Setor sucroenergético

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Entidades do agronegócio manifestam apoio ao projeto de terceirização

Diversas entidades do agronegócio têm se manifestado a favor do Projeto de Lei 4.330, que regulamenta e amplia a terceirização no País. Em nota, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) diz que o projeto, em tramitação no Congresso, deve tornar "mais transparente e profissional as relações trabalhistas nos diferentes segmentos do setor".

"Se bem regulamentada, a terceirização traz uma série de benefícios, como a redução da informalidade", destaca a Abag. "Para o agronegócio, a aprovação do PL 4.330 geraria eficiência, competitividade, produtividade e redução de custos na produção", conclui a entidade.

Segundo Abag, proposta torna as relações de trabalho do setor mais 'transparentes'

Já a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) diz que o trabalho nas propriedades rurais mato-grossenses está cada vez mais tecnificado, com uso de mão-de-obra especializada. "Atualmente, atividades como plantio, colheita e aplicação de defensivos requerem mão de obra qualificada, pois temos maquinários modernos e muito tecnológicos. Um funcionário com este nível de especialização não é utilizado todo tempo na propriedade rural, pois opera máquinas específicas para determinadas atividades, de forma pontual", explicou Ricardo Tomczyk, presidente da Aprosoja-MT, em comunicado. Uma saída, segundo ele, seria a contratação de empresas terceirizadas que fariam serviços específicos nas épocas necessárias.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) ressaltou que o projeto é "uma oportunidade de modernizar e melhorar as relações de trabalho na agropecuária sul-mato-grossense". "A prática da terceirização já é comum no Brasil, mas a falta de uma regulamentação traz insegurança tanto ao contratante como ao contratado", explicou a entidade. Segundo a Famasul, a proposta regulariza a prática e garante os direitos dos trabalhadores terceirizados.

Outra entidade que apoia os "pontos positivos" da PL é a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). "Além de trazer segurança jurídica e permitir a possibilidade de geração de emprego, a regulamentação do projeto de terceirização preserva os direitos trabalhistas", avalia a principal representante do setor sucroenergético. Os serviços de terceirização são parte importante da estrutura produtiva da indústria brasileira, mas a falta de sua regulamentação é fator de grande insegurança jurídica para o setor produtivo."

Também representante da cadeia produtiva de açúcar e álcool, o Fórum Nacional Sucroenergético avalia que a "terceirização possibilita a especialização de atividades, permitindo que cada empresa se concentre em melhorar competências e aumentar eficiência". "Do ponto de vista do trabalhador, o PL também é altamente meritório na medida em que regulamenta o serviço terceirizado - já amplamente utilizado no Brasil e em outros países -, reforçando todos os direitos trabalhistas garantidos pela CLT." (O Estado de São Paulo 22/04/2015 às 14h: 25m)

 

Açúcar: Demanda firme

O aumento da demanda chinesa e a desvalorização do dólar em relação ao real ajudaram a elevar os preços do açúcar na bolsa de Nova York.

Os lotes para julho fecharam ontem em alta de 21 pontos, a 12,59 centavos de dólar a libra-peso.

A China informou que, em março, importou 490,545 mil toneladas da commodity, 19% mais que no mesmo mês do ano passado.

Além disso, a nova rodada de enfraquecimento da moeda americana colaborou para desestimular as usinas brasileiras a ofertar seu produto no mercado internacional.

A perspectiva para os fundamentos do mercado neste ano, porém, não abre muitas brechas para apostas na valorização do açúcar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos de açúcar cristal ficou em R$ 51,55, ligeiro avanço de 0,06%. (Valor Econômico 23/04/2015)

 

Superintendência do Cade aprova contrato entre Bayer e Agrium

A superintendência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou sem restrições o contrato de distribuição celebrado entre a Bayer, a Agrium e a sua subsidiária no Brasil, Utilfértil, em dezembro de 2014, por meio do qual a Utilfértil e suas coligadas brasileiras passarão a distribuir produtos da Bayer em todo o território nacional.

O contrato prevê a comercialização de defensivos agrícolas destinados às culturas de algodão, arroz, feijão, batata, soja, milho, café, cana, frutos cítricos, frutas, hortifruti e cereais de inverno (trigo, aveia, centeio e cevada) e tem prazo previsto de 120 meses, podendo ser prorrogado.

Segundo despacho publicado hoje no “Diário Oficial da União”, a participação de mercado da Utilfértil é muito pequena, o que minimiza um cenário de sobreposição horizontal, “pois as atividades da Utilfértil pouco alteram as participações atualmente detida pela Bayer”. (Valor Econômico 22/04/2015)

 

Para governo paulista, "sangria" da citricultura pode estar no fim

A "sangria" da citricultura paulista pode estar chegando ao fim. A perda de pés de frutas continua, mas já em ritmo menor, de acordo com o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado, Arnaldo Jardim.

Levantamento da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, ligada à secretaria, indica que foram eliminados 13,1 milhões de pés de cítricos no segundo semestre do ano passado.

A boa notícia, segundo o secretário, é que, entre replantio e pomares novos, foram colocados 6,6 milhões de novas mudas no solo. Além disso, outro 1,5 milhão de plantas foi eliminado para reforma de pomares.

O levantamento aponta duas tendências no setor. Há uma concentração da produção da laranja para indústria nas grandes propriedades, mas surge também uma citricultura voltada para a oferta de laranja de mesa. E esse deve ser um dos focos da política paulista para o setor.

Jardim diz que há uma retomada das atividades da câmara setorial da citricultura. Uma das preocupações é incentivar o consumo de suco, que vem caindo.

Entre as medidas para esse incentivo se discute a redução tributária sobre o produto, segundo o secretário.

"É um período difícil para reduções de alíquotas, mas, como já foi feito com a água e o xarope de milho, estamos estudando essa redução", afirma Jardim.

O secretário destacou que boa parte da eliminação dos pomares paulistas se deve ao greening, uma doença que avança no Estado. A pesquisa do segundo semestre de 2014 indicou a eliminação de 2,38 milhões de plantas devido a essa doença. Já o cancro cítrico foi responsável por outras 45,3 mil eliminações.

Muitos produtores, no entanto, desistiram dessa atividade e cortaram 4,02 milhões de plantas para investir em outras culturas. Outros citricultores, responsáveis pelo corte de 5,2 milhões de plantas, não informaram o motivo da saída do setor, segundo a Coordenadoria de Defesa Agropecuária.

Os números da coordenadoria indicam que 10,5 mil propriedades concentram 14% das plantas cítricas do Estado. Essas propriedades têm até 10 mil plantas cada uma.

Já outras 2.403 propriedades, com mais de 10 mil plantas cada uma, concentram os outros 86% de pés de cítricos. Apenas 11 propriedades detêm 22,6 milhões de plantas, 12% do total do Estado.

O levantamento indicou que 68 milhões de plantas estão na faixa de 8 a 16 anos. Outros 16 milhões têm mais de 20 anos.

A região de Barretos tem o maior pomar, com 23 milhões de pés, mas a citricultura avança para o sudoeste. As regiões de Itapetininga e de Avaré têm 21 milhões de pés. (Folha de São Paulo 23/04/2015)

 

Investidor volta a apostar na alta das commodities

Diante de sinais de que a economia global está se recuperando e que a valorização do dólar faz uma pausa, investidores estão voltando discretamente a investir em commodities, como petróleo, cobre e açúcar.

O Índice GSCI da S&P, que acompanha os preços de 24 commodities, subiu mais de 10% desde 17 de março, e está perto de atingir seu ponto mais alto desde dezembro.

A alta está sendo impulsionada pela recuperação dos preços do petróleo, que já subiram mais de 30% de suas mínimas, assim como o avanço nos preços do cobre, açúcar, ouro e outras commodities.

Desde meados de 2014, a queda nos preços das commodities e a alta do dólar têm sido influências constantes no mercado.

Mas o dólar está estável desde março, depois que o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, indicou, em 18 de março, que não está com pressa de elevar os juros e por uma série de indicadores econômicos nos EUA que decepcionaram o mercado.

Poucos analistas e operadores acreditam que o declínio no preço de muitas commodities terminou.

A demanda da China, o maior consumidor de commodities do mundo, continua a cair, enquanto a Europa luta para evitar outra crise econômica.

Ainda assim, alguns investidores institucionais vêem uma oportunidade tentadora demais para deixar passar.

Muitos estão adquirindo commodities a preços que estão nos níveis mais baixos em muitos anos, já que as bolsas de valores em recordes de alta e os títulos soberanos perto de zero na Europa e na Ásia deixam poucas opções atraentes de investimento disponíveis.

"As pessoas estão achando reconfortante que a Europa esteja estimulando (sua economia) e que o crescimento dos EUA esteja sendo mantido", diz George Zivic, que administra US$ 325 milhões no fundo Oppenheimer Commodity Strategy Total Return. "Se você é um investidor em commodities subvalorizadas, acredito que há oportunidades aqui."

Na semana terminada em 14 de abril, as apostas dos investidores em um aumento de preços do petróleo superaram em 9% (231.556 contratos) as apostas na queda de preços, o maior nível desde agosto, segundo dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA.

Gestores de recursos, como um grupo, passaram a apostar em uma alta do cobre no início de março, depois de apostarem que o preço do metal cairia por 23 semanas seguidas.

O fluxo de recursos em direção a fundos negociados em bolsa com foco em energia cresceu 40% em março, depois de cair no mês anterior, segundo a Morningstar.

O aumento no fluxo de investimentos tem se traduzido em uma alta dos preços de algumas commodities. O petróleo, por exemplo, subiu quase 30% desde uma mínima em março.

O cobre já subiu quase 4%, o açúcar, 5,5%, e o ouro, 3,4%. Muitos analistas dizem que uma recuperação econômica na zona do euro impulsionará a demanda por matérias-primas na região, que está atrás apenas da China como consumidora de commodities. Muitos também apostam que a China já tenha passado pela pior fase de desaceleração, um fator importante por trás dos vários anos de queda nos preços das matérias-primas.

Ao mesmo tempo, alguns investidores acreditam que a valorização do dólar durante oito meses foi interrompida devido à fraqueza de dados econômicos nos EUA e de sinais de que o Fed está menos disposto a elevar os juros nos próximos meses.

O enfraquecimento da moeda americana torna as commodities negociadas em dólar mais baratas para os consumidores fora dos EUA.

Uma pausa na ascensão do dólar removeria um obstáculo que vem pressionando os preços das commodities há quase um ano.

"Nós acreditamos que podemos ter atingido o fundo do poço", diz François Bourdon, diretor de investimento da Fiera Capital, gestora de ativos canadense que supervisiona US$ 85 bilhões. Bourdon prevê uma recuperação global, onde o crescimento robusto da economia americana vai impulsionar as economias da Europa e do Japão, enquanto o esfriamento na China será mais moderado.

Ele também prevê que, depois de uma forte valorização, a alta do dólar deve permanecer limitada.

Entre seus investimentos recentes estão ações preferenciais e títulos de dívida corporativa de alto risco de petrolíferas, principalmente aquelas sediadas no Canadá.

Mas os investidores têm uma abundância de razões para agir com cautela, e muitos preferem ficar à margem.

A ata da mais recente reunião do Fed, divulgada em 8 de abril, mostrou um número maior que o esperado de membros do banco central optando por elevar os juros em junho.

A reunião ocorreu, contudo, antes da divulgação de uma série de dados anêmicos da economia americana, como o número de contratações no mercado de trabalho muito mais fraco que o esperado, o que pode ter esfriado o entusiasmo das autoridades do Fed para elevar os juros neste semestre.

Outros operadores acreditam que elevar a inflação na Europa, uma das principais metas do Banco Central Europeu, será muito mais difícil do que o previsto, citando as tentativas do Japão, que ainda está lidando com a deflação apesar de estímulos sem precedentes de seu banco central.

E embora a China tenha anunciado várias medidas de estímulo nos últimos meses, elas falharam em incentivar a demanda por commodities.

Ao mesmo tempo, o acordo nuclear entre Teerã e Washington pode levar o petróleo do Irã de volta ao mercado, enquanto a Arábia Saudita se recusa a reduzir a produção de petróleo, deprimindo os preços.

"Pode ser que o fundo do poço esteja próximo, mas ainda não estamos lá", diz Giovanni Staunovo, analista de commodities do setor de gestão de fortunas do UBS, que administra US$ 1 trilhão. "Há grandes incertezas lá fora. (Valor Econômico 23/04/2015)

 

Petrobras: Baixa de R$6,2 bi por corrupção e prejuízo de R$21,6 bi em 2014

A Petrobras teve um prejuízo de 21,6 bilhões de reais no ano passado, mostrou balanço auditado nesta quarta-feira, após contabilizar perdas de 6,2 bilhões de reais por corrupção e reduzir em mais de 44 bilhões de reais o valor de seus ativos.

A empresa, no centro da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, não pagará dividendos referentes ao exercício de 2014 para preservar caixa, mesmo tendo mais de 100 bilhões de reais em reservas de lucros no fim de dezembro.

"Não vamos pagar dividendos", afirmou e repetiu o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, durante entrevista coletiva.

A publicação do resultado do terceiro trimestre do ano passado estava atrasada em mais de cinco meses e a companhia aproveitou para divulgar também os dados do quarto trimestre e de todo o ano de 2014.

No terceiro trimestre de 2014, a petroleira reconheceu perdas de 6,2 bilhões de reais por pagamentos indevidos descobertos pela Lava Jato, que investiga o desvio de dinheiro de contratos da Petrobras com envolvimento de ex-funcionários, executivos de empreiteiras e políticos. Isso levou a um prejuízo líquido de 5,3 bilhões de reais de julho a setembro do ano passado.

No quarto trimestre, a estatal reduziu o valor de seus ativos em 44,3 bilhões de reais, após ter reavaliado uma série de projetos, principalmente a Refinaria Abreu e Lima (em Pernambuco) e o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). A empresa citou problemas no planejamento dos projetos, uso de taxa de desconto com maior prêmio de risco, postergação da expectativa de entrada de caixa e menor crescimento econômico.

O prejuízo líquido da Petrobras de outubro a dezembro, após o efeito da redução dos ativos, ficou em 26,6 bilhões de reais.

Os mais de 50 bilhões de reais por corrupção e, principalmente, pela diminuição do valor dos ativos não ficaram muito distantes das abordagens rejeitadas pelo Conselho de Administração da Petrobras no fim de janeiro, que apontavam para uma sobreavaliação de ativos em pouco mais de 60 bilhões de reais.

Naquela ocasião, a companhia optou por divulgar números sem qualquer baixa contábil e sem o aval da auditora externa PricewaterhouseCoopers, que se negou a assinar o documento. Dias depois, a então presidente da estatal Maria das Graças Foster e cinco diretores renunciaram, surpreendendo integrantes do governo.

Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e homem de confiança da presidente da República Dilma Rousseff, foi indicado no começo de fevereiro para comandar a Petrobras. Seu primeiro desafio foi garantir a publicação do balanço auditado para afastar o risco de uma execução de dívidas de bilhões de dólares por credores.

Bendine disse a jornalistas nesta quarta que a divulgação do balanço auditado volta a garantir normalidade no relacionamento com acionistas e credores.

"Estamos passando a limpo os erros cometidos no trato com os recursos da companhia para podermos lidar com o mercado com a transparência que esse exige e merece receber", afirmou o executivo.

EBITDA MENOR, DÍVIDA MAIOR

A geração de caixa da Petrobras medida pelo Ebitda ajustado(sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) foi de 8,5 bilhões e de 20,1 bilhões de reais no terceiro e no quarto trimestres do ano passado, respectivamente. No acumulado de 2014, o Ebitda totalizou 59,1 bilhões de reais, contra quase 63 bilhões de reais em 2013.

O prejuízo líquido de quase 22 bilhões de reais no ano passado se compara ao lucro de 23,6 bilhões de reais no ano anterior.

A Petrobras encerrou dezembro com endividamento bruto de 351 bilhões de reais, alta de 31 por cento sobre o fim de 2013. A relação entre dívida líquida e Ebitda, um indicador de alavancagem da companhia, subiu para 4,77 vezes, de 3,52 vezes um ano antes.

Dentro de cerca de 30 dias, a companhia espera apresentar seu plano de negócios para o período de 2015 a 2019, que deverá reduzir os investimentos previstos. Será priorizada a área de exploração e produção de petróleo e gás, segmento mais rentável da estatal.

ALÍVIO FINANCEIRO

Segundo o diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, a Petrobras tinha 25,6 bilhões de dólares em caixa alguns dias atrás.

O risco de não publicação de balanço auditado causou temor, mas não impediu que a empresa conseguisse financiamentos. Na semana passada, a petroleira informou que já cobriu suas necessidades de financiamentos para este ano.

A Petrobras firmou acordos totalizando 9,5 bilhões de reais entre financiamentos e limites de crédito pré-aprovado com Caixa Econômica Federal, BB e Bradesco.

A empresa também acertou com o banco Standard Chartered um acordo de cooperação para uma operação de venda com arrendamento e opção de re-compra de plataformas de produção, no valor de até 3 bilhões de dólares e prazo de 10 anos.

No começo do mês, a estatal anunciou a assinatura de um financiamento com o Banco de Desenvolvimento da China (CDB) de 3,5 bilhões de dólares.

Adicionalmente, a petroleira anunciou em março a aprovação de um robusto plano de desinvestimento de 13,7 bilhões de dólares para o biênio 2015 e 2016, visando à redução da alavancagem, preservação do caixa e concentração nos investimentos prioritários. (Reuters 22/04/2015)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Demanda firme: O aumento da demanda chinesa e a desvalorização do dólar em relação ao real ajudaram a elevar os preços do açúcar na bolsa de Nova York. Os lotes para julho fecharam ontem em alta de 21 pontos, a 12,59 centavos de dólar a libra-peso. A China informou que, em março, importou 490,545 mil toneladas da commodity, 19% mais que no mesmo mês do ano passado. Além disso, a nova rodada de enfraquecimento da moeda americana colaborou para desestimular as usinas brasileiras a ofertar seu produto no mercado internacional. A perspectiva para os fundamentos do mercado neste ano, porém, não abre muitas brechas para apostas na valorização do açúcar. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos de açúcar cristal ficou em R$ 51,55, ligeiro avanço de 0,06%.

Café: Temor com oferta: A possibilidade de um déficit mundial de café nesta safra e a desvalorização do dólar mantiveram ontem as cotações do grão arábica no campo positivo em Nova York. Os papéis para julho fecharam em alta de 95 pontos, a US$ 1,4365 por libra-peso. Embora as lavouras no Brasil, maior produtor mundial de café, tenham passado por condições climáticas melhores neste início de ano, em relação a 2014, projeções indicam que a produção global crescerá menos que a demanda. A perda de força do dólar ante o real também colaborou para sustentar o arábica, na medida em que desestimula os produtores do Brasil a exportar o grão. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos do café de boa qualidade oscilou entre R$ 470 e R$ 480, conforme o Escritório Carvalhaes.

Algodão: Chineses recuados: O preços futuros do algodão no mercado futuro alternaram momento de alta e de baixa no pregão de ontem, com o mercado dividido entre a queda nas importações chinesas da fibra e o enfraquecimento do dólar. Os lotes do produto para entrega em julho caíram 7 pontos (ou 0,11%), a 62,92 centavos de dólar a libra-peso. A China, maior importadora de algodão do mundo e detentora de cerca de 60% dos estoques globais da pluma, reduziu em março suas importações em 42%, para 127,919 mil toneladas. No acumulado do primeiro trimestre, a queda foi de 41%, para 448,202 mil toneladas. Por outro lado, a desvalorização do dólar perante diversas divisas exerceu influência de alta nas cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma subiu 0,04%, a R$ 2,1998 a libra-peso.

Soja: Gripe aviária nos EUA: A queda das importações chinesas de soja reacendeu as preocupações em torno do enfraquecimento da demanda, puxando para baixo os preços futuros do grão. Os contratos para julho caíram 5 centavos, a US$ 9,7175 o bushel, o menor valor desde a última quinta­feira. Em março, a China importou 4,49 milhões de toneladas de soja, recuo de 2,81% ante março de 2014. No acumulado do primeiro trimestre, porém, o resultado ainda é superior na comparação anual. Outra notícia "baixista" foi a confirmação pelo governo americano de um grave caso de gripe aviária em uma criação de frangos com 5,3 milhões de aves. O receio é de que a disseminação da doença reduza a demanda por farelo de soja, insumo para a ração das aves. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o grão no Paraná caiu 0,65%, a R$ 62,79 a saca. (Valor Econômico 23/04/2015)