Setor sucroenergético

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Moeda impõe resultado amargo a usinas de cana

http://www.valor.com.br/financas/4013630/moeda-impoe-resultado-amargo-usinas-de-cana

Já com uma percepção de risco elevado, as usinas de cana-de-açúcar do país devem trazer balanços mais "amargos" com a valorização do dólar.

As empresas contam basicamente com o chamado hedge natural de receitas de exportação de açúcar e etanol para proteger parte de seu endividamento na moeda estrangeira.

Assim, a oscilação da cotação é incorporada na dívida de forma imediata, elevando a alavancagem das empresas. A estimativa é que, na média, 40% do endividamento das usinas brasileiras esteja em moeda estrangeira.

Mas algumas companhias têm percentuais acima desse patamar, tais como a francesa Tereos, detentora de operações de cana-de-açúcar e amidos no Brasil e na Europa.

Ao fim do trimestre encerrado em 31 de dezembro passado, a companhia informava uma dívida bruta de R$ 5,470 bilhões, sendo 49% em dólar, 29% em euro, 23% em reais e 1% em outras moedas.

No último trimestre de 2014, a companhia já sentiu os efeitos da variação cambial. Teve uma queda do lucro líquido para R$ 1 milhão, ante os R$ 19 milhões registrados em igual trimestre do exercício anterior. Pesou, além de outros fatores, uma perda cambial líquida de R$ 48 milhões, conforme informado pela companhia.

O analista sênior de açúcar e etanol da Fitch, Cláudio Miori, diz que não há grandes problemas, apesar de o balanço ficar com a cara mais "feia" quando essas dívidas em moeda estrangeira são tomadas para financiar exportações, pois o próprio fluxo de receita em dólar será usado para pagar a dívida.

A grande questão, diz ele, é o tamanho da dívida em dólar versus as exportações e o intervalo de tempo entre o pagamento de uma e o recebimento de outra.

"Se as dívidas na moeda americana são desproporcionalmente maiores em relação às receitas na mesma divisa, o risco aumenta", explica.

O aumento do risco associado a essa indústria tende a espantar o crédito já escasso às empresas do setor, que têm dívidas que superam seu faturamento e atravessam uma crise que começou em 2008.

As que ainda estavam tentando driblar a conjuntura negativa partiram para captações externas, diante da falta de crédito no mercado bancário nacional. Desde 2011, ao menos quatro grupos de médio porte emitiram bônus.

Porém, do ano passado para cá, duas delas (Grupo Virgolino de Oliveira e Aralco) deram calote e outra (Tonon Bioenergia) abriu renegociação com os detentores dos bônus por causa da redução de sua liquidez de curto prazo.

A dívida emitida por essas três empresas e pela USJ Açúcar e Etanol no exterior soma US$ 1,79 bilhão. Essa dívida, explica Miori, não está atrelada a operações de exportação, portanto, não conta com o hedge natural decorrente dos embarques ao exterior. No médio e longo prazos, o câmbio desvalorizado tende a beneficiar os resultados das companhias desse setor, já que exportam 40% de sua produção.

Porém, dólar alto significa dívida alta, sem necessariamente gerar receita mais elevada. Quanto mais forte o dólar, menores as cotações do açúcar na bolsa de Nova York, referência de preços para o mercado mundial.

"Os exportadores tendem a vender mais açúcar ao exterior [influenciando nos preços do mercado à vista] e também a fixar preços em Nova York a patamares mais baixos, uma vez que o câmbio compensa", diz o analista da Fitch. (Valor Econômico 20/04/2015)

 

Cana ficará sem crédito em 2016

http://www.canalrural.com.br/noticias/mercado-e-cia/cana-ficara-sem-credito-2016-56008

O setor de açúcar e álcool no Brasil enfrenta a mais severa crise da história no país. E a situação parece que não vai melhorar tão cedo.

Consultorias privadas apontam que em 2016, o nível de recursos para financiamento vai atingir um estado crítico, deixando o setor em alerta

Segundo o economista, Fábio Silveira, os preços do etanol, descontada a inflação, tiveram uma queda de 13% de janeiro a abril, em comparação com o mesmo período do ano passado, e para o açúcar a baixa foi de 7%.

Já os dados da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) apontam que só na região centro-sul do Brasil, a moagem de cana na safra 2014/15 foi de 571,34 milhões de toneladas, ante as 597,06 milhões de toneladas processadas na safra anterior, o que significa uma redução de 4,31% na moagem. Além destes indicativos, o endividamento do setor é um dos principais fatores que aumentam esse risco.

Nos últimos sete anos, 82 usinas fecharam e mais de 80 mil trabalhadores foram demitidos.

Consequências

Para esta safra, a Única estima que mais 12 usinas encerrem suas atividades no centro-sul do país. Silveira explica que o setor caminha para um estado crítico em 2016, já que está mais arriscado emprestar dinheiro.

“É preciso uma análise mais específica tanto de lideranças quanto do governo, pois se nada for feito as dificuldades serão maiores”, afirma. (Notícia Agrícolas 17/04/2015 às 20h: 15m)

 

Usinas do Oeste paulista apóiam projeto de terceirização

http://www.valor.com.br/agro/4012466/usinas-do-oeste-paulista-apoiam-projeto-de-terceirizacao

A União dos Produtores de Bioenergia (Udop), que representa as usinas de cana-de-açúcar do Oeste paulista, afirmou que apóia a aprovação do Projeto de Lei 4330/04, que regulamenta a terceirização do trabalho nas empresas brasileiras, por acreditar que o projeto garante a manutenção de todos os diretos “trabalhistas conquistados com muito suor ao longo de décadas de discussões” e ainda trará “uma segurança jurídica mais eficiente para as usinas e demais empresas e indústrias brasileiras”.

“Acreditamos que a regulamentação vai melhorar a eficiência e a competitividade no curto, médio e longo prazos nas usinas, trazendo um ganho na qualidade dos serviços prestados, o que só será possível pela maior capacitação e qualificação dos profissionais.

O Projeto de Lei, desta forma, defende o trabalho, e não a precarização das relações trabalhistas”, destacou em nota a diretoria da UDOP.

Conforme a entidade, o Fórum Nacional Sucroenergético (FNS), entidade formada pelas associações de classe do setor produtivo industrial de açúcar, etanol e bioeletricidade, representando nacionalmente os interesses da indústria sucroenergética, também manifestou também seu apoio pela aprovação do PL 4330/04, defendendo os “aspectos positivos que envolvem sua regulamentação”.

O projeto de lei tramita no Congresso Nacional há mais de 11 anos e há previsão de que seja votado pelos parlamentares nas próximas semanas. (Valor Econômico 17/04/2015 às 16h: 06m)

 

Bóias-frias abandonam migração para o corte da cana em São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/04/1618497-boias-frias-abandonam-migracao-para-o-corte-da-cana-em-sao-paulo.shtml

Neste ano, nenhum trabalhador de outro Estado chegou a Guariba, cidade símbolo do setor.

Avanço da colheita mecanizada, que chega a 85% dos canaviais do Estado, faz cortadores desistirem da atividade.

Eles chegavam aos milhares em caravanas de ônibus, dormiam em abrigos para mais de 400 pessoas, ocupavam as praças, supermercados e quadras de esporte das cidades e fizeram, por décadas, parte da paisagem da região de Ribeirão Preto.

Mas, neste ano, os bóias-frias desapareceram da mais tradicional região produtora de cana-de-açúcar do país.

Nesta época do ano, era comum a chegada de ônibus do Vale do Jequitinhonha (MG) ou de Codó e Timbiras, no Maranhão, com trabalhadores para o corte da cana na macrorregião de Ribeirão. Mas, com a assinatura do protocolo agro-ambiental entre as usinas e o Estado, em 2007, a mecanização de cana avançou muito, levando os migrantes a abandonar a área.

Segundo a Pastoral do Migrante de Guariba (SP), em 2015 não chegou à cidade um único migrante, fato inédito em 40 anos. Na década passada, eram ao menos 15 mil ao ano. Agora, buscam outras regiões para atuar na construção civil e na citricultura, ou ficam em seus Estados.

Dos 1.200 bóias-frias esperados no entorno de Guariba, no máximo cem devem ser migrantes, segundo o Sindicato dos Empregados Rurais da cidade. A mão de obra total já foi de 60 mil.

Guariba é uma cidade símbolo da luta dos bóias-frias, graças a um levante ocorrido em 1984 que resultou em uma morte e iniciou mudanças nas relações trabalhistas.

"Hoje, quando ocorre, a migração é espontânea. Ônibus com centenas de migrantes chegando não há mais, nem haverá", disse a socióloga Maria Aparecida de Moraes Silva, que estuda essa dinâmica trabalhista no campo há mais de três décadas.

Dos 5,5 milhões de hectares com cana em São Paulo, 85% foram colhidos por máquinas em 2014, segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola). Em 2007, a mecanização alcançava 42%.

A cada 1% de aumento na colheita mecanizada, 702 postos de trabalho são extintos, segundo o instituto. (Folha de São Paulo 19/04/2015)

 

Com restrições a queimadas, podão é coisa do passado, afirma tratorista

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/04/1618498-com-restricoes-a-queimadas-podao-e-coisa-do-passado-afirma-tratorista.shtml

Boa parte dos migrantes que ainda vivem na região de Ribeirão Preto (SP) teve de se adaptar à nova realidade dos canaviais, hoje repletos de máquinas agrícolas.

A mecanização ganhou força a partir de 2007, quando aumentou a restrição às queimadas, que facilitavam o corte manual, mas trazem riscos ambientais. Com a máquina, é possível colher a cana crua, o que fez cair a contratação de bóias-frias.

"Precisei me qualificar para deixar o podão, que é puxado. Isso é passado", diz o tratorista João Lindomar dos Santos, 43, que saiu do Paraná para viver na região de Ribeirão Preto nos anos 1990.

Ele recebe pouco mais de R$ 2.000 mensais, valor superior ao de muitos bóias-frias, que não chega a R$ 1.500. Contudo, mais importante que o valor, diz, é que o serviço é menos extenuante.

Ainda no corte de cana, o ex-migrante Valdomiro Rodrigues, em Guariba desde 1987, disse ter visto desde então conterrâneos (é mineiro) irem embora, por não agüentar a jornada de trabalho.

"Muita coisa mudou. As condições de trabalho melhoraram bastante, mas, por outro lado, muitas usinas fecharam devido à crise e muitas pessoas ficaram desempregadas. Não são todos que sabem trabalhar com máquinas."

Para o presidente do sindicato, Wilson Rodrigues da Silva, 48, é preciso que o trabalhador aceite que a mecanização engoliu os empregos no campo. "Nós sabíamos que esse dia [fim da migração] chegaria. Ainda há empregos, mas são poucos", diz.

Segundo Iza Barbosa, consultora em responsabilidade social corporativa da Unica (entidade das usinas), trabalhadores que perderam vagas no campo estão fazendo cursos do Pronatec, entre outros.

"As usinas estão requalificando cada vez mais. Funções como soldador, eletricista, mecânico e motorista são alvo das empresas. Não é só o trabalhador que precisa do emprego na usina, ela também precisa do funcionário."

O setor sucroalcooleiro perdeu 22.551 vagas em 2014, segundo dados do Ministério do Trabalho. No ano anterior, havia perdido 1.241.

"Hoje não vale a pena vir para São Paulo cortar cana. Com a mecanização, não há emprego", afirma Carlos Fredo, pesquisador do IEA. (Folha de São Paulo 19/04/2015)

 

Odebrecht era líder do cartel, diz presidente da Camargo Corrêa

O presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, confirmou a informação de delatores de que um conjunto de empreiteiras agia como um cartel em obras da Petrobras para evitar preços excessivamente baixos.

Segundo o executivo em sua delação premiada, "quem capitaneava a organização [do cartel] e tinha maior influência nas decisões devido ao seu porte era a empresa Odebrecht".

Maior empreiteira brasileira, a Odebrecht já refutou tanto a prática de cartel quanto as acusação de irregularidades em contratos com a Petrobras.

Outros delatores apontaram o empresário Ricardo Pessoa, da UTC, como líder do cartel. Preso, Pessoa é um dos investigados.

Avancini cita seis empresas como as mais influentes no cartel, grupo conhecido como G6: Odebrecht, Camargo Corrêa, UTC, OAS, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão.

Havia, contudo, empresas menores que tinham participação permanente, disse ele. Nesse segundo grupo seria comporto por Mendes Junior, Toyo, Techint e Engevix.

Os delatores da Camargo Corrêa, Avancini e Eduardo Leite, afirmam que o cartel não implicava em valores superfaturados das obras.

Leite, vice-presidente, disse que o suborno, de 1% a 2% do valor do contrato, era considerado custo e se "tornava insignificante" em contrato de R$ 1 bilhão.

Na obra do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), disse, a distribuição de parte das obras era feita por sorteio, vencido por Odebrecht e Mendes Junior. (Folha de São Paulo 19/04/2015

 

Clima será "excepcional" para milho, cana e café nos próximos meses, diz Somar

As condições climáticas para as lavouras de milho, cana-de-açúcar e café do centro-sul do Brasil nos próximos meses serão "excepcionais", com chuvas adequadas na reta final antes da colheita, disse nesta sexta-feira um agrometeorologista da Somar.

A segunda safra de milho, plantada no Centro-Oeste, Sudeste e Paraná logo após a colheita da soja, está nas fases iniciais de desenvolvimento, em que a umidade do solo ainda é muito necessária.

"Está maravilhoso. Está chovendo bem em todas as regiões produtoras de milho safrinha do Brasil", disse à Reuters Marco Antônio dos Santos, da Somar.

Segundo ele, haverá chuvas constantes no Centro-Oeste, Sudeste e Paraná durante as próximas duas semanas, até o fim de abril. Depois disso, não haverá uma interrupção total das precipitações, como é comum no outono e inverno da região central do país.

"Para a maior parte das regiões produtoras, não há ausência de chuvas, mas pancadas isoladas. Para os produtores que plantaram milho em março, o que foge da janela ideal de clima, isso é bom", disse Santos, não descartando que microrregiões terão clima seco mais prolongado.

Uma das explicações para as características climáticas dos próximos meses é a ocorrência de um El Niño fraco, que foge das características clássicas do fenômeno, segundo Santos.

"Não tem um El Nino característico, mas tem uma continuação de um certo aquecimento das águas do Pacífico e do Atlântico. Isso favorece a entrada de frentes frias (e ocorrência de chuvas) durante os próximos meses", afirmou.

A colheita de milho deverá começar na primeira quinzena de junho.

Nesta sexta-feira, a consultoria Céleres disse que a segunda safra de milho do Brasil tem potencial para romper a marca de 50 milhões de toneladas, um volume nunca colhido no país, em função das boas perspectivas de clima para as lavouras.

CAFÉ E CANA

No centro-sul do Brasil, notadamente em São Paulo, principal região produtora de cana do país, a condição mais chuvosa em abril e nos meses seguintes não deverá atrapalhar o trabalho de colheita das primeiras lavouras e ainda poderá ajudar o desenvolvimento das áreas a serem colhidas mais ao final da temporada.

A colheita no centro-sul já começou e vai até outubro ou novembro, quando o tempo seco permite a entrada das máquinas nos canaviais e favorece a concentração de açúcar nas plantas.

"Não teremos nem invernada, uma semana inteira chovendo, nem seca drástica. É o melhor dos mundos para a cana", disse o agrometeorologista.

A expectativa é que as lavouras de cana do centro-sul se recuperem este ano de uma seca histórica no início do ano passado, que derrubou a produção e mexeu com os preços internacionais do açúcar.

Para o café, outro importante produto de exportação do Brasil, com colheita da maior parte da produção a partir de maio, o clima mais chuvoso dos próximos meses não terá tanta interferência na safra, embora possa ajudar no desenvolvimento de colheitas futuras. As plantações do Sudeste, principalmente de Minas Gerais, ainda se recuperam da forte seca do início do ano passado.

"Estive ontem no sul de Minas e quando mostrei os gráficos de que tem chuvas, mas sem invernada, os produtores adoraram, contou o agrometeorologista.

Santos destacou que a primeira massa de ar polar deve chegar a Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Minas Gerais no fim de maio ou no começo de junho.

"Mas não é temperatura para geada", frisou o especialista, referindo-se às condições de frio congelante que podem arrasar lavouras de café, cana e milho, especialmente no Paraná. "Mas precisamos monitorar."

Segundo ele, o Brasil terá em 2015 um inverno semelhante ao de 2014, com picos de frio, com duração de apenas três ou quatro dias

 

Renováveis já venceram os combustíveis fósseis

http://www.brasilagro.com.br/conteudo/renovaveis-ja-venceram-os-combustiveis-fosseis.html#.VTTCASFViko

A corrida pela energia renovável passou um ponto de inflexão. O mundo já está adicionando mais capacidade de geração de energia renovável por ano do que de energia via carvão, gás natural e petróleo combinados. E não há volta.

A mudança ocorreu em 2013, quando o mundo adicionou 143 gigawatts de capacidade de geração de eletricidade por fontes renováveis, acima dos 141 GW de novas usinas que queimam combustíveis fósseis, segundo análise apresentada esta semana na reunião anual Bloomberg New Energy Finance (BNEF), em Nova York.

A mudança continuará a se acelerar, e até 2030 serão adicionadas mais quatro vezes a capacidade renovável em relação à atual.

"O sistema elétrico está migrando para fontes limpas", disse Michael Liebreich, fundador da BNEF. "Apesar da mudança nos preços do petróleo e do gás, haverá um acúmulo substancial de energia renovável, provavelmente maior que o incremento em carvão e gás."

Os preços das energias eólica e solar continuam a cair, e agora estão em paridade ou mais baixos que a média da eletricidade em muitas regiões do mundo.

A energia solar, a mais nova entre as principais fontes de eletricidade, constitui menos de 1% do mercado de energia elétrica atualmente, mas será a maior fonte no mundo em 2050, segundo a Agência Internacional de Energia.

A questão já não é se o mundo vai fazer a transição para uma energia mais limpa, mas quanto tempo isso demorará. (Brasil Agro 17/04/2015)

 

Commodities Agrícolas

http://www.valor.com.br/agro/4013782/commodities-agricolas

Cacau: Choque de realidade: A forte queda na moagem de cacau na América do Norte no primeiro trimestre foi um balde de água fria nas esperanças dos investidores, provocando vendas em massa de papéis da amêndoa na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os papéis para julho caíram US$ 33, para US$ 2.841 a tonelada. Entre janeiro e março, os países da América do Norte moeram 5,8% menos cacau que no mesmo período de 2014. Antes, a indústria européia já havia reportado uma queda de 1,6% no processamento. O recuo está relacionado ao desaquecimento econômico e à migração das indústrias para as regiões produtoras de cacau, principalmente o oeste da África. No mercado interno, o preço da arroba em Ilhéus e Itabuna seguiu em R$ 115, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Nova queda: Os preços do algodão recuaram pelo segundo dia seguido na sexta-feira na bolsa de Nova York, ainda como reflexo da redução da demanda pela pluma americana. Os contratos para julho fecharam com queda de 129 pontos, a 63,29 centavos de dólar a libra-peso. Na semana encerrada dia 9, os vendedores americanos registraram mais cancelamento de compras do que novos negócios acertados. A China, que detém 60% dos estoques mundiais, foi o principal cliente responsável pelos cancelamentos. O mercado também encontra dificuldades de reagir diante do clima nos Estados Unidos, onde as chuvas impedem o avanço do plantio. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,11%, para R$ 2,1991 a libra-peso.

Milho: Clima e fundos: O fortalecimento do mercado físico nos Estados Unidos e os movimentos de fundos impulsionaram o milho na bolsa de Chicago na sexta-feira. Os lotes para julho fecharam em alta de 3,5 centavos, a US$ 3,8675 por bushel. Os investidores continuaram cobrindo posições vendidas na última sessão. De outro lado, o grão também vem sendo sustentado pelo clima chuvoso no Meio-Oeste americano, que tem atrasado a semeadura da safra 2015/16. Brian Hoops, presidente da Midwest Market Solutions, acredita que os EUA iniciarão a próxima semana com 12% a 15% da área projetada para milho já plantada, pouco abaixo da média para o período. No oeste da Bahia, a saca de 60 quilos de milho foi cotada a R$ 24, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Trigo: Pressão das chuvas: As chuvas que ocorrem nas regiões produtoras de trigo dos EUA voltaram a pressionar os preços do cereal nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para julho fecharam em baixa de 1,5 centavo na sexta-feira, a US$ 4,8925 por bushel. Em Kansas, os papéis de mesmo vencimento caíram 0,75 centavo, a US$ 5,1475 por bushel. As precipitações, que se concentram nas Grandes Planícies americanas, tendem a continuar nos próximos dias, ampliando os benefícios às lavouras de trigo. Há ainda outro fator "baixista" para as cotações: traders esperam que a Rússia retire nos próximos meses o imposto de exportação do cereal, o que deve aumentar a oferta global. No Paraná, a saca foi negociada a R$ 35,76, avanço de 0,25%, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab). (Valor Econômico 20/04/2015)