% mais que em 2013.

Com o percentual mais elevado, de 27%, em vigor desde o dia 16 de fevereiro, a demanda deve ser elevada em 1 bilhão de litros, conforme estimativas do mercado. Mesmo que o mercado de combustíveis no país não cresça em 2015 nos mesmos níveis de 2014, é esperado um avanço significativo, diz o diretor da Bioagência.

"No ano passado, o consumo cresceu 7,5%. Mesmo com alguma desaceleração da economia brasileira, acredito num avanço de, pelo menos, 4,5%, puxado pelo etanol".

Somente no primeiro bimestre deste ano, o consumo de hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, aumentou 16%, a 2,5 bilhões de litros. Nesse mesmo intervalo, a venda de gasolina C caiu 0,72%, para 6,9 bilhões de litros. (Valor Econômico 07/04/2015)

 

Açúcar: Baixa em NY

Os futuros do açúcar inverteram de lado ontem ao longo do dia e fecharam no campo negativo na bolsa de Nova York, apesar do estímulo oferecido por mais uma rodada de desvalorização do dólar em relação ao real.

Os contratos do açúcar demerara para julho fecharam em baixa de 17 pontos, a 12,63 centavos de dólar a libra-peso.

Na semana passada, que foi mais curta por causa do feriado de sexta-feira, os papéis da commodity para julho acumularam uma alta de 64 pontos, diante da desvalorização da moeda americana.

Ontem, os fundos de investimento buscaram embolsar os ganhos recentes, provocando uma correção para baixo nas cotações.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,19%, a R$ 51,80 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 07/04/2015)

 

Preço do etanol em SP cai na entressafra

Queda no valor é a primeira desde 2010.

O preço do etanol em São Paulo caiu quase 9% de fevereiro para março. A queda, inesperada para um período de entressafra, não acontecia desde 2010, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O Cepea explica que, entre 2011 e 2014, a entressafra de cana-de-açúcar impulsionou as cotações do produto, mas neste ano os estoques estavam relativamente altos.

De acordo com o Cepea, as usinas precisaram ofertar o combustível remanescente, ao mesmo tempo em que agentes de distribuidoras limitaram suas compras ao necessário para o curto prazo. Em março, o indicador mensal Cepea/Esalq do hidratado teve média de R$ 1,2613 por litro, queda de 8,9% em relação a fevereiro. Para o anidro, o indicador mensal foi de R$ 1,4204 por litro, baixa de 8,5% em igual período. Os valores são sem impostos e se referem ao produto retirado nas usinas paulistas. O Centro de Estudos ainda destaca que o aumento na mistura de anidro na gasolina, de 25% para 27% em vigor desde o dia 16 de março, não impediu o recuo nas cotações do biocombustível. O Cepea informa que o preço do etanol na safra 2014/15 no Centro-Sul, encerrada oficialmente em 31 de março, registrou cotações levemente menores na comparação com 2013/14. De abril de 2014 a março de 2015, o indicador Cepea/Esalq do hidratado em São Paulo teve média de R$ 1,28 por litro, sem impostos, uma baixa de 1,7% em relação ao R$ 1,3026 por litro do ciclo anterior. No caso do anidro, a média real do indicador foi de R$ 1,4341 por litro, queda de 2,6% sobre o R$ 1,4727 de 2013/14. Em análise das últimas 15 safras (de 2000/01 a 2014/15), o valor médio da safra 2014/15 do anidro hidratado ficou ligeiramente acima da média dos últimos 15 anos-safra, com R$ 1,2719 por litro. (Cana Rural 06/04/2015 às 20h: 31m)

 

Agronegócio com um olho no dólar e outro no clima

Moeda valorizada, que neste momento ajuda o produtor, pode jogar contra na próxima safra. Desempenho das lavouras norte-americanas também vai ser determinante.

Desde que o dólar cruzou a barreira dos R$ 3, no mês passado, produtores começaram a fazer contas. Depois de quase uma década de expansão, eles podem ser obrigados a reduzir o plantio de grãos no próximo verão. Se por um lado a alta da moeda destrava os negócios e ajuda a exportação da safra que está sendo colhida, por outro pesa nos custos de produção e desenha um cenário preocupante para a temporada 2015/16.

“Plantar vai exigir muito planejamento”, alerta o analista da FCStone Vinícius Xavier. Mesmo com a queda de 55% na cotação do petróleo, o que, teoricamente, deixaria os preços de alguns insumos mais baratos, a taxa de câmbio deve anular esse ganho ou até provocar aumento, explica o consultor da Cerealpar, Steve Cachia.

O grande desafio de 2015 será acertar a tendência do dólar e a melhor forma de se proteger é eliminar o risco da volatilidade, recomendam os especialistas. “É preciso tomar cuidado para não assumir um custo de largada alto e depois acabar tomando um tombo se o dólar voltar a cair”, pontua Xavier. Ele recomenda o barter, modalidade de compra de insumos com pagamento em produto em que as relações de troca são travadas na hora da contratação.

“Um dólar a R$ 4 pode significar valores maiores na hora da venda, mas também custos de produção mais elevados. Por outro lado, um dólar recuando de volta para próximo a R$ 3 seria sinônimo de preços em queda no mercado interno, mas não necessariamente custos de produção caindo tão cedo ou tão rapidamente”, compara o analista da Cerealpar.

As consequências da disparada atual da moeda norte-americana se tornarão mais graves caso o dólar passe a cair no segundo semestre, como preveem alguns economistas. O descasamento cambial (insumos comprados a um dólar alto e produção vendida a uma cotação mais baixa) esmagaria as margens do produtor, num movimento oposto ao que ocorre hoje.

Neste momento, a alta do dólar beneficia os produtores brasileiros porque sustenta os preços dos grãos no mercado interno enquanto as cotações internacionais estão sob pressão, explica Cachia. “A soja caiu 30% nos últimos 12 meses na Bolsa de Chicago, mas o valor da saca não recuou no mercado doméstico porque o dólar valorizou 35% frente ao real”, compara.

Com isso, o Brasil também passou a ser mais competitivo nas exportações. “Mas não podemos esquecer que este é um ano de estoques recordes e quem tiver o melhor preço acaba levando o cliente”, adverte Xavier. Na sua avaliação, a soja brasileira tende a continuar competitiva no mercado internacional até julho, quando o clima nos Estados Unidos começa a ditar o rumo das cotações.

Uma safra sem problemas climáticos nos EUA elevaria os já recordes estoques de soja a níveis ainda maiores. Já as reservas de milho, apesar de ainda abundantes, ficaram menos folgadas. “Isso seria suficiente para fazer a soja recuar a patamares que não vemos desde 2010 na Bolsa de Chicago”, alerta Cachia.

“Mas o mercado não tem mão única”, ameniza, explicando que dificilmente os EUA terão clima tão perfeito quanto em 2014. “Além do mais, preços mais baixos tendem a estimular a demanda e no final os estoques podem até ficar menores”, completa.

Nem safra recorde derruba Chicago

“Acabamos de sair de um ciclo de preços historicamente altos para um de cotações menores. Mas isto não significa necessariamente que a bolha estourou”, garante Steve Cachia, analista da Cerealpar. Prova disso, complementa o consultor, é que mesmo com cotações mais baixas ainda não há um movimento por parte de produtores ao redor do mundo para reduzir área. “Os estoques recompostos já estão precificados”, concorda Vinícius Xavier, da FCStone. “Até porque, sem o colchão do dólar, o produtor norte-americano não tem mais muita gordura para queimar”, diz . Na sua avaliação, os preços já teriam caído demais no último ano e novas baixas travariam as negociações no mercado físico, realinhando as cotações novamente para cima. (Gazeta do Povo 06/04/2015)

 

Indústria de máquinas agrícolas pede a redução de juros e impostos

Principal reivindicação de dirigentes e centrais sindicais é a perda de participação do setor no PIB brasileiro.

Representantes de 46 entidades ligadas à indústria de transformação e sindicatos se reuniram nesta segunda, 6, em São Paulo, para discutir a atual situação do setor de máquinas agrícolas. A principal motivação e reclamação de dirigentes e centrais sindicais é a perda de participação do setor no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que teria caído de 35% na década de 80 para nove por cento no ano passado

Não dá mais para esse governo deixar o setor produtivo do jeito que está. A perspectiva é de que sejam fechados novos postos de trabalho se continuar desse jeito. – indaga o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas. Nos últimos meses, o setor vem registrando quedas nas vendas. Durante o encontro foi lançado um manifesto pedindo a redução de impostos e taxas de juros, o que dificulta, por exemplo, a compra de máquinas para a produção rural brasileira. Uma das principais queixas do setor agrícola é o aumento dos juros da linha de financiamento do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) antes do fim da safra. A decisão foi do Conselho Monetário Nacional, que elevou para três pontos percentuais, de 4,5% para 7,5% ao ano. Esse valor é para empresas e produtores com renda de até R$ 90 milhões. Acima desse valor, o financiamento subiu de 6% para 9%. A decisão está valendo desde o início deste mês. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a Abimaq, essa mudança pode representar uma queda ainda maior nas vendas em 2015. – Não dá para mudar as regras no meio do jogo, faltando menos de quatro meses para o fim da safra. A produção industrial vem de seguidas quedas e esse setor é estratégico na economia brasileira. Temos de fazer alguma coisa para mudar essa realidade – enfatizou o presidente da Abimaq, Carlos Pastoriza. (Cana Rural 06/04/2015 às 20h: 55m)

 

Crise: De 2007 a 2014 admissões no setor sucroenergético caíram 62% em SP

O setor sucroalcooleiro paulista encerrou o ano de 2014 com 99.842 admissões com carteira assinada. Este número é 25,7% menor que o registrado no ano anterior, informa o Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Em todos os meses do ano, o número de admissões é inferior a 2013, inclusive no período de março a junho, quando o setor demanda com maior intensidade trabalhadores tanto para a colheita da cana, quanto para as atividades de processamento nas usinas.

O setor sucroalcooleiro é constituído pelas seguintes atividades: cultivo de cana-de-açúcar (setor agropecuário), fabricação de açúcar em bruto, fabricação de açúcar refinado e fabricação de álcool (atividades do setor industrial). “Estas quatro atividades registram, ano após ano, sucessivas quedas na geração de empregos. Por exemplo, em 2007 o setor era responsável por 262.289 admissões e, em 2014, esse número é 62% menor, ressalta Carlos Eduardo Fredo, pesquisador do IEA.

Os trabalhadores do setor ligados diretamente às atividades agrícolas, como cortadores de cana-de-açúcar, tratoristas e outros, totalizavam 88.374 admissões (ocupações agrícolas), em 2013; no ano seguinte, esse número caiu 32%, 60.905 admissões, acompanhado de um elevado número de demissões (74.041), e o saldo de emprego em 2014 foi negativo, com perda de 13.136 postos de trabalho.

Lembrando também que os cortadores de cana-de-açúcar pertencentes ao grupo de ocupações agrícolas enfrentam outro problema para a manutenção de seus empregos: o avanço da mecanização na colheita da cana decorrentes da Lei n. 11.241/2002 e do Protocolo Agroambiental, que estabeleceram o fim da erradicação da queima da cana-de-açúcar e consequente adoção de máquinas em substituição ao trabalho manual. Estudo do Instituto de Economia Agrícola avaliou que a mecanização na safra 2013/14 já atinge 84,3% das áreas de cana em produção e que, entre a safra 2012/13 e a atual, foram 18 mil cortadores de cana-de-açúcar a menos demandados para a colheita manual.

As ocupações não agrícolas que envolvem os trabalhadores no transporte, serviços administrativos, de processamento nas usinas de açúcar e álcool e outras funções também foram impactados pela crise. Em 2014, foram cerca de 7 mil admissões a menos que em 2013. E o saldo que em 2013 ainda era positivo, ou seja, retinha trabalhadores no setor sucroalcooleiro, no ano de 2014 foi negativo em 9.415 postos de trabalho com carteira assinada.

O setor sucroalcooleiro enfrenta, portanto, uma das maiores crises no emprego e que se arrasta há anos. Medidas tomadas para atenuar os efeitos sobre o desemprego dos trabalhadores, como aconteceu no município de Sertãozinho, podem ser avaliadas e replicadas para outros municípios. Ações municipais foram tomadas para minimizar os efeitos do desemprego, como negociação de dívidas em bancos, oferecimento de cestas básicas a preço de custo, manutenção de planos de saúde ao titular e beneficiários, mesmo demitidos entre outras ações. No entanto, essas ações não revertem a situação de desemprego no setor, embora, a curto prazo possibilitem atenuar o efeito desastroso que se abateu sobre os trabalhadores (Brasil Agro 07/04/2015)

 

Crédito não pode crescer agora

Presidente do Bradesco afirma que banco mantém a oferta, mas vê necessidade de reduzir o ritmo. Para ele, estimular alta exagerada hoje seria "chocar ovo de serpente".

Juros altos, economia desacelerando, corte de gastos, ameaça de desemprego. Este não é o momento de expandir o crédito. "Mantemos a oferta de recursos, mas estamos administrando o ritmo de aumento. Se estivéssemos acelerando dentro desse cenário atual, estaríamos chocando um ovo de serpente", disse Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco. "O Brasil não está maduro hoje para uma alta exagerada do crédito". Trabuco Cappi disse que um dia os juros aqui serão iguais aos praticados nos outros países. "Se isso não acontecer, o Brasil não terá dado certo", afirma. No entanto, o executivo faz questão de reforçar que o tamanho dos juros aqui não é responsabilidade dos bancos: "Os spreads e as margens são iguais aos dos outros bancos no mundo. Os juros são altos por causa dos compulsórios e da cunha fiscal", explica. Spread é a diferença entre o que o banco paga para os investidores e o que cobra dos tomadores de empréstimos. Cunha fiscal são os impostos incidentes sobre as operações, e os compulsórios são percentuais dos depósitos que o Banco Central obriga os bancos a recolherem, sem pagar remuneração.

"As exceções são as linhas de mais alto risco, como crédito rotativo no cartão e cheque especial. linhas que não existem lá fora", disse Cappi. O executivo foi enfático sobre o caminho para superar a fase difícil, que ele batizou de "ambígua", pela qual o Brasil está passando neste momento. "Ao chegar em dezembro, não teremos aumento do PIB para comemorar, mas sim a conclusão dos ajustes. Não há um plano B nem um plano C para o Brasil, agora é preciso fazer o ajuste fiscal. Como diria Maquiavel em O Príncipe, é melhor fazer todo o mal logo de uma vez", disse a uma plateia de clientes e investidores ontem em São Paulo, na abertura do Brazil Investment Forum, promovido pelo Banco Bradesco de Investimento (BBI). Trabuco Cappi também voltou a bater na tecla de que o modelo de financiamento à infraestrutura sustentado pelo Tesouro, que financia o BNDES, que financia a maior parte dos projetos, já se esgotou. "Precisamos de uma maior participação da iniciativa privada, do mercado de capitais e dos bancos estrangeiros", diz.

Para ele, há interesse: "É uma pena desperdiçar a oportunidade atual, com juros zero no exterior", diz. Mas, para atrair esses recursos, o investidor precisar voltar a ter confiança na contabilidade do Brasil, o que depende do ajuste fiscal. "O setor privado não pode arcar com três riscos simultaneamente: o risco de prazo, de taxa e de crédito. A discussão sobre o país perder ou não o grau de investimento dado pelas agências de rating precisa sair do horizonte", diz. "Não vejo essa situação sendo revertida logo. Mas sou otimista. Minha intuição diz que o ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, será aprovado pelo Congresso", acrescentou. Levy era executivo do Bradesco antes de ir para a Fazenda, ele presidia a Bradesco Asset Management (Bram). Antes dele, Trabuco Cappi havia sido convidado pela presidenta Dilma Roussef para o cargo, mas declinou. Trabuco Cappi também comentou a exposição do banco aos empréstimos da Sete Brasil, empresa de leasing de sondas para exploração do pré-sal pela Petrobras. O memorando que rola o empréstimo ponte para a Sete Brasil pelos bancos credores por mais 90 dias já está quase pronto.

O Bradesco está tranquilo quanto às garantias e está provisionando as perdas", diz. O executivo lembrou que além do Fundo Garantidor da Construção Naval (FGCN), os próprios contratos da Petrobras com a empresa também garantem os empréstimos concedidos. E explicou que, se o momento fosse outro, não o de ajuste fiscal, os bancos poderiam recorrer a essas garantias, mas como não é o caso, acharam melhor dar mais 90 dias de prazo. Mas o presidente do Bradesco admite que todo o modelo da cadeia de óleo & gás, assim como do setor elétrico e de açúcar e álcool, precisa ser revisto. "A retomada do PIB passa por isso. Somente em óleo & gás são 80 mil empresas, que hoje estão tentando conseguir equacionar suas "contas a pagar"". O presidente do Bradesco disse também que o banco dará todas as informações sobre sua exposição em relação à construtora OAS e outras empreiteiras na divulgação do balanço do primeiro trimestre, que sai em 20 dias. "Mas estamos tranquilos", disse. Trabuco Cappi também falou das conquistas do banco, mesmo em época difíceis, pela "solidez financeira, força do patrimônio e conservadorismo". "O Bradesco teima em crescer mesmo durante as crises. Acredito que isso se deve ao alto grau de comprometimento com os nossos clientes e à crença no potencial de crescimento do Brasil", disse Renato Ejnisman, diretor do Bradesco BBI. (Brasil Econômico 07/04/2015)

 

"Brasil ficou para trás no setor de biocombustíveis"

Especialista diz que EUA, UE e China lideram corrida para ver quem vai estabelecer o padrão de produção de etanol a partir da celulose. Segundo ele, faltam políticas claras do governo brasileiro para o setor.

Após se tornar o líder no consumo e produção de biocombustíveis, o Brasil perdeu a hegemonia para EUA (em 2003) e União Europeia (2011). O retorno à ponta, porém, será difícil, afirma Sergio Salles-Filho, organizador do livro "Futuros do Bioetanol: O Brasil na Liderança", lançado pela Unicamp.

Segundo ele, o Brasil terá que investir mais na tecnologia de segunda geração dos biocombustíveis, produção de etanol por meio de celulose – e implementar políticas mais concretas para o setor.

"O Brasil investe nessa tecnologia, porém menos que EUA, União Europeia e China", afirma o engenheiro agrônomo. "Existe uma corrida hoje para ver quem vai estabelecer o padrão de produção de álcool a partir da celulose, mas o Brasil está para trás."

Deutsche Welle: Após ser líder no consumo de biocombustíveis, o Brasil perdeu a liderança em consumo para os EUA (2003) e União Europeia (2011). Por quê?

Sergio Salles-Filho: O Brasil tinha uma liderança muito mais pelo fato de que a indústria de açúcar e álcool era secular e o país deu início antes dos outros países ao uso sistemático do etanol como combustível para automóveis. Ou seja, desse uso sistemático gerou-se uma política de usar o etanol e, assim, a produção foi aumentada. Era uma liderança frágil, porque era o único país que produzia etanol por meio de cana de açúcar. Os demais países não faziam isso. Como era estava só, o Brasil era líder dele mesmo.

E o que os outros países, como os EUA, fizeram para crescer no setor?

Como boa parte da tecnologia é aberta, a perda da liderança ocorreu de forma rápida. Os EUA focaram muito no etanol de milho. Em menos de cinco anos, dobraram a produção para 50 bilhões de litros. Hoje são quase 60 bilhões. Foi um salto extraordinário porque houve uma política de Estado dizendo que iriam colocar etanol na gasolina.

É possível o Brasil voltar à liderança mundial no setor?

Acho, pessoalmente, isso muito difícil de acontecer, mas não é impossível. Por uma razão: o volume de investimento em novas tecnologias que vem sendo realizado por países desenvolvidos é muito maior do que o do Brasil. As técnicas tradicionais de produção, seja do etanol ou do biodiesel, não têm segredo. Já novas tecnologias, principalmente a partir de celulose, podem mudar a situação no futuro. O Brasil investe nessa tecnologia, porém menos que EUA, União Europeia e China. Existe uma corrida hoje para ver quem vai estabelecer o padrão de produção de álcool a partir da celulose, mas o país está para trás. Ele terá que ampliar os investimentos caso queira retomar a liderança.

O que exatamente precisa ser feito?

É preciso que seja criada uma política para substituir o combustível fóssil, ou seja, ir retirando gradativamente a gasolina do posto e colocando mais etanol à disposição. Mas, em vez disso, o governo federal tomou claramente uma opção pela produção de petróleo. Ele continua investindo em biocombustíveis, mas não dá para comparar, já que são volumes de dinheiro bem diferentes.

Faltam políticas para o setor?

Falta uma política clara do governo federal em relação aos biocombustíveis. Elas chegam a existir, mas não são concretas como, por exemplo, determinar que, em dez anos, o Brasil terá que ter uma frota de 80% rodando com etanol. O que existe é uma política dúbia, em que o governo aposta ao mesmo tempo no petróleo e nos biocombustíveis. Não há problemas nisso, mas, a longo prazo, é criada uma sinalização confusa para os atores públicos e privados que estão envolvidos no setor.

Com o barril de petróleo mais barato, vale a pena ainda investir em biocombustíveis?

O preço do barril de petróleo, que caiu de forma muito intensa, altera completamente qualquer estudo prospectivo sobre o futuro dos biocombustíveis. Isso porque eles existem por uma pressão ambiental, por serem mais adequados ambientalmente e uma alternativa aos derivados do petróleo.

Mas a de decisão sobre investimentos não pode depender tanto do momento. Não se pode estruturar uma indústria de biocombustíveis, incluindo aí a cadeia produtiva, de transporte, distribuição e consumo, e ficar dependendo de uma oscilação do preço do petróleo.

Quais são os principais impulsos atualmente ao investimento em biocombustíveis?

A principal razão para a expansão hoje dos biocombustíveis são as regulações ambientais – como a redução da emissão de carbono – e isso coloca força na produção. Se não fosse a regulamentação ambiental em Europa, EUA e Brasil, além de outros países, de redução de emissão de carbono e substituição de combustíveis fósseis por renováveis, o futuro dos biocombustíveis estaria comprometido.

Como você vê o futuro dos biocombustíveis?

A tendência é a produção de bioetanol a partir de celulose – como fibra, palha e bagaço da própria cana –, mas ela está no início. A vantagem é que se pode extrair o etanol a partir de qualquer biomassa vegetal com celulose. E, assim, vários países têm a chance de entrar no negócio, já que, se um país não consegue produzir cana de açúcar por causa do clima, é possível produzir essa matéria-prima mais indiferenciada.

Hoje existem no mundo cerca de seis a oito plantas em escala industrial para produzir bioetanol com base em celulose, com capacidades muito baixas. As duas maiores – que têm capacidade de produzir 90 milhões de litros por ano e se localizam nos EUA – não conseguem chegar nesse teto por problemas técnicos.

Só em comparação, os EUA produzem quase 60 bilhões de litros por ano de etanol de milho. O Brasil, com a terceira maior planta e capacidade de 80 milhões de litros por ano – começou a produzir no ano passado e está fazendo ajustes para que a operação chegue ao volume de produção que é esperado. (Deutsche Welle 06/04/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Baixa em NY: Os futuros do açúcar inverteram de lado ontem ao longo do dia e fecharam no campo negativo na bolsa de Nova York, apesar do estímulo oferecido por mais uma rodada de desvalorização do dólar em relação ao real. Os contratos do açúcar demerara para julho fecharam em baixa de 17 pontos, a 12,63 centavos de dólar a libra-peso. Na semana passada, que foi mais curta por causa do feriado de sexta-feira, os papéis da commodity para julho acumularam uma alta de 64 pontos, diante da desvalorização da moeda americana. Ontem, os fundos de investimento buscaram embolsar os ganhos recentes, provocando uma correção para baixo nas cotações. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,19%, a R$ 51,80 a saca de 50 quilos.

Laranja: Consumo decrescente: As cotações do suco de laranja despencaram ontem na bolsa de Nova York, apesar do impulso oferecido pela queda do dólar perante diversas moedas no mercado. Os contratos do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para julho caíram 355 pontos, para US$ 1,2155 a libra-peso. O mercado tem sido pressionado pelo consumo decrescente da bebida nos mercados desenvolvidos. A produção deve ser também reduzida nesta temporada, mas não na proporção capaz de provocar um aperto de oferta. Na semana passada, o USDA publicou um relatório em que projetou uma colheita de 50 milhões de caixas na Flórida, igual às estimativas anteriores. No mercado interno, a laranja para a indústria foi negociada com estabilidade a R$ 11 a caixa de 40,8 quilos, segundo o Cepea/Esalq.

Algodão: Dólar mais fraco: As cotações do algodão abriram a semana no campo positivo na bolsa de Nova York, refletindo a queda do dólar em relação a outras moedas. Os papéis da pluma para entrega em julho subiram 107 pontos, a 64,87 centavos de dólar por libra-peso. O mercado da fibra tem acompanhado de perto a oscilação da moeda americana, uma vez que seu enfraquecimento estimula os compradores internacionais a fecharem negócios com o produto dos EUA, que lideram as exportações globais da commodity. Os preços também têm encontrado suporte ante a perspectiva de redução de 13% da área plantada com algodão nos Estados Unidos na próxima temporada (2015/16). No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma subiu 0,70%, para R$ 2,1132 a libra-peso.

Trigo: Alívio climático: A perspectiva de um clima um pouco melhor nesta semana nas áreas de trigo dos Estados Unidos colaborou para a queda dos preços ontem nas bolsas do país. Em Chicago, os papéis para julho recuaram 8 centavos, para US$ 5,2775 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual vencimento caíram 10,25 centavos, para US$ 5,7575 o bushel. Os boletins climáticos indicam possíveis chuvas nas Grandes Planícies nesta semana. Após o fechamento do pregão, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou que a área plantada com trigo de inverno no país está em condições melhores neste ano do que na mesma época de 2014. No mercado interno, o preço no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,15%, para R$ 670,74 por tonelada. (Valor Econômico 07/04/2015)