Setor sucroenergético

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Convergência da cadeia produtiva é a única alternativa para sair da crise

Quem teve o privilégio de participar da reunião do Projeto de Governança Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergética, promovida na manhã da última quarta-feira (8) no auditório da Canaoeste, em Sertãozinho, saiu de lá com a certeza de que só resta um caminho para que o setor canavieiro possa sair desta crise: a convergência nas ações político-institucionais e de gestão da cadeia produtiva canavieira.

Na sua apresentação, o empresário Evandro Ávila, coordenador do projeto, lembrou que a crise de 1999 só foi enfrentada e superada, graças a união de esforços entre trabalhadores, fornecedores de cana, indústria de base e usineiros. O resultado foi que até 2007 o setor acompanhou e assistiu ao seu maior ciclo de crescimento, dobrando a moagem de 300 milhões de toneladas ao ano para 600 milhões e a construção de 100 novas usinas, sendo que todas as outras investiram em processos de ampliação e/ou modernização.

Ele também destacou que, desde que foi anunciado a sua criação, o projeto provocou a mudança do governo federal em relação ao setor, anunciando medidas que, embora tímidas, tiraram a inflexibilidade de Brasília em relação ao setor canavieiro: aplicação da cobrança da Cide na gasolina, tornando o preço do etanol mais competitivo; aumento da mistura do anidro à gasolina de 25% para 27% e o anúncio de leilões que favorecem a produção de bioeletricidade.

No evento de Sertõzinho, o secretário do Desenvolvimento Econômico e Social de Piracicaba, também fundador, ex-presidente e diretor do Simespi e ex-presidente da Dedini durante décadas, Tarcisio Ângelo Mascarim, lembrou que estudos do BNDES apontam todas as soluções para a crise do setor. E lamentou que no seu segundo mandato, Lula e depois, Dilma, nada fizeram para preservar a cadeia produtiva sucroenergética.

Já Adézio Marques,diretor do CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo e 1º vice-presidente do CEISE Br – Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis, lamentou que a corrupção e a rapinagem de conhecidos “atores do PT” tenham levado não só o setor mas o País, para uma crise sem precedentes. “O PT, pela sua história e propostas, não deveria ter feito o que fez. Os brasileiros poderiam esperar que qualquer outro partido se lambuzasse na corrupção, menos o PT!”, lamentou.

Manoel Ortolan, presidente da Orplana – Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro Sul, também lamentou os desvios de conduta de lideranças políticas e os prejuízos impostos a quem produz, gerando empregos e renda no País. Já Toninho Tonielo, conselheiro da Única – União da Indústria da Cana-de-Açúcar e da Copersucar, elogiou os objetivos e as propostas do Projeto da Cadeia Produtiva.

O sindicalista Antonio Vitor, da Força Sindical, criticou duramente a inação, omissão e incompetência da presidente Dilma Rousseff e de seus ministros. “A Volkswagen ensaiou há poucas semanas a demissão de 800 trabalhadores e o ministro do Trabalho (Manoel Dias) veio de Brasília para discutir a situação. Aqui em Sertãozinho, a Usina Albertina fechou, demitiu 4.500 trabalhadores, não pagou ninguém e não apareceu um só representante do governo”, denunciou.

Antonio Vitor também afirmou que o Ministério do Trabalho seria fechado e desativado caso sofresse uma fiscalização das práticas trabalhistas aplicadas em suas instalações. “Ninguém desrespeita mais as leis trabalhistas deste País do que o próprio Ministério do Trabalho”, afirmou, acrescentando: “Este governo desastroso é uma vergonha e um acinte aos brasileiros!” (Ronaldo Knack é jornalista e bacharel em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Chuva acima da média atrasa moagem de cana no Centro-Sul

A chuva acima da média histórica em março provocou um atraso de até quatro dias no processamento de cana-de-açúcar pelas usinas do Centro-Sul do Brasil, segundo representantes do setor.

Como a maior parte das unidades dá largada à safra apenas na segunda metade de abril, ainda não há impacto sobre as projeções para a safra 2015/16, iniciada oficialmente no dia 1º, mas o ciclo começa em ritmo mais lento do que o previsto.

"Existe a percepção no mercado de que não haverá disponibilidade de mercadoria na intensidade esperada", disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting.

Essa avaliação explicaria por que o contrato com vencimento em maio do açúcar negociado na bolsa de Nova York acumula ganhos de 6,5% só neste mês. Em parte, a alta se deve ao fortalecimento do real ante o dólar, mas também por conta do clima adverso à colheita de cana no País.

O sócio-diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, também diz que as chuvas estão atrapalhando e que algumas usinas já mexeram em suas programações, computando o atraso. Até agora, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) não detalhou quantas unidades produtores começaram a nova temporada, mas para os representantes é quase certo que esse número está abaixo das 150 em operação em igual momento de 2014.

Segundo Corrêa, da Archer, há indústrias cujo processamento está sendo afetado pelas chuvas nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Mas ele diz que a umidade agora traz menos transtornos do que no meio da temporada. "Se isso (as precipitações) ocorrer em julho, por exemplo, será pior, pois ficará difícil para a usina realocar para o fim da safra a cana que não conseguir processar", afirmou ele, destacando que o meio do ano coincide com o pico de moagem no Centro-Sul.

Esse risco, contudo, existe, segundo a F.O. Lichts. A consultoria trabalha com a previsão de 50% a 60% de chance de que o fenômeno El Niño poderá ocorrer entre junho e setembro. A Somar Meteorologia considera a possibilidade de El Niño, mas diz que a manifestação deve ser de fraca intensidade. Caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o El Niño provoca chuvas acima da média durante o inverno no Hemisfério Sul.

Pelas projeções até agora divulgadas, o processamento de cana em 2015/16 deve ser maior que o de 571 milhões de toneladas do ciclo passado. A Archer, por exemplo, prevê moagem de 573 milhões de toneladas, mas há outras consultorias que apostam em volume superior a 580 milhões de toneladas. A Unica ainda não divulgou sua estimativa. (Agência Estado 09/04/2015)

 

Açúcar caminha para quinto superávit global

Prevista inicialmente para acontecer em 2014/15, a transição de um longo ciclo de superávits globais de açúcar para o início da curva de déficits pode demorar um pouco mais para se concretizar.

Algumas políticas de subsídios em países açucareiros estão impedindo que o sinal dado pelo preços baixos contenha a produção.

Assim, as estimativas divulgadas até agora sobre a temporada que se encerrará em 30 de setembro, trazem diferenças que chegam a 4 milhões de toneladas, vão desde um déficit de 2 milhões a um superávit de 2 milhões de toneladas.

Mas pesa cada vez mais no mercado a percepção de que, pelo quinto ano seguido, vai sobrar mais açúcar no mundo.

Desde que os superávits começaram, em 2010/11, as cotações da commodity caem sistematicamente.

Em outubro de 2010, estavam em 25 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York.

Nas últimas semanas, vêm sendo negociadas abaixo de 13 centavos.

Estimulados por subsídios na produção de cana e na venda externa do açúcar, os principais exportadores da commodity depois do Brasil - Índia e Tailândia - não estão reduzindo suas ofertas, apesar de as cotações atuais estarem bem abaixo dos custos de produção, na casa dos 18 a 20 centavos por libra-peso, diz o especialista da FCStone, Bruno Lima.

Para a Índia, a previsão da consultoria é de produção de 28,7 milhões de toneladas.

"No mercado já há rumores de que pode chegar a 30 milhões até junho deste ano, quando termina a colheita do país", afirma.

No fim do ano passado, o setor açucareiro do Brasil questionou a Índia na Organização Mundial do Comércio (OMC), via governo brasileiro, sobre subsídios supostamente distorcivos dados a seus produtores de cana, em vigência há cerca de cinco anos.

A cana naquele país tem preço fixo que é reajustado à taxa de 10% ao ano, enquanto os preços do açúcar recuam há pelo menos cinco anos, diz um especialista do setor.

Para completar, no mês passado, pelo segundo ano seguido, o governo indiano anunciou um subsídio de 5 mil rúpias por tonelada, equivalente a US$ 80 ou 30% por tonelada, para a exportação da commodity.

Neste ano, o governo brasileiro, a pedido das usinas, também questionou a Tailândia na OMC, a respeito de alegados subsídios distorcivos.

"A mensagem 'preços baixos' não está chegando ao produtor. Por isso, os estoques estão tão grandes", diz o estrategista de açúcar e etanol do banco holandês Rabobank no Brasil, Andy Duff.

Os estoques equivalem hoje a 20% do consumo mundial, bem acima do nível de 5% a 10% que tende a levar o mercado para um equilíbrio.

Mas, para as usinas brasileiras, que são responsáveis por 50% do que se exporta de açúcar no mundo, a notícia ruim pode não se limitar a um possível superávit elevado em 2014/15, ao redor de 2 milhões de toneladas, entre as tradings que mais se aproximam desse número está a inglesa Czarnikow, que projeta sobra de 1,6 milhão de toneladas da commodity no ciclo.

A onda negativa pode se estender se for confirmada a percepção de que a safra que vem, a 2015/16, pode ser "apenas" de equilíbrio entre produção e consumo, e não de déficit. Além de Índia e Tailândia, cujos produtores de cana não vislumbram melhor rentabilidade com outras culturas no momento, no Brasil a safra 2015/16, que começou oficialmente neste mês, tende a ser maior.

Os analistas de mercado que, no início do verão ventilavam uma repetição da moagem de 570 milhões de toneladas, já falam em número mais próximo das 590 milhões, após as chuvas nos canaviais terem ocorrido a contento no primeiro trimestre.

Nesta semana, a trading Czarnikow revisou para cima sua projeção para a moagem de cana no Centro-Sul.

Conforme a analista Ana Carolina Ferraz, o clima favorável fez a empresa elevar de 580 milhões para 595 milhões de toneladas a estimativa de moagem.

Na visão do sócio da consultoria FG Agro, Willian Hernandes, apesar da tentativa das usinas de maximizar a produção de etanol, é possível que a produção de açúcar também cresça no Centro-Sul em 2015/16.

"A recuperação da produtividade neste ano na comparação com a do ano passado se dará, principalmente, em São Paulo, que tem um perfil mais açucareiro que a média da região", explica Hernandes.

Nas estimativas da FG Agro, 43% do caldo da cana deve ser direcionado para o açúcar, assim como no ciclo 2014/1.

No entanto, a disponibilidade de cana será maior, de 587 milhões de toneladas, ante as 571 milhões de 2014/15.

Pesa ainda o fato de que, apesar de terem despencado em dólar, os preços do açúcar em reais ficaram relativamente estáveis, devido à desvalorização cambial.

Conforme o Valor Data, em 2015, os contratos (de segunda posição) do açúcar caíram 14,54% na bolsa de Nova York, enquanto o dólar (Ptax) subiu 14,70%.

No Brasil, afirma Duff, do Rabobank, a remuneração para as usinas está estável no patamar de R$ 900 por tonelada.

"Nos outros países produtores a desvalorização cambial não foi tão intensa. O que pesa são as intervenções governamentais", observa ele. (Valor Econômico 10/04/2015)

 

Shell afirma que petróleo do Brasil foi um dos motivos de fusão

CEO da petroleira holandesa fez afirmação em coletiva de imprensa. Fusão anunciada na véspera é a maior do setor em mais de uma década.

O acesso às reservas de petróleo em águas profundas do Brasil foi o principal motivador por trás da compra do BG Group pela empresa holandesa Shell, afirmou o CEO da companhia Ben van Beurden durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (9), de acordo com a Forbes.Leia aqui.

Anunciada na véspera, a primeira grande fusão no setor de petróleo em mais de uma década faz da Shell uma nova grande potência no pré-sal brasileiro, e também a petroleira mais próxima da Petrobras, enquanto a estatal passa pela maior crise de sua história.

"Temos que ver o Brasil pelo potencial que existe ali. No momento, esta área é provavelmente a mais estimulante do mundo para a indústria do petróleo", afirmou o executivo a jornalistas, segundo a publicação.

"Já estamos no Brasil e estamos felizes lá, mas queremos mais. Uma parte significante do acordo foi ganhar uma presença maior nas águas profundas do Brasil", disse Beurden.

Negócio no Brasil

A BG, principal parceira da Petrobras no campo de Lula – maior produtor do pré-sal da Bacia de Santos –, já é segunda petroleira do país em produção, enquanto a Shell é a quinta maior, segundo o último dado do órgão regulador (ANP).

Além levar parte de um importante ativo em produção no pré-sal – a BG tem 25% de Lula –, analistas acreditam que é expressivo o negócio para a Shell no Brasil, pois ela ficará com reservas de bastante qualidade e em crescimento. A britânica também é parceira da estatal brasileira em outras relevantes áreas como Sapinhoá, Lapa e Iara.

O campo de Lula foi originado da descoberta de Tupi, a mais relevante do pré-sal anunciada pela Petrobras na década passada, na época com volumes recuperáveis de 5 bilhões a 8 bilhões de barris.

A própria Shell já é sócia da Petrobras com 20% da área de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, anunciada pelo governo brasileiro como a maior jazida do país, que pode conter entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de barris de petróleo de reservas recuperáveis, com produção esperada para os próximos anos. (G1 09/04/2015)

 

Lucro global da Cargill tem forte aumento

A multinacional americana Cargill, maior empresa de agronegócios no mundo, registrou um aumento expressivo em seu lucro líquido no terceiro trimestre do ano fiscal 2015, encerrado em 28 de fevereiro.

Foram US$ 425 milhões, incremento de 33% em relação aos US$ 319 milhões registrados no mesmo período do exercício anterior.

O avanço foi puxado pelo segmento de carnes, que cresce na esteira do apetite global por proteína animal e a despeito da desaceleração econômica em vários mercados.

Segundo balanço divulgado ontem, a multinacional obteve um lucro de US$ 1,63 bilhão no acumulado dos nove primeiros meses deste ano fiscal, também 13% superior quando comparado ao mesmo intervalo do ano fiscal anterior.

O faturamento no trimestre, no entanto, caiu 11%, em linha com a queda dos preços dos grãos, para US$ 28,4 bilhões.

Nos nove meses, totalizou US$ 92 bilhões.

De capital fechado e sediada em Mineápolis, a Cargill é uma empresa familiar que atua em setores como originação e comercialização de grãos, processamento de alimentos, comercialização de sal, energia e ainda na criação e abate de animais, como os frangos que viram nuggets do McDonald's.

No negócio de carnes, tem se beneficiado sobretudo com a seca que assola a Austrália, um grande mercado para a companhia.

A falta de água tem levado os pecuaristas do país a se desfazer mais rapidamente de seus bovinos, vendendo-os mais cedo para o abate.

E quanto mais animais, maior a oferta e, consequentemente, maior a lucratividade de seus frigoríficos.

Além da seca, a desvalorização do dólar australiano também tem impulsionado as exportações desde o país para os EUA, que consomem essa carne em hambúrgueres e para a Ásia.

A Austrália é o principal fornecedor de carne bovina para a China, onde o consumo de proteínas animais quintuplicou nos últimos três anos.

Segundo o presidente e CEO da companhia, David MacLennan, a forte performance nos segmentos de carnes e nutrição animal alavancaram os resultados da companhia como um todo.

Mas a desaceleração econômica no Brasil, na China e na Indonésia, combinada à alta do dólar, afetaram as margens da companhia no segmento de Food Ingredients & Applications.

A divisão reúne os negócios de açúcar, amido, farinhas e cacau.

Sem detalhar financeiramente suas divisões, a companhia afirmou que as vendas de aves cresceram na América Central, assim como a comercialização de grãos, impulsionada pela demanda chinesa por farelo de soja americano.

O processamento de carnes na América do Norte também sofreu com o excesso de capacidade nesse período, iniciado com a recuperação dos rebanhos após anos de queda no número de animais.

"Mas vimos uma revigorada no negócio de energia, que ganhou ímpeto devido a mudanças estratégicas que realizamos no ano anterior", disse o CEO da Cargill. (Valor Econômico 10/04/2015)

 

Fipe: Relação entre etanol e gasolina avança para 64,81% em abril

A relação entre o preço do etanol e o da gasolina avançou e atingiu a marca de 64,81% na primeira semana de abril na capital paulista, na comparação com 62,49% anteriormente, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O resultado do começo deste mês, no entanto, é inferior ao de 72,26% apurado na primeira semana de igual mês de 2014.

A despeito da alta entre a primeira semana de abril e a última de março, o gerente técnico de Pesquisas do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Moacir Mokem Yabiku, estima que a tendência é de redução na equivalência entre os preços dos dois combustíveis. "Pode diminuir, por causa do início da safra", estimou.

No IPC-Fipe da primeira quadrissemana de abril (últimos 30 dias terminados na última terça-feira), o etanol registrou queda de 1,76% depois de um recuo de 0,28% no fechamento de março, enquanto a gasolina passou de uma alta de 0,46% para 0,04%. Segundo o técnico da Fipe, o recuo do álcool combustível reflete o excesso de oferta. "O setor vinha com estoque de etanol elevado", disse. De acordo com o setor, no início de março, havia um bilhão de litros de etanol acima do registrado em igual período de 2014.

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana-de-açúcar representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder da gasolina. Com a relação entre 70% e 70,50%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque (Agência Estado 09/04/2015)

 

Ceres tem prejuízo líquido de US$ 8,1 milhões no 2º trimestre fiscal

A Ceres, empresa americana de biotecnologia, reportou hoje um prejuízo líquido de US$ 8,1 milhões no segundo trimestre fiscal (encerrado em 28 de fevereiro), comparado com um resultado líquido também negativo de US$ 7,2 milhões no mesmo intervalo do ano anterior.

A receita no período foi de US$ 343 mil, recuo de 30% em relação aos US$ 495 mil do trimestre encerrado em 28 de fevereiro de 2014.

Em comunicado que acompanhou o balanço, a companhia reforçou a expectativa de que a receita da safra 2014/15 no Brasil seja reconhecida no terceiro e quarto trimestres fiscais, quando a colheita estiver concluída.

A Ceres dedica-se ao desenvolvimento de híbridos de sorgo para a produção de etanol e energia. A companhia estava em fase pré-operacional desde que foi fundada, em 1996, na Califórnia.

Mas é no Brasil, onde chegou em 2009, que a empresa começou a estabelecer sua primeira operação comercial no ano passado, a safra 2014/15 de sorgo teve início em novembro, na entressafra da cana.

Os custos totais e as despesas operacionais subiram 9,6% no trimestre de dezembro a fevereiro, em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 8,45 milhões. (Valor Econômico 09/04/2015 às 18h: 58m)

 

Demanda por petróleo deve crescer 1 mi bpd por ano, diz Arábia Saudita

A queda nos preços do petróleo é apenas temporário, uma vez que a demanda global deverá crescer anualmente em até 1 milhão de barris por dia (bpd), com o consumo mundial devendo subir para 105 milhões de barris diários em 2025, disse nesta quinta-feira um conselheiro do Ministério de Petróleo da Arábia Saudita.

"O atual declínio nos preços do petróleo e na demanda é uma situação temporária e anormal", disse o conselheiro Ibrahim al-Muhanna em uma conferência sobre energia em Riad.

"A expectativa é de um crescimento contínuo na demanda por vários tipos de energia, incluindo o petróleo. No mínimo, a demanda por petróleo deverá crescer em até 1 milhão de bpd e o consumo global deverá subir para cerca de 105 milhões de bpd em 2025, mesmo levando em conta todas as políticas de racionalização em países em todo o planeta", afirmou. (Notícias Agrícolas 09/04/2015 às 09h: 06m)

 

Mais demissões em fábricas de colheitadeiras

A retração do mercado de máquinas agrícolas no primeiro trimestre já provoca estragos nos fabricantes de colheitadeiras.

A AGCO vai demitir 153 funcionários neste mês, paralisar a produção durante quatro meses a partir de junho e suspender os contratos de trabalho de outros 143 trabalhadores da planta de Santa Rosa (RS) pelo mesmo período.

A CNH vai parar a unidade de Sorocaba (SP) durante seis dias úteis a partir de segunda-feira e estuda dar férias de dez dias em Piracicaba (SP).

A John Deere negocia a implantação de um banco de horas para evitar demissões em Horizontina (RS).

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santa Rosa, João Roque dos Santos, a AGCO pretendia cortar cerca de 300 dos 700 empregados da fábrica de colheitadeiras Massey Ferguson e Valtra.

No fim, a entidade negociou um programa de demissões voluntárias (PDV) para até 77 pessoas e a suspensão de contratos de trabalho com remuneração dividida entre o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e a empresa, sem interrupção na contagem de tempo para férias e 13º.

A linha de componentes para a fábrica de tratores em Canoas (RS) não será afetada, mas a situação da AGCO já provoca demissões entre fornecedores, disse Santos.

"Depois de acumular recordes de vendas nos últimos anos, a conta da primeira dificuldade cai sobre os trabalhadores", criticou.

Segundo ele, a companhia já produziu 300 das 600 colheitadeiras previstas para 2015.

A última onda de demissões em Santa Rosa ocorreu entre o fim de 2008 e início de 2009, com 290 dispensas. Por meio de sua assessoria, a AGCO informou que as medidas são necessárias para ajustar suas "demandas internas" à retração do mercado e deverão proporcionar "maior sinergia de processos e atividades".

A empresa não se manifestou sobre o número empregados atingidos, mas disse que "analisou diversos cenários de atuação diante da queda de vendas" e "não mediu esforços ao adotar ações de contenção e alternativas que minimizassem os efeitos negativos que têm afetado o setor".

A CNH vai parar a fabricação de colheitadeiras de grãos da marca Case em Sorocaba (SP) de 13 a 21 deste mês, como parte de um acordo de redução de jornada que permite a parada de até 39 dias de produção até o fim de janeiro de 2016, firmado em fevereiro com o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, informou o diretor executivo da entidade, Sílvio Ferreira.

Segundo ele, a empresa prevê fabricar 1,06 mil máquinas este ano, ante quase 1,3 mil em 2014.

Os dias parados em Sorocaba serão compensados até janeiro de 2017 com ampliação de jornada e trabalhos aos sábados quando o mercado reagir e ainda com descontos do dia 31 de cada mês.

Segundo Ferreira, o acordo foi fechado para evitar demissões depois que a CNH apontou um excedente de 150 trabalhadores na linha de colheitadeiras, que emprega 600 dos 1,5 mil funcionários da empresa na cidade, incluindo a administração e o centro de distribuição.

Em Piracicaba (SP), onde faz colheitadeiras para cana e café, a CNH estuda parar dez dias depois dos dois meses de férias em novembro e dezembro de 2014 para a linha de produção, disse o presidente em exercício do sindicato local, José Florêncio da Silva.

Segundo ele, cerca de 350 pessoas trabalham na unidade.

"O pátio está lotado de máquinas", afirmou.

Em janeiro, a empresa demitiu 240 dos 2,1 mil funcionários da fábrica de colheitadeiras de grãos e tratores New Holland em Curitiba (PR).

O Valor entrou em contato com a assessoria da CNH, mas não obteve uma posição da empresa até o fechamento desta edição.

A John Deere informou que negocia com os empregados formas de "compensação de horas" para atravessar o período de queda nas vendas.

De acordo com o secretário geral do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, Jorge Luís Ramos, ontem houve nova reunião e as discussões não envolvem redução de salários.

Conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção de colheitadeiras no país recuou 44,4% no primeiro trimestre ante igual período do ano passado, para 1,26 mil unidades. (valor Econômico 10/04/2015)

 

Agência Fitch indica que pode rebaixar nota do Brasil

A agência de classificação de risco Fitch indicou nesta quinta-feira (9) que poderá rebaixar a nota do Brasil. Hoje, o país tem o selo de bom pagador concedido pela agência –o chamado grau de investimento, que indica que o país é um local seguro para investir.

É que, embora a Fitch tenha mantido a nota atribuída ao Brasil (BBB), colocou a avaliação em perspectiva em negativa –antes, estável–, o que significa que pode rebaixá-la caso as condições macroeconômicas brasileiras não melhorem.

Atualmente, o país está a dois degraus de perder o grau de investimento.

Em comunicado, a Fitch afirmou que tomou a medida em razão da desaceleração da economia brasileira, da deterioração da situação fiscal e do maior desequilíbrio macroeconômico do país.

"Embora o governo tenha começado um processo de ajuste macroeconômico para impulsionar a confiança e credibilidade política, riscos negativos relacionados à sua efetiva implementação e duração persistem, especialmente no contexto de uma economia e ambiente político desafiadores", disse.

A divulgação da notícia não alterou a trajetória do dólar, que continuou caindo nesta quinta. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 1,18%%, para R$ 3,044. Às 16h07, o dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, tinha leve alta de 0,09%, para R$ 3,059.

"A decisão da Fitch foi encarada como um voto de confiança no governo brasileiro, pois ela não rebaixou a nota de crédito, e poderia ter rebaixado", avalia Fabio Lemos, analista de renda variável da São Paulo Investments. "Mas é um voto de confiança por tempo curto. Agora é preciso ver a execução do plano de ajuste fiscal", diz.

No comunicado, a Fitch lembra que a economia brasileira ficou estagnada em 2014, após crescer apenas 0,1%, e ressalta que a previsão para este ano é de contração de 1%. "O crescimento médio do Brasil nos últimos três anos de apenas 1,5%, comparado com a mediana de 3,2% de outros países 'BBB', evidencia a natureza estrutural da performance baixa", diz a Fitch em comunicado.

A Fitch destacou ainda que a inflação elevada e "deficits gêmeos" (rombos nas contas externas e no orçamento fiscal) ressaltam os desequilíbrios macroeconômicos, e prevê que a inflação oficial continuará a enfrentar pressão durante 2015 devido à depreciação do real e ao aumento dos preços administrados.

O Brasil mantém o selo de bom pagador em todas as agências de classificação de risco. Recentemente, a agência S&P deixou inalterada a nota de crédito do país em BBB-, o último degrau na escala de grau de investimento.

Na Moody's, a nota do país é Baa2, o que significa que o país está a dois degraus acima de perder o grau de investimento.

EMPRESAS

Na quarta-feira (8), a Fitch divulgou relatório afirmando que as empresas brasileiras enfrentarão uma "intensa tempestade"  este ano diante da combinação de preço das commodities e demanda por produtos em baixa e inflação e taxas de juros em alta.

Com isso, os rebaixamentos das notas de crédito das companhias do país devem aumentar ao longo do ano, segundo o documento. Nos três primeiros meses deste ano, houve 11 cortes em notas de crédito de empresas brasileiras e nenhuma elevação.

"Os setores mais arriscados permanecem sendo açúcar e etanol, construção pesada e construção residencial", afirmou o relatório, assinado por Debora Jalles e Ricardo Carvalho, diretores da agência no país.

HISTÓRICO

No final de março, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s manteve a nota de crédito do Brasil. O país segue, assim, com o chamado grau de investimento (selo de bom pagador).

A S&P acredita que a presidente Dilma Rousseff manterá o apoio ao ajuste fiscal promovido pela equipe econômica e que as medidas de austeridade ganharão eventualmente o suporte do Congresso.

Com isso, na avaliação da agência de risco, a credibilidade do governo será "gradualmente restaurada", pavimentando o caminho para um crescimento mais robusto da economia a partir do ano que vem.

Em setembro do ano passado, a agência de classificação de crédito Moody's rebaixou para negativo o viés da nota do Brasil. Na avaliação anterior, a perspectiva era estável.

A mudança indica, de acordo com a Moody's, que houve piora nos fundamentos econômicos do país, que podem ter reflexos sobre a capacidade de pagamento dos títulos da dívida pública do governo. (Folha de São Paulo 09/04/2015 às 16h: 51m)

 

CTNBio libera plantio comercial de eucalipto geneticamente modificado da Suzano

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira a liberação comercial do eucalipto geneticamente modificado da FuturaGene, empresa de biotecnologia da Suzano Papel e Celulose, tornando o Brasil o primeiro país a aprovar o plantio de eucalipto transgênico para fins comerciais.

A Futuragene afirma que o eucalipto geneticamente modificado traz ganhos de produtividade da ordem de 20 por cento em relação ao eucalipto convencional devido ao maior crescimento da planta. Mas a tecnologia é questionada por movimentos sociais e pela indústria de mel.

A liberação foi aprovada pela comissão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por 18 votos favoráveis e três contrários.

A aprovação nesta quinta-feira ocorre após uma primeira votação na CTNBio, agendada para o início de março, ter sido adiada por conta de protestos de manifestantes contrários à tecnologia, citando riscos de possíveis problemas ambientais e de saúde.

Na época, cerca de 1.000 mulheres integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram a sede da FuturaGene em Itapetininga (SP) e, em paralelo, manifestantes protestaram em Brasília no prédio da Agência Espacial Brasileira (AEB), onde ocorreria a votação.

Segundo a CTNBio e a Futuragene, não foram registrados protestos nesta quinta-feira na AEB ou na sede da companhia. A comissão disse que a empresa realizou testes em campo após uma primeira liberação planejada no meio ambiente realizada em 2004.

Em audiência pública sobre o tema, a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) também se mostrou contrária à liberação, afirmando que a introdução do eucalipto geneticamente modificado praticamente exterminaria áreas de certificação de mel orgânico, levando a perdas nas exportações de mel e própolis. (Notícias Agrícolas 09/04/2015 às 15h: 00m)

 

Recursos para custear a safra agrícola podem aumentar

A afirmação é do secretário de Política Agrícola em audiência na Câmara dos Deputados.

O secretário de Política Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, André Nassar, afirmou que “estamos trabalhando para manter ou até mesmo elevar os recursos do Plano Agrícola e Pecuário (PAP 2015/2016)”. O montante pode chegar a cerca de R$ 176 bilhões.

O secretário participou na tarde dessa terça-feira (7) da audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária. Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados.

Nassar disse ainda que a prioridade é manter os R$ R$ 88,9 bilhões de crédito de custeio a juros controlados. Também poderão ser canalizados outros R$ 20 bilhões de recursos provenientes da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA).

Outro ponto tratado foram as alterações dos juros para financiar a agricultura empresarial. O secretário adiantou na audiência que o aumento seria de um ou dois pontos percentuais. E complementou que os produtores rurais inscritos no Cadastro Ambiental Rural poderiam receber um abono de 0,5% na contratação de financiamento rural.

Entre os programas de financiamento do PAP, Nassar citou como prioritários a manutenção do Moderfrota, o Programa ABC, de Armazenagem, Prorenova, Inovagro e aqueles voltados para pecuária. (Notícias Agrícolas 09/04/2015 às 12h: 19m)

 

Commodities Agrícolas

Laranja: Pressão em NY: Os preços do suco de laranja recuaram ontem após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manter sua projeção para a safra da Flórida. Os lotes do suco concentrado e congelado para julho negociados na bolsa de Nova York caíram 295 pontos, para US$ 1,183 a libra-peso. O órgão segue estimando uma safra de 102 milhões de caixas na Flórida em 2014/15, queda de 3% ante o ciclo passado. Já a estimativa para a produtividade dos laranjais do Estado foi reduzida para 5,852 litros de suco por caixa, recuo de 1,9% ante o ciclo 2013/14. Apesar da oferta menor, a demanda tem caído em um ritmo mais forte, o que pressiona o mercado. No front doméstico, o preço da caixa 40,8 quilos de laranja para a indústria manteve-se em R$ 11, de acordo com o Cepea/Esalq.

Algodão: O peso da pluma: As cotações do algodão fecharam no negativo ontem na bolsa de Nova York, refletindo os estoques elevados nos Estados Unidos. Os contratos para julho fecharam com um recuo de 33 pontos, a 66,13 centavos de dólar a libra-peso. Embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) tenha elevado sua projeção para as importações da China, que tem a maior parte dos estoques globais de algodão, o órgão também aumentou a projeção para a produção e os estoques finais da commodity nos EUA, que lideram as exportações globais. A perspectiva de maior oferta pesou sobre as negociações ontem, levando à queda dos preços. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,39%, para R$ 2,1526 a libra-peso.

Soja: Vendas fracas: Embora o dia tenha sido de relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o foco dos investidores da soja voltou-se ontem para as exportações americanas, que deram sinal de enfraquecimento. Com isso, os lotes para julho fecharam em baixa de 18,25 centavos, a US$ 9,5825 o bushel. Na semana encerrada no último dia 2, foram canceladas compras de 176,7 mil toneladas de soja dos EUA, em um momento em que o Brasil segue aumentando seus embarques e a Argentina pode despejar grãos de safras passadas no mercado. Já o relatório do departamento americano trouxe poucas mudanças em suas projeções, o que já era esperado pelos analistas. No Paraná, a saca da soja recuou 2,5%, para R$ 58,42 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Trigo: Forte queda: Os futuros de trigo fecharam em queda expressiva ontem nas bolsas americanas, apesar da estimativa de menores estoques globais divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em Chicago, os contratos para julho caíram 6,25 centavos, para US$ 5,1750 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, o mesmo vencimento caiu 9,50 centavos, para US$ 5,5625 o bushel. O USDA estimou que os estoques de passagem em 2014/15 nos Estados Unidos terão 18,63 milhões de toneladas, abaixo das expectativas dos analistas. Para os estoques globais, a projeção é de 197,21 milhões de toneladas, abaixo do projetado em março, mas acima do volume da safra 2013/14. No Paraná, o cereal teve alta de 1,71%, a R$ 34,59 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 10/04/2015)