Setor sucroenergético

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John Deere pisa no freio e aborta projetos

A John Deere esperou o quanto pôde até pisar no freio. Mas bastaram os resultados do primeiro trimestre.

O faturamento permaneceu estagnado em relação ao mesmo período de 2014. Para a companhia adotar uma série de medidas anticíclicas.

Suspendeu a expansão da fábrica de tratores de Horizontina (RS), cancelou contratações temporárias e mandou para a gaveta os planos de aumentar a rede de revendedores.

Procurada pelo RR, a John Deere não confirmou as medidas, mas também não negou. (Jornal Relatório Reservado 16/04/2015

 

Fitch: refinanciamento no setor de açúcar e álcool preocupa

A capacidade de refinanciamento das companhias de açúcar e álcool, especialmente entre aquelas com classificação de risco mais baixo, é atualmente a preocupação principal da Fitch, disse o analista sênior do segmento, Claudio Miori, durante evento organizado pela agência em São Paulo.

"A capacidade de rolar dívidas de curto prazo e o acesso a linhas de longo prazo têm se mostrado complicados, a não ser em casos em que se oferecem terras como garantia", disse Miori. Segundo ele, os bancos bilaterais e o próprio BNDES têm feito empréstimos em condições mais restritivas. Ele lembrou que esse é um segmento intensivo em capital, com capex (investimento em bens de capital) elevado, e que as companhias com rating menor têm um fluxo de caixa negativo. Portanto, disse, "o risco de refinanciamento dessas empresas de ratings menores é muito alto".

Ele afirmou que o cenário para o açúcar em 2015 de modo geral é conservador, mas que no médio prazo existe perspectiva de recuperação de preços e influência positiva no caixa dessas empresas. Miori notou ainda que, havendo recuperação dos preços do açúcar, também melhora o humor do mercado e outras formas de financiamento voltam a ficar disponíveis.

"Entendemos que o setor continuará pressionado em 2015, os estoques globais estão elevados e mesmo que o déficit global exista (oferta menor que demanda) não vai ser relevante para recuperar os preços agora", disse. No entanto, acrescentou, algum efeito positivo pode acontecer na próxima safra global. Ele disse ainda que o real enfraquecido pode agir contra essa tendência, já que os exportadores podem ficar estimulados a colocar mais açúcar no mercado e ao mesmo tempo reduzir os preços para manter a competitividade. (Agência Estado 14/04/2015)

 

Açúcar: Produções robustas

Indicações de oferta confortável na nova safra mundial, a 2015/16, e vendas técnicas dos fundos pressionaram os futuros do açúcar ontem na bolsa de Nova York.

Os lotes do demerara para julho caíram 12 pontos, a 12,92 centavos de dólar a libra-peso.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que a Tailândia, segundo maior exportador da commodity, deve produzir 11,4 milhões de toneladas de açúcar no novo ciclo, 4% a mais que na temporada anterior.

Na Índia, o governo tem se movido para proteger os produtores locais, com possível aumento do imposto de importação.

As notícias se somam às recentes projeções de safra para o Centro-Sul do Brasil.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,25%, para R$ 51,57 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 16/04/2015)

 

Mais cana e menos laranja em São Paulo na nova temporada

Apesar da melhora do clima, a queda dos investimentos nas plantações deverá limitar o aumento da produção de cana-de-açúcar em São Paulo nesta safra 2015/16, cuja moagem teve início na segunda quinzena de fevereiro.

O diagnóstico é do secretário da Agricultura do Estado, Arnaldo Jardim. Levantamento recém-concluído pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), ambos ligados à secretaria, aponta que a produção de cana para processamento alcançará 412 milhões de toneladas no novo ciclo, 2,7% a mais que no anterior. IEA e Cati trabalham com o conceito de ano-agrícola e consideram que a temporada das culturas perenes que está começando é a 2014/15, diferentemente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que já está em 2015/16 por usar para as perenes o conceito de ano-comercial, também seguido pelo Valor.

Conforme os dados compilados por IEA e Cati, o incremento previsto para a produção paulista de cana decorre de uma área plantada 1,1% maior (6,1 milhões de hectares) e de um aumento de produtividade de 1,2% (73,9 toneladas por hectare).

Mas, segundo o secretário Jardim, o avanço da produtividade poderia ser maior, não fossem a baixa qualidade da manutenção dos canaviais e problemas localizados em regiões como Araraquara e Piracicaba, nas quais estão em queda as áreas em produção e as colheitas esperadas.

Particularmente em Piracicaba, apontam IEA e Cati, a declividade do solo impede o uso de colhedoras e afeta a mecanização definida pelo Protocolo Agroambiental do Estado, o que também colabora para conter a atividade na região.

"De um modo geral o clima melhorou, mas as margens apertadas dos produtores têm afetado os investimentos nas lavouras", disse Jardim.

O secretário realçou que, em um passado não muito distante, a produtividade médias dos canaviais do Estado chegou a ser mais de 10% superior à atual (ver infográfico).

No levantamento recém-concluído por IEA e Cati também constam as primeiras projeções desses órgãos para a produção de laranja em São Paulo em 2015/16 ou 2014/15, se for considerado o ano-agrícola.

O volume total deve atingir 284,38 milhões de caixas de 40,8 quilos (11,6 milhões de toneladas), 2,2% menos que no ciclo passado.

Segundo análise dos órgãos ligados à Secretaria da Agricultura, apesar das boas floradas iniciais a escassez hídrica que atingiu o Estado desde o fim de 2013 e as elevadas temperaturas têm prejudicado a formação e o desenvolvimento dos pomares, mesmo com as recentes chuvas de verão, que foram menos regulares que o necessário.

A produção de laranja prevista inclui frutas comerciais, para mesa e para processamento, e aquelas provenientes de pomares sem expressão econômica.

No total, a área plantada em São Paulo chega a 483,6 mil hectares em 2015/16, ante 481,1 mil no ciclo 2014/15, mas a tendência de queda dos pomares em produção continua.

No caso do café, IEA e Cati estimam que a produção paulista alcançará 3,953 milhões de caixas de 60 quilos (237,2 mil toneladas), quase 14% menos que na temporada passada, em consequência dos reflexos adversos da estiagem do ano passado. (Valor Econômico 16/04/2015)

 

CTC realiza evento inédito para fornecedores de cana-de-açúcar

CTC realiza evento inédito para fornecedores de cana-de-açúcar Cana.

Encontro promove apresentação de novas tecnologias desenvolvidas pela empresa.

Nesta terça-feira, 14 de abril, o CTC – Centro de Tecnologia Canavieira recebeu no Teatro do Engenho Central de Piracicaba cerca de 50 fornecedores de cana-de-açúcar para apresentar suas principais tecnologias e projetos inovadores.

“Este é um público que sempre foi de extrema importância para o CTC e queremos reforçar esse relacionamento mostrando a eles que é possível se sobressair em produtividade quando se investe em tecnologia”, explica Luis Gustavo Dollevedo, diretor comercial do CTC.

Durante o evento foram apresentados os projetos de Biotecnologia e Novo Sistema de Plantio, assim como o Modelo de Negócio do CTC. O diretor da Datagro, Plínio Nastari, encerrou o evento com uma palestra sobre os desafios do mercado sucroenergético.

Evento VIP Clube Plantar

Os fornecedores de cana-de-açúcar presentes representam os principais nomes do setor e foram convidados a fazer parte do Clube Plantar, que visa oferecer consultoria técnica especializada para este seleto grupo.

Entre os serviços destacam-se Sistematização, Conservação e Preparo do Solo; CTCSat; Adubação Mineral e Uso de Resíduos; Pragas e Doenças; Colheita Mecanizada, entre outros.

Após esta fase, o CTC expandirá o programa de forma regionalizada. “Faremos eventos como este nas principais associações da região Centro Sul”, afirma Dollevedo (Brasil Agro 16/04/2015)

 

Usinas continuam com forte representação na gestão das águas do Centro-Sul

O último mês de março pode ser considerado o Mês Da Água devido sua importância para as questões hídricas. Além de celebrar o Dia Mundial da Água (22), também marcou o encerramento das eleições para a renovação dos membros dos Comitês de Bacia do Estado de São Paulo.

São 22 Comitês com participação tripartite do Estado, dos Municípios e das Organizações Civis, com a missão de gestão das águas de domínio estadual. As eleições ocorrem a cada dois anos.

No âmbito do Estado são 15 Comitês com características canavieiras, ou seja, onde estão instaladas as unidades da agroindústria sucroenergética. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e os Sindicatos de Açúcar e de Álcool (SIAESP e SIFAESP) participaram das eleições nestes comitês e conquistaram vagas em 14 deles, como titular, suplente e como membro em Câmaras Técnicas.

Com esta participação, representando uma parcela significativa dos usuários industriais de água, o setor da cana demonstra quanto é importante a gestão descentralizada do recurso e a participação da sociedade civil nas tomadas de decisão, principalmente diante dos problemas de escassez que vem ocorrendo ultimamente (Unica 15/04/2015)

 

Sudam e Banco da Amazônia querem financiar usinas de etanol de batata doce

O superintendente da Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), Djalma Bezerra Mello, afirmou nesta quarta-feira, durante audiência pública no Senado Federal, a informação de financiamento de usinas de etanol de batata doce por intermédio do Banco da Amazônia.

De acordo com Djalma, os principais entraves para o desenvolvimento da Amazônia são a logística de transporte e a baixa troca de informação entre os estados amazonenses. (Agência Senado 15/04/2015)

 

Fitch descarta "upgrade" no rating da Biosev e da Jales Machado

O analista sênior de açúcar e etanol da Fitch, Claudio Miori, disse que o fim deste mês é o prazo final para que a agência de classificação de risco de crédito se posicione sobre a observação negativa feita em outubro para as sucroalcooleiras Biosev e Jales Machado.

Em entrevista durante evento da Fitch, em São Paulo, ele disse estar descartado um "upgrade" (elevação) da nota de crédito das duas empresas.

"O rating será ou mantido ou rebaixado, e a observação negativa pode ser retirada ou permanecer", explicou. Nas últimas semanas, a Fitch rebaixou as notas de crédito da Tonon Bioenergia e da USJ Açúcar e Álcool.

O "downgrade" foi motivado, em linhas gerais, pelo enfraquecimento do perfil financeiro dessas companhias, assim como pela geração negativa de fluxo de caixa livre (FCF) e um aumento da concentração dos débitos no curto prazo.

O analista da Fitch afirmou que a principal preocupação no momento é com a liquidez das companhias de açúcar e etanol no Brasil.

“O foco agora é liquidez e o acesso dessas companhias a financiamento e a rolagem de dívidas de curto prazo”.

Ele disse que neste ano o acesso a linhas de longo prazo está mais restrito a esse setor. A exceção vem sendo as empresas que têm terras para serem usadas como garantias desses empréstimos.

“O BNDES também está mais restritivo”, acrescentou.

Ele lembra que o setor sucroalcooleiro é intensivo de capital, o que torna a condição de liquidez dessas empresas mais complicada.

“Quando vier o ciclo de alta dos preços do açúcar, o humor dos bancos e investidores com esse setor tende a melhorar, facilitando, portanto, a vida dessas companhias”, afirma.

Além da liquidez, há também outras questões que estão sendo observadas pela agência na avaliação de risco.

“Operacionalmente, estamos analisando como será a moagem de cana, a produtividade dos canaviais, além de uso da capacidade instalada dessas empresas".

Na sua visão, os preços do etanol devem subir um pouco neste ano no Brasil, no entanto, não em níveis suficientes para aliviar a pressão existente hoje sobre o caixa das companhias sucroalcooleiras.

Para o açúcar, a perspectiva do analista, é de que haja um pequeno déficit mundial neste ciclo 2014/15, que se encerra em 30 de setembro deste ano, e um déficit um pouco maior em 2015/16.

“Os estoques da commodity estão altos. O equilíbrio global da commodity vai depender também do comportamento do dólar em relação às moedas dos países produtores, como o Brasil. O dólar valorizado ante o real tende a estimular as usinas brasileiras a exportar”, avalia Miori.

Ainda que uma remuneração maior venha do etanol este ano, os custos de produção também estão subindo, dada a alta dos juros básico da economia, o que deve impactar o fluxo de caixa dessas companhias.

“A alta do dólar também tende a jogar contra o setor, na medida em que as usinas têm uma elevada dívida na moeda americana”, afirmou.

Hoje, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixou os ratings de crédito corporativo da Tonon Bioenergia de ‘B’ para ‘CCC+’ na escala global.

Também rebaixou o rating de sua dívida com garantia de ‘B’ para ‘CCC+’ e também o rating atribuído ao seu bond sem garantia de ‘B-’ para ‘CCC’. Na semana passada, a agência Fitch também rebaixou os ratings da companhia. (Valor Econômico 15/04/2015 às 20h: 18m)

 

Produção de açúcar da Tailândia deve crescer 4% em 2015/16, diz USDA

A produção de açúcar da Tailândia deve crescer 4% em 2015/16 na comparação com a safra anterior, para 11,4 milhões de toneladas, principalmente devido a expansão da área cultivada de cana-de-açúcar, de acordo com estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A colheita de cana-de-açúcar deve aumentar entre 3% e 4% em 2015/16, para 107 milhões de toneladas.

E as exportações do país devem chegar a 8,8 milhões de toneladas, elevação de 10% ante a temporada anterior.

Os estoques de açúcar da Tailândia para o fim de 2014/15 e 2015/16 estão previstos em 5,7 milhões de toneladas e 2,6 milhões de toneladas, respectivamente. (Valor Econômico 15/04/2015 às 19h: 11m)

 

Governo já admite elevar a mistura de biodiesel

A Abiove (Associação das Indústrias de Óleos Vegetais) defende a taxa de mistura de biodiesel ao diesel acima de 7% em algumas regiões.

O Centro-Oeste seria uma delas. O litro do diesel S-10, com baixo teor de enxofre, chega a R$ 3,34 para o consumidor. O biodiesel pode ser retirado das usinas por R$ 2,20.

Enquanto não se tem um marco regulatório, setores do próprio governo veem com bons olhos a ampliação da mistura em algumas regiões.

Países como Argentina e Indonésia já utilizam 10% de mistura, enquanto o Brasil adotou 7% só em 2014.

A produção nacional vem crescendo e atingiu 3,5 bilhões de litros no ano passado, 17% mais do que em 2013. Para este ano, a projeção é que o setor aumente 20%.

Pressão interna: Os preços das principais commodities caem no mercado internacional. Algumas delas, no entanto, continuam em alta internamente devido à valorização do dólar. O resultado é uma pressão na taxa de inflação. A soja é uma delas.

Em queda: Negociada com recuo de 36% na Bolsa de Chicago em relação aos preços praticados há um ano, a oleaginosa está com alta de 7,4% no mercado atacadista, segundo dados do IGP-10, índice apurado pela FGV.

Carnes: Outro item de pressão no atacado, e que acaba refletindo no bolso do consumidor, é a carne bovina, que subiu 1,51% no atacado neste mês, segundo o IGP-10. Já a carne de frango, com a queda nas granjas, deverá diminuir a pressão para o consumidor.

Desaceleração: A exportação de etanol está com ritmo fraco neste mês, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Mesmo com o câmbio favorável, as vendas externas recuaram 84% ante as de abril de 2014. (Folha de São Paulo 16/04/2015)

 

China eleva compra de milho do Brasil

Ainda é pouco, mas a China começa a participar mais da cota das exportações de milho do Brasil. Após acordo assinado entre os dois países, o cereal brasileiro tem caminho livre para esse mercado asiático.

Praticamente ausentes do mercado brasileiro até então, os chineses compraram 52 mil toneladas de milho no primeiro trimestre, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Tradicional importadora de soja, a China começa a aumentar também as compras de milho, devido à maior demanda de cereal na produção de proteínas no país.

Em 2010, os chineses produziam 50,7 milhões de toneladas de carne suína. Neste ano, a produção deverá superar os 57 milhões de toneladas. Mesmo assim, o volume será insuficiente para a demanda interna de 58,3 milhões de toneladas.

O aumento da população nas cidades elevou a demanda por carnes, e a produção chinesa de milho de 214 milhões de toneladas -embora venha crescendo- não é suficiente para a demanda interna.

O aumento da demanda por milho na China é uma boa saída para o produto brasileiro. O país tem área disponível, e a produção do cereal vem aumentando nos últimos anos, principalmente em Mato Grosso, líder na soja.

Mas os números da importação chinesa no Brasil ainda são pequenos em relação aos de outros países da própria Ásia. Líderes nas compras do produto brasileiro, os vietnamitas levaram 1,28 milhão de toneladas do cereal nos três primeiros meses do ano. Outro quatro países asiáticos -Indonésia, Malásia, Taiwan e Coreia do Sul- também tiveram presença marcante na compra do cereal brasileiro.

O Japão, que há um ano era um dos líderes nas compras do produto brasileiro, voltou-se para os EUA, país que recompôs a produção, afetada pela seca de 2012. (Folha de São Paulo 16/04/2015)

 

PIS/Cofins deve encarecer crédito

A decisão do governo de restabelecer a cobrança de PIS e Cofins sobre receitas financeiras das empresas colocou em alerta as companhias e as áreas de crédito corporativo dos bancos.

A avaliação preliminar é que o decreto, editado em 1º de abril, não só vai onerar os recursos aplicados do caixa das companhias como deverá aumentar o custo da dívida, em especial o financiamento em moeda estrangeira.

As alíquotas, que foram zeradas em 2004, passarão para 0,65%, no caso do PIS, e 4% na Cofins, a partir de 1º de julho de 2015.

O governo estima uma arrecadação de R$ 2,7 bilhões com a cobrança, que deve atingir 80 mil empresas. O tributo será válido para quem recolhe o tributo pelo regime não-cumulativo.

Em linhas gerais, os tributos incidirão sobre qualquer ganho financeiro obtido pelas empresas, desde um rendimento com a aplicação do caixa em um Certificado de Depósito Bancário (CDB) até a variação cambial positiva de um empréstimo obtido no exterior.

O problema, na avaliação de bancos e consultores, é que o governo não previu no decreto a compensação das eventuais despesas financeiras no pagamento do imposto, como havia no passado. Por outro lado, a alíquota que passará a ser cobrada é menor do que os 9,25% que existiam antes.

Para as companhias que recolhem o tributo no regime de caixa, o pagamento do imposto no caso de um ganho financeiro de uma desvalorização do dólar ocorrerá apenas no vencimento das operações.

A maior parte das empresas, porém, apura hoje o PIS/Cofins pelo regime de competência, no qual o cálculo do imposto é feito mensalmente.

No caso de uma empresa com financiamento em dólares, se a moeda americana sofrer desvalorização em um determinado mês, o ganho contábil do período estará sujeito à tributação, mas se no mês seguinte a moeda subir a perda não poderá ser compensada.

"Quanto mais volátil o dólar, maior será o imposto a pagar", resume o diretor de tesouraria de um banco estrangeiro.

O caso mais extremo é o de empresas que contrataram financiamento em dólar "casado" com um contrato de swap, que converte o passivo em moeda estrangeira para a taxa interbancária (CDI), referencial para o financiamento em reais.

Esse tipo de operação é usado principalmente por companhias que não contam com receita em moeda estrangeira.

Nesse caso, a incidência do imposto ocorrerá todos os meses, uma vez que a empresa sempre terá algum ganho a ser tributado, seja na variação cambial ou no derivativo usado para proteger o balanço.

Diante da farta liquidez no mercado internacional e das taxas de juros baixas, os empréstimos externos se tornaram uma fonte alternativa para as empresas em meio à piora no cenário local, mesmo para aquelas que não são exportadoras, conforme reportagem publicada pelo Valor nesta semana.

Em média, o custo dessas linhas estava saindo de 5% a 10% do CDI mais barato do que linhas domésticas, diz o executivo de um banco de atacado.

O executivo de um banco de grande porte diz que o fluxo desse tipo de negócio "zerou" desde o anúncio da mudança na alíquota.

Como o imposto incidirá em todo o estoque de operações, e não só nos financiamentos novos, algumas companhias já avaliam a possibilidade de pré-pagar as linhas tomadas fora do país para escapar da cobrança.

"Se isso ocorrer, até mesmo a cotação do dólar pode sofrer impacto", diz um executivo de banco.

Com a expectativa de custos mais altos nas linhas externas, a demanda das companhias deve se concentrar em empréstimos locais e emissões de debêntures.

A consequência natural da maior procura deve ser um aumento dos spreads nas operações.

"A medida terá impacto na administração de caixa de todas as empresas e também na estruturação dos produtos bancários", diz Fabio de Almeida Braga, sócio do Demarest Advogados.

A incidência do imposto pode ter como outro efeito colateral a redução na procura por hedge (proteção) pelas empresas contra a alta do dólar.

O custo do hedge é historicamente alto no país em razão da diferença entre as taxas de juros locais e externas.

"As empresas de maior porte podem optar por migrar as operações de hedge para fora do país", diz Fabio Zenaro, gerente-executivo de produtos e negócios da Cetip.

O estoque de operações de swap cambial, um dos instrumentos usados pelas empresas para proteger as dívidas contra a oscilação do dólar, registrado na Cetip fechou março em pouco mais de R$ 140 bilhões, uma alta de 28% em relação ao mesmo período do ano passado.

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) avalia agora se tomará alguma medida em relação ao tema. Anteontem, a entidade de reuniu com a PwC.

No encontro, os executivos de bancos e os especialistas em tributação avaliaram se existia algum produto alternativo com função de hedge, mas sem a incidência de PIS/Cofins. A conclusão, pelo menos temporária, foi que não havia opção.

Outras entidades, como a Fecomercio-SP (varejo) e a Fiesp (indústria), também avaliam o impacto das medidas, que pegaram as companhias de surpresa. (Valor Econômico 16/04/2015)

 

Próximo de Lula: PF prende Vaccari, tesoureiro do PT

O tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, preparava-se desde outubro para o dia de sua prisão. Um mês após a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), o bancário de 56 anos disse a um aliado: "Achei que fossem me prender durante a campanha e estava pronto para isso."

O mantra do tesoureiro petista sempre foi o de que a Operação Lava Jato queria "transformar doações legais em ilegais e criar um fato midiático" com a sua prisão.

"Eu sei o que fiz. Nunca operei com Paulo Roberto Costa", repetia em reuniões do PT e nos corredores da sede nacional do partido, em São Paulo.

Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Costa citou Vaccari em delação premiada como um dos operadores do esquema de desvio de recursos da estatal.

Até as vésperas de sua detenção pela Polícia Federal, nesta quarta-feira (14), Vaccari garantia a dirigentes do PT que não havia provas contra ele. "São só citações, gente falando que me conhece mas ninguém diz que me deu dinheiro ilegalmente."

No despacho de prisão do tesoureiro, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, escreveu que Vaccari usou uma gráfica para lavar propina ao PT. A empresa, Gráfica e Editora Atitude, é do Sindicado dos Metalúrgicos do ABC e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, do qual o petista também comandou as finanças.

Embasado pela opinião de seus advogados e com o respaldo do presidente nacional do PT, Rui Falcão, Vaccari se segurou no cargo.

A família do tesoureiro, que não queria que ele assumisse as finanças petistas, insistiu que permanecesse firme até o último minuto, mesmo sob pressão de diversos outros petistas.

O ex-presidente Lula também apoiava sua permanecia à frente da tesouraria do PT mas, nos últimos dias, com o fechamento do cerco em torno de Vaccari, havia dito a aliados que preferia sua saída imediata para evitar ainda mais desgaste para o PT.

E foi Lula quem fechou com Falcão a reação petista em reunião nesta quarta-feira, no Instituto Lula. O ex-presidente orientou que o PT emitisse nota em defesa de Vaccari e que anunciasse que era ele quem pedia o afastamento do cargo, na tentativa de eximir a cúpula petista do ônus de uma saída tão protelada. (Folha de São Paulo 16/04/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Produções robustas: Indicações de oferta confortável na nova safra mundial, a 2015/16, e vendas técnicas dos fundos pressionaram os futuros do açúcar ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do demerara para julho caíram 12 pontos, a 12,92 centavos de dólar a libra-peso. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que a Tailândia, segundo maior exportador da commodity, deve produzir 11,4 milhões de toneladas de açúcar no novo ciclo, 4% a mais que na temporada anterior. Na Índia, o governo tem se movido para proteger os produtores locais, com possível aumento do imposto de importação. As notícias se somam às recentes projeções de safra para o Centro-Sul do Brasil. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal subiu 0,25%, para R$ 51,57 a saca de 50 quilos.

Cacau: Moagem no foco: As cotações do cacau registraram desvalorização ontem na bolsa de Nova York, devolvendo os ganhos das últimas duas sessões, em meio a ajustes técnicos dos traders. Os contratos para entrega em julho fecharam com recuo de US$ 25 a US$ 2.822 a tonelada. Os investidores buscaram afinar suas posições na véspera da divulgação dos dados de processamento de cacau do primeiro trimestre na Europa e na América do Norte, que lideram a moagem global da amêndoa. Os fundos de investimento também aproveitaram as altas das duas sessões anteriores para tentar embolsar os ganhos acumulados. No mercado doméstico, o preço médio do cacau nas praças de Ilhéus e Itabuna ficou em R$ 116 a arroba no dia 14, data dos últimos dados disponíveis da Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Euforia com demanda: Os investidores da soja voltaram a elevar suas apostas na bolsa de Chicago ante especulações de uma retomada da demanda. Os lotes para julho subiram 3,75 centavos, para US$ 9,6775 o bushel. A associação que reúne as indústrias de soja dos Estados Unidos informou que a moagem em março foi de 162,8 milhões de toneladas, acima das expectativas, o que deu fôlego aos preços. Os traders acreditam que os chineses voltarão a comprar soja americana por causa dos baixos preços em Chicago e da alta do grão no país asiático. Porém, o foco das indústrias da China ainda está na safra sul-americana. Em meio às especulações, os fundos aproveitaram para cobrir posições vendidas. No mercado interno, o preço médio da soja no Paraná caiu 0,43%, para R$ 57,95 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Trigo: Mais chuvas: O clima chuvoso nas áreas produtoras dos Estados Unidos tem intensificado a pressão sobre as cotações do trigo nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para julho caíram 7,50 centavos, a US$ 4,89 o bushel. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento recuaram 7,75 centavos, a US$ 5,18 o bushel. A empresa de meteorologia DTN indicou que "precipitações significativas nesta semana sobre a maior parte do cinturão de trigo no sul das Grandes Planícies vão ser muito benéficas para a safra". As expectativas com a Rússia arrefeceram, já que o Kremlin decidiu aguardar uma definição da safra de inverno para retirar ou prorrogar o imposto sobre as exportações. No mercado interno, o preço médio do cereal no Paraná subiu 0,43%, a R$ 35,42 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 16/04/2015)