Setor sucroenergético

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Unica prevê fechamento de mais 12 usinas na safra 2015/16

O diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio Padua Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira (10), que mais 12 usinas devem fechar na safra 2015/2016 no Centro-Sul do País por causa da crise do setor, o que não impedirá um crescimento estimado de 3% na oferta de matéria-prima na região no período. Até o ano passado, 60 usinas encerraram as atividades.

Segundo Padua, o aumento se dará por causa da condição climática mais favorável para a cana na atual safra, mas terá ainda o componente de crise: o aumento de 2% na área a ser colhida. Isso acontece porque não houve renovação dos canaviais, quando parte da área deixa de ser plantada com cana para ser ocupada por outros produtos, em uma rotação de culturas.

"A safra será maior que a do ano passado por causa do canavial envelhecido, já que as condições financeiras não proporcionam a renovação necessária para a cultura", disse Rodrigues. "Muitos produtores não receberam sequer recursos de renovação e plantio liberados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em 2013 porque não houve dinheiro para equalizar a taxa de 5,5% de juros", completou. Com isso, as usinas da região podem processar em torno de 592 milhões de toneladas de cana na safra iniciada em 1º de abril, ante os quase 575 milhões de toneladas da safra passada.

"OS MAIS CAPITALIZADOS FARÃO MAIS AÇÚCAR, POIS PODEM ESTOCAR E ESPERAR A MELHORA DO PREÇO. JÁ OS GRUPOS MENOS CAPITALIZADOS UTILIZARÃO O ETANOL PELA MAIOR LIQUIDEZ FINANCEIRA"

Na avaliação do diretor da Unica, os grupos de usinas mais capitalizados irão apostar na maior produção do açúcar em 2015/2016, enquanto os grupos menos capitalizados optarão pelo etanol em maior escala. "Os mais capitalizados farão mais açúcar, pois podem estocar e esperar a melhora do preço da commodity e a valorização do dólar. Já os grupos menos capitalizados utilizarão o etanol pela maior liquidez financeira, para financiar a usina", disse.

Segundo o executivo, todo incremento de oferta de cana na safra 2015/2016 irá para a produção do etanol hidratado, para suprir o aumento de demanda pelo combustível, em um cenário de consumo estável de açúcar e do etanol anidro. A demanda do hidratado virá, segundo ele, por causa principalmente do crescimento do consumo previsto em Minas Gerais, estado que aumentou de 25% para 29% o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da gasolina e reduziu de 19% para 14% o ICMS do etanol.

"O etanol hidratado tem uma participação de 12% no consumo em Minas e pode chegar a 30%. Isso geraria uma demanda de 1,5 bilhão de litros por safra só naquele Estado", estimou Rodrigues. Já a demanda pelo etanol anidro ficará estável mesmo com o aumento da mistura de 25% para 27% do combustível à gasolina, já que os estoques estão altos no começo da safra e as exportações devem cair de 1,5 bilhão para 1 bilhão de litros.

Rodrigues considerou, ainda, que a crise do setor, com 60 usinas já fechadas e 70 em situação de insolvência financeira, pressiona as unidades a venderem o etanol a preços mais baixos, o que anulará o ambiente positivo para o setor, após o aumento na mistura e a alta no preço da gasolina. "Para piorar, com o ajuste fiscal não haverá mais a linha de financiamento para renovação de lavoura nem para a estocagem", disse. (Agência Estado 10/04/2015)

 

Setor de cana espera alívio com leilão

Venda de energia excedente neste mês com preços maiores é visto como "fôlego" para indústria sucroenergética

Sertãozinho (SP) espera absorver a maior parte da produção necessária para atender à demanda da biomassa.

A elevação de preços dos leilões de energia que acontecerão neste mês é vista como um "fôlego" pelas indústrias ligadas ao setor sucroenergético, mas não será suficiente para resolver a crise enfrentada pelo setor.

O teto do leilão A-5, para projetos a serem entregues em cinco anos, foi fixado em R$ 281/MWh para as termelétricas e R$ 210/MWh para as PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), valor 34% superior ao do leilão mais recente, em novembro.

O leilão será no dia 30 e reunirá, além da biomassa da cana, carvão e gás natural. Haverá ainda o A-3 --entrega em três anos-- em julho, cujo teto não foi revelado, e o de fontes alternativas, no dia 27 e teto de R$ 215/MWh.

Para as indústrias do polo de Sertãozinho, o anúncio da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) representa um alívio momentâneo, pois a cidade "respira" o setor. De suas 650 indústrias, 90% produzem componentes ligados a usinas, segundo o Ceise-BR (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis).

Com o agravamento da crise a partir de 2008, demissões passaram a ser constantes na cidade, de 118 mil habitantes. Em 2014, foram eliminados 2.046 empregos, o quarto pior resultado no Estado.

"Na crise, mesmo o que é pouco acaba sendo bom. Se metade dos projetos do leilão vingar, será muito importante. Calculamos que 80% deles acabarão sendo produzidos em Sertãozinho", disse Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Ceise-BR.

Projetos que envolvam a produção de uma caldeira, por exemplo, podem custar até R$ 40 milhões, enquanto uma subestação de energia chega a R$ 15 milhões --fora outros componentes, como casa de força e turbinas.

"Para ter demanda como antes [até 2008], precisa urgentemente de uma política energética adequada e clara em relação ao etanol", disse.

GIGANTE ADORMECIDO

O setor sucroenergético poderia produzir até 128,6 mil GWh de energia excedente a partir do bagaço da cana, mas fechou 2014 com 19,4 mil GWh, diz a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

O total produzido foi de 32,6 mil GWh, mas 40,5% foram destinados ao consumo interno de usinas. "[O potencial] Equivale a três vezes a usina de Belo Monte. É um gigante adormecido", disse Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da entidade.

Entre as dificuldades para ampliar a venda do excedente à rede estão o custo de novas caldeiras e equipamentos e a falta de conexão com as linhas de transmissão.

"Há casos em que as linhas estão distantes 200 km. Além disso, os preços nos últimos leilões não foram muito favoráveis ao setor", disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. (Folha de São Paulo 11/04/2015)

 

Previsões de preços de café e açúcar são reduzidas em até 31% com queda do real

Os bancos, incluindo Goldman Sachs e Citi, cortaram suas previsões para os preços do café e do açúcar em até 31 por cento no último mês, com a cotação do real frente ao dólar tendo caído ao menor patamar em 12 anos.

Com os preços do açúcar agora definhando perto dos níveis mais baixos em mais de seis anos, abaixo de 13 centavos de dólar por libra-peso, seis bancos estão prevendo uma média de cotações para o segundo trimestre de cerca de 13,6 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de aproximadamente 3 centavos ante previsões anteriores, de acordo com dados coletados pela Reuters.

Previsão do Rabobank, a mais baixista, foi de 12,5 centavos.

Para o café arábica, a estimativa média caiu para 1,52 dólar por libra-peso, ante 1,90 dólar, mostraram os dados.

O Citi reduziu sua previsão para o segundo trimestre em 31 por cento, a maior redução feita por qualquer outro banco pesquisado, mas ainda manteve a estimativa mais otimista para o terceiro trimestre, de 1,75 dólar por libra-peso.

A principal causa da revisão para baixo foi a queda do real, a moeda do maior produtor do mundo de ambas as commodities.

O real caiu quase 30 por cento em relação ao dólar entre o final de janeiro e 20 de março, quando atingiu uma baixa de 12 anos, devido à força do dólar e também pela crescente incerteza política decorrente de um escândalo de corrupção na Petrobras.

"A subida do dólar reduz geralmente a demanda global por commodities denominadas em dólares, enquanto um real enfraquecido incentiva significativamente as exportações, aumentando os estoques mundiais", escreveu o Societe Generale em um relatório de 7 de abril.

Vários bancos também apontaram para abundantes suprimentos mundiais de açúcar como fonte de pressão sobre os preços.

A moeda fraca atrai exportações pesadas e vendas de produtores no Brasil.

"A fraqueza do real continua a reduzir os custos de produção de açúcar no mercado interno em dólares, pressionando o contrato No. 11 (do açúcar) e levando a uma revisão em nossa previsão de preço, enquanto os riscos do lado da oferta permanecem", escreveu o Rabobank no relatório de março.

Embora o preço de referência do contrato de café tenha caído 24 por cento desde o fim de 2014, para o nível mais baixo em mais em um ano, em dólares, tornando-se a segunda commodity com pior performance no índice Thomson Reuters CoreCommodity, ele só caiu 9 por cento em reais.

O que foi uma queda de 18 por cento no mercado de futuros de açúcar, para o mais baixo nível em mais de seis anos na moeda norte-americana, acabou sendo uma mera queda de 1 por cento em reais. (Reuters 10/04/2015)

 

Venda de etanol pela usina sobe 47% em março

As usinas nunca venderam tanto etanol em um mês de março como neste ano. Dados ainda preliminares indicam que as vendas do país deverão atingir 1,45 bilhão de litros. Só na região centro-sul foi 1,4 bilhão, segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Esse volume do centro-sul supera em 47% o de março de 2014. Padua estima que a participação do etanol hidratado no consumo de combustível do ciclo Otto (etanol hidratado e gasolina) tenha superado os 40% no mês passado.

A opção do consumidor pelo etanol ocorre porque o produto ficou mais competitivo, não só pela recomposição da Cide na gasolina (o imposto dos combustíveis), o que tornou a gasolina mais cara, mas pela boa oferta de álcool.

Março é o último mês da safra e, ao contrário do que ocorre tradicionalmente, a oferta de etanol nunca foi tão elevada.

A participação do etanol nas vendas de combustíveis vem crescendo desde outubro do ano passado. Esse aumento ocorre não só devido à oferta maior mas também porque as margens de postos e distribuidoras ficaram mais próximas tanto nas vendas do etanol como nas de gasolina. Antes, vender gasolina rendia mais.

Essa alta de venda em plena entressafra ocorre porque, além dos estoques elevados, muitas empresas já iniciaram a colheita da safra 2015/16.

Os motivos desse início antecipado vão desde a busca de bagaço para a geração de energia à formação de caixa ou corte de cana que sobrou da safra anterior.

A maior oferta de etanol derrubou os preços nos postos da cidade de São Paulo. Pesquisa da Folha indica que o preço do etanol hidratado foi negociado, em média, a R$ 2,08 por litro nesta semana nos postos de São Paulo. Esse valor indica queda de 0,62% em relação ao preço da semana anterior.

No mesmo período, o litro de gasolina recuou para R$ 3,148, em média, 0,38% menos do que na semana anterior.

Nos últimos 30 dias, o álcool caiu 1,65% para os consumidores paulistanos, enquanto a gasolina ficou 0,5% mais barata.

A pesquisa desta semana da Folha, feita em 50 postos da cidade, apontou que alguns estabelecimentos já comercializam o etanol a R$ 1,849 por litro. Outros, no entanto, ainda mantêm os preços em R$ 2,499. No caso da gasolina, os menores preços são de R$ 2,099 por litro, enquanto em alguns postos o valor ainda se mantém em R$ 3,599. (Folha de São Paulo 11/04/2015)

 

Vendas de etanol por usinas em março devem bater recorde, diz a Unica

O diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio Padua Rodrigues, revelou nesta sexta-feira, 10, que os dados fechados de março apontarão um volume de 1,4 bilhão de litros de etanol hidratado vendido pelas usinas, o maior para o mês na história. Segundo ele, além do volume inédito para o último mês de entressafra - período em que normalmente os preços do combustível nos postos estão mais altos e a demanda em queda - as vendas de março serão ainda as maiores mensais desde o período entre 2009 e 2010, quando superaram 1,5 bilhão de litros por período.

No entanto, ao contrário daquela época, a alta na demanda pelo etanol das distribuidoras às usinas não se dará por causa do preço mais competitivo do álcool hidratado e, consequentemente, pela melhora da paridade do combustível de cana com a gasolina. O aumento, segundo Rodrigues, será por conta do reajuste recente do valor do combustível de petróleo, que afastou o consumidor da gasolina.

"A volatilidade de preços irrita, e a braveza do consumidor com a alta da gasolina levou a esse aumento de consumo do etanol", explicou Rodrigues. Ele lembra que a participação do etanol no consumo de combustíveis do ciclo Otto, (gasolina e álcool) em São Paulo, maior mercado do País, em 32% em outubro, cresceu seguidamente até 40% em março deste ano. "O setor fez campanha para ampliar o consumo, mas a alta ocorreu em um cenário de paridade do etanol em 66% do preço da gasolina", disse o diretor da Unica.

Normalmente, a demanda cai com o preço do etanol a partir de 65% do praticado pela gasolina nos postos de combustíveis, já que a partir de 70% abastecer com combustível de cana deixa de ser economicamente favorável. Mesmo com o aumento na demanda, Rodrigues lembra que a alta da gasolina, em fevereiro, não trouxe vantagens para as usinas, já que o preço de venda do etanol é praticamente o mesmo desde então.

"Antes do aumento, o preço de venda do etanol era de R$ 1,28 o litro às distribuidoras. Chegou até a subir a R$ 1,41, mas a necessidade de caixa por conta da fragilidade financeira de companhias puxou o preço para baixo com a oferta maior e agora está em R$ 1,25 o litro", concluiu Rodrigues. (Agência Estado 10/04/2015)

 

SP espera leilão federal para definir preço da energia de biomassa

O secretário de Agricultura de São Paulo, Arnaldo Jardim, afirmou nesta sexta-feira, 10, ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, que o governo paulista aguardará o leilão federal para a contratação de energia de fontes renováveis e biomassa para definir o preço e a demanda ao programa desenvolvido no Estado para o fomento da energia cogerada do bagaço e da palha da cana-de-açúcar.

Segundo Jardim, o preço de referência do governo federal para o leilão de 27 de abril é de R$ 210 o megawatt/hora, enquanto o setor sucroenergético pedia entre R$ 240 e R$ 250 o MWh. "No Paraná a empresa de energia paga R$ 330. Vamos esperar o leilão federal para definir o daqui", disse.

No dia 3 de fevereiro, Jardim disse que os chamados "leilões vocacionados" para fomentar o setor sucroenergético em São Paulo poderiam ser lançados em até dois meses, o que não ocorreu. Além da espera pelo leilão federal, Jardim admitiu que o governo "corre contra o tempo" para fechar a operação de apoio à energia cogerada a partir da biomassa que envolve, além do governo paulista, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e o governo federal.

Segundo o secretário, o governo de São Paulo e as empresas estatais, ou com participação pública, como Metrô e Sabesp, seriam os demandadores da energia a ser leiloada e a Cesp, a geradora e fornecedora.

A estatal de energia já participa da distribuição e participaria também da geração em parceria com as usinas. "Estamos mensurando com os órgãos do Estado qual a demanda para de contratação de energia.

A Cesp aprovou em conselho a alteração estatutária que ainda precisa passar por uma assembleia para permitir que entre como parceria na geração", explicou o secretário. Ainda segundo ele, o governo federal deve apoiar as operações para a conexão entre as geradoras e as redes de alta tensão, que necessariamente precisam de uma subestação a ser construída.

Jardim revelou ao Broadcast que a região entre Guaíra e Morro Agudo, no Nordeste de São Paulo, e ainda em Jaú, mais o Centro do Estado, pela proximidade a um grande número de usinas e pela facilidade de conexão, devem sediar as subestações. (Agência Estado 10/04/2015)

 

Governo do Piauí quer reduzir ICMS sobre etanol e aumentar da gasolina

O Governo do Piauí pretende alterar a tributação sobre combustíveis. A proposta, apresentada esta semana pelo governador Wellington Dias (PT) durante visita à Assembleia Legislativa do Piauí, é diminuir em 6 pontos percentuais o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o etanol e aumentar em 2 pontos sobre gasolina, para incentivar o consumo do álcool combustível. Com a estratégia, o Governo prevê a arrecadação de R$ 50 milhões por ano, que seriam destinados ao fundo de segurança.

Com os novos números, o ICMS do etanol cairia de 25% para 19%, enquanto que de outros combustíveis, a alíquota iria de 17% para 19%. “Estamos criando uma política de incentivo voltada para o etanol, para que seja misturado com a gasolina, o biocombustível dentro do próprio estado, reduzindo o ICMS e adaptando os demais combustíveis para que a gente gere receita especial”, disse o governador.

Na última semana a diferença de preço entre o hidratado e a gasolina nos postos do Estado esteve em 82%. O Piauí consome cerca de 1% de todo combustível utilizado pelo Brasil no Ciclo Otto.

Estimativas

A possibilidade de redução de seis pontos percentuais na alíquota do ICMS do etanol repercutiu entre os empreendedores e a população do Estado. Setores de produção de etanol no Piauí garantem aumento na produção do combustível, caso o reajuste seja aprovado, e postos já criam expectativas para baixar o preço.

A medida satisfaz o bolso do consumidor, que também será contemplado com a redução. De acordo com Flávio Cordeiro, proprietário de um posto de gasolina em Teresina, o reajuste pode proporcionar uma redução de até R$ 0,15. “O benefício disso vai ser diretamente para o consumidor. Com a redução da alíquota é certo que o preço deve baixar e isso fará com que o consumidor passe a avaliar mais o tipo de combustível usado. Se houver mesmo uma redução em torno de 6%, a possibilidade é de que o preço caia até R$ 0,15”, coloca Flávio.

A diminuição do preço não acontecerá, no entanto, ao tempo que a medida for aprovada. De acordo com Flávio, um estudo de preço médio ponderado deve ser feito antes de diminuir ou não o valor do combustível. “A lei diz que tem que haver o cálculo do Preço Médio Ponderado. Só depois disso temos como ver como ficará o preço caso esse reajuste seja de fato aprovado”, completa o empresário.

A redução deve influenciar a produção anual de cana-de-açúcar no Piauí. Segundo estimativas do empresário Luís Fernando, diretor do Grupo Olho D’água, que é responsável por grande parte da produção sucroalcooleira do Estado, o número de litros a serem produzidos por ano pode aumentar por conta do incentivo.

“Essa modificação cria uma condição de direcionamento e aumento da produção de etanol no Estado. Hoje em dia produzimos algo em torno de 35 milhões de litros anuais. Com a redução da alíquota isso pode representar um crescimento na produção de até 15 milhões de litros”, afirma.

Luís Fernando aposta também no crescimento do uso de etanol hidratado pelos motoristas, caso o preço se torne mais competitivo. “Há também a possibilidade de que aumente o uso de etanol hidratado. Atualmente o etanol chega a ser caro para usar nos veículos”, completa. (O Dia de Piauí 10/04/2015)

 

Com o tanque cheio

A aquisição da BG dá à Shell acesso a operações estratégicas no pré-sal brasileiro.

Na primeira grande fusão de empresas do setor de petróleo em mais de dez anos, a Shell adquiriu o British Group, formado a partir da antiga British Gas, por 47 bilhões de libras, cerca de 70 bilhões de dólares. O principal atrativo da BG são seus projetos no Brasil, Leste da África, Austrália, Cazaquistão e Egito. "O resultado será uma empresa mais competitiva e sólida para todos os nossos acionistas no atual contexto de volatilidade dos preços do petróleo", declarou Jorma Ollila, presidente da Shell, na quarta-feira 8.

Um aspecto importante para o fechamento da compra foi a possibilidade de incorporação das operações no Brasil, citado sete vezes pelo diretor-geral da Shell, Ben van Beurden, no anúncio da transação. O País e a Austrália concentram os negócios internacionais mais relevantes da empresa. "A BG adicionará cinco descobertas de classe mundial em águas profundas no pré-sal, com expectativa de utilização de 15 navios-plataforma (FPSO, em inglês), dos quais cinco estão em produção." Antes da fusão, a Shell atuava com duas dessas embarcações.

A produção combinada das duas empresas britânicas no Brasil atingiu 130 mil barris equivalentes de petróleo diários em dezembro do ano passado e poderá chegar a 550 mil barris por dia no fim da década. "E um negócio altamente complementar, em uma província lucrativa."

A exploração em águas profundas e a integração com a obtenção de gás são uma prioridade crescente para a Shell, destacou Van Beurden. A empresa faz prospecções na plataforma marítima brasileira desde o fim dos anos 1990. Em 2013, pagou 1,4 bilhão de dólares para explorar o Campo de Libra do pré-sal. Segundo o executivo, "a experiência obtida, em particular no trabalho com a Petrobras em águas profundas, dá-nos uma grande confiança na lucratividade e no potencial de crescimento das atuais posições da BG no Brasil". Os negócios da Shell no País abrangem o varejo de combustíveis por meio da Raízen, uma joint venture de "retornos atrativos" formada com a Cosan.

Os preços do petróleo despencaram desde meados do ano passado, graças ao boom do óleo de xisto nos Estados Unidos e à decisão da Arábia Saudita de não reduzir a produção. A situação é semelhante à do início dos anos 2000, favorável a grandes fusões de empresas do setor. Naquele período, a BP adquiriu a Amoco e a Arco, a Exxon comprou a Mobil e a Chevron fundiu-se à Texaco.

Segundo o levantamento realizado pela revista Forbes com base no critério de produção diária de barris de petróleo em 2014, a maior empresa do setor é a Saudi Aramco, seguida pela russa Gazprom, a National Iranian Oil, a Exxon, dos Estados Unidos, a PetroChina, a BP e a Shell. Nas posições seguintes figuram a mexicana Pemex, a estadunidense Chevron, a Kuwait Petroleum, a Abu Dhabi National Oil, a argelina Sonatrach, a francesa Total e a Petrobras. (Carta Capital 11/04/2015)

 

Demanda chinesa dá novo status ao sorgo no mercado

Considerado o "primo pobre" do milho, o sorgo se tornou o "grão da vez" no mercado mundial graças a uma nova jogada da China.

Em busca de alternativas mais baratas para a ração animal, o país asiático deflagrou uma ofensiva de importação de sorgo que já mexe com as intenções de plantio nos Estados Unidos e na Argentina e chama a atenção de agricultores brasileiros.

Ainda não está clara qual será a extensão da demanda chinesa pelo cereal, mas a fresta aberta pelo gigante, dado seu incomparável apetite, foi o suficiente para gerar grande expectativa.

"Se há demanda, é claro que desperta a curiosidade do agricultor", diz Almir Dalpasquale, presidente da Aprosoja Brasil, associação que representa produtores de grãos do país. No curto prazo, acrescentou ele, esse movimento chinês não tende a mudar muito para o Brasil, mas há potencial num horizonte futuro.

"A China está investindo pesadamente em sua produção de milho, para garantir sua independência. Aí vem o sorgo, em uma provável mescla para alimentação animal".

Grande fornecedor de soja à China, o Brasil vem há anos tentando emplacar a exportação de maiores volumes de milho ao país asiático, sem sucesso.

A transformação do sorgo em cisne não passou despercebida à FAO, braço das Nações Unidas para agricultura e alimentação.

A entidade prevê um declínio de 8,45 milhões de toneladas no comércio mundial de milho nesta safra 2014/15, a 116 milhões de toneladas.

E estima uma elevação de quase 4 milhões de toneladas nas negociações de sorgo, para 10,5 milhões de toneladas, a maior parte destinada à China, que já é o maior comprador do grão.

A comercialização de milho é incontestavelmente mais expressiva, mas não se pode negar que há uma mudança em curso nesse mercado.

O sorgo do tipo granífero é substituto do milho na alimentação de aves, suínos e mesmo de bovinos. Segundo Cicero Menezes, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, o valor nutritivo do grão é menor que o do milho, mas pouco, de 5% a 10%.

"E o sorgo tem mais proteínas que o milho", diz. Ainda pouco popular no Brasil, a produção do grão deverá somar ínfimas 1,99 milhão de toneladas em 2014/15, 5,3% acima da safra passada, conforme a Conab. Com custo de produção normalmente menor que o do milho, o sorgo também pode ser usado na produção de ração.

A demanda firme por ração na China, o país é um dos principais produtores mundiais de carnes, e os preços elevados do milho em seu mercado têm sido importantes vetores desse reordenamento em favor do sorgo.

Os elevados subsídios de Pequim aos produtores de milho encarecem o grão aos criadores chineses: as cotações internas equivalem hoje a entre US$ 9 e US$ 10 por bushel, mais que o dobro do patamar de US$ 3,70 a US$ 3,90 por bushel na bolsa de Chicago, de acordo com Pedro Dejneka, sócio­diretor da consultoria AGR Brasil, em Chicago.

"Antes, o confinador na China buscava milho no exterior, mas o governo passou a colocar empecilhos para forçar a compra no mercado interno, porque há estoques de quase 100 milhões de toneladas no país", afirma ele.

Muitos analistas relacionam a corrida chinesa ao sorgo à devolução de carregamentos de milho transgênico dos EUA. Entre o fim de 2013 e o início de 2014, a China mandou de volta para os americanos ao menos 1 milhão de toneladas do grão com traços do MIR 162, um transgênico da multinacional Syngenta que não era aprovado no país asiático.

A autorização saiu mais tarde, em dezembro de 2014, mas as aquisições do sorgo americano já vinham acontecendo antes disso e continuaram firmes e fortes.

Uma questão tarifária também tem servido de combustível às importações da China.

O país possui um sistema que impõe taxas às compras de milho acima da cota estabelecida, que está próxima de 3 milhões de toneladas, mas existe uma brecha que dá maior flexibilidade à aquisição de outros grãos voltados à alimentação animal, como o sorgo.

"Não acredito que os chineses farão o mesmo que fizeram com a soja, mas o sorgo pode, cada vez mais, gerar oportunidades para os produtores", diz Dejneka.

Maior produtor de sorgo do Brasil, responsável por um terço da colheita total, Goiás tem potencial para ampliar significativamente a área dedicada à cultura, na avaliação de Bartolomeu Braz Pereira, vice-presidente da Faeg, federação que representa agricultores e pecuaristas do Estado.

Na safra de verão, as lavouras goianas ocupam 3,2 milhões de hectares com soja, mas apenas pouco mais de 1 milhão de hectares na safrinha, que é dividida entre milho e sorgo.

"Os 2 milhões restantes são áreas com janela de chuvas aptas ao sorgo. Eu mesmo poderia até triplicar minha produção se demanda e logística fossem viabilizadas", diz Pereira, que cultiva 400 hectares de sorgo em Padre Bernardo e Niquelândia, norte do Estado.

O sorgo é mais resistente à escassez hídrica e costuma ser a aposta dos agricultores quando o calendário do plantio de milho aperta.

O grão também é menos exigente em adubação, embora não se possa descuidar desse trato. De acordo com Menezes, da Embrapa, o sorgo tem raiz profunda, que vai buscar nutrientes.

"Se o agricultor não aduba, o solo se exaure e a soja que vem depois tem dificuldades. Essa prática tem deposto contra o sorgo", diz. O fato é que o custo de produção do sorgo chega a ser 40% menor que o do milho, R$ 1.400 por hectare atualmente, segundo Bartolomeu Pereira. O consultor Enio Fernandes, da Terra Agronegócio, pondera, contudo, que muitas vezes essa diferença pode diminuir para 10%.

E que o milho normalmente dá mais retorno econômico, porque a produtividade é maior e o preço costuma ser mais elevado.

O rendimento médio do sorgo está em 2,7 mil quilos por hectare no Brasil, e o do milho, em 5,2 mil. Já a cotação da saca de 60 quilos do sorgo está em R$ 19 em Goiás, 25% abaixo da de seu rival.

"Mas é um mercado de oportunidade, que não deve ser desprezado", afirma Fernandes. Além de Goiás, especialistas apontam oportunidade de avanço do sorgo em outros Estados do Centro-Oeste e na região conhecida como "Mapitoba" (confluência de Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), regiões sujeitas a veranicos no inverno, embora também se façam necessários investimentos em melhoramento genético.

"Se o sorgo ganhasse o mesmo tratamento do milho, seria mais competitivo, com produtividade similar ou até maior", diz Rubens Miranda, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo. (Valor Econômico 13/04/2015)

 

Dólar ameaça ganho da Petrobras com sobre preço dos combustíveis

Estatal conseguiu recuperar R$ 6,4 bi das perdas de R$ 90 bi acumuladas de 4 anos de defasagem. Ganho, que chegou a R$ 2,6 bi em janeiro, caiu para cerca de R$ 500 mi com alta da moeda dos EUA.

Depois de quatro anos de perdas com a defasagem nos preços dos combustíveis, que lhe causou rombo estimado em até R$ 90 bilhões, a Petrobras conseguiu, entre novembro e fevereiro, recuperar R$ 6,4 bilhões na venda de gasolina e diesel, graças à queda de mais de 60% na cotação do óleo entre julho e janeiro. A alta do dólar, porém, está eliminando o benefício.

O ritmo dos ganhos, no começo do ano, era um alento à diretoria da empresa, então chefiada por Graça Foster, às voltas com a necessidade de preservar o caixa, que sofria, além da defasagem acumulada, com a pressão de enormes investimentos e dívidas.

A oportunidade, porém, deve ser definitivamente extinta ainda neste ano, caso dólar e barril continuem subindo, como previsto.

Segundo o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), que fez a conta dos ganhos a pedido da Folha, em janeiro, quando o barril chegou a US$ 42, a Petrobras, que não atrela seus preços à cotação externa, vendia gasolina e diesel 56,8% e 50,8% mais caros, respectivamente, do que lá fora. Embolsou, no período, R$ 2,6 bilhões a mais.

Com a alta do dólar e a recuperação do barril, a defasagem caiu para 17% e 19%, respectivamente, em fevereiro, derrubando o ganho extra para R$ 1,1 bilhão no mês.

Em março, quando o dólar acumulava ganho de 20% e o barril foi a US$ 57, a gasolina e o diesel brasileiro estavam apenas 0,7% e 13,7% mais caros. O CBIE não estimou o ganho com esse período ainda, mas o mercado crê que tenha sido de pouco mais de R$ 500 milhões.

Recuos nas cotações do dólar, para R$ 3,10 e do barril, para US$ 53, na primeira semana deste mês, aumentaram o sobrepreço para 2,5% na gasolina e 17% no diesel.

Esses cenários, porém, não são esperados para os próximos meses. A previsão do mercado, segundo o boletim Focus, do BC, é de câmbio de R$ 3,25 até o fim do ano.

"Se a economia americana continuar crescendo, o barril também vai subir", afirma Celson Plácido, estrategista-chefe da corretora XP.

A Petrobras é impedida pelo governo, seu controlador, de ajustar os preços da gasolina e do diesel às cotações internacionais. Para evitar o impacto inflacionário, foi obrigada a vender combustíveis mais baratos do que lá fora, entre 2011 e 2014.

Foi salva das perdas graças à queda do barril, desde julho, quando estava perto de US$ 110. Nessa época, decidiu-se que os preços também não seriam ajustados para baixo, a fim de que a empresa pudesse ganhar com a situação.

ÓLEO PESADO

A receita da companhia com venda de combustíveis sofre impacto da cotação no exterior porque suas refinarias precisam de grande volume de petróleo leve, comprado no exterior, para produzir gasolina e diesel, já que o óleo extraído no Brasil, ainda predominantemente da bacia de Campos, é pesado.

E, justamente por ser pesado, é exportado com desconto de US$ 10 em relação à cotação do barril de Brent, referência internacional. A Petrobras também importa parte dos combustíveis que vende, porque não consegue atender toda a demanda interna.

"No balanço final, a Petrobras é uma importadora, e por isso a alta do dólar a prejudica. Além disso, sua dívida é 70% em dólar", diz Adriano Pires, sócio do CBIE.

"A oportunidade com a defasagem positiva está definitivamente acabando. Outro reajuste é urgente". (Folha de São Paulo 13/04/2015

 

Crise se espalha e já coloca em risco as conquistas da nova classe média

Com o aumento da inflação e a redução de vagas de emprego, ganhos obtidos nos últimos anos, como o acesso ao ensino superior e a serviços mais sofisticados, voltam a ficar mais distantes.

Um dos méritos dos tempos de crescimento econômico e das políticas sociais do governo foi garantir que a chamada nova classe média pudesse olhar no longo prazo e planejar o futuro. Segundo especialistas em baixa renda, os 35 milhões de brasileiros que saíram da pobreza tiveram acesso não apenas ao iogurte e ao televisor de 42 polegadas. Finalmente puderam almejar o ensino superior, a casa própria em área com infraestrutura básica e assumir gastos fixos com serviços mais sofisticados - como a internet, que amplia a rede de amigos e as oportunidades de trabalho. Mas a recessão que ronda o País pode comprometer a escalada na pirâmide social.

Dois indicadores divulgados na semana passada sinalizaram uma tendência nefasta para essa parcela. De um lado, o IPCA, que mede a inflação oficial do País, passou de 8% no acumulado em 12 meses. A taxa de desemprego da Pnad Contínua, que detalha o mercado de trabalho em 3,5 mil municípios, subiu para 7,4% no trimestre encerrado em fevereiro. Há um milhão a mais de desempregados. Ou seja, os números atestam a deterioração simultânea do emprego formal e do poder de compra.

“Ninguém duvida que a fantástica ascensão da classe média vai dar uma brecada”, diz Ricardo Paes de Barros, professor do Insper e pesquisador dedicado a temas como desigualdade social, educação, pobreza e mercado de trabalho. “A discussão agora é se a crise será grave o suficiente para reverter seus ganhos.” Como esse segmento da população está espalhado pelo País e atua nos mais diversos setores da economia, Paes de Barros acredita que a “brecada” não é homogênea. Neste momento, tende a ser sentida por moradores de grandes centros urbanos. “A parcela urbana é mais conectada à economia de mercado e, por isso, mais sensível às suas variações”, diz.

O cenário, porém, é “preocupante”, na avaliação de Luciana Aguiar, diretora da Plano CDE, empresa especializada em baixa renda. “As despesas da casa, com aluguel e supermercado, consomem quase 40% da renda, sem incluir luz e água, que também aumentaram. O poder de compra caiu e, se perder o emprego formal, essa parte da população fica refém do curto prazo: volta a administrar a sobrevivência no dia a dia e esquece o futuro.” 

Segundo a economista Alessandra Ribeiro, da Tendência Consultoria, já é possível identificar arranhões na conquista mais preciosa - a carteira de trabalho assinada. Pela primeira vez desde a eclosão da crise internacional em 2008, as empresas fecham postos de trabalho. Em janeiro e fevereiro, o saldo (relação entre contratações e demissões) foi negativo, indicando extinção de vagas.

No detalhe

O maior problema está no detalhe: “Os setores que mais demitiram, construção e indústria, pagavam salários entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, o que atinge em cheio a classe emergente.” Descontando oscilações naturais do período, 143 mil vagas foram extintas nesses setores. O estágio do estudante Thiago Souza, 28 anos, de Osasco, em São Paulo, foi uma delas.

Em 2009, depois de perder o emprego como metalúrgico, Souza escolheu cursar engenharia civil: “Falavam em apagão de engenheiros e parecia ter futuro.” No segundo ano do curso, já estava no canteiro de obras. Passou por grandes empresas, como PDG. Em janeiro passado, ganhava R$ 1,5 mil como estagiário na francesa Setec, empresa especializada em projetos para grandes obras púbicas e acalentava a contratação. No entanto, com a paralisia no setor de obras, foi demitido. “Como não aparece nada na área, ajudo um amigo que tem uma franquia de chope”, diz. Ganha por mês R$ 1 mil - R$ 450 cobrem metade da mensalidade do último ano do curso. A outra parte é custeada por bolsa de estudo pública. Com o restante, ajuda a mãe, que também ganha cerca de R$ 1 mil.

Durante a crise dos anos 80, ficou famoso o engenheiro que, sem perspectiva de atuar na área, abriu uma lanchonete na Avenida Paulista, em São Paulo, e batizou o local de O Engenheiro que Virou Suco. Souza espera que, após tanto esforço, não se forme para ser o engenheiro que virou chope.

Fiscal

No que se refere aos mais pobres, que ainda almejam chegar à classe C, a discussão é outra. Segundo o economista Paes de Barros, a parcela bem mais pobre está escondida no interior do País: “Não se conectou ao mercado e, assim, é menos sensível a ganhos e também a perdas da economia”, diz. “A propagação da crise entre eles vai depender do ajuste fiscal: se o governo organizar o gasto público e preservar os programas, a crise não se espalha.” 

Para se entender a força de uma política pública, basta olhar o que ocorre com as bolsas de estudo, fundamentais para que boa parte da classe C entre na universidade. Especialistas em contas públicas defendem que as bolsas eram concedidas indiscriminadamente, sem garantia de retorno para o aluno e o País. Era preciso mudar. Mas, pelas estimativas do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior em São Paulo, a reorganização tem custos sociais: 400 mil jovens de baixa renda vão desistir da faculdade. (O Estado de São Paulo 12/04/2015)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Menos chocolate: Os preços do cacau caíram na sexta-feira na bolsa de Nova York ante apostas pessimistas sobre os dados de moagem global no primeiro trimestre. Os lotes para julho fecharam a US$ 2.783 a tonelada, um recuo de US$ 6. Os analistas acreditam que a moagem das indústrias da Europa e da América do Norte, maiores fornecedoras mundiais de subprodutos do cacau, tenha caído 5% entre janeiro e março. Para a Ásia, a projeção é que o processamento tenha sofrido um tombo de até 25%, segundo Thomas Hartmann, da TH Consultoria. As indústrias européias divulgarão na quinta-feira o volume moído entre janeiro e março. No mercado doméstico, o preço médio do cacau em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, subiu para R$ 115,50 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Laranja: Efeito USDA: O mercado do suco de laranja seguiu em queda livre na sexta-feira na bolsa de Nova York, como reflexo da projeção para a safra da Flórida divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os lotes do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para julho caíram 375 pontos, a US$ 1,1455 a libra-peso. O órgão pegou os investidores no contrapé e manteve sua estimativa de 102 milhões de caixas para a safra 2014/15 na Flórida, enquanto as apostas era de uma redução no cálculo. As cotações da bebida já têm sofrido forte pressão diante da desaceleração do consumo nos mercados desenvolvidos. No mercado interno, o preço da laranja para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq manteve-se em R$ 11 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Estoque surpreendente: As cotações do algodão caíram na sexta-feira na bolsa de Nova York, sob influência do fortalecimento do dólar e das projeções acima do esperado para a oferta. Os contratos para entrega em julho caíram 73 pontos, a 65,40 centavos de dólar a libra-peso. No dia anterior, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou estoques de passagem no país acima do esperado, reflexo de um cálculo para a produção também acima do esperado. Além disso, a nova rodada de alta do dólar reduz ainda mais a competitividade da pluma americana no mercado internacional, desestimulando possíveis importadores do produto. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,36%, para R$ 2,1603 a libra-peso.

Soja: De grão em grão: O mercado da soja fechou próximo do menor valor em quase seis meses na sexta-feira na bolsa de Chicago após novas projeções de oferta elevada. Os contratos para julho caíram 2,25 centavos, a US$ 9,56 o bushel, o menor valor desde outubro do ano passado. Depois que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) elevou sua estimativa para a produção global na quinta-feira, na sexta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aumentou sua estimativa para a colheita do grão no Brasil para 94,3 milhões de toneladas, intensificando a pressão sobre as cotações. A alta do dólar também influencia a queda das cotações, pois reduz a competitividade da soja dos Estados Unidos. No Paraná, o preço médio da saca caiu 1,3%, para R$ 57,66 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 13/04/2015)